Unificação dos títulos: CBF é anacrônica
publicada quinta-feira, 23/12/2010 às 09:58 e atualizada segunda-feira, 14/03/2011 às 12:17
por Felipe Carrilho
A decisão da CBF de unificar os títulos nacionais, considerando os disputados no período entre 1959 e 1970 é, sem dúvida, anacrônica. E não estamos empregando aqui o termo com o seu sentido cotidiano, como sinônimo de retrocesso ou de atraso. Anacronismo é, resumidamente, o movimento de transportar valores, ideias ou instituições do presente para tempos passados.
É justamente o que fez a CBF ao equiparar os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa com os do Campeonato Brasileiro, organizado a partir de 1971. Ora, dizer que o Palmeiras e o Santos conquistaram oito títulos brasileiros é o mesmo que proclamar, oficialmente, Dom Pedro o primeiro presidente da República do Brasil.
Uma coisa é discutir a história do futebol no País, valorizando os torneios do passado em correspondência com o período histórico em que foram disputados, outra é inventar um discurso histórico oficialesco com uma canetada. A memória futebolística brasileira não precisava disso.
Ademais, se fôssemos aprofundar o argumento anacrônico da entidade que rege o futebol nacional, teríamos de colocar na pauta do dia a oficialização dos vencedores do antigo Torneio Rio-São Paulo como campeões brasileiros, o que seria um absurdo ainda maior, claro, embora absolutamente coerente com a medida adotada.
Esta coluna tem procurado enfatizar as profundas relações entre futebol, sociedade, cultura e política. Mas nesse caso parece que estamos a tratar de mera politicagem. Os grandes clubes do Brasil não precisam de artifícios como esse para ver as suas glórias reconhecidas. Muito menos Pelé, depois de tantas vitórias esportivas legítimas e de todas as homenagens aos seus 70 anos de vida, precisava estampar o peito com 8 medalhas postiças, que nada mais fazem do que arranhar a sua imagem fora das quatro linhas.
Felipe Carrilho é historiador e autor do livro “Futebol, uma janela para o Brasil – As relações entre o futebol e a sociedade brasileira”.
Leia outros textos de Felipe Dias Carrilho
Leia outros textos de Jogo de Classe
Tweet
33 Comentários







Realmente. O futebol virou politicagem pura. O Brasil merece sim ter seus títulos ressaltados, mas para ficar na memória histórica do país do futebol e não para mudar o ranking nem para dar títulos aos clubes nacionais. Felipe Dias Carrilho parabéns pelo texto. A mídia poderia ter abordado um pouco mais o vies que vc apresenta aqui.
É o cafetão e as putas, eles apoiaram o Monarca, e então receberam como prêmio serem considerados campeões brasileiros por terem vencido o torneio Rio-SP, dá-lhe Monarca, ele tem a manha!
Felipe Carrilho esta um bocado equivocado neste texto. Por certo que não se pode chamar D. Pedro de presidente, mas não muda o fato dele ser à época o chefe do estado brasileiro. Ao equiparar, e não unificar, os títulos dos torneios nacionais realizados antes de 1971 ao status de campeão brasileiro a CBF sómente faz justiça aos grandes campeões do passado. Tomando-se a lógica do autor a um extremo, a Igreja Católica seria anacronica por ter reabilitado Galileu Galilei. O que sinto neste texto e em outras tantas manifestações contrárias é a contaminação pelo “clubismo” dos que se sentem diminuidos.
