Santayana: hora de rever as privatizações
publicada sexta-feira, 23/12/2011 às 11:13 e atualizada sexta-feira, 23/12/2011 às 17:08
Por Mauro Santayana, na Carta Maior
Se outros efeitos não causar à vida nacional o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., suas acusações reclamam o reexame profundo do processo de privatizações e suas razões. Ao decidir por aquele caminho, o governo Collor estava sendo coerente com sua essencial natureza, que era a de restabelecer o poder econômico e político das oligarquias nordestinas e, com elas, dominar o país. A estratégia era a de buscar aliança internacional, aceitando os novos postulados de um projetado governo mundial, estabelecido pela Comissão Trilateral e pelo Clube de Bielderbeg. Foi assim que Collor formou a sua equipe econômica, e escolheu o Sr. Eduardo Modiano para presidir ao BNDES – e, ali, cuidar das privatizações.
Primeiro, houve a necessidade de se estabelecer o Plano Nacional de Desestatização. Tendo em vista a reação da sociedade e as denúncias de corrupção contra o grupo do presidente, não foi possível fazê-lo da noite para o dia, e o tempo passou. O impeachment de Collor e a ascensão de Itamar representaram certo freio no processo, não obstante a pressão dos interessados.
Com a chegada de Fernando Henrique ao Ministério da Fazenda, as pressões se acentuaram, mas Itamar foi cozinhando as coisas em banho-maria. Fernando Henrique se entregou à causa do neoliberalismo e da globalização com entusiasmo. Ele repudiou a sua fé antiga no Estado, e saudou o domínio dos centros financeiros mundiais – com suas conseqüências, como as da exclusão do mundo econômico dos chamados “incapazes” – como um Novo Renascimento.
Ora, o Brasil era dos poucos países do mundo que podiam dizer não ao Consenso de Washington. Com todas as suas dificuldades, entre elas a de rolar a dívida externa, poderíamos, se fosse o caso, fechar as fronteiras e partir para uma economia autônoma, com a ampliação do mercado interno. Se assim agíssemos, é seguro que serviríamos de exemplo de resistência para numerosos países do Terceiro Mundo, entre eles os nossos vizinhos do continente.
Alguns dos mais importantes pensadores contemporâneos- entre eles Federico Mayor Zaragoza, em artigo publicado em El País há dias, e Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia – constataram que o desmantelamento do Estado, a partir dos governos de Margareth Thatcher, na Grã Bretanha, e de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, foi a maior estupidez política e econômica do fim do século 20. Além de concentrar o poder financeiro em duas ou três grandes instituições, entre elas, o Goldman Sachs, que é hoje o senhor da Europa, provocou o desemprego em massa; a erosão do sistema educacional, com o surgimento de escolas privadas que só servem para vender diplomas; a contaminação dos sistemas judiciários mundiais, a partir da Suprema Corte dos Estados Unidos – que, entre outras decisões, convalidou a fraude eleitoral da Flórida, dando a vitória a Bush, nas eleições de 2000 -; a acelerada degradação do meio-ambiente e, agora, desmonta a Comunidade Européia. No Brasil, como podemos nos lembrar, não só os pobres sofreram com a miséria e o desemprego: a classe média se empobreceu a ponto de engenheiros serem compelidos a vender sanduíches e limonadas nas praias.
É o momento para que a sociedade brasileira se articule e exija do governo a reversão do processo de privatizações. As corporações multinacionais já dominam grande parte da economia brasileira e é necessário que retomemos as atividades estratégicas, a fim de preservar a soberania nacional. É também urgente sustar a incontrolada remessa de lucros, obrigando as multinacionais a investi-los aqui e taxar a parte enviada às matrizes; aprovar legislação que obrigue as empresas a limpa e transparente escrituração contábil; regulamentar estritamente a atividade bancária e proibir as operações com paraísos fiscais. É imprescindível retomar o conceito de empresa nacional da Constituição de 1988 – sem o que o BNDES continuará a financiar as multinacionais com condições favorecidas.
