Mino Carta: o Terror é anacrônico?
publicada sexta-feira, 06/05/2011 às 17:57 e atualizada segunda-feira, 09/05/2011 às 10:05
O Terror é anacrônico?
Por Mino Carta, na CartaCapital
O terrorismo não morre com Bin Laden, o próprio Barack Obama reconheceu no discurso do anúncio da ação fulminante que entregou a Alá o príncipe do terror. Não é prova de otimismo exagerado, contudo, admitir que o caminho da Al-Qaeda estreitou-se. A começar pelo fato de que não há substituto à altura para personagem tão carismática, feroz e determinada até a obsessão.
Herdeiro natural poderia ser Ayman al-Zawahiri, médico egípcio tido como ideólogo do terrorismo islâmico. Segundo fontes paquistanesas, sua investidura se seguiria a um período de comando exercido por parte do “Conselho”, chamado a reunir um grupo de notáveis. Sabe-se, porém, que Zawahiri conta com opositores poderosos, acusam-no de falar muito, e sempre a favor de operações extremadas, e realizar pouco.
Outra figura cotada é Abu Yahya Al-Libi, de origem líbia, 48 anos. Trata-se de um orador empolgado, tido como intelectual vocacionado para a poesia e, ao mesmo tempo, liderança dura, inclinada a misturar terror com insurreição. Já foi capturado pelos americanos, e conseguiu evadir-se do cárcere de Bagram, no Afeganistão, herói de uma fuga rocambolesca. Foi declarado morto mais de uma vez. Estaria vivo? Mistério.
Terceira personagem focalizada pelos analistas europeus é o imã Anwar al-Awlaki, porta-voz da facção iemenita, singular por dispor de nacionalidade dupla, americana a segunda, pois nascido no México, em Las Cruces, e expressar-se com fluência em inglês. Mas, se é difícil substituir Bin Laden, outro gênero de dificuldades se apresenta na rota da Al-Qaeda.
As revoltas que abalam há meses o mundo árabe do Magreb ao Oriente Médio levam às praças, dispostas a lutar, massas sequiosas de democracia e por ora claramente infensas ao terrorismo como instrumento de sua reivindicação. Há bons motivos para acreditar que sobretudo a juventude árabe milita na frente oposta àquela dos crentes do insanável conflito entre Islã e Ocidente. Neste ponto também Barack- Obama insistiu no seu discurso de 3 de maio, para acentuar, com a devida veemência, que os EUA não fazem guerra ao Islã.
As inquietações dos muçulmanos, amiúde- vincadas por resultados violentos, são, de verdade, evento que precede a morte de Bin Laden. Mostram que, no mundo do príncipe do terrorismo, a sua pregação não comove as massas. E temos aqui mais um motivo de esperança em relação ao futuro próximo. Mesmo assim, uma pergunta cabe: caso as demandas das populações forem frustradas, não seria inevitável que os herdeiros de Bin Laden cuidassem de explorar a desilusão? Ou mesmo a raiva?
A Al-Qaeda mantém a tradição de agir com notável senso de oportunidade em áreas agitadas. E a agitação de nações desatendidas por quem de início parecia pronto a lhes dar ouvidos não é hipótese arriscada demais. Egito e Tunísia aí estão na espera, até agora vã, da mudança que a maioria pretendia. Nem se fale da Síria e dos emirados onde a diplomacia ocidental finge-se de cega. A Líbia é uma incógnita, a despeito de rejeição de Kaddafi à Al-Qaeda: na Tripolitânia o ditador continua a contar com o apoio popular enquanto as tribos da Cirenaica têm seus motivos para constatar o lado patético do apoio ocidental.
O terrorismo é anacrônico nos dias de hoje, há quem diga, mas a hipocrisia dos mais fortes não deixa por menos. Tanto um quanto outra funcionaram admiravelmente até ontem, mas agora dão sinais de obsolescência. Ainda assim, aquele habilita-se a ter mais durabilidade. Quanto à hipocrisia, está sempre disposta a seguir adiante, basicamente inalterada, com a expressão impávida de Buster Keaton. Eis o perigo, porque, de certa forma, uma alimenta o outro. Como a desigualdade social põe a fermentar os índices de criminalidade.