parabéns endosso sua opinião … bem sacado a analogia com galileu …
É incrível o que a corinthianidade foi capaz de fazer com um ser tão lúcido quanto o Felipe. Que pena! Coitado, o embotamento da sua mente deve ser do ano do Centenário, (ops!!! cemternada/semternada/centernada…enfim,só ganhou a Fórmula Truck e um torneio de Futsal. O que é bom, por rima com o pré sal do Lula). Dor de cotovelo é uma m…, chicolelis
Discordo. Então, o Uruguai não teve méritos na conquista das Copas do Mundo em 1930 e 1950. SÓ 13 países participaram!! Foram copinhas chinfrins. Em 1950, a Alemanha não participou. Os alemães poderão dizer: Copa do Mundo sem a Alemanha não é Copa do Mundo. O mesmo dirão os brasileiros se um dia ficarmos de fora. A Taça Brasil, a Taça de Prata, o Roberto G.Pedrosa eram o que havia de definitivo na época. Querer julgar o ontem com o olhar de hoje é perigoso. A CBF até que demorou p/ resolver essa questão. Os discussões nos botecos vão continuar, mas a CBF agiu corretamente. Uma perguntinha: e se a FIFA resolver considerar como campeões mundiais os campeões olímpicos antes de 1930? O Uruguai passaria a ter QUATRO títulos. Estão vendo?
Assino em baixo com letras maiúsculas!!!!!!!!!
perfeito tb …
Perfeita análise Luis Santos, frisando que o você disse: que a CBF demorou muito para resolver esta questão.
Em minha avaliação o auto do texto foi extremamente infeliz e equivocado…. discordo totalmente da análise dele…
Gosto muito de futebol e acompanho de forma racional, nesse sentido, antes desta decisão da CBF, se alguém tentasse dizer pessoamente ao Pelé, ao Gérson, ao Paulo César “Cajú”, ao Tostão e a tantos outros craques que eles não foram campeões nacionais de futebol, com certeza obteria uma boa resposta destes craques…. dá pra imaginar o Gérson curtindo com alguém que lhe perguntasse isso.
E escrevo mais: chamar as medalhas que Pelé ostentou no peito de “postiças” é um absurdo, uma injustiça. Aquelas medalhas foram conquistadas nos anos 60, dentro dos campo. Porém só agora a CBF as distribui aos seus legítimos donos.
Sou eu novamente. E mais: as conquistas do Bahia, do Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Botafogo e Fluminense entre 1959 e 1970 foram tão meritórias, justas, dignas, insofismáveis como a conquista do Flu neste ano ou do Fla no ano passado. Nenhuma delas foi postiça.
Celso,
Tá bom, que sejam reconhecidos os títulos entre 1959 e 1970, mas sem misturar uma coisa com a outra. Campeonato é uma coisa, torneios e “taças” são outra. Os títulos dos torneios de 1959 a 1970 existiram, mas não precisavam ser somados aos da ‘NOVA FORMA DE CAMPEONATO”, que passou a existir a partir de 1971.
E mais uma coisa: por que somaram títulos só de 1959 pra frente? Em 1937 o CLUBE ATLÉTICO MINEIRO foi o campeão do torneio que existia na época, e ficou conhecido como o “Campeão dos Campeões”. Por que a CBF não entregou uma medalha e uma taça para o GALO?
Pra mim não importa nada se o Santos tem 8 ou 25, o Palmeiras 9 ou 17 títulos, os dois continuam sendo grandes clubes que têm, COMO TODOS OS OUTROS, que ser respeitados por qualquer coisa que tenham feito ou conquistado em sua existência, sem que isto tenha que ser conseguido através de politicagem suja.
Tenho uma amiga que define esse tipo de discussão como sendo “homens medindo o p..”. Acho que ela tem toda razão.
concordo plenamente …
E pra quem quer dizer que é sim tudo igual, pergunto a sãopaulinos, flamenguistas, vascainos, atleticanos … o que achariam se seus campeonatos brasileiros fossem transformados em taças ou Robertões? Se todos concordarem com isso, então acho que realmente os títulos se equivalem.
O anacronismo da decisão da CBF não é maior do que o da argumentação do autor. Afinal, quais seriam os “valores, ideias e instituições” – a lógica historiográfica – a permitir o estabelecimento de uma continuidade dos campeonatos disputados desde 1971, cuja outra face é o estabelecimento de uma descontinuidade em relação aos campeonatos precedentes? Não há nenhum absurdo gritante na ideia de se oficializar os vencedores do antigo Rio-São Paulo como campeões brasileiros.
isso mesmo …
Quanta bobagem minha gente! O autor mistura alhos com bugalhos para justificar uma argumentação bem ralinha!
