publicada terça, 26/01/2010 às 20:51 e atualizado terça, 26/01/2010 às 21:07 |
19 Comentários

Tento aprender sobre Elisa Lynch, mas o Paraguai só pensa em Cabañas, o improvável, que luta pela vida
Semana passada, escrevi aqui sobre minha passagem pelo infernal calor carioca. Adoro o Rio, mas dessa vez estava demais. Escapei, rumo à serra fluminense. Conheci São Pedro da Serra, pertinho de Nova Friburgo. Motivos familiares me levaram até lá. Que belíssimo lugar. Mas já estou na estrada de novo...
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"O cabo Chico Diabo, do diabo do Chico deu cabo" repetia meu avô o versinho que resumia a visão que os brasileiros tinham de Solano Lopez, o nano-Napoleão do Chaco. Até que Chiavenatto ("Genocídio Americano") reescreveu a história em tintas dramáticas, colocando o ditador paraguaio como um idealista, levado à guerra e trucidado junto com seu povo por uma aliança entre nobres brasileiros, fazendeiros platinos e capitalistas britânicos. Hoje chegamos a um consenso intermediário, no qual Solano surge como um ditador que buscou pelas armas uma saída para o mar, invadindo Brasil e Argentina. Incapaz de sustentar o esforço de guerra contra um inimigo que, embora prejudicado pela logística, era numericamente superior, viu seu país ser dizimado pelos adversários. Terminou assassinado no campo de batalha por um simples cabo.
terminei de ler, há pouco, "A Solidão segundo Solano Lopez" (Carlos de Oliveira Gomes, Círculo do Livro S.A., 1982) e vejo com satisfação, nos comentários já postados, que o tema continua a despertar interesse por aqui no Brasil como, aliás, acontece com grandes guerras, em relação às quais se estabelecem longos prazos para "disclosure" dos documentos que realmente poderiam esclarecer os fatos, causas e culpados. Sobre nosso desconhecimento da história de nossos vizinhos, tenho a ideia de que isso se deve à diferença de idioma (eles falam, em geral, o castelhano e nós, o português) e de nossa origem: eles provêm do Império Espanhol e nós do Português e, muito mais importante, nós somos a continuação de Portugal, já que nossa rainha (Da.Maria) e seu regente (futuro D. João VI) para cá vieram quando a França napoleônica se espalhou pela Ibéria, ao passo que o Império Espanhol ficou sem vínculos com Madrid e cada líder local tornou independente sua "capitania", de forma a fragmentar o grande império. Quando a França, em processo revolucionário, voltou os olhos para seu interior, achou conveniente vender a Louisianna para os jovens USA e abandonar o Haïti, o Estado do Brasil continuou íntegro e português até sua independência continuativa e pacífica em 1822. Assuntos fascinantes. Ainda há pouco ocorreram novas constituições de estados plurinacionais no Equador e na Bolívia, em que se resgatam as raízes de quéchuas e aimaras (como o pres. Morales), e não se ouve qualquer comentário por aqui. Já na província de Misiones, Argentina, a Wiphala - a bandeira andina -, foi adotada como bandeira oficial, após mas junto às tradicionais.
Rodrigo, Queria aproveitar o texto e falar de outro Linch. O Linch que deu origem ao termo linchar, linchamento. Era um fazendeiro da Virgínia. E para que os negros aprendessem a obedecer, pegava um que tinha saído fora das regras. Na frente de crianças, mulheres e outros negros, amarrava o negro por uma perna em um cavalo e a outra em outro e mandava os dois correrem. Bem daí você já pode imaginar. Queria estar enganado, mas de onde veio o termo Linchar se não for este?
Prezado Vianna, existem mitos que de tão repetidos acabam virando uma espécie de "realidade", o Paraguai de Solano López, nada mais era que um país que buscava se fortalecer militarmente com medo de possíveis tentativas de anexação da Argentina, bem como a busca de saída para o mar, por isto invadiu tanto o Brasil quanto a Argentina. Outro fato importante é que o Paraguai tinha uma receita de exportações baseada na madeira e na erva-mate, ao contrário do que se diz por muitos. O Paraguai naquela época não era industrializado tampouco era uma potência regional.O Brasil de Mauá era muitíssimo mais industrializado. Caso não tivesse o Brasil vencido a Guerra do Paraguai, hoje a parte oeste do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, bem como a maior parte do Mato Grosso do Sul e grande parte do panatanal do Mato Grossão seriam paraguaios... P.S.A Inglaterra financiou os dois lados da guerra...