Há fortes evidências de que o mundo atual já não suporta a retórica urdida para salvaguardar interesses estritamente materiais e estratégicos (petróleo em primeiro lugar) por trás de lições inflamadas de democracia. Por que o Ocidente se move em certas direções e não em outras, quando, a ser coerente, teria de agir em ambas? Nunca, talvez, certos aspectos do comportamento ocidental, americano especialmente, ficaram tão evidentes.
Que a morte de Bin Laden seja celebrada por fluvial euforia nos Estados Unidos, e tanto mais no ground zero, é compreensível. Que a operação cinematográfica levada a cabo no Paquistão seja ovacionada em praças e calçadas justifica-se, mesmo porque a vingança é sentimento de força imensa, apreciado até por Aristóteles. Que fosse inimaginável prender Bin Laden para processá-lo à moda de Nuremberg está a intermináveis léguas do óbvio. O que choca é o renovado ufanismo ianque.
O nacionalismo exaltado é deplorável em qualquer latitude. Mesmo porque revela, antes do provincianismo, a insegurança. Não é desagradável, muito pelo contrário, que Barack Obama se fortaleça nessa circunstância na perspectiva das próximas eleições presidenciais contra o reacionarismo do Tea Party e quejandos republicanos. Falta, porém, bastante tempo para o pleito e CartaCapital supõe que, na hora azada, a questão econômica, com seus reflexos no bolso dos cidadãos, terá mais peso do que qualquer outra sobre a decisão final da maioria dos eleitores.
Obama, aliás, e infelizmente, não desiste da retórica, e lá vem ele com sua God Bless America. Tudo até o momento indica que Deus não tem maior interesse pelo ser criado à sua imagem e semelhança, mas se houver a mais pálida chance de sermos ouvidos por Ele, rogamos que abençoe o mundo todo, a viver, e o Altíssimo sabe como ninguém, em eterna turbulência.
Leia outros textos de Geral, Outras Palavras
Tweet
12 Comentários







O terrorismo depende de quem o classifica, é apenas um termo da luta política.
Por exemplo, os rebeldes armados líbios, seriam classificados como terroristas em todos os países do mundo.
Acontece que a revolta armada na Líbia foi montada por Inglaterra, França e EUA; assim eles são classificados como civis vitimados pelo Kadafi.
A estratégia dos EUA+OTAN e a execução extrajudicial do Bin Laden…
http://engajarte-blog.blogspot.com/2011/05/assassinato-com-ocultacao-de-cadaver-um.html
Osama sempre foi um leal funcionário da CIA e acredito que Obama só anunciou agora a sua morte por precipitação diante de um quadro eleitoral desfavorável. Cumpriu Osama seu papel de “fantasma” para que os EUA na prática viessem a revogar a Constituição com a famigerado Lei Patriota. Agora, o fato de não ter sido mostrado o corpo do suposto Osama morto vai fazer com que vire um mito maior do que já era entre os árabes. Já circulam por aí camisetas “Osama is not dead”. A Al-Qaeda vai muito bem, obrigado, no Poder em Kosovo e atuando na Chechênia com apoio dos EUA.
Mando-te.
Obama tenta capitalizar o feito, mas, as eleições acontecerão em outro cenário, portanto é cedo para usar a morte de Bin Laden para garantir a reeleição.
Punk , um detalhe pouco observado ou mal avaliado é o fato das várias mortes nos últimos anos de lideranças , terroristas , no OM. Xeique e outras denominações podem não nos deixar claro exatamente a função e importância daqueles , terroristas ,.
Se retira uma liderança religiosa , uma liderança política , as referências e consciências de uma sociedade, quem vai ocupar este lugar, os mais jovens , com o agravante de suas lideranças terem sido extirpadas a força por nações estrangeiras.Violência generalizada mirando um inimigo comum .´
Após a retirada das forças estrangeiras o próximo passo é a reconstrução da vida cotidiana , em todos os setores, e neste momento caberá as atuais e as antigas lideranças que sobreviveram cumprir esta tarefa.
O convencimento das lideranças árabes por representantes que confiem ou desconfiem menos , que ações violentas pretendidas poderiam aguardar 2 ou 3 anos , em materia de tempo eles tem muito o que nos ensinar, e pouca diferença fazendo este tempo , mas podendo fazer muita diferença para a reorganização social , brecaria novas investidas , e daria tempo para o amadurecimento de lideranças e rumos que pretendem para suas nações e povos.
