<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Escrevinhador &#187; Palavra Minha</title>
	<atom:link href="http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.rodrigovianna.com.br</link>
	<description>Por Rodrigo Vianna</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Feb 2012 17:50:30 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>O futebol de várzea no SPressoSP</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-futebol-de-varzea-no-spressosp.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-futebol-de-varzea-no-spressosp.html#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 20:26:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[Novo site para São Paulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=10631</guid>
		<description><![CDATA[Meu filho corre do escorregador pra gangorra. E eu, mentalmente, tento delimitar o terreno: era mais ou menos naquele ponto, onde agora está o parquinho das crianças, que ficava a grande área no velho campo do “Marítimo” (ironia fina esse nome, para um time de futebol instalado na várzea do rio Pinheiros; melhor seria que se chamasse “Fluvial”). ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por<span style="color: #ff0000;"> Rodrigo Vianna<span style="color: #000000;"> &#8211; texto escrito especialmente para o<a href="http://www.spressosp.com.br/"><strong> SPressoSP</strong></a></span></span></em></p>
<p>Meu filho corre do escorregador pra gangorra. E eu, mentalmente, tento delimitar o terreno: era mais ou menos naquele ponto, onde agora está o parquinho das crianças, que ficava a grande área no velho campo do “Marítimo” (ironia fina esse nome, para um time de futebol instalado na várzea do rio Pinheiros; melhor seria que se chamasse “Fluvial”). Lá por 1984 ou 85, eu costumava bater uma bolinha por ali.</p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/11/futebol-de-varzea-2.jpg" rel="lightbox[10631]"><img class="alignleft size-medium wp-image-10632" title="futebol de varzea 2" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/11/futebol-de-varzea-2-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>O glorioso “Marítimo” não foi o único campo de várzea a desaparecer para dar lugar ao “Parque do Povo”, na zona sul de São Paulo, onde agora meu filho corre nos domingos de sol. Também se foram o “Clube do Mé” e o “Canto do Rio”.</p>
<p>Aparentemente, a Prefeitura agiu corretamente nesse caso. O terreno era público. Ocupado por times de várzea que, aos poucos, iam virando “clubes” particulares. Tinham perdido a característica dos velhos campos às margens dos rios Pinheiros e Tietê – onde nasceram tantos talentos que depois se encaminharam para Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Portuguesa&#8230; A “várzea” era a força do futebol paulistano.</p>
<p>Nos anos 80, auge da minha breve carreira futebolística, a “várzea” estava se desfigurando. A cidade engolira muitos campos. Alguns resistiam. Lembro de vários campos ali perto do Bom Retiro, bem em frente ao Anhembi: o Sul-Americano era o mais tradicional. As últimas obras de ampliação da marginal Tietê, no início do século 21, parecem ter varrido parte daqueles campos também.</p>
<p>Mas o rótulo “futebol de várzea” já transbordara pra muito longe das margens dos rios. Trinta anos atrás, ainda havia muitos campos pelas “quebradas” de São Paulo. Descobri uma São Paulo “profunda” graças ao futebol. Atuei pelo “dente-de-leite” e depois pelo “juvenil” do Clube Atlético Ypiranga e do Juventus da Móoca. Os dois clubes tinham estruturas mais “profissionalizadas”. Mas, em muitos campeonatos, enfrentávamos os chamados “times de várzea”. Normalmente, a molecada da “várzea” se organizava em torno do pai de um dos garotos, que era também o técnico. As camisas eram desbotadas, de tanto uso.</p>
<p>Lembro bem do “Sete de Setembro” da Vila Talarico (zona leste). O campo era um terrão, cercado por uma vala de esgoto. O que não tirava o brilho do Sete de Setembro. Não era fácil ganhar deles.  Perto da Portuguesa de Desportos, no bairro do Canindé, ficava o “Serra Morena”. Outro time de várzea com tradição. O “Serra Morena” tinha fama de ser “bom de bola e bom de briga”. E num domingo pela manhã, eu soube que era verdade. Troquei uns sopapos com o ponta-esquerda adversário. E o jogo terminou com um “sururu” generalizado. Felizmente, na época não havia tanta gente armada por aí. Voaram pedras, chinelos. Mas balas, não.</p>
<p>- Para ler o texto completo, vá ao<a href="http://www.spressosp.com.br/"> SPressoSP</a>, e conheça o novo site sobre São Paulo.</p>
<p>- Aqui você lê o <a href="http://www.spressosp.com.br/sobre/">Manifesto</a> que explica porque o <a href="http://www.spressosp.com.br/">SPressoSP</a> foi lançado.</p>
<p><span id="more-10631"></span>- E aqui uma reportagem do SPressoSP sobre <a href="http://www.spressosp.com.br/2011/11/21/se-projeto-de-kassab-vingar-subprefeito-tera-salario-maior-que-o-do-governador/">os salários que Kassab quer dar para assessores</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-futebol-de-varzea-no-spressosp.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O povo na rua &#8211; mas não aqui no Brasil&#8230;</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-povo-na-rua-mas-nao-aqui-no-brasil.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-povo-na-rua-mas-nao-aqui-no-brasil.html#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 19:41:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[Crise do Capitalismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=9286</guid>
		<description><![CDATA[Tive o prazer de entrevistar esta semana, na Record News, Plinio de Arruda Sampaio e o jornalista e cientista político Igor Fuser. O assunto: a crise do capitalismo e as insurreições de rua que chegaram ao Chile e à Inglaterra. Igor lembrou um dado irônico: Inglaterra, com Thatcher, e Chile, com Pinochet, foram os pioneiros do neoliberalismo no fim dos anos 70 e início dos 80. Comandaram a onda de privatizações, desregulamentação e ataques aos sindicatos que depois se espalhou pelo mundo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><em> </em></div>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_9287" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Chile.jpg" rel="lightbox[9286]"><img class="size-medium wp-image-9287" title="Chile" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Chile-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Povo nas ruas: não no Brasil...</p></div>
<p>por<span style="color: #ff0000;"> Rodrigo Vianna</span></p>
<p></em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Tive o prazer de entrevistar esta semana, na Record News, Plinio de Arruda Sampaio e o jornalista e cientista político Igor Fuser. O assunto: a crise do capitalismo e as insurreições de rua que chegaram ao Chile e à Inglaterra.</p>
<p>Igor lembrou um dado irônico: Inglaterra, com Thatcher, e Chile, com Pinochet, foram os pioneiros do neoliberalismo no fim dos anos 70 e início dos 80. Comandaram a onda de privatizações, desregulamentação e ataques aos sindicatos que depois se espalhou pelo mundo. Claro que a queda do &#8220;socialismo real&#8221;, no início dos 90, deu o empurrão final: os capitalistas perderam o medo! Sem a alternativa do socialismo, tornavam-se desnecessárias as concessões que ao longo do século XX o Capital fora obrigado a fazer ao Trabalho.</p>
<p>Os anos 80 e 90 foram o auge do ultracapitalismo.</p>
<p>Agora, é a volta do cipó de aroeira! A crise viceja no Chile e na Inglaterra. Estudantes chilenos querem Educação pública! Ingleses querem um Estado que não seja só &#8220;mãe dos banqueiros&#8221;.</p>
<p>Plinio lamentou que a onda de protestos ainda não tenha chegado ao Brasil. &#8220;Aqui, domina a cultura do favor&#8221;, disse o ex-presidenciável pelo PSOL. E lembrou que parte do povão tem o sentimento de &#8220;gratidão&#8221; em relação a Lula, pelas políticas sociais que tiraram milhões da miséria.</p>
<p>Não concordo com Plinio nesse ponto. Lula fez algo importante. Criou a base de um mercado consumidor gigantesco e independente. Mas, como já foi lembrado por tanta gente, Lula não ajudou a politizar a sociedade. A tal classe C que ascende cultiva em boa parte os valores do individualismo e do consumo.</p>
<p>Quem sou eu pra &#8221;condenar&#8221; aqueles que sonham com (e conseguem) uma TV nova ou um carro comprados no crediário? É fácil torcer o nariz quando já se tem isso tudo. Na verdade, o problema não é o consumo. Mas a falta de debate, que deixou a agenda dominada por valores conservadores (como vimos na campanha eleitoral em que aborto virou tema central).</p>
