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	<title>Escrevinhador &#187; Radar da Mídia</title>
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	<description>Por Rodrigo Vianna</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Feb 2012 17:50:30 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Folha e Veja terão espaço na TV Cultura: parceria com os tucanos agora é oficial</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 02:14:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Trincheira da oposição]]></category>

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		<description><![CDATA[por Rodrigo Vianna A &#8220;Folha&#8221; já pediu, em editorial, o fechamento da TV Brasil - emissora pública criada pelo governo federal. O motivo alegado pelo jornal: audiência baixa. &#8220;Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada -antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte.&#8221; A mesma &#8220;Folha&#8221; anuncia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por<span style="color: #ff0000;"> Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>A &#8220;Folha&#8221; já pediu, em editorial, <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16102">o fechamento da TV Brasil </a>- emissora pública criada pelo governo federal. O motivo alegado pelo jornal: audiência baixa. <em>&#8220;Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada -antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte</em>.&#8221;</p>
<p>A mesma &#8220;Folha&#8221; anuncia agora  - de forma discreta, diga-se &#8211; uma curiosa &#8220;parceria&#8221; com a TV Cultura de São Paulo &#8211; emissora igualmente pública, mantida principalmente com dinheiro do contribuinte paulista. </p>
<p>Tenho orgulho de ter trabalhado na TV Cultura nos anos 90, à época sob a presidência do ótimo Roberto Muylaert. Mas o fato é que a Cultura também não tem uma audiência maravilhosa. Nos últimos anos, os índices só caíram. Mas aí a &#8220;Folha&#8221; não vê problema. Ao contrário, torna-se aliada da TV.</p>
<p>Sobre a parceria entre &#8220;Folha&#8221; e TV Cultura, você pode ver mais detalhes <a href="http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/46962/tv+cultura+convida+veiculos+impressos+para+compor+sua+programacao">aqui</a>.</p>
<p>O mais curioso é que a parceria se estenderá também à &#8220;Veja&#8221;, a revista mais vendida do país.</p>
<p>A &#8220;Veja&#8221;, como se sabe, gosta de escrever Estado com &#8220;e&#8221; minúsculo, para reafirmar seu ódio ao poder público. Ódio? Coisa nenhuma. A Abril adora vender revistas para o governo. E agora, vejam só, também terá seu quinhãozinho na emissora controlada pelos tucanos paulistas.</p>
<p>O &#8220;programa&#8221; da &#8220;Veja&#8221; deve ir ao ar às terças. O da &#8220;Folha&#8221;, aos domingos.</p>
<p>A notícia sobre o novo programa da revista mais vendida pode ser lida abaixo, em reportagem do site &#8220;Comunique-se&#8221;&#8230;</p>
<p>Recentemente,<a href="http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/estadao-assume-que-e-partido-politico.html"> o &#8220;Estadão&#8221; chamou a oposição às falas</a>, pedindo &#8211; em editorial &#8211; unidade e combatividade para barrar o PT em São Paulo. Alckmin parece ter escutado.</p>
<p>A TV Cultura transforma-se numa  tricheira, a organizar o que sobrou da oposição: &#8220;Veja&#8221;, &#8220;Folha&#8221;&#8230; E dizem que o &#8220;Estadão&#8221; também terá seu programinha por lá.</p>
<p>Faz sentido.</p>
<p>Como disse um leitor, no tuiter:</p>
<p>@<a title="Roberto Toledo" href="https://twitter.com/#!/RobertoToledo59" data-user-id="434931850">RobertoToledo59</a> Estão apenas oficializando a parceria.</p>
<p>Trata-se de um movimento importante: estão preparando a trincheira pra defender a terra bandeirante da horda vermelha&#8230; Afinal, se o PT ganhar a capital esse ano, o Palácio dos Bandeirantes será o último bastião do tucanato paulista e de seus (deles) aliados na velha mídia.</p>
<p>Perguntinha tola desse escrevinhador: &#8220;Folha&#8221; e &#8220;Veja&#8221; vão pagar para usar o espaço da emissora pública? Ou será tudo na faixa?</p>
<p>Em entrevista ao Portal Imprensa, o editor da &#8220;Folha&#8221; deixou claro qual o objetivo da parceria:<em> &#8220;trará a possibilidade de a marca Folha alcançar seu público no maior número possível de mídias. &#8220;O jornal continua firme no propósito de levar seu conteúdo de qualidade a um número diversificado de plataformas, e chegar à TV parece um passo natural&#8221;.</em></p>
<p>Muito natural! Tá tudo em casa, eu diria.</p>
<div><strong><span id="more-11510"></span></strong></div>
<div><strong>===</strong></div>
<p><em><span style="color: #ff0000;">Anderson Scardoelli</span>, do site Comunique-se</em></p>
<p><em>A partir de março, um novo jornalístico ocupará a grade de programação da TV Cultura. Em parceria com a revista de maior circulação no País, a emissora da Fundação Padre Anchieta vai transmitir o ‘Veja na TV’. A atração irá ao ar durante as noites de terça-feira, após o ‘Jornal da Cultura’.</em></p>
<p><em>Além da TV, o programa será exibido ao mesmo tempo na Veja.com. Porém, quem acompanhar o ‘Veja na TV’ pela internet terá um diferencial assim que cada edição chegar ao fim: participar do chat com o jornalista Augusto Nunes, que estará à frente do projeto que marca a parceria entre a Cultura e a publicação da Editora Abril.</em></p>
<p><em>O projeto representa o retorno de Nunes à TV Cultura. Ele foi entrevistador do ‘Roda Viva’ de julho de 2010 a agosto de 2011, época em que a atração foi comandada por Marília Gabriela. De 1987 a 1989, o programa criado há 20 anos foi apresentado pelo jornalista, que atualmente mantém uma <a href="http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/">coluna</a> na Veja.com. </em></p>
<p><em>Por enquanto, nenhum profissional foi contratado para participar do novo programa. O ‘Veja na TV’ será produzido integralmente pela equipe das versões impressa e online da Veja. Os temas abordados pela atração serão política, economia e demais assuntos que aparecerão na mídia no decorrer da semana em que determinada edição será exibida.</em></p>
<p><em>‘Veja na TV’ contará com matérias especiais, comentários, debates e entrevistas. O programa será gravado no estúdio da Veja, localizado na sede da Editora Abril, em São Paulo. O estúdio é o mesmo em que Nunes comanda o ‘<a href="http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/secao/videos-veja-entrevista/">Veja Entrevista</a>’, que é publicado quinzenalmente na Veja.com.  </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>&#8220;Piratería&#8221; tucana é destaque na Argentina</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 12:04:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Ignorada pelo PIG...]]></category>

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		<description><![CDATA[No Brasil, a blogosfera e as redes sociais ajudaram a quebrar o silêncio. Para a velha mídia, o livro "A Privataria Tucana" não existia. Depois, passou a existir, em matérias feitas para defender Serra e seus amigos. Na Argentina,  é diferente: o livro está na capa do jornal "Página 12".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Brasil, a blogosfera e as redes sociais ajudaram a quebrar o silêncio. Para a velha mídia, o livro &#8220;<em>A Privataria Tucana&#8221;</em> não existia. Depois, passou a existir, em matérias feitas para defender Serra e seus amigos. Os documentos e informações a mostrar o caminho suspeito do dinheiro por paraísos fiscais caribenhos não despertou interesse dos jornais e TVs brasileiros.</p>
<p>Na Argentina,  é diferente: o livro está na capa do jornal <em>&#8220;</em>Página 12&#8243;.  Os argentinos ficaram bem informados. E o mais curios, veja como um dos jornais de São Paulo é apresentado na reportagem: &#8220;<em>El jueves 15, <strong>el diario Folha de Sao Paulo, ligado a Serra</strong>, publicó una nota sobre el tema, destacando las declaraciones de los acusados que buscan descalificar al periodista y sus denuncias&#8221;.</em></p>
<p>A reportagem, em espanhol, reproduzimos abaixo. Boa leitura!</p>
<p><strong>Privatización y piratería<br />
</strong><em>Por <span style="color: #ff0000;">Marco Aurélio Weissheimer</span>, do <a href="http://www.pagina12.com.ar/">Página 12</a></em></p>
<p>El libro <em>A privataria tucana</em> (1), del periodista Amaury Ribeiro Jr., trajo de vuelta al debate político brasileño el proceso de privatizaciones liderado por el gobierno del ex presidente Fernando Henrique Cardoso. Producto de doce años de trabajo, el libro denuncia la existencia de un esquema de corrupción y lavado de dinero que habría sido armado alrededor de importantes líderes del PSDB (Partido de la Social Democracia Brasilera), entre ellos el ex ministro de Planeamiento y de Salud, ex gobernador de San Pablo y ex candidato a presidente de la República José Serra, que en el gobierno de Fernando Henrique Cardoso comandó, como ministro de Planeamiento, el proceso de privatizaciones, especialmente en el sector de las telecomunicaciones.</p>
<p>El libro se transformó en un fenómeno en las redes sociales y una piedra en el zapato de la prensa brasileña. A pesar de haberse agotado la primera edición, de 15.000 ejemplares, en cerca de cuatro días, los principales vehículos de comunicación del país adoptaron un silencio ensordecedor sobre el tema. Solamente en los últimos días, una semana después de que el texto se convirtiera en uno de los temas más debatidos en Internet, los llamados grandes medios comenzaron a hablar del libro de una manera un tanto insólita, a saber, priorizando la versión de los acusados.</p>
<p>Hasta el último viernes, según informaciones de la editorial, unos 50.000 ejemplares ya habían sido vendidos –en siete días– y otros 30.000 están llegando a las librerías en los próximos días.</p>
<p>Publicado por Geraçao Editorial, el libro de 343 páginas relata lo que llama “verdadera piratería practicada con dinero público en beneficio de fortunas privadas, por medio de las llamadas off-shores, empresas de fachada del Caribe, región tradicional e históricamente dominada por la piratería”. La publicación tiene un elemento explosivo adicional, relacionado con las disputas internas en el PSDB. El autor dice que el punto de partida de la investigación ocurrió cuando trabajaba en el diario Estado de Minas y recibió la misión de hacer un reportaje investigativo sobre una red de espionaje que habría sido estimulada por José Serra para producir un dossier en contra del ex gobernador de Minas Gerais Aécio Neves, que estaría manteniendo algunos romances discretos en Río de Janeiro. Ese dossier tendría la finalidad de desacreditar a Aécio Neves en la disputa interna con Serra, por indicación del candidato del PSDB a las elecciones presidenciales del 2010.</p>
<p>Esa pauta inicial, relata Ribeiro Jr., terminó conduciéndolo a una investigación mucho más amplia, implicando a Ricardo Sérgio de Oliveira, ex tesorero de las campañas de Serra y Cardoso, el propio Serra y tres de sus parientes: Verônica Serra, su hija; el yerno Alexandre Bourgeois y el primo Gregório Marín Preciado. El resultado de esa investigación es un relato sobre la trayectoria que habría sido recorrida por el dinero ilícito, de las off-shores y empresas de fachadas en Brasil, y la consecuente “internación” de ese dinero que habría ido a parar a las fortunas personales de los implicados.</p>