Dizer que Dom Pedro I poderia ser considerado presidente por essa lógica da CBF é fugir da lógica. Uma coisa é a monarquia e outra a república, nada a ver uma com a outra.
Já os campeonatos (finalmente) reconhecidos são a mesma coisa que um campeonato nacional só que disputados em outra época. Só faltou o Felipe dizer que a FIFA não deveria considerar os titulos de Uruguai e Itália de antes da 2ª Guerra válidos, porque as copas são disputadas de forma diferente hoje em dia, com mais seleções e mais jogos.
Querer fazer comparações esdruxulas entre quantidade de jogos que um determinado time jogou no passado pra ser campeão e outro que jogou nos dias de hoje é uma imensa bobagem e puro simplismo.
Querer chamar o Rio-SP de campeonato nacional para rebater o reconhecimento é de chorar.
O reconhecimento dos titulos anteriores foi a única coisa boa que a CBF fez em décadas. Por ESSA ele merece aplausos e também por manter como campeão oficial de 1987 o Sport Recife.
E INTERCONTINENTAL (2 CONTINENTES) É MUNDIAL AONDE MANÉ?
Discordo completamente desta tese. O fato da CBF mudar nome de campeonato não tira seu alcance ou sua legitimidade. Estes torneios tinham caráter nacional por isso devem ser considerados brasileiros. A comparação com o torneio Rio-São Paulo é indevida já que apenas times cariocas e paulistas é que participavam, portanto este argumento não procede. Pode-se mudar o nome da entidade de futebol e até dos torneios, mas o caráter destes não mudam. A CBF abriu um precedente interessante, agora se alguém inventar um “campeonato nacional de futebol” ele será considerado mais um brasileiro com nome diferente e o primeiro time que ganhá-lo não vai poder dizer que é o único a possuir tal título. Sou palmeirense e isto não invalida meus argumentos. Não escondo minhas preferências. Será que o Felipe é corintiano, se for deve dizer.
Ass.: Eduardo dos Anjos, graduando em história
E INTERCONTINENTAL (2 CONTINENTES) É MUNDIAL AONDE MANÉ?
mundial de clubes = mundial = 5 continentes: AMÉRICA (Norte, Central e Sul), EUROPA, ÁSIA, ÁFRICA E OCEANIA.
Portanto, nem o Santos de Pelé, Nem o Grêmio de De León, nem o Flamengo de Zico e nem o São Paulo de Raí podem ser considerados CAMPEÕES MUNDIAIS!
Mas sim CAMPEÕES INTERCONTINENTAIS COMO ASSIM O DESCREVE PERFEITAMENTE I SITE OFICIAL DA FIFA!
O Rio-SP (Cujo nome OFICIAL NA ÉPOCA ERA TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA) é o MESMO CASO DOS INTERCONTINENTAIS!
Estuada rapaz!
Rio-SP = rEGIONAL
Copa Toyota = Amistoso intercontinental sem a chancela da FIFA.
Se Intercontinetal = Mundial
RIO-SP (Oficial nomo de RGP) = Brasileiro da época!
Concordo inteiramente com o texto. Reconhecer o passado é um coisa, mas “anacronizar” títulos é terrivel… Na minha visão é um retrocesso mesmo
Meu Parmeiras que fora com isto até favorecido, mas como eu vi num blog eles estarão em 2011 tentando garantir mais alguns reconhecimentos da glória do passado para garantir títulos, já que no presente e em campo tá dificil..ta´russo o negócio, né…
E o Santos irá viver até quando de Pelé???
