Pomar: combates que o PT precisa travar

publicada sexta-feira, 26/11/2010 às 21:00 e atualizada segunda-feira, 29/11/2010 às 15:00

COMEMORAR MUITO, MAS DE SANDÁLIAS

por Valter Pomar

Nossa avaliação das eleições presidenciais de 2010 deve começar sempre com uma tripla comemoração e com um forte agradecimento. Comemoração pela continuidade do processo de mudanças iniciado em janeiro de 2003, pela eleição da primeira mulher presidente da República e por termos derrotado mais uma vez a direita demotucana. Agradecimento ao povo de esquerda, especialmente ao povo petista, milhões de brasileiros e brasileiras, alguns anônimos, outros nem tanto, que perceberam o perigo e foram à luta, sem pedir licença, sem pedir ordem, sem pedir autorização e sem precisar de orientação. Foi principalmente este povo que ganhou a eleição presidencial, e não governantes, candidatos, dirigentes, coordenadores ou marqueteiros.

Devemos agradecer e comemorar, mas sem descuidar de um balanço crítico e autocrítico do processo.
Este balanço deve começar lembrando que vencemos com uma bandeira: dar continuidade à mudança. Como lembrou a própria Dilma, como recebemos uma “herança bendita”, nossa única alternativa é aprofundar as transformações.

Ocorre que para vencer, enfatizamos a continuidade e debatemos pouco as mudanças. O tratamento dado ao programa do Partido e ao programa do coligação é apenas mais um sintoma disto. Debatemos pouco as mudanças, mas o cenário do governo Dilma será muito diferente do que prevaleceu entre 2003 e 2010. Noutras palavras: a mudança na realidade já está acontecendo, embora não tenhamos debatido em profundidade as mudanças que teremos que fazer na nossa política, para enfrentar esta nova realidade.

As mudanças já se deram e continuarão ocorrendo em três níveis principais.

Internacionalmente, o cenário será dominado não apenas pela crise e instabilidade econômica, mas também por cada vez maior instabilidade política e militar.

Nacionalmente, a direita vai dar continuidade ao tom radical assumido na campanha eleitoral.Ao contrário do que alguns pensavam, o PSDB é o partido de direita e da direita. Demonstrando uma vez mais a periculosidade da proposta da “aliança estratégica” com o PSDB, feita entre outros por Fernando Pimentel, com os resultados já conhecidos em Minas Gerais.

A terceira mudança é a seguinte: nos marcos da atual estrutura tributária e macroeconômica, não será mais possível ampliar significativamente os investimentos econômicos e sociais. Ou reduzimos substancialmente os juros, ou fazemos algum tipo de reforma tributária, ou interrompemos o crescimento dos investimentos, ou…. Em qualquer caso, tudo aponta para a agudização do conflito redistributivo no país, seja tributário, salarial, seja pela alta nos preços, pela alta dos juros etc.

Para dar conta destas mudanças, que conformam um novo cenário, teremos que enfrentar e superar três impasses estratégicos.

Primeiro: a política de melhorar a vida dos pobres, sem tocar na riqueza dos milionários, reforça o preconceito de uma parcela dos setores médios contra nós. Pois na prática estes setores perdem, em relação aos pobres, especialmente em termos de status.

Segundo: melhorar a vida material dos pobres, sem melhorar em grau equivalente a sua cultura política, deixa uma parcela dos que melhoraram de vida sujeitos à influência das igrejas conservadoras e do Vaticano, dos meios de comunicação monopolistas e da educação tradicional. Aqui vale ressaltar que a disputa de valores faz parte da disputa política. Não percebe isto quem acha que fazer política é “administrar”, esquecendo que a “percepção das obras” é mediada pela ideologia, pela visão de mundo, pela luta política.

Terceiro: o PT ganhou sua terceira eleição presidencial, mas ao mesmo tempo enfrenta cada vez mais dificuldades para hegemonizar o processo.

