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	<title>Escrevinhador &#187; Força da Grana</title>
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	<description>Por Rodrigo Vianna</description>
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		<title>Brasil vai virar uma fazenda chinesa?</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 21:19:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[Desindustrialização]]></category>

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		<description><![CDATA[Os juros altos no Brasil atraem dólares atrás de rendimento fácil. Isso faz o real ficar forte demais frente ao dólar. Resultado: nosso produtos ficam caros, perdem mercado aqui dentro para os chineses, e também não conseguem competir lá fora. Quase cem anos depois de empreender um esforço gigantesco para se industrializar, o Brasil corre o risco de fazer o caminho inverso: seremos, de novo, uma grande fazenda exportadora de alimentos, ferro e outros produtos primários?

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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Mapa_Brasil-China_imagem_mundo-nipo1.png" rel="lightbox[8785]"><img class="alignleft size-medium wp-image-8787" title="Mapa_Brasil-China_imagem_mundo-nipo" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Mapa_Brasil-China_imagem_mundo-nipo1-297x300.png" alt="" width="297" height="300" /></a>A China resolveu reclamar do Brasil. Uma autoridade diplomática do país asiático diz que Lula prometeu reconhecer a China como &#8220;economia de mercado&#8221;, mas que na prática isso não correu (o que atrapalha o ingreso chinês na OMC &#8211; Organização Mundial do Comércio).</p>
<p><strong>A pressão dos chineses talvez seja uma  boa chance para o Brasil rever a maneira de se relacionar com a potência asiática. Até porque descobrimos recentemente &#8211; graças aos Wikileaks, divulgados pela agência de notícias</strong> <a href="http://apublica.org/2011/06/wikileaks-china-pensa-que-brasil-nao-tem-%E2%80%9Ccapacidade%E2%80%9D-para-ser-lider/">&#8220;Pública&#8221; </a>- <strong>o que a China pensa do Brasil</strong>: depois de prometer  apoiar o pleito brasileiro de ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, os chineses saíram dizendo aos EUA que <strong>o</strong> <strong>Brasil &#8221;não tem ´capacidade e influência´ para ser líder e que as ambições do país excedem seu verdadeiro peso no cenário internacional&#8221;. </strong></p>
<p><strong>A parceria comercial com  a China, é fato, ajudou o Brasil a resistir bem à crise de 2008.  Mas tem uma consequência perversa a médio prazo:</strong> desindustrialização!</p>
<p>Meses atrás, escrevi um texto sobre isso: <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/a-fama-de-pochmann-e-o-pernil-de-delfim.html">&#8220;A fama de Pochmann e o pernil de Delfim&#8221;. </a> Aqui, um pequeno trecho: &#8220;<em><strong>o Brasil corre o risco de se perder na fórmula fácil da “fa-ma”.</strong> </em><em>Não se trata do Big Brother Brasil. Mas de algo mais sério. A “fa-ma”, diz Marcio Pochmann (presidente do IPEA), é a mistura de <strong>fa</strong>zenda com indústrias <strong>ma</strong>quiladoras (como as existentes no México).</em><em>O Brasil tem um parque industrial sofisticado – construído a duras penas, desde a era Vargas. Nossa indústria parece ter resistido às ondas de abertura recentes. Mas tudo tem limite.&#8221;</em></p>
<p>O Brasil não consegue concorrer com os chineses. Uma pessoa amiga, que vive de exportar calçados e roupas brasileiras, disse-me essa semana: &#8220;estou no limite, não temos mais preço, estamos perdendo mercado; estou pensando em vender o imóvel em que funciona a empresa e aplicar o dinheiro no banco&#8221;.</p>
<div id="attachment_8788" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/desindustrializacao.jpg" rel="lightbox[8785]"><img class="size-thumbnail wp-image-8788" title="desindustrializacao" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/desindustrializacao-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Vamos proteger nosso mercado, ou fechar nossas fábricas?</p></div>
<p>Se esse é o quadro entre os exportadores, imagine o que não acontece com as indústrias brasileiras. <strong>A Azaléia, por exemplo, anuncia que pode fechar a fábrica na Bahia, para reabri-la em Nova Délhi, na Índia</strong>, como você pode ler <a href="http://www.itapetinganet.com.br/site/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1036:fabrica-da-azaleia-pode-deixar-a-bahia-e-demitir-18-mil&amp;catid=1:latest-news&amp;Itemid=50">aqui</a>.</p>
<p>É gravíssimo. </p>
<div class="mceTemp">O blogueiro Eduardo Guimarães &#8211; que sobrevive da venda de autopeças brasileiras para outros países da América latina &#8211; é outro a martelar: o quadro é dramático para a indústria brasileira. Não conseguimos mais competir.</div>
<p><strong>O que podemos fazer? Centralizar o câmbio. </strong></p>
<p><strong>O que é isso? Controlar a entrada e saída de divisas. Economistas liberais têm coceira quando ouvem falar nisso. Mas é a saída. </strong></p>
<p><strong><span id="more-8785"></span>E o controle teria múltiplas funções.</strong> Vejamos.</p>
<p>Os juros altos no Brasil atraem dólares atrás de rendimento fácil. Isso faz o real ficar forte demais frente ao dólar. Resultado: nosso produtos ficam caros, perdem mercado aqui dentro para os chineses, e também não conseguem competir lá fora. Não é à toa que dependemos , cada vez mais, da exportações de produtos primários. E só.</p>
<p><strong>Quase cem anos depois de empreender um esforço gigantesco para se industrializar, o Brasil corre o risco de fazer o caminho inverso: seremos, de novo, uma grande fazenda exportadora de alimentos, ferro e outros produtos primários?</strong></p>
<p><strong><!--more-->E há outro risco no horizonte. Se houver quebradeira na Europa &#8211; hipótese cada vez mais provável - as empresas e fundos que têm dinheiro no Brasil correrão pra tirar tudo daqui e, assim, compensar os prejuízos nas matrizes. </strong></p>
<p>O controle de câmbio pode evitar essa corrida maluca que &#8211; no limite - faria a crise européia contaminar também os bancos e a economia brasileira.</p>
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		<title>Mercado joga Portugal no &#8220;lixo&#8221;: calote à vista!</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/mercado-joga-portugal-no-lixo-calote-a-vista-e-o-brasil-como-fica.html</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 02:51:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[A crise na Europa]]></category>

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		<description><![CDATA[Os títulos da dívida pública de Portugal foram rebaixados para a categoria "junk". Em bom português (de aquém ou além-mar), não resta dúvida: a dívida portuguesa virou lixo! Se o calote não vier de forma mais ou menos "organizada", ele virá cedo ou tarde - como onda a arrastar também os orgulhosos alemães e franceses. Os bancos tentam ganhar tempo, e cobram "sacrifícios". Mas o que é isso? É o capitalismo, estúpido! 



