Quem tratou o Brasil como menino tolo?
publicada terça-feira, 20/07/2010 às 14:29 e atualizada quarta-feira, 21/07/2010 às 09:05
O leitor Carlo Cirenza envia-nos ótimo artigo de Bresser Pereira, com a seguinte observação:
“Rodrigo,
Veja esse artigo do Bresser que, quando ministro do FHC, não se manifestou.
Forte abraço,
Carlo”
===
O menino tolo
Só um bobo dá a estrangeiros serviços públicos como as telefonias fixa e móvel
Por Luiz Carlos Bresser-Pereira
JOÃO É DONO de um jogo de armar. Dois meninos mais velhos e mais espertos, Gonçalo e Manuel, persuadem João a trocar o seu belo jogo por um pirulito.
Feita a troca, e comido o pirulito, João fica olhando Gonçalo e Manoel, primeiro, se divertirem com o jogo de armar, e, depois, montarem uma briga para ver quem fica o único dono. Alguma semelhança entre essa estoriazinha e a realidade?
Não é preciso muita imaginação para descobrir. João é o Brasil que abriu a telefonia fixa e a celular para estrangeiros. Gonçalo é a Espanha e sua Telefônica, Manuel é Portugal e a Portugal Telecom; os dois se engalfinham diante da oferta “irrecusável” da Telefônica para assumir o controle da Vivo, hoje partilhado por ela com os portugueses.
Mas por que eu estou chamando o Brasil de menino bobo? Porque só um tolo entrega a empresas estrangeiras serviços públicos, como são a telefonia fixa e a móvel, que garantem a seus proprietários uma renda permanente e segura.
No caso da telefonia fixa, a privatização é inaceitável porque se trata de monopólio natural. No caso da telefonia móvel, há alguma competição, de forma que a privatização é bem-vinda, mas nunca para estrangeiros.
Estou, portanto, pensando em termos do “condenável” nacionalismo econômico cuja melhor justificação está no interesse que foi demonstrado pelos governos da Espanha e de Portugal.
O governo espanhol, nos anos 90, aproveitou a hegemonia neoliberal da época para subsidiar de várias maneiras suas empresas a comprarem os serviços públicos que estavam então sendo privatizados. Foram bem-sucedidos nessa tarefa.
Neste caso, foram os espanhóis os nacionalistas, enquanto os latino-americanos, inclusive os brasileiros, foram os colonialistas, ou os tolos.
Agora, quando a espanhola Telefônica faz uma oferta pelas ações da Vivo de propriedade da Portugal Telecom, o governo português entra no jogo e proíbe a transação.
A União Europeia já considerou ilegal essa atitude, mas o que importa aqui é que, neste caso, os nacionalistas são os portugueses que sabem como um serviço público é uma pepineira, e não querem que seu país a perca.
O menino tolo é o Brasil, que vê o nacionalismo econômico dos portugueses e dos espanhóis e, neste caso, nada tem a fazer senão honrar os contratos que assinou.
Vamos um dia ficar espertos novamente? Creio que sim. Nestes últimos anos, o governo brasileiro começou a reaprender, e está tratando de dar apoio a suas empresas.
Para horror dos liberais locais, está ajudando a criar campeões nacionais. Ou seja, está fazendo exatamente a mesma coisa que fazem os países ricos, que, apesar de seu propalado liberalismo, também não têm dúvida em defender suas empresas nacionais.
Se o setor econômico da empresa é altamente competitivo, não há razão para uma política dessa natureza. Quando, porém, o mercado é controlado por poucas empresas, ou, no caso dos serviços públicos, quando é monopolista ou quase monopolista, não faz sentido para um país pagar ao outro uma renda permanente ao fazer concessões públicas a empresas estrangeiras.
A briga entre espanhóis e portugueses pela Vivo é uma confirmação do que estou afirmando.
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18 Comentários




Bresser Pereira é um homem brilhante e um dos melhores quadros do PSDB, mas esse artigo é um estelionato intelectual. Ele chegou a essa conclusão agora ou já achava isso antes? Se achava, por que levou 10 anos para manifestar essa opinião?
NUMDISSE?! A OPOSIÇÃO AO BRASIL representa o fascismo eterno, diria o emérito pensador Umberto Eco!
A DIREITONA OPOSIÇÃO AO BRASIL: sórdida, retrógrada, reacionária, incompetente, terrrorista de meia-tigela, corrupta, golpista… MENTEcapta!
IMPORTANTE: estes energúmenos – sob a égide sinistra de FHC – entregaram o nosso subsolo… Mas, nós brasileiros iremos reestatizar a Companhia Vale do Rio Doce!
E assim como não permitimos que elles (sic) entregassem a Petrobras, a Telebrás é nossa!
Iremos às ruas, se preciso for!
BRASIL NAÇÃO
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo
João Ubaldo sobre FHC: sociólogo medíocre
19/07/2010
Guerra anunciada na ABL: João Ubaldo x FHC
Posted by Leandro Fortes
http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/07/19/guerra-anunciada-na-abl-joao-ubaldo-x-fhc/
REFLEXÃO: … Não foi à toa que o sociólogo das trevas [FFHH] referiu-se ao banqueiro bandido como o brilhante (sic) Daniel Dantas…
O neoliberalismo [e o mercado pode tudo!] da fatídica era FHC merecem é o pós-limbo da história…
NOTA :em recente entrevista ao programa Roda Viva, o candidato José (S)erra afirmou que o governo do presidente Lula está desnacionalizando a nossa indústria(!)
*O mesmo José Ferra a Nação!