<p><span id="more-11090"></span>La investigación del periodista terminó alcanzando también al PT (Partido de los Trabajadores). En el último capítulo, Amaury Ribeiro Jr. relata un episodio de espionaje interno de la campaña presidencial de 2010, que habría sido montado por el actual presidente del partido, Rui Falcao, parar derribar al grupo ligado a Fernando Pimentel, actual ministro de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior. Además de eso, indica que el PT, en el primer año del gobierno de (Luis Inácio da Silva) Lula, habría retrocedido en las investigaciones de la CPI (Comisión Parlamentaria de Investigación) del Banestado (Banco del Estado de San Pablo), que investigaba la existencia de esquemas de lavado de dinero, involucrando a importantes figuras de la vida política brasileña.</p>
<p>Pero el tema central del libro es realmente el proceso de privatizaciones, que ya fue objeto de varias denuncias en los últimos años, pero nunca con la harta documentación presentada por Amaury Ribeiro Jr. Una gran parte de esos documentos tiene como origen la CPI del Banestado, que suministró informaciones sobre la existencia de un proceso de lavado de dinero que habría sido obtenido ilegalmente de las privatizaciones. Ese es el punto de partida del texto, que se extiende hasta las elecciones presidenciales del año pasado.</p>
<p>El comportamiento silencioso es diferente de aquél adoptado por los medios brasileños en los últimos meses, quienes se dedicaron a la publicación de sucesivas denuncias contra ministros del gobierno de la presidenta Dilma Rousseff. En su gran mayoría, basadas en afirmaciones hechas por terceros, esas denuncias no siguieron la regla que ahora los grandes medios dicen utilizar para adoptar una posición de cautela con respecto al libro: “Necesitamos averiguar la veracidad de las denuncias antes de publicar algo”.</p>
<p>Sin embargo, la aplastadora presión del tema a través de redes sociales, blogs, portales de izquierda y la revista Carta Capital –que publicó su nota de tapa sobre el libro– terminó por producir fisuras en el bloqueo de los medios. El jueves 15, el diario Folha de Sao Paulo, ligado a Serra, publicó una nota sobre el tema, destacando las declaraciones de los acusados que buscan descalificar al periodista y sus denuncias. En el mismo día, coincidentemente, el ex presidente Fernando Henrique Cardoso y el PSDB divulgaron una nota oficial calificando las denuncias como “calumniosas”.</p>
<p>Mientras tanto, en la Cámara de Diputados, el diputado Protógenes Queiroz anunció ese jueves haber obtenido las 173 firmas necesarias para instalar una Comisión Parlamentaria de Investigación de la Privataria Tucana, destinada a investigar fraudes en el proceso de privatizaciones del gobierno de Cardoso. El pedido será protocolado la semana próxima.</p>
<p>(1) Privataria Tucana: privataria es un neologismo que mezcla las palabras privatización + piratería, y tucana se refiere al pájaro tucán, símbolo del PSDB.</p>
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		<title>Marcelo Semer: &#8220;Veja quer calar a democracia&#8221;</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/veja-quer-calar-a-democracia.html</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 14:22:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Revista x AJD]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos dias, a revista “Veja” dirigiu suas pesadas críticas à Associação Juízes para a Democracia (AJD), por meio de sua edição impressa e de seu blogueiro Reinaldo Azevedo. O que motivou o ataque? A nota da AJD sobre os estudantes que ocuparam o prédio da reitoria e a reação das autoridades, para a Associação há um perigoso contexto de “judicialização de questões eminentemente políticas”.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Nos últimos dias, a revista “Veja” dirigiu suas pesadas críticas à Associação Juízes para a Democracia (AJD), por meio de sua edição impressa e de seu blogueiro Reinaldo Azevedo. O que motivou o ataque? A <a href="http://www.ajd.org.br/documentos_ver.php?idConteudo=99">nota da AJD</a> sobre os estudantes que ocuparam o prédio da reitoria e a reação das autoridades, para a Associação há um perigoso contexto de “judicialização de questões eminentemente políticas”.</p>
<p>Isso foi suficiente para que a “Veja” desqualificasse o trabalho da Associação. Agora, Marcelo Semer, da AJD, vêm a público responder à “onda de ataques”.</p>
<p><strong>VEJA quer calar a democracia</strong><br />
<em>Por <span style="color: #ff0000;">Marcelo Semer</span>, no <a href="http://terramagazine.terra.com.br">Terra Magazine</a></em></p>
<p>Tolice suprema, coleção formidável de bobagens, condoreirismo cafona.</p>
<p>Com esses e outros adjetivos ainda piores, o jornalista Reinaldo Azevedo iniciou, em seu blog, uma onda de ataques da revista VEJA à Associação Juízes para a Democracia (AJD).</p>
<p>Nos posts que buscavam detonar a associação por uma nota crítica à ação da Polícia Militar na USP, sobrou até para os educadores que seguem Paulo Freire: &#8220;idiotas brasileiros e cretinos semelhantes mundo afora&#8221;.</p>
<p>O nível do artigo já se responde por conta própria.</p>
<p>Todavia, na edição impressa que veio às bancas no sábado último, o editor-executivo da revista subscreveu um texto que, sem qualquer constrangimento ou escrúpulo político, comparou a associação a um tribunal nazista.</p>
<p>O descompromisso com a razão nem é o que mais ressalta no artigo –a foto gigantesca de pupilos de Hitler, fora de tom ou propósito, só se explica como um ato falho. No artigo, Carlos Graieb utiliza expressões que se encaixariam perfeitamente no ideário nazista: propõe dissolver a associação &#8220;política&#8221; ou impedir que seus membros usem a toga.</p>
<p>Reinaldo Azevedo, com ainda menos pruridos no mundo virtual, explicitou, numa ação que evoca o macarthismo, os nomes de todos os diretores, representantes e membros de conselhos da entidade, alertando leitores para que jamais aceitem ser julgados por estes juízes.</p>
<p>Que competência ou legitimidade para a posição soi-disant de corregedor ele tem não se sabe. Mas seus seguidores foram instados a identificar os juízes associados pelo próprio colunista, que deu status de artigo a mensagem de um advogado falando do desembargador &#8216;liberal&#8217; apreciador de samba.</p>
<p>VEJA está aturdida e indignada com a afirmação de que existe direito além da lei. Os nazistas também ficavam, porque as barbáries escritas no período mais negro da história da humanidade eram legais. Jamais deixaram de ser barbáries por causa disso.</p>
<p>A prevalência dos princípios constitucionais é o que propunha, sem grandes novidades, a nota da Associação Juízes para a Democracia. Se juízes não podem fazê-lo em um estado democrático de direito, na tutela da Constituição que prometeram defender, algo definitivamente está errado.</p>
<p>Mesmo para quem conhece a linha editorial de VEJA, cuja partidarização na política é sobejamente criticada, espanta que o interesse em calar quem pensa de outra forma, parta justamente de um órgão de imprensa.</p>
<p>Que a falta de pluralismo de suas páginas já fosse, por assim dizer, um oblíquo atentado à liberdade de expressão, o explícito intuito de extirpar opiniões contrárias não deixa de ser aterrorizador. Sob esse prisma, lembrar o nazismo não é mais do que medir o outro com a própria régua.</p>
<p><span id="more-10831"></span></p>
<p>A Associação Juízes para a Democracia tem vinte anos de serviços prestados ao debate institucional na magistratura e fora dela &#8211; e eu me orgulho de fazer parte dessa história quase por inteiro.</p>
<p>A AJD tem entre seus objetivos o respeito incondicional ao estado democrático de direito e jamais deixou de denunciar quando este se fez ameaçado. Bate-se sem cessar pela independência judicial e é militante na consideração do juiz como um garantidor de direitos.</p>
<p>A promoção permanente dos direitos humanos, compartilhada com inúmeras outras entidades da sociedade civil, sempre incomodou aos que se candidatam a porta-voz dos poderosos. Mas recusamos o propósito de quem quer fazer da democracia apenas uma promessa vazia.</p>
<p>A associação nunca se opôs a criticar o elitismo no próprio Judiciário, nem temeu se mostrar favorável à criação de um órgão para exercer o controle externo. Tudo por entender que desempenhamos, sobretudo, um serviço essencial ao público &#8211; o que levou a AJD a participar da Reforma do Judiciário propondo, entre outros temas, o fim das sessões secretas e das férias coletivas.</p>
<p>Anticorporativista, a associação jamais defendeu valores em benefícios próprios, o que pode ser incompreensível em certos ambientes. Recentemente, bateu-se pela legalidade da instauração de processos administrativos contra juízes pelo Conselho Nacional de Justiça, na contramão de interesses de classe.</p>
<p>Em vinte anos, seus membros têm sido convidados a participar de vários debates no Poder Judiciário, no Congresso Nacional e também na mídia.</p>
<p>O exercício contínuo da liberdade de expressão, que fascistas de todo o gênero sempre pretenderam mutilar, não vai ceder ao intuito de quem pretende impor sua visão e seus conceitos como únicos.</p>
<p>VEJA não está em condições de ensinar estado de direito, se desprestigia a liberdade de expressão.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Os bastidores da troca no &#8220;Jornal Nacional&#8221;</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/bastidores-da-troca-no-jn.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/bastidores-da-troca-no-jn.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 17:53:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Ali Kamel X Amauri Soares]]></category>

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		<description><![CDATA[por Rodrigo Vianna A Globo confirma a saída de Fátima Bernardes do &#8220;JN&#8221;. No lugar dela deve entrar Patrícia Poeta &#8211; atual apresentadora do &#8220;Fantástico&#8221;. Fiz hoje pela manhã &#8211; no twitter e no facebook &#8211; algumas observações sobre a troca; observações que agora procurarei consolidar nesse post. Vejo que há leitores absolutamente céticos: &#8220;ah, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>A Globo confirma a saída de Fátima Bernardes do &#8220;JN&#8221;. No lugar dela deve entrar Patrícia Poeta &#8211; atual apresentadora do &#8220;Fantástico&#8221;.</p>
<p>Fiz hoje pela manhã &#8211; no twitter e no facebook &#8211; algumas observações sobre a troca; observações que agora procurarei consolidar nesse post. Vejo que há leitores absolutamente céticos: &#8220;ah, essa troca não quer dizer nada&#8221;. Até um colunista de TV do UOL, aparentemente mal infomado, disse o mesmo. Discordo.</p>
<p>Primeiro ponto: a Patrícia Poeta é mulher de Amauri Soares. Nem todo mundo sabe, mas Amauri foi diretor da Globo/São Paulo nos anos 90. Em parceria com Evandro Carlos de Andrade (então diretor geral de jornalismo), comandou a tentativa de renovação do jornalismo global. Acompanhei isso de perto, trabalhei sob comando de Amauri. A Globo precisava se livrar do estigma (merecido) de manipulação &#8211; que vinha da ditadura, da tentativa de derrubar Brizola em 82, da cobertura lamentável das Diretas-Já em 84 (comício em São Paulo foi noticiado no &#8220;JN&#8221; como &#8220;festa pelo aniversário da cidade&#8221;), da manipulação do debate Collor-Lula em 89.</p>
<p>Amauri fez um trabalho muito bom. Havia liberdade pra trabalhar. Sou testemunha disso. Com a morte de Evandro, um rapaz que viera do jornal &#8220;O Globo&#8221;, chamado Ali Kamel, ganhou poder na TV. Em pouco tempo, derrubou Amauri da praça São Paulo.</p>