]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por<span style="color: #ff0000;"> Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>Os títulos da dívida pública de Portugal foram rebaixados para a categoria &#8220;junk&#8221;. Em bom português (de aquém ou além-mar), não resta dúvida: a dívida portuguesa virou lixo!</p>
<p>O anúncio &#8211; feito pela Moody´s (uma daquelas agências de &#8220;classificação de risco&#8221; que se desmoralizaram ao deixar de prever os riscos no mercado de hipotecas dos EUA antes de 2008) &#8211; acrescenta mais um toque de dramaticidade à crise européia.</p>
<div id="attachment_8780" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/fukuyama01.jpg" rel="lightbox[8779]"><img class="size-medium wp-image-8780" title="fukuyama01" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/fukuyama01-300x204.jpg" alt="" width="300" height="204" /></a><p class="wp-caption-text">Fukuyama e o fim da história: o que ele diria da crise européia?</p></div>
<p>Portugal é um mercado pequeno. Assim como a Grécia e a Irlanda - que também passam por dificuldades gigantescas. Mas se a dívida desses países virar pó, a crise pode se expandir para Alemanha e França &#8211; já que bancos franceses e alemães detêm boa parte da dívida grega e portuguesa.</p>
<p>O desespero leva muita gente a pregar que Portugal e Grécia saiam agora do euro, e voltem a ter moeda própria. Moeda própria permitiria a esses países defenderem suas economias, favorecendo exportações e reativando a produção. Mas a dívida antiga, em euro, cresceria exponencialmente. A não que se pronuncie uma palavra que economistas bem comportados costumam evitar: calote!</p>
<p>O euro, ressalte-se, é moeda &#8220;sui generis&#8221;, é moeda sem Estado. É moeda &#8220;única&#8221; de estados múltiplos. Por isso, a crise nos pequenos Portugal e Grécia é uma crise européia. Sem falar na Espanha &#8211; economia bem maior, onde o desemprego avança para impressionantes 20%.</p>
<p>O tremor financeiro faz ressurgir o discurso nacionalista na Alemanha &#8211; país que segue a crescer em meio à turbulência. Na terra de Angela Merkel, conservadores já falam em criar uma nova zona do euro, mais enxuta, reunindo Alemanha, Áustria e países nórdicos. Um novo euro, o  &#8220;euro forte&#8221;,  ficaria restrito a esse pequeno grupo de países &#8211; que assim não se deixariam &#8220;contaminar&#8221; pela instabilidade que vem do sul. Nacionalismo e Alemanha são termos que costumam provocar arrepios quando aparecem juntos.   </p>
<p>A crise do euro é, por isso, também uma crise política.</p>
<p>Qual a saída?</p>
<p>Gregos, portugueses e espanhóis já estão nas ruas a mostrar que a velha receita do FMI sofrerá oposição gigantesca. A própria decisão da Moody´s sinaliza que os pacotes sucessivos não surtirão efeito: FMI e União Européia oferecem recursos em troca de cortes no setor público. Cada pacote faz com que o &#8220;mercado&#8221; enxergue essas economias com mais desconfiança, cobrando um preço cada vez mais alto para refinanciar a dívida pública.</p>
<p>Portugal prometeu vender ativos, reduzir aposentadorias, cortar empregos públicos. Qual o resultado? A dívida virou lixo!</p>
<p>O caminho desses países pode ser o da Argentina. Calote! </p>
<p><span id="more-8779"></span>A saída pode ser, pura e simplesmente, dizer aos credores: essa dívida é impagável, a economia sofrerá as consequências de qualquer jeito, então, antes de arrasar o que resta do Estado, vamos interromper a brincadeira agora&#8221;.</p>
<p>Se o calote não vier de forma mais ou menos &#8220;organizada&#8221;, ele virá cedo ou tarde &#8211; como onda a arrastar também os orgulhosos alemães e franceses.</p>
<p>A receita liberal ainda tenta se impor. Quem se contrapõe a ela? Forças ainda disformes, incertas, pouco articuladas.</p>
<p>As velhas legendas social-democratas se desmoralizaram ao virar sócias da receita liberal. A resistência ao desmonte, portanto, terá que vir de novas forças políticas.</p>
<p>É um momento novo, de alguma dramaticidade. Que faz ressurgir na Europa o fantasma do nacionalismo e da xenofobia. Mas que pode, por outro lado, ser a semente também de uma nova esquerda, forjada nas ruas.</p>
<p>Quem foi mesmo que falou no &#8220;fim da história&#8221;? Queria ver <a href="http://www.culturabrasil.org/fukuyama.htm">Fukuyama </a> defender essa tese nas praças de Atenas, Lisboa ou Barcelona.</p>
<p><!--more-->E como isso pode refletir no Brasil? Respostas, em parte, podem ser encontradas<a href="http://www.cartacapital.com.br/internacional/no-baile-da-ilha-fiscal"> aqui</a>, no ótimo artigo de Antônio Luiz M. C. Costa, na &#8220;CartaCapital&#8221;:</p>
<blockquote><p><em>Se grandes bancos europeus ou norte-americanos quebrarem de repente e o crédito sumir, o governo brasileiro tem como evitar a propagação da desconfiança para os bancos e empresas nacionais? Se os grupos financeiros internacionais tiverem, de repente, de sacar aplicações nos países periféricos para fazer frente à crise de confiança interna, o Brasil terá instrumentos para evitar o caos cambial? As repostas a essas questões, mais que a exata dimensão dos gastos públicos ou os preparativos para a Copa do Mundo, é que vão definir o fracasso ou sucesso do governo e do próprio País até 2014.</em></p></blockquote>
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		<title>Risco do Brasil já é menor que o dos EUA</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/risco-do-brasil-e-menor-que-o-dos-eua.html</link>
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		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 21:08:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[Economia forte]]></category>

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		<description><![CDATA[Mantega e o BC seguraram a pressão dos "mercadistas" que pediam uma "paulada nos juros" no início de 2011. Preferiram subir os juros de forma mais moderada, e adotaram outras medidas pra segurar um pouco a economia. Fora da cartilha tradicional. Palocci estava ao lado dos mercadistas. Palocci caiu. E Mantega? Coube a ele noticiar um fato surpreendente: o risco de se investir no Brasil é hoje menor do que nos Estados Unidos! 

