Salário mínimo: o que está por trás da proposta tucana
publicada quinta-feira, 10/02/2011 às 13:33 e atualizada sexta-feira, 11/02/2011 às 11:02
Por Igor Felippe Santos
O debate sobre o novo valor do salário mínimo, que envolve o governo federal, os partidos derrotados na eleição presidencial, as centrais sindicais e os movimentos populares é a primeira batalha política sob o comando da presidenta Dilma Rousseff, que terá continuidade na disputa em torno da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
O governo federal insiste na proposta de R$ 545, com base no acordo prévio feito com as centrais sindicais (e com o setor industrial, implicitamente) de aumentar o salário mínimo com base no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e da inflação. O PSDB propõe o aumento para R$ 600, retomando a proposta do candidato a presidente da coalizão conservadora, José Serra.
Já as centrais sindicais defendem o aumento para R$ 580, com base em compromisso assumido por Dilma no 2º turno das eleições. O Brasil não teve crescimento econômico em 2009 (ano utilizado como referência), no entanto, governo federal fez aportes financeiros em grandes empresas, que sustentaram a lucratividade do capital no quadro de crise estrutural do capitalismo a nível internacional. Os trabalhadores cobram do governo o mesmo tratamento dispensado aos empresários, que receberam apoio para enfrentar a crise econômica.
As três propostas têm base nos interesses concretos dos diferentes setores sociais, uma vez que estamos longe de um debate profundo sobre as necessidades da classe trabalhadora, e têm impacto direto sobre a principal pauta do mercado financeiro atualmente, que é a demanda por um ajuste fiscal, no quadro das disputas dos rumos da política econômica no próximo período.
O governo Dilma quer preservar a sua capacidade de fazer investimentos nas áreas consideradas prioritárias pelos diversos setores que estão na ampla aliança que elegeu a presidenta da República. Essa aliança, que articula frações do grande capital e da classe trabalhadora, se sustenta na manutenção de um patamar mínimo de crescimento econômico, que garanta a acumulação dos capitalistas, e de distribuição de renda, que possibilite melhorias na vida da população mais pobre.
Um aumento maior do salário mínimo, da perspectiva do governo federal, seria um sinal de aumento dos gastos públicos, que o governo prometeu brecar, e uma quebra do acordo em torno do salário mínimo com a burguesia de limitar o aumento ao crescimento do PIB e à inflação. Com isso, o governo cede às pressões do mercado financeiro.
Os partidos derrotados nas eleições querem impor um constrangimento a Dilma, ao colocar o governo contra uma proposta mais avançada para o salário mínimo, e tentar afastá-lo da sua base social conquistada nos últimos oito anos. Não podemos esquecer que esses partidos, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, impuseram durante oito anos arrocho do salário mínimo.
Um aumento maior do salário mínimo sem mudanças na política econômica forçaria o governo a fazer um maior ajuste fiscal (além de reformas da Previdência e legislação trabalhista) para pagar juros da dívida, que diminuirá o papel do Estado na economia, os investimentos na área de infra-estrutura e na área social. Ou seja, por trás da posição dos tucanos está o interesse em diminuir a margem de investimentos do governo.
As centrais sindicais, que demonstram uma posição firme, saudável e recomendável de autonomia dos trabalhadores em relação ao governo Dilma, fazem pressão por um aumento de R$ 580, inclusive com a perspectiva da realização de lutas que dêem unidade ao movimento sindical, popular e estudantil.
A pressão das centrais, em vez de forçar para um maior ajuste fiscal, tem como horizonte a mudança da política econômica, com o fim do superávit primário e a queda drástica dos juros, que drenam o orçamento da União para o pagamento de juros dos títulos da dívida pública, beneficiando apenas os bancos, a especulação do mercado financeiro e os setores rentistas. Em 2010, por exemplo, a despesa com juros do setor público foi de R$ 195,369 bilhões, que são desviados da área da educação, saúde, moradia e pequena agricultura/reformar agrária.
