As cordas das marionetes
publicada sexta-feira, 11/11/2011 às 12:43 e atualizada sexta-feira, 11/11/2011 às 12:43
Por Mair Pena Neto, do Direto da Redação
Na recente reunião do G20, em Cannes, na França, a presidente Dilma Rousseff falou claramente que a crise econômica global, que afeta sobretudo a Europa, não pode ser combatida com desemprego e arrocho. Não sei se foi ouvida ou se não quiseram ouvi-la, mas é importante que o Brasil reafirme essa posição, no momento em que o discurso neoliberal tenta recuperar sua hegemonia numa Europa combalida e põe e dispõe de governantes.
O cenário que assistimos agora é alarmante. O capital financeiro, causador da crise que atinge severamente a Europa, e também os Estados Unidos, consegue se dissociar dos males que causou e cobra por eles. As populações, perplexas, não conseguem reagir e consideram natural esta completa inversão de valores. A velha cantilena da redução do Estado aparece com força total, com a banca ditando o que os países podem e devem fazer.
O primeiro-ministro grego George Papandreu cogitou promover um referendo para ver se a população do país concordava com os sacrifícios que lhe são impostos pela União Européia e foi levado a abandonar o cargo e substituído por outro, que aplique as medidas de austeridade exigidas para a continuação da ajuda financeira que reduza a dívida impagável. Só que estas medidas – cortes de gastos, principalmente os sociais, mais impostos e privatizações – resultam justamente na falta de crescimento do país e no aumento do desemprego. Nenhum país sai da crise com política recessiva. Só quem tem a ganhar com essas medidas são os credores.
A bola da vez agora é a Itália e seu bufão primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que também está pela bola sete. Não por ser contra o mercado, mas por ter perdido a confiança interna e se tornado incapaz de impor a agenda recessiva estabelecida pela banca. Papandreu e Berlusconi são os exemplos mais recentes das marionetes em que se transformaram os governantes de Estados fracos, que abdicaram de suas soberanias.
As populações, que elegeram democraticamente seus governantes, os vêem sem poder e desconectados de suas aspirações. O sacrifício que lhes é imposto não retorna para eles e nem para seus países. Vão direto para os bancos. O que parece em jogo não é uma recuperação econômica e a melhoria das condições de vida, e, sim o pagamento das dívidas. O nome crise da dívida é significativo. Trata-se de pagá-las a qualquer custo e não equacioná-las para que ocorram sacrifícios dos dois lados em nome de um bem comum. Este simples valor desaparece diante da cobiça e da fúria liberal.
O perigo desta situação é a descrença na própria democracia e em suas formas de representação. Os governantes à frente dos países em crise são de diferentes matizes e isso não impediu que tivessem ou venham a ter o mesmo destino: o descarte. Os atores principais não são os mandatários das nações nem as populações. O jogo é jogado a portas fechadas pelos donos do capital, que puxam as cordas das marionetes.
A situação só pode mudar se o controle das cordas mudar de mãos. Como cantava o compositor português Sergio Godinho numa canção antiga, mas que não perde a atualidade, “o mandão é que põe e dispõe, mas o povo é que manda no povo, isso é claro, claro, mais claro que a gema do ovo”.
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10 Comentários







Presidenta Dilma. Eu te amo. :)
Documentário – Dividocracia
Revela a crise econômico-social pela qual passam os países periféricos da União Europeia em especial a Grécia. http://fwd4.me/0ATN
é preocupante isso, eles que fizeram essa crise com seus calotes e tudo mais. agora quer botar a culpa e mandar a conta para as outras naçoes que nao tem nada com isso pagarem ,isso é um verdadeiro assalto a mao armada. e é o que esses desgrçados , calhordas malditos vao fazer. as naçoes do mundo inteiro tem que se unir contra essa quadrilha lidera pelo maldito eua, tem que se unir e se preciso for partir ate pra guerra , mas nao pode de geito nenhum eles mandar essa conta para os paises em desenvolvimento pagar , tem que unir contra eles. espero que a pres.dilma nao se curve diante desses malditos , espero.
Será que a dita social democracia praticada pela corrente de idéias majoritaria no PT a CBN . vai aderir ou enfrentar este nnovo modelo?
Aécio Neves, provável candidato do PSDB a presidência da República, esteve em Porto Alegre e expôs em poucas palavras seu “novo discurso” para a sociedade: vender a Petrobrás, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, para dar continuidade as privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso, que neste discurso contribui com o slogan “Yes, we care”, bem ao gosto da turma que mora em Miami.
O discurso do senador mineiro deixou perplexos seus apoiadores e a imprensa amiga. Esperavam uma didática mais dissimulada, para enganar o eleitor. Mas o neto do Tancredo entregou o jogo, quer vender o Brasil e a volta do comando de Washington.
Não dá para negar a honestidade demonstrada aqui em Porto Alegre pelo Aécio Neves, que pode agora embarcar no PDS do Kassab, não sem antes matar qualquer esperança tucana.
é a burguesia fazendo uma nova revolução…
Meus caros Rodrigo e Mair: mil coisas para agradecer, uma para perguntar. E a Islândia? Lembra-se dela? Um grande abraço das Terras Altas da Mantiqueira/MG.
“A situação só pode mudar se o controle das cordas mudar de mãos”.
Essa frase aí coroa o seu artigo.
O que penso é que se é essa a sua perspectiva, acho, me desculpe por achar, que seu artigo deveria considerar positivo que nem a democracia capitalista atende mais aos interesses dos donos do poder. Donos do poder cujo poder ideológico fica bastante abalado com o que não podem deixar de fazer.
Rodrigo a situação só pode mudar se controle das cordas mudar de mãos, porém o estrago já esta feito.Então fica a
pergunta como na composição de Paulo Barbosa e outros interpretado por Gal Costa.
Onde está o dinheiro?
O gato comeu, o gato comeu
E ninguém viu
O gato fugiu, o gato fugiu
O seu paradeiro está no estrangeiro….
Com o Berlusconi e o Papandreu?
Estou lendo Tempo de Crises do Michel Serres e concordo que essa é uma crise de fim de época. Estamos chegando numa situação em que nós humanos, pelo menos nossos líderes na religião, política, negócios, começam a enfrentar não as ovelhas, fora as negras, arrebanhadas em currais para serem tosquiadas, mas são forçadas a encarar um mundo que foge ao contrôle dos poderosos e começa a mostrar os sinais da destruição provocada pela (ir)racional cobiça competitiva, guerreira, destruidora de espécies e da própria Terra.
Este pronunciamento do AecinBaladeiro feito em Porto Alegre (se foi gravado) vai ser um prato feito nas próxima eleições. O povo brasileiro o que ele mais detesta são os Privateiros. Tomara que alguém de bom senso gravou este pronunciamento. O Padin Çerra conhece bem este tipo de coisa. Ista dá um azar desgraçado para o candidato. Ele já começa a campanha derrotado.O Çerra sabe!