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/06/brasil2.jpg" rel="lightbox[8627]"><img class="alignleft size-full wp-image-8646" title="Brasil decola " src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/06/brasil2.jpg" alt="" width="156" height="227" /></a>Quando Obama veio ao Brasil, em março, fui a Brasília para cobrir a visita para a TV. E entrevistei o ministro da Fazenda Guido Mantega, pra falar sobre as relações Brasil-EUA. Mantega, naqueles dias, era vítima de uma dura campanha na velha imprensa: espalhara-se a &#8220;notícia&#8221; de que Mantega era um ministro &#8220;fraco&#8221;, e que a &#8220;fraqueza&#8221; da equipe econômica era a responsável pela volta &#8220;galopante&#8221; da inflação. Ao fim da entrevista, que era sobre Obama, perguntei ao ministro se ele sabia de onde vinha a campanha contra ele. Discreto, e educadíssimo, Mantega apenas sorriu.</p>
<p>Em Brasília, ninguém tinha dúvidas: a campanha contra Mantega vinha da Casa Civil, de Palocci.</p>
<p>Mantega e o BC seguraram a pressão dos &#8220;mercadistas&#8221; que pediam uma &#8220;paulada nos juros&#8221; no início de 2011. Preferiram subir os juros de forma mais moderada, e adotaram outras medidas pra segurar um pouco a economia. Fora da cartilha tradicional.</p>
<p>Palocci estava ao lado dos mercadistas. Juros altos interessam a bancos e a quem tem títulos da dívida pública: ou seja, interessam à turma a quem Palocci dá consultoria (formal ou informalmente). Derrubar Mantega permitiria, ainda, ter na Fazenda alguém mais próximo do paloccismo &#8211; seria uma vitória econômica e política. Um triunfo  do ministro consultor.</p>
<p>Três meses depois, Palocci caiu. E a inflação está em queda, contrariando as previsões mais pessimistas.</p>
<p>E Mantega? Coube a ele noticiar um fato surpreendente: <a href="http://noticias.r7.com/economia/noticias/risco-do-brasil-e-menor-que-o-dos-eua-diz-mantega-20110615.html?question=0">o risco de se investir no Brasil é hoje menor do que nos Estados Unidos! </a></p>
<p>O risco não caiu porque o Brasil &#8220;fez a lição de casa&#8221;, como pediam os Mailsons, Mirians e seus amigos consultores! O Brasil é hoje uma economia mais confiável do que a dos Estados Unidos porque, na crise em 2008, Mantega e Lula tiveram coragem de contrariar os mercadistas e &#8211; em vez de &#8220;cortar na prórpia carne, como pediam os &#8220;consultores&#8221; e &#8220;colunistas&#8221; &#8211; botaram o pé no acelerador.</p>
<p>Ninguém inventou a roda. Foi uma opção política. Adotada desde Roosevelt, nos anos 30.</p>
<p>A gestão da economia, no governo Dilma, é uma área em que o conservadorismo não avançou.</p>
<p>===</p>
<p><strong>RISCO DO BRASIL É MENOR QUE DOS EUA, DIZ MANTEGA</strong></p>
<p><em>Do <span style="color: #ff0000;">R7</span></em></p>
<p><em>O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira (15) que, pela primeira vez na história, o risco do Brasil é menor que o dos Estados Unidos. Ele se referia ao risco medido pelo &#8220;swap de default de crédito&#8221; (CDS, na sigla em inglês), que representa o custo de proteção contra o não pagamento da dívida pública. É uma espécie de seguro.</em></p>
<p>Em entrevista no Palácio do Planalto, Mantega disse que a notícia mostra &#8220;a solidez da economia brasileira e a confiança que temos do mercado&#8221;.</p>
<p><em>Esse termo com nome complicado nada mais é que um seguro que um investidor contrata na hora de aplicar dinheiro em outro país. Se houver uma pane na economia desse determinado país, a empresa que fez o CDS paga o que o investidor aplicou.</em></p>
<p><em>- Quem tem medo do não cumprimento de pagamentos faz um seguro.</em></p>
<p><em>Na última terça-feira (14), o CDS do Brasil recuou a 42 pontos base no prazo de um ano, contra o custo de 49 pontos base para proteção da dívida dos EUA em um prazo equivalente. </em></p>
<p><span id="more-8627"></span>Mantega disse que o governo está &#8220;muito feliz&#8221; com essa classificação sobre o custo para garantir proteção contra eventual calote da dívida brasileira.</p>
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		<title>Bolsa-Família pra cá, juros pra lá: o lulismo de Dilma</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Mar 2011 16:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[Uma no cravo outra na ferradura]]></category>

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		<description><![CDATA[As medidas dessa semana mostram que Dilma segue a mesma fórmula de Lula: agrado ao "mercado", aos rentistas e à velha mídia  (com juros altos e cortes de gastos públicos), mas sem descuidar da base popular (com aumento acima da inflação para o Bolsa-Família). Dilma, ao que tudo indica, seguirá se equilibrando entre os dois extremos da pirâmide social - como fez Lula.


