Bolsa-Família pra cá, juros pra lá: o lulismo de Dilma

publicada quarta-feira, 02/03/2011 às 13:37 e atualizada quinta-feira, 03/03/2011 às 00:37

O COPOM (órgão que define as taxas de juros no Brasil – ou seja, define a quantidade de sangue que o coração financeiro pode bombear para as artérias da economia real)  decidiu, pela segunda vez no governo Dilma, elevar os juros.

Anteontem, na Bahia, Dilma aumentou o Bolsa-Família bem acima da inflação.

Os dois movimentos são aparentemente contraditórios. Essa “contradição” (fora do manual clássico dos liberais que dominaram o governo FHC, e ainda dominam os velhos jornais brasileiros) foi a base do sucesso de Lula.

Façamos uma parada rápida. E vejamos o texto curto que o site “Carta Maior” destaca em sua capa:

“Dilma corrige os valores do Bolsa Família e dá reajuste real ao benefício recebido por 12,9 milhões de famílias. O menor valor da transferencia de renda passa de R$ 22 para R$ 32; o maior, de R$ 200 para R$ 242.  Famílias com filhos foram contempladas com as maiores taxas de aumento real. A reunião do Copom desta 4º feira servirá um ‘lexotan’ aos mercados. Se subir 0,5% a taxa de juro básica, a Selic, oferecerá aos rentistas um ‘tranquilizante’ da ordem de R$ 7,5 bilhões/ano; quase quatro vezes o gasto previsto com o reajuste do Bolsa Família que vai beneficiar 50 milhões de brasileiros pobres.  Aguardemos  a avaliação da mídia para cada um desses dispêndios fiscais.”

 A avaliação da mídia já veio. “Dilma corta de um lado e gasta de outro”, dizem os jornais.

Ok, é um fato. Os jornais só não dizem que subir juros (pra conter inflação? Mas a inflação não vem em boa parte do aumento do preço de alimentos, que é mundial?) também é gasto – na medida em que faz aumentar a já trilionária dívida pública! Mas essa é uma discussão à parte…

Observemos com calma outro ponto: o governo Lula conseguiu apoio dos muitos pobres e dos muito ricos. Fez isso com mecanismos como o “Bolsa-Família” – que retirou milhões de basileiros da indigência, e ao mesmo tempo ajudou a girar a economia das regiões mais pobres do país. Ao contrário do que diz o deputado Vacarezza (ele é do PT mesmo?), a grana do Bolsa-Família não vai pra “cachaça”; vai pra comida, roupa… Quem visitou o Nordeste nos ultmos anos (e eu tive a felicidade de ir cinco vezes para o sertão nos últimos quatro anos) percebe como o comércio local cresceu, gerando uma nova classe média nordestina. Fora isso, houve a recuperação do salário-mínimo e a reversão da tendência (que vinha da era FHC) de sufocar o funcionalismo público (com ganhos salariais e novos concursos na era Lula).

Mas Lula também agradou os muitos ricos. Donos de fábricas e grandes comerciantes nunca faturaram tanto – graças ao mercado interno impulsionado pela redução da pobreza. E os rentistas (a minoria ínfima que aplica dinheiro, pra financiar a dívida do governo) seguiram ganhando com os juros mais altos do Planeta.

Quem ficou contra Lula? A velha clase média. Arrochada por impostos, e sem utilizar serviços públicos, essa classe média pensa com o bolso na maior parte. Sente-se prejudicada por esse arranjo de Bolsa-Família (“é esmola”, como dizem) + impostos altos + Estado forte. 

Nas semanas anteriores, Dilma tomou medidas variadas na área econômica, sempre no sentido de frear a tendência expansionista do segundo mandatode Lula:

- congelou concursos públicos (desagradando a tradicional base sindical lulista entre o funcionalismo);

- deu aumento de salário mínimo abaixo do reivindicado pelas centrais sindicais (mas dentro da regra estabelecida na era Lula);

- subiu juros;

- cortou 50 bilhões de reais do Orçamento.

