Discurso do pré-sal é Carta-Testamento de Lula

publicada terça, 01/09/2009 às 17:03 e atualizado quinta, 03/09/2009 às 19:47 | Comentários 50 Comentários

Em 2004, tive a honra de fazer - em parceria com o brilhante editor Luís Cosme - uma série de reportagens sobre os 50 anos da morte de Getúlio Vargas. Não foi fácil. Eu trabalhava na TV Globo. Em São Paulo ainda por cima. Vargas não tem, propriamente, muitos fãs na emissora da família Marinho. E muito menos em São Paulo. 

Apresentei o projeto de 5 matérias especiais para aquele que já foi o mais importante telejornal do país (atenção, copyright Marco Aurélio - http://maureliomello.blogspot.com/). A resposta foi: "esse é um tema muito pesado, não interessa ao jornal".

Não desisti. Mostrei o projeto a meu amigo Luís Cosme, que era editor do telejornal noturno da emissora. Ele comprou a idéia, e convenceu a Ana Paula Padrão - editora-chefe e apresentadora. Ela bancou, mas fez um pedido: em vez de cinco matérias, faríamos três. Já era uma vitória.

Lembro bem que Cosme chegou a me dizer: "Rodrigo, será uma chance histórica, sabe quem vamos ouvir? Leonel Brizola; ele vai falar na Globo sobre o velho Getúlio". Eu não acreditei: "mas, Cosme, Brizola na Globo? A direção não vai deixar". E o Cosme: "bom, isso é com eles; vamos deixar pra eles, pelo menos, o constrangimento de dizer não".

A história se encarregou de resolver o dilema. Brizola morreu no fim de junho de 2004, pouco antes de a série começar a ser gravada.

A primeira reportagem está aqui - http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM189406-7823-A+ERA+VARGAS+ANOS+DEPOIS,00.html.

Durante a apuração das reportagens, conversei com historiadores que me ensinaram: "há sérias dúvidas de que a Carta-Testamento de Vargas tenha mesmo sido escrita por Vargas".  Mais provável, dizem os estudiosos, é que assessores de Vargas tenham redigido o texto a partir de anotações deixadas pelo presidente que cometera o suicídio.

Pouco importa. Para a história, a Carta-Testamento é a carta de Vargas. Um documento sensacional. Dizem que os irmãos Fidel e Raul Castro liam a Carta-Testamento, quando estavam exilados, preparando-se para voltar a Cuba e inciar a guerrilha. Era um documento a mostrar  tamanho do desafio de quem luta pela independência da América Latina.  

Penso em tudo isso, ao reler o discurso de Lula no lançamento do pré-sal.

O discurso de Lula é, para mim, tão importante quanto a carta de Vargas. Pelo que diz, pelo que indica, e pelo acerto de contas com a história recente de nosso país.

Vejam só esse trecho:

"Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro."

O discurso do pré-sal é a carta-testamento de Lula.

Um testamento escrito em vida.

Lula não precisou dar um tiro no peito para entrar na história. 

Vale a pena reler os dois textos.

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A CARTA-TESTAMENTO DE VARGAS (RIO DE JANEIRO, 24 DE AGOSTO DE 1954)

Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa.


Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o
perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte.

Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

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A CARTA-TESTAMENTO DE LULA (DISCURSO DO PRÉ-SAL, BRASÍLIA, 31 DE AGOSTO DE 2009)

"Minhas amigas e meus amigos,

Hoje é um dia histórico.

O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.

Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.

Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.

Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.

Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.

Minhas amigas e meus amigos,

O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.

Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.

Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.

Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.

Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.

Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.

Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.

Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.

A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.

A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.

Minhas amigas e meus amigos,

Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.

Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.

Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.

A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.

Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.

Meus queridos companheiros e companheiras,

Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.

A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.

Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.

E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.

Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.

Minhas amigas e meus amigos,

Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.

No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.

Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.

No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.

Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.

No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.

Amigas e amigos,

Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.

Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.

Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.

Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.

Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.

Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.
Minhas amigas e meus amigos,

Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.

De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.

De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.

Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,

Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.

A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.

Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.

Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.

Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.

Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.

Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.

Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.

Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.

Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.

Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.

Muito obrigado, companheiros."

