A fama de Pochmann e o pernil de Delfim

publicada quarta-feira, 16/02/2011 às 16:22 e atualizada quinta-feira, 17/02/2011 às 17:04

por Rodrigo Vianna

Essa história de oferecer “Cem Dias” de trégua para o governo que se inicia é um modismo que vem dos EUA, mas faz algum sentido. É um tempo mínimo para que as equipes se (re) organizem e para que as primeiras diretrizes sejam tomadas, indicando os rumos da nova administração.

O governo Dilma não chegou nem à metade dos “Cem Dias”. Ainda assim, é possível já identificar algumas tendências – não só do governo que começa, mas também do quadro político brasileiro.

Nesse primeiro texto, do que pretende ser um modesto “balanço” do início de governo, vou-me concentrar mais na economia.

Os primeiros sinais do governo Dilma indicam reversão da política “expansionista” adotada no segundo governo Lula para enfrentar a crise. O ministro Mantega, da Fazenda, teve papel fundamental em 2009 e 2010, ao adotar um programa que – em tudo – contrariava a velha fórmula utilizada pelos tucanos em crise anteriores: quando o mundo entrou em recessão, com os EUA lançados à beira do precipício, o Estado brasileiro baixou impostos, gastou mais e botou os bancos estatais para emprestar (forçando, assim, o setor privado a também emprestar).

O Brasil saiu bem da crise – maior, gerando emprego, e ainda distribuindo renda. Lula, quando falou em “marolinha” naquela época, foi tratado como um néscio. E Mantega, ao abrir as torneiras do Estado, como um estúpido economista que se atrevia a rasgar a bíblia (neo) liberal.  Lula pediu que o povo seguisse comprando. Os tucanos (e os colunistas e economistas a serviço do tucanato) diziam que era hora de “apertar os cintos”. Lula e Mantega não apertaram os cintos. Ao contrário: soltaram as amarras da economia, e evitaram o desastre. 

As primeiras medidas adotadas por Dilma vão no sentido inverso: corte de despesas estatais, alta de juros, aumento moderado do salário mínimo. É fato que a inflação em alta impunha algum tipo de medida para frear a economia. Mas a fórmula adotada agora indica um “conservadorismo”, ou “tecnicismo”, a imperar nas primeiras decisões do governo Dilma. Não é à toa que a velha imprensa derrama-se em elogios à nova presidenta, tentando abrir entre Dilma e Lula uma “cunha”, como a dizer: Lula era o populismo “atrasado” e “irresponsável”, Dilma é a linha justa (discreta, moderada, a seguir a velha fórmula liberal de gestão).

Há alguns sinais - preocupantes, eu diria – de que Dilma estimula esse movimento de proximidade com os setores mais conservadores da velha imprensa. Mas voltarei a isso no texto seguinte, na segunda parte desse balanço… 

Voltemos à economia: as centrais sindicais fazem grande barulho por conta do salário mínimo subir “apenas” para R$ 545. Acho positiva essa pressão. O movimento sindical pode – e deve – criar um espaço para mais autonomia em relação ao governo. E deve perguntar, sim: por que, na crise, o governo quebrou regras para favorecer as empresas (corte de impostos), e não pode quebrar a regra do reajuste do mínimo para dar um aumento maior? É preciso mesmo tensionar o governo, pela esquerda. Ok. Mas, modestamente, acho que a medida mais danosa adotada pela administração Dilma, nesse início, não é o freio no salário mínimo – até porque, pelas regras acertadas durante o governo Lula (o salário sobe sempre com base na inflação do ano anterior mais o PIB de dois anos antes), o mínimo deve ter em 2012 um crescimento robusto, passando dos R$ 610. O que preocupa mais é outra coisa: a alta dos juros.

Explico: o impacto de juros altos é devastador para a estrutura econômica brasileira. O aumento da taxa serve para frear um pouco a demanda (e, assim, segurar a inflação), mas tem o efeito colateral de atrair cada vez mais dólares para o Brasil. Isso é ruim? Em parte, é. Com os juros brasileiros em alta, investidores do mundo inteiro despejam aqui dinheiro que não vem pra investimento, mas pro cassino financeiro. E qual a consequência? O real fica cada vez mais forte em relação ao dólar. Já bate em R$ 1,65. Isso provoca um estrago sem precedentes na indústria nacional. Fica muito mais fácil importar do que produzir qualquer coisa aqui no Brasil.

Meses atrás, entrevistei na “Record News” o professor Marcio Pochmann, presidente do IPEA. Ele é uma das melhores cabeças do governo – cabeça que, aliás, corre riscos, porque o IPEA foi colocado sob a guarda (guarda?) de Moreira Franco, que já andou espalhando pela imprensa o desejo de demitir Pochmann. Hum… Seria mais um sinal negativo. Mas, por enquanto, não se confirmou.