Os liberais aplaudiram. A esquerda e os sindicalistas ficaram ressabiados.

Agora, as medidas dessa semana mostram que Dilma segue a mesma fórmula de Lula: um agrado ao “mercado”, aos rentistas e à velha mídia  (com juros altos e cortes de gastos públicos), mas sem descuidar da base popular (com aumento acima da inflação para o Bolsa-Família).

Dilma, ao que tudo indica, seguirá se equilibrando entre os dois extremos da pirâmide social (como fez Lula).

Com uma novidade: o movimento de aproximação com a velha mídia é uma tentativa de ganhar a simpatia da velha classe média, que votou em Marina e Serra (e que lê “Veja”, “O Globo”, “Folha”, “Estadão”…)

Quem está de fora desse arranjo por enquanto? Os setores organizados (sindicatos, trabalhadores do mercado formal), a esquerda tradicional, os movimentos sociais.

O cálculo de Dilma, parece-me, é de que esses setores no limite estarão com ela se a coisa apertar. Pode ser arriscado… O presidente da Força Sindical, Paulinho (PDT), já mandou petardos contra o governo. E em recente reunião da “Coordenação de Movimentos Sociais”, o presidente da CUT (central organicamente próxima do governo) deu o recado: “este namoro da Dilma com a mídia vai durar seis meses e aí depois o governo virá nos procurar para sustentá-lo, como fez em 2005”.

Há decepção geral, entre setores que apoiaram Dilma de forma decidida (e decisiva) quando a situação apertou entre o fim do primeiro turno e o início do segundo. Esses setores sentem-se abandonados pelos primeiros movimentos de Dilma.

Isso, talvez, não se reflita nas primeiras pesquisas de opinião após os cem dias inicias de governo. Resta saber se, quando a lua-de-mel com a velha mídia acabar e Dilma sofrer ataques violentos como os sofridos por Lula, ela poderá contar com essa base tradicionals do lulismo? Ainda é cedo pra saber. O certo é que rachaduras se abriram nesses dois primeiros meses.

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39 Comentários

39 Comentários para “Bolsa-Família pra cá, juros pra lá: o lulismo de Dilma”

  1. Gabriela Fernanda disse:

    É isso mesmo, Vianna. a “velha classe média”custeia a farra dos ricos com o aumentos dos juros, a dos pobres com bolsa família e a dos bandidos com a bolsa bandido !!!
    Sinceramente, mesmo sendo esquerda, estou de saco cheio dessa novela !!

    • abrantes disse:

      Gabriela
      Realmente uma família faz uma grande farra com R$ 242,00 mensais( maior valor).Eu não me preocupo que uma parte do imposto que eu pago seja aplicado em programas sociais,pois eles tem melhor aproveitamento do que quando vai para o bolso de corruptos.
      O que vôce quis dizer com bolsa bandido,pelo que eu sei não existe nem uma bolsa que beneficia bandidos,o que existe é um auxilio reclusão devido aos detentos que são segurados do INSS e que contribuiram com o instituto,portanto naõ é com o dinheiro do seu imposto e isso já vem bem antes do FHC.

    • Edmilson disse:

      Se a “bolsa bandido” a que você se refere é o AUXÍLIO-RECLUSÃO pago HÁ 50 ANOS pela Previdência Social AOS DEPENDENTES de SEGURADOS que cumprem pena de prisão, então você foi mais uma que caiu na “pegadinha” dop jornal O Globo.
      A propósito, o filho de um trabalhador preso porque cometeu um crime (sim, trabalhador,já que CONTRIBUÍA para a previdência social), sem o auxílio-reclusão, portanto sem renda nem para comer, vai fazer o quê? Roubar, traficar?

