Estados ignoram lei e professores entram em greve

publicada quinta-feira, 15/03/2012 às 11:27 e atualizada quinta-feira, 15/03/2012 às 11:13

Lutar para melhorar a educação do Brasil
Por Aline Scarso, do Brasil de Fato

Assim como no ano passado, a principal reivindicação de luta dos professores deste ano é para que governos e municípios cumpram a lei do piso, que exige o pagamento do salário básico e que um terço da jornada de trabalho seja usada para que o profissional prepare suas aulas, corrija provas e trabalhos. O movimento nacional reivindica também o direcionamento de 10% do PIB para o investimento em educação. “De minha parte, a expectativa é grande com essa paralisação. Os professores estão percebendo que se não houver uma grande greve, não será aprovado o piso”, conta a professora de Filosofia da rede estadual de São Paulo, Rosi Santos.

O estado de São Paulo paga o piso salarial aos professores. Na capital paulista é preciso trabalhar 30 horas por semana para receber um salário que varia de R$ 1.700 a R$ 2.292 para quem tem licenciatura plena e entre R$ 1.063 a R$ 1.897 para o professor com a formação de nível médio. No entanto, o custo de vida mais alto do país, somado às crescentes remunerações por bônus, fragmentação da categoria em diversos níveis, classes superlotadas, repartição de férias e ondas de violência nas escolas, não fazem da profissão uma tarefa fácil para o professor paulista. Além o disso, o estado não garante um terço da jornada para a preparação de atividades. De acordo com a CNTE, para jornadas de 24, 30 e 40 horas o estado direciona somente 17% para atividades extraclasses.

Fora da lei
A situação nesse quesito é ruim no país inteiro. Em Macapá (AP), por exemplo, os trabalhadores têm direcionados apenas 16% do tempo para isso. Os estados de Alagoas, Espírito Santo, Maceió, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul garantem entre 20% e 25%. Bahia, Goiás e Mato Grosso cumprem os 30%, mas em Goiânia (GO), por exemplo, um professor chega a ter uma jornada de 60 horas, de acordo com a CNTE.

Em relação ao cumprimento dos pisos, o quadro também é desolador. O maior salário é pago pelo Distrito Federal, R$ 3.903 por 40 horas para um professor com licenciatura plena. Mas no Ceará, por exemplo, a remuneração de um professor de nível médio não chega a R$ 370, para uma jornada de 20h. Quem trabalha 40h, com o mesmo nível, ganha R$ 739.

Em Alagoas, também para nível médio e 20 horas de aula, o salário é de R$ 593. Nas mesmas condições de nível e jornada, o Amazonas paga R$ 616; a Bahia, R$ 552; Goiás, R$ 503; Maranhão, R$ 427; Mato Grosso do Sul, R$ 662; Piauí, R$ 593; Paraná, R$ 542; Rio Grande do Sul, R$ 395; Santa Catarina, R$ 609. No Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro pagam-se respectivamente R$ 912 (para 25h), R$ 369 (para 24h) e R$ 680 (16h).

Diante dessa conjuntura, um movimento nacional dos professores coloca a categoria em outro patamar. Apesar de fortes mobilizações no ano passado, a desarticulação dos movimentos gerou problemas locais como a não conquistas das reivindicações, a repressão violenta pelos governos desde o PT ao PSDB, PMDB, PSD e PPS, e o corte de ponto pela Justiça como ocorreu em Minas Gerais, minando uma greve que durou 112 dias.

Condições
Matheus Lima, diretor estadual da Apeoesp, sindicato do professorado paulista, destaca a crescente perda de vagas para os cursos de licenciatura nas universidades e um nível de aprendizado muito baixo das crianças e adolescentes nas escolas. “Nos últimos anos, as pessoas têm desistido mais dos cursos de educação devido ao contexto tão ruim em que ela se encontra. Isso acaba resultando na falência tanto dos docentes, quanto dos educandos”, conclui.

As redes também contam com milhares de professores temporários, que não têm as mesmas condições de trabalho e salários dos efetivos. Ambos enfrentam uma lida dura, conforme relata a professora Rosi Santos. “As condições são péssimas, as escolas não possuem uma estrutura básica para o desenvolvimento ensino e por consequência o aprendizado não acontece. Há anos não recebemos um aumento significativo, chego a dar aula pra 50 alunos por sala e o governo não respeita um terço da jornada dedicado à atividade pedagógica”. Para melhorar, é preciso lutar, garante a professora. “E saber que a efetivação do piso não é só uma reivindicação econômica, mas garante que o professor tenha tempo para preparar suas aulas, pensar melhores enfoques e formas de aprendizado”, afirma.