Na entrevista, o presidente do IPEA dizia-me que, por causa da equação econômica que expus dois parágrafos acima, o Brasil corre o risco de se perder na fórmula fácil da “fa-ma”.

Não se trata do Big Brother Brasil. Mas de algo mais sério. A “fa-ma”, diz Pochmann, é a mistura de fazenda com indústrias maquiladoras (como as existentes no México).

Ou seja: com câmbio desfavorável (por causa dos juros altíssimos que inundam o país com dólares), o Brasil só conseguiria manter competitividade na agricultura, contentando-se com o papel de grande fazenda do mundo, a fornecer grãos e carne para chineses e europeus. Do lado da indústria, aconteceria algo parecido ao que ocorreu no México, depois de assinar o Nafta, tratado de livre comércio com EUA e Canadá. A indústria mexicana foi dizimada. Quase tudo vem pronto de fora, e o México mantem apenas “maquiladoras” para fazer a “montagem” final dos produtos (aproveita-se, pra isso, a mão-de-obra barata do país).

O Brasil tem um parque industrial sofisticado – construído a duras penas, desde a era Vargas. Nossa indústria parece ter resistido às ondas de abertura recentes. Mas tudo tem limite.

Em artigo  na “CartaCapital”, o ex-ministro Delfim Netto – a quem se pode criticar por ter servido à ditadura, mas que nunca desistiu de pensar no futuro do Brasil –  tratou desse assunto de forma incisiva:

“Não é preciso ser economista para entender uma coisa simples: cinco anos atrás, quando não se falava de desindustrialização, as condições importantes para o trabalho das indústrias eram as mesmas que são hoje. Qual é a única grande diferença entre o que tínhamos naqueles anos e o que temos hoje? É um câmbio extremamente valorizado por uma política monetária que mantém a taxa de juros brasileira no maior nível do mundo. O Brasil continua sendo aquele pernil com farofa à disposição do sistema financeiro internacional, mesmo fora da época das festas.

Todas aquelas discussões não levaram a nada: só agora os mais sabichões começam a entender que a questão-chave que o Brasil tem de resolver não é um problema de câmbio; o que resolve é construir uma política monetária que, num prazo suportável, leve a taxa de juros interna ao nível da taxa de juros externa.”

As primeiras medidas econômicas tomadas pela equipe de Dilma podem indicar um caminho perigoso, na direção da “fama” do Pochmann e do “pernil com farofa” do Delfim.

Lula e Palocci, dirão alguns, começaram do mesmo jeito em 2003, lançando os juros na estratosfera. A diferença é que o Brasil vinha de uma campanha eleitoral, em 2002, em que se tinha vendido para o mercado (ou pelo mercado) o “risco Lula”. Era preciso evitar o “risco”. Agora, Dilma encontrou o país crescendo, bem arrumado.

Os economistas de linha liberal diriam que, para baixar os juros e fugir do estigma da fama e do pernil, é preciso “primeiro” cortar os gastos públicos. É a velha lenga-lenga: “precisamos fazer a lição de casa”. Dilma fez exatamente isso, com o corte recente de 50 bilhões no Orçamento. E elevou os juros ao mesmo tempo. Eles cairão mais à frente?

Na época de Malan/FHC, a gestão liberal ficava sempre pelo meio do caminho: corte de gasto, seguido de… mais cortes de gastos. Fora as privatizações. E a hora de baixar os juros? Não chegava nunca.

Não era à toa. Juros altos garantiam o real equiparado ao dólar (“moeda forte”, lembram? Foi assim que FHC se reelegeu em 98; depois, desandou tudo).

Mais que isso: juros altos fazem a alegria dos banqueiros e daqueles que vivem de aplicar dinheiro a taxas estratosféricas, “ajudando” assim  a financiar a dívida pública (sempre crescente, por causa dos juros!). Malan, depois de deixar o Ministério da Fazenda, foi trabalhar num banco. Palocci teve sua campanha a deputado, dizem, financiada por banqueiros…

Palocci, agora, está na Casa Civil.

Hum…

O governo Dilma vai significar um movimento em direção ao centro, com a gestão “técnica” da economia – que tanto encanta colunistas e economistas tucanos?

A presença de Mantega na Fazenda parece indicar que não… Ou que “nem tanto”.

Dilma chegou a afirmar em entrevistas que uma das metas de seu governo – além de eliminar a pobreza extrema – seria trazer os juros reais do Brasil para patamares “civilizados”. Pode ser que a meta seja essa, a médio prazo.

Mas o risco é perder-se no meio do caminho.

Cinquenta dias são muito pouco para qualquer leitura definitiva sobre as escolhas de Dilma.

Mas é bom olhar com atenção para essas escolhas – especialmente na economia. E torcer para que a nova gestão não se deixe encantar pela “fama”, e nem sirva o Brasil na mesa da banca internacional – como se fosse um suculento “pernil com farofa”.

