publicada domingo, 08/03/2009 às 23:24 e atualizado segunda, 09/03/2009 às 10:55 |
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Na edição impressa de domingo, a "Folha" fez de conta que publicou uma reportagem sobre a manifestação ocorrida sábado, em frente ao jornal (http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/fatos-e-fotos-ditabranda-e-a-porra). Mas, aquilo que saiu no jornal não é uma reportagem. É uma cobertura malandra*.
1) O jornal não abriu espaço para declaração de nenhum dos presentes ao ato. Dois repórteres circularam pela manifestação, anotaram trechos dos discursos, entrevistaram gente. Eu vi. Mas, nada foi publicado.
2) Fotos da manifestação também não apareceram. E havia um fotógrafo destacado para a cobertura. Eu o vi lá na rua: ele subiu até numa escadinha, par registrar melhor as cenas. Talvez, tenha parecido desagradável à direção da "Folha" publicar fotos daquela gente com cartazes que lembravam os mortos sob tortura. Os presos, muitas vezes, eram transportados em carros emprestados pelo jornal - segundo declarações de mais de uma testemunha.
3) Lá pelas tantas, a "reportagem" da "Folha" lembra que há um abaixo-assinado contra o jornal circulando na internet (só descobriram agora? Por que não falaram nele antes?) , com mais de 7 mil assinaturas "cuja autenticidade, porém, não há como comprovar".
Essa última frase foi a malandragem maior. Mas, sabe aquela história: quando o feitiço é demais pode virar contra o feiticeiro. A "Folha" duvida das assinaturas na petição eletrônica? O que aconteceria se os cidadãos que aderiram cancelassem suas assinaturas do jornal: aí, quem sabe, a "Folha" vai acreditar!

Jornalismo malandro: com gravata e capital, às vezes se dá mal
Por último, um comentário sobre o "box" patético publicado pelo jornal, com a posição de seu diretor de Redação. O título é: "Folha avalia que errou, mas reitera críticas" http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0803200907.htm.
Frias Filho não pede desculpas pelo lamentável editorial. Isso, talvez, seja insuportável para rum sujeito que ganhou o jornal de presente do papai. Diz, apenas, que o uso do termo "ditabranda" foi "um erro". Mas, segue no caminho dos insultos, chamando Benevides e Comparato de "democratas de fachada".
Passou do ponto, de novo. Democratas de fachada? Quem é ele pra falar assim dos dois professores?
A "Folha" - um jornal que cresceu à sombra da ditadura, que entregou a cabeça de Cláudio Abramo para agradar a linha-dura do regime, e que vestiu o figurino de "democrata" apenas quando o vento soprou contra os militares - não tem moral para se referir assim a Benevides e Comparato.
Trata-se de mais um insulto. Não apenas aos dois professores, mas aos leitores em geral.
No sábado, cruzei com alguns jornalistas que trabalham na "Folha" e que passaram pela manifestação em frente ao jornal, pra ver como estava o movimento. Perguntei a um deles: "como está o clima na redação do jornal?". E ele: "ah, as pessoas estão envergonhadas, meio perplexas, o Otávio perdeu a mão".
Perdeu a mão? Tomara que perca muitos leitores. Precisa doer no bolso. É essa a linguagem que eles entendem.
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*Outros textos sobre as malandragens da mídia:
http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/fatos-e-fotos-ditabranda-e-a-porra
http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/por-que-a-folha-nao-publica-cartas-de-ivan-seixas
http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/globo-veta-pesquisa-com-popularidade-de-lula
http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/cbn-ataca-governo-e-lula-reage-povo-nao-e-marionete
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Rodrigo, chupei este trecho do blog do Sakamoto: "No editorial de 17 de fevereiro, a Folha de S. Paulo chamou a última ditadura brasileira (1964-1985) de %u201Cditabranda%u201D. O objetivo era fazer um contraponto entre os regimes da década de 70 e 80 na América Latina e a atual situação na Venezuela. Leitores chiaram (fontes de dentro do jornal dizem que uma onda de cancelamento de assinaturas teria acendido uma luz amarela %u2013 fala-se em perdas de até 2 mil assinantes) e até profissionais da casa lamentaram o uso do termo. A Folha também respondeu de forma arrogante aos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, que se posicionaram contra o jornal pelo ocorrido em cartas enviadas à redação, o que levou o ombudsman a dizer que faltou cordialidade ao veículo. Um abaixo-assinado circula contra a postura no editorial e já conta com mais de 7 mil adesões." Acho que já começou a doer no bolso.
Caro Rodrigo, parabéns pelo ex-ex-blog com uma boa aparencia, diferente da Folha, cuja forma de presentação oportunista e mal intencionada, serve aqueles que querem reescrever a história do paíssempre sob a ótica do psdb e do dem, essa gente que colocou a sociedade brasileira nesta situação deplorável tento intelectual como economicamente, ainda existe gente que lê a folha, a veja e vota no serra e sua corja, meu deus do céu, como isso pode acontecer? como é possíovel alguém, de boa fé, crer nesta gente? vamos com tudo guerrilha na internet, nas rua, enfim como disse Leminski: " Em las luchas de classe todas as armas são buenas, pedras, paus, fuzis, poemas" derrotar essa corja é uma tarefa de todas as mulheres e todos os homens que tenham orgulho de pertencer a raça humana!!!
Esse jornaleco (FOLHA)de fundo de quintal após afirmar que no Brasil ocorreu uma "DITABRANDA", em hipótese nenhuma escreveria algo sobre a manifestação ocorrida contra a sua insensatez sobre o que havia manchetado anteriormente. Mais uma vez esse periódico burguês mostrou qual o lado da moeda ele defende, ou seja, os militares do passado e presente, o PSDB/DEM e a elite conservadora de sempre.
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Rodrigo Vianna comentou em 10/03/2009 às 11:49
Russo, seu comentário rendeu uma pauta, um texto e uma manchete aqui pro blog. É assim que funciona na internet. A informação circula. O leitor é também agente, dono da informação. Mande sempre sugestoes! Obrigado.