Plenos Poderes

Um texto explicando um pouco da seção. Básico.

Como barrar a ofensiva dos latifundiários?
Este escrevinhador participou, nas últimas semanas, de algumas conversas que resultaram no manifesto que reproduzo abaixo - em defesa da reforma Agrária, e contra a criminalização de quem luta por dividir a terra. Mais que um manifesto, é um convite para que mais gente se una a uma rede nacional que pretende debater o assunto... Quem vive em barracas de lona preta, à beira das estradas, luta por Justiça. É uma luta que interessa a todos os democratas. Interessa ao Brasil! === Manifesto - Denuncie a ofensiva dos setores conservadores contra a reforma agrária!"Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo."
Serra na festa da Uva: semana terrível para o tucano
A semana que passou não foi das mais agradáveis para Serra. Começou com a repercussão da pesquisa "DataFolha", em que Dilma já aparece em empate técnico com o tucano: 32% a 28%. As notícias ruins continuaram, com a recusa de Aécio em aceitar a pressão paulista para virar vice. Nesse último fim-de-semana, mais dois momentos impressionantes... A) O editorial do "Estadão", a pedir coragem ao paulista: "a relutância em assumir a sua legítima aspiração, pela qual trabalha em surdina, já faz com que se diga que ele não tem medo do poder - tem medo do voto". B) A visita à festa da Uva, em Caxias do Sul: Serra teve a companhia da tucana Yeda - um fantasma político a vagar pelos pampas. Diante de tantas agruras, é normal que Serra pense em desistir. Mas, se desistir agora, corre o risco de também virar um fantasma.
No bastidor, DEM já vê Dilma como "franca favorita"
O DEM não se preocupa só com os panetones de Arruda - o governador preso teria em mãos um dossiê que pode comprometer a cúpula do partido. O DEM não se preocupa só com a queda de popularidade de Kassab - o prefeito chafurda nas enchentes, enquanto sua sub-prefeita tira onda de garota gostosa nas páginas de "Playboy". O DEM tem preocupações ainda maiores com o quadro político nacional. Análise que circula, de forma reservada, na cúpula da legenda traz previsões ruins para os interesses do partido. O texto de Saulo Queiroz (tesoureiro do partido) prevê vitória fácil de Dilma contra Serra, e defende que a oposição aposte em Aécio - não para ganhar agora, mas para garantir um nome competitivo em eleições futuras. Pelo visto, Bornhausen (DEM-SC) terá trabalho para fazer a "raça" sobreviver.
Mário (que Mário?): é a extrema-direita atrás do armário
Se você acha que a campanha de 2010 terá, na disputa, só os nomes de Serra, Dilma e Marina (acrescidos, talvez, de Ciro Gomes), está enganado. Se você acha que Serra será o representante da "direita fascista" na campanha, também está enganado (aliás, já disse aqui que Serra não é fascista coisa nenhuma; tem formação de esquerda, não fechava com a turma mais "liberal" do governo FHC; mas, nos últimos tempos, aceitou o papel de candidato mais à direita, até por falta de opção). A "Istoé" acaba de lançar o nome que vai ocupar o espaço da extrema-direita. Você sabe de quem estou falando? É o Mario. Que Mário? Não darei a resposta clássica... O Mário da extrema-direita é o Mário Oliveira (foto). Quer se lançar pelo PTdoB. Segundo a "Istoé", ele tem o apoio de milicos barra-pesada e de gente ligada ao sistema repressivo durante a ditadura. Por isso, se alguém nos próximos dias perguntar se você conhece as propostas do Mário, desconfie. Não vá perguntar: "Mário, que Mário?".
DEM: as cotas, as negras e o estupro ´consensual´
O DEM não anda numa fase boa. Mas restam as grandes lideranças no Congresso: Demóstenes Torres, Caiado... Destemidos defensores dos bons costumes. Laura Capriglione, na "Folha", conta-nos como Demóstenes - o probo senador - referiu-se à Escravidão e à miscigenação, num debate sobre as cotas raciais nas universidades. Demóstenes e o DEM alinham-se com aqueles que consideram as cotas um atentado contra as liberdades. Essa é a tradição de nosso liberais: "Nós temos uma história tão bonita de miscigenação... [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual."