<p>Mas Lula ainda travava algum debate com a direita: nas comunicações, na economia, na questão das relações internacionais, na Cultura. Dilma parece ter caminahdo ainda mais ao centro. Dilma parece disposta a cumprir a promesa de reduzir a miséria ainda mais. E só. O que atrapalhar esse plano (modesto) ela vê como acessório. E abre mão.</p>
<p>O Plinio e outros por aí cumprem o digno papel dos combatentes que não abaixaram suas bandeiras. Acho que é um papel importante, diante do abandono das bandeiras de esquerda por tantos petistas.</p>
<p>Mas acho que a esquerda (seja ela petista, psolista, comunista, socialista ou outros &#8220;istas&#8221; por aí) faria melhor se, em vez de seguir reclamando da &#8220;despolitização&#8221; legada pelo PT, tentasse construir uma nova agenda.</p>
<p>Essa nova agenda não precisa &#8220;negar&#8221; o lulismo. Ao contrário. Deveria partir das conquistas e dos avanços do lulismo, para estabelecer um novo programa.</p>
<p>Enquanto a economia cresce, isso tudo pode parecer bobagem. Dilma e o PT &#8220;oficial&#8221; (que faz acordos com as teles e veta aumento pra aposentado) seguirão nadando de braçada &#8211; fora uma ou outra crise fabricada pela oposição midiática.</p>
<p>Mas a crise mundial vai bater aqui no Brasil, mais forte do que em 2008. E aí os setores organizados, os petistas que não abdicaram de reformar a sociedade (e são muitos, talvez a maioria), os sindicalistas, os movimentos sociais, enfim a base tradicional da esquerda terá que se perguntar: vamos  tentar salvar o capitalismo à brasileira &#8211; de juros nas alturas e concesões sociais? Ou vamos apostar num programa alternativo?</p>
<p><span id="more-9286"></span>Na sociedade já começam a pipocar iniciativas para reagir a essa agenda &#8220;burocrática&#8221; e centrista que parece dominar o governo Dilma. A reação dos movimentos sociais ao &#8220;acordão&#8221; com as teles no Plano de Banda Larga, e as reações de sindicatos à decisão de &#8220;congelar&#8221; ganhos de aposentados apontam nessa direção.</p>
<p>Sobre isso tudo, especialmente sobre a necessidade de construir uma nova agenda, vale a pena ler a ótima entrevista de Vladimir Safatle à repórter Tatiana Merlino, na edição da &#8220;Caros Amigos&#8221; que acaba de chegar às bancas.</p>
<p>Entre outras pérolas, ele diz que Dilma corre o risco de ser a &#8220;Bejnev no lulismo&#8221;. Tatiana Merlino resumiu bem a tese de Safatle na abertura da entrevista:</p>
<blockquote><p><em>A oportunidade da esquerda brasileira está em usar a vontade de ascensão da nova classe média para recolocar em circulação o discurso do conflito de classe, “assim como a exposição dos malefícios da desigualdade”. A opinião é do filósofo Vladimir Safatle, professor do departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP).</em></p></blockquote>
<p><!--more-->Abaixo, trechos da entrevista:</p>
<p>&#8220;O modelo lulista pode durar mais um pouco, ou seja, enquanto houver crescimento econômico para a nova classe média e enquanto não houver oposição ideologicamente configurada (seja à esquerda, seja à direita). Dentro de tal modelo, a questão para Dilma será como se colocar no papel deste mediador universal que Lula encarnou tão bem. No entanto, ela tem mais margem de manobra porque o modelo já foi montado.</p>
<p>Nestes primeiros meses, ela demonstrou duas coisas: que está disposta a aproveitar sua força inicial para enquadrar aliados (o que é uma coisa boa, sua atuação ao dizer que vetaria os absurdos do novo Código Ambiental é um exemplo interessante neste sentido) e que seu governo tem um profundo déficit de elaboração de políticas de médio e longo prazo (o que é ruim). Seu ministério, em larga medida e salvo honrosas exceções, é caracterizado por não ter formuladores de política.&#8221;</p>
<p>Não deixe de ler a entrevista de Safatle na íntegra, na &#8220;Caros Amigos&#8221; que está nas bancas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-povo-na-rua-mas-nao-aqui-no-brasil.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>30</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Globo vai partir pra cima de Amorim</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/globo-vai-partir-pra-cima-de-amorim-isso-prova-que-dilma-escolheu-bem.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/globo-vai-partir-pra-cima-de-amorim-isso-prova-que-dilma-escolheu-bem.html#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Aug 2011 21:13:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[Novo Ministro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=9112</guid>
		<description><![CDATA[Acabo de receber a informação, de uma fonte que trabalha na TV Globo: a ordem da direção da emissora é partir para cima de Celso Amorim, novo ministro da Defesa. Trata-se do velho jornalismo praticado na gestão de Ali Kamel: as "reportagens" devem comprovar as teses que partem da direção.



]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Celso-Amorim.jpg" rel="lightbox[9112]"><img class="alignleft size-full wp-image-9113" title="Celso Amorim" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Celso-Amorim.jpg" alt="" width="300" height="205" /></a>por<span style="color: #ff0000;"> Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>Acabo de receber a informação, de uma fonte que trabalha na TV Globo: a ordem da direção da emissora é partir para cima de Celso Amorim, novo ministro da Defesa.</p>
<p>O jornalista, com quem conversei há pouco por telefone, estava indignado: &#8220;é cada vez mais desanimador fazer jornalismo aqui&#8221;. Disse-me que a orientação é muito clara: os pauteiros devem buscar entrevistados &#8211; para o JN, Jornal da Globo e Bom dia Brasil &#8211; que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar &#8220;turbulência&#8221; no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha.</p>
<p>Trata-se do velho jornalismo praticado na gestão de Ali Kamel: as &#8220;reportagens&#8221; devem comprovar as teses que partem da direção.</p>
<p>Foi assim em 2005, quando Kamel queria provar que o &#8220;Mensalão&#8221; era &#8220;o maior escândalo da história republicana&#8221;. Quem, a exemplo do então comentarista Franklin Martins, dizia que o &#8220;mensalão&#8221; era algo a ser provado foi riscado do mapa. Franklin acabou demitido no início de 2006, pouco antes de a campanha eleitoral começar.</p>
<p>No episódio dos &#8220;aloprados&#8221; e do delegado Bruno, em 2006, foi a mesma coisa. Quem, a exemplo desse escrevinhador e de outros colegas na redação da Globo em São Paulo, ousou questionar (&#8220;ok, vamos cobrir a história dos aloprados, mas seria interessante mostrar ao público o outro lado &#8211; afinal, o que havia contra Serra no tal dossiê que os aloprados queriam comprar dos Vedoin?&#8221;) foi colocado na geladeira. Pior que isso: Ali Kamel e os amigos dele queriam que os jornalistas aderissem a um abaixo-assinado escrito pela direção da emissora, para &#8220;defender&#8221; a cobertura eleitoral feita pela Globo. Esse escrevinhador, Azenha e o editor Marco Aurélio (que hoje mantem o blog &#8220;Doladodelá&#8221;) recusamo-nos a assinar. O resultado: demissão.</p>
<p>Agora, passada a lua-de-mel com Dilma, a ordem na Globo é partir pra cima. Eliane Cantanhêde também vai ajudar, com os comentários na &#8220;Globo News&#8221;. É o que me avisa a fonte. &#8220;Fique atento aos comentários dela; está ali para provar a tese de que Amorim gera instabilidade militar, e de que o governo Dilma não tem comando&#8221;.</p>
<p>Detalhe: eu não liguei para o colega jornalista. Foi ele quem me telefonou: &#8220;rapaz, eu não tenho blog para contar o que estou vendo aqui, está cada vez pior o clima na Globo.&#8221; </p>
<p>A questão é: esses ataques vão dar certo? Creio que não. Dilma saiu-se muito bem nas trocas de ministros. A velha mídia está desesperada porque Dilma agora parece encaminhar seu governo para uma agenda mais próxima do lulismo (por mais que, pra isso, tenha tido que se livrar de nomes que Lula deixou pra ela &#8211; contradições da vida real).  </p>
<p>Nada disso surpreende, na verdade.</p>
<p>O que surprendeu foi ver Dilma na tentativa de se aproximar dessa gente no primeiro semestre. Alguém vendeu à presidenta a idéia de que &#8220;era chegada a hora da distensão&#8221;. Faltou combinar com os russos.</p>
