A velha piada

publicada segunda-feira, 05/09/2011 às 10:45 e atualizada segunda-feira, 05/09/2011 às 11:35

Por Izaías Almada

A velha mídia brasileira, ou a sua parte mais suja se quiserem, comporta-se como o menino da velha piada da minha infância, aquela em que o pirralho entra no rio e a determinada altura começa gritar que está se afogando. Alguém corre para salvá-lo e ele se diverte dizendo que era só fingimento. Na quinta ou sexta vez  em que repetiu a “brincadeirinha” ninguém se importou e, claro, dessa vez era a valer.

O caso da matéria publicada pela revista Veja sobre o ex-ministro José Dirceu, tem – na minha modesta opinião – o sabor do final da velha piada. Já ninguém mais acredita nesse tipo de jornalismo, pelo menos entre os que ainda conseguem – no meio de tanta e proposital confusão – pensar o país com olhos no futuro e não no passado.

Não tenho procuração do ex-ministro e nem do seu partido o PT, mas sou capaz de avaliar, não só nesse episódio, mas desde a constrangedora campanha do chamado “mensalão”, quando a mídia brasileira em nome de valores discutíveis de moralidade e ética, decidiu qua a corrupção no Brasil – se não teve início – chegou ao ápice com o governo Lula da Silva, sou capaz de avaliar o sentido da matéria. Não é preciso ser nenhum Sherlock para ver que o jornalismo de esgoto servirá sempre às causas mais conservadoras e (essas sim) imorais para a manutenção de privilégios corporativos que fazem a balança pender sempre para o lado dos mais favorecidos na escala social.

Algumas gangues políticas, regionais e nacionais, governam o Brasil há anos, sempre permeáveis aos mais lucrativos negócios feitos nos porões da nossa democracia represent ativa.

Em 2005, tive a coragem (ou para muitos a insensatez?) de tentar defender o governo Lula, seu ex-ministro e outros integrantes do governo da tentativa de linchamento político e fui duramente criticado por alguns companheiros de viagem, pois há uma tendência, paradoxalmente em alguns nichos de esquerda, em acreditar nas denùncias da mídia que dizem combater.

É sempre bom lembrar o tom da campanha presidencial do ano passado, onde figuras que já se alinharam com a esquerda no passado optaram por um discurso dos mais obscuros e tenebrosos dos últimos tempos entre nós. Discurso repercutido e incentivado pela mídia que insistiu e insiste em considerar o cidadão brasileiro um boçal, incapaz de distinguir e separar o joio do trigo.

O novo episódio jornalístico envolvendo José Dirceu e a Veja, com a revista a insistir em seu jornalismo paranóico, pode significar o início de um novo marco na historia da mídia brasileira: um novo marco re gulatório.

E é bom que pensemos no assunto com seriedade, antes que a democracia se afogue entre nós…

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10 Comentários

10 Comentários para “A velha piada”

  1. Curto e grosso, como deve ser diante dos crimes da máfio-imprensa nativa murdochiana. Parabéns ao autor!

  2. jaciara disse:

    Rodrigo,

    Vamos juntos fazer movimentações pelo país em nome do novo marco regulatório. Nós ajude!

  3. Samuel Alvaro Leite disse:

    Rodrigo,

    É evidente que a velha imprensa está a cada dia perdendo a sua credibilidade, mas se não enfrentarmos ela, logo estarão criando um outro factóide com a clara intenção bombardear seus adversários, sempre usando mentiras, calúnias e injúrias. Estão a cada dia perdendo terreno, mas a oposição teria que nos ajudar agindo com seriedade para que possa dar um basta nisso tudo.

    Grande abraço,

  4. Processem os malditos

    Novamente lemos que a Veja ultrapassou todos os limites, “chegou a um ponto sem retorno”, abandonou o senso do ridículo. Mas, honestamente, alguém ainda se surpreende?

    Após tantos episódios grotescos, a revista perdeu o respeito até mesmo dos tradicionais aliados na imprensa corporativa. De fato, às vezes me parece que é na própria esquerda que o panfleto reacionário encontra seus principais interlocutores, os que ainda levam aquilo mais ou menos a sério. Talvez fosse o caso de esquecer a Veja e focar nos personagens relevantes do debate político nacional. Apesar da ampla tiragem e do poder econômico, a revista fica mais inofensiva à medida que afunda na caricatura udenista.

    O perigo institucional representado por ela nasce na redoma de impunidade que a cerca. Isso mudará quando alguém promover uma ação judicial competente e inflexível, arrancando somas vultosas e reparações constrangedoras da editora Abril. Mesmo sem a necessária regulamentação da mídia, não faltam instrumentos legais para tanto. O que falta mesmo é concentrar munição nos foros apropriados, em vez de gastar energia discutindo com imbecis.

    http://guilhermescalzilli.blogspot.com

  5. Rafael disse:

    Mas e aquela gente toda no quarto de hotel onde Dirceu estava hospedado? Foi visita de cortesia, pra jogar conversa fora… Me engana que eu gosto!

    • Luiz Vidal disse:

      “Me engana que eu gosto”postou o Rafael sobre um monte de gente no quarto do Zé Dirceo.Sei lá quem que te engana e porque voce gosta.Mas se ler a entrevista do Zé Dirceo em queele conta as barbaridades que dois reporteres da Folha fizeram,mentindo,enganando tentando entrar no quarto(privado-particular) e sem conseguir pela honestidade do gerente do Hotel que já tinha o RG do fascínora de outras tentativas,daí,meu caro(e o barato sai sempre caro)espero que voce goste de ser enganado e continue lendo e crendo no folhão…

  6. Antonio disse:

    É Rodrigo, discordo de você quando diz que “Já ninguém mais acredita neste tipo de reportagem…” Tenho certeza que Veja é ainda muito respeitada. Por que, há uma grande parte da população que tem muito respeito pela grande imprensa (pig). É uma imagem muito consolidada.

  7. rogerio custodio disse:

    concordo com voce antonio veja por exemplo o comentario simplista acima

  8. francisco pereira neto disse:

    Concordo plenamente contigo Rodrigo.
    O Brasil vem sendo governado sempre por gangues.
    E e só observar, que em todos os governos, onde o poder dos grandes negócios eram privilegiados, nunca houve chiadeiras.
    E sempre quando o oposto ameçava ocorrer, deu no que deu.
    O último exemplo com a “esquerda” (?) foi o golpe de 64. E o primeiro com a direita ocorreu com Collor.
    Com o Collor foi por conta do seu governo destrambelhado.
    Tudo começou por conta da invasão dos capangas do Collor da redação da Folha pelo fato desta ter publicado uma crítica ao seu governo.
    Li uma matéria em que diz que não se provou nada contra Collor. O impedimento dele foi político.
    Era de se esperar que ocorresse o que vem ocorrendo com os 8 anos do governo Lula e os 8 meses do governo Dilma.
    O script continua o mesmo, mas o tempo passou e não vejo sinais de retrocesso. Felizmente.

  9. José Luiz Rossi disse:

    A farsa se repete,dinheiro de Cuba em caixas de uísque para o PT,dinheiro das FARCS,boimate,agora conspiração do Dirceu.E tem gente que perde tempo com estas bobagens.

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