<p><strong>Patrícia Poeta no &#8220;JN&#8221; significa que Kamel está (um pouco) mais fraco. E que Amauri recupera espaço. Se Amauri voltar a mandar pra valer na Globo, Kamel talvez consiga um bom emprego no escritório da Globo na Sibéria, ou pode escrever sobre racismo, instalado em Veneza ao lado do amigo (dele) Diogo Mainardi.</strong></p>
<p>Conheço detalhes de uma conversa entre Amauri e Kamel, ocorrida em 2002, e que revelo agora em primeira mão. Amauri ligou a Kamel (chefe no Rio), pra reclamar que matérias de denúncias contra o governo, produzidas em São Paulo, não entravam no &#8220;JN&#8221;. Kamel respondeu: &#8220;a Globo está fragilizada economicamente, Amauri; não é hora de comprar briga com ninguém&#8221;. Amauri respondeu: &#8220;mas eu tenho um cartaz, com uma frase do Evandro aqui na minha sala, que diz &#8211; Não temos amigos pra proteger, nem inimigos para perseguir&#8221;. <strong>Sabem qual foi a resposta de Kamel? &#8220;Amaury, o Evandro está morto&#8221;.</strong></p>
<p>Era a senha. Algumas semanas depois, Amauri foi derrubado.</p>
<p><strong>Kamel foi o ideólogo da &#8220;retomada consevadora&#8221; na Globo durante os anos Lula. Amauri foi &#8220;exilado&#8221; num cargo em Nova Yorque. Patrícia Poeta partiu com ele.</strong> Os dois aproveitaram a fase de &#8220;baixa&#8221; pra fazer &#8220;do limão uma limonada&#8221;. Sobre isso, o <a href="http://maureliomello.blogspot.com/2011/12/patricia-poeta-o-nome-da-vez.html">Marco Aurélio escreveu, no &#8220;Doladodelá&#8221;. </a></p>
<p>Alguns anos depois, Amauri voltou ao Brasil para coordenar projetos especiais; Patrícia Poeta foi encaixada no &#8220;Fantástico&#8221;. Só que Amauri e Kamel não se falavam. Tenho informação segura de que, ainda hoje, quando se cruzam nos corredores do Jardim Botânico, os dois se ignoram. Quando são obrigados a sentar na mesma mesa, em almoços da direção, não dirigem a palavra um ao outro. Amauri sabe como Kamel tramou para derrubá-lo.</p>
<p>Pois bem. Já há alguns meses, <strong>logo depois da eleição de 2010, recebemos a informação de que Ali Kamel estava perdendo poder.</strong> Claro, manteria o cargo e o status de diretor, até porque prestou serviços à família Marinho &#8211; que pode ser acusada de muita coisa, mas não de ingratidão.</p>
<p>Otavio Florisbal, diretor geral da Globo, deu uma entrevista ao UOL no primeiro semestre de 2011 dizendo que a Globo não falava direito para a classe C (o Brasil do lulismo). Por isso, trocou apresentadores tidos como &#8220;elitistas&#8221; (Renato Machado saiu pra dar lugar ao ótimo Chico Pinheiro &#8211; aliás, também amigo de Amauri). A  Globo do Kamel não serve mais.</p>
<p>Lembremos que, <strong>desde o começo do governo Lula, a Globo de Kamel implicava com o &#8220;Bolsa-Família&#8221;. Kamel é um ideólogo conservador. Por isso, nós o chamávamos de &#8220;Ratzinger&#8221; na Globo. É contra quotas nas universidades, acha que racismo não existe no Brasil. Botou a Globo na oposição raivosa, promoveu a manipulação de 2006 na reeleição de Lula (por não concordar com isso, eu e mais três ou quatro colegas fomos expurgados da Globo em 2006/2007). E promoveu a inesquecível cobertura da &#8220;bolinha de papel&#8221; em 2010 &#8211; botando o perito Molina no &#8220;JN&#8221;.</strong> Nas reuniões internas do &#8220;comitê&#8221; global, ao lado de Merval Pereira, tentava convencer os irmãos Marinho dos &#8220;perigos&#8221; do lulismo.</p>
<p><strong>Lula sabe o que Kamel aprontou. Tanto que no debate do segundo turno, em 2006, nem cumprimentou Kamel quando o viu no estúdio da Globo. Isso me contou uma amiga que estava lá. </strong></p>
<p><strong>Os irmãos Marinho parecem ter percebido que Kamel os enganou.</strong> O lulismo, em vez de perigo, mudou o Brasil pra melhor. Mais que isso: a Globo agora precisa de Dilma para enfrentar as teles, que chegam com muito dinheiro e apetite para disputar o mercado de comunicação. Kamel já não serve para os novos tempos. Assim como os &#8220;pitbulls&#8221; Diogo Mainardi e Mario Sabino não servem para a &#8220;Veja&#8221;.</p>
<p>Dilma buscou os donos da mídia, passada a eleição, e propôs a &#8220;normalização&#8221; de relações. O governo seguiu apanhando, na área &#8220;ética&#8221; &#8211; é verdade. O que não atrapalha a imagem de Dilma. Há quem veja na tal &#8220;faxina&#8221; um jogo combinado entre a presidenta e os donos da mídia. Será? Dilma tiraria as &#8220;denúncias&#8221; de letra (o custo ficaria para Lula e os aliados). Do outro lado, os &#8220;pitbulls&#8221; perderiam terreno na mídia. É a tal &#8220;normalização&#8221;. Considero um erro estratégico de Dilma. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa. O fato é que a estratégia hoje é essa!</p>
<p>Patricia Poeta no &#8220;JN&#8221; parece indicar que a &#8220;normalização&#8221; passa por Ali Kamel longe do dia-a-dia na Globo (ele ainda tenta manobrar aqui e ali, mas já sem a mesma desenvoltura). Isso pode ser bom para o Brasil.</p>
<p><span id="more-10754"></span>Não é coincidência que a Globo tenha permitido, há poucos dias, aquela <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/videos/a-verdade-aparece-lula-x-collor-em-89.html">entrevista do Boni admitindo manipulação do debate de 89. </a>A entrevista (feita pelo excelente jornalista Geneton de Moraes Neto) foi ao ar na &#8220;Globo News&#8221;. Alguém acha que iria ao ar sem conhecimento da família Marinho? Isso não acontece na Globo!</p>
<p>Durante os anos de poder total de Kamel, a Globo tentou &#8220;reescrever&#8221; o passado &#8211; em vez de reconhecer os erros. Kamel chegou a escrever artigo hilário, tantando negar que a Globo tenha manipulado a cobertura das Diretas. Virou piada. Até o repórter que fez a &#8220;reportagem&#8221; em 84 contou pros colegas na redação (eu estava lá, e ouvi) &#8211; &#8220;o Ali é louco de tentar negar isso; todo mundo viu no ar&#8221;.</p>
<p>Ali Kamel nega o racismo, nega a manipulação, nega a realidade. Freud explica.</p>
<p>Agora, Boni reconhece que a Globo manipulou em 89. Isso faz parte do movimento de &#8220;normalização&#8221;. O enfraquecimento de Kamel também faz.</p>
<p>Tudo isso está nos bastidores da troca de apresentadores do &#8220;JN&#8221;. Mas claro que há mais. Há a estratégia televisiva, pura e simples. Fátima Bernardes deve comandar um programa matutino na Globo. As manhãs são hoje o principal calcanhar de aquiles da emissora carioca. A Record ganha ou empata todos os dias. Com o &#8220;Fala Brasil&#8221;, e com o &#8220;Hoje em Dia&#8221;. Ana Maria Braga não dá mais conta da briga &#8211; apesar de ainda trazer muita grana e patrocinadores.</p>
<p>Fátima deve ter um novo programa nas manhãs. Ana Maria será mantida. Até porque na Globo as mudanças são sempre lentas &#8211; como no Comitê Central do PC da China. A Globo é um transatlântico que se manobra lentamente.</p>
<p>Se a Fátima emplacar, pode virar uma nova Ana Maria. O programa dela deve contar com outras estrelas globais (Pedro Bial, quem sabe?).</p>
<p>A mudança de apresentadores tem esse duplo sentido: enfraquecimento de Kamel (que continuará a ter seu camarote no transatlântico global, mas talvez já não frequente tanto a cabine de comando); e estratégia pra recuperar audiência nas manhãs.</p>
<p>A conferir.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A mídia vende &#8220;o espetáculo&#8221;, é o &#8220;antijornalismo&#8221;</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/alunos-da-usp-a-midia-foca-em-vender-o-espetaculo-isso-e-o-antijornalismo.html</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 11:32:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Plenos Poderes]]></category>
		<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Alunos da USP criticam mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Nós, estudantes de Comunicações e Artes da ECA/USP, viemos explicitar o nosso repúdio à maneira como a imprensa hegemônica tem exposto os acontecimentos recentes no campus da USP. Estamos constrangidos com a maneira preguiçosa e irresponsável como a imprensa e a televisão têm feito seu trabalho, limitando-se a vender o espetáculo originário de uma cobertura superficial e pautada no senso comum.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Moção de repúdio</strong></p>
<p>Nós, estudantes de Comunicações e Artes da ECA/USP, viemos explicitar o nosso repúdio à maneira como a imprensa hegemônica tem exposto os acontecimentos recentes no campus da USP.</p>
<p>Estamos constrangidos com a maneira preguiçosa e irresponsável como a imprensa e a televisão têm feito seu trabalho, limitando-se a vender o espetáculo originário de uma cobertura superficial e pautada no senso comum.</p>
<p>Entendemos as comunicações e as artes como agentes essenciais na conscientização e na transformação da sociedade. Para isso, o jornalismo não pode ser um mero reprodutor de discursos circulantes, mas sim um instigador de debates e inquietações.</p>
<p>O que assistimos recentemente foi uma reprodução incansável de estereótipos, que só serviram para manipular a opinião pública contra as lutas que são primordiais dentro do campus.</p>
<p>Como estudantes de universidade pública, é também nosso papel questionar a maneira como a mídia trata os movimentos sociais, principalmente como ela tem tratado o movimento estudantil. Buscar entender as raízes do problema exige apuração minuciosa, princípio básico do jornalismo. Posições existem, mas elas não podem ocultar ou distorcer fatos.</p>
<p>O nome do que está sendo praticado é antijornalismo. A sociedade não financia a nossa formação para sermos profissionais como esses.</p>
<p><em>Escola de Comunicações e Artes<br />
Assembleia Geral dos estudantes da ECA</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>As relações ambíguas entre Governo e mídia</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2011 14:23:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Plenos Poderes]]></category>
		<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Financiamento e crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto seus apoiadores acusam a mídia de ser golpista, governo prestigia e destina farta publicidade aos grandes meios de comunicação. Uma única edição de Veja recebe cerca de R$ 1,5 milhão em anúncios oficiais. É preciso regular e democratizar as comunicações. Mas também é necessário deixar mais claro os interesses de cada setor nessa disputa]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Gilberto Maringoni</span></em></p>
<p>Enquanto seus apoiadores acusam a mídia de ser golpista, governo prestigia e destina farta publicidade aos grandes meios de comunicação. Uma única edição de Veja recebe cerca de R$ 1,5 milhão em anúncios oficiais. É preciso regular e democratizar as comunicações. Mas também é necessário deixar mais claro os interesses de cada setor nessa disputa</p>
<p>Nesta semana, a revista Veja fez mais uma denúncia de corrupção contra um Ministro de Estado. É difícil saber o que há de verdade ali, pois a reportagem vale-se apenas do depoimento de uma testemunha. A matéria pautou os principais veículos de comunicação, com destaque para o Jornal Nacional, da Rede Globo.</p>
<p>O Ministro, por sua vez, sai atirando. Responde ao acusador no mesmo calibre. “Bandido” é a palavra que ricocheteia em todas as páginas e telas. O caso é nebuloso. A relação promíscua do Estado com ONGs e “entidades sem fins lucrativos” precisa sempre ser examinada com lupa potente. É um dos legados da privatização esperta dos anos 1990, feita através de terceirizações de serviços que deveriam ser públicos.</p>