A CPI que provavelmente será constituída, a pedido dos deputados Protógenes Queiroz e Brizola Neto, naturalmente não se perderá nos detalhes menores – e irá a fundo na análise das privatizações, a partir de 1990, para que se esclareça a constrangedora vassalagem de alguns brasileiros, diante das ordens emanadas de Washington. Mas para tanto é imprescindível a participação dos intelectuais, dos sindicatos de trabalhadores e de todas as entidades estudantis, da UNE, aos diretórios colegiais. Sem a mobilização da sociedade, por mais se esforcem os defensores do interesse nacional, continuaremos submetidos aos contratos do passado. A presidente da República poderia fazer seu o lema de Tancredo: um governante só consegue fazer o que fizer junto com o seu povo.
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8 Comentários







Eu acho que as privatizacoes foram uma pagina assustadora da nossa historia recente e precisam sim ser revistas. Para se ter uma ideia do absurdo que foram as privatizacoes basta perguntar se algum pais europeu entregaria alguma empresa sua para controle de alguma empresa brasileira na bacia das almas como nos fizemos. Entao nos fizemos o papel de bobos da corte. sim. Foi uma punhalada nas costas que nosso pais sofreu. Um verdadeiro estupro moral contra o nosso povo.
Eh hora sim.
E hora sim de rever as privatizaçoes. E de lhes dar OUTRO DESTINO, NO MINIMO em seu vencimento. no vencimento das eletricas, dar-lhes concorrencia, acountability, outras regras.
E que suas clausulas fossem respeitadas, sob pena de fim da concessão. NAO SOMENTE A CLAUSULA DO REAJUSTE DE TARIFAS!!
E devido a importancia, este bordão que vou repetir:
‘De resto eu penso que a a ANP deve ser destruida,e talvez depois refundada em outras bases.”
As privatarias tucanas devem ser revisitadas e analisadas por uma auditoria fiscal independente. Se as atuais donas das empresas que sofreram a ação da privataria querem continuar com elas, que essas empresas paguem o preço justo dessas empresas, acrescidas de juros e correção monetária e subtraidas os (poucos ou inexistentes) investimentos.
Ou seja, se a Telefonica quiser ficar com a Telesp, que ela pague o preço justo que a Telesp valia. Neste caso como a Telefonica não investiu nada na melhoria da Telesp, não entra na conta os investimentos feitos pela Telefonica.
Se os atuais donos da CVRD querem ficar com a Vale, que eles paguem ao estado brasileiro o que esta empresa valia, descontando os investimentos feitos.
O Santander terá que pagar uma fortuna para continuar com o Banespa, ou então devolver todas as suas agências ao governo paulista que não conseguirá privatizar novamente o Banespa (poís ele não custará o preço de uma banana).
Sobre as agências reguladoras, como elas nunca regularam nada, elas não tem função nenhuma e poderá deixar de existir, pois nunca forem utéis para a sociedade brasileira e para a economia nacional.
Uma auditoria fiscal nas privatarias tucanas e essa quadrilha iria parar na cadeia. Mas temos um judiciário que tbm não funciona nestas horas.
A voz da experiência, neste caos acompanhada de vivencia politica e outros atributos, deve ser ouvida.
Talvez a expressão do absurdo ou absurdos cometidos durante a privatização que princípios éticos e futuros impedem alguns de não continuarem cobrando explicações e reembolsos ao erário ea nação.
Minha posição acompanho o Vaccareza , não olhar espelho retrovisor até pelo enorme movimento , oportunidades , obras emudanças que estão ocorrendo à frente , mas não posso deixar de pensar quando leio Santayana e suas posições.
Os deputados petistas que não assinaram que foram localizados pelo blog escrevinhador colocaram suas posições e se representante tambem talvez não a assinasse.
Mas temos um alerta vindo de fonte cristalina enacional , e republicana em cada gota , pensar no assunto mais um pouco e confirmar ou rever posições e estrategias da bancada a este respeito.
Saudações progressistas.
Talvez nem adiante fazer comentários aqui pois a maioria destes Blog tem uma verdadeira sanha para censurar comentários (até os mais simples) sofrem efeito da tesoura como no casodo Blog do CAF!
Quero meu patrimônio de volta!!!
NENHUM país europeu aceitaria o que foi feito aqui. Governos privatistas (Collor, Sarney e FHC) sucatearam propositadamente as estatais para que fossem entregues aos amigo$$ a preços de banana. É preciso rever TODAS e, se houve corrupção, a venda fica automaticamente nula.