O avanço dos setores progressistas, que se articularam em torno da eleição de Dilma Rousseff, depende do apoio às demandas das centrais sindicais, além de denunciar os interesses escondidos por trás do debate do salário mínimo e pressionar de fora para dentro do governo, fazendo o enfrentamento com os setores conservadores que não aceitam qualquer mudança na política econômica que ameace o poder dos bancos e do mercado financeiro.
Igor Felippe Santos é jornalista, editor da Página do MST, integrante da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária e do Centro de Estudos Barão de Itararé.
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17 Comentários







Os Tucanos estão com síndrome do pequeno poder. Vamos em frente, Dilma!!
Alckmin aumentou o piso estadual de SP em 6,9%.
O aumento que Dilma propõe para o mínimo é de 6,83%.
Se os tucanos acham que é tão fácil dar aumento de quase 20% no salário mínimo, por que não fizeram o mesmo no piso estadual?
Os trabalhadores estão indo com muita sede ao pote, tudo pode desandar com um salário que a previdencia não suporte, o salário mínimo é apenas uma referência, e quem recebe SM hoje tem seu poder de compra preservado, não adianta ganhar SM de 800 reais e não poder comprar nada por causa da inflação
A história tem mostrado que esta cegueira dos trabalhadores tem levado países à bancarrota
Boa Paulo. A História demonstra não servir para os gestores publicos aprenderem com os erros passados.
Faço coro contigo!!!!Vamos em frente, Dilma!!
http://www.varaz.wordpress.com
Isso mesmo, Ivan! Vamos em frente, Dilma!!
Os tucanos estão com o orgulho ferido! hahahaha
Exatamente Paulo… Não sou o unico que está dizendo que é inviável um aumento desta proporção, economistas conhecidos da PUC, USP, entre outras universidades dizem que não pode acontecer este aumento.
TV Senado apresentou uma roda em discussão sobre o assunto em questão:
salário minimo aumenta, é pseudo bom para comerciantes, mais poder de compra não significa que estamos melhor que o Estados Unidos, na verdade se o dolar cai,nossa mercadoria é vendida com um preço insignificante… Aumentar para 600 o SM teria grandes consequências e uma delas é o desemprego em massa. Engraçado que isso é o que o povo está pedindo sem ter noção que esta estabilidade que tem hoje pode virar inflação em pouco tempo… coisa que ninguém quer e viver as mesmas épocas de inflação no Brasil.
Primeiro, os tucanos não possuem compromisso nem um com a classe trabalhadora. Fato. Durante os 8 anos do governo FHC, o PSDB atacou a classe trabalhadora por diversas vezes, de diversas formas.
Estou com as centrais sindicais. Até porque, quando é para salvar banqueiro em época de crise aparece dinheiro até de onde não tem.
É questão de escolha; isto é, a que classe você quer servir. Neste caso, o governo Dilma escolheu o lado da burguesia. O Lula, um ex-sindicalista, chamou as centrais sindicais de oportunistas.
E se fosse o Serra que tivesse chamado as centrais de oportunistas?
É justamente nesse ponto que queria chegar:
Certa esquerda parece mais interessada em defender o governo, em servir como tropa de choque do governo, do que realmente servir aos interesses da classe trabalhadora.
Não há nem um mal em certa esquerda defender o salário mínimo de 545; o errado é fazer isso no intuito único de defender o governo, de servir de tropa para o governo.
Eu sou de esquerda. Acho que o governo Lula trouxe avanços para o Brasil. E tenho uma boa expectativa com relação ao governo Dilma. Mas eu não aceito servir de soldado para governo nenhum. Eu tenho lado: o lado dos trabalhadores, que são os construtores das riquezas do país.
O país não vai quebrar com um mínimo de 580; nem a inflação vai voltar. É apenas questão de ter prioridade; de escolher quais são as prioridades do governo.
Bom, finalmente estamos vendo uma coisa em que o PT e os jornalistas conservadores do PIG concordam: em último caso, a visão neoliberal é que manda.