<p>A realidade, essa danada, com suas contradições, encarregou-se de livrar Dilma de Palocci, Jobim e de certa turma do PR. Acho que aos poucos a realidade também vai indicar à presidenta quem são os verdadeiros aliados. Os &#8220;pragmáticos&#8221; da esquerda enxergam nas demissões de ministros um &#8220;risco&#8221; para o governo. Risco de turbulência, risco de Dilma sofrer ataques cada vez mais violentos sem contar agora com as &#8220;pontes&#8221; (Palocci e Jobim eram parte dessas pontes) com a velha mídia (que comanda a oposição).</p>
<p>Vejo de outra forma. Turbulência e ataques não são risco. São parte da política. </p>
<p>Ao livrar-se de Jobim (que vai mudar para São Paulo, e deve ter o papel de alinhar parcela do PMDB com o demo-tucanismo)  e nomear Celso Amorim, Dilma fez uma escolha. Será atacada por isso. Atacada por quem? Pela direita, que detesta Amorim. </p>
<p><span id="more-9112"></span>Amorim foi a prova &#8211; bem-sucedida &#8211; de que a política subserviente de FHC estava errada. O Brasil, com Amorim, abandonou a ALCA, alinhou-se com o sul, e só cresceu no Mundo por causa disso.</p>
<p>Amorim é detestado pelos méritos dele. Ou seja: apanhar porque nomeou Amorim é ótimo!</p>
<p>Como disse um leitor no twitter: &#8220;Demóstenes, Álvaro Dias e Reinaldo Azevedo atacam o Celso Amorim; isso prova que Dilma acertou na escolha&#8221;.</p>
<p><!--more-->Não se governa sem turbulência. Amorim é um diplomata. Dizer que ele não pode comandar a Defesa porque &#8220;diplomatas não sabem fazer a guerra&#8221; (como li num jornal hoje) é patético.</p>
<p>O Brasil precisa pensar sua estratégia de Defesa de forma cada vez mais independente. É isso que assusta a velha mídia &#8211; acostumada a ver o Brasil como sócio menor e bem-comportado dos EUA. Amorim não é nenhum incediário de esquerda. Mas é um nacionalista. É um homem que fala muitas línguas, conhece o mundo todo. Mas segue a ser profundamente brasileiro. E a gostar do Brasil.   </p>
<p>O mundo será, nos próximos anos, cada vez mais turbulento. EUA caminham para crise profunda na economia. Europa também caminha para o colpaso. Para salvar suas economias, precisam inundar nosso crescente mercado consumidor com os produtos que não conseguem vender nos países deles. O Brasil precisa se defender disso.  A defesa começa por medidas cambiais, por política industrial que proteja nosso mercado. Dilma já deu os primeiros passos nessa direção.</p>
<p>Mas o Brasil &#8211; com seus aliados do Cone Sul, Argentna à frente - não será respeitado só porque tem mercado consumidor forte, diversidade cultural e instituições democráticas. Precisamos, sim, reequipar nossas forças armadas. Precisamos fabricar aviões, armas. Precisamos terminar o projeto do submarino com propulsão nuclear.</p>
<p>Não se trata de &#8220;bravata&#8221; militarista. Trata-se do mundo real. A maioria absoluta dos militares brasileiros &#8211; que gostam do nosso país &#8211; não vai dar ouvidos para Elianes e Alis; vai dar apoio a Celso Amorim na Defesa, assim que perceber que ele é um nacionalista moderado, que pode ajudar a transformar o Brasil em gente grande, também na área de Defesa.</p>
<p>O resto é choro de anões que povoam o parlamento e as redações da velha mídia.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/globo-vai-partir-pra-cima-de-amorim-isso-prova-que-dilma-escolheu-bem.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>138</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dilma ganha com a saída de Jobim, o fanfarrão</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/jobim-a-ausencia-que-preenche-uma-lacuna-e-o-que-dilma-ganha-com-saida-do-fanfarrao.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/jobim-a-ausencia-que-preenche-uma-lacuna-e-o-que-dilma-ganha-com-saida-do-fanfarrao.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Aug 2011 22:51:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[Ministério da Defesa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=9064</guid>
		<description><![CDATA[Dilma ganha muito ao se livrar de Palocci e Jobim. Os dois eram parte da face mais "atucanada" desse governo - que começou titubeante em muitas áreas. Livre dos atucanados, firme na defesa da indústria (e dos empregos), e caindo na real sobre quem são os verdadeiros aliados: essa é a Dilma de agosto.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Celso_Amorim.jpg" rel="lightbox[9064]"></a><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Celso_Amorim1.jpg" rel="lightbox[9064]"><img class="alignleft size-medium wp-image-9090" title="Celso_Amorim" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Celso_Amorim1-206x300.jpg" alt="" width="206" height="300" /></a><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/nelsonjobim_1222187926_camuflado_pauloemiliograzzilio_flickr_2008.jpg" rel="lightbox[9064]"><img class="alignleft size-medium wp-image-9065" title="nelsonjobim_1222187926_camuflado_pauloemiliograzzilio_flickr_2008" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/nelsonjobim_1222187926_camuflado_pauloemiliograzzilio_flickr_2008-241x300.jpg" alt="" width="241" height="300" /></a>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>O Jobim pode ser arrogante. O Jobim pode ser oportunista. O Jobim pode ser uma espécie de <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/zweig-e-o-brasil-pais-do-futuro-ou-pais-do-fouche.html">Fouché brasileiro</a>, na sua capacidade de servir a tucanos e petistas ao sabor das conveniências.</p>
<p>O Jobim, além de tudo, maltrata um dos nobres sobrenomes brasileiros. Jobim é nome de maestro, nome de poeta. Não deveria ser nome de minsitro fanfarrão.</p>
<p>Jobim pode ser tudo isso: arrogante, oportunista e fanfarrão. E muito mais. Mas uma coisa ele não é: bobo.</p>
<p>Ninguém acredita que um homem experiente, que já passou pelos 3 poderes da República, teria sido &#8220;infeliz&#8221;  em seguidas declarações &#8220;desastradas&#8221;.</p>
<p>O que move Jobim?</p>
<p>Augusto da Fonseca, no &#8220;Festival de Besteiras da Imprensa&#8221;, testa uma hipótese: <a href="http://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.com/">Jobim quer comandar a oposição</a>. Por isso, Dilma teria tolerado tantas bobagens ditas pelo fanfarrão. Tudo o que ele quer é ser demitido, pra sair como vítima de uma presidenta que &#8220;maltrata&#8221; aliados (?!). A hipótese de Augusto é que Jobim esteja preparando o terreno para voltar ao leito original: um peemedebista a serviço do demo-tucanismo, a serviço de Serra.</p>
<p>Pode ser&#8230;. Mas, pergunto eu ao Augusto, por que Jobim teria resolvido agir agora? A eleição de 2014 não está longe demais? Parece cedo para fazer o papel do melindrado que salta para o barco do tucanismo.</p>
<p><strong>Vou testar outra hipótese</strong>: Jobim era o principal articulador da concorrência para compra dos aviões da FAB. No governo Lula, tudo apontava para os &#8220;Rafalle&#8221; &#8211; aviões franceses.<a href="http://www.sidneyrezende.com/noticia/81066+jobim+admite+que+prefere+caca+frances+rafale+para+reaparelhamento+da+fab"> Jobim era o fiador dessa escolha</a>, a maior concorrência para compra de aviões militares no mundo. Não era pouca coisa. Não era pouco dinheiro em jogo.</p>
<p>No governo Dilma, os concorrentes do Rafalle (suecos e norte-americanos) parecem ter voltado ao páreo. Jobim, teria sido colocado de escanteio na negociação? <strong>A súbita verborragia do (ex) ministro</strong> &#8211; que (com um nao de atraso) resolveu declarar voto em Serra, além de atacar o núcleo da coordenação política do governo Dilma  - <strong>parece indicar que há algo no ar além dos aviões franceses</strong>&#8230;</p>
<p>Seja como for, <strong>a saída de Jobim deixa uma gostosa avenida aberta para o verdadeiro partido de oposição, a velha mídia brasileira. Sem Jobim, o &#8220;caosaéreo&#8221; já pode voltar às manchetes.</strong> Também surge uma chance de prolongar a tal &#8220;crise entre os aliados do governo&#8221;. Jobim fora do governo, fora de um ministério poderoso, é chance para muita fofoca, para muita intriga a mostrar que a aliança com o PMDB &#8220;não vai bem&#8221;. </p>
<p>A velha mídia vai deitar e rolar.</p>
<p>E daí?</p>
<p>E daí, nada.</p>
<p>Na minha modestíssima opinião, <strong>Dilma ganha muito ao se livrar de Palocci e Jobim. Os dois eram parte da face mais &#8220;atucanada&#8221; desse governo - que começou titubeante em muitas áreas.  </strong></p>
<p><strong>Ainda mais porque já se confirma: Celso Amorim será o novo ministro da Defesa. Sai o Jobim que se apequena diante de embaixadores estrangeiros, entra o Amorim que comandou a política externa independente sob Lula. </strong></p>
<p><span id="more-9064"></span>Além dessa ótima notícia, <strong>surgem aos poucos outros sinais positivos no governo</strong>:</p>
