Eleições na Rússia: Putin é cara do país
publicada sábado, 03/03/2012 às 12:31 e atualizada sábado, 03/03/2012 às 12:12
Putin vai se eleger porque é a cara da Rússia
Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo
E então os russos vão às urnas neste domingo. Putin provavelmente vai ser eleito presidente, agora com um mandato não de quatro mas de seis anos, e passível de renovação. Ele deve substituir sua Dilma, Medvedev, que Putin fez presidente porque cumprira já os dois mandatos regulamentares.
A Rússia ferve, e o mundo acompanha com grande interesse, menos pelo que o país é e mais pelo que foi, a superpotência da Guerra Fria. A capa das duas revistas que assino, Economist e Week, trazem Putin. Pergunta a Week, com uma ilustração que remete ao Don Corleone de Marlon Brando: “Um governo de gânguesteres?”
A oposição se mexe, liderada por gente como o escritor e ativista Boris Akunin. Teriam os russos sido picados pelo espírito libertário da Primavera Árabe? (Que em vários casos se transformou não em verão mas em inverno siberiano.)
Para os russos, não se trata de um reencontro com a democracia, e sim de um encontro. A Rússia jamais viveu sob uma democracia. Do absolutismo de czares como Ivan, o Terrível, a Rússia passou quase que instantaneamente para a ditadura bolchevique, em 1917.
Ao longo da história, os russos viveram apenas alguns meses de liberdade, o curto período que foi da queda de Nicolau II, em março de 1917, até a revolução bolchevique, em novembro. Alexandre Kerenski, o líder deste efêmero período, escapou do cerco e da morte sob os bolcheviques vestido de mulher: isto simboliza a Rússia.
Lênin já se instalou no poder sob a égide da ditadura bolchevique. Seu sucessor foi Stálin, um dos maiores assassinos de massa do século 19. (Alguns sonhadores dizem que se Trotski tivesse vencido a batalha da sucessão de Lênin, as coisas teriam sido diferentes. Ilusão. Trotski era um Stálin de cavanhaque.)
Com a queda do comunismo russo, em 1989, apareceu não uma democracia, e sim uma roubalheira comandada por egressos da selvagem polícia política soviética, a KGB. Putin trabalhou 15 anos na KGB.
A cultura russa, lapidada ao longo de séculos de tirania, é autoritária, grosseira e violenta. Putin encarna tudo isso,e por isso deve se eleger. Se a nova geração conseguirá transformar aquela cultura, é uma questão em aberto. Romper com um passado milenar é um empreendimento épico.
Para o resto da humanidade, é uma bênção que a Rússia seja agora não um colosso ameaçador, mas um nanico barulhento.
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9 Comentários







A Russia pode estar longe da democracia, mas Putin AINDA é necessário. Não esquecer que Yelstin privatizou bastante (tipo FHC) e quae levou a Russia praticamente à bancarrota. Além disso, com as ameaças de guerra dos EUA, UE e Israel contra a Siria e Irão, é melhor mesmo o Putin ser mais uma vez o presidente russo nos proximos seis anos.
O último parágrafo desse texto é ridículo. A União Soviética era um colosso mas não era ameaçador (a não ser para os patrões)… com a sua destruição, os Estados Unidos viram-se livres para a rapina da humanidade… Texto bom para ser publicado na Veja ou na Exame… Aliás, esse Paulo Nogueira trabalhou mesmo onde??
Texto horrível, cheio de lugares comuns da imprensa burguesa sobre a Rússia e URSS. O governo menchevique de Kerenski, uma democracia? Tomou o Poder e tentou reprimir o avanço dos movimentos dos trabalhadores, isso sim! Sobre Stálin, o escriba deveria ter lido o livro esclarecedor de Ludo Martens sobre o líder soviético antes papagaiar o Relatório Kruschev. E ele deve estar brincando quando chama o gigante russo de “nanico barulhento”. O maior país do mundo em território, dono do segundo maior arsenal nuclear, dos melhores mísseis antinavio, fornecedor de grande parte da energia da Europa. É este o “nanico” de que fala Paulo Nogueira? O “Ocidente” só critica Putin pois este defende os interesses da Rússia contra os traidores pagos pelos “ocidentais”. Traidores como Gorbatchev, Iéltsin (este, já queima no inferno) e outros menos votados.
“Stálin, um dos maiores assassinos de massa do século 19″
19??
A Rússia é um nanico barulhento? Talvez barulhento. E democracia, o que é democracia? Aquilo que os EUA entregaram em bombas no Iraque, na Líbia e pretendem entregar na Síria e no Irã. Pode ser também a democracia do 1% para o 1%.
Péssimo artigo!!!
Artigo do Paulo Nogueira no Escrevinhador?
O Escrevinhador já esteve melhor.
Para êle “é uma bênção que os Estados Unidos seja um colosso ameaçador”.
Um cara que trabalhou na Veja e Organizações Globo não tem muito crédito. Mora em Londres e assina Week e Economist. Ora, ora.
Liberdade com Kerensky? que queria continuar a guerra? não teria sido por isto que os bolchevistas chegaram ao poder?
Esse cara entende de história da URSS como a Mirian Leitão entende de economia.
Pô Rodrigo, abrir espaço pra um troca tintas desse calibre?
Já estivemos melhor por essas bandas.
Que babaca…
Não adianta ser russo, americano, europeu ocidental, asiático, etc…
O mal é da nossa espécie.
Espero que afoguem-se na vodka, a menos 10 °C.
Deiner