Rudá Ricci: Mediocridade na análise política

publicada sexta-feira, 06/01/2012 às 15:44 e atualizada sexta-feira, 06/01/2012 às 15:03

Por Rudá Ricci, no Brasil 247

A polarização ideológica-partidária que tomou a grande imprensa brasileira empobreceu o já tímido debate político em nosso país. Ficou mais para torcida de auditório que para análise crítica. Dá lombeira ler artigos pró e contra que adotam os argumentos mais insignificantes e confundem desejo com interpretação.

O que dizem os dados de pesquisa sobre política tupiniquim?

1) A maioria dos brasileiros está focada no seu bem-estar. Ponto. Nem de longe se aproxima do debate ideológico que tucanos e petistas-lulistas travam. Menos ainda em relação ao discurso dos partidos satélites

2) Mais da metade dos brasileiros é classe média (aumento de 20% em 2011), num país que se tornou a 6a potência mundial. Se relacionarmos com o item anterior, do ponto de vista político é absolutamente inócuo discutir se o que temos é crescimento do PIB ou desenvolvimento. Para os brasileiros que votam, o que interessa é manter o poder aquisitivo e dar segurança à sua família.

3) O Brasil cresce pouco na Era Dilma, mas o que interessa é que o consumo continua alto. Está ultrapassando 2,5 trilhões de reais ano. Ligeiramente superior ao crescimento do PIB (se comparado a 2010), mas acima. É verdade que houve uma queda no otimismo exacerbado das famílias. Segundo o ICF (Índice de Intenção de Consumo das Famílias), realizado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio), as famílias estão menos dispostas a consumir, se comparado a 2010, um recuo de 5,6% (comparação entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011). Há controvérsias, contudo, a respeito deste recuo. Vários autores sugerem uma mudança – que seria mais sustentável – no perfil do consumo e início da construção da poupança familiar, algo inédito em nosso país.

4) O governo Dilma Rousseff surfa nesta onda. Não tem competência política, mas consegue somar esta onda consumista e de estabilidade familiar com a “adoção” pela grande imprensa. A grande imprensa aplaudiu a tal “faxina moral” com muita torcida para a montagem da coalizão presidencialista lulista sofrer abalos fatais. Alguns editoriais foram honestos nesta linha; outros, revelaram ressentimento em relação ao lulismo.

5) Mas nada garante que Lula ou o lulismo tenham sido afetados. Pelo contrário. Vários jornais e analistas políticos se esquecem que Lula entrou de sola quando houve algum abalo real na coalizão (em maio). Lula assumiu o comando da campanha de 2012 e chegou a tratar diretamente do futuro do ministro Fernando Haddad. Haveria maior sinalização que Dilma não comanda politicamente? Não há outra sinalização clara além do comando gerencial. E ponto. O resto é sonho ou explicação barroca para dar esperança de vida ao desejo pessoal do analista.

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9 Comentários

9 Comentários para “Rudá Ricci: Mediocridade na análise política”

  1. Carolina disse:

    Coitado do Rudá! Limitou-se a falar mal do lulismo, foi convocado pela Globo News, perdeu o bonde, simplificou-se e se perdeu! O mundo é mais complexo que as “análises” que ele ainda tenta emplacar. (E ainda reclama de mediocridade.) Tchau, Rudá.

  2. Marcos Faria disse:

    Não acho que O autor mereça ser comentado. Por isso, gostaria só de registrar que este mesmo autor que vendia palestras e cartilhas para o Sind-UTE – MG, recentemente, escreveu texto defendendo a Dupla Aécio/Anastasia, foi um texto que nenhum tucano reclamaria.
    Essa é a questão.

  3. A análise falha ao dizer que a mídia “aplaudiu” a faxina. A mídia, na verdade, fez da faxina um fator de desestabilização do Governo. A sanha da mídia em derrubar ministros tem uma razão: o alvo central é a própria Dilma. A mídia quer derrubá-la ou, pelo menos, fazer dela uma refém.

  4. Cláudio Freire disse:

    Essa defesa que algumas pessoas se sentem compelidas a fazer do Lula contra a velha mídia, aproveitando para citar que Dilma não tem competência política, é muito simplista, e não dá conta da realidade dos fatos.

    Lula não precisa disso: ele fez um governo muito bom, elegeu sua sucessora, e tem papel importante de aconselhamento político no governo Dilma. Sempre será a referência política do PT. E Dilma sabe muito bem disso, é absolutamente fiel ao Lula, e nunca nem quis disputar nada com ele nesse terreno. Nem teria cabimento.