      • Gabriela Fernanda disse:

        Sei de caso de que ocaranunca trabalhou e recebeu a bolsa bandido de 400,0 para cada filho !!
        É um absurdo bancar essa farra !!
        Ainda bem que tem um deputado federal que vai acabar com a bolsa penitenciaria !!1

  2. Olha, Rodrigo, se o deputado Paulinho é “de esquerda” então a definição dessa expressão mudou e eu não fiquei sabendo. O PDT de São Paulo ficou décadas apoiando e se aliando com os demotucanos, inclusive no período de Serra governador.

    Acho que o governo Dilma é de centro-esquerda assim como foi o de Lula. Quem ficou de fora foi uma extrema-direita que pretende representar a classe média das grandes cidades, a qual é extremamente elitista, racista e rancorosa. Os grandes empresários (Eike, Abílio Diniz, Emílio Odebrecht) têm visão de negócios e por isso apoiam esse movimento de inclusão social, pois ele representa inclusão no con$umo.

    Os grandes empresários pensam com o bolso. A classe média pensa com os intestinos.

    • Rodrigo Vianna disse:

      Roberto, eu não disse que o Paulinho é de esquerda. Mas ele representa “setores organizados” – como defini no paragrafo anterior – que se alinharam com Lula e que agora ameaçam tirar o time de campo. É uma turma que mobiliza gente. Lula sabe disso. Foi essa turma que garantiu Lula no poder quando os demo-tucanos e a mídia partiram pra cima dele em 2005. E foi essa gente (não necessariamente de”esquerda”) que foi pra rua no segundo turno, quando acampanha de Dilma titubeou e correu serio risco no confronto com Serra. Dilma parece agir como se essa turma toda já estivesse com ela – sem alternativa. Acho que é um erro. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa. Grande abraço!Rodrigo.

  3. Fernando Barretto disse:

    Estão ressabiados? Mas, alguém achou que Dilma era poste? Certamente Lula está gostando do início do governo Dilma. Estão tentando se impor à Dilma e ela faz o contrário.

    Quanto ao Paulinho, manda ele voltar a ser vice do Alckmin em 2014.

  4. Julio disse:

    É só votar nas alternativas que se apresentam (risos)..,
    Acorda, esquerda! É centro na melhor das hipóteses… E o que se tem pra pôr no lugar é coisa mil vezes pior…
    Dilma 2014!!!

    • Manoel disse:

      Também acho.
      É como aquela frase de efeito: Ruim comigo, pior sem migo.
      Acho que a gente precisa se acostumar que os tempos do Lula, com seu estilo de governar, já passou.
      Foi bom enquanto durou.
      Já era sabido que qualquer um que viesse depois dele seria diferente, bem diferente.
      Até agora só não gostei de ver a Dilma ter ido bater continência na Folha. De resto acho que ela está indo bem.
      Gostemos ou não, é como ela mesma destacou no discurso de posse que a partir daquele momento era a Presidenta de todos os brasileiros.

  5. Douglas O. Tôrres disse:

    O Eduardo Guimarãesfez um post exelente sobre isto,”o limite da fé”,ele não disse textualmente mas é visivel sua decepação com a Dilma,assim como a minha,e novamente citando o Edu,estamos ainda dando umtempo para vermos oe rumo que este governo vai escolher,Mas em meu comentário eu disse que se isto trata-se de uma estratégia é por demais arriscada,e se dando errado ela vier buscar apoio a quem está dando as costas e foi fundamental em sua eleição,ela serámuito mais cobrada,tera que fazer mais ndo que faria em condições normais,pois tera a desconfiança(alias já tem muita)dos setores que a apoiaram e ela tera que responder em atos para reconquistar a confiança,e sob pressãoas coisas que já são dificeis,ganham uma dimensão imensa.Acho que estão confiando demais na capacidade de “bombeiro” do Lula.E se ele entrar nesta história,ai fica definitivamente provado que ela era um post.

  6. Luis Armidoro disse:

    Rodrigo, tudo bem?

    Fico preocupado com um aspecto do Governo Dilma: “mallocci” – que agora age nas sombras. Não nos esqueçamos que Lula só fez um governo social-democrata depois de livrar da dupla satânica pallocci-zé dirceu.