<p>Aliados do governo tentam desqualificar não apenas a denúncia, mas o veiculo que a difunde. Volta o debate de que estaríamos diante de uma imprensa golpista, que não se conforma com a mudança de rumos operada no país desde 2003, que quer inviabilizar o governo etc. etc. A grande imprensa, por sua vez viciou-se em acusar todos os que discordam de seus métodos de clamarem pela volta da censura. Há muita fumaça e pouco fogo nisso tudo, mas faz parte do show. Disputa política é assim mesmo.</p>
<p><strong>Maniqueísmo</strong><br />
É preciso colocar racionalidade no debate sobre os meios de comunicação no país, para que não deslizemos para maniqueísmos estéreis. Vamos antes enunciar um pressuposto.</p>
<p>A grande imprensa brasileira está concentrada em poucas mãos. Oito empresas – Globo, Bandeirantes, Record, SBT, Abril, Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Rede Brasil Sul (RBS) – produzem e distribuem a maior parte da informação consumida no Brasil. O espectro vai se abrir um pouco nos próximos anos, para que as gigantes da telefonia mundial se incorporem ao time, através da produção de conteúdos para a TV a cabo. Mas o conjunto seguirá como um dos clubes mais fechados do mundo.</p>
<p>As empresas existentes há cinco décadas – Globo, Estado, Folha e Abril – apoiaram abertamente o golpe de 1964. Até hoje não explicaram à sociedade brasileira como realizam a proeza de falar em democracia tendo este feito em sua história.</p>
<p>Entre todos os meios, a revista Veja se sobressai como o produto mais truculento e parcial da imprensa brasileira.</p>
<p>Sobre golpismo, é bom ser claro. As classes dominantes brasileiras não se pautam pelas boas maneiras na defesa de seus interesses. Sempre que precisaram, acabaram com o regime democrático. Usaram para isso, à farta, seus meios de comunicação.</p>
<p><strong>A imprensa é golpista?</strong><br />
No entanto, até agora não se sabe ao certo porque esta mídia daria um golpe nos dias que correm. O sistema financeiro colhe aqui lucros exorbitantes. A reforma agrária emperrou. Grandes empresários têm assento em postos proeminentes do Estado – caso de Jorge Gerdau Johannpeter – ou têm seus interesses mantidos intocados.</p>
<p>Algumas peças não se encaixam na acusação de golpismo da mídia. Voltemos à revista Veja. Os apoiadores do governo precisam explicar porque a administração pública forra a publicação com vultosas verbas publicitárias, além de sempre prestigiarem suas iniciativas. Vamos conferir, pois está tudo na internet.</p>
<p>Veja tem uma tiragem de 1.198.884 exemplares (http://www.publiabril.com.br/tabelas-gerais/revistas/circulacao-geral), auditados pelo IVC. Alega ter um total de 8.669.000 leitores. Por conta disso, os preços de seus espaços publicitários são os mais altos entre a imprensa escrita. Veicular um reclame em uma página determinada sai por R$ 330.460. Já em uma página indeterminada, a dolorosa fica por R$ 242.200 (http://www.publiabril.com.br/marcas/veja/revista/precos).<br />
<span id="more-10156"></span><br />
Quem anuncia em Veja? Bancos, a indústria automobilística, gigantes da informática, monopólios do varejo e&#8230; o governo federal. Peguemos um exemplar recente para verificar isso.</p>
<p>Na edição de 12 de outubro – que noticiou a morte de Steve Jobs – havia cinco inserções do governo federal. Os anúncios eram do Banco do Brasil (página dupla), do BNDES, do Ministério da Justiça, da Agência Nacional de Saúde e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Supondo-se que as propagandas não foram destinadas a páginas determinadas, teremos, de acordo com a tabela, um total de R$ 1.525.200.</p>
<p>Exato: em uma semana apenas, o governo federal destinou R$ 1,5 milhão ao semanário dos Civita, a quem seus aliados chamam de “golpista”.</p>
<p><strong>Prestígio político</strong><br />
Há também o prestígio político que o governo confere ao informativo. Prova disso foi o comparecimento maciço de ministros de Estado e parlamentares governistas à festa de quarenta anos de Veja, em setembro de 2008. Nas comemorações, estiveram presentes o então vice-presidente da República, José Alencar, o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, o ministro da Educação, Fernando Haddad e a senadora Marta Suplicy (confiram em http://veja.abril.com.br/veja_40anos/40anos.html).</p>
<p>E entre julho de 2010 e julho de 2011, nada menos que seis integrantes dos altos escalões governamentais concederam entrevista às páginas amarelas da revista. São eles: Dilma Rousseff, Aldo Rebelo, Cândido Vaccarezza, Antonio Patriota, General Enzo Petri e Luciano Coutinho.</p>
<p>Nenhum demonstrou o desprendimento e a sensatez do assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia (então presidente interino do PT). Ao ser convidado para conceder uma entrevista a Diogo Mainardi, em novembro de 2006, deu a seguinte resposta: “Sr. Diogo Mainardi, há alguns anos – da data não me lembro – o senhor dedicou-me uma coluna com fortes críticas. Minha resposta não foi publicada pela Veja, mas sim, a sua resposta à minha resposta, que, aliás, foi republicada em um de seus livros. Desde então decidi não falar com a sua revista. Seu sintomático compromisso em não cortar minhas declarações não é confiável. Meu infinito apreço pela liberdade de imprensa não vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista”.<br />
<strong><br />
RBS, Olívio e Lula</strong><br />
As relações ambíguas do governo e dos partidos da chamada base aliada com a grande mídia não se restringem à Veja.</p>
<p>Entraram para a história a campanha de denúncias e desgaste sistemático que os veículos da RBS moveram contra o governo de Olívio Dutra (1999-2003), do PT, no Rio Grande do Sul. Ataques sem provas, calúnias, mentiras e todo tipo de baixaria foi utilizada para inviabilizar uma gestão que buscou inverter prioridades administrativas. No auge dos ataques, em 2000, o jornal Zero Hora, do grupo, fez um ousado lance de marketing. Convidou Luís Inácio Lula da Silva para ser colunista regular. Até a campanha de 2002, o futuro presidente da República escreveu semanalmente no jornal, como se não tivesse relação com as ocorrências locais. Quando abriu mão da colaboração, Lula afirmou que o jornal prejudicava seu companheiro gaúcho (http://noticias.terra.com.br/imprime/0,85198,OI38721-EI342,00.html). O jornal ganhou muito mais que o ex-metalúrgico nessa parceria. Ficou com a imagem de um veículo plural e tolerante.</p>
<p>No mesmo ano, o ex-Ministro José Dirceu foi entrevistado pelo Pasquim 21, jornal lançado pelo cartunista Ziraldo. Naqueles tempos, as empresas de mídia enfrentavam aguda crise, por terem se endividado em dólares nos anos 1990. Com a quebra do real no final da década, os débitos ficaram impagáveis. Lá pelas tantas, Dirceu afirmou que salvar a Globo seria uma “questão de segurança nacional”.<br />
<strong><br />
Comemorando juntos</strong><br />
As boas relações com a grande mídia se mantiveram ainda nas comemorações dos 90 anos da Folha de S. Paulo, em janeiro deste ano. Estiveram presentes à festa (http://www1.folha.uol.com.br/folha90anos/879061-politicos-e-personalidades-defendem-a-liberdade-de-imprensa.shtml) a presidente Dilma Rousseff – convidada de honra, que proferiu discurso recheado de elogios ao jornal – a senadora Marta Suplicy, colunista do mesmo, Candido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, os ex-Ministros José Dirceu e Marcio Thomaz Bastos e o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho. A Folha também recebe farta publicidade governamental, do Banco do Brasil, da Petrobrás, da Caixa Econômica federal, entre outras.</p>
<p>Nos momentos de dificuldade, dirigentes do governo procuram sempre a grande imprensa para exporem suas idéias. Foi o caso de Antonio Pallocci, em 3 de junho último. Acossado por denúncias de enriquecimento ilícito, o ex-Chefe da Casa Civil convocou o Jornal Nacional, para dar suas explicações ao público (http://www.youtube.com/watch?v=Y5m_wyahXjY).</p>
<p>O mesmo Antonio Palocci – colunista da Folha de S. Paulo entre 2009 e 2010 &#8211; dividiu mesas com Roberto Civita, Reinaldo Azevedo, Demetrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Otavio Frias Filho e outros, em palestra no afamado Instituto Millenium, em março de 2010 (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16432). A entidade congrega empresários do ramo e seus funcionários e se opõe a qualquer tipo de regulação em suas atividades.</p>
<p>Os casos de proximidade do governo e seus partidos com a imprensa são extensos. Uma das balizas dessas relações é o bolo da publicidade oficial. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/publicidade/midia/acoes-programadas-em-r/copy3_of_total-geral-administracao-direta-todos-os-orgaos-indireta-todas-as-empresas), a receita publicitária oficial em 2010 foi de R$ 1.628.920.472,60. Incluem-se aí os custos de produção e veiculação de campanhas, tanto da administração direta quanto indireta. Ressalte-se aqui um ponto: é legítimo o governo federal valer-se da publicidade para se comunicar com a população. A maior parte do bolo vai para os grandes grupos do setor.</p>
<p>No caso das compras de livros didáticos feitos pelo MEC, para as escolas públicas, o grande beneficiário é o Grupo Abril, que edita Veja (http://www.horadopovo.com.br/2010/dezembro/2921-08-12-2010/P4/pag4a.htm).<br />
<strong><br />
Reclamação e democratização</strong><br />
Apesar do PT, partido do governo, ter feito uma moção sobre a democratização das comunicações em seu último Congresso e do ex-ministro José Dirceu ter sido injustamente atacado recentemente pela Veja, é difícil saber exatamente que tipo de relação governo e partidos aliados desejam manter com os meios de comunicação. De um lado, como se vê, acusam a mídia de ser golpista. De outro, lhe dão todo o apoio.</p>
<p>Pode ser que tenham medo da imprensa. Mas o que não se pode é ter um duplo comportamento no caso. Diante da opinião pública falam uma coisa, enquanto agem de forma distinta na prática.</p>
<p>O ex-presidente Lula reclamou muito da imprensa em seu último ano de mandato. No entanto, “Não houve qualquer alteração fundamental no quadro de concentração da propriedade da mídia no Brasil entre 2003 e 2010”. Essa constatação é feita pelo professor Venício Lima em brilhante artigo, publicado no final de 2010 (http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4902).</p>
<p>As resoluções da Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009, mofam em algum escaninho do Ministério das Comunicações. O Plano Nacional de Banda Larga, que deveria fazer frente ao monopólio das operadoras privadas, acabou incorporando todas as demandas empresariais. O projeto de regulação da mídia elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins desapareceu da agenda.</p>
<p>Como se pode ver, o governo e seus partidos de sustentação convivem muito bem com a mídia como ela é. Têm muita proximidade e pontos de contato, apesar de existirem vozes isoladas dentro deles, que não compactuam com a visão majoritária.</p>
<p>Nenhum dos lados tem moral para reclamar do outro&#8230;</p>
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		</item>
		<item>
		<title>A Globo, a Veja e o remédio que sumiu</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/a-globo-a-veja-e-o-remedio-que-sumiu.html</link>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 17:50:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[A necessária ley de medios]]></category>

