Mino pergunta: mas que império é este?
publicada sexta-feira, 06/01/2012 às 15:28 e atualizada segunda-feira, 09/01/2012 às 11:30
Por Mino Carta, na CartaCapital
O império romano do Ocidente durou quase cinco séculos, sem contar o tempo que a República de Roma mandou no Mediterrâneo a partir das guerras púnicas. O Império Britânico não deixou por muito menos. Houve também influências culturais de porte imperial. A inteligência grega ao longo de vários séculos definiu as linhas mestras do pensamento humano. A Renascença italiana expandiu-se de Dante a Galileu por mais de 300 anos. Paris foi a capital cultural do planeta desde o Iluminismo até a Segunda Guerra Mundial. Nas últimas sete décadas falou-se no império americano, e mais ainda após o colapso do antagonista soviético. Mas, como no sonho bíblico, o gigante tem os pés de argila.
Quando ruiu o Muro de Berlim, houve quem comparasse Washington à antiga Roma, embora os presidentes americanos não se chamassem Augusto, Adriano, Tito, Marco Aurélio. Alguns estiveram mais para Nero. Quem se arriscou à comparação precipitou-se. Exagerou. A decadência ianque está à vista de todos e a sua razão mais evidente é a crise econômica provocada pelo ciclone neoliberal, com seu epicentro nos próprios bancos americanos.
O acompanhamento do formidável guisado fica à altura da monumentalidade do prato. Entram na receita os ímpetos desastrados da família Bush, a -mediocridade de Clinton, a impotência de Obama. Na sobremesa o Tea Party, o reacionarismo crescente, o empobrecimento progressivo de áreas outrora bem frequentadas, como a mídia. Só falta mesmo um presidente mórmon republicano, e outra comparação ocorrerá, com Rômulo Augústolo, derrubado pela invasão bárbara, de fora para dentro, desta vez de dentro para dentro.
Algumas ilhas de excelência resistem. Hospitais, institutos de pesquisa, universidades, cineastas e escritores de qualidade. Não bastam para abrandar o impacto de uma visão ampla e profunda, valem até, em certos casos, para acentuar a -gravidade da situação ao evidenciarem desmandos, mazelas, parvoíces. Quanto a bancos e banqueiros, é deles o papel de vilões. Um estudo sobre a rede global do poder financeiro, realizado pelo Instituto Federal Suíço de Tecnologia, publicado pela New Scientist, confirma. Soletra que menos de 150 multinacionais ditam as regras do chamado mercado e estrangulam a concorrência. Goldman Sachs, Barclays Bank e JP -Morgan figuram entre as 20 corporações mais importantes e decisivas.
Escreve Livia Ermini, do La Repubblica: “Não se trata da costumeira tese conspiratória (…) neste caso, nos defrontamos com uma análise que nada concede à especulação, a esquemas ideológicos, mas se baseia exclusivamente em dados estatísticos (…) o estudo reconstitui redes de relações e de participação que formam nós de poder nos mercados globais sem nascerem por isso de acordos selados debaixo dos panos”.
Os autores do estudo esclarecem que essas relações entre grandes empresas “em uma primeira fase de crescimento econômico podem ser vantajosas para a estabilidade do sistema”. A música muda abruptamente em tempos de crise: em toda concentração de poder, o colapso de uma empresa passa a ameaçar repercussões trágicas para toda a economia planetária.
Quais seriam as implicações no momento? É o que perguntam aos seus credenciados botões os responsáveis pelo trabalho. Impassíveis, os interlocutores solicitados respondem: ao se relacionarem entre si, as instituições financeiras visam a diversificar o risco. Expõem-se, contudo, à chance do contágio. “Nesta situação caracterizada por fortes relações de propriedade – é a assustadora conclusão – o risco da contaminação em cadeia fica atrás da esquina.”
Pois aí está: não é preciso espremer as meninges para entender que também esta crise a nos envolver a todos começa à sombra de um império tão frágil a ponto de se parecer com o aprendiz de mágico. O qual conhecia o abracadabra capaz de multiplicar as vassouras, mas não aquele que haveria de detê-las. Acabou varrido por elas.
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10 Comentários







Bin Laden e poucos seguidores foram capazes de derrubar o império. após o ataque de 11/09 o eua se lançaram numa estúpida e cara guerra que fez esse estrago todo aí que estamos vendo. qdo enxergaram a bobagem que estavam fazendo, gastando trilhões numa imbecilidade bushiana, e deixando o “deus mercado” ditar as regras da economia, já era tarde…o império durou bem menos do que eu imaginava…tomara que os novos donos do mundo, os chineses, nao sejam tão imbecis quanto os americanos, pois a força deles será imensamente maior
É, os antigos Impérios mantinham-se, porque as noticias levavam meses até chegarem aos rincões, hoje els chegam mesmo antes de serem noticias.
queria pedir a todos que se leve a serio a unidade monolitica da midia corporativa – americana, a nossa e as proximas de nós.