O Doratiotto nos anos 70 em seu primeiro livro sobre a guerra da triplice aliança, ajudou a construir, em parte, esta idéia da participação britanica, que existiu mas não foi determinante, como disse a Vanessa,em Guerra Maldita ele reve o livro dos anos 70, e coloca os motivos da consolidação dos estados da bacia do prata. Madame Linch, morreu incompreendida, sua participação foi relevada pelo próprio machismo sul americano, e a identificação do povo paraguaio com Solano Lopez, seu pai, e Gen. Francia, alias pouco conhecidos ou citados em publicações brasileiras. Agora alguem pode me dizer porque os arquivos brasileiros sobre uma guerra de 130 anos atras são secretos? Alguem sabe se é verdade que D. Pedro II chegou a cogitar, alguns historiadores comentam, o casamento de uma de suas filhas com Solano Lopez?
Se mal me engano foi solano lopez, que almejando o desenvolvimento de seu pais, queria saida para o mar, e declarou guerra ao Brasil. E depois com a não cooperação da Argentina também declarou guerra contra ela. O Uruguai entrou por "solidariedade". A inglaterra obviamente nesse contexto comemorou duas vezes, derrotou o paraguai e envididou o Brasil. Podemos discutir sobre se a mão brasileira foi "muito pesada" com o Paraguai. Mas dizer que o brasil iniciou é um pouco demais. Assim como culpar o Brasil por todas as mazelas do paraguai, que nesses mais de 150 anos teve outra guerra (do chaco), golpes politicos, além de 60 de partido colorado no poder.
Fora toda esta sacanagem. Ainda tem mais. O nosso(?) Duque de Caxias prometeu a todos os negros escravos a alforria; saiu à francesa do campo de batalha e foi substituído pelo principe consorte Cond'Eu, que no fim da guerra, além de não cumprir a promessa do Duque, mandou decapitar todos os soldados negros.
Pelo menos nós, da esquerda, devíamos parar de maltratar a história do Brasil dessa forma. A mitologia infantil criada em torno da Guerra do Paraguai na década de 70, falando de um %u201Cgenocídio americano%u201D, Paraguai desenvolvido, não tem cabimento. Se naquela época isso tinha um objetivo político de azucrinar o regime militar, hoje isso não faz mais nenhum sentido, até porque não se sustenta entre os estudiosos sérios do tema. Lopez era um caudilho psicótico que fez uma aposta alta demais e que não conseguiu bancar, arrastando junto seu país até o aniquilamento total. Como já citado por outro leitor, recomendo fortemente o livro %u201CMaldita Guerra%u201D, do Francisco Doratiotto.
Pessoal com relação a guerra do Paraguai, ja tive varias opiniões diferentes: No ginasio, a versão ensinada era que o Solano Lopes era um louco que invadiu o Brasil. Na faculdade a versão era de que pressionados pelos ingleses destruimos o Paraguai que ensaiva se tornar uma potencia industrial. Adulto, fiz pesquisas e leitura sobre o assunto para tentar encontrar a verdade. Alguns dados: Solano Lopez era um ditador e um amante da guerra, ele modernizou seu pais e preparou suas forças armadas para expandir seu território. O Paraguai invadiu o Brasil sem provocação alguma. O Brasil não queria e não estava preparado para a guerra, não tinhamos frota, equipamentos e homens treinados, o Brasil demorou mais de um ano para se preparar para e guerra e enviar tropas contra o Paraguai. A partir dai a M tava feita, ingleses e alemães botaram mais lenha na fogueira, nossos militares se assanharam... final da história, massacramos grande parte da população masculina do Paraguai, subornamos o arbitro que julgou o tratado de rendição... Ninguem é inocente, mas quem começou foi o seu Solano.