<p>- <strong>Dilma mostra que vai defender a economia brasileira da guerra cambial</strong>; não se renderá à lógica idiota dos comentaristas liberais; o governo vai intervir (e já começou a intervir) para defender indústrias e empregos;</p>
<p>- <strong>Dilma faz a autocrítica por se afastar de sua base original</strong>; mostrou isso ao se unir de surpresa a sindicalistas que estavam no Palácio &#8211; Dilma <a href="http://altamiroborges.blogspot.com/2011/08/dilma-pede-desculpas-aos-sindicalistas.html">pediu desculpas por não ter incluído as centrais no debate sobre a nova política industrial.</a></p>
<p><strong><!--more-->Livre dos atucanados, firme na defesa da indústria (e dos empregos), e caindo na real sobre quem são os verdadeiros aliados: essa é a Dilma de agosto.</strong></p>
<p><strong>O que parece &#8220;crise&#8221;</strong> (nas manchetes da velha mídia e nas &#8220;reportagens&#8221; do JN de Ali Kamel) <strong>pode ser o começo de nova fase de governo</strong>. Dilma se fortalece &#8211; na opinião pública &#8211; ao se livrar de &#8220;aliados&#8221; como Jobim, Palocci e &#8220;a turma do PR&#8221; . E vai-se fortalecer mais se fizer movimentos para reorganizar sua base de apoio original (na sociedade).</p>
<p>Dilma precisará dessa força para enfrentar as &#8220;crises fabricadas&#8221;, os ataques da velha mídia e as turbulências da economia mundial.</p>
<p>Forte, e com a economia em ordem apesar dos sacolejos no mundo, Dilma poderá olhar para Jobim e tirar a conclusão lógica: essa é uma ausência que preenche uma lacuna!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/jobim-a-ausencia-que-preenche-uma-lacuna-e-o-que-dilma-ganha-com-saida-do-fanfarrao.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>59</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Palocci: é a política, estúpido! E agora, Dilma?</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/palocci-e-a-politica-estupido.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/palocci-e-a-politica-estupido.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Jun 2011 20:16:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[As avaliações apressadas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=8526</guid>
		<description><![CDATA[A queda de Palocci gerou debates acalorados na internet. Recapitulemos. O principal ministro do governo, acuado por denúncias de ter enriquecido 20 vezes enquanto exercia o mandato de deputado federal pelo PT, manteve-se calado por 20 dias. Quando resolveu falar, escolheu: entrevista exclusiva para a Globo. O meio é a mensagem. Muita gente discutiu os argumentos do ministro naquela entrevista, as explicações, o tom "sóbrio". O recado principal ali era outro: Palocci indicou que tinha (e tem) aliados poderosos no "establishment". ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>A queda de Palocci gerou debates acalorados na internet. Recapitulemos.<strong> O principal ministro do governo, acuado por denúncias de ter enriquecido 20 vezes enquanto exercia o mandato de deputado federal pelo PT, manteve-se calado por 20 dias. Quando resolveu falar, escolheu: entrevista exclusiva para a Globo.</strong></p>
<p><strong>O meio é a mensagem</strong>. Muita gente discutiu os argumentos do ministro naquela entrevista, as explicações, o tom &#8220;sóbrio&#8221;. O recado principal ali era outro: Palocci indicou que tinha (e tem) aliados poderosos no &#8220;establishment&#8221;. O meio é a mensagem. <strong>Falar à Globo &#8211; com exclusividade &#8211; é uma forma de dizer: eu sigo forte entre aqueles que mandam ou imaginam que mandam no Brasil.</strong> Isso era fundamental para que Palocci se sentisse mais &#8220;protegido&#8221; ao sair do governo.</p>
<p>Na segunda-feira, veio a decisão da Procuradoria Geral da República (PGR): o procurador não enxergou motivos (jurídicos) para investigar Palocci. Em alguns blogs e no twitter, choveram conclusões apressadas: &#8220;aí está a prova de que os detratores de Palocci estavam errados, ele é inocente, não há sequer indícios contra o ministro&#8221;. Espalharam-se ataques contra o jornalista Ricardo Kotscho, que havia escrito no blog dele, no dia da entrevista pra Globo: <a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2011/06/03/palocci-fala-anatomia-de-uma-queda-anunciada/"> &#8220;Palocci escolheu a guilhotina&#8221;.</a> Kotscho errou feio, diziam alguns. Errou??</p>
<p>Outros blogueiros (entre eles esse escrevinhador), que escolheram o caminho da crítica (política) a Palocci, foram acusados de &#8220;traidores&#8221; e &#8220;oportunistas&#8221;.<strong> Um certo stalinismo de botequim espalhou-se por aí: quem não defende o governo unilateralmente é &#8220;traidor&#8221;. Hehe. Nessa, eu não caio. </strong></p>
<p><strong>Quem achou que a decisão da PGR era uma &#8220;vitória definitiva&#8221; de Palocci, desculpe-me, mas não entende muito de política. Palocci permaneceu no cargo durante mais de 20 dias justamente com esse objetivo: usar o cargo para evitar estragos maiores (especialmente na área judicial).</strong> Na segunda-feira, diante das conclusões apressadas dando conta da &#8221;vitória jurídica&#8221; de Palocci, escrevi no twitter o que me parecia o óbvio ululante: <strong>a questão era &#8211; e continua a ser &#8211; política.</strong></p>
<p>Agora que Palocci caiu, alguns blogueiros e tuiteiros que respeito muito dizem que &#8220;o governo acabou&#8221;. Bobagem&#8230;</p>
<p><strong>Esse é um governo em disputa &#8211; ainda mais agora, com o rearranjo de forças. De minha parte, acho que o problema de Dilma não foi a queda de Palocci, mas sua nomeação numa função tão importante.</strong> Quando digo que a questão era, e é, política, refiro-me justamente a isso: a escolha de Palocci simbolizava a escolha de um nome completamente comprometido com o mundo financeiro e o grande capital. Em 2003, Lula precisava de um nome assim. FHC entregara o país à beira da bancarrota. Palocci cumpriu essa tarefa. Depois, foi derrubado pela soberba &#8211; no vergonhoso episódio do caseiro.</p>
<p>Dilma não precisava e não precisa disso. Ah, mas foi o Lula que indicou Palocci. E daí? Lula é um ser iluminado que não erra? Sigo a entender que Lula foi o melhor presidente da República, ao lado do Getúlio Vargas dos anos 50. Nem por isso deixaram (Vargas e Lula) de cometer erros.</p>
<p>A escolha de Palocci para a Casa Civil soma-se a outras escolhas da presidente Dilma &#8211; que apontam num rumo claro: o governo caminhou alguns graus rumo ao centro, na comparação com o segundo mandato de Lula &#8211; que foi razoavelmente avançado, um governo social-democrata clássico.</p>
<p>A saída de Palocci pode abrir caminho para um novo arranjo. Ninguém espera um governo &#8220;socialista&#8221; ou de &#8220;esquerda&#8221; na gestão Dilma. Claro está que a correlação de forças no Brasil exige acordos. Mas quem vai estar ao leme? Quem vai ter a hegemonia do processo? <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/palocci-e-as-escolhas-de-dilma.html">Num texto recente, escrevi sobre os risco das últimas escolhas de Dilma</a>.<strong> Dizem por aí que as pesquisas já mostrariam certa queda no apoio à presidenta. Por conta do desgaste gerado pelo caso Palocci no noticiário. Isso é conjuntural. Mais grave pra mim é a corrosão de longo prazo: setores de esquerda sentem-se longe desse governo que prometia ser a continuidade de Lula. </strong></p>
<p>O portal &#8220;Sul21&#8243;, que tem certa proximidade editorial com o governador petista Tarso Genro (RS), é muito claro na avaliação da queda de Palocci: <a href="http://sul21.com.br/jornal/2011/06/soberba-x-prestacao-de-contas-%E2%80%93-as-licoes-da-queda-de-palocci/">&#8220;Soberba x Prestação de Contas&#8221;.</a> Blogueiros como <a href="http://revistaforum.com.br/idelberavelar/">Idelber Avelar </a>e <a href="http://www.revistaforum.com.br/blog/2011/06/08/caso-palocci-etica-seletiva-e-patrulhamento-opinativo/">Renato Rovai </a>também escreveram texto curtos e precisos sobre o significado da queda de Palocci. Nenhum deles pode ser apontado como &#8220;traidor&#8221;, &#8220;oportunista&#8221;, ou  &#8220;agente infiltrado do PIG&#8221;.</p>
<p><span id="more-8526"></span>A ideia de que a queda de Palocci significa a &#8220;capitulação&#8221; de Dilma ao PIG é simplista. Foi Dilma quem tentou um acordo com a velha imprensa, no início do mandato: foi à &#8220;Folha&#8221;, à Globo, e deu sinais indiretos de que não iria avançar na &#8220;Ley de Medios&#8221; preparada por Franklin Martins. Escolhas. Palocci, no centro do governo, certamente tinha muito a ver com essas escolhas.</p>