    É bom tudo mundo ficar de olho no neoliberalóide, que vai querer agradar ao seu patrão, o mercado financeiro.

  7. ruy marcondes garcia disse:

    Caro Rodrigo,
    E qual seria a opção dos “setores organizados (sindicatos, trabalhadores do mercado formal), a esquerda tradicional, os movimentos sociais.”? É óbvio que não iriam passar para o campo da oposição atual (PSDB+DEM). A única alternativa seria formar uma nova oposição. Mas com quem, quais partidos?
    Como você mesmo afirmou em postagem anterior, o PT já ocupou a esquerda e está avançando sobre o centro.
    Portanto, acho que no cálculo político da presidenta Dilma esta falta de alternativa já está devidamente computada.

    • beatrice disse:

      A opção dos setores sociais deve ser “disputar” o governo DILMA dia e noite, demandando que as promessas de campanha não sejam retóricas.

  8. Charles disse:

    Rodrigo,sou filiado ao PT(Alagoinha-PE) a mais de dez anos,fiz parte do DM,além da Comissão de Ética em diversos momentos e acho lamentável a frase que foi dita pelo “líder do Governo”.Essa não é,nem pode ser a postura de um líder.Nós,aqui dos blogs sujinhos,que passamos toda a campanha presidencial sendo vítimas dos mais variados preconceitos,não podemos ficar calados ante tão descabido comentário de alguém que deveria dar o exemplo.O Sr.Vacarezza deveria,além de pedir desculpas à população(principalmente Nordestina),deveria também pedir o boné e deixar a Liderança do Governo.Ainda bem que não foi eleito Presidente da Câmara.Ele não é exemplo de representante do PT.

  9. Agradar à Gregos e Troianos é impossível. Nem Jesus agradou.

    Documentário – Dinheiro como divida [ Money as debt ]
    Para você Ser Humano robotizado (ou talvez não), aqui vem a explicação de
    como o dinheiro é feito e como é distribuido.
    http://bit.ly/abB2vN

  10. Wilma disse:

    Rodrigo,

    Acompanho seu trabalho desde a Globo e quando li sua carta de demissão da PLIM PLIM, pensei comigo, esse é dos meus, rsrs…
    Ando meio acabrunhada, um misto de decepção x espanto. Não estou gostando nada dos rumos que o governo Dilma está tomando. Passou feito um trator na questão do salário mínimo, agora já está falando em reduzir em 40% os investimentos no programa Minha Casa, Minha Vida, aumento da Selic. Que diabos está havendo??? Então foi para isso que enfrentei um batalhão de pessoas que bradavam contra ela e o Lula?? Se fizeram de santinhos, para depois com a vitória lascar a paulada no povo??? Não aguento mais esta lenga lenga de que a previdência está deficitária, que o salário mínimo maior vai impactar as contas do governo. Cadê a arrecadação de tributos que a cada ano fica mais robusta?? Então os patifes dos políticos aumentam os próprios salários 60 % acima da inflação, mas para os que pegam no pesado é esta vergonha de mínimo!!!
    Se ela pensa que vai engabelar os movimentos sociais, é bom ficar atenta. Apesar de achar que esta turma na hora de dar um tranco se rende em troca de migalhas.
    Já me decepcionei e não vejo com bons olhos o rumo das políticas implementadas pela Dilma.

  11. Sérgio Fonseca disse:

    Roberto e Rodrigo,
    Gostaria de acrescentar que a classe média que está com os demotucanos não está apenas nos grandes centros. No interior ela está presente e chia e reclama tanto que tenta se igualar à sua similar das capitais.

    • beatrice disse:

      Se dona Dilma pensa que conquista a classe média participando do convescote dos Frias deveria marcar uma entrevista com o Duda Mendonça urgente.
      Não entendeu nada de marketing político.

