Pinheirinho, Cracolândia e USP: em vez de política, polícia!
publicada quarta-feira, 25/01/2012 às 10:15 e atualizada quinta-feira, 26/01/2012 às 10:32
Por Raquel Rolnik, em seu blog
Domingo, 22 de janeiro de 2012, 6h da manhã, São José dos Campos (SP). Milhares de homens, mulheres, crianças e idosos moradores da ocupação Pinheirinho são surpreendidos por um cerco formado por helicópteros, carros blindados e mais de 1.800 homens armados da Polícia Militar. Além de terem sido interditadas as saídas da ocupação, foram cortados água, luz e telefone, e a ordem era que famílias se recolhessem para dar início ao processo de retirada. Determinados a resistir — já que a reintegração de posse havia sido suspensa na sexta feira – os moradores não aceitaram o comando, dando início a uma situação dramaticamente violenta que se prolongou durante todo o dia e que teve como resultado famílias desabrigadas, pessoas feridas, detenções e rumores, inclusive, sobre a existência de mortos.
Nos últimos 08 anos, os moradores da ocupação lutam pela sua permanência na área. Ao longo desse tempo, eles buscaram firmar acordos com instâncias governamentais para que fosse promovida a regularização fundiária da comunidade, contando para isto com o fato de que o terreno tem uma dívida milionária de IPTU com a prefeitura. O terreno pertence à massa falida da empresa Selecta, cujo proprietário é o especulador financeiro Naji Nahas, já investigado e temporariamente preso pela Polícia Federal na operação Satiagraha. No fim da semana, várias foram as idas e vindas judiciais favoráveis e contrárias à reintegração, assim como as tratativas entre governo federal, prefeitura, governo de Estado e parlamentares para encontrar uma saída pacífica para o conflito.Com o processo de negociação em curso e com posicionamentos contraditórios da Justiça, o governo do Estado decide armar uma operação de guerra para encerrar o assunto.
03 de janeiro de 2012, região da Luz, centro de São Paulo. A Polícia da Militar inicia uma ação de “limpeza” na região denominada pela prefeitura como Cracolândia. Em 14 dias de ação, mais de 103 usuários de drogas e frequentadores da região foram presos pela polícia com uso da cavalaria, spray de pimenta e muita truculência. Em seguida, mais de trinta prédios foram lacrados e alguns demolidos. Esta região é objeto de um projeto de “revitalização” por parte da prefeitura de São Paulo, que pretende concedê-la “limpinha” para a iniciativa privada construir torres de escritório e moradia e um teatro de ópera e dança no local. Moradores dos imóveis lacrados foram intimados a deixar a área mesmo sem ter para onde ir. Comerciantes que atuam no maior polo de eletroeletrônicos da América Latina, a Santa Efigênia , assim como os moradores que há décadas vivem ali, vêm tentando, desde 2010, bloquear a implantação deste projeto, já que este desconsidera absolutamente suas demandas.
08 de novembro de 2011, 05h10 da manhã, Cidade Universitária, São Paulo. Um policial aponta a arma para uma estudante de braços levantados, a tropa de choque entra no prédio e arromba portas (mesmo depois de a polícia já estar lá dentro), sem deixar ninguém mais entrar (nem a imprensa, diga-se de passagem), nem sair, tudo com muita truculência. Este foi o início do processo de desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada por estudantes em protesto à presença da PM no Campus. Os estudantes são surpreendidos por um cerco formado pela tropa de choque e cavalaria, totalizando mais de 300 integrantes da Polícia Militar. Depois de horas de ação violenta, são retirados do prédio e levados presos mais de 73 estudantes. Camburão e helicópteros acompanham a ação.
O que estes três episódios recentes e lamentáveis têm em comum?
Os três eventos envolvem conflitos na gestão e ocupação do território. Os três são situações complexas, que demandariam um conjunto de políticas de curto, médio e longo prazo para serem enfrentados. Os três requerem um esforço enorme de mediação e negociação.
Entretanto, qual é a resposta para esta complexidade conflituosa? A violência, a supressão do diálogo, o acirramento do conflito.
Alguém poderia dizer — mas por quê os ocupantes do Pinheirinho resistiram? Por que não saíram imediatamente, evitando os feridos e as feridas da confrontação?
Porque sabem que, para quem foi “desocupado” ou” lacrado” nestas e outras reintegrações e “limpezas”, sobra a condição de sem-teto. Ou seja, para quem promoveu a reintegração ou a limpeza, o fundamental é ter o local vazio, e não o destino de quem estava lá, muitos menos as razões que levaram aquelas pessoas a estar lá naquela condição e seu enfrentamento e resolução. “Resolver” a questão é simplesmente fazer desaparecer o “problema” da paisagem.