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olga comentou em 25/10/2009 às 03:30

Não sou admiradora de ditadores. Mas nisso aí dá pra comparar o Lula com Getulio mesmo. Só que nessa comparação o Lula sai perdendo, pois Getulio foi um estadista que no seu populismo favoreceu o povo trabalhador, enquanto que Lula só traiu o povo trabalhador. Lula é cria da ditadura que não queria Brizola no poder.Lula no poder é um grandessíssimo demagogo e jamais teria motivo e coragem para se suicidar. Ele quer mais é eleger sua sucessora para ser Presidente da Petrobrás.

João Gonçalves comentou em 15/09/2009 às 14:37

Se entendi bem o discurso, sintetizo-o assim, em poucas palavras: "não se deve deixar acontecer com o petróleo a mesma coisa que aconteceu com o minério". Há quem defenda friamente que a privatização da Vale do Rio Doce foi bom negócio para o Brasil. Os mesmos defenderão a venda da Petrobrás. Bonito discurso, mas o que faremos nós trabalhadores se os neo-colonizados (psdb) retornarem ao poder?

R. Fernandes comentou em 09/09/2009 às 14:04

Tudo muito bacana. Tudo muito bonito. As palavras do nosso presidente são viris e empolgantes. Lembram o já histórico discurso da posse de Barack Obama. Porém, é preciso tomar cuidado para não se embriagar com uma retórica sedutora. Qualquer bom escritor pode escrever um belo palavrório, qualquer editor competente pode fazer o milagre de transformar um discurso vazio em pronunciamento épico. A questão é (e sempre será), as ações se afinam com o discurso? No caso de Lula, sim e não. É carisma do presidente é inegável, assim como sua capacidade e jogo de cintura político, os avanços são incontestáveis. Porém, é preciso se afastar do deslumbre.Ser sempre crítico - dizia um professor da faculdade - é a única forma de se amolar a mente e afiar a visão do mundo. Àreas como da saúde e da reforma agrária avançaram pouco ou quase nada nos últimos anos. A superprotegida Petrobrás é superprotegida por que tem algo a temer. O apoio incondícional a Sarney, só queima o filme do presidente. Isso sem citar dólares na cueca, mensalão, marolinhas e por aí vai.É bom acordar, não vivemos num mundo perfeito. Lula é o grande presidente brasileiro, cabeça-a-cabeça com figuras mitológicas como Vargas e JK. Todos eles com suas idiossincrasias (como todo grande governante que se preze)e seus discursos bombásticos. Mas melhor que ser conhecido pelas palavras bonitas,é ser célebre pelo que se faz.O povo agradece.

SERGIO OLIVEIRA comentou em 09/09/2009 às 12:30

O LULA ESTÁEUFÓRICO COM O PR´´E-SAL. PRÉ-SAL É PETRÓLEO.ENTÃO O LULA TAMBÉM VAI SUJAR OS DEDOS? LEIAM O QUE ELE DISSE EM ROMA EM 03.06.2008: "Dedos que apontam contra biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão", diz Lula em Roma O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje o uso dos biocombustíveis, frente àqueles que os culpam pela alta nos preços dos alimentos, e responsabilizou o petróleo e o protecionismo pela atual crise humanitária. POR DENTRO DA CÚPULA Crise alimentar não atingirá o Brasil, diz representante da FAO Com etanol, Brasil é estrela de conferência da FAO, diz espanhol 'El País' Só biocombustível brasileiro é competitivo, diz documento da cúpula Diretor da ONU pede que produção de alimentos seja duplicada até 2030 Há meios para duplicar produção de alimentos até 2030? Lula fez essa defesa durante seu discurso na cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) sobre segurança alimentar, que começou hoje, em Roma. "Os biocombustíveis não são os vilões. Vejo com indignação que muitos dos dedos que apontam contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão", criticou o presidente.