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		<description><![CDATA[Há um mês atrás, a revista Veja anunciou um remédio emagrecedor supostamente milagroso. Nesta semana chega a informação de que o medicamento sumiu das farmárcias e o diabéticos, para quem o remédio foi feito, sofrem as consequências. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Como outros telejornais, o &#8220;Jornal Nacional&#8221; deu destaque nesta semana à resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que proibiu três medicamentos emagrecedores que possuíam anfetamina. A diferença, na cobertura da Globo, foi trazer uma (meia) informação a mais: a alta procura por remédios emagrecedores estava causando problemas aos diabéticos. Tratava-se do caso específico do Victozia. Vendido sem receita e utilizado para controle da diabetes, o Victozia começou a ser muito procurado como emagrecedor, fazendo com que o remédio sumisse do mercado.</p>
<p>O telejornal da Globo entrevistou um diabético que não conseguia o medicamento e relatou que, nas drogarias, há listas de espera que chegam a mais de 100 pessoas. Até aí, uma reportagem correta, que presta serviço para o público. Se não fosse um detalhe: faltou ao JN  explicar por que houve esse aumento repentino na procura pelo Victozia&#8230; Não é preciso muito esforço para lembrar a capa da revista &#8220;Veja&#8221;, de um mês atrás, que trazia o anúncio: “Parece milagre! Novo remédio faz emagrecer 7 a 12 quilos e, cinco meses. E sem grandes efeitos colaterais.”. Era o tal do Victozia.</p>
<p><img class="alignleft" title="Capa Veja" src="http://4.bp.blogspot.com/-Lrs5zfd23jQ/TmeF-L8wmzI/AAAAAAAAFbA/vWJh-wbby1I/s1600/veja_victoza.jpg" alt="" width="241" height="310" />A reportagem da &#8220;Veja&#8221;, com ares de anúncio publicitário, parece ter sido o motivo para essa corrida às farmácias, prejudicando os diabéticos. Vale lembrar: o medicamento, no Brasil, é liberado apenas para o tratamento de diabetes, e não para uso como inibidor de apetite.</p>
<p>Na época, a reportagem de &#8220;Veja&#8221; causou polêmica. A Anvisa divulgou uma nota, na qual reiterava que o remédio deveria ser utilizado apenas para o tratamento de diabetes: “o uso do produto para qualquer outra finalidade que não seja como anti-diabético caracteriza elevado risco sanitário para a saúde da população”. E, apesar da revista afirmar que não haveria grandes efeitos colaterais, a Anvisa adverte que por ser um remédio novo ainda está sob observação e que até agora já se constataram efeitos colaterais como “hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarréia. Além destes eventos destacam-se outros riscos, tais como: pancreatite, desidratação e alteração da função renal e distúrbios da tireóide, como nódulos e casos de urticária”. Coisa pouca, na visão da Veja.</p>
<p>A matéria da &#8220;Veja&#8221; também deixou em alerta a Associação para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica: “achamos, no mínimo, temerária a propaganda do uso indiscriminado desse medicamento para emagrecer. Está provocando uma verdadeira corrida aos consultórios médicos para a prescrição da medicação”, nas palavras de Rosana Bento Radominski, presidenta da Associação.</p>
<p>A nota da Anvisa foi enviada à &#8220;Veja&#8221;, com o pedido de que fosse publicada na revista “como complemento à reportagem”. Até agora, nada. Nem uma resposta. A gravidade do conteúdo da matéria da &#8220;Veja&#8221;, que incentiva o uso do remédio, e o impacto negativo que isso tem na sociedade já demandariam que a nota de esclarecimento fosse publicada. São temas de interesse coletivo e que dizem respeito à saúde pública, por isso não deveriam ter de contar com a “boa vontade” dos editores da revista para publicação.</p>
<p>Entretanto, faltam mecanismos &#8211; simples e rápidos -  para que esse tipo de resposta seja garantido e para que os meios de comunicação não se esquivem de dar espaço para vozes dissonantes. São mecanismos como esse que devem ser garantidos na formulação de um novo marco regulatório das comunicações, que há muito tempo é reivindicado por movimentos da área e evitado por governos, apesar da mídia não parar de fornecer evidências da urgência dessa regulação.</p>
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		<title>Lula: em inglês, espanhol ou francês</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 15:34:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[A imprensa brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebo, de um jornalista que prefere não se identificar, breve análise sobre a relação da velha imprensa com Lula. O autor do texto se indigna  com um fato inegável:  jornais franceses, argentinos ou sites dos Estados Unidos acompanham os passos do ex-presidente de uma forma muito mais competente do que os jornais brasileiros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_9945" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Lula-doutor.jpg" rel="lightbox[9944]"><img class="size-medium wp-image-9945" title="Lula doutor" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Lula-doutor-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a><p class="wp-caption-text">Doutor Lula: a imagem fere a sensibilidade das elites que dominam os jornais brasileiros</p></div>
<p>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></p>
<p></em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Recebo, de um jornalista que prefere não se identificar, breve análise sobre a relação da velha imprensa com Lula. O autor do texto se indigna  com um fato inegável:  jornais franceses, argentinos ou sites dos Estados Unidos acompanham os passos do ex-presidente de uma forma muito mais competente do que os jornais brasileiros.</p>
<p>Ele conclui: &#8220;<em>hoje, para acompanhar matérias boas sobre o Lula, tem que ler inglês, francês e espanhol.&#8221;</em> E eu penso com meus surrados botões: a velha mídia (e a &#8220;Folha&#8221; em especial, na pessoa do seu diretor Otavio Frias Filho) &#8220;acusava&#8221; Lula de não saber inglês (o que impediria que fosse um bom presidente). Lula podia ligar pro Otavinho agora  e dizer: &#8220;eu devia mesmo ter estudado inglês; pelo menos assim eu poderia ler, sobre mim, notícias que não chegam carregadas com o ódio e o desprezo que os jornais brasileiros me devotam.&#8221;</p>
<p>Mas nem precisa. Aqui nos blogs a gente traduz. E espalha por aí. Os bons textos sobre Lula (escritos no exterior) são o maior atestado da incompetência (e do caráter anti-nacional) da velha imprensa brasileira,<a href="http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/os-sinhozinhos-vao-a-paris.html"> como soubemos pelo &#8220;Página 12&#8243; semana passada</a>.</p>
<p>===</p>
<p><em>Oi, Rodrigo</em></p>
<p><em>Cá entre nós, gostaria de externar um pensamento: semana passada a &#8220;Folha&#8221; não deu uma linha em sua versão impressa sobre o doutor &#8220;honoris causa&#8221; de Lula. As melhores matérias foram do &#8220;Página 12&#8243; [argentino] e do &#8220;Le Monde&#8221; [francês]. E idem sobre o prêmio de Lula na Polônia (sequer o encontro com Sarkozy foi citado). O jornal sabia de ambos os eventos com antecedência, e é bem mais fácil mandar alguém para a Europa, ou de Paris ou Londres para a Polônia, do que cobrir África ou América do Sul. Mas não quiseram acompanhar direito.</p>
<p></em></p>
<p><em>Resultado. O melhor texto sobre o prêmio recebido pelo Lula saiu no Huffington Post [dos Estados Unidos] -<br />
</em><a href="http://www.huffingtonpost.com/benjamin-r-barber/as-president-lech-walesa_b_992913.html" target="_blank"><em>http://www.huffingtonpost.com/benjamin-r-barber/as-president-lech-walesa_b_992913.html</em></a></p>
<p><em>Hoje, para acompanhar matérias boas sobre o Lula, tem que ler inglês, francês e espanhol.</em></p>
<p><em>Sei que não tem surpresa nenhuma nisso. Todos jornais, e a &#8220;Folha&#8221; em particular, publicam sobre Lula apenas nos termos que lhes interessa.<br />
Mas o dia-a-dia disso, pra quem acompanha de perto, é algo que impressiona: nos bastidores (e isso não é nem em &#8220;off&#8221;) a direção do jornal  reclama de ter &#8220;pouco Lula&#8221;. Não é que tem pouco Lula, tem pouco Lula nos termos que eles gostariam de ter: rompendo com a Dilma ou se metendo mais no governo, por exemplo&#8230;</p>
<p>O desinteresse (ou falta de recursos?) para acompanhar eventos positivos, como o World Food Prize, dia 12 de outubro em Iowa (interior dos Estados Unidos, logo exige recursos para ser coberto), é tremendo.</p>
<p>Mas pode ver como qualquer evento no Instituto FHC ganha páginas e páginas em todos os jornais. Eu só me divirto: parte da imprensa brasileira (é sacanagem generalizar) se tornou provinciana.</p>
<p>Pena.</p>
<p></em></p>
<p><em>==</em></p>
<p>Volto eu. A imprensa brasileira sempre foi provinciana (com raríssimas exceções). O jornal que durante décadas exerceu o papel de porta-voz da elite paulista, por exemplo, trazia &#8220;Província&#8221; no nome (o &#8220;Estadão&#8221; durante décadas chamava-se: &#8220;A Província de S. Paulo&#8221;).</p>
<p><span id="more-9944"></span>Agora, há mais do que provincianismo; essa gente não suporta que o país tenha melhorado num governo que não teve anuência nem o apoio da elite provinciana brasileira. A Casa Grande (e os jornais que a representam) está em crise existencial.  (RV)</p>
<p><em> </em></p>
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		<title>Os sinhozinhos vão a Paris e dão vexame</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/os-sinhozinhos-vao-a-paris.html</link>
		<comments>http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/os-sinhozinhos-vao-a-paris.html#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 19:46:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Viva a imprensa brasileira!]]></category>

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		<description><![CDATA[O Eduardo Guimarães já havia escrito aqui sobre o comportamento patético de jornalistas brasileiros em Paris. Meus colegas (!) parecem ter vergonha do presidente que tivemos durante 8 anos. Ou então, querem agradar aos patrões. Numa entrevista coletiva com o diretor da "Sciences Po" (instituição francesa que vai dar um título  "honoris causa" a Lula), repórteres brasileiros pareciam enojados: por que Lula vai ganhar a honraria? "Ele não é um dos nossos".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Racismo.jpg" rel="lightbox[9851]"><img class="alignleft size-full wp-image-9852" title="Racismo" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Racismo.jpg" alt="" width="103" height="137" /></a>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna </span></em></p>
<p>O Eduardo Guimarães já havia escrito <a href="http://www.blogcidadania.com.br/2011/09/imprensa-brasileira-foi-a-franca-reclamar-de-premiacao-a-lula/">aqui </a>sobre o comportamento patético de jornalistas brasileiros em Paris. Meus colegas (!) parecem ter vergonha do presidente que tivemos durante 8 anos. Ou então, querem agradar aos patrões. Numa entrevista coletiva com o diretor da &#8220;Sciences Po&#8221; (instituição francesa que vai dar um título  &#8220;honoris causa&#8221; a Lula), repórteres brasileiros pareciam enojados: por que Lula vai ganhar a honraria? &#8220;Ele não é um dos nossos&#8221;.</p>
<p>Qualquer presidente merece sempre  tratamento crítico. E é nisso que os jornalistas vão se apegar para explicar o comportamento patético em Paris. Mas o que ocorreu lá foi diferente. Foi a manifestação de uma doença social brasileira. Doença que é mais grave entre esse batalhão raivoso que não suporta as 3 derrotas seguidas sofridas em 2002, 2006 e 2010.</p>
