Eloá Pimentel, um crime de gênero
publicada segunda-feira, 13/02/2012 às 14:21 e atualizada terça-feira, 14/02/2012 às 13:30
Por Maíra Kubik Mano, no Território de Maíra
Sabe qual é uma das maneiras de evitar os crimes de gênero? Nomear aqueles que já ocorreram como um exemplo do que não deve se repetir.
Eloá Cristina Pimentel foi assassinada pelo ex-namorado em 2008. Ele não admitia o fim do relacionamento e ela morreu simplesmente porque era mulher.
Uma pesquisa realizada pelo Ibope há alguns anos dava conta que a principal preocupação das brasileiras era a violência, dentro e fora de casa. Ou seja, habitação, mercado de trabalho e custo de vida passaram longe do topo das estatísticas.
Pudera: a cada 2 minutos, 5 mulheres são agredidas no Brasil. Segundo o DataSenado, a maioria dos agressores, 87%, é o atual ou um antigo marido/namorado.
Com Eloá não foi diferente. (Talvez apenas pela cobertura midiática 24 horas por dia, exaustiva e muitas vezes sensacionalista).
O motivo? Talvez ciúme. Segundo uma das definições do Aurélio, trata-se de um “sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém”. Parece até poético, não?
Porém, na maioria das vezes, o lirismo passa longe daqueles apaixonados que estão atormentados pelo sentimento de posse. Em situações extremas, leva até mesmo à morte. Talvez por isso, as outras duas explicações do dicionário para “ciúme” sejam “emulação, competição, rivalidade” e “despeito invejoso; inveja”.
E não tem nada de romântico nisso. É funesto.
Eloá, Eliza Samudio e Mércia Nakashima foram crimes de gênero. Eles decorrem da noção de que a mulher é propriedade do homem e que, portanto, pode ser tratada como seu dono bem entender. Esfaqueada, afogada, estrangulada, metralhada.
No entanto, o que a mídia demonstra em sua cobertura – à época e atualmente, durante o julgamento – é uma total e absoluta descontextualização da situação vivida pelas mulheres. Tratam o caso como algo único, isolado do resto da sociedade, o que não é verdade.
É preciso dar nome aos bois, como diz o ditado.
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17 Comentários







Paz e bem!
Nestas notícias sobre o julgamento
me espanta o silêncio do jornalismo
sobre a jenial atuação da PM paulista
que devolveu Nayara Rodrigues
às mãos do sequestrador.
Talvez porque na época se aventurou que teria havido interferência “superior” no trabalho da polícia…
Há que se apurar isso.
Depois que o governador do Estado, Geraldo Alckmin, negociou pessoalmente com o sequestrador do empresário Senor Abravanel (Silvio Santos) e deu garantias de vida ao meliante, ele foi envenenado na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté.
Ou seja: a pena de morte existe no Brasil (grande novidade!, dirão vocês)e a palavra de um governador vale uma coroa de flores. São Paulo virou uma palhaçada na mão dos tucanos, incompetentes, violentos e ferozmente anti-povo, anti-Direitos Humanos.
Um dia, isso há de mudar…
crime de gênero?
pera lá?
não acontece também o contrário?
Seria precipitação jogar crimes como esse na vala dos crimes contra a mulher.
coisa de neofeminista.
Também acho forçação de barra. Por acaso ela era mulher (na verdade uma menina) e ele homem, mas o contrário também pode acontecer, embora não seja tão comum: a mulher, incorformada com o fim do relacionamento, mata o ex para que ele não seja de mais ninguém.
Para mim, o mais grave no caso Eloá é que se trata de pedofilia. Quando o namoro começou, a menina era uma criança, não tinha sequer 14 anos e ele já passara dos 18. O absurdo já começa com os pais permitindo o relacionamento. Por lei, se a vítima for menor de 14 anos, o estupro é presumido, mesmo se a relação for consentida.
Pois é, fico sem entender este silêncio em relação a questão de pedofilia envolvida no caso. O rapaz é claramente um pedófilo, e como todo pedófilo, psicopata. Ele se aproximou do irmão da menina(na época com 12 anos) sendo que o irmão também era muito mais novo que o assassino, com o objetivo de assediar a menina.Somente a hipocrisia e a conivência da sociedade em relação a pedofilia explica este silêncio. Não é simplesmente um crime de gênero, é a violência corriqueira e covarde contra os mais vulneráveis.Sejam mulheres, crianças ou animais, é sempre contra um indivíduo incapaz de se defender. Todas as vítimas são objetos que satisfazem desejos doentios e sádicos de psicopatas. Classificar apenas como crime de gênero diminui o problema. Um marido, namorado ou ex que espanca sua companheira ou ex-companheira comete crime de gênero. Quando mata, é apenas um assassino psicopata, o crime é sempre premeditado ou planejado com antecedência. Crime passional é o …!