Seixas responde ao promotor do "Tortura? Talvez"
Ivan Seixas (foto), que foi torturado durante a ditadura e que hoje preside o CONDEPE (Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do estado de São Paulo), responde ao promotor de São Paulo que escreveu um patético artigo, discutindo a possibilidade de se torturar. O artigo do promotor intitula-se "Admissibilidade da tortura? Talvez". Ao fim da ditadura militar, Dom Paulo Evaristo Arns comandou a corajosa investigação que levou a mapeamento de torturadores, e dos crimes bárbaros cometidos pelo regime. O dossiê de Dom Paulo ficou conhecido como "Tortura, Nunca Mais". Era um libelo pela democracia, contra a barbárie. Agora, o promotor Eduardo Del-Campo lança o movimento do "Tortura? Talvez..."
Aécio para tucanos de SP: "empurrado, eu não vou"
Os tucanos paulistas acham que Aécio tem "obrigação" de ser o vice de Serra. Decidiram. E ponto. Aécio tem outros planos. Serra foi a Brasília, participar de uma sessão no Congresso em homenagem ao avô de Aécio - Tancredo Neves. Deu um abraço em Aécio: com aquele jeito efusivo que é a marca do governador paulista. Aécio deve ter ficado emocionado com essa demonstração de afeto. Tão emocionado que, ao final da homenagem, perguntado sobre a possibilidade de aceitar a candidatura de vice, Aécio saiu-se com uma frase do avô: "não adianta empurrar; empurrado, eu não vou". Precisa ser mais claro? Parece letra de samba. Ou parece papo em ônibus apertado, no fim da tarde: "peraí, meu amigo, empurra não; empurrado, eu não vou".
Arruda preso ameaça cúpula do DEM: chantagem?
A noticia saiu no blog do Josias de Sousa. E pode ser lida em muitos outros, como no Tijolaço. Arruda, antes apontado pelo DEM (e pelos tucanos) como exemplo de administrador, segue preso na Policia Federal, mas não deixou de fazer politica. Política é modo de dizer. Circulam rumores de que ele preparou, na cela, um pequeno dossiê, com informações sobre as contribuições singelas que prestou a importantes lideranças do DEM. Hum... Ninguém confirma a existência do dossiê - que estaria guardado num cofre de advogados de Arruda. Uma espécie de "seguro". Ou isso teria outro nome? Chantagem, talvez? Não sei. Mas o Demóstenes Torres, o Rodrigo Maia e o Agripino Maia devem saber.
As placas se movem: Dilma já empata com Serra
Os números são avassaladores. No cenário mais provável, a situação no DataFolha, divulgado no último fim de semana, é a seguinte: Serra 32% (contra 37% em dezembro), Dilma 28% (23% em dezembro), Ciro 12% (13% em dezembro) e Marina 8% (8% em dezembro). Serra é agora o mais rejeitado: 25% não votariam nele de jeito nenhum, contra 19% em dezembro. No voto espontâneo, Dilma está em primeiro lugar. E 42% dizem que votariam num candidato apoiado por Lula. Resumo da ópera: há uma avenida aberta para que Dilma siga a crescer. A "Folha" diz que "é impreciso dizer que o levantamento indica um empate estatístico". Êpa. Estamos, sim, diante de um empate, no limite da margem de erro.
Especialista em Serra, DataFolha está em campo
A Folha é um jornal especializado em José Serra. Serra foi editorialista da Folha quando voltou do exílio (exílio?). Reza a lenda, também, que o agora governador de São Paulo costuma ligar ao jornal tarde da noite, para comentar - com os editores mais "chegados" - as manchetes, as notícias e os números de pesquisas eleitorais. Não sei se Serra dá palpite também no DataFolha. Pode ser. Trata-se de uma longa e profícua amizade. Pois bem: o DataFolha acaba de ir a campo, nos dias 24 e 25 de fevereiro, para medir a intenção de voto pra presidente da República. A pesquisa está registrada no TSE, sob o protocolo 4080/2010. A Folha, como se sabe, tem muitos amigos. A Folha tem muitas pontes com o poder em São Paulo.
