Os segredos do tucanoduto. Civita: ‘Serra me usou’

publicada segunda-feira, 17/09/2012 às 11:26 e atualizada terça-feira, 18/09/2012 às 18:35

do Blog do Mello

Faltavam catorze minutos para as 2 da tarde da última sexta-feira quando o empresário Roberto Civita, presidente da revista Veja e do Grupo Abril, parou seu carro em frente a um bar, em São Paulo. Responsável pelas mais infames acusações aos governos dos presidentes Lula e Dilma, ele tem cumprido religiosamente a tarefa de ir até esse modesto bar numa região pobre da grande São Paulo. Desce do carro, vai até o balcão e é servido com sua bebida preferida, que sorve numa talagada. Chega mais cedo para evitar ser visto pelos outros bebuns e vai embora depressa, cabisbaixo. “O PSDB me transformou em bandido”, desabafa. Civita sabe que essa rotina em breve será interrompida. Ele não tem um átimo de dúvida sobre seu futuro.

Nessa mesma sexta, Civita havia organizado em mega-encontro, com mais de mil empresários do Brasil e do exterior. Chamou o ilustre economista Paul Krugman e também o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Ambos confirmaram presença. Mas, em cima da hora, a presidente arranjou uma desculpa para não comparecer e o ministro abandonou a mesa de debates, sem dar satisfações. “Ali, foi selado meu destino” – acredita Civita.

Pessoas próximas ao empresário afirmam que Civita teria responsabilizado o candidato tucano à prefeitura de São Paulo, José Serra, pelo vexame que deu em público. Meneando a cabeça, ele saiu exclamando para quem quisesse ouvir: “Eu avisei ao Serra que ia dar merda! Eu avisei!”.

Apontado como o responsável pela engenharia que possibilitou ao PSDB e até recentemente ao DEM montar o maior esquema de espionagem, baixaria e calúnia da história, Civita enfrenta um dilema. Nos últimos dias, ele confidenciou a pessoas próximas detalhes do pacto que havia firmado com os tucanos. Para proteger os figurões, conta que assumiu a responsabilidade de cometer crimes que não praticou sozinho, mas com a ajuda de Carlinhos Cachoeira e seu grupo de arapongas, que faziam as “reportagens investigativas” de Veja, para defender interesses dos demo-tucanos. Civita manteve em segredo histórias comprometedoras que testemunhou quando era o “predileto” do poder, relacionadas à privataria e aos escândalos da área de saúde do governo FHC, comandada por José Serra. Em troca do silêncio, recebeu garantias. Primeiro, de impunidade. Depois, quando o esquema teve suas entranhas expostas pela Polícia Federal, de que nada aconteceria a ele nem a Demóstenes Torres. Com a queda de Demóstenes, logo após a prisão de Cachoeira, além de ter a equipe da revista desfalcada, Civita tentou um último subterfúgio para não naufragar: mandou fazer uma capa de destaque com a presidente Dilma.

Serra ficou enfurecido e o ameaçou. “Ele disse que abriria o jogo e mostraria que por trás de Carlinhos Cachoeira estava Policarpo, e por trás de Policarpo, eu”.

Civita guarda segredos tão estarrecedores sobre o tucanoduto que não consegue mais reter só para si — mesmo que agora, desiludido com a falsa promessa de ajuda dos poderosos que ele ajudou, tenha um crescente temor de que eles possam se vingar dele de forma ainda mais cruel. Os segredos de Civita, se revelados, põem o ex-presidente FHC e José Serra no epicentro do maior escândalo de corrupção da história, a privataria tucana. Puxado o fio da meada, vêm juntos o caso Banestado, o Proer, a venda da Vale, o Fonte Cindam, a lista de Furnas. Sim, e, no comando das operações, Serra. Sim. Serra, que, fiel a seu estilo, fez de tudo para não se contagiar com a podridão à sua volta, mesmo que isso significasse a morte moral e política de companheiros diletos. Civita teme, e fala a pessoas próximas, que se contar tudo o que sabe estará assinando a pior de todas as sentenças — a de sua morte: “Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo até hoje”. (continua amanhã)

(O Blog diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações)

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11 Comentários

11 Comentários para “Os segredos do tucanoduto. Civita: ‘Serra me usou’”

  1. Cristina disse:

    O Roberto joga farinha no ventilador…entrega esses mafiosos…

  2. Ligia Pardi disse:

    Com tantos “indícios” será que o juiz barbosa vai convocar o Civita e condená-lo também?

  3. Nilson disse:

    Muito bom pra ser verdade!

  4. Elizete disse:

    É… nesta vida agente colhe o que planta, com certeza este senhor está colhendo seus frutos. Deus tarda, mas não falha.

  5. Simas Mayer, Hebert disse:

    … esse civita é um pândega. Então, foi o zé cerra q o usou? A mim, q não leio a mídia, maldita, parece q ele, civita, esta usando o zézinho… Qual é? Esse pessoal mente, tanto, q os acho os maiores “criadores”. do Brasil. Uns artistas. Noooossa!… Não existe vaga nos presídios federais, pra essa turminha, tda e a bandidagem, juntos. Depois, esse pessoal pode corromper a bandidagem, heim? Pô! Q problemão.

  6. Darcy Brasil Rodrigues da Silva disse:

    A “anti-matéria” foi boa,Rodrigo. Um exercício de ficção e de terapia contra esses tempos de ódio cada vez mais a flor da pele.

