Metalúrgicos da CUT entram na briga pelos caças suecos

publicada terça-feira, 27/04/2010 às 10:48 e atualizada terça-feira, 25/05/2010 às 10:16

Marinho (prefeito de São Bernardo) e os metalúrgicos da CUT querem que Lula escolha o jato sueco

Se há uma categoria que tem proximidade histórica com o presidente Lula, esse é o caso dos metalúrgicos.

Mas, nessa disputa pra definir os novos caças brasileiros, parece que Lula e a turma dos metalúrgicos assumem posições diferentes.

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos, filiada à CUT, entregou nessa terça-feira uma carta ao Ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, defendendo que o Brasil escolha os jatos suecos Gripen (da SAAB) para reequipar nossas Força Armadas.

Não deixa de ser uma novidade interessante: metalúrgico não fica só na fábrica, agora faz lobby para definir estratégias de política industrial.

Lobby. Esse é o nome. Vamos ser claros.

De um lado, há o lobby francês – em defesa do jato Rafale (da Dassault). De outro, a turma da Suécia – que agora ganha aliados de peso: os metalúrgicos.

Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, já deram declarações dando a entender que o Rafale seria o escolhido. A opção seria baseada em uma escolha geopolítica: o Brasil fecharia parceria estratégica com uma potência de médio porte, a França. Mais um passo para escapar da órbita dos EUA.

A Confederação dos Metalúrgicos, ao que parece, está mais interessada em empregos do que em geopolítica.

Esse escrevinhador conversou com Carlos Grana, presidente da Confederação. Ele diz que o projeto sueco é “muito mais adequado para o desenvolvimento brasileiro, para gerar empregos de alta qualidade”.

O projeto Gripen, afirma, prevê a criação de um Parque Aero-Espacial em São Bernardo do Campo – terra de Lula.

Por isso, Luiz Marinho – prefeito de São Bernardo, amigo e ex-ministro de Lula - também entrou em campo para defender o jato sueco.

Partes dos componentes dos caças seria produzida no ABC paulista, outra parte na EMBRAER em São José dos Campos (SP), e os aviões seriam montados no município de Gavião Peixoto (SP). “Ao todos seriam 5 mil empregos diretos“, diz Grana.

Mas e os franceses, não gerariam emprego aqui?

Não há garantia. A experiência que temos com os franceses, no caso de helicópteros montados em Itajubá (MG), pela Helibrás, não é boa. Geram pouco emprego e transferem pouca tecnologia“, diz o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos. “O conteúdo local dos componentes é baixo, menos de 15% dos helicópteros“, completa.

Grana diz que o Brasil precisa seguir, no caso dos aviões, a mesma estratégia adotada no caso da indústria automobilística.

Hoje, somos o quinto mercado mundial de carros. Produzimos aqui os automóveis. Não podemos ser importadores de avião, temos que produzir avião aqui também. O Brasil pode virar plataforma para produção do Gripen, em escala mundial; aviões seriam produzidos aqui e vendidos para outras partes do mundo“, diz Grana.

O que Lula acha dessa movimentação dos metalúrgicos?

Não conseguimos ainda falar com o presidente sobre o caso. Sabemos que empregos não são o único critério para definir os jatos, mas achamos importante os trabalhadores darem sua opinião; o Brasil precisa discutir esse assunto. A gente não entende de defesa, de engenharia aeronáutica, mas a gente entende de emprego“, afirma o metalúrgico Carlos Grana.

Mesmo que os franceses ganhem a briga (e parece que tem mais chance de ganhar), não deixa de ser uma boa novidade: no passado, só empresário fazia lobby no Brasil. Agora, metalúrgico também faz.

Não me atrevo a dar palpite sobre o assunto. Só lembro um detalhe: os caças Gripen só existem no papel. Os suecos nunca venderam esse modelo que estão agora a oferecer ao Brasil. E, segundo alguns especialistas que já entrevistei, os suecos dependeriam de peças vindas de outros países (inclusive dos EUA) para entregar os aviões. Não sei se é fato.

No caso do Rafale, o pacote francês seria completo. Para o bem e para o mal.

Detalhe importante: o Rafale custa muito mais caro!

O fato de ouvir a opinião dos metalúrgicos, portanto, não significa que esse blog endossa a opinião dessa turma da CUT.

Cinco mil empregos de alta qualidade não são de se jogar fora. Mas há muito mais em jogo nessa escolha.

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