É embaraçoso como História é ensinada nas escolas no Brasil. Acaba-se aprendendo muito sobre a ascensão e queda do Império Romano, sobre a Revolução Francesa, etc. mas pouco ou quase nada sobre a história dos países da América Latina, nossos vizinhos, não apenas geográficos. Li "Distant Neighbors: A Portrait of the Mexicans", de Alan Riding, sobre o México e a impressão que dá é que se no livro trocasse México por Brasil, boa parte do livro continuaria válida. As semelhanças são bem grandes. Só lendo o livro para perceber. Quando aparece alguma discussão sobre a Venezuela, por exemplo, é difícil opinar pois o conhecimento sobre a realidade e a história são bem escassos por aqui. Quanto à Argentina, me surpreendi quando alguém comentou que o país chegou a ser a 5a economia do mundo, acho que lá pelo final do século 19, devido às exportações de carne. Não sei se isso é verdade, mas sei que por lá acabaram com o analfabetismo nos anos 30 do século passado. Quanto ao Paraguai o pouco que se ensina na escola é sobre a guerra, muito superficialmente e com uma visão que tende a ser distorcida, seja para pintar o Solano Lopez como Deus ou como o diabo. Ou então aparece livros como o "Maldita Gerra" com ares de revisionismo, para combater as ídeias do livro do Chiavenato, que é de esquerda.
Sobre essa questão da guerra do Paraguai, o que ocorreu foram os horrores de uma guerra sangrenta resultante de fortes interesses geopolíticos brasileiros e argentinos patrocinados pela Inglaterra em confronto com interesses identicamente gulosos do Paraguai. Admiro Solano Lopez, foi audacioso e não era nenhum tolinho-romântico pois desejava território e obviamente o controle do acesso ao Atlântico, é fato histórico que as tropas paraguaias invadiram o que hoje é o Mato Grosso do Sul chegando a construir fortificações por lá e, caso não tivessem sido rechaçados, certamente teríamos perdido o que hoje é o Centro-Oeste. O problema da estratégia do Marechal é ter subestimado o contragolpe dos vizinhos e como sempre, uma vez soltos os cães de guerra o que há é a barbárie.
Olá Rodrigo! Gostaria de acrescentar duas informações a seu texto (ótimo como sempre): 1º: a historiografia moderna desmistifica essa tese segundo a qual a Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai) foi manobrada pela Grã-Bretanha para destruir o Paraguai, uma potência industrial e socialmente justa. Na verdade, a guerra, segundo essa corrente, é resultado do processo de formação dos Estados nacionais no Prata, haja vista que Argentina e Uruguai até o início do conflito passavam por constantes convulsões internas provocadas por diferentes grupos políticos. Especificamente, o Paraguai, após anos de isolamento do "Ditador Perpétuo" José de Francia, tenta obter um papel maior na região. Isso é iniciado por Carlos Solano Lopez e radicalizado por Francisco Solano Lopez, que se alia aos Blancos uruguaios, os quais eram inimigos tradicionais do Império brasileiro, sobretudo de estancieiros gaúchos, e, de forma circunstacial, do novo líder argentino, Bartolomé Mitre, pois o governo blanco uruguaio buscou apoio dos inimigos deste, dentre eles Justo Urquiza, e do próprio Solano Lopez, para tentar fazer frente à tradicional disputa entre Brasil e Argentina sobre a região. Ou seja, Paraguai e Uruguai tentaram unir forças para impor-se no Prata, esbarrando em interesses maiores: Argentina e Brasil. Na verdade, quando do início da guerra, o Brasil rompera as relações diplomáticas com o Reino Unido, devido aos incidentes com William Christie, representante da Coroa britânica no RJ, que abusou da arrogância e desrespeitou D. Pedro II e o Império como um todo. Assim, como poderia ter havido manipulação sem existirem relações diplomáticas? Ademais, a Grã-Bretanha tinha muitos interesses econômicos no Paraguai dos Lopez. Exemplo disso é a militarização do país, feita com material bélico britânico. Ademais, o Paraguai adotou um projeto de desenvolvimento agrário, baseado em estâncias estatais com uso de máquinas para aumentar a produtividade. E as máquinas eram... britânicas. Por fim, essa história de que o Paraguai fez reforma agrária, etc. é mito. Já li que a família Solano Lopez tornou-se, à época, proprietária de "meio" Paraguai, inclusive Madame Lynch. 2º: Francisco Solano Lopez foi morto pelo Cabo brasileiro Francisco Lacerda, conhecido como "Chico Diabo"... imagino que o porquê disso esteja subentendido na alcunha. Abraços
mais uma vergonha para o brasil carregar , fazer o serviço sujo para os ingleses se fosse hoje com um governo deus me livre demotucano ia fazer o serviço sujo para os eua. com a ascensao do governo lula ao poder deu para ter orgulho desse pais.