Marcia Costa comentou em 06/09/2009 às 23:46

Os projetos de lei sobre o pre-sal já estão na Câmara. Seja qual for sua opinião, não se omita: participe do processo cadastrando-se no site da Camara dos Deputados para receber os informes sobre a tramitação. É bem fácil: 1 - No lado esquerdo da página www.camara.gov.br , selcione o item " PROJETOS DE LEI E OUTRAS PROPOSIÇÕES". 2 - Depois, é preciso procurar os projetos logo no primeiro campo PESQUISA PELO NÚMERO DA PROPOSIÇÃO". 3 - Digite os números dos projetos de lei e do ano enviados pelo Presidente que são: - 5938/2009: trata da partilha da produção - 5939/2009: cria a Petro-sal para fiscalização - 5940/2009: cria o Fundo Social com recursos do pré-sal 4 - Logo abaixo do titulo "CONSULTA TRAMITAÇÃO DA PROPOSIÇÃO" no lado esquerdo há um campo com a expressão "CADASTRAR PARA ACOMPANHAMENTO". Selecione este campo. 5 - Selecione na página a opção " QUERO ME CADASTRAR" e siga as instruçoes do site. A cada movimentação você receberá um e-mail informando qual a situação de tramitação desta matéria que é de vital importancia para todos nós. Sei que todos andam meio p(...) com a situação política do país, mas isso é algo tão relevante que não podemos nos dar ao luxo de delegar esta decisão a um grupo de representantes. Peço a todos, mais uma vez: não se omitam como fizemos durante as privatizações. Pensem no que seria o Brasil se Getúlio não houvesse criado a Petrobras...

Hugo Carvalho comentou em 06/09/2009 às 18:38

Belissimo e emocionante texto, Rodrigo. Parabéns! Fiquei comovido. Acredito que o único estadista que tivemos foi, seguramente, Getúlio Vargas. Lula, mais a frente, deverá entrar nessa lista. E entrará com a histórica defesa do patrimônio nacional (cultural e energético). Getúlio como Lula, Lula como Getúlio sabe/sabia muito bem onde morava o perigo e onde se abria o espaço/tempo para um futuro mais próspero para o Brasil. Os rapinas... essas aves de agouro, que desde ontem lançavam, não conseguiram apagar a herança que ora se renova com Lula no poder. É o povo brasileiro a tornar-se sujeito da sua história. Abs, Caríssimo.

Georgina comentou em 05/09/2009 às 12:34

Fiquei emocionada ao ler os discursos. Fico zangada e muito triste pelas ações dos políticos opositores.

João Bosco Rocha comentou em 05/09/2009 às 10:42

Caro Rodrigo, acabei de te relacionar aos meus favoritos. Parabéns pelo seu blog. Ainda não tinha conseguido ler o discurso do Lula, assim completo. Vou imprimi-lo em várias cópias, e repassá-lo, com isso desdobro a força da internet. Uma coisa está tomando corpo no cenário nacional: a de que Lula vai sair do governo e entrar para a história como estadista e, ao contrário de Getúlio, vivinho da silva.

mineiro comentou em 05/09/2009 às 10:38

o pre sal pode ser um passaporte para o futuro sim , mas nunca o brasil pode trocar de governo , porque se trocar , o pre sal vai virar uma festa para a burguesia brasileira e estrangeira , temos que tomar cuidado na eleiçao de 2010, essa eleiçao vai ser o x da questao , é ai que a frente de esquerda tem que trabalhar, para que a burguesia podre nunca volte ao poder . tem que acontecer um suicidio sim , mas é da burguesia podre , o pig entreguista , e dos demotucanos.

bia comentou em 04/09/2009 às 14:59

BLOG DO AZENHA: Charge que saiu na ECONOMIST http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-duvida/

Rodrigo de Castro comentou em 03/09/2009 às 23:57

Cumprimento-o, Rodrigo, pelo excelente trabalho na cobertura em seu blog do lançamento do novo marco regulatório do setor de petróleo pelo Presidente Lula, e sobretudo pela análise consistente da elevação do Discurso de Estado, que vc chamou de "carta testamento do pré-sal". Me fez lembrar, em alguns pontos, as aulas do meu mestrado em Economia Política Internacional, com o prof. José Luis Fiori, mas isso é papo pra outro cometário que posto na sequência. Em algumas conversas de botequim que tive com o seu colega Renato Biazzi, amigo pessoal meu, e agora conhecendo tb o seu blog, que por sinal já entrou na minha lista de favoritos, percebo o quão virtuoso será o dia em que essa "revolução silenciosa" (que ocorre hoje em diversos setores do Poder, do Governo e do serviço público) chegar à mídia de massa. Informação é bom, mas análise, crítica, embasamento e opinião, são demandas fundamentais para esse nosso povo. Aproveito para tomar a liberdade de te indicar um tema interessante, como servidor de carreira da ANTT que sou, e como o tema marco regulatório está em voga. A Agência Nacional de Transportes Terrestres está trabalhando num ambicioso projeto de licitação de todas as linhas interestaduais e internacionais do transporte de passageiros, reformulando o modelo de concessões "daquele" período (iniciado pelo sr. Reagan e sra. Thatcher, abrasileirado pelo sr. FHC). Enfrentando forte resistência do setor regulado, quando concluído o ProPass prevê grande ampliação da concorrência nas linhas de ônibus, hj quase oligopólios, com redução de tarifas de até 30 % nos trechos mais movimentados. Grande abraço. rodrigo_de_castro@yahoo.com

