“Folha” acha que jornalista é servo?
publicada domingo, 03/04/2011 às 23:01 e atualizada terça-feira, 05/04/2011 às 10:03
por Rodrigo Vianna
Semana passada, eu estava na porta do Hospital Sírio-Libanês, cobrindo a morte de José Alencar para a TV Record. No mesmo horário, dois jornalistas (um da “Folha” e outro do “Agora” – diário que também pertence ao grupo “Folha”) trocavam impressões sobre a cobertura jornalística do fato. Ressalte-se: trocavam impressões usando contas particulares do twitter.
Foram demitidos!
Nesse domingo, a “ombudsman” da “Folha” tocou no assunto. Ela transcreveu o diálogo no twitter que acabou levando à demissão:
Repórter da Folha: “Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão.”
Repórter do Agora: “Mas na Folha.com nada ainda… esqueceram de apertar o botão. rs” (risos)
Repórter da Folha: “Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo.”
Suzana Singer, que foi minha chefe e a quem respeito, preferiu não dar os nomes dos jornalistas. Imaginou (presumo) que assim os “preservaria”. Como se a história já não estivesse na internet…
Na mesma coluna, a “ombudsman” dá a opinião sobre o caso:
Um diálogo ruim, de todos os pontos de vista. É insensível jogar na cara do leitor que há obituários prontos à espera do momento de publicação. Não faz sentido um jornalista criticar, publicamente, um site da mesma empresa. E não deixa de ser desagradável lembrar um problema recente -a divulgação errada, pela Folha.com, da morte do senador Romeu Tuma.
Êpa! Peraí. Desde quando a “Folha está preocupada com a “sensibilidade” do leitor. A “Folha” é o jornal que publica ficha falsa em primeira página, e que abre espaço para relato sem provas de que Lula teria falado em “currar” um garoto na prisão. E a Suzana acha que os leitores ficariam “sensíveis” se soubessem que jornalistas preparam obituários com antecedência?
Outra coisa: a Suzana acha “desagradável” lembrar um “problema” recente? Desagradável pra quem? Pros leitores? Ou pro jornal? O mundo jornalístico sabe que o jornal ”matou” o Tuma antes da hora, ajudando assim a eleger o Aloysio.
Na verdade, na crítica de Suzana, a única justificatica plausível é essa: “Não faz sentido um jornalista criticar, publicamente, um site da mesma empresa.”
É isso que interessa na demissão: um recado para outros jornalistas – calem a boca! É atitude de velhos senhores de engenho. Se os empregados se reúnem para reivindicar melhores condições de trabalho, o “patrão” nem discute. Chama o capataz e manda dar uma surra nos líderes da “baderna”. Pra servir de exemplo!
Sob todos os aspectos, a demissão dos jornalistas parece-me absurda: os dois foram “punidos” por expressar, em perfis no twitter, a opinião pessoal. Ok, eles trabalham na “Folha”. Mas a relação não é (ou não deveria ser) do servo com o senhor proprietário da gleba. O jornalista, fora do horário de serviço, e longe das páginas que pertencem à família Frias, é um cidadão que pode e deve expressar suas opiniões e impressões. O jornalista vende sua força de trabalho, não o cérebro!
E há mais um ponto estranho. A ombudsman parece incomodada com o fato de a troca de tuitadas ter revelado um “segredo”: jornais, revistas, TVs e sites de internet preparam previamente obituários de personalidades importantes.
Ora, isso é tratar o leitor feito débil mental. É evidente que os jornais preparam isso tudo com antecedência. O leitor minimamente esclarecido sabe – ou intui – essa verdade. Ou alguém acha que tudo se materializa minutos depois da morte (na TV e nos sites) por mágica? Além do mais, se havia leitores que não sabiam, agora eles já sabem: jornais, sites, TVs e rádios preparam obituários – mas não querem que você, leitor, saiba disso!
O jornal que tenta calar a “Falha” (site de paródias da “Folha”, tirado do ar por medida judicial), o jornal que chamou ditadura de “ditabranda”, o jornal que é o mais vendido do país, é um jornal que demite profissionais que dão opinião no twitter.
A “Folha” acha que jornalista é servo da gleba? Não chega a espantar.