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46 Comentários

46 Comentários para “A fama de Pochmann e o pernil de Delfim”

  1. Gabriela Fernanda disse:

    Estou tordendo pra que a lua de mel entre o governo Dilma e o PIG acabe logo !!
    Para mim, aida os dois estão em lua de mel!

  2. Luis Armidoro disse:

    Rodrigo, tudo bem?

    Também observo a influência nefasta de pallocci neste governo (e de outras figuras das quais não falo o nome, porque dá azar), e me preocupa esta ressureição de teses neoliberalóides tucanas. Dilma, infelizmente, está me decepcionando

  3. Rodrigo,sobre o salário mínimo, eu sou pela primeira proposta das centrais sindicais. Eu não engulo os argumentos neoliberais adotados pelo governo Dilma; assim como não engulo certa esquerda, que parece mais interessada em defender o governo do que os interesses da classe trabalhadora.

    Agora, é bem estranho vê os representantes das sindicais vaiando os petistas e aplaudindo os tucanos.

    O PT decidiu não enfrentar os interesses e o lucro dos banqueiros. Agora ele está começando a pagar o preço.

    Eu sou de uma esquerda que não aceita ser soldado de governo nenhum.

  4. Izaías Almada disse:

    Meu caro Rodrigo,

    não me pergunte porquê, pois não saberia ainda responder, mas sinto que há no ar “alguma coisa além dos aviões de carreira”.
    Concordo que cinquenta dias de governo(ou mesmo cem)são poucos para se avaliar um governo que apenas começa, mas os sinais não são assim tão animadores, pelo menos nessa sensível área da economia.
    Indefinição sobre a Lei de Meios, Cultura sem diretrizes precisas, juros indefinidos como sempre, indícios de inflação, incoerências no Ministério da Defesa, nos permitem conjecturas otimistas? Ou não?
    A perspectiva de um governo aquem das expectativas provocadas pelos três últimos anos de Lula é simplesmente desastrosa, não só para o Partido dos Trabalhadores, mas para o país como um todo.
    Um país sem consciência política, sem consciência de sua capacidade de transformação definitiva em grande nação, é facilmente manipula´vel pela direita mais asquerosa, mas também pela esquerda irresponsável.
    Que os deuses nos protejam!
    Saudações,
    Izaías Almada.

  5. Marc disse:

    Acho que a Dilma esta certa nestes pontos, a saber:
    ajuste Fiscal, salário mínimo, retirar os benefícios criados para enfrentar a crise, etc.

    O que me incomoda é que ela esta muito isolada no palácio, Lula pode ter exagerado na exposição, mas se Dilma se afastar das ruas o PIG vai acabar com ela mais a frente.

    • Fabio disse:

      Marc, concordo com vc.
      Lula era do povo, ia aonde o povo estava, falava com o povo.
      Seu alto indice de popularidade nao foi apenas pela sua politica economica, mais por estar sempre ao lado do povo.
      A Dilma esta agindo diferente, se fecha no palacio, nao sai, nao viaja o pais e nao fala ao povo brasileiro.
      Estilo diferente e demasiadamente preocupante.

  6. Sandro Jornada Machado disse:

    Quem ofereceu o salário mínimo de R$ 538,00, foi o ex presidente Lula. Assim, que história é essa que Lula era o desenvolvimentista e a Dilma é a neoliberal? Santa tese. A Dilma estava no Governo e o Mantega também. Isso de Governo é assim, foi com Lula e continuará sendo. Lula deu em 2003 e 2004 R$ 20,00 de salário mínimo. Começou a melhorar em 2005, E, para evitar a demagogia que estamos vendo este ano, DEM e PSDB sendo os defensores do trabalhador, as centrais sindicais e o Governo Lula fizeram o acordo,

  7. mineiro disse:

    o que eu mais temia ,sera que vai acontecer? a dilma vai trair o povo brasileiro , nao é possivel. ela ja colocou para pres. de furnas e outros cargos la gente ligada ao aecinhao playboi neves . e eu particularmente nao gostei nada disso . por isso que a imprensa esta tentando desqualificar o lula, tentando acabar com a imagem dele e elogiando ela demais. isso me deixou com a pulga atras da orelha. e ela parece que esta gostando disso . eu votei nela , mas burro eu nao sou e ninguem é. tomara que esteja errado.

  8. mineiro disse:

    abre o olho presi. ou sera que ela esta conivente com a situaçao. como eu ja disse muitas vezes , o pmdb esta mandanado demais e tem gente do pt tucano que esta querendo levar o governo para o tucanato. a imprensa esta elogiando ela demais . isso é uma mal sinal. e publica meus comentarios , porque muitos comentarios meus foi censurado , ai nao da para comentar mais.