República Destes Entreguistas Desta Ellite MENTEcapta, entreguista, Antinacionalista, Fascista Eterna, Corrupta…
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo
Independente da opção política do Prof.Bresser, gosto muito da sua visão científica. Mas agora prfessor??a “Ines é morta e enterrada”
Fiorini, ser um dos melhores do PSDB não chega a ser um elogio atualmente…. Até porque ele no artigo ainda defende a privatização, o problema dele é que foi uma venda para estrangeiros. Eu fico em dúvida se os grandes capitais tem pátria. Mas eu concordo com você, porque ele vem falar isso agora e não impediu a venda antes, troféu óleo de peroba pra ele, merecia até um processo.
Só tenho uma coisa a dizer: “quem te viu, quem te vê…”
Concordo 100% com o conteúdo, porém, discordo totalmente da ocasião. Agora, fica cômodo tomar esse partido.
Sinceramente, caro Rodrigo, não consigo ter uma opinião segura sobre o Bresser. Mas confesso que nunca deixei de ter um pouco de reserva quanto a queimá-lo completamente. Coisa que cedo não me pejei por fazer do Saad, um caso definitivamente perdido.
Tem esse outro dele sobre o assunto em fev/10 em http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,alargando-a-banda,517292,0.htm
Esse trecho de lá chama a atenção;
“A força do capitalismo decorre do fato de que nele as atividades econômicas são reguladas pelo mercado. Mas o capitalismo é também uma forma de organizar a produção na qual a ganância e a corrupção estão sempre presentes. Por isso, quanto mais desenvolvida e mais complexa é uma sociedade, mais ela precisa de regulação, e, portanto, mais necessárias se tornam as decisões”
… A corrupção é algo endêmico, intrínseco, ao capitalismo! A corrupção, portanto, é mais do que uma correia propulsora deste [infame] sistema sórdido, funesto e decadente…
Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia, República de Nós Bananas
Muito oportuna Rodrigo esta reprodução do artigo do profº Bresser Pereira pois vejo como um ato de muita coragem da parte dele escrever esta confissão de culpa.
Contudo, esta mea-culpa do professor merece por parte da esquerda uma reflexão. Antes do golpe de 1º de abril de 1964 a esquerda dava como certo que existia uma parte da burguesia, como se dizia na linguagem da época, nacionalista, cônscia de que é uma estultice se entregar a melhor fatia dos negócios gerados pelo investimento público a interesses outros, bem como era dogma da época que igualmente esta fração de classe percebia a importância do fortalecimento do mercado interno com as medidas plasmadas nas reformas de base do governo Jango.
O que se sabe hoje é que esta crença foi uma miragem. O empresariado medíocre, xucro e completamente ignorante se divorciava de seus próprios interesses, nunca foi nacionalista, nunca moveu uma palha para defender seus próprios interesses, sequer os mais imediatos antevistos nas medidas de distribuição de renda embutidos nas reformas de base.
Alheada das mais comizinha realidade para um empresário, o mercado, esta fração de classe sempre emprestou apoio a quem em qualquer ocasião sempre destruiu seu habitat concentrando a renda a níveis africanos, a direita encabeça pela UDN, depois ARENA, PDS, PFL, atual DEM(os)-tucanos.
E a esquerda? Esta tem muito apanhado e pouco aprendido. Precisamos entender que só a porrada dada pelos fatos faz algumas cabecinhas se abrirem para uma possibilidade de aprendizado. Devemos bater com a verdade na face de quem precisa aprender até dizerem chega. Reverberando, por exemplo: ou se distribui a renda neste país ou principalmente eles não vão ter sossego com os assaltantes, “flanelinhas”, pedintes e demais ciminosos que praticam crimes contra o patrimônio; brandindo na cabecinha deles os fatos: só a esquerda vislumbra que é uma estultice não proteger certa fatia do mercado, pois é um atentado contra o erário criar um ambiente de negócios com o dinheiro público pra outros faturarem.
Os fatos nos ajudam nesta missão iluminista ou de guia de cego. Vamos cumpri-la bem, portanto paulada na burrice deles, pois a mancada destes biltres apoiando quem obsequia a concentração de renda e a miséria atige a eles a todos nós.
Enfim, a chamada burguesia nacional ainda é uma miragem, precisa ser construida, e só o será com muita paulada teórica na cabeça deles reverberando os fatos, os assaltos, as extorsões mediante sequestro, produtos da concentração de renda, e burrice que é apoiar os DEMOS-tucanos e a malta do PIG.
O êxito do governo Lula é apenas um tapa com luvas de pelica, como se dizia antigamente.
Ah, que bacana! Eu estuprei e matei há 20 anos atrás… mas não sabia, na época, que isso era crime…. ora, que cara-de-pau (tem hífem?)
Sei não, mas esse texto parece ter sido feito sob medida para defender a BROI. Considerando a relação carnal entre tucanos e Danieis Dantas, fico desconifado dessa subta rendenção do tucano em tese (apesar de achar ele o menos tucano dos tucanos)
Rodrigo, nao consigo acessar esse link fale comigo, se possivel me indique outro caminho de te enviar uma sugestao.
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O ex-ministro de FHC tornou-se um paladino anti-privatista, a favor da distribuição de renda e estatais fortes.
Fica a desconfiança de que ele mudou de posição por oportunismo. Afinal, há grande probabilidade de Dilma ganhar as eleições. Talvez ele queira mostrar que confiável, quem sabe para um carguinho…
Posso estar sendo injusto, mas em política, melhor ser injusto do que ingênuo.