]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O COPOM (órgão que define as taxas de juros no Brasil &#8211; ou seja, define a quantidade de sangue que o coração financeiro pode bombear para as artérias da economia real)  decidiu, pela segunda vez no governo Dilma, elevar os juros.</p>
<p>Anteontem, na Bahia, Dilma aumentou o Bolsa-Família bem acima da inflação.</p>
<p>Os dois movimentos são aparentemente contraditórios. Essa &#8220;contradição&#8221; (fora do manual clássico dos liberais que dominaram o governo FHC, e ainda dominam os velhos jornais brasileiros) foi a base do sucesso de Lula.</p>
<p>Façamos uma parada rápida. E vejamos o texto curto que o site &#8220;Carta Maior&#8221; destaca em sua capa:</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Dilma corrige os valores do Bolsa Família e dá reajuste real ao benefício recebido por 12,9 milhões de famílias. O menor valor da transferencia de renda passa de R$ 22 para R$ 32; o maior, de R$ 200 para R$ 242.  Famílias com filhos foram contempladas com as maiores taxas de aumento real. A reunião do Copom desta 4º feira servirá um &#8216;lexotan&#8217; aos mercados. Se subir 0,5% a taxa de juro básica, a Selic, oferecerá aos rentistas um &#8216;tranquilizante&#8217; da ordem de R$ 7,5 bilhões/ano; quase quatro vezes o gasto previsto com o reajuste do Bolsa Família que vai beneficiar 50 milhões de brasileiros pobres.  Aguardemos  a avaliação da mídia para cada um desses dispêndios fiscais.&#8221;</em></p></blockquote>
<p> A avaliação da mídia já veio. &#8220;Dilma corta de um lado e gasta de outro&#8221;, dizem os jornais.</p>
<p>Ok, é um fato. Os jornais só não dizem que subir juros (pra conter inflação? Mas a inflação não vem em boa parte do aumento do preço de alimentos, que é mundial?) também é gasto &#8211; na medida em que faz aumentar a já trilionária dívida pública! Mas essa é uma discussão à parte&#8230;</p>
<p>Observemos com calma outro ponto: o governo Lula conseguiu apoio dos muitos pobres e dos muito ricos. Fez isso com mecanismos como o &#8220;Bolsa-Família&#8221; &#8211; que retirou milhões de basileiros da indigência, e ao mesmo tempo ajudou a girar a economia das regiões mais pobres do país. Ao contrário do que diz o deputado Vacarezza (ele é do PT mesmo?), a grana do Bolsa-Família não vai pra &#8220;cachaça&#8221;; vai pra comida, roupa&#8230; Quem visitou o Nordeste nos ultmos anos (e eu tive a felicidade de ir cinco vezes para o sertão nos últimos quatro anos) percebe como o comércio local cresceu, gerando uma nova classe média nordestina. Fora isso, houve a recuperação do salário-mínimo e a reversão da tendência (que vinha da era FHC) de sufocar o funcionalismo público (com ganhos salariais e novos concursos na era Lula).</p>
<p>Mas Lula também agradou os muitos ricos. Donos de fábricas e grandes comerciantes nunca faturaram tanto &#8211; graças ao mercado interno impulsionado pela redução da pobreza. E os rentistas (a minoria ínfima que aplica dinheiro, pra financiar a dívida do governo) seguiram ganhando com os juros mais altos do Planeta.</p>
<p>Quem ficou contra Lula? A velha clase média. Arrochada por impostos, e sem utilizar serviços públicos, essa classe média pensa com o bolso na maior parte. Sente-se prejudicada por esse arranjo de Bolsa-Família (&#8220;é esmola&#8221;, como dizem) + impostos altos + Estado forte. </p>
<p>Nas semanas anteriores, Dilma tomou medidas variadas na área econômica, sempre no sentido de frear a tendência expansionista do segundo mandatode Lula:</p>
<p>- congelou concursos públicos (desagradando a tradicional base sindical lulista entre o funcionalismo);</p>
<p>- deu aumento de salário mínimo abaixo do reivindicado pelas centrais sindicais (mas dentro da regra estabelecida na era Lula);</p>
<p>- subiu juros;</p>
<p>- cortou 50 bilhões de reais do Orçamento.</p>
<p>Os liberais aplaudiram. A esquerda e os sindicalistas ficaram ressabiados.</p>
<p><span id="more-6910"></span>Agora, as medidas dessa semana mostram que Dilma segue a mesma fórmula de Lula: um agrado ao &#8220;mercado&#8221;, aos rentistas e à velha mídia  (com juros altos e cortes de gastos públicos), mas sem descuidar da base popular (com aumento acima da inflação para o Bolsa-Família).</p>
<p>Dilma, ao que tudo indica, seguirá se equilibrando entre os dois extremos da pirâmide social (como fez Lula).</p>
<p>Com uma novidade: o movimento de aproximação com a velha mídia é uma tentativa de ganhar a simpatia da velha classe média, que votou em Marina e Serra (e que lê &#8220;Veja&#8221;, &#8220;O Globo&#8221;, &#8220;Folha&#8221;, &#8220;Estadão&#8221;&#8230;)</p>
<p>Quem está de fora desse arranjo por enquanto? Os setores organizados (sindicatos, trabalhadores do mercado formal), a esquerda tradicional, os movimentos sociais.</p>
<p>O cálculo de Dilma, parece-me, é de que esses setores no limite estarão com ela se a coisa apertar. Pode ser arriscado&#8230; O presidente da Força Sindical, Paulinho (PDT), já mandou petardos contra o governo. E em recente <a href="http://altamiroborges.blogspot.com/2011/02/cms-abre-guerra-contra-agenda.html#more">reunião da &#8220;Coordenação de Movimentos Sociais&#8221;, </a>o presidente da CUT (central organicamente próxima do governo) deu o recado: “<em>este namoro da Dilma com a mídia vai durar seis meses e aí depois o governo virá nos procurar para sustentá-lo, como fez em 2005</em>”.</p>
<p>Há decepção geral, entre setores que apoiaram Dilma de forma decidida (e decisiva) quando a situação apertou entre o fim do primeiro turno e o início do segundo. Esses setores sentem-se abandonados pelos primeiros movimentos de Dilma.</p>
<p>Isso, talvez, não se reflita nas primeiras pesquisas de opinião após os cem dias inicias de governo. Resta saber se, quando a lua-de-mel com a velha mídia acabar e Dilma sofrer ataques violentos como os sofridos por Lula, ela poderá contar com essa base tradicionals do lulismo? Ainda é cedo pra saber. O certo é que rachaduras se abriram nesses dois primeiros meses.</p>
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		<title>A ficha caiu: o malocismo avança?</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 19:14:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[Os rumos de Dilma]]></category>

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		<description><![CDATA[Acho que a ficha caiu quase ao mesmo tempo, pra muita gente. Os sinais vão aparecendo... Ontem, escrevi um texto, externando algumas preocupações com as primeiras medidas econômicas adotadas por Dilma. No mesmo dia, Altamiro Borges e Mair Pena Netto publicaram reflexões importantes, sobre o mesmo tema. Confira!

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			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/02/palocci-malan2.bmp" rel="lightbox[6643]"><img class="aligncenter size-full wp-image-6655" title="palocci malan" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/02/palocci-malan2.bmp" alt="" /></a>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>Acho que a ficha caiu quase ao mesmo tempo, pra muita gente. Os sinais vão aparecendo&#8230; Ontem, escrevi <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/a-fama-de-pochmann-e-o-pernil-de-delfim.html">esse texto</a>, externando algumas preocupações com as primeiras medidas econômicas adotadas por Dilma. No mesmo dia, Altamiro Borges e Mair Pena Netto publicaram reflexões importantes, sobre o mesmo tema.</p>
<p>Mair, no &#8220;Direto da Redação&#8221;, falou sobre a tentativa da velha mídia, ou &#8220;imprensa de mercado&#8221; (como ele bem define), de criar uma cunha entre o &#8220;populista&#8221; Lula e a &#8220;técnica&#8221; Dilma. O artigo de Mair chama-se <a href="http://www.diretodaredacao.com/noticia/do-poste-a-governante-encantadora">&#8220;Do poste à governante encantadora</a>&#8220;, e merece ser lido com atenção.</p>
<p>Trata-se &#8211; e aí sou eu que digo, não o Mair &#8211; de uma tentativa inteligente por parte da velha mídia, para sangrar os dois &#8211; Dilma e Lula. Bate-se primeiro em Lula, usando a ex-ministra dele como exemplo de boa conduta. Lula já não tem a máquina da presidência para responder. Depois, quando (mas aí falta combinar com os russos!) Lula tiver sua imagem enfraquecida, aí parte-se para o ataque contra Dilma. A estratégia, claramente, é essa.</p>
<p>O problema é que o povão não lê jornal, nem se importa com o que diz essa velha mídia. Vai ser difícil &#8220;desconstruir&#8221; Lula. Andei agora pelo Nordeste, e testemunhei a ligação visceral entre o povo mais simples e o legado de Lula. Para o bem e para o mal (e o mal, nesse caso, é a despolitização). Entrevistei uma senhora que acabara de receber uma casa, por conta do projeto de transposição do rio São Francisco. A fazenda onde ela vivia como meeira (morava na fazenda numa casa que não era dela, mas do dono da terra) foi desapropriada para as obras. O governo construiu uma agro-vila para reassentar os antigos meeiros. Todos ganharam casa própria. A senhora me disse: &#8220;agradeço a Deus por minha casa; quer dizer, agradeço a Lula também; pra mim, é Deus no céu e Lula na terra&#8221;.</p>
<p>Mas a velha mídia não sossega. Se não pode derrubar Lula, vai tentar seduzir Dilma. A presidenta não vai entrar nessa &#8211; certo? Seria uma ingenuidade sem tamanho. E Dilma não é propriamente uma mulher  ingênuna.</p>
<p>Mas, com Palocci como conselheiro, tudo é possível.</p>
<p>E aí chegamos ao<a href="http://vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&amp;id_noticia=147740"> texto de Altamiro Borges</a>, também publicado nessa quarta-feira. Ele fala sobre o avanço do &#8220;malocismo&#8221; (mistura de Malanismo com Paloccismo) na gestão da economia. Aqui, um trecho:</p>
<p><em>&#8220;Na prática, as decisões recentes do governo parecem indicar um triste regresso ao “malocismo” – uma mistura de Pedro Malan, czar da economia no reinado de FHC, e Antonio Palocci, czar da economia no primeiro mandato de Lula. Os seus efeitos poderão ser dramáticos, inclusive para a popularidade da presidenta Dilma. De imediato, as medidas de elevação dos juros e redução dos investimentos representam um freio no crescimento da economia e, conseqüentemente, na geração de emprego e renda.&#8221;<br />
</em><br />
Como eu disse em texto anterior, 50 dias de governo é um prazo curto demais pra qualquer conclusão apressada. Mas há sinais preocupantes no ar. Isso há!</p>
<p>Como todo governo, esse também será um governo em disputa. Pode caminhar alguns graus para o centro, em relação ao que foi o segundo mandato de Lula. Mas isso tudo pode ser também apenas um ajuste inicial, para depois acelerar rumo à distribuição de renda e redução da pobreza.</p>
<p>Veremos.</p>
<p><span id="more-6643"></span>Por hora, eu diria que o &#8220;malocismo&#8221; está ganhando a parada, como diz o Miro. Para alegria da&#8221; imprensa de mercado&#8221;, como diz o Mair</p>
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		<title>Brasil, a geração de energia e a &#8220;merda&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Dec 2010 21:49:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[Debate na CartaCapital]]></category>