  9. Sandro Jornada Machado disse:

    Quem ofereceu o salário mínimo de R$ 538,00 foi o ex presidente Lula. Assim, que história é essa que Lula era o desenvolvimentista e a Dilma é a neoliberal? Santa tese. A Dilma estava no Governo e o Mantega também. Lula deu em 2003 e 2004 R$ 20,00 de salário mínimo. Começou a melhorar em 2005, e, para evitar a demagogia que estamos vendo este ano, DEM e PSDB sendo os defensores do trabalhador, as centrais sindicais e o Governo Lula fizeram um acordo, QUE É PARA SER CUMPRIDO. Outra coisa. este papo que na crise o governo ajudou os empresário e agora por isso deve ajudar os trabalhadores é piada. O governo ajudou os empresários para ajudar o Brasil e os empregos dos trabalhadores. Assim, estou que nem o Lula: deve-se cumprir o acordo, R$ 538,00, até porque, o ano que vem o salário mínimo vai para R$ 616,00. E tem mais: o deputado do PT RS que eu trabalhei na eleição que vote com o governo e não seja ingênuo que nem o nosso amigo Rodrigo Viana, achando que a Dilma traiu os trabalhadores e aplica a cartilha neoliberal. Esse governo vai dar até o final do Governo, o maior salário mínimo da história da classe trabalhadora, por uma questão bem simples: O Brasil vai crecer na média de 4% a 5% nos próximos 4 anos. Assim, salário mínimo digno até 2014 é uma realidade. O resto, é apapo de afobado que entende muito pouquinho de política. Abraço.

  10. carlos gomes disse:

    Rodrigo, mais uma vez uma análise lúcida e ponderada. Também compartilho dessa preocupação. Espero que o ajuste fiscal tenha mesmo como objetivo permitir que os juros baixem num médio prazo. Se a presidenta não conseguir esse objetivo sofreremos com os efeitos colaterais desse remédio amargo. É esperar, torcer e confiar na competência da presidenta. Eu ainda confio!

  11. Vila Sesamo disse:

    A questao é simples: o Palocci voltou para o governo. Ou seja os conservadores voltaram a ter espaco no governo. No primeiro governo lula tinha sentido sua presenca pois ele era o fiador da carta aos brasileiros. Agora é diferente. Nao foi a carta aos brasileiros que a elegeu. Dilma foi eleita por causa do grande crescimento economico que foi consequencia da politica desenvolvimentista. Politica que Palocci, como ministro da Fazenda, nunca defendeu

    Mas iremos saber quais as verdadeiras intencoes deste governo quando vir daqui alguns meses (final do ano- quando a inflacao estiver sobre controle) as rodadas de queda de juros. Se as quedas não forem consistentes saberemos que eleicao da Dilma ganhos a batalha mas perdemos a guerra.

  12. De governo de esquerda nao vi nada ate agora!Servidores publicos, assim como com FHC e Collor, tratados como os “viloes” das contas publicas, enquanto banqueiros e milionarios se esbaldam com juros , os maiores do mundo, e que vao aumentar ainda mais.Corte de gastos e “gerencia”.E para isso que elegemos Dilma?

  13. Carlos Rico disse:

    Estou achando maravilhoso o que está ocorrendo,políticamente,no País.O governo achou que teria trabalho fácil diante,sobretudo,da ala sindical do Congresso Nacional,onde mantém base de apoio forte.

    É muito saudável o debate e o brado dos sindicalistas.Muito interessante.Foi muito bom ouvir os presentes nas galerias da câmara cantar Beth Carvalho – “você pagou com traíção,a quem sempre lhe deu a mão”.

    Sei lá,também estou um pouco irritado com a tecnolomaníaca onda que pega o precoce governo Dilma.Mas é muito cedo ainda.

    Todavia,as ideias do Rodrigo Vianna são totalmente lúcidas.Aguardemos.

  14. Fazia tempo que eu não passava por aqui, e eis que, quando venho, encontro essa estupenda análise desses primeiros cinqüenta dias tão ambíguos da presidenta. Só tem duas possibilidades: ou ela está fazendo isso somente pra dar uma acalmada nos mercados, que sempre ficam nervosos por qualquer coisa, e depois vai suprimir essa veia PSDB que está tendo no início do governo, ou então o Lula se enganou redondamente – e eu também, ao votar nela. Oxalá a primeira hipótese seja a correta.

    O problema é que os tais mercados sempre querem sinais que lhes assegurem de que tudo vai estar bem. A diferença entre os governos Lula I e Dilma,como você disse, é que o governo Dilma não tem necessidade de se vender como “risk-free”. Mas, será que não tem, mesmo? Acho que pelo menos nos primeiros seis meses, tem, sim. Não sei se estou falando besteira, mas o aumento das reservas cambiais do país não se deveu justamente ao influxo massivo de dólares dos investidores estrangeiros? Então, essas medidas iniciais podem ser só para deixar todo mundo (nos mercados, porque nós…) mais tranqüilo.

