“A guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação”
publicada segunda-feira, 22/11/2010 às 12:16 e atualizada terça-feira, 23/11/2010 às 09:17
“A guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação”
Em entrevista à Carta Maior, Marilena Chauí avalia a guerra eleitoral travada na disputa presidencial e chama a atenção para a dificuldade que a oposição teve em manter um alvo único na criação da imagem de Dilma Rousseff: “o preconceito começou com a guerrilheira, não deu certo; passou, então, para a administradora sem experiência política, não deu certo; passou para a afilhada de Lula, não deu certo; desembestou na fúria anti-aborto, e não deu certo. E não deu certo porque a população dispõe dos fatos concretos resultantes das políticas do governo Lula”. Para a professora de Filosofia da USP, essa foi a novidade mais instigante da eleição: a guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação. E esta última venceu.
Redação, no site da Carta Maior
CARTA MAIOR: Qual sua avaliação sobre a cobertura da chamada grande mídia brasileira nas eleições deste ano? Na sua opinião, houve alguma surpresa ou novidade em relação à eleição anterior?
MARILENA CHAUÍ: Eu diria que, desta vez, o cerco foi mais intenso, assumindo tons de guerra, mais do que mera polarização de opiniões políticas. Mas não foi surpresa: se considerarmos que 92% da população aprovam o governo Lula como ótimo e bom, 4% o consideram regular, restam 4% de desaprovação a qual está concentrada nos meios de comunicação. São as empresas e seus empregados que representam esses 4% e são eles quem têm o poder de fogo para a guerra.
O interessante foi a dificuldade para manter um alvo único na criação da imagem de Dilma Rousseff: o preconceito começou com a guerrilheira, não deu certo; passou, então, para a administradora sem experiência política, não deu certo; passou, então, para a afilhada de Lula, não deu certo; desembestou na fúria anti-aborto, e não deu certo. E não deu certo porque a população dispõe dos fatos concretos resultantes das políticas do governo Lula.
Isso me parece a novidade mais instigante, isto é, uma sociedade diretamente informada pelas ações governamentais que mudaram seu modo de vida e suas perspectivas, de maneira que a guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação.
CM: Passada a eleição, um dos debates que deve marcar o próximo período diz respeito à regulamentação do setor de comunicação. Como se sabe, a resistência das grandes empresas de mídia é muito forte. Como superar essa resistência?
MC: Numa democracia, o direito à informação é essencial. Tanto o direito de produzir e difundir informação como o direito de receber e ter acesso à informação. Isso se chama isegoria, palavra criada pelos inventores da democracia, os gregos, significando o direito emitir em público uma opinião para ser discutida e votada, assim como o direito de receber uma opinião para avaliá-la, aceitá-la ou rejeitá-la.
Justamente por isso, em todos os países democráticos, existe regulamentação do setor de comunicação. Essa regulamentação visa assegurar a isegoria, a liberdade de expressão e o direito ao contraditório, além de diminuir, tanto quanto possível, o monopólio da informação.
Evidentemente, hoje essa regulamentação encontra dificuldades postas pela estrutura oligopólica dos meios, controlados globalmente por um pequeno número de empresas transnacionais. Mas não é por ser difícil, que a regulamentação não deve ser estabelecida e defendida. Trata-se da batalha moderna entre o público e o privado.
CM: Você concorda com a seguinte afirmação: “A mídia brasileira é uma das mais autoritárias do mundo”.
MC: Se deixarmos de lado o caso óbvio das ditaduras e considerarmos apenas as repúblicas democráticas, concordo.
CM: Na sua opinião, é possível fazer alguma distinção entre os grandes veículos midiáticos, do ponto de vista de sua orientação editorial? Ou o que predomina é um pensamento único mesmo.
MC: As variações se dão no interior do pensamento único, isto é, da hegemonia pós-moderna e neoliberal. Ou seja, há setores reacionários de extrema direita, setores claramente conservadores e setores que usam “a folha de parreira”. A folha de parreira, segundo a lenda, serviu para Adão e Eva se cobrirem quando descobriram que estavam nus.
Na mídia, a “folha de parreira” consiste em dar um pequeno e controlado espaço à opinião divergente ou contrária à linha da empresa. Às vezes, não dá certo. O caso do Estadão contra Maria Rita Kehl mostra que uma vigorosa voz destoante no coral do “sim senhor” não pode ser suportada.