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		<description><![CDATA[Participei essa semana, como moderador, do seminário promovido pela “Carta Capital”. A revista conseguiu reunir todos os presidentes do BNDES dos oito anos de governo Lula: Guido Mantega, Luciano Coutinho, Carlos Lessa (professor da UFRJ) e Demian Fiocca (hoje, de volta à iniciativa privada).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>Participei essa semana, como moderador, do seminário promovido pela “Carta Capital”, no Rio de Janeiro. A revista conseguiu reunir, em dois dias de “Diálogos Capitais”, todos os presidentes do BNDES dos oito anos de governo Lula: Guido Mantega (que continuará como  ministro da Fazenda), Luciano Coutinho (que também seguirá à frente do banco com Dilma), Carlos Lessa (professor da UFRJ) e Demian Fiocca (hoje, de volta à iniciativa privada).</p>
<p>Os dois últimos participaram de uma interessantíssima mesa sobre a Geração de Energia no Brasil. Lessa deu um show. Frases curtas, cortantes. Misturou informação e humor. “Uma das coisas mais imbecis do Planeta é expandir a geração de energia com termoelétricas, quando temos esse potencial hidrelétrico magnífico”, desferiu.</p>
<p>Foi um comentário aos números mostrados pouco antes por Wilson Ferreira Junior, presidente da CPFL (empresa geradora de energia em São Paulo). Wilson indicou que o Brasil deve entrar na segunda década do século XXI em situação razoavelmente “confortável” no que tange à geração de energia: com as novas usinas já contratadas ou em construção, o país tem energia “sobrando” nos próximos dez anos.</p>
<p>Mas Wilson mostrou também que o Brasil – por força dos (necessários) cuidados ambientais – tem feito uma escolha no mínimo estranha na hora de construir hidrelétricas: opta por usinas sem grandes reservatórios, que operam no sistema do “fio d´água”. Isso evita os impactos ambientais das grandes áreas alagadas; mas em contrapartida reduz a capacidade de geração das usinas.</p>
<p>E o que o Brasil faz para compensar hidrelétricas que produzem menos energia do que poderiam? Constrói termoelétricas!!! Que liberam para a atmosfera toneladas de carbono!</p>
<p>Hum&#8230;</p>
<p>Entenderam a lógica? Evita-se o impacto ambiental dos reservatórios, e amplia-se o impacto do carbono na atmosfera. Uma escolha “imbecil” – na definição do professor Carlos Lessa.</p>
<p>Lessa também arrancou gargalhadas da platéia ao definir a Petrobrás como uma empresa “quase” nossa. Defendeu que o governo brasileiro use parte das reservas em dólar acumuladas nos últimos anos  para recomprar ações da estatal que hoje estão pulverizadas no mercado de Nova York.</p>
<p>Miguel Rosseto, que hoje preside a Petrobras Bio Combustíveis, anunciou as inovações tecnológicas que, em breve, podem aumentar a produção do combustível obtido do bagaço de cana. Lessa saudou a novidade, mas como velho nacionalista alertou o país para uma onda pouco noticiada: a compra de terras por estrangeiros que enxergam no Brasil o melhor lugar do Planeta para produzir combustível a partir da cana.</p>
<p>Lessa disse que os brasileiros precisam lançar uma campanha popular para impedir a compra de terras pelos estrangeiros. “Será uma nova batalha de Guararapes!”</p>
<p>Demian Fiocca fez uma exposição técnica e reveladora. Mostrou como é impossível evitar danos ambientais – no curto prazo – contando apenas com o crescimento das chamadas “energias alternativas” (eólica, biomassa etc). A oferta desse tipo de energia no Planeta é de cerca de 1% do total. Contra 60% a 70% de energia produzida a partir de combustíveis fósseis (que liberam carbono para atmosfera). Por isso, lembrou Demian, se o Planeta quer mesmo reduzir a emissão de carbono, precisa apostar no tripé energia nuclear-hidrelétrica-energias alternativas,  que juntas hoje representam cerca de 20% da oferta total no Mundo.</p>
<p>“Mesmo se multiplicássemos por cinco o uso das energias alternativas, atingiríamos só 5% do total. Parece mais realista apostar na ampliação desse somatório de energias nuclear-hidrelétrica-alternativas; se dobrarmos a oferta delas, teríamos 40% do total, com um impacto decisivo sobre a emissão de carbono”, disse Demian.</p>
<p>O economista (o mais jovem dos quatro que recentemente ocuparam a presidência do BNDES) lembrou que – assim como os setores produtivos precisam rever conceitos e levar em conta as preocupações ambientais – o movimento ambientalista precisa trabalhar com novos parâmetros, mais realistas, se quisermos reduzir o impacto do aquecimento global.</p>
<p><span id="more-5457"></span>E aí voltamos às termoelétricas&#8230;</p>
<p>Ambientalistas, ao fazerem oposição cerrada às hidrelétricas com grandes reservatórios, acabam levando o país a ampliar a geração por termoelétricas. Difícil não concordar (atenção ambientalistas e leitores em geral: sintam-se à vontade, sim, para discordar e criticar; seria legal travar um debate nessa área) com o professor Carlos Lessa: parece uma opção “imbecil”, num país em que o potencial hidrelétrico inexplorado ainda é gigantesco.</p>
<p>Tão gigantesco como o sistema de transmissão de energia que o país soube consolidar. Wilson Ferreira Junior apresentou um dado impressionante: a rede de transmissão de energia brasileira que corta o país do sul até à Amazônia, se estivesse na Europa e fosse transposta para um eixo imaginário leste-oeste, teria cumprimento suficiente para unir Lisboa a Moscou!</p>
<p>Isso mesmo. O Brasil construiu um sistema de transmissão que seria suficiente para unir Portugal à Rússia. O Brasil inventou tecnologia para tirar petróleo de águas profundas- levando à descoberta do Pré-Sal, que pode ser a terceira maior reserva de Petróleo do mundo. O Brasil criou técnicas inovadoras para produzir combustível renovável a partir da cana e de outros vegetais.</p>
<p>Tudo isso, mais o gigantismo hidrelétrico do país, leva à conclusão de que seremos das poucas nações do Planeta a ter energia “sobrando” nas próximas décadas. O que fazer com essa riqueza? Vamos armazenar e processar essa energia no ritmo que interessa a uma nação independente? Ou vamos nos render às necessidades da (ainda) maior potência do Planeta – que quer “beber” nosso petróleo em estado bruto, como bem definiu o professor Lessa.</p>
<p>Lá pelo fim do seminário, o experiente (e debochado) economista carioca olhou para esse humilde mediador e entre dentes concluiu: “esse é o grande debate que interessa ao Brasil, debate que não se fez na merda da campanha eleitoral”.</p>
<p>De novo, difícil discordar de Carlos Lessa!</p>
<p>=====</p>
<p>Em tempo: a edição de &#8220;CartaCapital&#8221; que circula a partir do dia 17 trará a cobertura completa dos debates travados no Rio. Incluindo as mesas sobre a infra-estrutura para Copa de 2014, e sobre o Plano Nacional de Banda Larga &#8211; todas de altíssima qualidade. Confiram!</p>
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		<title>Rumo ao interior: trem-bala e o eixo Rio-Campinas</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 13:58:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil nos trilhos]]></category>