    No entanto, há que se reconhecer que, mesmo cortando os gastos estatais, o que o Mantega disse na coletiva com a Belchior é certo: os cortes de gastos não são aqueles que derrubam a economia, pois os investimentos em infra-estrutura e programas sociais inicialmente previstos pelo governo estão mantidos. Até mesmo por isso, e pelo fato de que, segundo o governo, a suspensão das contratações de novos funcionários estão suspensas por este ano, e não indefinidamente, como fez FHC com as universidades federais, é que acho que este rompante de tecnicismo não passa deste primeiro ano. Espero que a farra dos juros não passe da próxima reunião do COPOM.

    Mas, olhando agora, era óbvio que o governo acabaria fazendo cortes no orçamento, inclusive nas contratações de novos funcionários públicos, exatamente pelo bordão do “fazer mais com menos” da Belchior, que é uma coisa muito de executivo, muito empresarial. É claro que deveria, mesmo, era cortar o aumento indecente de salários que se deu no apagar das luzes do governo Lula, mas isso… a gente já sabe como funciona, com o governo que seja.

  15. Marcelo Rodrigues disse:

    Palocci é a maior pisada na bola que a presidenta Dilma perpetrou.

    A coisa andará mal enquanto ele estiver no governo, exatamente como aconteceu no governo Lula, o qual pode ser dividido em dois tempos diametralmente opostos: com e sem o sujeito.

  16. Herli Menezes disse:

    Acho preocupante também. Além da ressureição do Palocci temos outras coisas estranhas (para ser bonzinho): (1) a ação do MinC com relação aos Direitos Autorais e a política com relação à cultura digital; (2) a ressureição do Moreira Franco como ministro (de que mesmo?) assuntos institucionais, creio eu, aliás o cargo ocupado (onde está ele?) pelo Mangabeira Unger…rs.Será que para compor com o PMDB só havia MF à disposição? (3) A tímida atuação do Patriota à frente do Ministério das Relações Exteriores quando dos recentes acontecimentos no Egito – o governo brasileiro, por intermédio da sua chancelaria emitiu 3 ou 4 notas, todas marcadas por um extremo comedimento, medo de desagradar Mubarak? ou parecer ao PIG estar alinhado à causa árabe? Estranho, yo no creo em brujas, pero que las hay…

    • beatrice disse:

      Aliás, esse foi outro erro crasso, Amorim era imexivel nos primeiros tempos de transição tanto quanto o Temporão, Padilha seria extremamente operativo no Gabinete Civil onde está instalado um delinquente reincidente.

  17. Scan disse:

    Se o PiG elogia, a Dilma está fazendo coisa errada.
    Cincoenta dias não é muito, mas pau que nasce torto…sei não….por isso acho tanto o tópico quanto o post do Izaías bastante pertinentes.
    Além disso, os “Cem dias” me trazem as recordações bastante desagradáveis do período napoleônico antes da retomada definitiva do poder pela monarquia.
    Napoleão teve seu Fouché e Talleyrand a cavar-lhe o túmulo. Não faltam, dentre os ministros da Dilma, criaturas abjetas semelhantes.

  18. Igor Felippe disse:

    Rodrigo,

    o maior problema do aumento dos juros da taxa selic não é a desvalorização do câmbio, mas a valorização dos títulos da dívida pública.

    Só em 2010 gastamos 200 bi com a dívida pública. Essa é a pressão do mercado financeiro.

    O aumento dos juros atraem o capital especulativo, que dirige a nossa economia sem produzir nem criar empregos.

    A entrada de mais capital aumenta ainda mais essa pressão, além da chantagem.

    Para segurar o câmbio, o governo poderia lançar mão de outras medidas (que, sim, são consideradas heterodoxas, mas são utilizadas na China, por exemplo).

    Ou o Brasil baixa os juros e acaba com o superávit primário ou vamos adiar a resolução dos problemas do povo.

    “O país apresenta ganhos financeiros bastante significativos. Entre 7 a 8% do PIB são transferidos para poucas famílias, detentoras dos títulos públicos. O emprego precisa crescer mais rapidamente com melhores salários, com a diminuição substancial da taxa de juros e a renegociação da dívida para evitar a transferência de ganhos financeiros para famílias muito ricas”, afirmou Marcio Pochmann, em entrevista à Revista Sem Terra em 2006.