    Dilma está tocando o governo dela no campo que conhece, que é o da gestão administrativa, mantendo a costura política feita por Lula desde que era sua principal ministra. Se aconselha politicamente com Lula o tempo todo.

    Essa sutil divisão que alguns parecem alimentar, entre “lulistas” e “dilmistas”, é ridícula. Serve apenas para dar ressonância ao que a velha mídia tenta fazer a todo momento, tentando desestabilizar o governo.

  5. Marcos Doniseti disse:

    Essa história de que Dilma ‘não comanda’ politicamente é desejo pessoal do Rudá Ricci, que confunde análise política séria com torcida pessoal.

    O fato concreto, e que é do conhecimento até do mundo mineral, como diria Mino Carta, é que Dilma não gosta de tratar desse ‘varejo político’, desse trololó com líderes políticos, desse eterno tomaládacá da política miúda, que é uma característica da política partidária no mundo inteiro e que, no Brasil, é exacerbado, chegando aos ‘píncaros da glória’, devido à inexistência de fidelidade partidária e à hiper-fragmentação da representação partidária no Congresso Nacional, com quase 20 partidos com congressistas eleitos.

    Dilma nunca fez isso, em toda a sua trajetória política, e não gosta de fazê-lo. E qual é o problema quanto a isso? Nenhum, oras, de que tenhamos pessoas que façam esse trabalho de articulação política em nome dela e pelo seu governo, que é o que acontece.

    Daí, o fato de que ela deixa para outras pessoas do seu governo, ou de fora dele (caso do presidente Lula) a tarefa de cuidar das articulações políticas.

    Lula é mestre nisso, entende tudo de articular policamente e gosta de fazer isso.

    Além disso, foi Lula, e não Dilma, quem articulou essa grande coalizão partidária que deu sustentação à candidatura dela e que, agora, apóia o seu governo.

    Daí, ser algo perfeitamente normal e natural que, em situações mais críticas, Dilma peça a colaboração do presidente Lula para resolver problemas mais graves relativos à articulação política do governo.

    E não há nada de errado nisso.

  6. Marcos Doniseti disse:

    Com relação ao fato de que a população está se lixando para a brigalhada política-partidária e que está muito mais preocupada com o seu bem-estar, isso também é algo que eu digo há muitos anos.

    Inclusive, observo isso nas minhas relações com amigos e conhecidos, que não dão a mínima para essas denúncias e acusações contra ministros disso ou daquilo.

    Lembro-me em que numa ocasião, na época da campanha presidencial de 2010, no auge do noticiário a respeito da “quebra do sigilo do Eduardo Jorge”, em que estava almoçando com outros 7 colegas de trabalho e perguntei a eles quem sabia alguma coisa sobre o Eduardo Jorge.

    Ninguém soube responder e isso aconteceu depois de umas 3 semanas, pelo menos, em que a Grande Mídia não falava de outro assunto.

    A pessoa que chegou mais perto da resposta correta perguntou: ‘Esse Eduardo Jorge não é o vice do Serra”?…

    Portanto, 90% do noticiário da Grande Mídia é solenemente ignorado pela quase totalidade da população. Essas baboseiras todas entram por um ouvido das pessoas e saem, rapidamente, pelo outro.

    A Grande Mídia golpista não descobriu isso, ainda, porque ela é comandada por um bando de fanáticos e de reacionários que vive numa realidade paralela e que não tem nada a ver com a vida dos cidadãos comuns.

    • MARCELO disse:

      Claro,Marquinhos.Tá cheio de atores globais fazendo
      comerciais pro governo federal.E você tem a coragem de
      dizer que o PIG existe?kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  7. Saulo disse:

    Acho q nem debate político existe, pois a “grande” imprensa na verdade torce pra q tudo de errado com o governo. Ela pertence ao outro lado !!!

  8. chaplin disse:

    O autor, até o ítem 4 foi perfeito mas a partir daí seu lado interesseiro, como de costume, comprometeu todo o conjunto de seu raciocínio, simplesmente porque não consegue trazer as verdadeiras origens do poder que impera neste Brasil. Tornou-se, repentinamente, tão medíucre quanto qualquer analfabeto funcional…
    Paremos de discutir partidos ou pessoas, para discutir o sistema e a lógica de poder instalada desde os primórdios do Estado brasileiro e aperfeiçoada pela elite conservadora ao longo dos anos.

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