O Brasil precisa de mudanças estruturais
publicada quinta-feira, 01/03/2012 às 14:15 e atualizada sexta-feira, 02/03/2012 às 09:50
Combate à desigualdade exige mudanças estruturais
Editorial do Brasil de Fato
Terminando o carnaval e as medíocres noticias propagadas pela grande imprensa, sempre em torno de algum acidente, das artimanhas dos carnavalescos etc, a pauta política volta a ter importância na sociedade. Ou seja, passada a fase do circo, é hora da realidade tomar conta do Brasil.
Superávit e a política econômica
O governo anunciou o corte de 55 bilhões de reais do orçamento que havia sido aprovado pelo Congresso algumas semanas antes. Segundo o que a grande imprensa noticiou muitos cortes se referem a emendas parlamentares, que se destinam a municípios, mas também a verbas de saúde, educação… Por outro lado, na época da aprovação do orçamento, os parlamentares renovaram a medida que autoriza a Presidência a destinar a seu juízo, nada menos do que 20% de todo orçamento da União. Ou seja, o governo, se quiser, tem um poderoso instrumento com total liberdade para aplicar os recursos públicos orçamentários, nas políticas que possam resolver de fato os problemas prioritários do povo. Mas infelizmente os sinais que vêm do Planalto não são esses, e o governo mantém uma visão estreita, vesga, preocupado apenas com as contas públicas, com a inflação, tal qual outros governos.
A questão fundamental não é o valor do orçamento nem seus cortes. A questão fundamental é que o governo precisa abandonar a política de juros altos (os maiores do mundo) e a transferência de renda de todos os brasileiros via superávit primário para os bancos. Nenhum país do hemisfério norte pratica a política de superávit. E todos eles têm déficit nos seus orçamentos. Por que o Brasil insiste com essa política burra, que beneficia apenas 5 mil famílias de ricos brasileiros e estrangeiros que especulam seu capital financeiro aplicando em títulos do governo federal, que têm maior segurança do mundo, e as mais alta taxas de juros?
Combate à desigualdade social
A presidenta Dilma disse no Fórum Social Temático em Porto Alegre – e com frequência volta a repetir em espaços públicos – que a meta prioritária de seu governo é o combate a desigualdade social. Todos concordam. Aliás, será a única forma de dar um passo mais a frente do que já foram as políticas de assistência social do governo Lula.
Os movimentos sociais estão convencidos de que se o governo está mesmo interessado em perseguir o combate à desigualdade social, é necessário mudar a atual política econômica. Começando pelo superávit primário e pela taxa de juros. E, junto com a mudança dos atuais critérios de superávit primário, será necessário implementar uma reforma tributaria, que deixe de penalizar os mais pobres e penalize os mais ricos. Como bem explicou, em entrevista ao Brasil de Fato da semana passada, o assessor especial do Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), Rodrigo Thompson.
Não é possível pensar em combater a desigualdade social, sem aplicar mais recursos para educação, como pedem os movimentos para que seja de no mínimo 10% do PIB (Venezuela aplica 9%, Cuba e Coreia do Sul cerca de 16% do PIB).
Não é possível combater a desigualdade social no meio rural, sem promover a democratização da propriedade da terra com uma vigorosa reforma agrária.
Não será possível combater a desigualdade social nas grandes cidades, sem um programa virtuoso de geração de empregos industriais, de maiores salários, e de uma reforma urbana, que combata a especulação imobiliária, que inviabiliza o acesso a moradia digna pelos mais pobres.
As vozes conservadoras do governo já têm a frase pronta. Mas não há correlação de forças políticas para fazer essas mudanças. Pois então promova-se a reforma política, que vai democratizar o processo eleitoral brasileiro e criar condições de maior democracia, de maior participação popular. Assim como é necessário que o governo tome em conta que somente a mobilização popular pode ajudá-lo a fazer reformas estruturais. E o que se vê dentro do governo é um medo das mobilizações, como se elas não fossem parte do processo democrático. As massas têm nas mobilizações sua única forma de exercer pressão e poder político.
Oxalá em 2012 haja maior participação popular, nas mobilizações, no debate sobre os verdadeiros desafios que estão postos para a sociedade brasileira, se quisermos caminhar para uma democracia verdadeira e combater a desigualdade social.
Muitos movimentos sociais têm anunciado mobilizações para as próximas semanas, que devem começar com atos unitários em torno do dia da mulher trabalhadora (8 de março). Depois haverá mobilizações unitárias de professores em todo o país, além de mobilizações no meio rural, com o Movimento de Atingidos por Barragens, o MST, os povos indígenas, etc.
Se o povo sair às ruas, 2012 será muito mais quente e conturbado do que se pode imaginar.
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12 Comentários







Eu acho que o governo deveria diminuir os impostos ou usá-los de forma melhor,mais distribuída ao invés de cortarem 55 bilhões do orçamento que é necessário pra o país,como a saúde e a educação!
Concordo plenamente com o Rodrigo. Mas um trecho me chamou atenção. É necessário modificar a prioridade dos gastos públicos no Brasil. Investir em educação é, com certeza, a melhor forma de construir um país mais justo e igualitário. Somente através da educação podemos construir bases sólidas para a formação de uma população pensante, que se preocupa com o destino dado às finanças do seu país. Que escolham bem seus governantes e que não se deixem levar pelos discursos dos candidatos. Somente a educação poderá tornar o Brasil, de fato, um país de todos.