<p>Poder-se-ia (pronto, com ridículas mesóclises os brasileiros mostram que foram à Universidade, feito Janio Quadros) atribuir as perguntas ridículas em Paris a um certo mau-humor. O sujeito vai a Paris, vê aquela cidade maravilhosa, e fica de mau-humor. Sei. Na verdade, trata-se da herança escravocrata que está impregnada em tantos de nós brasileiros. A turma da Senzala só pode entrar na Casa-Grande se for &#8220;criado da casa&#8221;. Lula entrou na Casa-Grande pela porta da frente. Imperdoável.</p>
<p>Mas o relato fica mais eloquente na descrição do jornalista argentino do &#8220;Página 12&#8243;, que também estava lá. Normalmente, não gosto de argentino falando mal do Brasil. Dessa vez, é diferente. Ele fala mal da nossa imprensa trôpega, filha ideológica da Casa-Grande. Expõe o ridículo das perguntas feitas pelos repórteres brasileiros. E a classe do professor francês ao respondê-las. Na verdade, a descrição feita pelo &#8220;Página 12&#8243; não é uma crítica ao Brasil. Ao contrário: é um tremendo elogio! Apesar dessa imprensa,  o Brasil elegeu Lula 2 vezes. O Brasil derrotou a mentalidade escravocrata que domina nossa imprensa. Derrotou as capas da &#8220;Veja&#8221;. Derrotou Ali Kamel e sua obsessão de  relativizar essa história de &#8220;preconceito racial&#8221;. Derrotou a família Frias (num almoço na &#8220;Folha, na campanha de 2002, Otavinho tentou humilhar Lula pelo fato de o líder o petista  não ter diploma e não falar inglês). Derrotou a mentalidade de senhor de engenho que domina muitas redações brasileiras.</p>
<p>Mas os derrotados insistem. Deixemos ao jornalista argentino a tarefa de expor os sinhozinhos ao ridículo.</p>
<p>A pedidos, <a href="http://www.viomundo.com.br/humor/martin-granovsky-foi-preciso-um-argentino-defender-lula-em-paris.html">aqui </a>o artigo traduzido para o português pelo &#8220;VioMundo&#8221;</p>
<p>Abaixo, o texto no original, em espanhol.</p>
<p><strong>===</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-177611-2011-09-27.html">ESCRAVISTAS CONTRA LULA</a></strong></p>
<p><em>Uno de los colegas preguntó si estaba bien premiar a quien se jacta de no haber leído nunca un libro. El profesor mantuvo su calma y lo miró asombrado. Quizá sepa que esa jactancia de Lula no consta en actas, aunque es cierto que no tiene título universitario. Tan cierto es que cuando asumió la presidencia, el 1º de enero de 2003, levantó el diploma que les dan en Brasil a los presidentes y dijo: “Lástima que mi mamá se murió. Ella siempre quiso que yo tuviera un diploma y nunca imaginó que el primero sería el de presidente de la república”. Y lloró.</em></p>
<p><em>“¿Por qué premian a un presidente que toleró la corrupción?”, fue la siguiente pregunta.</em></p>
<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Martin Granovsky</span>, no <span style="color: #ff0000;">&#8220;Página 12&#8243;</span></em></p>
<p>Pueden pronunciar sians po. Es, más o menos, la fonética de sciences politiques. Con decir Sciences Po basta para aludir al encastre perfecto de dos estructuras, la Fundación Nacional de Ciencias Políticas de Francia y el Instituto de Estudios Políticos de París.</p>
<p><span id="more-9851"></span>No es difícil pronunciar Sians Po. Lo difícil es entender, a esta altura del siglo XXI, cómo las ideas esclavócratas siguen permeando a gente de las elites sudamericanas.</p>
<p>Hoy a la tarde, Richard Descoings, director de Sciences Po, le entregará por primera vez el doctorado Honoris Causa a un latinoamericano: el ex presidente de Brasil, Luiz Inácio “Lula” da Silva. Hablará Descoings y hablará Lula, claro.</p>
<p>Para explicar bien su iniciativa, el director convocó a una reunión en su oficina de la calle Saint Guillaume, muy cerca de la iglesia de Saint Germain des Pres, en un contrafrente desde el que podían verse los castaños con hojas amarillentas. Meterse en la cocina siempre es interesante. Si uno pasa por París para participar como ponente de dos actividades académicas, una sobre la situación política argentina y otra sobre las relaciones entre la Argentina y Brasil, no está mal que se meta en la cocina de Sciences Po.</p>
<p>Le pareció lo mismo a la historiadora Diana Quattrocchi Woisson, que dirige en París el Observatorio sobre la Argentina Contemporánea, es directiva del Instituto de las Américas y fue quien tuvo la idea de organizar las dos actividades académicas sobre la Argentina y Brasil de las que también participó el economista e historiador Mario Rapoport, uno de los fundadores del Plan Fénix hace 10 años.</p>
<p>Naturalmente, para escuchar a Descoings habían sido citados varios colegas brasileños. El profesor Descoings quiso ser amable y didáctico. Sciences Po tiene una cátedra de Mercosur, los estudiantes brasileños acuden cada vez más a Francia, Lula no salió de la elite tradicional de Brasil, pero llegó al máximo nivel de responsabilidad y aplicó planes de alta eficiencia social.</p>
<p>Uno de los colegas preguntó si estaba bien premiar a quien se jacta de no haber leído nunca un libro. El profesor mantuvo su calma y lo miró asombrado. Quizá sepa que esa jactancia de Lula no consta en actas, aunque es cierto que no tiene título universitario. Tan cierto es que cuando asumió la presidencia, el 1º de enero de 2003, levantó el diploma que les dan en Brasil a los presidentes y dijo: “Lástima que mi mamá se murió. Ella siempre quiso que yo tuviera un diploma y nunca imaginó que el primero sería el de presidente de la república”. Y lloró.</p>
<p>“¿Por qué premian a un presidente que toleró la corrupción?”, fue la siguiente pregunta.</p>
<p>El profesor sonrió y dijo: “Mire, Sciences Po no es la Iglesia Católica. No entra en análisis morales, ni saca conclusiones apresuradas. Deja para el balance histórico ese asunto y otros muy importantes, como la electrificación de favelas en todo Brasil y las políticas sociales”. Y agregó, tomando Le Monde: “¿Qué país puede medir moralmente hoy a otro? Si no queremos hablar de estos días, recordemos cómo un alto funcionario de otro país debió renunciar por haber plagiado una tesis de doctorado a un estudiante”. Hablaba de Karl-Theodor zu Guttenberg, ministro de Defensa de Alemania hasta que se supo del plagio.</p>
<p><!--more-->Más aún: “No excusamos, ni juzgamos. Simplemente no damos lecciones de moral a otros países”.</p>
<p>Otro colega preguntó si estaba bien premiar a quien una vez llamó “hermano” a Muamar Khadafi.</p>
<p>Con las debidas disculpas, que fueron expresadas al profesor y a los colegas, la impaciencia argentina llevó a preguntar dónde había comprado Khadafi sus armas y qué país refinaba su petróleo, además de comprarlo. El profesor debe haber agradecido que la pregunta no citara, con nombre y apellido, a Francia e Italia.</p>
<p>Descoings aprovechó para destacar en Lula “al hombre de acción que modificó el curso de las cosas”, y dijo que la concepción de Sciences Po no es el ser humano como “los unos o los otros” sino como “los unos y los otros”. Marcó mucho el et, “y” en francés.</p>
<p>Diana Quattrocchi, como latinoamericana que estudió y se doctoró en París tras salir de una cárcel de la dictadura argentina gracias a la presión de Amnistía Internacional, dijo que estaba orgullosa de que Sciences Po le diera el Honoris Causa a un presidente de la región y preguntó por los motivos geopolíticos.</p>
<p>“El mundo se pregunta todo”, dijo Descoings. “Y tenemos que escuchar a todos. El mundo no sabe siquiera si Europa existirá el año que viene.”</p>
<p>En Siences Po, Descoings introdujo estímulos para que puedan ingresar estudiantes que, se supone, corren con desventaja para aprobar el examen. Lo que se llama discriminación positiva o acción afirmativa y se parece, por ejemplo, a la obligación argentina de que un tercio de las candidaturas legislativas deban ser ocupadas por mujeres.</p>
<p>Otro colega brasileño preguntó, con ironía, si el Honoris Causa a Lula formaba parte de la política de acción afirmativa de Sciences Po.</p>
<p>Descoings lo observó con atención antes de contestar. “Las elites no son sólo escolares o sociales”, dijo. “Los que evalúan quiénes son mejores son los otros, no los que son iguales a uno. Si no, estaríamos frente a un caso de elitismo social. Lula es un tornero que llegó a la presidencia, pero según tengo entendido no dio un ingreso sino que fue votado por millones de brasileños en elecciones democráticas.”</p>
<p>Como Cristina Fernández de Kirchner y Dilma Rousseff en la Asamblea General de Naciones Unidas, Lula viene insistiendo en que la reforma del Fondo Monetario Internacional y del Banco Mundial está atrasada. Dice que esos organismos, así como funcionan, “no sirven para nada”. El grupo Brics (Brasil, Rusia, India, China, Sudáfrica) ofreció ayuda a Europa. China sola tiene el nivel de reservas más alto del mundo. En un artículo publicado en El País, de Madrid, los ex primeros ministros Felipe González y Gordon Brown pidieron mayor autonomía para el FMI. Quieren que sea el auditor independiente de los países del G-20, que integran los más ricos y también, por Sudamérica, la Argentina y Brasil. O sea, quieren lo contrario de lo que piensan los Brics.</p>
<p>En medio de esa discusión llegará Lula a Francia. Conviene hacerle saber que, antes de recibir el doctorado Honoris Causa de Sciences Po, debe pedir disculpas a los elitistas de su país. Un obrero metalúrgico no puede ser presidente. Si por alguna casualidad llegó a Planalto, ahora debería guardar recato. En Brasil, la casa grande de las haciendas estaba reservada a los propietarios de tierras y esclavos. Así que Lula, ahora, silencio por favor. Los de la casa grande se enojan.</p>
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		<title>&#8220;FolhaxFalha&#8221;: juiz dá lição nos Frias</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/folhaxfalha-juiz-da-licao-nos-frias.html</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 23:51:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Radar da Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[O Escrevinhador "teve acesso" à sentença do juiz da 29 Vara Cível de São Paulo, que julgou (em primeira instância) o importante caso "FalhaxFolha". Aparentemente, o jogo terminou empatado. Ou seja: o juiz acolheu "parcialmente" o pedido da "Folha", determinando o "congelamento" do dominio "falhadesãopaulo.com.br", mas rejeitou todo o resto. O empate pode ser visto como derrota para Otavinho (foto). O juiz deu uma lição do que seja liberdade de expressão.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><em></em></div>
<p><em></p>
<div id="attachment_9829" class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Otavinho-2.jpg" rel="lightbox[9825]"><img class="size-full wp-image-9829" title="Otavinho 2" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Otavinho-2.jpg" alt="" width="250" height="164" /></a><p class="wp-caption-text">Esse homem não gosta de humor e paródias </p></div>
<p>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></p>
<p></em></p>
<p>O <span style="color: #000080;"><strong><em>Escrevinhador </em></strong></span>&#8220;teve acesso&#8221; à sentença do juiz da 29 Vara Cível de São Paulo, que julgou (em primeira instância) o importante caso &#8220;FalhaxFolha&#8221;. Aparentemente, o jogo terminou empatado. Ou seja: o juiz acolheu &#8220;parcialmente&#8221; o pedido da &#8220;Folha&#8221;, determinando o &#8220;congelamento&#8221; do dominio &#8220;falhadesãopaulo.com.br&#8221;, mas rejeitou todo o resto.</p>
<p>O empate pode ser visto como derrota para os Frias. O juiz deu uma lição do que seja liberdade de expressão.  Destaco, especialmente, esse trecho da sentença do juiz, que pode ser visto como vitória dos irmãos Bocchini (Mario e Lino, donos do site &#8220;Falha&#8221;):</p>