Jornal tenta colar em Dilma o rótulo de "estatista"
A "Folha" escalou uma repórter para colar em Dilma o rótulo de estatista. É tão óbvio. Mas é assim que essa turma opera. a "Folha" acha que , com manchetes desse tipo, estará ajudando Serra. Talvez ache que estará afastando empresários da candidatura Dilma. Da minha parte, depois de ler a matéria, passei a respeitar mais a candidata Dilma. Não se dobrou ao discurso que (ela sabe) a elite brasileira gostaria de ouvir: "na crise, tivemos que intervir, mas agora tudo voltará ao normal, com o mercado comandando tudo". Não. Dilma não vai por aí. A frase de Dilma reflete o segundo mandato lulista. Livre da herança nefasta de FHC, e da turma de Palocci na Fazenda, Lula avançou alguns graus rumo à esquerda.
Brasília, rumo à intervenção? Fatos e especulações
O pedido de intervenção foi feito pelo Procurador Geral da República. Cabe ao Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão. Se o STF entender que a intervenção é necessária, o Presidente da República indica o nome do interventor e as condições da referida intervenção. O Congresso precisa aprovar o nome do interventor. É um ato tão drástico que, exceptuando-se os períodos da ditadura e do Estado Novo getulista, só houve um caso de intervenção federal: foi no governo Juscelino Kubitschek, há mais de 50 anos. Contra a intervenção, pesa um fato relevante: a Constituição Federal é claríssima em seu artigo 60, § 1º - "A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio."
Arruda, que já foi cotado pra vice do PSDB, vai em cana!
José Roberto Arruda caminha para se transformar num pária político. Ninguém quer "tocar" nele. Mas já foi muito "querido". Arruda era o único governardor do DEM. Era! Num vídeo, que reproduzo acima, Serra brincava com a possibilidade de uma composição nacional: "vote num careca , e leve dois", dizia o governador paulista. Outros tucanos também gostavam muito de Arruda. O ex-presidente FHC: "pela boa administração que exerce no DF, José Roberto Arruda é hoje uma das principais lideranças do cenário político nacional"; o senador Álvaro Dias (PSDB-PR): "Arruda não fez barganha, não instalou um balcão de negócios para oferecer a este ou àquele partido". Agora, ninguém quer saber dele. Patético.
"Estadão" fala por FHC; "Folha" é a voz de José Serra
Sob comando da família Mesquita, o "Estadão" sempre foi um jornal mais "ideológico" do que a "Folha". O diário dos Frias muda de posição conforme muda o vento. Por que relembro isso? Porque, nos últimos dias, ficou claro que apito "Folha" e "Estadão" tocam em relação à candidatura tucana. O "Estadão" publicou o artigo de FHC - chamando o PT para a briga (o que Lula e Dilma adoraram). A "Folha" deixou claro que a tática de FHC desagradou a Serra. O "Estadão" fala por FHC. De forma aberta. A "Folha" fala por Serra. De forma velada. Os dois jornais, claro, querem a vitória de Serra. Mas, para o "Estadão, não basta uma vitória qualquer. Precisa ser uma vitória que reafirme o ideário (neo) liberal. Não vale esconder FHC.
Montenegro do IBOPE virou Cacique Cobra Coral?
O presidente do IBOPE, como escrevi em meu post anterior, fez em 2009 uma previsão perigosa: disse que Dilma teria enormes dificuldades para pasar de 15% nas pesquisas. A previsão - desmentida pelas últimas pesquisas do Vox Populi e da CNT/Sensus, que já mostram Dilma empatada com Serra - fez com que alguns leitores digam que a Fundação Cacique Cobra Coral devesse concorrer com IBOPE nas projeções eleitorais. A Fundação, como se sabe, prevê chuvas e outros desastres ambientais. Costuma acertar mais do que o Montenegro. O espantoso é que Montenegro voltou à carga, numa tentativa de corrigir o que havia dito em 2009. De novo, são previsões que podem ser desmentidas pelo Cacique.