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		<description><![CDATA[No próximo dia 29 - a 30 dias do fim do governo - deve ocorrer a maior licitação da Era Lula: 33 bilhões de reais é o preço mínimo da licitação do trem-bala entre Rio e São Paulo. Eu disse entre Rio e São Paulo? Esse é um erro comum. Mas a verdade é outra: no projeto do moderno trem, São Paulo é "apenas" passagem. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>No próximo dia 29 &#8211; a 30 dias do fim do governo &#8211; deve ocorrer a maior licitação da Era Lula: 33 bilhões de reais é o preço mínimo da licitação do trem-bala entre Rio e São Paulo.</p>
<p>Eu disse entre Rio e São Paulo? Esse é um erro comum. Mas a verdade é outra: no projeto do moderno trem, São Paulo é &#8220;apenas&#8221; passagem. O velho eixo Rio/SP já não dá conta da diversidade do Brasil. É simbólico que o traçado do novo trem seja Rio-Campinas, com paradas no Vale do Paraíba e na capital paulista.</p>
<p>Símbolo, eu diria, de um país que avança para o interior. Durante 4 séculos, incluindo os trezentos anos de colonização portuguesa, as principais cidades brasileiras ficavam &#8211; todas elas &#8211; na nossa imensa costa atlântica. Só no limiar do século XX é que o Brasil &#8211; já republicano &#8211; veria sua primeira metrópole longe (mas nem tão longe) do litoral: São Paulo. Depois, viriam Belo Horizonte e  &#8211; graças ao planejamento dos anos JK &#8211; Brasília. Durante a ditadura, nova metrópole longe do litoral: Manaus, cidade encravada no meio da Floresta Amazônica. Até hoje me surpreendo quando chego de avião à capital amazonense. É espantoso ver a dimensão daquela cidade (cheia de problemas, diga-se) que os brasileiros foram capazes de construir.</p>
<p>O traçado do trem-bala é o reconhecimento desse Brasil que caminha &#8211; a passos lentos, mas sem retorno - para o interior. O trem ajuda a estruturar e a ampliar esse eixo que já foi Rio-SP, mas hoje avançou cem quilômetros rumo ao interior paulista.</p>
<p>Um eixo que terá, numa das pontas, o atrativo do turismo carioca e da fortíssima indústria do petróleo (a restaurar, espera-se,  o vigor da economia fluminense). E, na outra ponta, o agronegócio, a indústria e os centros de inovação do interior paulista (Campinas, lembremos, é polo de conhecimento e inovação &#8211; com a  Unicamp).</p>
<p>Por fim, é bom não esquecer, o Vale do Paraíba, onde o trem deve parar, é sede da indústria de aviação brasileira (e também um território de inovação e conhecimento, com o ITA).</p>
<p>Simbólico que o trem passe por uma área que já foi tomada pelos cafezais no século XIX. Os morros valeparaibanos sem vegetação (a mata foi derrubada pra ceder lugar ao café) são testemunho daquela época. Sobraram os pastos e algumas belas fazendas &#8211; históricas &#8211; que vale a pena conhecer, tanto do lado fluminense como do lado paulista.</p>
<p>Dali partia o café que sustentou a República Velha e que forneceria os capitais para a incipiente industrialização paulista no entre-guerras do século XX. Agora, esse pode ser o eixo da nova economia do século XXI.</p>
<p>E a capital paulista? Virou passagem. Cidade de serviços (mais do que indústria) São Paulo vai mediar os contatos entre Rio e Campinas. São Paulo seguirá importante. Mas é simbólico &#8211; também &#8211; que o projeto do trem-bala Rio-Campinas seja obra de um governo (de Dilma) que deve ser o primeiro em 16 anos a afastar a centralidade paulista do poder.</p>
<p><span id="more-5135"></span>Leio que esse ramal do trem-bala (que pode ser construído por coreanos &#8211; seriam os favoritos pra vencer a concorrência)   seria apenas o primeiro. Serviria, no futuro próximo, como espinha dorsal para outros trechos a unir Brasília e Belo Horizonte: uma poderosa rede ferroviária do século XXI.</p>
<p>Desde a liquidação da RFFSA, o transporte por trens no Brasil concentrou-se no setor de carga. A malha serve, basicamente, como escoadouro para exportações.</p>
<p>O trem-bala põe os brasileiros de volta nos trilhos. Dinheiro e incentivo públicos serão necessários &#8211; reclamam os puristas da iniciativa privada. Ah, é? E qual foi o projeto importante no Brasil que prescindiu da mão forte do Estado?</p>
<p>Sem a indução estatal, não haveria indústria pesada, não haveria Petrobrás, não haveria Brasília, Manaus.</p>
<p>O trem-bala pode ser a marca de um Brasil que avance para o interior não apenas pra abrir novas fronteiras agrícolas a serviço do agronegócio exportador. Não. Pode ser o eixo de um novo ciclo de desenvolvimento onde caiba inovação, tecnologia, serviços, indústria de ponta. Tudo isso com mais Educação, e salários melhores.</p>
<p>O Brasil não deve se contentar com o papel de &#8220;fazenda&#8221; a alimentar europeus e chineses. Sem abrir mão da riqueza agrícola, é possível construir agora um país múltiplo: com petróleo, etanol, ferro, carros, navios, aviões, chips e computadores.</p>
<p>Pela primeira vez, desde que me entendo por gente, olho pra frente e não vejo &#8220;crise&#8221; e &#8220;medo&#8221;. Mas esperança de um país melhor.</p>
<p>Partes do Nordeste, do Norte amazônico e do sul brasileiros podem (devem!) também criar seus polos de inovação.</p>
<p>Um desafio e tanto! E o mais interessante: é possível fazer tudo isso sem &#8220;Estado Novo&#8221;. Sem milicos nem &#8220;Brasil Grande&#8221;. Com democracia e liberdade.</p>
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		<title>Petrobrás bomba! Apesar dos tucanos&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Sep 2010 15:32:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[Vargas vivo; FHC enterrado]]></category>