maria comentou em 03/09/2009 às 21:07

Parabéns, Rodrigo, pela excelente reportagem sobre os 50 anos da morte do Getulio Vargas; gostaria de assistir à 2a. e 3a. partes, mas não consegui localizar - se puder, postar os links, agradeço. Acabei de ler tb uma ótima entrevista com a Maria Augusta Tibiriça, q escreveu o Petróleo é Nosso: http://www.fazendomedia.com/novas/movimentos080506.htm Abraço e obrigada.

Flavio Lima comentou em 03/09/2009 às 18:11

Realmente de arrepiar. Como foi bom resistir à onda neocon dos anos 80 e 90. Tinha perdido a esperança, até 2002. Que bom ver tudo isso acontecendo, e poder lutar pela Democracia Brasileira. Obrigado Rodrigo!

Marcelo Moreira comentou em 03/09/2009 às 17:30

O episódio do pré-sal é um dos mais constrangedores da história lulista. O discurso é apenas um reflexo disso, um apanhado de bobagens nacionalistas e lugares-comuns. Não acrescenta nada, apenas constrangimento à enlameada atuação do presidente no ano de 2009. Isso sem falar que o presidente toma para si louros que não são seus. A Petrobrás tem desempenho de excelência há 20 anos (mesmo com abjetas interferências políticas, que hoje são ainda mais abjetaqs), e o pré-sal seria atingido com ou sem Lula, com ou sem FHC. Xingar o mercado é apenas mais um sintoma de ressentimento de gente que ainda está preso aos discursos de boteco de faculdades de quinta categoria.

Luís Carlos P. Prudente comentou em 03/09/2009 às 16:35

A cambada de ratazanas, corvos, urubus que formam a agremiação neo-udenista PSDB-PFL, juntamente com o PPS (quem diria, indo cada vez mais de mal a pior!) prometem obstruir as sessões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados para impedir a discussão e aprovação da Carta do Pré-Sal. Essas ratazanas mostram mesmo serem entreguistas e traidores da pátria!

Glória comentou em 03/09/2009 às 13:17

Beleza de comentário o seu Escrevinhador!

Marco Vitis comentou em 03/09/2009 às 09:13

Não pensem que será fácil. Os entreguistas existem desde o tempo de Getúlio Vargas. E continuam ativos e com os canais de TV à disposição para atacar as propostas do governo federal. São contra o sistema de partilha e preferem a concessão. Conceder aos estrangeiros nossos recursos, da mesma forma que no período colonial expropriavam o nosso açúcar e depois o ouro. Ensinem a seus filhos um pouco da História do Brasil, para defender o futuro de todos nós. Os entreguistas atuais são os mesmos que tentaram privatizar a Petrobrás. São conhecidos.

elektrofossile comentou em 03/09/2009 às 03:08

Kharamba! Estão a querer enterrar Inácio? Viva o Brasil. Viva a América! Viva el Che! Viva Fidel! Viva Cháves! Azar. Eu sou pré=sal. Eu sou a economia que venceu a crise! Eu sou o anti-FHC. Todos nós somos a liberdade! Azar

Rogerio Sanches comentou em 02/09/2009 às 21:46

Assim como dizem Fidel e Raul Castro leram Carta-Testamento de Getulio Vargas também dizem que a Carta-Testamento de Vargas, foi escrita uma semana antes do suicídio, e que ela habitou o bolso do paletó do mesmo durante a última semana de sua vida. Verdade; não sei. Só sei que os golpistas da oposição e da mídia, tudo farão para diminuir esse fato histórico o pré-sal assim com fizeram com a memória de Getulio Vargas.

ricardo silveira comentou em 02/09/2009 às 20:03

É de arrepiar e de nos encher de orgulho. Certamente foi o melhor discurso do Lula. Ambos os discursos são de Estadistas.