<p>Essas escolhas criaram certo mal-estar entre gente que apoiou e/ou votou em Dilma durante a dura batalha de 2010. A queda de Palocci pode ser o símbolo de uma fase nova no governo.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>O PT e o governo, se deixaremde lado o medo e os acertos &#8220;por cima&#8221;, podem usar o episódio Palocci contra a oposição. Se Palocci caiu por &#8220;enriquecer sem explicações convincentes&#8221;, o que dizer de Aécio e sua frota de carros na rádio? O que dizer da filha de Serra?</strong></span></p>
<p>Não é por outro motivo que Serra (e muitos tucanos) ficaram ao lado de Palocci nesse episódio. Palocci era uma ponte com os tucanos e o empresariado atucanado.</p>
<p>A ponte ruiu. Isso não quer dizer que o governo Dilma vai avançar nas áreas onde tropeça e cede ao conservadorismo (Cultura, Relações Internacionais, Meio Ambiente). Mas a chance existe.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/palocci-e-a-politica-estupido.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>83</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ollanta Humalla e um recado para o Brasil</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/ollanta-e-um-recado-para-o-brasil-crescer-apenas-nao-basta.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/ollanta-e-um-recado-para-o-brasil-crescer-apenas-nao-basta.html#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Jun 2011 17:13:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[Apenas crescer não basta!]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=8473</guid>
		<description><![CDATA[Em Portugal, o Partido Socialista sofreu uma derrota histórica nesse fim-de-semana. Segue a trilha do PSOE espanhol - derrotado pelos conservadores nas eleições locais, prenúncio do que deve ocorrer nas eleições nacionais. Quase ao mesmo tempo, a América do Sul dá mais um passo para a esquerda - ainda que moderada. No Peru, Ollanta Humala venceu a filha de Fujimori, numa eleição duríssima! ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ff0000;"><em><span style="color: #000000;">por </span>Rodrigo Vianna</em></span></p>
<p>Em Portugal, o Partido Socialista sofreu uma derrota histórica nesse fim-de-semana. Segue a trilha do PSOE espanhol &#8211; derrotado pelos conservadores nas eleições locais, prenúncio do que deve ocorrer nas eleições nacionais. Portugal e Espanha têm em comum a crise econômica, o desemprego (mais dramático em terras espanholas)  e o fato de serem governados há vários anos por agremiações de centro-esquerda (que, no poder, assumiram a receita do FMI pra &#8220;recuperar&#8221; a economia). Diante da crise, o povo pensou: entre o conservador de verdade e o de mentirinha, fico com o original!</p>
<p>A crise econômica deve empurrar a Europa mais pra direita (com exceção, talvez, da Itália &#8211; onde um Berlusconi desgastado por cafajestices sem fim pode ser derrotado pela centro-esquerda). Cresce o dircurso contra o imigrante, cresce o nacionalismo conservador &#8211; que tantos males já provocou no velho continente.</p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Ollanta_Humala.jpg" rel="lightbox[8473]"><img class="alignleft size-full wp-image-8480" title="Ollanta_Humala" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Ollanta_Humala.jpg" alt="" width="203" height="230" /></a>Quase ao mesmo tempo, a América do Sul dá mais um passo para a esquerda &#8211; ainda que moderada. No Peru, <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/vasto-mundo/humala-do-peru-entusiasmo-no-fortalecimento-da-america-latina.html">Ollanta Humala venceu a filha de Fujimori, numa eleição duríssima! </a>O curioso: a economia peruana  cresce sem parar há uma década. Mas a economia não foi suficiente para que o povão votasse em candidatos associados ao programa liberal de Toledo e Alan Garcia (os dois últimos presidentes). Venceu Ollanta, nacionalista de esquerda, que moderou o discurso durante a campanha e, na reta final, conquistou até o apoio do genial escritor (e conservador) Mario Vargas Llosa.</p>
<p>Ou seja: na Europa, o povo puniu a centro-esquerda (que estava no poder) pela falta de crescimento econômico. Na América do Sul, crescimento só não basta &#8211; como mostraram os peruanos.</p>
<p>Os &#8220;mercados&#8221; tentarão domar Ollanta nos próximos meses. Ele terá mesmo que assumir compromissos com a classe média que rejeita o &#8220;chavismo&#8221;.  Mas não pode esquecer que só chegou ao poder porque os peruanos consideram crescimento, por si só, insuficiente.  O Peru &#8211; desde Fujimori &#8211; reduziu direitos trabalhistas, massacrou sindicatos, encurralou movimentos sociais. A vitória de Ollanta é um sinal de que o país precisa criar programas sociais que signifiquem redução da miséria, distribuição de renda, respeito ao trabalhador.</p>
<p>É por isso que Ollanta tentou se apresentar mais na linha de Lula do que na linha de Chavez (apesar da história pessoal dele, ex-militar, ser muito mais parecida com a do venezuelano).</p>
<p>O resultado das eleições no Peru (e também na Europa) é um sinal importante para o governo Dilma. O povo quer crescimento, claro. E a gestão da economia parece ser das (poucas?) áreas em que Dilma não cedeu às pressões conservadoras. Os &#8220;analistas&#8221; liberais bombardearam Mantega e o Banco Central no início do ano. A equipe econômica não cedeu. Aumentou juros de forma muito moderada, adotou outras medidas (&#8220;macroprudenciais&#8221;) e conseguiu conter a inflação sem sufocar a economia.</p>
<p>Isso é importante para Dilma. Decisivo até, eu diria. Se o governo tivesse errado a mão, poderíamos ter um crescimento em 2011 próximo de 2,5%. E tudo leva a crer que o Brasil &#8211; com Mantega e o BC firmes, sem ceder ao conservadorismo dos analistas e colunistas - vai seguir rodando a 4% ou 4,5%.</p>
<p>Mas crescimento apenas não basta. E esse é o recado que vem dos peruanos.</p>
<p>É preciso, claro, manter as políticas sociais que vêm de Lula! E é preciso &#8211; sobretudo &#8211; notar a nova tendência que vem de Belo Monte, dos bombeiros do Rio, dos professores e ferroviários: se o Brasil cresce (e se temos um governo popular), queremos dividir esse bolo, queremos viver melhor, ganhar mais!</p>
<p>Nada de anormal: na hora do crescimento, trabalhadores sentem-se mais fortes para reivindicar. Pancada em bombeiros que querem ganhar mais não resolve!</p>
<p><span id="more-8473"></span>O lulismo (e especialmente alguns de seus aliados, na gigantesca coalizão) parecem não se dar conta de que algo começa a se mover na sociedade brasileira. A paz social dos anos Lula pode se romper diante de tantas demandas.</p>
<p>É cedo pra dizer que os movimentos sociais voltam à ofensiva &#8211; depois de anos e anos no banho-maria. Mas os sinais, aqui e ali, são claros:  pra muita gente no Brasil, os ganhos (reais) advindos do lulismo são agora fato consumado. São o patamar, o piso. O brasileiro quer mais que isso.</p>
<p>Dilma e os aliados estão preparados pra lidar com isso? Não adianta acreditar que &#8220;crescimento&#8221; vai resolver tudo. E a eleição no Peru mostra isso.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/ollanta-e-um-recado-para-o-brasil-crescer-apenas-nao-basta.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>39</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dilma Rousseff, Palocci e os omeletes</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/dilma-palocci-e-os-omeletes.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/dilma-palocci-e-os-omeletes.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 May 2011 05:27:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[A receita desandou]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=8226</guid>
		<description><![CDATA[Dilma faz a opção de agradar conservadores e religiosos de sua ampla base de apoio. Talvez as pesquisas ainda mostrem a popularidade da presidenta alta.  Mas a base tradicional, mais à esquerda, essa se desmancha. Quando vier crise brava, Palocci e omeletes na Ana Maria Braga não vão segurar a onda.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ff0000;"><em><span style="color: #000000;">por </span>Rodrigo Vianna</em></span></p>
<p>A defesa de Palocci já custou caro para o governo: primeiro os ruralistas aprovaram o Código Florestal, em troca de não apertar o cerco ao ministro consultor; depois, Dilma cedeu à pressão da bancada religiosa e suspendeu o kit contra preconceito do Ministério da Educação. Esse foi o custo, no curto prazo.</p>
<p>Mais grave é o que pode ocorrer no médio prazo: a dissolução da base social que apoiou Dilma na eleição. Isso sim é grave, gravíssimo.</p>