Todos estao dizendo na 1ª pagina que Obama esta cortando 450 bilhoes das verba do Min. de Defesa…dos Usa.
Isso é na manchete, no texto muda um tanto!
Ninguem acredite se o diabo esconde o rabo. O CORTE é dito ao longo de DEZ anos…previsto apenas!
E nao se aplica sobre o orçamento de guerra não. A ideia
é apenas cortar isso, da INTENÇAO alegada de aumento das verbas. Cortando apenas uma parte das intençoes de acrescimo pedidas no congresso. So isso.
Conversa pra boi dormir e pra ano eleitoral.
Concordo com o “não se trata de uma tese conspiratória”, mas seria bom fazer um apanhado deste artigo e juntá-lo com um apanhado do artigo do Mauro Santayana: o pré-sal e a CPI da Privataria. Publicado em 03/01/2012.
Tenho por convicção que com os números obtidos pelo estudo, 150 multinacionais ditando as regras do chamado mercado, fica muito mais fácil determinar para onde se quer ir e onde se quer chegar no jogo global. Discordo da contaminação em cadeia. Minha visão é que elas já se prepararam para absorver qualquer turbulência. Mais ainda, acredito que já estão com o planejamento elaborado, visando as absorções e junções necessárias para chegar ao ponto de só existir um player global por tipo de atividade…
Eu acho que eles vão ficar latindo e chafurdando ainda por um bom tempo e levar muita gente junto para o lado “negro da força” , irão inventar mais uma guerra para salvar sua economia e dos seus parceiros.Tempos fascistas viram ,não vão largar o osso tão fácil.
Concordo com o autor quanto ao declínio econômico do império americano – isto é fato. Mas não devemos nos esquecer que os EUA ainda são a maior potência militar do planeta – isto também é fato. Ou seja, ainda existe, intocado, o império militar americano com mais de 600 bases militares espalhadas pelo planeta. E é aí que reside o perigo. Abraço
Gente entrem em: http://www.sbt.com.br/omaiorbrasileiro/ e votem no Lula – o maior dentre os maiores.
Rodrigão coloque um link por aqui, “pra nóis votá no home”
O império está com os dias contados,não sabemos quando ira cair,mas,é questão de tempos. Não será de uma vez. Primeiro será a hegemonia economica (isto é certo),logo após o militar e por último o politico. É ver para crer.
Existem figuras históricas que surgiram exatamente para destruir os laços entre uma fase e outra. São os responsáveis ou condutores do caos. Ao que parece, estão surgindo ou aparecendo aqueles que serão os responsáveis pela derrocada do atual sistema econômico e político. São os verdadeiros ince diários que vão encontrar a sua frente todo um cenário propicio a conduzirmos ao precipicio. Nao há com evitar a ruptura pois esses fatos são cíclicos e inevitáveis. O que vivemos hoje êh somente a repetição dos momentos de transformação que as civilizações passaram.
Para esse filme que começou a rodar, rodar mesmo la pelos idos de1989, meu script é mais ou menos o seguinte:
-China cria e monta rapidamente uma OTAN propria na asia.
-Russia se alia a china, em temas pontais de economia,segurança e açao politico-diplomatica internacional.
-Irã se fortalece militarmente e suporta com dureza mas sem depressao o cerco economico. Torna assim insuportavel o custo/maleficio de uma agressão.(puro chute)
-India e brasil crescem sólida e continuamente, mesmo dentro dos ciclos capitalistas.
-China reduz verticalmente sua exportaçao de bugigangas, interioriza sua economia e passa a competir no patamar de equipamentos de alta tecnologia.Cria uma divisao condominial com os Eua no mundo, enquanto nao for agredida diretamente.
-Brasil tem um renda per capita media/alta e atrai capitais e pessoas de todo o mundo. O pais começa a montar uma aliança com os Usa PARA resistir ao avanço economico chines.
-Usa enfraquecidos, ja sem moeda de reserva propria se tornaram uma peça importante no jogo, que porem nao mais dá cheque mate. é obrigada a negociar.
-A Agenda ecológica impõe normais internacionais duríssimas a todos, mas o brasil se antecipou a elas, inclusive para absorver as grandes migraçoes de refugiados do clima que invadiram europa e america do sul.
(neste ponto,desculpem mas a bola cristalina apagou)