Não nos esqueçamos de como a PM paulista foi incompetente no caso. Além de tentar ouvir o que acontecia na casa colocando um copo na parede da casa ao lado – ninguém tinham uma equipamento melhor, um estetoscópio? – ainda por cima fez a amiga de Eloá voltar ao cativeiro depois que ela tinha conseguido fugir.
Você acha que a Pm iria perder a chance de dar seu show, com o Datena e toda a mídia cobrando um linchamento ao vivo? Para certa mídia, ainda faltou sangue para o Ibope subir um pouquinho…
Costuma-se dar uma série de qualificativos aos crimes: de mando, passional, hediondo e esse agora “de gênero”. Respeitando as opiniões em contrário, diria que crime é sempre crime. Quem pratica o de mando, ou o de gênero, pode perfeitamente praticar qualquer outro tipo, inclusive por motivo fútil. Matam a esposa, a amante, os pais porque estão mais perto, perturbando a paciência do criminoso. Se vivesse sozinho em uma pensão ou cortiço, mataria o colega de quarto. A mulher não é vítima preferencial por ser mulher, mas, por estar no local errado na hora errada, isto é, ao lado de um criminoso em potencial. Ouvi dizer (não sei se é verdade) que há mulheres que infernizam o marido a vida inteira e não são mortas ou maltratadas por ele. Tudo depende da índole de cada um.
O mais interessante é que todos os comentários são feitos pelos homens. Então não é importanbte que cada 2 minutos 5 mujlheres são atacadas. Tenho medo desses homens acima que não vêem o crueldade abjeta de suas posições.
E a culpa da Sonia Abrão?
Será que aquela ligação não elevou o ego do criminoso?
A apresentadora não deveria ser arrolada como ré?
O que ela conversou com o criminoso?
Porque a polícia paulista D-E-I-X-O-U que a outra garota, depois de ser liberada pelo criminoso, ela RETORNA-SE ao local do crime?
O rapaz é culpado e eu não tenho dúvida disso, porém a ação da polícia foi desastrosa e a interferência da mídia foi C-R-I-M-I-N-O-S-A.
Metade daquele assassinato é culpa daquele esquadrao “especializado”.
Invadiram no horario de um programa de alta audiencia, cujo apresentador era amigo do tal governador, onde (por favor se alguém souber me confirmar) havia uma entrevista coletiva marcada para aquele horário. Ou seja, muita coincidencia.
Um amigo me dizia que: “coincidencias nao existem”, pois na minha opiniao, naquele dia nao houve coincidencia
Rodrigo,
O texto peca pela generalização. A imprensa e os bloguistas em particular querem aparecer como bons moços e acabam na vala do comum. Crime deve ser tratado caso a caso, até pelas suas próprias características e motivações.
Da forma como está, o texto generaliza e parte para culpar todos os homens pelo simples fato de serem homens e criminosos em potencial. Isto é um risco, pois vemos diversos juízes aceitando qualquer denúncia como verdade absoluta. E uma vez imputado o título de criminoso, o mais inocente dos homens jamais vai conseguir apagar esta mácula.
Já chega o Reinaldo da Veja e suas generalizações. Aqui se espera um pouco mais de bom senso nos textos.
Comentários como estes, mostram como o texto está correto. Depoimento de mulher: “Realmente, é muito triste esta realidade de nós mulheres, algumas mais outra menos, mas todas com certeza em algum momento da sua vida passou por uma situação no mínimo desconfortável por meio de um namorado ou marido.”
Quantos de nós homens passamos por isso? Enquanto que todas as mulheres passam.
Recentemente mais um crime com a mesma motivação, aconteceu aqui em BH, o da procuradora federal Ana Elise, assassinada a facadas pelo marido, também inconformado com a separação. O processo foi arquivado pois ele, poucos minutos depois suicidou-se, também com facadas.
Rodrigo
Parabéns pela coragem de abordar o assunto de forma tão clara. É natural que algumas pessoas neguem a existência de crimes de genero. Nossa sociedade ainda é imatura para admitir isto. Anos de machismo e paternalismo ainda fazem homens de carater e boa indole defenderem assassinos, e considerarem crimes contra a mulher, apenas como mais um crime. É claro que existem mulheres que “matam por amor”, em número infinitamente menor que os homens, a maioria delas motivadas pelo mesmo sentimento de posse que motiva os homens. A pergunta é, falando apenas dos crimes cometidos por homens e mulheres e justificados pelo “amor”: Porque na sua esmagadora maioria são os homens que matam por “amor” e não as mulheres???
a atuação da midia foi vergonhosa neste caso da menina eloá.