<p>Os sinais já estão nas redes sociais. A militância que defendeu Dilma bravamente contra Serra durante a campanha suja de 2010, essa começa a abrir mão de apoiar o governo&#8230; O quadro pode ser revertido? Pode, com mudança de rumo. No ritmo atual, Dilma caminha para uma situação preocupante.</p>
<p>Muita gente há de de lembrar 2003. Primeiro ano de mandato de Lula. O governo parecia paralisado: juros nas alturas, Reforma da Previdência, parte da base social do petismo abandonava Lula. Palocci tentava acalmar o &#8220;mercado&#8221;. Era preciso. O Brasil estava às portas da bancarota. E aquele era um governo de coalizão, que ninguém se enganasse.</p>
<p>Lula perdeu algum apoio, mas não todo, e se recuperou. Antes, entretanto, teve que enfrentar a crise do Mensalão em 2005. A velha imprensa tentou fazer daquele o &#8220;escândalo mais grave da história&#8221;. Não era. Havia gente disposta a derrubar Lula entre os demotucanos. Isso havia. Bornhausen que o diga. Sabe por que não tentaram pra valer? Porque Lula tinha base social&#8230;</p>
<p>Quando o caldo entornou em 2005, não foram os banqueiros de Palocci que deram sustentação a Lula. Mas a base organizada. Assim como foi essa base, ou o que restou dela, que ajudou a enfrentar o PIG em 2006 e a onda conservadora insuflada por Serra em 2010. </p>
<p>O PT tomou um susto com os 20 milhões de votos de Marina? Se Dilma seguir no ritmo atual, o susto será dobrado em 2014&#8230; Quem vai defender o &#8220;legado&#8221; de Dilma?</p>
<p>Dilma encontrou a casa relativamente arrumada depois da vitória. Não precisava pagar o pedágio que Lula pagou em 2003. Mas escolheu fazê-lo. Levou Palocci ao centro do governo. E agora é ele que se agarra à presidenta, arrastando o governo para um redemoinho que, a médio prazo, pode tragá-lo.</p>
<p>E não é só isso. Vejamos. Em apenas cinco meses, quanta coisa desandou:</p>
<p>- retrocesso na política externa;</p>
<p>- retrocesso no Ministério da Cultura;</p>
<p>- derrota no Código Florestal;</p>
<p>-  recuo no kit contra o preconceito.</p>
<p>O dado positivo do governo até agora, em minha humilde opinião: a política econômica. Mantega e o BC enfrentaram o repique da inflação sem ceder à chantagem mercadista. Foram bombardeados (e o bombardeio, dizem, teria partido de Palocci). Resistiram. A condução não liberal da economia (legado do segundo mandato de Lula) foi mantida por Dilma.   </p>
<p>Lula, ao fazer determinadas escolhas ao longo de 8 anos, perdeu parte da base tradicional petista. Mas compensou as perdas com o tal &#8220;subproletariado&#8221; de que falou Andre Singer num já célebre artigo. Essa turma do subproletariado premiou Lula (e seus anos de bonança econômica) com a eleição de Dilma. Essa turma está se lixando pra Palocci, é verdade. Mas na hora em que o bicho pega não é essa turma (menos orgânica) que sustenta governo na rua. É a militância. E a militância, a mesma que o PT e Dilma desprezaram no primeiro turno e que mesmo assim evitou a vitória de Serra no segundo, essa está entre decepcionada e furiosa.</p>
<p><span id="more-8226"></span>As escolhas de Dilma nesse início de governo me lembram um sujeito que tem família muito sólida, mas faz questão de agradar os vizinhos da rua. Deixa a mulher em casa pra ir ao churrasco de um. Depois, esquece de pegar o filho na escola pra ajudar o outro vizinho. E assim vai&#8230; Passa o tempo. Um dia ele volta pra casa distraído e descobre que a mulher foi embora e levou os filhos. Sente-se só. Vai bater na casa de um daqueles vizinhos muito amigos, e aí ouve: &#8220;cada um com seus problemas&#8230;&#8221;</p>
<p>Dilma faz a opção de agradar conservadores e religiosos de sua ampla base de apoio. Talvez as pesquisas ainda mostrem a popularidade da presidenta alta, porque essas questões demoram pra se espalhar entre o povão. Mas a base tradicional, mais à esquerda, essa se desmancha.  Mas quais sáo os números que indicam isso? Não são números, é a pulsação na rede. Só não vê quem não quer.</p>
<p>O problema é que, quando vier uma crise brava ou quando chegar a eleição de 2014, esses conservadores não estarão com Dilma. Encontrarão outras alternativas. &#8220;Cada um com seus problemas&#8221; &#8211; dirão os banqueiros,  os religiosos e a turma do agronegócio. Dilma vai olhar pro lado e perguntar: cadê o meu povo? Aí, pode ser tarde&#8230; Omeletes e Paloccis não vão resolver.</p>
<p>Ainda há tempo pra acertar a rota. Veto decidido ao Código Florestal, reorganização da base no Congresso, recomposição do Ministério abrindo mão de alguns nacos conservadores &#8211; na base aliada &#8211;  para fortalecer o núcleo histórico de apoio ao lulismo. Isso tudo poderia ajudar. Mas seria preciso começar pela saída de Palocci.</p>
<p>A escolha parece não ser essa. Os sinais são preocupantes.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/dilma-palocci-e-os-omeletes.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>108</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Palocci e as escolhas de Dilma Roussef</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/palocci-e-as-escolhas-de-dilma.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/palocci-e-as-escolhas-de-dilma.html#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 May 2011 22:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[O ministro consultor]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=8142</guid>
		<description><![CDATA[por Rodrigo Vianna: "Dilma montou o ministério e começou a governar com o figurino idêntico ao usado no primeiro turno da eleição:  sem política, longe dos movimentos sociais, procurando agradar o "mercado" e a "velha mídia". Foi uma escolha. Palocci tem a ver com isso. Ele coordenou a campanha. E quer um governo moderadíssimo, que não assuste a turma a quem dá consultoria".
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>A denúncia contra Palocci parece consistente. Ah, mas a &#8220;Folha&#8221; quer desgastar a Dilma&#8230; E daí? O fato ocorreu ou não?</p>
<p>Ah, mas a denúncia foi vazada por &#8220;ruralistas&#8221; interessados em enfraquecer o ministro. E daí, de novo? É só quando os poderosos divergem que essas coisas vêm à tona&#8230;</p>
<p>Sim, Palocci (contradição do mundo real?!) cumpria nesse caso um papel positivo: negociava duramente com os ruralistas da base governista, para que aceitassem um Código Florestal menos retrógrado do que o proposto por Aldo Rebelo.</p>
<p>Por isso, criticar Palocci agora &#8211; dizem alguns apoiadores de Dilma &#8211; é fazer &#8220;o jogo da direita&#8221;. Será?</p>
<p>Aliás, se o caso surgiu como &#8220;fogo amigo&#8221; de dentro da base governista, por conta da votação do Código Florestal, a essa altura parece ter ganho dinâmica própria. Os jornais já relacionam o enriquecimento de Palocci à campanha de Dilma. Vale a pena manter um ministro que traz esse grau de instabilidade ao governo?</p>
<p>Quem acompanhou os bastidores da campanha eleitoral de 2010 sabe qual foi a opção de Dilma e do núcleo dirigente do PT no primeiro turno: tentaram ganhar a eleição só com o programa de TV e a popularidade do Lula. A ideia era ganhar sem fazer política. No primeiro turno, foi assim: campanha controlada pelo marqueteiro e pelos 3 porquinhos (Palocci, Dutra e Zé Eduardo).</p>
<p>Quem fez política foi o Serra. Politizou pela direita: trouxe aborto e religião para a campanha. Com isso, empurrou milhões de votos pra Marina, e levou a eleição pro segundo turno. Aí, a ficha do PT caiu. Dilma e o núcleo da campanha finalmente compreenderam o que já estávamos vendo na internet há semanas: o terrorismo conservador. Dilma deixou os conselhos do marqueteiro de lado, teve coragem de ir pra cima no debate da &#8220;Band&#8221; (primeiro domingo do segundo turno): pendurou no pescoço do Serra a história do aborto (a mulher de Serra tinha dito que Dilma gostava de &#8220;matar crancinhas&#8221;), falou em Paulo Preto, reanimou a militância.</p>
<p>Se Dilma tivesse insistido no figurino do primeiro turno, poderia ter perdido a eleição. Pesquisas internas, pouco antes do debate da Band, davam apenas 4 pontos de diferença sobre Serra no início do segundo turno. Foi a realidade que levou Dilma a mudar de figurino.</p>
<p>Pois bem. Passada a eleição, Dilma montou o ministério e começou a governar. Como? Com o figurino idêntico ao usado no primeiro turno da eleição:  sem política, longe dos movimentos sociais, procurando agradar o &#8220;mercado&#8221; e a &#8220;velha mídia&#8221;. Foi uma escolha.</p>