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		<description><![CDATA[FHC queria enterrar a Era Vargas. Os tucanos queriam desmontar a Petrobrás. Hoje, o Brasil anuncia que a Petrobras é a segunda maior empresa do Mundo. A captação de 120 bilhões de reais, com lançamento de novas ações no mercado, foi a maior da história. Vargas ganhou a parada. FHC e o tucanismo dos anos 90 estão mortos e enterrados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp">
<div class="mceTemp"><div id="attachment_3758" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Vargas11.jpg" rel="lightbox[3750]"><img class="size-medium wp-image-3758" title="Vargas[1]" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Vargas11-300x247.jpg" alt="" width="300" height="247" /></a><p class="wp-caption-text">O estadista de São Borja está vivo; o tucanismo, morto e enterrado</p></div><em><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;">por</span> Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>FHC queria enterrar a Era Vargas. Foi o que disse num discurso histórico no Senado em 1994, pouco antes de tomar posse para o primeiro mandato na presidência da República.</p>
<p>Depois, um dos ideólogos do tucanismo, o ministro Sergio Mota (aquele que dizia: “os tucanos tem um projeto de 20 anos de poder”) anunciou que era preciso “desmontar, osso por osso” a Petrobras – a empresa, segundo ele, era um “paquiderme”.</p>
<p>Hoje, o Brasil anuncia que <a href="http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201009241243_RED_79296583">a Petrobras é a segunda maior empresa do Mundo.</a> A captação de 120 bilhões de reais, com lançamento de novas ações no mercado, foi a maior da história. Prestem atenção: maior captação de recursos da história no mercado mundial!</p>
<p>Além disso, com a engenhosa operação planejada pelo governo Lula, a União pode passar a deter mais de 50% das ações da Petrobrás.</p>
<p>Com o sucesso da Petrobrás, o Brasil mostra ao mundo a força de sua economia; e mostra que o Estado tem – sim – papel fundamental no desenvolvimento, sobretudo em economias que tentam sair da periferia para entrar no centro do jogo econômico mundial.</p>
<p>Ano passado, o Brasil já tinha enfrentado a crise mundial com a força do BNDES – outra criação de Vargas. Agora, a Petrobras vira uma gigante quase do tamanho da Exxon (EUA).</p>
<p>Como já escrevi aqui, tem um caráter simbólico o fato de a provável sucessora de Lula ser uma ex-militante do PDT, formada na tradição do brizolismo e do trabalhismo de esquerda.</p>
<p>A eleição de Dilma significa o reencontro do PT com Vargas. Mais que isso, significa o reencontro do Brasil com a melhor herança do varguismo: defesa do Estado, distribuição de renda, direitos trabalhistas e nacionalismo econômico.</p>
<p>O resto é UDN, é entreguismo, é tucanismo dos anos 90.</p>
<p>Tenho a leve impressão que o estadista gaúcho ganhou essa parada. Enterrado há 56 anos em São Borja, Vargas segue mais vivo do que nunca. Foi o Brasil que enterrou a era FHC.</p>
</div>
</div>
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		<item>
		<title>A economia arrumada e a surra dos fatos</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/a-economia-arumada-e-a-surra-dos-fatos.html</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 17:19:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>

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		<description><![CDATA[No acumulado de 12 meses, a inflação está abaixo da meta de 4,5%. Ao mesmo tempo, a economia cresce em torno de 7% a 8%. E a miséria se reduz. Os tucanos sentem na pela: quanto mais usam a velha mídia para bater em Lula, maior é a pancada que lhes volta na testa. É uma surra dos fatos, dos números da economia. E vai virar uma surra de votos.