    “O país teve que fazer as privatizações e a regulamentação financeira, que tornou os ricos com maior poder para a condução da política econômica. Isso faz com que a economia seja conduzida hoje de acordo com os interesses de 20 mil clãs de famílias, que respondem por 80% da totalidade dos títulos dívida pública. Esse segmento tem um poder tão grande que são capazes de orientar a política econômica. Não deixam cair a taxa de juros, senão pegam o dinheiro, deixam de financiar a dívida e vão embora. A economia brasileira foi organizada para atender cada vez mais esses interesses. Foi criada uma secretaria do Tesouro, que controla o gasto público no país, com o objetivo de canalizar recursos para o pagamento do serviço da dívida pública. A área econômica tem uma coordenação e a equipe tem metas e cronogramas, discutidos diariamente pelos analistas econômicos e pelos jornais”, completou.

    Abraços,

    Igor

  19. Douglas Otaviani TÔrres disse:

    Aqui em Minas,a miltancia e simpatizantes fizeram campanha somente para Dilma.`ha uma grande decepção com O PT por nã ter colocado o Patrus ou Pimentel pa candidato ao governo estadual,mas fruto do acordo com o PMDB,Foi o “Global Hélio Costa”,mas o Patrus não deveria ter se submetido a este papel ridiculo de vice,Ai o Payboizinho deitou e rolou,elegeu-se snador,elegeu o Itamar,derrubando o Pimentel e ainda fez seu sucessor.A Dima fala em abrir uma representação da presidencia para tentar salvar alguma coisa da M….. que fizeram.Agora ela começa com esse viés neo liberal,se continuar vai encobntrar resistencias muito fortes,pois quem galgou degraus na escala econmica nã vai querer regredir,então perdem governo,partidos aliados(aliança esta que se esfacela em proporção a diminuição da popularidade).Hoje até a margem de manobra neo liberal é etreita,já há como aqui critcas a estas medidas,ela,a presidenta tem um limite,e se ela não ver estará cometendo suicidio,Mas vamos ver o que extamente ela quer,mas é preocupante.

  20. Rubens disse:

    Eu estava pensando que está sensação negativa com relação aos primeiros dias de governo da presidenta Dilma fosse somente uma má vontade de minha parte, mas você conseguiu traduzir muito bem neste seu primeiro balanço o que esta ocorrendo. O sinal amarelo está acesso.

    • Patricia disse:

      Concordo com você. Eu também me senti assim. Tirando o encontro com as mães da praça de maio e o fato de não ter indicado um advogado da união para o STF, as ações do governo Dilma tem me constrangido muito.

  21. Livia Torres disse:

    O Mínimo está no caminho certo, a proposta irresponsável de R$ 600,00 não foi da Dilma, 11% de aumento é muito. Isso causaria um estrago para aqueles que não recebem este salário, pois não tem este reajuste na iniciativa privada, nos dissidios coletivos. Só pra falar do micro universo. Quanto a aparente lua-de-mel, acho cedo; precisamos esperar um pouco mais. Precisamos confiar nela, como confiamos no Lula.

  22. A salvação de Lula foi o Mensalão. Existente ou não, foi com os escândalos revelados pelo escandaloso gangster Bob que o governo Lula guinou para a esquerda e desenvolveu medidas de impacto solicial. A saída de José Dirceu ajudou. Livrou-se o PT e Lula de alguém que não perde nada para José Serra no uso do jogo sujo para ocupar o poder. Dilma parece, neste início, com complexo de inferioridade. Precisa agradar para sentir-se agradada. Ela deveria ler a fábula da Rã e do Escorpião. Saberia que é da natureza da velha mídia, PIG, ser contra o Brasil e favor da prostituição financeira. Há um indicativo que uso e que nunca falha: se a Globo está a favor, há algo podre por trás. Não posso estar do mesmo lado. Simples assim.

  23. Renata Teixeira disse:

    Olá Rodrigo.

    Agradeço a sua contribuição, no sentido de trazer para o debate, com argumentos claros, as opções feitas na área econômica.

    Precisamos mesmo discutir, argumentar e contra-argumentar, visto que as decisões desta área são tratadas de forma técnica, “decodificada”, escondendo assim seu caráter eminentemente POLÍTICO.

    São opções políticas e não um “único caminho”… São opções que tem implicações diretas no direcionamento do fundo público, no setor produtivo brasileiro, no financiamento das políticas sociais(aquelas universais e não as focalizadas), ou seja na vida das pessoas…
    Realmente precisamos estar atentos.

    Abraços para você!!!

  24. Fabio disse:

    Rodrigo, sempre votei no PT, assim sendo, votei na Dilma, porem estou decepcionado com este inicio de governo, porque me passa a impressão de que estou aos poucos voltando a era FHC.
    A Dilma esta ficando distante demais dos anseios do povo e lançando um politica mais voltada para a centro-direita do que esquerda.
    Algo preocupante.

  25. Wagner disse:

    Quer uma síntese da Dilma em poucas palavras? Está sendo o governo que eu esperaria do Serra. Que decepção! Mas, também, com Palloci mandando, o petista mais tucano que os tucanos, o que esperar? O governo Lula só deslanchou após a saída dele. Sou docente de IFES e estou muito apreensivo com o arrocho que vem aí. O que esperar de um governo que dá o miistério de C&T como prêmio de consolação para um derrotado?