<p>Palocci tem a ver com isso. Coordenou a campanha. Ele quer um governo moderadíssimo, que não assuste a turma a quem dá &#8220;consultoria&#8221;.</p>
<p>Logo no início do governo, estava claro que Dilma procurava ocupar um espaço mais ao centro. Lula tinha (e tem) apoio da esquerda tradicional, dos movimentos sociais, do povão que saiu da miséria. Dilma foi em direção à classe média que lê a &#8220;Veja&#8221;. Com Palocci à frente. Palocci é amigo da &#8220;Veja&#8221; e da &#8220;Globo&#8221;. Palocci é blindado na &#8220;Globo&#8221;. Perguntem ao Azenha o que aconteceu na Globo quando ele tentou fazer uma reportagem sobre o irmão do Palocci, 5 anos atrás&#8230;</p>
<p>Renato Rovai publicou em seu blog um<a href="http://www.revistaforum.com.br/blog/2011/05/21/pesquisa-na-internet-avaliacao-do-caso-palocci-e-desastrosa-para-o-governo/"> texto que mostra a repercussão desastrosa &#8211; para o governo &#8211; do caso Palocci nas redes sociais.</a> Como aconteceu na eleição, com o aborto e a onda consevadora: primeiro os temas batem na internet, depois chegam às ruas.</p>
<p>Assim como ocorreu na eleição, Dilma talvez perceba que o figurino palocciano não garantirá estabilidade ao governo. Com quem ela vai contar quando enfrentar crise séria? Com a família Marinho? Com os banqueiros?</p>
<p>Dilma segue com popularidade alta. Mas o caso Palocci mostra os limites do governo. E os riscos que ela corre diante da primeira crise mais grave. Pode faltar base social&#8230;</p>
<p><span id="more-8142"></span>Mas, seja qual for a escolha de Dilma (ela a essa altura parece mais próxima de optar por um acerto &#8220;por cima&#8221;, com os que mandam nas finanças e nas comunicações do Brasil), é inaceitável que o governo vote o novo Código Florestal sob chantagem dos ruralistas.</p>
<p>O governo está sob pressão dos ruralistas, que dizem nos bastidores: &#8220;a oposição pode maneirar com o Palocci, desde que passe o Código Florestal que nós queremos!&#8221;</p>
<p>O texto vai a votação na terça.</p>
<p>Hoje, o governo Dilma corre o seguinte risco: aceitar a chantagem dos ruralistas pra salvar Palocci e&#8230; não conseguir salvar Palocci. Seria um desastre.</p>
<p>Dilma precisa fazer uma escolha agora. Semelhante à que ela fez naquele debate na &#8220;Band&#8221;, no início do segundo turno. A quem ela pretende agradar? À turma do Palocci, ou à turma que foi à rua e garantiu a vitória dela enfrentando a onda conservadora que Serra trouxe para o debate?</p>
<p>A oposição está enfraquecida. O lulismo é forte e dominante no país. Mas o governo Dilma parece frágil. Equação estranha. É preciso aproximar o governo Dilma do lulismo. Dilma ganhou por causa disso. Vai governar, de verdade, se estiver alinhada ao lulismo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/palocci-e-as-escolhas-de-dilma.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>88</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>LA, Higienópolis e a civilização imperfeita!</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/los-angeles-o-churrasquinho-de-higienopolis-e-o-brasil-civilizacao-imperfeita.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/los-angeles-o-churrasquinho-de-higienopolis-e-o-brasil-civilizacao-imperfeita.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 May 2011 07:57:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[Viva o Brasil!]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=7993</guid>
		<description><![CDATA[Enquanto transitava feito alma penada pelas "freeways" de Los Angeles - essas avenidas assépticas, artérias de uma cidade estranha e dominada pelo automóvel -, recebi com alegria a notícia de que em São Paulo prepara-se um histórico churrasquinho em frente ao shopping Higienópolis. Ótimo! O brasileiro indigna-se. Não aceitamos mais a boçalidade elitista. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span>, de Los Angeles</em></p>
<p>Enquanto transitava feito alma penada pelas &#8220;freeways&#8221; de Los Angeles &#8211; essas avenidas assépticas, artérias de uma cidade estranha e dominada pelo automóvel -, recebi com alegria a notícia de que em São Paulo prepara-se um histórico churrasquinho em frente ao shopping Higienópolis.</p>
<p>O que uma coisa tem a ver com a outra? Vou tentar explicar&#8230;</p>
<p>A gente tem mania de dizer que o brasileiro, e o paulistano em particular, é elitista, preconceituoso, excludente. Tudo isso tem uma ponta de verdade. Tudo isso encontra amparo na nossa história secular de desigualdade. Mas ao olhar para Los Angeles &#8211; para a tristeza e a pasmaceira dessa gente nas ruas limpas e vazias &#8211; senti uma ponta de orgulho de ser brasileiro.</p>
<p>Sim. Vamos lembrar&#8230;</p>
<p>Em Nova York e Washington, jovens foram às ruas duas semanas atrás para &#8220;comemorar&#8221; o assassinato de Bin Laden. Foi um espetáculo triste. E não vi outros jovens &#8211; nas universidades, nas escolas, nas associações ou Igrejas desse imenso país da América do Norte &#8211; terem a coragem de ir pra rua e dizer: &#8220;alto lá; Bin Laden é (ou era) um assassino; mas até os criminosos têm direito a um processo legal, essa é a base da democracia&#8221;.</p>
<p>Não. Os Estados Unidos abriram mão disso. Trocaram Justiça por Vingança. E quem ousou protestar ficou isolado. Os Estados Unidos são um gigante combalido. E um gigante combalido é perigoso.</p>
<p>O Império do Norte foi duramente golpeado em 2001, pelo ataque covarde às torres gêmeas. Depois, teve sua economia golpeada com a crise de 2008 (fruto de desregulação alucinada dos &#8220;mercados&#8221;, que tomaram de assalto o Estado fundado por George Washington). A eleição de Obama parecia redenção, enganou muita gente. Mas Obama já jogou no lixo o discurso (e a pose de) modernizador, e contentou-se com o papel de cowboy.</p>
<p>Vocês viram a cena insólita de Obama caminhando pela Casa Branca depois de anunciar que a &#8220;justiça foi feita&#8221;, logo após o ataque no Paquistão? Patético. Obama virou Bush. Um simulacro de Bush.</p>
<p>Comparemos com o Brasil. Nesse mesmo período, de 2002 pra cá, nosso país elegeu um operário. Depois, reelegeu o operário. Enterrou assim o complexo de vira-lata. Muita gente temia (e havia os que torciam descaradamente para que isso acontecesse) que um homem do povo não desse conta do recado. Lula deu conta. Mais que isso: tirou 20 milhões de brasileiros da miséria, fortaleceu o mercado interno, freou o processo de desmonte do Estado, pôs o Brasil no centro das decisões internacionais, devolveu auto-estima ao povo brasileiro.</p>
<p>Lula cometeu muitos erros. Sem dúvida. Mas ajudou a fundar um novo Brasil. E nosso ex-presidente é um líder conhecido e admirado no mundo inteiro. Ando por Los Angeles, e quando digo que sou do Brasil costumo ouvir: &#8220;Uau, it´s cool&#8221;. Algo como: &#8220;Uau, que bacana&#8221;.</p>
<p>Os Estados Unidos são uma potência. Ninguém duvida. Mas são uma potência triste.</p>
<p>O atual presidente deles é um negro que chegou ao poder carregando esperança de renovação. Afundou-se no conservadorismo dos cowboys. A nossa atual presidente é uma mulher, ex-guerrilheira &#8211; que segue os passos de Lula.</p>
<p>O último ex-presidente deles é Bush Jr. O nosso, é Lula.</p>
<p>E o churrasquinho? Ah, isso tem tudo a ver com Lula&#8230;</p>
<div id="attachment_7999" class="wp-caption aligncenter" style="width: 616px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/05/gente-diferenciada1.png" rel="lightbox[7993]"><img class="size-full wp-image-7999" title="gente-diferenciada1" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/05/gente-diferenciada1.png" alt="" width="606" height="346" /></a><p class="wp-caption-text">Edu Guimarães quer saber: Serra vai convidar FHC pro churrasquinho?</p></div>
<p><span id="more-7993"></span>O churrasquinho, como se sabe, é a reação bem-humorada a esse bando de infelizes que fez lobby para não ter Metrô perto de casa, em São Paulo. Tudo aconteceu em Higienópolis, condado habitado (santa coincidência) por FHC. Uma senhora, moradora do condado de Higienópolis, chegou a explicar porque não queria o Metrô: é que isso traz gente &#8220;diferenciada&#8221; pro bairro.</p>
<p>Seguiram-se reações indignadas. Ótimo! O brasileiro indigna-se. Não aceitamos mais a boçalidade elitista. Vejam que o Prates (aquele comentarista tosco da RBS) perdeu o emprego ao dizer que qualquer &#8220;analfabeto&#8221; podia ter carro. Agora, a turma de Higienópolis apanha por ter feito a opção demofóbica. Isso é muito bom.</p>
<p>E digo mais. Ótimo que &#8211; em vez de agressões, pancadas ou cascudos &#8211; a turma elitista receba como contragolpe um churasquinho! Essa é uma lição para o mundo. É uma saída genial. Diante do preconceito, reagimos com escárnio, não com violência.</p>
