Análise: o voto da nova classe C
publicada sexta-feira, 30/07/2010 às 09:00 e atualizada segunda-feira, 02/08/2010 às 00:17
Para analista, nova classe C é poderosa, mas não homogênea, na hora do voto
Por Mariana Jungmann, da Agência Brasil
Brasília – Com a saída de 9,5 milhões de pessoas da indigência e de 18,4 milhões da pobreza entre 2004 e 2008, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os candidatos brasileiros se deparam este ano com um novo perfil eleitoral no país. Na avaliação de especialistas, esses eleitores agora terão preocupações diferentes na hora de votar.
Para o cientista político da Universidade de Brasília David Fleischer, quem antes trocava o voto por um prato de comida nas eleições, poderá agora demonstrar preocupações menos imediatistas. “Essas pessoas que tiveram uma ascensão social estarão mais preocupadas em preservar algum patrimônio. Elas provavelmente mudaram o lugar de moradia, seus filhos agora estudam, e elas estarão preocupadas com essas coisas”, disse.
Na opinião de Fleischer, esses eleitores podem se tornar mais maduros no que se refere a questões como educação e saúde. Outro reflexo que pode ser sentido, segundo ele, é o de um maior conservadorismo ao analisar as propostas dos candidatos. “Esse ex-pobre tende a estar mais preocupado com questões como segurança pública e invasões de terra, e menos preocupado com os outros que continuam pobres”, avalia o cientista político.
O economista e pesquisador do Centro de Estudos Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marcelo Nery concorda que a chamada “nova classe C” irá imprimir mudanças no perfil dos eleitores no pleito de outubro. Segundo ele, os cidadãos que se enquadram nessa categoria já somam aproximadamente 50% da população e poderiam escolher sozinhos as eleições se votassem num único candidato.
“É uma classe poderosa, mas não é homogênea”, ressalva o economista. Nery concorda que esses eleitores devem se mostrar mais exigentes na escolha do votos agora e tendem a ser menos vulneráveis à manipulação eleitoral. “Quando as pessoas saem da condição de miserabilidade, mudam o horizonte delas”, afirmou.
Esses resultados, de acordo com o economista, não são fruto apenas do aumento direto da renda – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média do trabalhador brasileiro subiu de R$ 1.694, em 2001, para R$ 1.808, em 2007. O crescimento constante da escolaridade – que começou há mais tempo, segundo ele – tem influência mais significativa na consciência eleitoral.
“O brasileiro fez o seu dever de casa e pôs o filho na escola. Se você olhar e ver que coisas mais estruturantes como a educação estão crescendo junto com a renda, isso permite vislumbrar no futuro um nível maior de consciência e, no presente, um número menor de oportunismo”, explicou.
O pesquisador da FGV disse ainda que o processo de amadurecimento é natural quando se atinge um período longo de democracia, como está acontecendo agora com o Brasil. “Como democracia é uma coisa que se pratica, vamos começar a ver o resultado disso”, afirmou Nery.
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6 Comentários




Muito simpatico e trabalha no brasil. Mas esse analista politico pra mim ainda pensa com a cabeça de americano.
O caboclo aprende rapido e tem uma longa experiencia de desconfiança com os ricos e os coroneis na politica e nas posiçoes de mando. NAO vai trocar um Lula – que é um igual- e Dilma que é quem o representa no momento – por um discurso anti-Contag e anti-MST. Mesmo porque nao acredita nem no Pig nem na filosofia diluida do PIG.
É pertinente essa análise, posto que nenhuma classe social é homogênea, com um detalhe de que a classe média, a rigor, é vulnerável aos discursos moralistas.
Cadê o livro “Os Porões da Privataria” do Amaury Jr? Nenhum blog fala mais nele !!! Blogueiros, vamos cobrar o livro em todos os blogs, senão ficaremos como mentirosos diante das pessoas as quais refutamos por email a tese do dossiê, afirmando o que os blogs noticiaram como sendo um livro que iria ser lançado após a copa do mundo. Abraços
“Esse ex-pobre tende a estar mais preocupado com questões como segurança pública e invasões de terra, e menos preocupado com os outros que continuam pobres”, avalia o cientista político.
De onde será que esse cidadão tirou isso? Quem pensa assim é a classe média. O pobre, em sua maioria, tendo ascendido, tende a manter laços com os amigos e os familiares que continuarem na pobreza. As chances de haver solidariedade neste universo é muito maior do que na classe média, historicamente individualista. As chances de José Serra emplacar votos na emergente Classe C são muito pequenas.
Caro Rodrigo, esta está no “Tijolaço” do grande Brizola Neto:
A piada tucana do dia
sexta-feira, 30 julho, 2010 às 16:03
O “preparado” Serra (só se for preparado em baixarias e mentiras) pode disputar a eleição presidencial sem um programa de governo. Depois de registrar como programa dois discursos de campanha, o tucano prometeu apresentar algo mais elaborado com a colaboração dos eleitores, mas daí pode resultar o nada, como admitiu o coordenador nacional de seu programa, Francisco Graziano Neto, ao jornal Diário de Pernambuco.
Para receber sugestões, Serra criou em seu site um espaço para “um programa de governo colaborativo”, mas não deve ter tido muito sucesso, pois Graziano confessou que o comando da campanha cogita nem divulgar uma proposta efetiva. E sabem o que alegou para que o tucano fique sem um programa de governo? “A turma da Dilma copia”.
Depois que for derrotada no dia 3 de outubro, a equipe de campanha de José Serra pode tentar se candidatar a um programa de humor. É uma piada por dia. Ontem, foi ele se dizendo um homem de esquerda. Hoje, é seu coordenador de programa dizendo que podem não divulgar nenhum programa programa porque a “turma da Dilma” vai copiar.
Acho que poderiam editar um programa com páginas em branco e um título bem bonito: “Com Serra, o Brasil pode nada”.
A analise mais realista é a do Bruno Ribeiro. Muitos analistas filosofam sem conhecer os valores, a solidariedade, o prazer em partilhazar que os podres tem. Estão empreguinados c/ o egoismo e individualismo da classe média.