Estas dificuldades ficam claras quando analisamos o papel do PT na campanha, na composição do novo governo, na relação com aliados, na relação direta e cotidiana com o povo etc.
 
Quais são as principais dificuldades do PT?

Primeiro, a terceirização de parte de suas atividades dirigentes, seja para a bancada, seja para o governo, seja para o Lula. Há uma crescente distância entre a influência moral e eleitoral do PT, vis a vis a capacidade efetiva de direção de nossas instâncias.

Segundo, o empobrecimento de nossa elaboração ideológica, programática e estratégica. É preocupante o descompasso cada vez maior, entre a complexidade das questões postas diante de nós, no mundo, na América Latina e no Brasil, vis a vis nossa capacide de refletir coletivamente sobre estes assuntos.

Terceiro, há um processo de “normalização” do PT, de integração ao establishment. Durante muitos anos, o PT cumpriu um papel civilizatório na política brasileira. Pouco a pouco, por diversos motivos, entre os quais o financiamento privado das campanhas eleitorais, fomos nos adaptando a certos hábitos e costumes da política brasileira, dos mais ridículos aos mais graves, entre os quais tratar a eleição como mercado de votos.

Ou reagimos a isto e voltamos a cumprir –como Partido– um papel civilizatório, reformador e em alguma medida revolucionário nas práticas e costumes da política, ou estaremos fazendo o jogo da direita e da mídia que dia e noite nos calunia.

O que falamos antes ajuda a explicar alguns dos motivos pelos quais uma parcela importante da juventude não se identifica mais conosco. Grandes parcelas da juventude podem ser ganhas por nós, se adotarmos práticas distintas, combinadas com projeto de futuro, ideologia, visão de mundo, programa transformador. Se não fizermos isto, teremos inclusive problemas eleitorais, pois na próxima eleição e na outra, não adiantará comparar nosso governo com o passado, pois para os mais jovens, nós também fazemos parte do passado.

Aqui vale destacar que nossa integração ao establishment não se dá como decorrência automática de nossa conversão em partido de governo. Aliás, ironicamente, as vezes nossos governos são o que há de mais inovador e atraente; enquanto nossas instâncias partidárias vão se transformando em “agências reguladoras” de nossa participação nos processos eleitorais, burocratizadas, sem vida, controladas por esquemas cada vez mais tradicionais.

A quarta dificuldade que enfrentamos está em nossa relação com os aliados.

Precisamos de aliados para vencer eleições e para governar. Mas, nas atuais regras do jogo, a mesma política de alianças que parece cumprir um papel positivo na nossa vitória nacional, não parece contribuir para um salto no tamanho de nossas bancadas parlamentares e no número de nossos governos estaduais. Isto, mantidas as atuais regras do jogo, nos condena a um teto, a um limite de crescimento. E, sem maioria de esquerda no Congresso, qualquer discussão sobre reformas profundas pela via institucional será apenas isso: discussão.

A este problema, cabe agregar um detalhe: apesar de nossa política de alianças, o antipetismo cresce entre os aliados, assim como cresce na sociedade.

Em decorrência das mudanças, impasses e dificuldades que citamos antes, entendemos que a direção nacional deve priorizar o debate sobre a estratégia e a tática do Partido, da qual decorre a política que defendemos para o conjunto do governo, da qual podemos deduzir os espaços que achamos devam ser dirigidos pelo PT. E não, como parecem pretender alguns, começar e terminar o debate pelos tais “espaços”.

Na nossa opinião, o Partido deve priorizar quatro temas em 2011: a reforma política, a democratização da comunicação, a reforma tributária e a reorganização do PT.

Em resumo: com a eleição e posse de Dilma, a mudança continua, mas a disputa também.

Continua a nossa disputa contra o neoliberalismo, que não está morto, como se depreende do lobby do setor financeiro em favor de Meirelles, de Palocci, do ajuste fiscal e da alta de juros, para não falar do que ocorre no G20, na Europa e nos EUA.