<p><strong>&#8220;</strong><em><strong>Descabida, ainda, a imposição, ao réu</strong> {</em>irmãos Bocchini &#8211; nota do Escrevinhador<em>}<strong> do dever genérico e permanente de se abster de utilizar de imagens, logomarcas e excertos do jornal da autora, o que equivaleria a proibi-lo de parodiar o jornal, caracterizando indevida limitação ao direito de livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação previsto nos arts. 5º, IV, e 220, caput, da Constituição Federal. Deve ser rejeitado, também, o pedido de dano moral formulado pela autora. Como vimos acima, o tanto o nome de domínio quanto o conteúdo crítico do website do autor podem ser definidos como paródia, a qual, sendo exercício da liberdade de manifestação constitucionalmente garantida, não caracteriza ato ilícito apto a ensejar reparação por dano moral.&#8221;</strong></em></p>
<p>Entrevistei há pouco, por e-mail, Lino Bocchini, um dos proprietários do site &#8220;Falha&#8221;  &#8211; que fazia humor e paródia, e  que a &#8220;Folha&#8221; tenta calar e intimidar. Lino afirmou: <strong><em>&#8220;acho que a decisão foi, sim, uma bela vitória de todos nós, ou seja, não só minha e do Mário, mas de todos os outros blogueiros e entidades que denunciaram esse abuso do jornal dos Frias</em>.&#8221;</strong></p>
<p>Pedi que Lino mandasse um recado singelo aos irmãos Frias. Ele foi educado:<strong>  &#8220;<em>Caros Luis e Otávio, que tal praticar o que pregam em seus editoriais? Cansei de ler na &#8220;Folha&#8221; que liberdade de expressão é para todos, doa a quem doer. E, vem cá, um autoproclamado &#8220;Jornal do Futuro&#8221; censurando um blog independente em 2011?? Seus{deles, Frias} funcionários &#8211;que nos procuram aos montes&#8211; estão morrendo de vergonha. E vocês, estão orgulhosos do processo?&#8221;</em></strong></p>
<p><em>A</em> seguir, a entrevista, na íntegra&#8230;</p>
<p>1) Como avalia o trecho da sentença destacado acima?<br />
<strong>Lino &#8211; É positivo, porque o juiz teve, nesse trecho, um entendimento semelhante ao nosso (de que trata-se de uma questão de liberdade de expressão), em oposição ao que argumenta a Folha, que é um problema de “uso indevido de marca”, o que levaria a questão para um lado puramente comercial, o que não faz sentido, já que nem banner de publicidade nós tínhamos. </strong></p>
<p><span id="more-9825"></span>2) Por que o juiz mandou &#8220;congelar&#8221; o dominio &#8220;Falha&#8221;?<br />
<strong>- Porque ele entendeu que um link que colocávamos para a &#8220;CartaCapital&#8221;, em nosso site, poderia configurar um dano comercial à Folha, já que &#8220;CartaCapital&#8221; e &#8220;Folha&#8221; seriam concorrentes. Vamos esperar a publicação da decisão para ver os detalhes direitinho e avaliar com nossos advogados como agir agora, já que nosso site segue fora do ar.</strong></p>
<p>3)Já que o juiz não viu problema na paródia, vocês estudam a possibilidade de retomar a paródia da &#8220;Folha&#8221;, usando pra issso outro domínio/site?</p>
<p>P<strong>or enquanto não. A sentença não foi publicada, e cabe recurso tanto do nosso lado como do lado da Folha. E aí, se tiver uma decisão diferente em outra instância, tem a liminar, que nos ameaça com uma multa diária de R$ 1.000&#8230; é muito dinheiro para nos arriscarmos&#8230;</strong></p>
<p>4) A &#8220;Folha&#8221; saiu derrotada na tentativa de intimidar quem a critica ou quem a parodia?<br />
<strong>- Acho que ainda não dá pra afirmar isso de forma tão categórica, mas essa decisão traz avanços a favor da volta do site e da liberdade de expressão geral na internet. Alguns trechos da decisão são bem claros nesse sentido, foram derrubados argumentos centrais do jornal. Por outro lado, o site segue impedido de voltar ao ar.</strong></p>
<p>5) Considerando o poder de fogo da &#8220;Folha&#8221;, você considera que essa espécie de empate foi uma vitória para você e seu irmão?<br />
<strong>- Acho que a decisão foi, sim, uma bela vitória de todos nós, ou seja, não só minha e do Mário, mas de todos os outros blogueiros e  entidades que denunciaram esse abuso do jornal dos Frias. Não somos ligados a entidade alguma e tivemos que nos virar pra nos defender, mas nunca estivemos sozinhos. Sem dúvida, ajudou bastante a indignação geral de todos e a compreensão coletiva de que a vitória dos argumentos da &#8220;Folha&#8221; abriria um precedente terrível contra a real liberdade de expressão –e não só pros peixes grandes. </strong></p>
<p>6) Voces pretendem recorrer da decisão?</p>
<p><strong>- Temos que esperar a publicação da decisão e falar com nossos advogados, mas nosso desejo é sim de recorrer para o blog voltar ao ar em seu endereço original, o que segue proibido.</strong></p>
<p>7) Está mantida a audiência pública na Câmara sobre o caso &#8220;FolhaxFalha&#8221;?<br />
<strong>- Não posso falar em nome dos deputados que votaram pela audiência, mas eu diria que sim, está mantida! Não só o blog segue censurado como a audiência é um momento muito importante pra denunciarmos esse atentado da Folha –o que pode servir de exemplo para que outras empresas não façam o mesmo. Vai ser dia 26 de outubro, 14h30, no Congresso Nacional.</strong></p>
<p>7) O juiz considerou de &#8220;certo mau gosto&#8221; algumas paródias que vocês fazima no &#8220;Falha&#8221;. Não seria interessante saber a opinião do juiz sobre a ficha falsa da Dilma na primeira página da &#8220;Folha&#8221;?<br />
<strong>- Também achei curioso esse juízo de valor do nosso trabalho em meio a sentença&#8230; Mas não me põe em saia justa,  hahahahaha. A batalha judicial ainda não terminou&#8230;</strong></p>
<p>8) O juiz considerou haver &#8220;grande carga de chauvinismo político-partidário&#8221; nas paródias do site &#8220;Falha&#8221;. Você considera que haveria, por acaso, alguma &#8220;carga de chauvinismo político&#8221; nas manchetes da &#8220;Folha&#8221;? &#8211; <strong>Considero, claro, foi isso que motivou a criação do nosso site! Abrimos o site pela revolta diária que sentíamos ao ler o jornal, que afirma o tempo todo ser imparcial, tratar a todos igualmente etc. Isso não é verdade. E queríamos denunciar essa balela do jornal de forma bem humorada. Mas Otavinho Vader não gostou da brincadeira&#8230;</strong></p>
<p><strong>9)</strong>Agora, faz de conta que isso aqui é uma rádio do interior &#8211; que recado você daria para os irmaos Frias?<br />
<strong>- Caros Luis e Otávio, que tal praticar o que pregam em seus editoriais? Cansei de ler na &#8220;Folha&#8221; que liberdade de expressão é para todos, doa a quem doer. E, vem cá, um autoproclamado &#8220;Jornal do Futuro&#8221; censurando um blog independente em 2011?? Seus (deles, Frias) funcionários &#8211;que nos procuram aos montes&#8211; estão morrendo de vergonha. E vocês, estão orgulhosos do processo?</strong></p>
<p><strong>===</strong></p>
<p><strong>A seguir, outros trechos relevantes da sentença. </strong></p>
<p>&#8220;<em>O discurso do réu circunscreve-se nos limites da paródia, estando o conteúdo crítico do website, inclusive a utilização de imagens, logomarcas e excertos do jornal da autora, abrigado pelo direito de livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação, previsto nos arts. 5º, IV, e 220, caput, da Constituição Federal.&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Nem mesmo um “tolo apressado”[1] seria levado a crer tratar-se de página de qualquer forma vinculada oficialmente ao jornal da autora, pois a paródia, anunciada pelo nome de domínio, é reiterada pelo conteúdo do website.&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Descabida, ainda, a imposição, ao réu, do dever genérico e permanente de se abster de utilizar de imagens, logomarcas e excertos do jornal da autora, o que equivaleria a proibi-lo de parodiar o jornal, caracterizando indevida limitação ao direito de livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação previsto nos arts. 5º, IV, e 220, caput, da Constituição Federal. Deve ser rejeitado, também, o pedido de dano moral formulado pela autora. Como vimos acima, o tanto o nome de domínio quanto o conteúdo crítico do website do autor podem ser definidos como paródia, a qual, sendo exercício da liberdade de manifestação constitucionalmente garantida, não caracteriza ato ilícito apto a ensejar reparação por dano moral.&#8221;</em></p>
<p>===</p>
<p><strong>Abaixo, a sentença na íntegra&#8230;</strong></p>
<p>Comarca de São Paulo 29ª Vara Cível do Foro Central Processo             184534/2010       Vistos. A autora Empresa Folha da Manhã S/A pede que o réu Mario Ito Bocchini seja impedido de utilizar o nome de domínio falhadespaulo.com.br ou qualquer outro que guarde semelhança com a marca Folha de S. Paulo, de propriedade da autora. Pede, ainda, que ao réu seja vedada a utilização de sua marca e do conteúdo do jornal Folha de S. Paulo, com sua condenação ao pagamento de reparação por dano moral. Alega que, há mais de oitenta anos, edita o jornal Folha de S. Paulo, cujo conteúdo pode também ser acessado na internet pelos domínios folha.com e folhadespaulo.com.br. Ao registrar nome de domínio com grafia semelhante à de sua marca e, no respectivo website da internet, utilizar tipo gráfico e diagramação similares aos da marca, além de reproduzir conteúdo do jornal, o réu violou sua propriedade de marca, podendo, ainda, induzir o consumidor em erro. R. decisão de fls.80/81 deferiu o pedido de antecipação de tutela, suspendendo o registro do domínio e determinando que o réu se abstivesse de utilizar a marca da autora. O réu contestou alegando, preliminarmente, falta de interesse processual porque, ao utilizar elementos visuais semelhantes aos da marca da autora, tem por intuito a paródia e a manifestação crítica, estando tal conduta albergada pela liberdade de manifestação do pensamento. No mérito, sustenta que “falha” é palavra distinta de “folha”, sendo evidente a intenção jocosa. Além disso, alega que não é concorrente da autora, não havendo, portanto, que se falar em prática anti-competitiva ou em indução do consumidor em erro (fls.103/131). Réplica a fls.502/510. Audiência de tentativa de conciliação, infrutífera, a fls.610. É o relatório. DECIDO. Rejeito a preliminar de falta de interesse processual, pois a ação ajuizada mostra-se, em tese, necessária e adequada à defesa dos interesses jurídicos alegadamente afetados. Qualquer consideração adicional diz respeito ao mérito, que passa a ser analisado a seguir, nos termos do art. 330, I, do CPC, pois a controvérsia trata de direito e de fatos já provados por documentos, não havendo necessidade de produção de prova técnica ou oral. A similitude entre o nome de domínio[1] registrado pelo réu, falhadespaulo.com.br, e a marca e o nome de domínio registrados pela autora, Folha de S. Paulo e folhadespaulo.com.br, além de incontroversa, é evidente. A diferença está somente na letra “a” no lugar da letra “o”, transformando “folha” em “falha”. Dado o significado da palavra resultante da substituição de caracteres, fica claro, desde o princípio, que se trata de trocadilho com o nome do jornal editado pela autora. O conteúdo do website correspondente ao nome de domínio confirma a paródia, havendo, no topo da página principal, clara imitação da logomarca do jornal, com sátira, também, do seu slogan (“UM JORNAL A SERVIÇO DO BRAZIL”) – fls.135. Logo abaixo, ainda na página criado pelo réu, seguem-se posts quase sempre bem-humorados, invariavelmente denunciando uma suposta