Acho que é bom eu começar a torcer para o Barcelona..hehehehe
Detesto o tal do Teixeira mas, convenhamos, sem clubismo, o que havia de melhor para cada época era aquilo, e ganhar a Taça do Brasil, mesmo disputando no máximo 8 partidas era sem dúvida o então “campeonato brasileiro”. Dividia-se o país em quatro regiões – norte e nordeste, sul e sudeste. O campeão de cada região disputava com as outras três num quadrangular até uma final, sempre com jogos de ida e volta. Ná época era o máximo e disso saia o Campeão do Brasil. O primeiro foi o Bahia. Depois, com a ditadura, e por pura politicagem foi instituido um número absurdo de clubes para prestigiar prefeitos e governadores, por eles, militares, nomeado. Aí surgiu a onda de estádios enormes com nomes terminados em ão – Castelão, Mineirão (que já havia), Mangueirão, etc…
…o Seo Felipe, só prá constá: prá q time q vc torce?
É incrível o que a corinthianidade foi capaz de fazer com um ser tão lúcido quanto o Felipe. Que pena! Coitado, o embotamento da sua mente deve ser do ano do Centenário, (ops!!! cemternada/semternada/centernada…enfim,só ganhou a Fórmula Truck e um torneio de Futsal. O que é bom, por rima com o pré sal do Lula). Dor de cotovelo é uma m…, chicolelis
VIANNA.
Acredito que além do reconhecimento , a CBF , deveria efetuar uma solenidade oficial de entrega das “novas” estrelas aos herois do futebol de 1959 até 1970…e esses herois,convidados de honra,seriam homenageados…são historia viva da nossa evolução futebolistica…DO BRASIL PENTA CAMPEÃO MUNDIAL…e todos…que em todas as epocas…deram suas contribuição ao melhor futebol do mundo…
A pergunta que não quer calar: e se São Paulo, Corinthians, Atletico, Flamengo, etc, etc, e etc tivessem vencido um desses “torneios” na década de 60, será que haveria tanta polêmica??? Já que eram “torneios” inexpressivos, pq não ganharam nada???
Perfeito!
Os comentários que criticam a decisão da CBF são de uma hipocrisia e dor-de-cotovelo até cômicas, se não fossem trágicas.
Mas a ideia de comparar os torneios nacionais da década de 60 com o torneio Rio-SP só expõe a face mais visível da imprensa brasileira: times que valem alguma coisa são, para eles, apenas os desse eixo. E ponto final.
A cbf é um entreposto comercial. Quem paga mais, leva.
É Claro e evidente que essa unificação de títulos foi mera politicagem da CBF, primeiro quiz fazer uma retalhação ao São paulo e Flamengo que votaram contra ela no clube dos 13, primeiro tirou o morumbi da copa, um absurdo enorme e ridículo, agora vai dar um estádio de presente ao Corinthians, com dinheiro público logicamente, pois nenhum clube no brasil tem dinheiro para construir um estédio sequer de 10mil pagantes, segundo não reconhecer o que todo mundo reconhece o título brasileiro de 87 do Flamengo, quem dizer ao contrário é anti-ético, canalha, criminiso e analfabeto, como o Ex- jogador Neto, que acha que comenta futebol na Bandeirantes, também uma emissora de quarta categoria só podia ter um idiota de quinta em seu quadro funcional, mas reconhecer estes títulos como brasileiro é um absurdo, santos ganhou 5 taças jogando 12 vezes, São paulo é fla ganharam seus Hexas jogando mais de 150 jogos isto é crime, aí vão dizer as copas de 30, 34 ,38 eram com poucos jogos, não interessa, em 1930 ela já foi criada com nome de copa do mundo e com propósitos semelhantes aos atuais, em 80 anos ela so teve duas taças a Rimet e Fifa, com países de vários continentes, ou vocês acham que o uruguai temn que ser tratado como tetracampeão mundial pois ganhou as olimpíadas de 24 e 28 antes da criação da copa do mundo, absurdo, este Odir Cunha que não tinha nada pra fazer em casa ficou recortando jornal para enviar a CBF e reconhecer títulos do seu clube que é o Santos, que na verdade só ganhou na década de 60, que na verdade de 1970 pra cá não ganhou quase nada 6 paulistas, dois brasileiros e 1 copa brasil nem 5% do que ganhou nos anos 60, prova que o Santos foi um clube relâmpago, clube de uma década por causa do grande craque pelé e do mau caratér e cretino Edson Arantes. CBF uma entidade nojenta com um presidente verminoso.
Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência percebe o quão descabidos são os argumentos apresentados aqui…O indivíduo mistura retaliação da CBF, Neto, baixa audiência da Band, estádio do Curintia, em uma salada só.Mistura Olimpíada do Uruguai com Copa do Mundo!!! Ora, se na década de 60 o Santos ganhou títulos, parabéns ao Santos. Reconheçam seus títulos. Foi o Campeão Nacional daqueles anos. O Flamengo também disputou os mesmo campeonatos, perdeu todos!!! Caso tivessem ganho algum, aí certamente estariam comemorando….
Desculpe, mas este Felipe Dias Carrilho está no mínimo totalmente equivocado. Educadamente não gostaria de expressar aqui o que sinto ao ler textos como o que foi escrito por ele. É certo que ninguém morre de amores pela CBF, que tem feito tantas barbaridades ao longo dos anos…Mas o que foi feito desta vez pela cartolagem, foi única e tão somente uma reparação pela injustiça de não reconhecer nenhum clube anterior a 1971 como “Campeão Nacional”. Corinthians, São Paulo, Vasco, Flamengo, Grêmio, Internacional,e todos os clubes que hoje estão aí chorando e reclamando também disputaram os mesmos campeonatos e com as mesmas condições de igualdades. Se não ganharam nenhum destes títulos, certamente é porque foram incompetentes para isso! Ora, o time campeão da Taça de Prata, era o Campeão Nacional do ano, e representava o Brasil na Taça Libertadores da América….Quer mais legitimidade que isso????
Os torneios da década de 196o eram, à época, aquilo mais próximo do que temos hoje dos campeonatos brasileiros. Eram menores porque a economia brasileira era menor. Mas eram mais disputados do que hoje porque o nível dos clubes era muito mais elevado (Cruzeiro tinha Tostão e Dirceu Lopes, Botafogo tinha Jairzinho, PC e outras feras do Saldanha…). Hoje, qualquer timinho de 2a linha, tais como o Timão do Gordo, o Flu do COnca, ou FLa dos bandidos Bruno e Imperador (do crime)…pode ser campeão nacional…
NAda de anacronismo. Foi feita justiça! Acho que a CBF deveria reconhecer o título do Fla de 1987, e não do Sport somente. Isso é injusto.
O problema do título do Flamengo em 1987 é que ele foi conquistado desautorizando, desobedecendo e desafiando a CBF. Essa é uma constatação objetiva. Depois, se quisermos discutir o quanto a CBF é a vilã dessa história – e, portanto, merecedora de toda a desobediência e de todo o enfrentamento imagináveis -, teremos de tomar como mocinhos uma certa aglomeração de dirigentes esportivos mafiosos e pusilânimes (Clube dos 13), a Rede Globo, a Coca-Cola e a Varig. Como se sabe foram esses “mocinhos” que organizaram a Copa União de 1987; no meio do caminho, tentou-se um acordo com a CBF; no fim das contas, porém, prevaleceu o desacordo. Não há dúvida de que o Flamengo venceu legitimamente a Copa União – mas precisa e somente isso: a Copa União… Que, num contexto de crise institucional, o grupo dos clubes mais poderosos se alie à rede de televisão mais poderosa e a outras empresas para organizar um campeonato, está muito bem; que eles deixem de fora da competição outros times, é inevitável; que entre esses times alijados esteja o vice-campeão do ano anterior, já me parece indefensável do ponto de vista da ideia ampla e neutra da “justiça”. O movimento havido em 1987 poderia ter sido o embrião de algo muito bacana na organização do futebol brasileiro. Não foi, e a Copa União constituiu-se em mais um capítulo do histórico de bagunça institucional e desmando do nosso futebol. Não sei por que diabos os flamenguistas e os defensores desses louváveis, mas abstratos, ideais de justiça gastam suas energias tentando obter reconhecimento da mãe de todos os desmandos e injustiças: a CBF.