Continua a nossa disputa contra o desenvolvimentismo conservador, aquele no qual as empresas capitalistas crescem, sem que haja mudanças estruturais na distribuição de poder, renda e riqueza.

E continua a disputa deles contra o PT. Disputa que vamos vencer, se abandonarmos as ilusões no inimigo, a defensividade absoluta e certo medo de sustentar nossas posições históricas e corretas, por exemplo em favor da democratização da comunicação.

A disputa contra o PT é uma disputa em torno do conteúdo da mudança que está em curso no Brasil. É uma disputa de hegemonia. E disputar hegemonia não é igual a fazer concessão, não é igual a ceder ou a recuar sempre. Disputar hegemonia é o contrário disto. Disputar hegemonia é travar uma luta cotidiana e permanente em defesa dos nossos valores, da nossa visão, do nosso projeto de mundo e de Brasil.

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22 Comentários

22 Comentários para “Pomar: combates que o PT precisa travar”

  1. Luiz Hara disse:

    Esse também enfrentou a ditadura militar de frente, não baixou a guarda. Não fugiu como fez Serrojas e FHC(e similares). Continua muito lúcido como sempre, e expressa fielmente o ponto de vista de esquerda, democrática, de inclusão social e humanização do humano.

  2. Nelson Quintanilha disse:

    Manda prá Dilma.

  3. Messias Franca de Macedo disse:

    … A esse processo de repensar e refundar o PT – propugnado pelo Valter Pomar – brotará a possibilidade de superação do atual modelo petista de governar e de interagir com a sociedade. Se o PT hegemonizar o seu protagonismo histórico contemporâneo no bojo da governabilidade em detrimento dos seu papel revolucionário além do poder, o apelo midiático à propalada ‘alternância do poder’ poderá nos conduzir a sérios retrocessos… O neto do “dotô” Tancredo será a bola da vez da direitona em 2014…

    Messias Franca de Macedo
    Feira de Santana, Bahia
    Transição República de Nós Bananas/Brasil Nação

  4. Pedro Luiz Maboni disse:

    Caro Companheiro Valter Pomar:

    Sou professor e filiado o do PT desde o tempo em que era necessário fazer curso de formação política para ingressar no partido. Tenho avalhação semelhante a tua. Estamos nos transformado numa versão atualizada da velha prática política, “um grande toma-lá-da- cá mercantil”. O PT precisa enfrentar isso urgentemente, do contrário “as mudanças NÃO vão continuar”, irão parar.
    Quero parabenizá-lo pelo texto que nos ajuda pensar criticamente sobre quem somos hoje e omo estaremos no futuro. Um grande abraço…

  5. Manoel Mecias disse:

    Pomar,concordo plenamente com você e com outros que pen-
    sam assim que nem você.Não devemos recuar e nem fraquejar
    da idéia que temos que avançar mais seja qual for o resul-
    tado.Sabemos que temos que avançar as barreiras que temos pela frente.Se não vamos passar pela frente por vários o-
    bstáculo.A burguesia deste país não querem dar mais do
    que este copo com água que o Governo LULA nos proporcio-
    nou,algo que em 500 anos de Brasil nunca aconteceu.Que-
    remos mais,é ums dívida que temos que cobrá-la.O momento
    é agora,porque o amanhâ pode ser muito tarde.Viva o avanço
    da igualdade para todos!Viva as esquerdas e os progressis-
    tas deste país.Parabens pelo artigo,muito elucidativo!