Dois Baixinhos de Enorme Estatura comentou em 02/09/2009 às 18:13

Não consigo parar de ver semelhanças entre Getúlio Vargas e Lula; nem entre os lacerdistas daquela época e os lacerdistas de hoje (PSDEMB-PIG-Classe Media Paulistada). Por incrível que pareça, comecei a compreender a alma paulista a partir da mini-série global "Um Só Coração". Ali me conscientizei de algo sublime de ridículo: peões pegando em armas, morrendo para defender interesses de barões do café, combatendo Getúlio quando este era o que defendia os interesses de gente como aqueles infelizes. Hoje vejo a paulistada sustentando o PSDEMB e vociferando contra Lula para defenderem os interesses dos barões midiáticos. Vejo gente que não ganha bruto sequer o que eu pago só de Previdência Social (e olha que sou assalariado) descendo o sarrafo no Lula e exaltando o defunto político pavão FHC. É ridículo!!! Acho que a ignorância é a alma do lacerdismo. O mau-caráter é apenas o tempero presente em alguns.

Carlos Alberto comentou em 02/09/2009 às 17:53

Esse discurso do Lula é tão importante quanto a Carta aos Brasileiros e faz contraponto com ela. Parafraseando Getúlio, com a Carta Lula chegou ao poder, com esse discurso entrou para a história.

Ronaldo comentou em 02/09/2009 às 17:30

Rodrigo Vianna, vamos iniciar a campanha: "O político que votar contra o PRÉ-SAL é privatista, entreguista, inimigo do povo brasileiro, e jamais será reeleito".

sergio comentou em 02/09/2009 às 17:15

Hoje é um dia glorioso um dia para ficar na história deste país. Uma forte aliança conservadora está sendo lançada: o PLP - Partido Lesa Pátria. O PLP irá aglutinar forças conservadoras do país cuja missão será: 1 - Não permitir que o povo brasileiro tome posse das riquezas descobertas ou que vierem a ser descobertas. 1.1 - Promover a RE-ENTREGAÇÃO DE POSSE da area do PRÉ-SAL para as petroliferas estrangeiras; 1.2 - Proibir terminantemnte a PETROBRAS, enquanto estatal, de participar da exploração destas areas ou de qualquer outra descoberta que venha a fazer. 2 - Não permitir qualquer programa social que vise amenizar o sofrimento dos brasileiros mais humildes. 2.1 - Acabar com o BOLSA FAMÍLIA; 2.2 - Acabar com o PROUNI; 2.3 - Acabar com qualquer medida afirmativa em relação aos pobres e negros. 3 - Não permitir a alteração do Fator Previdenciario, exceto se a mudança for para prejudicar os aposentados. 3.1 - Não permitir que nenhum VAGABUNDO se aposente depois de 35 anos de contribuição; 3.2 - Dificultar o máximo a concessão de beneficios previdenciarios previstos constituicionalmente. 4 - Acabar com a valorização do salário minimo acima da inflação. 4.1 - Incluir um deflator na correção do salário minimo, que será a variação do PIB. Assim quanto menos o país crescer menos o salário minimo perde. 5 - Privatizar as empresas que não conseguimos doar durante o governo do FHC. 5.1 - Vender o restante de participação da PETROBRAS; 5.2 - Vender o restante de participação da VALE; 5.4 - Vender os bancos estatais: BB, CEF ... 6 - Defender o capital estrangeiro com unhas e dentes. 7 - Defender a volta do FMI na gerência do país. 8 - Reestabelecer o patamar dos juros, visando amenizar o sofrimento dos rentistas que tanto contribuem para o Brasil. 9 - Transfomar a Amazônia em um parque internacional com gerência da EUROPA, JAPÃO e EUA, abrindo mão: 9.1 - de toda e qualquer riqueza mineral que for descoberta; 9.2 - de toda e qualquer descoberta cientifica na área de farmacos; 9.3 - da utilização da água, frutos e madeira lá existente; 10 - Mudar a capital para WASHINGTON, para facilitar a tomada de decisões. Já contamos com a adesão: PSDB DEMOCRATAS PPS PV (MARINA contamos com você) FOLHA ESTADÃO VEJA ISTO É O GLOBO REDE GLOBO BANDEIRANTES SBT JUNTE-SE A NÓS E VAMOS CONSTRUIR UM PAÍS PIOR! VIDA LONGA AO PLP!!!!!