  26. Realmente, 3 sinais muito preocupantes. O que o Governo brasileiro (ou seja, o povo brasileiro) paga de juros da dívida pública é um absurdo. E esses juros estão atrelados à taxa Selic.

    Será que foi Lula que impediu a equipe econômica de seguir a receita nefasta do FMI?

    O grande deus mercado (simbolizado naquele touro de Wall Street) e seu arauto na Terra, o FMI, levarão a melhor no Governo Dilma? Espero que não.

  27. Se formos esperar as coisas melhorarem nos EUA para distribuirmos renda aqui, estaremos perdidos. Este artigo de
    Mike Whitney, colaborador do Counterpunch é para nos colocar com as barbas de molho:
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17438

    Whitney afirma que um novo crash nos EUA é INEVITÁVEL.

  28. Wilmair disse:

    Rodrigo,

    Engraçado você falar sobre o Pochmann… O PIG já começou a campanha pra queimá-lo:

    http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/miriam-leitao/2011/02/14/MUDANCA-NO-COMANDO-DO-IPEA-E-BEM-VINDA.htm

    Abraços

  29. O problema é que as pessoas querem mudanças drásticas e imediatas. No mundo real a gente sabe que não funciona assim.

  30. Escrevinhador disse:

    [...] ficha caiu quase ao mesmo tempo, pra muita gente. Os sinais vão aparecendo… Ontem, escrevi esse texto, externando algumas preocupações com as primeiras medidas econômicas adotadas por Dilma. No [...]

  31. Robson Santos disse:

    Até quando?

    Temos a maior economia da América Latina e, no entanto, os salários-mínimos da Argentina, Paraguai, Chile, Equador, Venezuela e Colombia são maiores que o do Brasil, e, juntando todas esses países, o PIB não deve chegar à metade do brasileiro… “mas não podemos ainda aumentar tanto o nosso mínimo…” Porém, só com o último aumento da Selic, doaremos aos rentistas da Dívida Pública mais de 10 bilhões ao ano… um verdadeiro monstro criado por FHC e alimentado por Lula, e que, deliberada e maquiavelicamente, sabota a capacidade de investimento do Estado brasileiro, que permanece sem atender às seculares demandas de seu povo por saúde, educação, alimentação, segurança, transporte, moradia, cultura, lazer… até quando suportaremos essa verdadeira sangria???

  32. Messias Franca de Macedo disse:

    … Lapidar, o texto do ínclito, competente, confiável e impávido jornalista brasileiro Rodrigo Vianna!…
    Cabe a nós, vigiar e aguardar! Interceder se preciso for!…

    Messias Franca de Macedo
    Feira de Santana, Bahia, Transição República de ‘Nois’ Bananas/Brasil Nação [será?!]

  33. Messias Franca de Macedo disse:

    … “Todo o mundo está gagá de saber” que a presidente Dilma Rousseff não foi eleita para protagonizar a ruptura com o modelo hegemônico capitalista! Ponto! Dilma Rousseff dará prosseguimento a uma, digamos, fase mais avançada e refinada da transição implementada pelo ínclito presidenete Lula!… Leia-se, continuísmo histórico. Ou seja, o repasto dos pobres por muito tempo traduzirá aquilo que os ricos permitirão deixar sobre a mesa pós-sarau!… O Brasil é uma barbárie e a incivilidade bate-nos à porta a todo o momento – e a retirada das muitas pedras nos caminhos necessitarão de outras Dilmas, outros Lulas, muitas vozes, muita luta… Permanente!…

    Messias Franca de Macedo
    Feira de Santana, Bahia, Transição República de ‘Nois’ Bananas/Brasil Nação [Risos]

    • Messias Franca de Macedo disse:

      ajuste em comentário anterior:

      … e a retirada das muitas pedras nos caminhos necessitará de outras Dilmas, outros Lulas, muitas vozes, muita luta… Permanente!…

      Cordiais e respeitosas saudações,

      Messias Franca de Macedo
      Feira de Santana, Bahia, Transição República de ‘Nois’ Bananas/Brasil Nação [Risos]

  34. Bernadete Farhat disse:

    Rodrigo, as coisas não parecem simples.Como diz nosso amigo Shumpeter, o Capitalismo encontra suas saídas e recicla e aproveita as contrariedades. Intrigante esse boletim da Fecomércio:
    http://www.fecomercio.com.br/mail/economix.php?edicao=1

  35. Pedro disse:

    Será mesmo, Rodrigo, que existe um novo governo? Para mim, o único desacerto sério do governo Dilma, comparado com o de Lula, seria abandonar a luta contra a pobreza. Penso que foi esta luta que permitiu ao governo Lula transformar a crise numa marolinha. Do contrário, o presidente atual seria, para infelicidade geral, o Serra.