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12 Comentários







Rodrigo divulgue esses doct fundamentais Zeitgeist http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024#
Zeitgeist 2 Addendum Legendado
http://video.google.com.br/videoplay?docid=-1459932578939373300#
A professora Marilena Chauí sempre que chamada nos brinda com suas posições firmes e demonstrando acima de tudo o seu discernimento da realidade brasileira. Concordo em gênero, numero e grau com ela. Sem exceção.
http://easonfn.wordpress.com
Legal a entrevista! Adoro a Marilena e complemento: Se a Dilma não vencesse essa eleição poderíamos classificar o povo brasileiro como esquizofrênico, porque 90% de apovação do governo Lula, seria imporssível não dar a continuidadde. Se bem que continuo achando que existem uns esquizofrênicos por aí, pois conheço gente que adora o Lula e votou no Serra! Vá entender!
Amigos tem um video muito legal que explica simples e objetivamente o que é Liberdade no Brasil das 11 familias mais poderosas, aqui http://cloacanews.blogspot.com/2010/11/domingao-do-cloacao-porque-os.html
Embora sem relação direta com o artigo acima, queria chamar a atenção para o fato de que um importante combatente dessa “guerra” contra a mídia durante as eleições e que poderia continuar a ajudar bastante de agora em diante foi o Blog Tijolaço, do Dep. Brizola Neto, o qual, no entanto, não se consegue mais acessar (quando se tenta, aparece sempre a mensagem “Oops! This link appears to be broken.”). Alguém tem informações sobre o que está acontecendo com o Blog Tijolaço?
Por favor veja este texto que discute a podridão da mídia esportivo. E como os jornalões tratam o leitor.
http://terceirotempo.ig.com.br/coluna_materia.php?id=764
uma pequena observação: o video da entrevista debate com o presidente josé azeredo lopes sobre regulação da midia não se encontra no site do programa 3 a 1. uma entrevista importante. por favor se alguem tiver poste essa entrevista.
ps: creio que o mediador ficou constrangido diante de tanta lucidez democratica do entrevistado
http://www.advivo.com.br/blog/antonio-ateu/regula...
CAMPANHA:
Esse é o cara.De Sanctis no STF, já!
Rodrigo,
Permita-me distoar do tema do post, para dizer que a Doutrina do Luiz Carlos Prates foi azedada por uma juíza de direito, clique no link para ler e ver o vídeo da matéria dos blog dos Amigos do Presidente Lula: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/pela-doutrina-prates-8-carros.html
Foi o embate entre a mentira e a verdade.
Venceu a verdade que estava baseada na realidade factual.
Contra fatos não há argumentos…
Apenas para dizer que falta ao Rodrigo Vianna trazer à tona artigos e entrevistas de esquerdistas menos contemplativos e mais críticos às posturas do governo do PT nos oito anos de Lula no que tange à atuações de agentes públicos como o BNDES.
Há, inclusive, estudos do IPEA que comprova o uso de órgãos públicos com políticos que têm privilegiado as grandes empresas brasileiras e multinacionais.
O correio da cidadania fez uma entrevista com o ex-diretor da transpetro com críticas construtivas ao modelo de investimento mantido pelo governo do PT nesses oito anos, sem esquecer que nesse período houve aumento do salário mínimo, diminuição da pobreza e etc.
Porém, é preciso lembrar que a questão da imprensa é APENAS um dos direitos fundamentais consagrados na CF-88 que ainda não foi conquistado plenamente. MESMO depois do PT ter governado o Brasil por 8 anos.
Quem é um pouco mais informado sabe que a carta ao povo brasileiro foi a garantia de gotas aos miseráveis (e nesse sentido as gotas são como água em abundância no deserto!) e CATARATAS para as mega empresas.
Nesse sentido, creio que o Azenha tem feito um trabalho melhor de jornalismo.
Aproveitando o gancho e já que esse povo do preconceito adora “títlus”:
1. FHC só quis ser Presidente pra ganhar e ir receber “títlus” Honoris Causa de Universidades estrangeiras tudo por conta do cargo e poder exibir as 03 frases em francês que ainda sabe falar. Pois o Exmo. Sr. Presidente Lula já recebeu mais de 40 durante seu mandato Não os foi receber ainda porque “só viaja a trabalho”. Vai passar os próximos dois anos viajando pra receber. E FHC pedindo para Serra fazer bolinhas-de-papel para ele comer a cada título que o Lula reeceber… aos poucos.
2. E continuando na linha “títlus”, vale sempre a pena recordar a vida e palavras de um Prêmio Nobel que tem muito a ver com nosso querido Exmo. Sr. Presidente Lula:
“O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever…”
http://goo.gl/6pBcZ