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9 Comentários

9 Comentários para “Estados ignoram lei e professores entram em greve”

  1. Clara Lanna disse:

    A que ponto chega a atitude de um governador que promete em publico um reajuste salarial aos professores e não cumpre, e reforça perante a imprensa que não vai aumentar o salario? As professoras estão em busca de seus direitos trabalhistas que não esta sendo cumprida pelo estado, estão protestando em forma de greve por algo que é seu por lei. O que seria da educação de jovens sem condições de pagarem escolas particulares sem os professores? O estado se preocupa com coisas fúteis enquanto a educação dos adolescentes que serão o futuro do país esta sendo prejudicada por greves causadas por busca de direitos salarias.

  2. Marcelo Augusto disse:

    As professoras estão em busca dos seus direitos, as leis são feitas para serem cumpridas, o estado promete algo que não cumpre ainda assume em rede nacional que não ira fazer o que prometeu a um ano atrás. Grande parte da população esta revoltado pela greve das professoras que trabalham para o estado pois isso ira prejudicar jovens que não tem condições de pagar escolas particulares mas quase ninguem pensa pelo ”lado” das professoras que trabalham várias horas ao dia e no final não recebem o que é seu por lei.

  3. Pedro Henrique C. Carraro Arsênio disse:

    é um absurdo que um país como o Brasil tenha, ou finja que tenha, uma condição tão precária para dar salários tão baixos para professores.De fato, eles são muitos baixos, porém, os professores devem saber que às vezes quem paga o pato são os alunos, pois perdem aulas com as greves.Tudo é relevante.Não se pode ficar de braços cruzados contra o governo, mas também não se deve tomar atitudes precipitadas prejudicando aqueles que ensinam.

  4. Bruno Nasser Arantes disse:

    O Brasil não percebe que os profissionais , até mesmo os grandes, são importantes para o aprendizado.São a partir deles que se formam médicos, advogados , engenheiros, então por que pagá-los tão mal? Seria pouco receberem até mesmo o salário básico, e nem isso eles recebem.

  5. Thales - Ponte Nova disse:

    Enquanto alguns Estados não tomarem conta que a educação tem que ser valorizada como deve,sofrerão sempre com as conseqüências de terem profissionais insatisfeitos,resultando na baixa qualidade de ensino o que vai gerar péssimos alunos,com pouco conhecimento.Medidas devem ser tomas para aumentar os salários dos professores do Brasil inteiro,pois somente eles sabem o quanto é difícil encarar algumas salas de aula e ainda levar trabalho para casa.

  6. Rayssa- Ponte Nova disse:

    Ser professor não é uma tarefa fácil hoje no Brasil, pois as escolas publicas não estão oferecendo boas estruturas , além dos péssimos salários oferecidos aos profissionais desta área. O Brasil precisa investir mais na educação, e começar investindo nos professores, pois assim sera um estimulo para melhorar o aprendizado dado aos alunos.

  7. Marianna Marques 2°ano Ensa disse:

    Durante todas as eleições , todos aqueles que se candidatam falam sobre reformas na educação , e isso nunca foi cumprido . È necessário um ajuste educacional para que a partir dos jovens profissionais o Brasil possa se desenvolver,por que são eles que tomaram as rédias do país . Mas para isso, para que haja um processo equilibrado de educação entre as escolas públicas e particulares é preciso que os educadores sejam devidamente remunerados, para que estes possam ter condições para dar o melhor de si como professores á todos alunos. Entretanto a falta de comprometimento do governo faz com que , esses mestres da educação , não tenham outra escolha senão abandonar seus cargos e protestarem em prol dos seus direitos,enquanto não houver comprometimento do estado para com os funcionários públicos eles não poderão continuar com suas devidas tarefas , e se estes pararem , uma grande massa responsável pelo futuro do país irá parar também !

  8. Bruno Viana disse:

    È incrivel como o Brasil não percebe os profissionais quem tem, eles so pensam em pegar dinheiro do governo para ficarem ricos e não pensam que um dia aquele dinheiro acaba, e quem mais vai sofrer com isso tudo são seus netos, que se o dinheiro acabar eles vão ter que estudar naquelas escolas que seus avós pais roubaram o dinheiro e não teram educação nenhuma. Seria tão pouco receber salarios baixos, mais mesmo assim nem isso eles recebem.
    Bruno Viana 2 ano

  9. Adelina Machado disse:

    O problema do governo brasileiro, é que eles dão muito mais importância para a repressão que para a educação. Os polícias fizeram greve e conseguiram aumento no salário, e porque isso não funciona com os professores ? Enquanto os professores não serem valorizados como devem, a educação do país continuará péssima.

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