  6. Eason Nascimento disse:

    O PT tem se afastado ao longo dos anos de suas principais bandeiras. Em nome da necessidade de vencer as eleições, e da “governabilidade”, o partido tem se descarterizado. Se faz portanto, como diz Pomar, repensar o partido. Não confundir com o “refundar” do Aécio, se referindo ao combalido PSDB.
    http://easonfn.wordpress.com

  7. Fátima Soares disse:

    É muito difícil governar com justiça em uma sociedade governada pela economia do capitalismo, que por definição se alimenta do injustiça. Essa contradição é a raiz da enorme dificuldade de um governo do PT e exige as ações que o artigo enumera. Sabemos o caminho e precisamos enfrentá-lo.

  8. O PT corre um sério risco de perder poder político no próximo Governo e o texto mostra isso. Gostaria de complementar com um fato que está acontecendo neste exato momento.

    Fernando Haddad é um ministro desgastado no atual governo. O PT não o deseja na próxima administração, já manifestou isso de maneira clara diversas vezes e possui quadros competentes para substituí-lo. Entretanto, o que se ouve pelos órgãos de imprensa é que ele permanecerá no cargo quase por um capricho do Presidente Lula.

    Ora, se o PT não consegue influenciar o Governo na troca de um nome desgastado no ministério, como espera pautar o debate político em temas mais complexos ou em que tenha menor poder de barganha?

  9. sergio disse:

    Isso mesmo, cuidado redobrado com o PMDB, e fora com o Jobim.

  10. O PT, desde a década de 80, optou por se desenraizar do movimento popular. Sumiu dos sindicatos, asssociações e demais organizações dos trabalhadores. O preço a pagar pode ser muito alto. A desastrosa aliança PSDB, PSB e PT na prefeitura de BH é só um exemplo.

    As forças em jogo são vetoriais, e não aritméticas. O PMDB, por exemplo, não puxa para o mesmo lado que o PT. Certas alianças viram cabo de guerra. E o PT

  11. Complementando:

    E o PT perde. A principal aliança é com a população, e não com políticos de centro-direita.

  12. Denize Lial / Sbo-SP disse:

    Sou militante do PT e companheira de tendência interna de VP. Nem tanto pela ideologia que representa, mas pela sua capacidade de colocar o dedo na própria ferida. Não faço análises profundas e de nível intelecto como VP, mas pensamos, desejamos, criticamos, almejamos, sonhamos o mesmo sonho, com tonalidades diferentes. O que nos fortalece no PT, o que fortalece a Esquerda Petista, é que temos em comum não só os mesmos sonhos, mas as formas de realizá-los, de alcançá-los. O PT, vem se desfazendo desde o início dos anos 90, embora na época,a Esquerda interna não percebeu isso, e quando percebeu, já era tarde. O Militante anônimo, aquele que fazia o PT presente nas ruas, nas casas, no metrô(SP-berço do partido), de repente passou a ser alvo da estratégia de “imagem do partido” diante das classes E/D/C – por ironia, a que o partido não conseguia fazer-se entender com muita clareza. A classe B , já apoiava o PT. Foi assim que a Erundina (hoje Deputada Federal pelo PSB-SP) ganhou a prefeitura da Capital para o PT em 1989, o que não foi pouca coisa. Afinal a Capital Paulista é como a Vila Cruzeiro e o complexo do Alemão(RJ) – ponto de honra tanto para a direita quanto para a Esquerda (desculpem pela comparação). A vitória da Erundina, até hoje é para mim a maior vitória do PT e não se deu com a “imobilização” da militância, pelo contrário: se deu pelo trabalho silencioso do dia-a-dia, de prédio em prédio, de estacionamento em estacionamento, de casa em casa, nas escolas, nas estações do Metropolitano de SP. Foi assim que o PT chegou à Prefeitura de SP e depois dessa vitória, a 2a maior vitória do PT, na minha visão claro, é o governo da Bahia por Jaques Wagner – onde literalmente sentou no colo do ACM (“coronel” Antonio Carlos Magalhães)em plena sala da Casa Grande, tanto que o Toninho Malvadeza não resistiu e partiu pra outra. Dilma de fato só ganhou o 1º turno por causa do LULA. Mas é claro, notório e surpreendente que a DILMA ganhou o 2º turno. Dilma, mais do que ganhar a eleição com 56% dos votos válidos, ganhou uma guerra, ganhou de novo de seus torturadores, incluindo aí o mais vil deles: BENTO XVI – a este sim cabe a máscara de Lúcifer, que José Serra, após a coragem de ex-alunas de sua mulher e da bolinha-de-papel, não teve outra alternativa, se não o desespero ao nível máximo. Ainda assim, vimos a “surpresa” de vários dirigentes petitstas diante do esgoto do inimigo. o PT sempre teve disso: muitos “inocentes” à frente do Partido. Coisa impressionante.