    Sou uma pessoa pacífica que jamais mataria um rato:nesse caso, sempre convocaria um agente da Conlurb para fazê-lo.Isso porque, se o fizesse com minhas próprias mãos,me mataria o remorso. Peno, entretanto, por causa da falta de uma compreensão mais ampla da Conlurb para me desfazer de outros ratos, roedores não de queijo, mas dos mais elementares princípios éticos. Destes ratos bípedes, Maquiavel se envergonharia e, indignado, retrucaria que não tencionava recomendar precisamente isso que fazem os deploráveis roedores de duas patas,quando propusera que “os fins justificam meios” , até porque jamais dissera isso literalmente.
    Se a Conlurb não pode me socorrer contra tais ameaças, me acudiu,entretanto, o sonho. E assim foi que, finalmente, o vi ser indiciado. Em seguida, julgado, respeitando-se curiosamente “o devido processo legal” (fiquei realmente reconfortado ao me ver sonhar com tanta dignidade, com tanto “pudor garantidor”). O réu (ou o rato, como queiram) foi, não obstante, condenado por unanimidade ,por formação de quadrilha, associação com o jogo ilegal e tentativa de golpe contra um governante democraticamente eleito .Há aqui,porém, uma curiosidade: como sempre nos acontece, não me lembra o sonho todo.Assim não seria capaz de descrever os argumentos da defesa e da acusação. A curiosidade reside precisamente no formato inusitado assumido pelo julgamento. Este foi conduzido pelo apresentador Faustão que ( essa parte eu consigo me lembrar) interrompeu várias vezes a apresentação, tanto da defesa quanto da acusação e também das testemunhas de ambas, com gracinhas que só a ele fazem rir e com seu jargão predileto, ou seja, “Ô louco,meu!”. Em prosseguimento, concedeu à platéia-júri o poder de decidir o destino do rato ( ou réu, como o queiram).Tal platéia elevada à condição de supremo juiz era formada por precisamente 100 gêmeos de cada um dos 11 juízes de nosso “egrégio” Supremo Tribunal Federal ( sim, satisfazendo já a curiosidade que certamente despertei, afirmo que todos os 100 Barbosas queixavam-se de dores na coluna e todos, cada um com o seu respectivo cada um ,em uma relação rigorosamente biunívoca, discutiram acaloradamente com os 100 gêmeos de Lewandoviski ,numa incontrolável algazarra que fez Faustão, talvez pela primeira vez de forma realmente sincera, exclamar, quase exasperado: “Ô louco, meu!!”). Veio , então, a surpreendente sentença: o rato-réu, se roendo por dentro ( confesso que isso não ocorreu em meu sonho, mas adveio apenas de minha incorrigível mania de fazer trocadilhos, mesmo em uma situação trágica como a que se verá a seguir) ouviu-a estupefato.Sim,como já o sabem, os 1100 juízes consideraram-no culpado, tal como lhes disse antes. Até aí nada de mais, afinal tratava-se de um sonho e não de um pesadelo. Porém, inesperada seria a sentença (depois de ter tomado conhecimento dela descobri que efetivamente muita crueldade reprimida pelo nosso senso moral existe infelizmente dormitando dentro de nós): o rato ( ou o réu) deveria ser alimentado por autofagia até que se auto-consumisse integralmente, quando então seria declarado não o seu óbito, como de costume, mas sua autodigestão completa, coisa jamais suposta antes sequer pelo mais imaginativo biólogo.Ouvida a sentença implacável e aterradora, o rato-réu se foi desolado conduzido para sua gaiola especial.Porém,no meio de sua caminhada, parou subitamente, virou-os para mim os olhos incrédulos como se pedisse o “perdão presidencial” (não me perguntem por quê! Talvez o medo o tivesse induzido a uma dupla confusão: a primeira, a de que estivesse sendo julgado nos EUA e, a segunda, que fosse eu não eu mas Obama).Depois disso,entretanto, perdeu-se a sequência ,pois foi nesse exato momento que acordei…Desperto,ainda meio enebriado pela doce ilusão ,olhei pela janela de meu quarto e reparei que o dia estava lindo como nunca dantes. Beja-flores beijavam as flores. Bem-te-vis viam que, naquele manhã, tudo se via bem. Sabiás pareciam que sabiam que algo havia talvez mudado,pois quem sabe eu não houvesse sonhado, mas apenas sublimado um fato de fato ocorrido, supondo que tivesse acordado na hora precisa em que,ao contrário,houvesse dormido.

  7. Maralina Matoso disse:

    Nossa, muitos não entenderam….rsrsrs
    Mas, que bom seria se isso ocorresse.
    Aliás, este texto deveria circular por toda blogosfera. Quem sabe assim, as pessoas que não são tão engajadas e acreditam no “esgoto”, não se tocam do que aconteceu realmente.

  8. Maralina Matoso disse:

    Rodrigo, Muito difícil comentar no seu blog.
    Até acertar as palavras chave…demora…rs
    Não dá pra saber se tem que colocar espaço entre elas, se exatamente do jeito que aparecem, com maiúsculas ou minúsculas…depois de algumas tentativas, a gente acerta, caso não desista.

    Bjs.

  9. Romyna Lanza disse:

    Sacada genial!

    Rodrigo, publique as continuações da matéria.

  10. Paulo Gonçalves disse:

    Um brinde ao Civitta, que merece um cálice do próprio remédio.

    Estas reportagens ” investigativas” merecem continuidade!

  11. Valdete Lima disse:

    Que maravilha! Li ao som de ”Over the Rainbow”. Um dia a casa cai. Ninguém segura mais o Brasil e as descobertas que estão por vir. Vou cuidar mais da saúde para assistir tudo de camarote!

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