preferência do periódico da autora por determinado candidato, partido político e espectro ideológico. Há, além dos posts, uma enquete perguntando “quem é o segundo jornalista mais tucano da Folha?”; paródia de anúncio televisivo da autora em que ao final, em vez de Hitler, surge a imagem do candidato que seria o preferido do jornal; e montagens com fotos de jornalistas da autora travestidos de sadomasoquistas ou vilões do cinema – fls.135. Existe, é verdade, grande carga de chauvinismo político-partidário. Embora procure denunciar, a todo tempo, a preferência do jornal da autora por determinado partido político, o que o réu revela claramente é a sua preferência pelo partido político incumbente e a respectiva candidata na eleição presidencial de 2010. Tal circunstância, a propósito, torna indevida a invocação, pelo réu, do precedente do E. Supremo Tribunal Federal na ADI 4.451, que liberou a paródia dos candidatos a cargos eletivos, já que a v. decisão liminar pressupõe a neutralidade do veículo de comunicação (ao menos das emissoras de rádio e televisão), como se depreende da interpretação conforme a Constituição dada ao inciso III do art.45 da Lei 9.504/97 – fls.136/145. De qualquer forma, a presente ação é civil, este juízo não tem jurisdição eleitoral, ao presente caso não se aplicando, portanto, a legislação eleitoral, nem os precedentes a ela relacionados. Apesar do viés político, e de certa dose de mau gosto, o discurso do réu circunscreve-se nos limites da paródia, estando o conteúdo crítico do website, inclusive a utilização de imagens, logomarcas e excertos do jornal da autora, abrigado pelo direito de livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação, previsto nos arts. 5º, IV, e 220, caput, da Constituição Federal. A jurisprudência brasileira a respeito do tema é rarefeita, não havendo casos célebres a respeito do direito de utilização de marca, sem autorização do titular, com a finalidade de paródia, seja de forma geral, seja, especificamente, na internet. Os casos de conflito entre marcas e nomes de domínio envolvem, sempre, disputa comercial pura e evidente. Confiram-se, a respeito, dois julgados do E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a apelação n. 994.06.021189-8, rel. Des. Luiz Antonio de Godoy, 1ª Câmara de Direito Privado; e a apelação n. 537.568.4/7-00, rel. Des. Encinas Manfré, 6ª Câmara de Direito Privado, cujos acórdãos foram carreados aos autos pela autora a fls.58/65 e 66/73. Julgados enfrentando questões análogas à presente encontraremos nos Estados Unidos, onde o judiciário tem tradição na garantia tanto da liberdade de discurso, prevista na Primeira Emenda à Constituição daquele país[1], quanto dos direitos dos titulares de marcas e patentes. No caso PETA v. DOUGHNEY, a Corte de Apelações dos Estados Unidos do 4º Circuito menciona que, para torná-la imune à ação do titular da marca, “a parody must ‘convey two simultaneous — and contradictory — messages: that it is the original, but also that it is not the original and is instead a parody’.”[1] Do contrário haverá possibilidade de confusão do consumidor, e a utilização da marca, ou de sinal similar à marca, será indevida. No presente caso, a possibilidade de confusão não existe, pois a paródia é revelada, inteiramente, já pelo nome de domínio. O trocadilho anuncia, ao mesmo tempo, que se trata de uma sátira, e quem é objeto dela. Nem mesmo um “tolo apressado”[1] seria levado a crer tratar-se de página de qualquer forma vinculada oficialmente ao jornal da autora, pois a paródia, anunciada pelo nome de domínio, é reiterada pelo conteúdo do website. Além disso, dadas as posições das letras “A” e “O” no teclado QWERTY, tradicionalmente utilizado nos computadores pessoais e demais eletrônicos por meio dos quais a internet é acessada, fica afastada qualquer possibilidade de typosquatting, modalidade de cybersquatting em que o usuário, por simples erro de digitação, acaba por acessar website diverso do pretendido. Pelo nome de domínio registrado pelo autor e conteúdo crítico do website correspondente, portanto, não há que se falar em violação dos direitos de marca da autora. Resta analisar agora se, além da parte crítica, o website do réu traz algum conteúdo revelador de conotação comercial, condicionante prevista no inciso IV do art. 132 da Lei 9.279/96, grifada a seguir: “o titular da marca não poderá: [...] IV – impedir a citação da marca em discurso, obra científica ou literária ou qualquer outra publicação, desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo” (grifei). Pelas reproduções do website falhadespaulo.com.br trazidas aos autos pelo próprio réu (fls.135) percebe-se, na coluna à direita da página inicial, uma seção de links remetendo o usuário para outros websites, sendo o primeiro deles o da revista semanal Carta Capital[1]. Ao final da página há, ainda, anúncio de um sorteio de assinatura da revista Carta Capital entre os seguidores da conta do réu no Twitter (#falhadespaulo). Ao anunciar a promoção, o website do réu reproduz integralmente a capa da edição 614, de setembro de 2010, da revista Carta Capital. Ao contrário do que faz com as reproduções do jornal da autora, o réu, ao reproduzir a capa da revista Carta Capital, não promove qualquer adulteração ou comentário crítico. É o que basta para caracterizar o website do réu como tendo conteúdo comercial. A revista semanal Carta Capital é concorrente da autora no mercado jornalístico, com ela disputando leitores, assinantes e verbas publicitárias. O usuário da internet, ao acessar o website falhadespaulo.com.br, o faz com base na clara alusão do nome de domínio ao jornal da autora. Talvez busque um contraponto crítico, talvez busque somente se divertir, mas sempre tendo por parâmetro, ou como ideia inicial, a marca de titularidade da autora, cujo renome funciona, portanto, como força geradora dos acessos ao site do réu. Nada de mal haveria, como visto, se o usuário encontrasse, exclusivamente, conteúdo crítico no website – exercício do direito de livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação que, por ser comercialmente desinteressado, fica imune à ação do titular da marca. Mas há no website do réu, também, conteúdo comercial, pelo qual o usuário, seja pelo link, seja pelo sorteio da assinatura da revista, é direcionado, relembrado, ou apresentado a veículo de comunicação concorrente da autora. Em benefício da liberdade de discurso, a autora seria obrigada a tolerar utilização, por terceiro, de sua marca, ou de sinal similar, bem como de imagens, logomarcas e excertos de seu jornal. Não o é, contudo, quando o discurso, ou parte dele, tem conotação comercial, em especial no mesmo ramo de atuação do titular da marca que, durante décadas, dispendeu energia, tempo e dinheiro na apresentação e consolidação de seus produtos e serviços, investimentos estes que não podem ser aproveitados por concorrentes para a disseminação de seus próprios produtos e serviços. Neste ponto, cabe a indagação quanto à possiblidade de ajuste no website do réu, com a retirada do link, da promoção e das reproduções de veículos de comunicação concorrentes da autora. Tanto o estatuto federal[1] quanto os precedentes norte-americanos sugerem que, detectada a ofensa aos direitos do titular da marca, caracteriza-se uma contaminação do nome de domínio. A solução dada é sua retirada da disponibilidade do ofensor, sem possibilidade de adequação. No caso OBH, Inc. v. Spotlight Magazine, Inc., a Corte Distrital dos Estados Unidos, Distrito Oeste de Nova York, ordenou a interrupção das atividades de um website parodiando o jornal The Buffalo News porque, além do conteúdo crítico, o site exibia link direcionando o usuário para um serviço de classificados de imóveis, o que caracterizava concorrência ao jornal, que também oferecia este tipo de serviço[1]. A possibilidade de adequação ou ajuste do website seria, de qualquer forma, artificial e frágil. O nome de domínio traria consigo, por tempo considerável, a conotação comercial derivada da página a ele relacionada. Sempre há, além disso, a possibilidade de cancelamento e posterior registro do mesmo nome de domínio por terceiro, com o fito de burlar a adequação judicialmente determinada – estratégia, aliás, já aventada no ofício de fls.474/475. Por tais motivos, e com base nos arts. 129, caput, 130, II, e 132, IV, in fine, todos da Lei 9.279/96, merece ser atendido, em menor extensão, o pedido principal da autora, suspendendo-se definitivamente (congelando-se) o nome de domínio falhadespaulo.com.br. Não é o caso, contudo, de se impor a vedação, genérica ou limitada ao réu, do registro de nomes de domínio semelhantes à marca da autora. Tal limitação correria o risco de resvalar em direitos de terceiros, contrariando a primeira parte do art. 472 do Código de Processo Civil, além de caracterizar indevido obstáculo à liberdade de expressão. Como visto acima, o registro de nome de domínio similar não configura, necessariamente, ofensa aos direitos do titular da marca, podendo, ao contrário, ser feito no âmbito do safe harbor[1] previsto no art. 132, IV, da Lei 9.279/96, desde que sem conotação comercial. Descabida, ainda, a imposição, ao réu, do dever genérico e permanente de se abster de utilizar de imagens, logomarcas e excertos do jornal da autora, o que equivaleria a proibi-lo de parodiar o jornal, caracterizando indevida limitação ao direito de livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação previsto nos arts. 5º, IV, e 220, caput, da Constituição Federal. Deve ser rejeitado, também, o pedido de dano moral formulado pela autora. Como vimos acima, o tanto o nome de domínio quanto o conteúdo crítico do website do autor podem ser definidos como paródia, a qual, sendo exercício da liberdade de manifestação constitucionalmente garantida, não caracteriza ato ilícito apto a ensejar reparação por dano moral. Solução diversa poderia ser dada caso houvesse pedido de reparação por dano material e consequente produção de prova demonstrando que o réu, ou o veículo concorrente, obtiveram ganho financeiro derivado do link ou da promoção exibidos no website. Não prospera, por outro lado, o pedido contraposto de reparação por dano moral formulado pelo réu, com fundamento na “indevida exposição de sua imagem” provocada pela “censura disfarçada” buscada pela autora na presente ação (fls.123/126). O exercício do direito de ação (e as decisões judiciais que o acompanham), salvo nos casos de evidente lide temerária, não caracteriza ato ilícito, sendo, ao contrário, exercício regular de direito. Menos ainda se, como no presente caso, foi reconhecida a parcial procedência do pedido principal. DISPOSITIVO. Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido principal da autora Empresa Folha da Manhã S/A, somente para determinar a suspensão definitiva (congelamento) do nome de domínio falhadespaulo.com.br, ficando mantida, nesta extensão, a r. decisão liminar de fls.80/81. Oficie-se imediatamente ao órgão responsável (fls.82), comunicando-lhe a presente decisão. Julgo improcedentes os demais pedidos da autora, assim como o pedido contraposto do réu Mario Ito Bocchini. Em função da sucumbência recíproca, as partes deverão repartir igualmente o pagamento das custas e despesas processuais, além de arcar com os honorários de seus próprios advogados. Julgo extinto o processo, com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I, do Código de Processo Civil. P.R.I. São Paulo, 21 de setembro de 2011. Gustavo Coube de Carvalho Juiz de Direito.</p>
<p><strong> </strong></p>
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