Depois de todo junho há um agosto: com Marina, a “não política” ganha um rosto

publicada terça-feira, 26/08/2014 às 21:25 e atualizada terça-feira, 26/08/2014 às 21:34

Atrás de Marina Silva, há a sensação indefinida de que “algo não vai bem”. Há anos de bombardeio midiático a dizer que “a política não presta”. Marina, uma política profissional, que vive há mais de 30 anos da política, deu cara a esse sentimento difuso. Junho ganhou um rosto. E os neoliberais podem voltar ao poder, na garupa de Marina.

por Rodrigo Vianna

Narcisismo: a "não política" ganha um rosto...

Depois de junho, há sempre um… agosto. Sim, é como se este agosto de 2014 fosse a continuação inexata e algo surpreendente daquele junho de 2013 – que levou milhares às ruas.

O nome de Marina Silva não foi gritado nas ruas em junho de 2013. Não. Aquele foi um movimento inorgânico, um sintoma de que a grande mudança social operada no Brasil dos anos Lula havia gerado contradições quase insanáveis. E que o petismo estava mal preparado para lidar com elas.

Os manifestantes berravam contra a política em 2013 : “fora os partidos”, gritavam muitos jovens de junho. Ninguém me contou, eu vi nas ruas. Aquela foi uma miscelânea: justas reivindicações progressistas, lado a lado com o grito fascista de gangues - que surravam qualquer um de camisa vermelha pelas ruas. Isso foi junho de 2013. Eu vi. Ninguém me contou.

Dilma fez a leitura correta de junho. Foi à TV e propôs a Reforma Política – reconhecendo a esclerose de um sistema político dominado pelo peemedebismo que gera asco entre jovens e velhos, entre conservadores e esquerdistas. A única forma de derrotar a “não política” é com mais política…

Mas o PMDB e o tucanato, o conservadorismo bacharelesco e seus aliados midiáticos, juntos, barraram Dilma. A Reforma foi enterrada, a presidenta capitulou, não enfrentou o debate. Achou que seria possivel adiar tudo para um segundo mandato.

O mais irônico é que, apesar do governo mediano, que não empolga, tudo parecia seguir o roteiro traçado pelos marqueteiros e estrategistas de Dilma. No início de agosto de 2014, dentro da campanha tucana, começava-se a acreditar que Aécio não teria mesmo força pra deslanchar: ficava claro que o PSDB e mesmo Eduardo não conseguiriam empunhar a bandeira da “mudança”.

Dilma preparava-se para ganhar um segundo mandato, percorrendo uma passagem estreita, sobrevivendo ao mal-estar de junho e a seus erros. A Copa não fora o desastre previsto. A Economia tinha problemas, mas com os tucanos poderia ser até pior – reconheciam muitos. A avaliação popular do governo começava a melhorar.

Exatamente aí veio o 13 de agosto. No avião em que estavam Eduardo e seus assesores, naquela manhã terrível em Santos, estava também uma conjuntura política que não se vai refazer. Aécio e sua tentativa de “tucanismo renovado” caíram no avião, com Eduardo. A estratégia dilmista de ganhar sem disputa, quase sem política, também se esfacelou com o avião.

A velha UDN vai embarcar no vôo solo de Marina? Leia mais aqui

O IBOPE mostra Dilma com 34%, Marina com 29% e Aécio com 19%. Números forçados? Na margem de erro? Quem sabe… Mas o fato é que Marina Silva emerge de agosto como a favorita para vencer. Aécio se esborracha, e Dilma embica para baixo. Não está escrito nas estrelas que Marina vencerá. Mas ela é favorita. Não se deve brigar com os fatos.

Há – sim – certo temor (nas elites e nos setores orgânicos de trabalhadores) diante de uma candidata que mistura um discurso de defesa ambiental com um moralismo tosco e perigoso. Há a desconfiança diante de uma candidata que tem a  cara de junho, ou seja: pode ser tudo e nada ao mesmo tempo. Só que o cansaço com 20 anos de PSDB e PT parece ser maior ainda.

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