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos anos 70, o Brasil crescia num ritmo que hoje qualificaríamos como “chinês”. Só que não distribuía renda. Sob ditadura militar, os czares da economia (como o professor Delfim Neto) diziam que era preciso “fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”. Na oposição, a turma de economistas do MDB (Maria Conceição Tavares e Celso Furtado eram as bússolas dessa turma) dizia que era possível, sim, crescer e distribuir renda – ao mesmo tempo. Não foram ouvidos.</p>
<p>O modelo de concentração dos militares deixou o Brasil mais injusto, e ainda nos legou a hiperinflação, que explodiu no colo de Sarney. Quando o MDB chegou ao poder, a casa estava tão desarrumada que eles não conseguiram dar jeito: Planos Cruzado 1 e 2, Bresser&#8230; E nada. O caldo entornou, e o liberalismo à moda Margareth Tatcher parecia a única receita à mão.</p>
<p>Nos anos 90, sob FHC, o Brasil controlou a inflação mas esqueceu de crescer. Limitações estruturais, diziam os tucanos, impediam o país de ter uma economia equilibrada e forte ao mesmo tempo. Parecia maldição.</p>
<p>Sob Lula, finalmente, a equação fechou. Hoje, temos crescimento semelhante ao da época da ditadura, distribuição de renda e inflação sob controle. Não é à toa que Conceição Tavares (que também foi professora de Serra) escolheu votar em Dilma. O governo petista botou em prática a receita dos economistas do MDB. Lula expandiu o mercado interno, transformou o capitalismo para poucos (marca brasileira) num capitalismo para muitos. É um governo social-democrata, com tinturas brasileiras. Mercado relativamente livre, mas com a mão do Estado sempre pronta para agir. Estado democrático, aberto e plural &#8211; diga-se, nesse momento em que os tucanos desesperados apelam e tentam vender a imagem de que o país caminha para a ditadura. Só rindo muito&#8230;</p>
<p>O Banco Central acaba de sinalizar que os juros devem voltar a cair no Brasil. O “Estadão” até deu um tempo nas manchetes sobre o “escândalo” da receita, para reconhecer o óbvio. E por que os juros caem? Porque a inflação voltou pra perto de zero (pelo terceiro mês seguido). No acumulado de 12 meses, <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100910/not_imp607685,0.php">a taxa está abaixo da meta de 4,5%</a>. Ao mesmo tempo, a economia cresce em torno de 7% a 8%. E a miséria se reduz.</p>
<p>Ah, o Lula tem sorte, diziam meus amigos tucanos durante o primeiro mandato. “Ele não pegou crises bravas, como o FHC”.</p>
<p>Aí veio 2008, os EUA desmancharam (a tal ponto que brasileiros compram até o Burger King), e a Europa ameaçou ruir&#8230;</p>
<p> E o Brasil?</p>
<p>O Brasil cresce, com inflação sob controle e distribuição de renda. Isso é sorte? Ou é escolha e ação?</p>
<p>Quando a crise veio, há dois anos, os “consultores” liberais diziam que Mantega/Lula estavam errados por expandir o gasto público e usar os bancos estatais na reação ao tumulto financeiro mundial. A velha receita dos consultores e economistas atucanados era: apertar o cinto, reduzir gastos. Isso teria lançado o Brasil numa espiral invertida, de estagnação e desemprego. Confiram o que estou falando nesse <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/videos/como-serra-agiria-na-crise.html">ótimo vídeo</a>.</p>
<p>Lula/Mantega fizeram a escolha oposta: gastar, e colocar os bancos estatais pra emprestar. Ajudaram a economia a reagir, não com dinheiro público a fundo perdido na mão de banqueiros e empresário privados (como fizeram Obama e Merkel, por exemplo). Mas com empréstimos, que serão pagos.</p>
<p><span id="more-3441"></span></p>
<p>Por que o Brasil pode reagir à crise? Porque não privatizou seus bancos públicos. Caixa Economica Federal, Banco do Brasil e BNDES cumpriram um papel decisivo. O programa tucano incluía privatizar tudo, como se fez na Argentina – sob Menem.</p>
<p>O desafio de Dilma é manter tudo isso, e recuperar a capacidade de inovação da Indústria brasileira. O país não pode mais assistir sua balança comercial ser engordada quase que apenas com produtos primários. O Brasil precisa escolher alguns setores-chave e fortalecer sua indúsria nessas áreas. O Brasil precisa ter montadora nacional de carros, fábricas de computadores (ou, ao menos, de componentes para computadores). Esse é o desafio. Não podemos andar pra trás e virar uma fazenda pra alimentar chinês!</p>
<p>Poucos países no Mundo possuem a estrutura pública para crédito que o Brasil conseguiu manter. Os EUA não tem um BNDES. A China tem ferramentas parecidas com as brasileiras. Mas sob partido único, e sem liberdade.</p>
<p>Não se trata de discurso de “jornalista petralha”, como dizem por aí blogueiros (eles, sim) apedeutas e sujos.</p>
<p>Não é à toa que economistas não-alinhados com os velhos liberais brazucas reconhecem os avanços. Como fez o italiano Pier Carlo Padoan, nessa <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/09/100908_eleicoes_ocde_ji.shtml">entrevista à BBC.</a></p>
<p>E não é à toa que a Ana – a moça que faz a limpeza e a arrumação lá em casa – chegou outro dia para trabalhar dirigindo o carro que comprou &#8211; financiado.  </p>
<p>Perguntei para a Ana o que ela acha das denúncias contra o Lula. “No meu bairro, lá na periferia da zona leste, ou na minha terra, lá na Bahia, se o sujeito falar mal do Lula e da turma do Lula, ele corre o risco de apanhar.”</p>
<p>Bem, de certa forma, é o que os tucanos estão aprendendo agora. Estão levando uma surra. Quanto mais usam a velha mídia para bater no PT e em Lula, maior é a pancada que lhes volta na testa.</p>
<p>É uma surra dos fatos, dos números da economia. E vai virar uma surra de votos.</p>
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		<title>&#8220;Citco Building&#8221;: esse é o mapa da mina</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/citco-building-nas-ilhas-virgens-o-verdadeiro-mapa-da-mina-aponta-para-la.html</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 22:29:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Força da Grana]]></category>
		<category><![CDATA[O livro de Amaury]]></category>

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		<description><![CDATA[Os segredos de Verônica Serra e do genro de Serra (no país da piada pronta, o cara tinha que ter esse nome: Alexandre Bourgeois - Alexandre Burguês) não estão nas declarações de Imposto de Renda que vazaram no ABC paulista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3421" class="wp-caption alignleft" style="width: 230px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/09/ilhas-virgens.jpg" rel="lightbox[3420]"><img class="size-full wp-image-3421" title="ilhas virgens" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/09/ilhas-virgens.jpg" alt="" width="220" height="220" /></a><p class="wp-caption-text">O verdadeiro mapa do tesouro não leva a Mauá</p></div>
<p>Prestem atenção nesse trecho de uma reportagem assinada por Amaury Ribeiro Junior:</p>
<p><em>&#8220;Spencer concentrava seus negócios caribenhos na caixa postal 662 do Edifício Citco, em Road Town, nas Ilhas Virgens, endereço do escritório da Citco, especializado na abertura de empresas offshore.&#8221;</em></p>
<p>David Eric Spencer é um advogado dos EUA que prestava serviços a Ricardo Sérgio - tucano que atua nos bastidores, foi diretor do Banco do Brasil no governo FHC, durante as privatizações, e é muito próximo a Serra. A<a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/17088_LAVA+JATO+A+BRASILEIRA?pathImagens=&amp;path=&amp;actualArea=internalPage"> reportagem acima é de 2003 e foi publicada pela revista Istoé</a>.</p>
<p>Foi naquela época que Amaury começou a investigar a barafunda financeira do tucanato. Dinheiro que vai, dinheiro que vem. Genro, filha&#8230; As seguidas reportagens renderam um processo de Ricardo Sérgio contra Amaury. O jornalista pediu &#8220;exceção de verdade&#8221; (quando o sujeito que é processado por calúnia pede para provar que a afirmação feita é verdadeira), e foi no âmbito dessa ação que Amaury ganhou o direito de acessar a ampla documentação recolhida pela CPI do Banestado &#8211; documentação que o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) guardava a sete chaves.</p>
<p>Foi a partir dessa documentação que Amaury recolheu o grosso do material que integrará seu livro sobre as privatizações tucanas e os estranhos caminhos do dinheiro. Amaury saiu da Istoé, rodou por aí. Trabalhou no &#8220;Estado de Minas&#8221;, sempre coletando rico (!) material sobre as peripécias financeiras que ligam São Paulo, Buenos Aires, Miami, Nova York e as Ilhas Virgens.</p>
<p>Os segredos de Verônica Serra e do genro de Serra (no país da piada pronta, o cara tinha que ter esse nome: Alexandre Bourgeois &#8211; Alexandre Burguês) não estão nas declarações de Imposto de Renda que vazaram no ABC paulista. O vazamento, se de fato ocorreu, é criminoso. E deve ser investigado. Mas o importante não é o que está nos documentos de Mauá ou Santo André, e sim o que aparece nas empresas registradas nas Ilhas Virgens.</p>
<p>O mapa da mina (ou o mapa de Minas?) aponta pra lá!</p>
<p><span id="more-3420"></span>Citco Building. Guardem esse nome.</p>
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