  13. juarezz da silva campos disse:

    Muito bem, o PT só não pode voltar para as reuniões infindáveis e que nunca dão em nada. Temos que aprender a fazer coligações e tirar delas os benefícios necessários, sem abrir mão de pensar o país para nosso povo. Dentro do PT também há uma elite que manda e não pede e nem sempre o que ela pensa é o pensamento da militância. Quem quer tirar o Hadad? Alguma facção do PT que quer seu lugar? Alguém interessado em um cargo?

  14. Denize Lial / Sbo-SP disse:

    …apenas um comentário para o internauta Rafael Garcia Barbastefano: É lamentável que um jovem como você ache mesmo que Fernando Haddad está desgastado. Quem pensa assim, inclusive o “fogo amigo”, não entende, não encherga, não compreende o que é a revolução no Ministério da Educação, comandada por Fernando Haddad. O Brasil sofreu 2 atentados contra o Estado de direito, contra o Estado democrático e o alvo foi o Ministério da Educação, porque ao contrário de pessoas como você, os inimigos do Brasil e do Povo, entendem, enchergam e compreendem a revolução de Fernando Haddad. Desejo imensamente que ele continua à frente da Pasta.

  15. Angela Lacava disse:

    Não sou filiada ao PT mas tenho votado insistentemente no PT com objetivo de , pelo menos, equilibrar as forças dentro do congresso e na política como um todo. Me pergunto como qualquer partido de esquerda no mundo pode cooptar pessoas e eleitores para suas hostes programáticas num cenário em que mandam(manipulam) nas comunicações e, mesmo no mundo, as corporações. São elas que ditam a agenda política, social e cultural nos países.A meu ver isso explica a razão pela qual eleitores votam contra si mesmos quando escolhem os representantes das corporações. Penso que o maior desafio dos partidos ditos a esquerda é ensinar as pessoas, desde pequeninas, quem defende os interesses do planeta e das pessoas, de fato. Como convencer as pessoas de que o modelo capitalista é naturalmente excludente quando existe uma cultura, criada pelas corporações, que diz que o bom é a liberdade de decidir e empreender dentro desse modelo? Como convencer as pessoas que temos que partilhar sempre? Que não devemos ser individualistas e egoístas?
    Espero ansiosamente respostas a essas perguntas por que entende de política partidária.
    Angela

  16. Scan disse:

    Acredito que esteja aqui a grande e principal mazela do PT:

    “Segundo: melhorar a vida material dos pobres, sem melhorar em grau equivalente a sua cultura política, deixa uma parcela dos que melhoraram de vida sujeitos à influência das igrejas conservadoras e do Vaticano, dos meios de comunicação monopolistas e da educação tradicional. Aqui vale ressaltar que a disputa de valores faz parte da disputa política. Não percebe isto quem acha que fazer política é “administrar”, esquecendo que a “percepção das obras” é mediada pela ideologia, pela visão de mundo, pela luta política.”

    Se isto não for estornado, elegeremos um Berlusconi nas próximas eleições. A de 2010 já foi suada e desgastante. Creio que basta como exemplo.
    Mas com a estrutura do PT, com gente VAGABUNDA e INCOMPETENTE como o Dutra à frente, não vai resolver isso, não.