Priscila Magalhães comentou em 02/09/2009 às 17:00

Creio que o Brasil está agora num outro patamar. À vitória. è o que merecemos. E parabéns pela matéria Rodrigo

Sergio comentou em 02/09/2009 às 16:09

PSDB, DEMOCRATAS e o PIG formam o PLP (Partido Lesa Pátria).

João Aguiar comentou em 02/09/2009 às 15:50

Eu estava me sentindo um veínho getulista vendo o Lula, ô cara, ripiei!

Pedro Migão comentou em 02/09/2009 às 15:19

Os tucanos deveriam assumir que defendem interesses de empresas estrangeiras e querem que o país e a Petrobras se danem. Seria menos ridículo.

Edmílson Gonçalves comentou em 02/09/2009 às 14:21

Dilma até 2018 e Lula até 2026, assim restituiremos aos nossos o que foi negado a várias gerações. Sempre acreditando e na luta por um povo com dignidade.

Mar. comentou em 02/09/2009 às 11:04

Rodrigo, leio esse seu post várias vezes ao dia. É um mantra pra mim. Parabéns pelo texto. Bjs.

sergio comentou em 02/09/2009 às 10:17

A exemplo do que ocorre no estado de SP, onde vire e mexe o governador-facista-mafioso-vampiro-sanguessuga José Serra lança mão de força e truculência para reintegração de posse ocupadas, menos as ocupadas pela REDE ROUBO, os demotucanos estão querendo usar a força para fazer a RE-ENTREGAÇÃO DE POSSE do PRÉ-SAL. Vão catar coquinho bando de vagabundo.

Jorge Moraes comentou em 02/09/2009 às 01:08

Com a constância que os afazeres diários me possibilitam, venho conferir o seu ótimo sítio, Rodrigo. Oportuníssima e feliz a matéria. O discurso do melhor presidente da história republicana brasileira teve o ritmo, a melodia e a harmonia caracterizadores de uma fala histórica, ainda mais tanto se considerarmos a envergadura moral da grande maioria de seus opositores, inversamente proporcional ao seu altíssimo poder econômico. As sutis mas nem por isso menos contundentes estocadas na imprensa subordinada aos interesses hegemônicos externos lavaram-me a alma. Faltou o elogio ao grande Leonel de Moura Brizola. Contudo, no geral, foi ótimo. Um abraço a ti e a todos os frequentadores, inclusive aos que discordarem, até frontalmente, deste comentário. Dilma é DEZ!

Luciano Prado comentou em 01/09/2009 às 23:58

Rodrigo, o que o diferencia da maioria dos jornalistas é a tua sensibilidade profissional. E não me refiro unicamente ao texto acima. Poucos conseguem enxergar além das fronteiras das redações. Por incompetência ou má fé. A sua visão ampliada e abrangente dos fatos é ofertada ao leitor de forma simples, honesta e surpreendente.

Raphael Tsavkko comentou em 01/09/2009 às 23:44

Bela carta, só falta o Lula realmente mostrar que fala a verdade. Sarney, Collor e cia talvez não concordem muito com tudo que foi dito. tsavkko.blogspot.com

jaciara comentou em 01/09/2009 às 22:16

É isso aí companheiro LULA estamos com vocë nessa luta por um país melhor e mais justo. Vamos rumo a 2010. Dilma, contamos com você!!!

Thiago Gomes Viana comentou em 01/09/2009 às 22:16

Toma aí PSDB, DEM, PIG!!!!

CARAMURU comentou em 01/09/2009 às 21:56

O LULA também já fez discurso semelhante quando disse do POTENCIAL EXTRAORDINÁRIO DOS BIOCOMBUSTÍVEIS.....! Pura demagogia.....típica do LULA, falar e depois esquecer o que disse.... Cadê o BIOCOMBUSTÍVEIS ? Quantos milhões de barris/dia desse extraordinário combustível são refinados atualmente ? Mas tudo bem. O LULA tem os fãs que merecem. Eu também já acreditei em papai noel. abraços a todos

Sergio Telles comentou em 01/09/2009 às 21:55

Rodrigo, vc mais uma vez foi brilhante. Sua capacidade de síntese ao dizer que Lula entrou para história em vida foi fantástica. Cada dia sou mais seu fã!

bentoxvi-o santo comentou em 01/09/2009 às 21:16

VIANNA. ENTREGUISTAS SINALIZAM...2010 TEM JOGO...AS MULTIS QUE COLABORAREM...GANHARÃO BRINDES...PRÉ-SAL...PETROBRAS...BB...CEF...E DE TROCO...MÃO DE OBRA BARATA E SEMI-ESCRAVA...