Mais grave ainda, nestas situações a suposta “ilegalidade” ( ocupação de terra/uso de drogas) é motivo suficiente para promover todo e qualquer tipo de violação de leis e direitos em nome da ordem, em um retrocesso vergonhoso dos avanços da democracia no país.
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9 Comentários


![natu] natu]](http://images.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2012/02/natu-191x250.jpg)

Hoje é aniversário de São Paulo. Que os paulistas aproveitem a data para protestar contra a ditadura de fato instalada (ataques neonazistas na Av. Paulista, brutalidade na USP, na Cracolândia, no Pinheirinho…) ou que, pelo menos, meditem sobre o que está acontecendo nesta cidade e neste estado. O que levou a isso? Vâo prosseguir nesta rota, ou parar para pensar? Meditem, reflitam, ponderem. Apelo à razão. Paz.
PSDB: partido fascista.
Geraldo Alckimim, um fascista governando São Paulo.
Quando falta a razão vem a violência. Está se tornando um padrão em SP resolver os conflitos sociais usando a força. Isso é um atestado final da incompetência administrativa dos tucanos que há 20 anos governam SP. Vamos ver que tempestades eles colherão depois de semear estes ventos. Hoje o Kassab já foi “recepcionado” pelo povo após a missa na Catedral da Sé. Reações de todos os lados, inclusive da ONU mostram que Alckmin errou com sua atitude neo-fascista apoiada pela justiça corrupta de SP, ambos a serviço do grande Capital. Da mesma forma que José Serra ao se coligar com as trevas na sua campanha ao perceber a derrota eminente Alckmin mostra seu desespero e sua incapacidade de gerir o Estado passando à solução mais rápida e contundente: a violência. A longo praza, sabemos que isso não resolve.
Era uma vez um governador que não cumpriu uma ordem judicial igual a do #Pinheirinho.
O STJ decidiu que ele fez bem: http://bit.ly/A4TXBZ
Será que a favela Moinho não está incluida nessa política de “limpeza”?
E ter que engolir a presença desse nazista recebendo condecoração ao lado da Presidenta e ainda por cima se reportando à lembrança do nosso querido José Alencar. Ser republicano é na verdade um estágio espiritual muito elevado cara.
ATENÇÃO!
Comentário, contendo denúncia grave ,no Tijolaço:
“JOSEENSE says:
25 de January de 2012 at 17:52
DENÚNCIA: HÁ NESTE MOMENTO EX MORADORES DO PINHEIRINHO QUE ESTAVAM NOS ALOJAMENTOS CEDIDOS PELA PREFEITURA SENDO LEVADOS JUNTAMENTE COM SEUS PERTENCE, “COM CAMINHÃO DA PREFEITURA, FUNCIONÁRIOS DA PREFEITURA, E A GUARDA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS” PARA UMA FAVELA CHAMADA “RIO CUMPRIDO”, E ENTULHANDO-AS(PESSOAS) EM CASAS CONDENADAS PELA DEFESA CIVIL COM RISCO EMINENTE DE DESMORONAMENTO, A PREFEITURA ESTA DIZENDO QUE ESSAS PESSOAS RESSOLVERAM ABANDONAR OS ALOJAMENTOS, MAIS COMO AS FOTOS PROVAM, A PRÓPRIA PREFEITURA ESTA AS ENCAMINHANDO PARA EST ELUGAR…PEÇO URGÊNCIA NA DIVULGAÇÃO…(http://www.ovale.com.br/sem-teto-invade-casas-no-rio-comprido-1.211400).”
Penso que deveria haver uma centralização desse tipo de informações nos blogs progressistas. De modo que circulassem e chegassem as esferas do Governo Federal. Chegassem à PF e ao MPF. A denúncia é muito grave e de fácil constatação.
Trata-se de um terrível crime: colocar os flagelados de Pinheirinho, que estão no desespero de estar sem teto,em barracos condenados que podem desabar, provocando soterramento.
ISSO É UM ABSURDO TOTAL!
Precisamos dar esse alerta, correr contra o tempo e a insanidade perversa institucionalizada.
Alkmim nao perde por esperar. A eleição vem aih e Hadad vai atropelar essa turma hipocrita de Sampa!!
Um cidadao simples, um brasileiro comum como tantos outros, mas com o senso de justiça maior q os “doutores” da Lei.
http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/por-onde-anda-o-heroi-tratorista-que-se-recusou-a-demolir-casas-e-emociou-o-brasil/
No RJ temos as UPPs, em SP temos as UPPP (Unidade Policial Pacificadora com Pancadaria). Lamentável. Enquanto o governo federal tenta diminuir a diferença social, o governo paulista parece querer aumentar esta diferença social.