O metalúrgico e o marinheiro: Lula e João Cândido

publicada sexta-feira, 07/05/2010 às 18:03 e atualizada terça-feira, 25/05/2010 às 10:32

O governo Lula marca pontos, e ajuda a (des) travar o bom debate político no Brasil, quando assume posições como essa:  batizou o primeiro navio montado no Brasil, depois de 13 anos, com o nome de João Cândido – o herói da Revolta da Chibata.

Cândido liderou a revolta contra os castigos corporais na Marinha, em 1910. A Marinha até hoje não o reconhece como um herói. O governo Lula já havia inaugurado  um monumento para Cândido, no antigo cais do Rio. A ausência de um monumento era o mote para uma das músicas mais bonitas da história da MPB: “O Almirante Negro” – de João Bosco e Aldir Blanc (este último, certamente, um dos dez maiores letristas da nossa riquíssima música popular). Se tiver interesse em saber mais, clique aqui – http://www.rodrigovianna.com.br/brava-gente/as-pedras-do-cais-ja-nao-sao-o-unico-monumento-para-o-almirante-negro.

Com o nome do marinheiro no casco do navio, Lula politizou (no bom sentido, da grande Política) um debate que poderia ser puramente econômico.

E, aliás, trata-se economicamente de um salto gigantesco. Leia mais aqui, no blog da Petrobrás – http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/?p=22562.

O petroleiro João Cândido significa que a a indústria naval renasceu, hoje, em Pernambuco. É o Estado (nacional) cumprindo o papel de indutor do desenvolvimento.

Tudo ao contrário do que os tucanos fizeram no Brasil! Por isso, não adianta  Serra jogar na confusão, e dizer que vai convidar o PT para seu governo – he, he.

Os tucanos acham que  o povão é burro!

Os tucanos liquidaram a indústria naval. E queriam liquidar a Petrobras (tentaram até mudar o  nome da empresa para Petrobrax - assim, quem sabe, os gringos teriam mais interesse em comprá-la).

Agora, a Petrobrás voltou a encomendar navios no Brasil. E – com isso – fez renascer os estaleiros nacionais. Mais que isso: a indústria naval agora tem um pé no Nordeste!

Só isso já seria um fato marcante. A se comemorar.

Podemos comemorar também o fato de o Brasil agora ter navio com nome de marinheiro. Antes, eram só almirantes.

Nada contra os almirantes. Mas é bom ver o Estado brasileiro romper a tradição estamental.

O Estado hoje não pertence só à Casa Grande.

Trata-se de um fato emocionante. Tão emocionante como a música de Bosco e Aldir -http://www.youtube.com/watch?v=f9c7sY5TNTQ.

Leia outros textos de Força da Grana

Compartilhe
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Reddit
  • Rec6
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • LinkedIn
  • MySpace
  • StumbleUpon
  • Tumblr

1 Comentário

Um comentário para “O metalúrgico e o marinheiro: Lula e João Cândido”

  1. Ricardo Ubiratã de Moura Melo disse:

    Prezado Rodrigo,

    Na matéria intitulada “O metalúrgico e o marinheiro: Lula e João Cândido” (http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/o-metalurgico-e-o-marinheiro-lula-e-joao-candido.html ), é preciso corrigir o primeiro vínculo para “ http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/as-pedras-do-cais-ja-nao-sao-o-unico-monumento-para-o-almirante-negro.html ” (atualmente, está “ http://www.rodrigovianna.com.br/brava-gente/as-pedras-do-cais-ja-nao-sao-o-unico-monumento-para-o-almirante-negro ”.

    Sds,
    Ricardo U. de M. Melo

Comentar