Prezadíssimo Rodrigo Vianna, prezadíssimos amigos do blog como eu; Solano Lopes seguiu a mesma esteira de Francia, deslocado lider progressista, ambos decididos a construir uma nação digna de si mesma, nação que ensaiou passos rumo a um precoce desenvolvimento antes de ser exterminada num genocídio perpetrado pela Inglaterra e seus três jagunços latino-americanos (Brasil, Argentina e Uruguai), um genocídio que, PROPORCIONALMENTE FALANDO (refiro-me à porcentagem de mortos paraguaios em relação à população paraguaia existente antes da guerra), deixaria muitos nazistas com agua na boca. Aliás, já que estamos a discutir buscas da verdade histórica, convém que um dia nós nos equipemos de pesquisas robustas o suficiente para que tenhamos diante dos olhos os números e os fatos que marcam essa passagem da história táo vergonhosa para nós, brasileiros. Assassinamos uma nação cheia de belas promessas. Assassinamos, eis a palavra. Mas o assunto é tabu por aqui. Náo imagino que os nossos gorilas fardados estejam dispostos a mais esta exibição de suas grandes vergonhas.
É engraçado você ter juntado no mesmo texto esses dois personagens da história paraguaia. A mulher de Solano é vítima de preconceitos porque a história é escrita pelos vencedores. Porque digo isso, muitos jornalistas esportivos aqui no Brasil estão questionando o que o jogador paraguaio estava fazendo num bar as cinco da manhã, insinuando que ele devia estar aprontando alguma, como se algo pudesse justificar o tiro na cabeça, mas, enfim, transformasse a vítima em réu. Mas, afinal, como você mesmo disse, o jogador costuma ser carrasco não apenas da seleção, mas também de times brsileiros, como o Flamengo e o glorioso Santos, e a nossa arrogância futebolística não pode nos levar a simplismente prestar solidariedade num caso absurdo desses.
Rodrigo, recomendo fortemente o livro "Maldita Guerra", de Francisco Doratioto. Leitura indispensável. Como deve ter sido com voce, também havia sempre aprendido e escutado que a Guerra do Paraguai (ou da Tríplice Aliança, como os paraguaios preferem...) teria sido a serviço dos ingleses, com o objetivo de arrasar com o modelo de desenvolvimento que estaria se implantando lá, como voce diz no teu texto. Não foi bem assim nao. Teve muito mais a ver com os processos de consolidação nacional dos Estados nacionais envolvidos. Houve o interesse britanico, mas ele nao foi o desencadeador da sangrenta guerra. A responsabilidade é toda nossa mesmo. abraços, Vanessa.
Clayton, meu caro: o livro chama-se "Calúnia - Elisa Lynch e a Guerra do Paraguai", de autoria de dois irlandeses (Michael Lillis e Ronan Fanning), acaba de sair no Brasil pela editora Terceiro Nome. Olha, não é obra adacemica. Um dos autores, Michael Lillis, pelo que entendi, era empresario e conheceu o Paraguai porque comprava aeronaves usadas para uma companhia irlandesa. Alias, o Rolim (da TAM) era amigo desse Lillis, e morreu num acidente justamente quando ia encontrar o autor, numa visita ao Cerro Corá (localidade onde Solano Lopez foi executado pelas tropas brasileiras dirante a guerra). Rolim era um cara muito interessado nas relações Brasil-Paraguai. Mas essa é outra historia... É isso. Acho que é facil de achar o livro. Abs, Rodrigo.
Prezado: por favor, indique o livro.