  36. Pedro disse:

    Desestrualização brava, mesmo, é a que está ocorrendo nos Estados Unidos. A divisão internacional do trabalho é uma realidade para a qual é bom atentar.

  37. [...] a ficha caiu quase ao mesmo tempo, pra muita gente. Os sinais vão aparecendo… Ontem, escrevi esse texto, externando algumas preocupações com as primeiras medidas econômicas adotadas por Dilma. No [...]

  38. [...] Dias atrás, escrevi um modesto balanço, centrado nas ações econômicas de Dilma nos primeiros dias de governo. Clique aqui para ler Dilma – balanço 1. [...]

  39. Ramalho disse:

    Conter a demanda, ou fomentar a oferta?

    A nomenclatura econômica age como se a única medida para conter o crescimento da inflação fosse a repressão da demanda. A repressão traduz-se em redução de salário e aposentadoria, aumento de juro, degradação de serviços públicos (pela redução dos gastos públicos) tudo em cenário de aumento de preços. Perdem trabalhadores públicos e privados, pequenos e médios empresários, profissionais liberais, aposentados. Ganham capitalistas, banqueiros, burocratas de alto coturno, políticos e poucos outros eleitos. Vozes dissonantes dentro da nomenclatura econômica discordam no acessório – dizem, por exemplo, que é melhor restringir o crédito do que aumentar juro; ou pedem que serviços públicos sejam menos afetados pelos cortes – mas concordam no essencial: para todos eles, conter a inflação é reprimir a demanda. Será?

    Em país como o nosso, cujo mercado consumidor está longe da maturidade, melhor não seria aumentar a oferta? Afinal, há muita gente querendo comprar. Não seria melhor estimular a produção dos segmentos que pressionam a inflação? Não seria melhor estimular a concorrência nestes segmentos, apoiando a instalação de novos produtores? Ora, o aumento de produção reduz preço e o aumento de concorrência, também. Por que não estimular o barateamento dos insumos destes segmentos? E facilitar o crédito? E apoiar a inovação tecnológica? Ou é melhor para o país prosseguir com a transferência de recursos da área produtiva para a área financeira? E manter os juros na estratosfera, que tem como um dos efeitos colaterais a valorização do Real, o quê, por sua vez, destrói indústrias e empregos? E não contingenciar o serviço da dívida pública (tido por sagrado pela equipa econômica)?

    A dúvida pertinente é, dada a lavagem cerebral praticada sobre nós pelos sábios da economia, a seguinte: será o Estado capaz de promover o aumento da oferta e assim combater a inflação? Ou isto não passa de quimera? De sonho maluco? Veja-se este exemplo brasileiro.

    O desenvolvimento agrícola nacional – as questões ecológicas e trabalhistas relativas à agricultura, embora relevantíssimas, estão fora do contexto desta reflexão – tem como causa fundamental a ação estatal, quer pelo viés creditício (Banco do Brasil), quer pelo tecnológico (Embrapa), escapando fortuitamente da mesmice do corte-lhe a demanda – na verdade, a cabeça do consumidor médio brasileiro. Na agricultura, contrariando o mantra neoliberal que Dilma parece estar a adotar, a oferta de alimentos cresceu espetacularmente – bate-se recordes de produção de grãos todos os anos – e, por causa disto, os preços dos alimentos têm em geral sido decisivos para a contenção da inflação no Brasil, não, apenas, a dos alimentos – tudo à margem do “pensamento” econômico dominante. (Uma breve digressão: frente ao atual aumento dos preços internacionais dos alimentos que pressiona a inflação no país, a nomenclatura econômica já acena vigorosamente com a única coisa que sabe fazer, aumentar juros para que comamos menos, quando o correto seria estimular ainda mais a produção). Voltando ao exemplo: a agricultura prova que se pode controlar a inflação aumentando a oferta e que o Estado pode induzir tal aumento.

    Nossos doutores em economia, técnicos que são, têm o dever de oferecer soluções que contemplem o que a sociedade quer, desejo manifestado politicamente com a eleição de Dilma e a concomitante defenestração política de Serra, FHC e outros, e que é resumidamente o seguinte: desenvolvimento sem inflação. Este lema é síntese de muitas das promessas de campanha da presidente, e foi por causa delas que Dilma elegeu-se. Ademais, desenvolvimento sem inflação, além de factível como prova o “case” da agricultura, é melhor para todos, inclusive os graúdos. Dilma tem, por ser a condutora maior desta política, o dever de exigir da nomenclatura econômica solução que atenda, agora, e não em futuro incerto e distante, para além do “bolo ter crescido”, a principal diretriz política de seu governo: desenvolvimento sem inflação. Esta é a questão.

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