Tucanos ridículos! Tenho um parente policial civil com 15 anos de polícia em SP que ganha R% 3.000,00 brutos e R$ 2.500,00 líquidos (já incluidos 4,00R$ de vale coxinha nesse valor). Salário vergonhoso! Isso quer dizer que ele vai ganhar aproximadamente 4 salários mínimos de agora em diante! Que palhaçada !
a tucanaçha oportunista se aproximando da base fedorenta com o nariz tapado so para querer entronar o caldo. mas não vingará
Tem ainda o fato de que abre o precedente para não se cumprir novamente o acordo por futuros presidentes.
Alias, acho que o reajuste deveria ser positivado a Nível Constitucional.
Ex ministro de FHC diz ser “quase molecagem” a oposição defender o mínimo de R$ 600
O ex-deputado Roberto Brant (DEM), ministro da Previdência no governo FHC, diz ser “quase molecagem” a oposição defender o mínimo de R$ 600.E disse também; ”Oposição é irresponsável ao defender mínimo maior”
O que acha da proposta do PSDB de um mínimo de R$ 600?
Aumentar o salário mínimo este ano, para além desse valor (R$ 545), é uma catástrofe para a frente. Já estamos com a inflação escalando, perigosíssima. Diante disso, a presidente tem de ser austera, enfrentar as centrais sindicais. Agora vem a oposição e fala que se pode aumentar. Isso é de uma irresponsabilidade. É quase uma molecagem. E tem um desequilíbrio fiscal que já foi intensificado no ano passado.
Não é de agora.
Quando o Lula fez a reforma da previdência, tive de lutar contra meu partido. Era um passo a mais na reforma do FHC. A oposição no Brasil se caracteriza pelo oportunismo. Tem sido assim. Considero isso uma loucura. Se a Dilma ficar do nosso lado, temos que apoiá-la, contra a CUT, contra o Paulinho, da Força. Ou vamos ficar do lado do Paulinho? Só pelo fato de ele estar lá, é sinal de que nós deveríamos estar do outro lado.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com
República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo
Por mais que eu defenda uma salário mínimo maior, neste momento o governo dilma está pensando na capacidade de investimento e nos programas sociais.
Portanto, Vamos, Dilma. Estamos com a nossa Presidenta!
ESSES tucanalhas querem aparecer na mídia, só isso.
A blogosfera deveria ignorá-los completamente.
Quer dizer que os promotores de orgia e bacanais se transformaram em vestais?Ora, tucanada, o povo conhece vocês!Defensores do povo? Só se for o povo de Wall Street.
Acho que devemos ponderar diferentes posições.
É justa e até urgente a necessidade de correção da Tabela do IR como reivindicado pelas Centrais, uma vez que o reajuste a ser promovido sobre a alíquota sem compensação, vai provocar perdas sobre a renda salarial real dos trabalhadores.
Já o mínimo de 545 segue a serie do calculo de reposição, conhecido do crescimento do PIB dos 2 anos anteriores mais a inflação sobre o ultimo ano. O que acontece, é que não se esperava um crescimento mediocre em 2009, proximo da recessão, o que corroi a base do calculo.
Porem, o reajuste previsto para o fim do ano fiscal de 2011 e inicio de 2012, já levara o acumulo do PIB nos dois anos posteriores 2010 e 2011 de mais forte crescimento, podendo chegar a mais de 580.
O mais preocupante, isso sim, para os trabalhadores e empresarios de uma forma geral, é o corte de gastos previstos no Orçamento Geral da União para 2011, em 50 bilhões adicionados ao cumprimento da meta cheia de superavit primario em 119,7 bilhões, aonde a proporção de investimentos publicos no PIB deve reduzir drasticamente.
Já a parcela destinada aos serviços publicos basicos, orientadas pelos gastos diretos dentro da carga tributaria liquida deve apertar muito, especialmente no setore de defesa nacional, que já enfrentava sub-financiamento.
De novo o PIG apoiando a tucanalha e tentando convenser a classe sindical para a esculambação da economia. Os sindicatos deveriam estar contentes por ver os seus filiados com muito emprego e bons salários e, não entornarem para os tucanos que perderam as eleições, são desclassificados para voltarem ao poder, porque a população não é besta e, nunca mais chegarão ao poder. Cuidado sindicatos. Se os seus filiados tem trabalho, mantê-los é mais importante. Não são os 25 Reais por mes no bolso que resolverá a vida de cada um.