Livros e História -
Dez anos sem Aloysio Biondi, o jornalista que desnudou as privatizações no Brasil
“Quando notares, estás à beira do abismo, que cavaste com teus pés” (Cartola; serve para a velha mídia)
PEDRO POMAR é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação.
Um dos “efeitos colaterais” da implantação do neoliberalismo no Brasil, nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, foi a adoção de medidas duríssimas contra os sindicatos de trabalhadores, por parte dos governos e dos patrões. O próprio FHC inaugurou a moda, ao despachar tanques do Exército para as refinarias, já no primeiro ano de seu mandato inicial, em 1995.
Faz um ano que o Supremo Tribunal Federal cassou a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. A decisão representou um dos pontos mais baixos da história da instituição que deveria ser, em tese, a mais preparada para ministrar a justiça em nosso país. O patronato, pela voz de seus representantes mais célebres — Organizações Globo, Editora Abril, Folha de S. Paulo, Estadão, Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) — aplaudiu.
Como lidar com a subjetividade dos modernos trabalhadores brasileiros? Será que as manhas do capital conseguiram enfeitiçá-los definitivamente? Trata-se de um desígnio do rearranjo mundial das forças produtivas, do qual não há fuga possível? Evidentemente, poderemos encontrar diferentes respostas para tais perguntas. A primeira delas é que a História não acabou, portanto esse marasmo que vivemos desde o início dos anos 1990 poderá sofrer uma reversão. Mas o que pretendo aqui é simplesmente apontar algumas pistas disponíveis no trabalho denominado “A Vida Precária: bases para a nova submissão”, de autoria do sociólogo Antonio David Cattani, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
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