  12. paulo gimenes disse:

    O Rodrigo o Vacarezza é do PT de SP, genérico do PSDB. Por isso tem esses atos falhos, é o que pensa em sua casa, discute com seus amogos e ai na hora sai com isso.
    Aja paciência

  13. Luís CPPrudente disse:

    Não gostei de nenhuma das movimentações de Dilma rumo à imprensa do PIG, temo que ela possa deixar de lado a nossa “Ley de Medios” e sem essa “Ley de Medios” não vai adiantar nada ela reajustar o bolsa-família para continuar com a simpatia dos pobres, pois os banqueiros que recebem quatro ou cinco vezes mais o que se gasta com o Bolsa-família, vão continuar a financiar a imprensa mafiosa do PIG e podem até ganhar as próximas eleições, pois a Dilma pode ter perdido as pessoas que se empenharam e ajudaram a elegê-la presidente e o que ocorreu no Chile, pode ocorrer por aqui.

    Espero que eu esteja errado redondamente nesta minha reflexão e que no final destes quatro anos de Governo Dilma alguém diga para mim que apressado come cru.

    “Ley de Medios” já, para o bem da nossa democracia, para o bem do Brasil.

  14. tereza disse:

    O inicio do governo Dilma esta sendo copia do inicio do gov. Lula, so nao ve quem nao quer. Me lembro muito bem do Lula dando esporro nos sindicalistas da CUT no inicio de seu governo.

  15. Diogo gustavo disse:

    Também acho que Dilma está no rumo de Lula. A diferença é que é Dilma não é Lula, e não se sabe se o povo comprar a briga que compraria por Lula.
    Creio que está na hora de Dilma pensar em quem a sustentou na campanha “a tradicional classe média de esquerda”. O discurso dos juros é amplamente difundido na direita brasileira, mas quando o cidadão encara a tabela do imposto de renda, aí é de arrepiar qualquer um.

  16. Claudionor disse:

    Belíssimo post, Rodrigo.

    Reflete plenamente a situação nestes primeiros dias sob a administração da presidente(a) Dilma.

    A blogosfera está de certa forma enfurecida com os passos de Dilma, a ida a festa da Folha foi o grande pico de descontentamento, creio eu. Mas, como vc disse, a Dilma procura agradar os setores que ainda não estão do lado dela.

  17. Ricardo Melo disse:

    Rodrigo! Querem culpar a Dilma por colocar o “boné” da Globo! E isso não aconteceu!

    Vocês precisam descer do trem da eleição, ela acabou, ok?

    Agora a Dilma é Presidenta, pode e deve ir a qualquer lugar do Brasi.

    Dilma está fazendo agora exatamente o que Lula faria se estivesse Presidente.

    Cortar orçamento foi um “recuo tático”. A decisão do salário-mínimo, não. Ela simplesmene sustentou a mesma política decidada por…LULA!

    Sejam um pouco mais tolerantes com a nossa Presidenta.

    E não peço isso para dar a ela “uma forcinha”.

    Eu peço isso para que muita gente aqui não morra de vergonha do que escreveu daqui a uns 4 anos…

    • Eli disse:

      É isso aí Ricardo! Eu vi uma foto da Dilma, maravilhosamente vestida de um vermelho vibrante, sentada no meio daqueles urubus na festa da folha, olhando diretamente para o fotógrafo com um olhar e um sorriso muito significativos. Eu entendi perfeitamente a mensagem e admirei ainda mais a nossa presidenta. Pena que muitos blogueiros que se acham o supra sumo da intelectualidade da esquerda não sacaram nada.

  18. E a auditoria da dívida pública que é bom, nada!! Pagar juros de uma dívida questionavel, é uma coisa inaceitável. Arrochar todo mundo pra manter esse cassino financeiro não é digno de um governo dito de “”esquerda”". Eu não sei pra que o COPOM se reune, se quem decide mesmo são os executivos do mercado financeiro , que se reuniram na semana passada.

  19. Fefeo disse:

    Vergonhoso este aumento consecutivo da selic. Este é o BC da Dilma e do Tombini. Começo a ter saudades do Meirelles e do Gugu Franco. Dilma a beijadora de mão do Olavinho começa a me decepcionar. Ainda veremos Kamel e sua trupe elogiando Dilma e a sua política cambial e monetária.