Daniel 27 comentou em 01/09/2009 às 21:08

Pense no caso: exatos 7 dias entre os três eventos, incluindo a proclamação da independência ......... 24 - 31 - 7 Será que a data do pré-sal não foi escolhida a dedo? Se não foi, é para pensar nas coincidências históricas (coincidências não existem......)

Carlos Eduardo comentou em 01/09/2009 às 21:01

Grande! Muito boa materia Rodrigo. Não tenho muito a agregar mais queria dizer que este debate coloca o Barsil em uma nova situação de desenvolvimento e distribuição de renda.

José Araújo comentou em 01/09/2009 às 20:02

Rodrigo Vianna, O que Lula fala, cala fundo no coração do povo brasileiro por um motivo que a grande mídia não vê ou finge não ver: Lula fala a voz da maioria silenciosa. Fala o sentimento do povo de onde ele (Lula)surgiu. É simples assim. Vianna, voce está de parabens por viver no mundo real que muitos colegas seus (jornalistas) teimam e não entrar.

Neo comentou em 01/09/2009 às 20:01

O discurso é mesmo fenomenal, mal posso esperar para que Lula cometa suicídio, assim como Vargas, para ficar ainda mais fenomenal do que já está...

Pedro Migão comentou em 01/09/2009 às 19:38

Caro Rodrigo, escrevi um texto didático, com imagens e gráficos sobre as mudanças da legislação, se me permite, gostaria de deixar o local: http://pedromigao.blogspot.com/ p.s. - muito bom o texto, como de hábito.

Osvaldo Palmeira http://osvaldopalmeira.blog.uol.com.br/ comentou em 01/09/2009 às 19:25

Simplesmente fantástico. Dois documentos históricos em dois momentos distintos.

izaias almada comentou em 01/09/2009 às 19:03

Uma bela avaliação, Rodrigo. Também eu, modestamente, havia pensado - ao ler o discurso do Presidente Lula - que era um discurso de estadista. Fico à vontade para elogiar, pois nunca me considerei um lulista de carteirinha, nem afiliado ao PT sou. Mas é preciso reconhecer:´Lula é, de longe, o melhor presidente brasileiro dos últimos 50 anos, embora ainda lhe falte um pouco mais de coragem em determinados embates. Quando se compara o discuros do pré-sal às imoralidades (em respeito aos leitores não uso termo pior) que dizem FHC, Serra, Virgílios, Jereissatis e esse quinta coluna chamado Álvaro Dias, dá pena. É preciso que o eleitor brasileiro vá meditando no que acontece no país atualmente e não permita a volta dos privatizadores, dos que governam em benefício próprio ou de corporações a que estão ligados. O PSDB se transformou, de fato, num ninho de vendilhões do Brasil. O povo brasileiro saberá dar um basta nisso. O elogio que esse partido fez recentemente ao bolsa família, lembra-me muito o personagem Iago da tragédia "Otelo" de Shakespeare. Um homem sem escrúpulos, perverso, invejoso, com o fel a destilar pelos cantos da boca. Que o candidato apoiado pelo Presidente Lula, seja ele qual for, possa continuar no rumo de um Brasil forte, soberano e de posições independentes. Abraço, Izaías Almada.

mz-rio comentou em 01/09/2009 às 18:50

Que post lindo, Rodrigo! E, sem dúvida, uma análise histórica, para se guardar. Obrigada.

Bluesette comentou em 01/09/2009 às 17:57

Grande sacada!!!!!!

Widmark Recife comentou em 01/09/2009 às 17:29

Rodrigo é um Jornalista que honra e dignifica a classe, quanto ao texto só posso dizer assim: MAGNÍFICO.

Claudio Peixoto comentou em 01/09/2009 às 17:22

Muito emocionante os dois discursos. é de arrepiar.

Escrevinhador por Rodrigo Vianna