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Luis Segovia comentou em 08/03/2010 às 00:41
Olá. Obrigado pelo espaço livre para opinar! Sem querer alimentar a polêmica, esclareço desde já que sou paraguaio, e que vou colocar aqui alguns dados históricos, retirados do livro "Elisa Lynch - Mulher do Mundo e da Guerra" de Fernando Baptista publicado pela Editora Biblioteca do Exército (Brasileiro), Edição de 2007. No texto que segue, o que escrevo entre colchetes [], serve apenas como complementação do fato principal, portanto, não é necessária sua leitura, a não ser que se deseje mais informação sobre o assunto. 1 - Um fato fundamental a esclarecer desde o início é que na época não existia democracia, como a conhecemos hoje. Nenhum dos países era democrático e os conceitos atuais de cidadania não podem ser aplicados a nenhum dos países. 2 - Antes da Guerra do Paraguay, Guerra da Tríplice Aliança, ou Guerra Grande (vou chamá-la apenas de Guerra daqui para a frente), o Brasil negava a livre navegação pelo Rio Amazonas, mas reivindicava a livre navegação pelo Rio Paraguay, e de fato, a praticava, já que o Paraguay não se opunha a esta navegação (era comum a passagem de barcos vindos do Mato Grosso pelo Rio Paraguay). [O brasil fazia isto porque não existia uma via terrestre aberta do Mato Grosso até o Rio de Janeiro e era muito mais fácil chegar até lá de navio, descendo o Rio Paraguay até o mar, e depois subindo pelo litoral brasileiro]. 3 - Fazia anos a Argentina reivindicava a anexação do Paraguay. [Fazia isto sob o argumento da unificação da antiga "Província Gigante de las Indias", quando os territórios atuais da Argentina, Paraguay e Uruguay estavam sob o mesmo domínio espanhol]. 4 - O Paraguay não tinha saída ao mar. 5 - A Argentina e o Uruguay controlavam a saída ao mar através do Rio de la Plata. A Argentina, na tentativa de evitar a saída de produtos paraguaios e evitar a expansão da economia paraguaia, sempre colocava empecilhos à livre navegação dos barcos paraguaios, mas o Uruguay a permitia. Assim, ainda que a Argentina mostrasse oposição, o Paraguay podia usar o Rio de la Plata como saída ao mar, com o consentimento do Uruguay. 6 - Em virtude do exposto no item anterior, quando o Brasil, ameaçou invadir o Uruguay através de um ultimátum, alegando prejuizo aos interesses de súditos brasileiros com negócios no Uruguay [denunciados pelo General honorário Antônio de Souza Netto, um dos chefes da Guerra dos Farrapos], o Paraguay lançou um contra-ultimátum em defesa do Uruguay (que se não atendido, seria equivalente a uma declaração de guerra ao Brasil), visando ao mesmo tempo defender "sua" saída ao mar, já que com a troca de governo no Uruguay a perderia, ficando com a sua economia sufocada. 7 - O Brasil ignorou este contra-ultimátum paraguaio, já que aparentemente o Paraguay não tinha absolutamente nada a ver com a questão reivindicada pelos súditos brasileiros. O Uruguay foi invadido e assumiu um governo que atendeu as reivindicações brasileiras. Este governo estava mais alinhado com os argentinos do que o governo deposto, que permitia a livre navegação de barcos paraguaios pelo Rio de la Plata. 8 - Como consequência da invasão do Uruguay, o Paraguay apresou o navio brasileiro "Marquês de Olinda" que passava por Asunción em 10 de novembro de 1864. 9 - Iniciava-se a guerra... No que escrevi antes, tentei não expressar um juizo de valor sobre os fatos. Mas agora, o que segue é minha visão dos fatos, portanto pode ser parcial ou até errada. Considero que não é possível tentar entender o que aconteceu sem analisar o contexto da situação política na América do Sul naquela época. Se alega frequentemente que Solano López era um ditador, mas o que era "não ser um ditador" na época, quando não existiam eleições livres?. É fato que o governo do López era legítimo (ainda que não democrático), pelas leis paraguaias da época, já que foi eleito pelo congresso, por 10 anos. Da mesma forma que era legítimo (ainda que não democrático) o governo do Imperador do Brasil. Eu apenas me questiono (e não tenho resposta para isso) o que poderia levar uma nação inteira a se sacrificar como a nação paraguaia, ainda que a partir de certo momento (1868), a guerra já estava perdida e o próprio López já não teria condições de deter a deserção em massa ou a rebelião geral. Ainda assim, milhares de homens, mulheres e crianças o acompanharam até o final. Isso, nem eu que sou paraguaio consigo me exlicar, mas respeito profundamente.