  20. João disse:

    Acho que há uma busca deliberada do BC com a elevação da taxa Selic em cobrir os maiores deficits em transações correntes, provocados pela balança de serviços, no que se refere a renda liquida enviada ao exterior.

    Com o crescente influxo de capitais, atraídos pelas elevadas taxas de juros domésticas, que reduz a dívida externa líquida na medida em
    que o Banco Central do Brasil (BCB) forma reservas.

    Esta operação, entretanto, provocava uma expansão da dívida interna em virtude dos juros pagos pelos títulos lançados para promover a esterilização da oferta adicional de moeda nacional utilizada na compra de moeda estrangeira por parte do BCB.

    Daí a politica fiscal se contorce, tendo que cobrir o maior deficit nominal provocado pela elevação dos Juros Nominais;
    E das despesas de capital pelo aumento do Principal(montante) da dívida o que significa maior esforço fiscal no custeio da dívida.

    Já o câmbio força-se a valorização artificial, cada vez maior gerando pesados deficits comerciais em setores industriais e reduzindo o saldo favorável de exportações, que passam a se concentrar em commodities e produtos primários.

    Chegou a hora de mudar a estratégia de desenvolvimento nacional, passando pela cobertura das transações correntes com promoção de IDE no exterior, mantendo a marca e processos de adição de valor no país;
    Investimentos pesados em P&D básica e C&T;
    Metas de exportação tecnológicas industriais para empresas beneficiadas com dinheiro público;
    Conglomeração de setores pouco competitivos internacionalmente

  21. Julio Reis disse:

    Uma parte da nova esquerda ou dos progressistas acha que radicalizar é um mal, que é preciso contemporizar tudo. O que eles temem, um novo golpe militar? Votar em Dilma, não significa apoiar seu governo necessariamente e sempre, se ela for a melhor opção em 2014 vota-se outra vez (torcendo muito para que não seja o caso de ficarmos sempre confinados às poucas opções que temos), mas achar que por isso não vale mais fazer crítica nenhuma, que é preciso ir pro centro a todo custo, e todas essas conformações covardes, é outra coisa. Sinto pelo meu país que já sabia era habitado por muitos conservadores e agora sinto ainda mais em perceber que há muito mais é covardia (foi o caso do aborto que você defendeu, mas a maioria disse que não, que ela tinha que se amarrar a essa bandeira atrasada). Não estou gostando deste ínicio de governo e ninguém precisa ir à folha pra dizer que respeita a liberdade de imprensa. No fundo, da grana gasta pelo governo, os ricos continuam com a maior atenção do governo. Triste Brasil, eu estou perdendo a paciência e já temo que alguns venham, mesmo os ditos esquerdistas, dizer: ame-o ou deixei-o.

  22. http://palavras-diversas.blogspot.com/2011/03/reajuste-do-bolsa-familia-governo.html?utm_source=BP_recent

    O reajuste do BF é um anúncio duplo do governo:
    aos mais pobres diz que suas ações continuam perseguindo os objetivos sociais de erradicação da miséria e de melhoria da expectativa de vida;
    Aos críticos que o caminho é este e que o cenário econômico permite ao governo avançar no combate a pobreza extrema sem grandes sobressaltos, apesar de toda gritaria e chororô dos contra de sempre…

  23. Almir disse:

    Gabriela Fernanda disse:
    3 de março de 2011 às 10:07
    “…Sei de caso de que ocaranunca trabalhou e recebeu a bolsa bandido de 400,0 para cada filho !!…” – Agora digo eu: NÃO SABE NÃO SENHORA, PORQUE ESSES CASOS NÃO EXISTEM! Você apenas se deixou manipular pelas mentiras da redebobo (como todos os neobabacas).

  24. beatrice disse:

    Dilma abandonou o lulismo, e ouve o petismo de Palocci e Cardozo, os primeiros que correm do barco quando ele faz água.