I Encontro de Blogueiros Progressistas do Rio – assista ao vivo
http://migre.me/4thiY
***
O terror é uma forma de luta, a mais extrema de todas, se as revoltas arabes forem esmagadas como tudo indica, vai ser a desmoralização dos protestos pacificos e o terror pode se tornar a nova alternativa de mudanças para milhares de jovens.
Kadafi, faz tempo que denuncia que os famosos “REBELDES” nome dado aos que o combatem, tem a ideologia ‘AL QAEDA” alias a eliminação do BIN LADEM era prevista foi uma criação dos EUA para combater aos rusos no afganistão , SERVE TAMBEM aos EUA PARA INVADI-LO com a desculpa de acabar com ele ,agora nem louco seria atrapado vivo, foi simple queima de archivo, al-qaeda não existe como organização qualquer grupusculo ao serviço de….pode se denominar al-qaeda, tomara que o coronel KADAFI siga firme e desmarcare aos terroristas denominados “REBELDES!” por enquanto ao serviço dos EUA , para variar..SE ESTES ajudados pela OTAN ganharam a parada , ahi conheceremos a verdade (alias a que imaginamos)..
A execucao de Bin Laden foi apenas para tentar garantir a eleicao de Obama. Engracado, quando os EUA invadem um Estado alegam a liberdade e os direitos humanos. Assim eles nao fizeram no caso do Bin Laden. Este assassino morreu, mas outras cobras tomarao o seu lugar, enquanto o terrorismo de Estado nao sofre nem um abalo. Ninguem tem o direito de tirar a vida de ninguem, nem os radicais e nem a politica imperialista. E’ bom ressaltar que aqueles sao efeitos colaterais desta. Chega de tanto derramado.
A Al~Qaeda, assim como Bin Laden, são criações dos EUA, que falam mal dos talibãs mas os ajudam a se apoderar dos governos no Oriente Médio. Acusaram Saddam e hoje Kadhafi de ditadores, mas e a Asábia Saudita e outras tiranias amigas deles? No Iraque, como na Líbia, a população sempre viveu bem. Eram países lindos, com cidades bem cuidadas, as mulheres com total liberdade e todos que quisessem podiam curar a Universidade, o ensino somente gratuito nos dois países e de alta qualidade. Estavam há muitpo tempo no poder? Mas e na Arábia Saudita, no Kwait e outros países amigos dos gringos, onde a maior parte da população nem sente o cheiro das riquezas de que só usufruem os donos do poder? Rebeldes que anseiam por democracia? Armados e pagos pela OTAN e companhia? As mulheres poderão ándar sem o véu cobrindo seus rostos, terão os mesmos direitos que os hbomens? Me engana que eu gosto. Só há uma certeza: Os EUA e acólitos querem aquele pretróleo farto de todo o Oriente Médio. O do resto do mundo, inclusive da América Latina, estão deixando para a sobremesa. Aqui, podem contar com cumplicidade da oposição e do PIG, claro.
Mais um ESTÓRIA para boi e alienados dormir.
Nesse excelente documentário:
http://www.youtube.com/watch?playnext=1&index=0&feature=PlayList&v=6pSmdxixjFo&list=PL6CA129BBBCDEB418
você amigo(a) vai ter todas as provas de que o 11 de Setembro foi na verdade uma grande farsa, que ele foi perpetrado pelo próprio governo americano (EUA) para poder ter uma desculpa para começar uma Guerra contra os Países Árabes.
Osama foi uma criação americana. E agora que não é mais necessário, o descartaram, sem direito a julgamento. MUITA MENTIRA…
Agora com essa, o Barack Obama renova a esperança dos psicopatas de levar o Mundo para a Grande Guerra.
A luta contra a opressão, nos dias de hoje, é uma luta pela organização da sociedade civil.
Essa luta contra a opressão é capitaneada por partidos, movimentos, sindicatos, associações e outras entidades.
Não há mais espaço político para ações armadas, sejam elas ações terroristas, como foram as do Bin Laden, ou ações de guerrilha, como as dos “rebeldes” que lutam contra o governo Líbio.
Por isso é que grupos como a Al Qaeda, Taliban e outros tendem a se isolar.