  17. Claudio Mario Leal Passos disse:

    Caro Valter Pomar,

    O PT encerrou um ciclo transformador da vida política brasileira com a eleição do Lula de 2002. A perda de quadros para o governo Lula, a necessidade de dar apoio ao governo que se instalava em Janeiro de 2003, o distanciamento das bases partidárias, a ausência de uma discussão critica sobre os rumos do governo Lula e por fim o “Lulismo” que se sobrepos aos partidos de um modo geral, reduziram o PT a uma “Máquina de Ganhar Eleições”.
    No bojo de uma reforma política que se anuncia para 2011 teremos um “Derradeira Oportunidade” de refundar o partido diante dos desafios do século XXI.
    Estamos preparados para esse desafio ?
    Como um velho militante da esquerda, digo que não.

  18. NeoPT disse:

    O PT desde 2003 – com a eleição de LULA – deu uma guinada nos seus objetivos como partido político, esquecendo de sua história e principais propostas, como a redistribuição de renda, por exemplo.
    Mas o que vimos nesses oito anos de governo foi o surgimento do NeoPT. A partir da carta aos banqueiros (apelidada de Carta ao Povo Brasileiro), o NeoPT disse que sepultaria o PT e suas propostas dignas de um partido que pensa num país com maioria – POVO – soberana.
    É usual pensar que a esperança ainda vai vencer o medo e o PT vai vencer o NeoPT. Ledo engano!
    Lula garantiu a aliança da governabilidade baseada na manutenção das estruturas que fazem do Brasil um dos campeões em concentração de renda, violencia de todo gênero e proteção judicial para os mais ricos.
    Basta ver como a economia foi conduzida pelo regime de metas de inflação via juros altos pelo presidente do BC de FHC para ver que o NeoPT é neoliberal desde nascença.
    Ele nasceu em 2003.

  19. Pomar, parabens por iniciar esta discussao, que, espero, frutifique e se amplie. Nao sou petista (isto talvez nao me de autoridade pra opinar) mas concordo basicamente com tudo o que vc diz. Quanto aos comentarios, embora, evidentemente,
    nao sendo do PT, me permito discordar do companheiro que critica o Hadad, concordando com o outro que fala dos ataques sofridos pelo MEC. Ai e que esta: a direita sabe que e no MEC que pode se concentrar um pocesso cultural-revolucionario e, por isso, o ataca. Talvez o Hadad nao se tenha apercebido disso, juntamente com o PT. Entao, nao se trata de desgaste, mas da necessidade de prepepar a defesa e, logo em seguida, o contra-ataque.

  20. Joaquim Urias Sobrinho disse:

    O PT ainda é e será por um bom tempo , um partido de massas e com capacidade de mobilização das fôrças progressistas , como aconteceu com a eleição da comphanheira Dilma.Acompanho o partido desde 1985, tendo me engajado na campanha de Suplicy para prefeito em São Paulo. Como todo partido após 30 anos de formação, é claro que existem desvios de conduta, de falta de projetos coletivos definidos e um certo pragmatismo para a conquista do poder ( Ex:aliança com o ultra direitista PSC).
    É claro, que muito precisa ser mudado, mas aqueles quecriticam o partido deve seguir o exemplo de Valter Pomar que participa da direção do PT e muito contribui para que o mesmo continue sendo o maior partido de esquerda do mundo.
    Mas o PT

  21. Kazuhiro disse:

    Apesar das alianças com objetivos midiáticos, o VP tem razão, foram os militantes de base que foram às lutas.
    Foram os mata mosquitos que enfrentaram os capangas da comitiva de Serroquio, a expulsão do vice Índio de uma comunidade carioca, a passeata convocada pelo Sindipetros e FUP, a denuncia dos trabalhadores contra a gráfica das igrejas, etc.
    Portanto, a Dilma não pode esquecer de atender as reivindicações populares, de mais verbas para a educação, saúde, moradia popular, etc.

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