  25. Marcos Doniseti disse:

    “pra conter inflação? Mas a inflação não vem em boa parte do aumento do preço de alimentos, que é mundial?”.

    Em parte, sim, Rodrigo. Em parte, não.

    Explicando: boa parte da inflação deste início de ano foi provocada por aumentos de preços que são sazonais.

    Exemplos: mensalidades e material escolar… Se você ou algum amigo tiver filhos em escola particular sabe do que estou falando; outro exemplo foram os inúmeros reajustes de tarifas de transporte coletivo pelo Brasil afora (Metrô, ônibus, etc).

    Tudo isso puxou a inflação para um patamar bem superior. E aí surge um outro problema, que é histórico no Brasil, que é a indexação, ou seja o reajuste automático dos preços de acordo com a inflação passada.

    Mesmo depois do Plano Real, tal prática não foi abandonada. Na verdade, ainda temos inúmeros preços da economia brasileira que são indexados (parcial ou totalmente), sim, como as tarifas de serviços públicos (energia elétrica e telefone) e o aluguel, por exemplo.

    O reajuste dos aluguéis, por exemplo, segue o IGP-M. E isso é indexação.

    Assim, se o governo não derrubar a inflação agora, a tendência será que ela continue a crescer, pois os diferentes agentes econômicos irão querer recuperar o que perderam com o aumento da mesma. Infelizmente, só tem um jeito de impedir que isso aconteça (ou seja, que ocorra uma escalada inflacionária), que é desacelerando a atividade econômica.

    Se isso não for feito agora, a inflação continuará subindo cada vez mais e, daí, no futuro, serão necessárias medidas muito mais drásticas do que as atuais para derrubá-las e as consequências para o país serão muito mais negativas. É melhor cortar o mal pela raiz agora, antes que seja tarde.

    Isso não tem nada a ver com neoliberalismo ou algo do tipo, mas com o mundo real em que vivemos.

  26. Marcos Doniseti disse:

    Sobre o corte de gastos públicos feito pelo governo Dilma: Ele não foi de R$ 50 bilhões, mas de R$ 27,1 bilhões.

    Explicando: É que em 2010 (para agradar os eleitores) os congressistas aumentaram os valores do Orçamento da União que o governo federal enviou ao Congresso em R$ 22,1 bilhões.

    Então, se descontarmos tal aumento (artificial) feitos pelos congressistas, o corte dos gastos públicos feito pelo governo Dilma corresponde a R$ 27,1 bilhões, o que dá apenas 0,74% do PIB (que foi de R$ 3,675 Trilhões em 2010 ou US$ 2,089 Trilhões).

    Além disso, o governo Lula havia aumentado fortemente os gastos públicos, desde 2009, para compensar os efeitos da crise global sobre o país. Tal aumento foi necessário, naquele momento, para compensar a forte dos investimentos e do consumo privados.

    Agora, no entanto, o setor privado da economia já se recuperou (basta ver os dados do PIB de 2010 para constatar isso) e não há mais necessidade de gastos públicos tão elevados assim.

    Com o forte aumento de gastos públicos feito por Lula, em 2009 e em 2010, criou-se uma ‘gordura’ nos mesmos. É esta ‘gordura’ que o governo Dilma está cortando, agora, até para reduzir a inflação e manter o déficit externo (que ainda é facilmente financiável) sob controle.

    O objetivo do governo Dilma é trazer o crescimento econômico para um patamar de 4% em 2011. Com isso, a inflação cairá e o déficit externo permanecerá sob controle. E assim o Brasil poderá continuar crescendo por muitos anos.

    Entendo que é preferível crescer menos, mas por um longo periodo de tempo, do que crescer muito rapidamente por poucos anos e, depois, despencar numa crise horripilante.

  27. Antonio carlos disse:

    Mts dses comentarios são hipocritas o que a Dilma ta fazendo é brilhante . Pois beneficia os pobres e isso é importante. Estudem

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