Pesquisas: o chute de Montenegro e o silêncio global
Pesquisas Vox Populi e CNT/Sensus desmentem a previsão do Montenegro, do IBOPE, de que Dilma dificilmente passaria dos 15%. A Globo, velha parceira do IBOPE, preferiu não dar as pesquisas. Uma questão de delicadeza: pra que desmentir o Montenegro? Estranha a atitude do dono do IBOPE. Ele teria bola de cristal? Ou saiu a campo prestando serviço a alguém? Uma coisa é certa: Montenegro prestou enorme desserviço ao IBOPE. Imaginem se não houvesse outros institutos de pesquisas eleitorais? A gente deve confiar no IBOPE depois das declarações de Montenegro em 2009? O IBOPE vai divulgar números que desmintam o dono da empresa? Estou apenas testando hipóteses.
Tucano é contra o PAC, mas tira "lasquinha" de obra
Sergio Guerra é aquele senador (eleito por Pernambuco) que recebeu do presidente Lula a alcunha carinhosa de "babaca". Guerra preside o PSDB. Numa entrevista desastrada à "Veja" (que um dia ja foi uma revista), Guerra disse que os tucanos vão acabar com o PAC se ganharem a eleição.Dilma o criticou por isso. Crítica política. Em resposta, o líder tucano chamou Dilma de mentirosa, entre outros impropérios. Como recompensa, ganhou de Lula o apelido carinhoso de "babaca". O adjetivo talvez devesse ser outro. É o que concluo ao ler, no blog do Nassif, que Guerra usa obras do PAC para faturar politicamente. Ele é contra o governo, contra o PAC. Mas não muito. Sabem como é...
Direita brasileira mira no Chile, mas Lula não é Bachelet
Colunistas do partido da imprensa passaram uma semana a comemorar os resultados eleitorais no Chile. Lá, a presidenta Bachelet – com ampla aprovação popular - não conseguiu eleger o candidato da "Concertacion" (coligação de centro-esquerda), Eduardo Frei. Seria um sinal de que o mesmo pode se passar no Brasil, onde Lula – mesmo com alta aprovação – poderia ver sua candidata derrotada. Acontece que Lula não é Bachelet. No Chile, os programas se embaralharam. No Brasil, tucanos tentam mostrar que não há diferença entre os governos de FHC e Lula. Mas aqui é mais dificil embaralhar o jogo. Contra os tucanos pesa o passado privatista. Sergio Guerra prefere ser chamado de "babaca" do que de "privatista". Tenho certeza.
Direita reorganiza coalizão de 64: falta a marcha!
Marcha da Família, Com Deus, Pela Liberdade... É só isso que está faltando nesse início de 2010. Ontem, fui a um encontro de pequenos empresários da comunicação e blogueiros, interessados em se organizar. Um dos presentes foi quem levantou essa bola. "A direita armou a mesma frente de 64:, militares, latifundiários e donos da midia; só falta a Marcha da Família". a direita orgânica, preconceituosa, que acha "nordestino vagabundo" e não quer "quota para preto safado" (são expressões que eu ouço aqui em São Paulo), essa direita está salivando. É a turma que baba na gravata, de raiva, ao pensar em Dilma (a "terrorista") no poder. Não vamos subestimar a direita. Ela fará tudo, muito mais do que em 2002 ou 2006, para impedir outra vitória da centro-esquerda. Até porque agora há o aval de um movimento em toda a América Latina, para barrar qualquer traço de reforma social.
Mídia e Serra tentam provar que Lula é igual a FHC
Está em curso uma tentativa de neutralizar a estratégia do presidente Lula, de transformar a eleição de 2010 num plebiscito: governo FHC=Serra X governo Lula=Dilma. A tentativa, claro, passa pela chamada “grande imprensa”. Há alguns dias, o colunista Elio Gaspari fez sua parte. Escreveu um artigo intitulado “Não foi o PT nem o PSDB, foram os dois”. O objetivo era mostrar que o governo Lula é uma “continuidade” do governo FHC. Hoje, a “Folha” volta à mesma tese, com chamada na capa. Se Lula deu continuidade a FHC, por que um tucano não pode dar continuidade a Lula? Serra não precisa convencer todos os lulistas disso. Basta convencer uma parte. A estratégia dele é inteligente. A outra parte da estratégia é desconstruir Dilma, mostrando a candidata como “esquerdista”, “guerrilheira”, “incendiária".

 

Escrevinhador por Rodrigo Vianna