João Pedro, aluno do segundo ano da Escola Nossa Senhora Auxiliadora
É risível o argumento de que ter superávit é errado, pois os países do norte tem déficits e…..deve ser por isso que esses países estão tão bem na fita, toda sua população feliz e satisfeita com a situação socioeconômica e etc. Superávit é para reduzir os juros reais e não atender a 5 mil famílias. Se os juros ainda são muito elevados no Brasil, saiba que eles são os menores depois de mais de 30 anos. Quem fez esse editorial não conhece minimamente a história brasileira desde a crise do final dos anos 1970. Arrumem outro argumento, fui, André
Infelizmente, ainda não há espaço político para reduzir esta aberração chamada superávit primário. Haveria, se o governo Lula e sua sucessora, Dilma, tivessem enfrentado a mídia e enfraquecido muito a violentíssima campanha midiática que viria se o governo viesse a reduzir ou mesmo acabar com o SP. Coerente com a política de “Welfare State à brasileira” de Lula/Dilma seria mexer na estrutura dos impostos. Reduzir paulatinamente os impostos indiretos e aumentar muito os direitos, principalmente IR e ITR. Taxar duramente heranças, especulação e remessas de lucro ao exterior. Aí sim, daria para aumentar muitos os investimentos em saúde e educação. Eu me lembro que Luiza Erundina, quando Prefeita de São Paulo, tentou uma leve progressividade no IPTU. Foi alvo de uma campanha contrária violenta da imprensa, com o Grupo OESP à frente. Portanto, enquanto não esmagar a espinha da velha mídia, o Brasil não vai completar seus avanços democratizantes que começaram com Lula.
O governo da Dilma vem com uma grande proposta para o nosso país que o combate contra a desigualdade social. Devemos confiar nas medidas tomadas por ela, pois até agora, o governo vem nos mostrando diversos pontos positivos e assim poderemos avançar rumo ao crescimento.
A desigualdade social no Brasil tem que ter um fim,e a proposta da presidenta Dilma é bastante plausível,investindo verbas na educação,saúde e moradia para os que precisam e principalmente investindo em empregos para a população.Somente assim o nosso paí poderá melhorar a cada dia, até se tornar um lugar de todos.
O combate à desigualdade social no Brasil é um dos pontos de mais importância para a presidente Dilma.Mas será como que ela irá tentar resolver este fato?Concordo com o Rodrigo e conmpleto, acho que o Brasil deveria investir mais na criação de empregos por meio das indútrias, o que tiraria muitos brasileiros da pobreza extrema.O investimento em moradias, educação e na saúde também poderiam ajudar muito no combate à desigualdade nas grandes cidades mas, como o Rodrigo mencionou, é preciso criar programas para gerar estes recursos, começando por mais empregos e melhorias nos salários.Algumas atitudes que não são tomadas poderiam melhorar muito a “cara” do Brasil, ou melhor, a “cara” dos brasileiros.
A presidente Dilma vem divulgando desde o seu processo de eleição sobre a desigualdade social que o Brasil possui um alto indice, so que é preciso investir cada vez mais nao so neste assunto mas tambem na educação saude, dentre outros problemas graves que o governo no Brasil possui,fazendo com que cresça socialmente no exterior gerando infra entrutura e troca de rendas.
A desigualdade social no Brasil é um ponto muito preocupante e precisar ser controlado o mais rápido possível. Mas com Dilma com certeza isso irá mudar para melhor. Por que é obrigação e dever de todos construímos uma sociedade igualitária, onde todos são respeitados e não sofram nenhum preconceito. Mas há outros fatores fundamentais que devemos se preocupar como a saúde e a educação, pois ainda existe uma grande parte da população que sofre com as más condições da área da saúde e a área do ensino. Se todos nós contribuímos e fizermos nossa parte, sem duvida nenhuma o Brasil irá para frente e crescerá cada vez mais.
O combate à desigualdade social é o tema mais discutido na política , e ele está presente principalmente como objeivo nas campanhas eleitorais. Infelizmente este projeto mal saiu do papel pois nao tem como o governo brasileiro combater a desigualdade se nao sabe investir. Ainda assim , acho que devemos dar uma oportunidade para a proposta do governo da Dilma, afinal o Brasil já está diminuindo o seu percentual na desigualdade social.
O projeto apresentado pela Dilma, de acabar com a desigualdade social é totalmente bem pensado e positivo para o Brasil, pois iria tirar muitas pessoas da rua e incluir empregos, deixando menos moradores de rua precisando de abrigos. Mas não podem esquecer sobre a educação do país que também precisa de melhoras e na saúde da população. E para tudo isso ser feito, é necessário atitudes.
A desigualdade social realmente sempre foi um dos maiores obstáculos que o Brasil teve, e ainda tem de enfrentar. Na verdade, tudo depende da educação de quem aqui habita. A educação constrói oportunidades, abre portas e facilita o bom entendimento de um cidadão em relação à atual situação do nosso país. Os investimentos da presidente Dilma, de fato, contribuiram e ainda vão contribuir muito mais para o crescimento do Brasil. Mas não é o suficiente. Mais e mais recursos precisam ser gerados por programas desenvolvidos pelo governo, que obviamente serão vivenciados e julgados pelos brasileiros.