<p><!--more-->Nos Estados Unidos, isso seria impensável. Olho pras ruas tristes de Los Angeles, para os condomínios sem alma da cidade, para as calçadas limpíssimas de Santa Mônica (o balneário aqui bem próximo da capital do Cinema), e me orgulho do Brasil.</p>
<p>Podemos dar ao mundo o exemplo de uma civilização imperfeita, que não pretende (e nem consegue) ser limpa, higiênica, asséptica. Somos um país forte, que pode ser rico, mas seguirá cheio de defeitos.</p>
<p>Aceitá-los, como se aceita camelôs e gente &#8220;diferenciada&#8221; na porta de casa, é um exercício saudável para evitar nazismos, fascismos e bushismos.</p>
<p>Tantaz vezes confrontado pela elite brasileira que não aceitava ser governada por um &#8220;diferenciado&#8221;, Lula não partiu pro confronto, nem tentou derrubar a bastilha. Lula reagia sempre com o churrasquinho.</p>
<p>O churrasquinho é como se o povo, como fez Lula durante 8 anos, dissesse pra essa elite tosca: &#8220;não queremos ser iguais a vocês&#8230; Vocês é que deviam ser iguais a nós. Venham, sejam brasileiros! Venham pro nosso churrasquinho, aproximem-se! No Brasil, há espaço até para elitistas boçais.&#8221;</p>
<p>Somos uma civilização imperfeita. É o melhor que podemos oferecer ao mundo.</p>
<p>Somos um país que responde ao preconceito com churrasquinho! Viva o Brasil.</p>
<p>P.S. &#8211; Um comentarista abaixo estranha o fato desse escrevinhador falar em &#8220;elitismo&#8221;, escrevendo de Los Angeles. Esclareço duas coisas: estou em Los Angeles a trabalho, não escolhi (e nem escolheria) passar férias aqui. Mas não tenho problema em dizer que ganho bem como jornalista, e até posso vez ou outra viajar para o exterior. Mas gosto de churrasquinho e não tenho medo de gente &#8220;diferenciada&#8221;. Há elites e elites. Abraços.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/los-angeles-o-churrasquinho-de-higienopolis-e-o-brasil-civilizacao-imperfeita.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>72</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>FHC quer o subtucanismo sem povo!</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/fhc-quer-o-subtucanismo-sem-povo.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/fhc-quer-o-subtucanismo-sem-povo.html#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 16:40:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra Minha]]></category>
		<category><![CDATA[Oposição em crise]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.rodrigovianna.com.br/?p=7570</guid>
		<description><![CDATA[Em algum momento, lá pelo fim do segundo mandato de Lula, quando o presidente operário bateu em níveis inacreditáveis de popularidade, FHC foi tomado pelo pânico. Escreveu, então, um artigo (acho que no "Estadão") qualificando o lulismo de "subperonismo". Quem conhece a Argentina e o Brasil sabe que no país vizinho Perón é uma presença ainda hoje dominante na política. Curioso: os argentinos desmontaram o Estado criado por Perón, mas o peronismo persiste como referência quase mítica no discurso político.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>Em algum momento, lá pelo fim do segundo mandato de Lula, quando o presidente operário bateu em níveis inacreditáveis de popularidade, FHC foi tomado pelo pânico. Escreveu, então, um artigo (acho que no &#8220;Estadão&#8221;) qualificando o lulismo de &#8220;subperonismo&#8221;.</p>
<p>Quem conhece a Argentina e o Brasil sabe que no país vizinho Perón é uma presença ainda hoje dominante na política. Curioso: os argentinos desmontaram o Estado criado por Perón (e o autor do desmonte foi, esse sim, um subperonista &#8211; Carlos Menem, homem de costeletas largas e pensamentos curtos), mas o peronismo persiste como referência quase mítica no discurso político.</p>
<p>Nós, brasileiros, somos mais pragmáticos. Aqui, Vargas praticamente sumiu do imaginário popular. Mas sobrevive no Estado brasileiro &#8211; que FHC tentou desmontar. Vocês se lembram? Em 94, pouco antes de assumir a presidência, o tucano disse que uma das tarefas no Brasil era &#8220;enterrar a era Vargas&#8221;. Não conseguiu. Vargas sobrevive no BNDES, na Previdência Social, no salário-mínimo, na Petrobrás, nos sindicatos. O Brasil moderno foi construído sobre os alicerces deixados por Vargas. FHC gostaria de tê-los dinamitado.</p>
<p>Agora, o ex-presidente tucano reaparece. Não para tentar desqualificar o lulismo. Mas para lançar um alerta. Ele teme que as &#8220;oposições&#8221; se percam &#8221;<em>no burburinho</em> [êpa, cuidado Stanley!!!] <em>das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo</em>&#8220;&#8230;. E pede que os tucanos deixem pra lá essa história de falar com o povão, e concentrem-se nas classes médias.</p>
<p>Literalmente, em artigo que acaba de ser publicado, o ex-presidente afirma:</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.&#8221;</em></p></blockquote>
<p>FHC lança, assim, as bases do &#8220;subtucanismo&#8221;.</p>
<p>Em algum momento, quando ainda estava no poder, ele havia dito: &#8220;esqueçam o que escrevi&#8221;. Agora, escreve: &#8220;esqueçam o povão&#8221;.</p>
<p>Mas o subtucanismo de FHC não deve ser desprezado. Ele parte de uma constatação real, concreta. A de que a oposição (que se refugiou no discurso moralista da classe média) pode perder também esse quinhão. O ex-presidente e ex-sociólogo afirma que a tarefa da oposição é de uma &#8220;<em>complexidade crescente a partir dos primeiros passos do governo Dilma que, com estilo até agora contrastante com o do antecessor, pode envolver parte das classes médias</em>.&#8221;</p>
<p>Aqui nesse blog, ainda nas primeiras semanas de governo Dilma, escrevi um pequeno texto, intitulado <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/pt-rumo-ao-centro-e-oposicao-na-uti.html">&#8220;PT rumo ao centro e oposição na UTI&#8221;</a>. Duvido que FHC tenha se rebaixado, e lido o subjornalismo que aqui praticamos. Mas, curiosamente, era mais ou menos isso que eu afirmava naquele post:</p>
<blockquote><p><em>É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro! </em><em>Isso sufoca a direita e a oposição.</em></p></blockquote>
<p>Minha subanálise, baseada em subobservações dos primeiros movimentos de Dilma, avançava um pouco mais:</p>
<blockquote><p><em>Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno de 2010. </em><em>Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente. </em></p></blockquote>
<p><span id="more-7570"></span>Estratégia tão inteligente que já fez os tucanos acenderem o sinal amarelo: ou eles brigam pela classe média, ou ficarão sem nada.</p>
<p>FHC mostra-se realista ao propor que o PSDB use não as ferramentas tradicionais da política, mas concentre-se nas redes sociais:</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc. </em><em>É a estes que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente, sobretudo no período entre as eleições, quando os partidos falam para si mesmo, no Congresso e nos governos. Se houver ousadia, os partidos de oposição podem organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas.&#8221;</em></p></blockquote>
<p>Ou seja: o subtucanismo defendido por FHC inclui abandonar o povão, concentrar-se nas mídias eletrônicas e seguir no bombardeio &#8221;moralista&#8221; que ecoa junto ao último bastião das oposições &#8211; a classe média.</p>
<p>Portanto, preparem-se: as tropas de &#8220;trolls&#8221; tucanos (aliados à extrema dideita que frequenta a internet), atuantes  durante a eleição, em breve voltarão a atacar. É nas redes sociais, com o discurso do medo e do moralismo, que o PSDB pretende se agarrar. Foi o que fez Serra em 2010. Obteve 44 milhões de votos.</p>
<p>O PT e o lulismo cometerão um erro grave se subestimarem a capacidade de aglutinação dessa nova oposição &#8211; que reconhece seus erros e agora parece redirecionar as baterias.  FHC parece ser o ideólogo da operação, Aécio o operador congressual. A velha mídia já está em campo (e a capa da &#8220;Época&#8221; foi apenas um ensaio do que pode vir pela frente).</p>
<p><!--more-->A classe média vai escutá-los? Ou será enredada pelo arranjo do lulismo, com Dilma a caminho do centro?</p>
<p>Os próximos meses vão revelar se o subtucanismo de FHC é uma operação desesperada, ou uma estratégia inteligente e duradoura.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/fhc-quer-o-subtucanismo-sem-povo.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>45</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