Aqui, você lê a versão de Carol Rocha – uma das jornalistas demitidas. O outro demitido foi Alec Duarte, da “Folha”.
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39 Comentários


![natu] natu]](http://images.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2012/02/natu-191x250.jpg)

Ela não quer que a gente saiba que já está pronto, desde 2003, o obituário da democracia brasileira.
Meu caro Rodrigo, esta é a forma de nossa querida FSP agir. Portanto, com tais atitudes ela nos dá a garantia de que está conosco, a elite política deste país que, como você sempre lembrou, mandamos desde o primórdios de nossa formação.
Ah, sim, e fazemos obituários antes, como você bem lembrou, foi imprescindível dar uma forcinha ao nosso tucanato em nosso reduto político mais importante do país. Você já imaginou a vergonha que seria para nós, termos uma petista e um comunista nos representando na Câmara?
Meu caro, Rodrigo, isso é inadmissível para nossa elite paulista, logo nós, que, ao lado dos políticos mineiros temos o direito divino do Palácio do Planalto. Não, de maneira nenhuma nossa Folha permitiria que conversa desse tipo vazasse, estes jornalistazinhos que não honram nossos critérios e forma de trabalhar, que não honram nosso staff nem está de acordo com o perfil de tão respeitoso e imparcial jornal, não poderiam ficar, tinham que ser demitidos, meu caro.
A FSP, o ESP são a nossa garantia de que a elite paulista deverá sempre continuar com o seu direito divino de mandar no Brasil. Tal atitude destes jornalistas foi um acinte a honra, a ética e a imparcialidade de tão conceituado jornalismo praticado por essa empresa que tanto nos ajudou na ditadura, nos ajuda e nos ajudará.
Rodrigo,
acho honestamente que os dois foram, no mínimo, tolinhos. Eu tenho 2 blogs (um específico sobre minha área), twitter, facebook, flickr, msn, gmail/gtalk. São todos pessoais. Em alguns deles acabo falando da minha atuação profissional. Mas em nenhum vou abrir a boca pra falar mal do meu empregador ou do seu cliente. Se quero fazer alguma crítica dou voltas e mais voltas, tomando o maior cuidado. Quando fui contratado – pela CLT – assinei um contrato em que me comprometia a manter sigilo sobre o que se faz dentro da empresa. Um contratozinho de nada. E olha que eu sou peão. Não sou uma figura pública nem nada. Agora imagina isso saindo de um repórter que ASSINA conteúdo publicado no veículo.
Não sou nenhum fã da Folha mas acho que os caras erraram.
Heric,
É bem possível que os jornalistas tenham sido ingênuos.
Há dias em que somos.
O que causa asco é a ombudsman da Folha se ocupar disso, dando à Folha as armas que precisava para demitir os jornalistas.
Suzana teria fatos mais relevantes para abordar, do interesse do leitor e não do jornal.
Deu uma de “dedo-duro”.
Em que pese a FSP ser o que é, concordo contigo. Os jornalista pediram para serem demitidos. Foram, no mínimo, ingênuos. Erraram.
Prezado Rodrigo,
Essa imprensa já fez tanta barbaridade que não me surpreende mais.
Salve os blogueiros assim como vc que são o antídoto para essa imprensa arcaíca e marron!
Rodrigo:
Quanto a achar que não é apropriado que o leitor saiba que os obituários já estão prontos, li alguns anos atras na própria folha que o Peter Selers depois do terceiro ou quarto enfarte (ele teve sete) fez uma visita ao Times e criou o maior constrangimento porque exigiu ler o próprio obituário.
Abraço.
Prezadas (os) !
Como estão ?
Não me surpreende a posição de uma empresa jornalística como a Folha de São Paulo, que defendeu a ditadura militar (ou a ditabranda), de demitir sumariamente, sem direito de defesa, os jornalistas supracitados.
O que me angustia é que alguns, lamentavemente, não perceberem que esse tipo de erro não se corrige através de cartões vermelhos.
Impressiona, Heric, que justifiquemos a ação deste jornal, que todos sabemos não está a serviço da liberdade ou da democracia. Ou há alguma dúvida sobre de que lado estão ?
É preciso democratizar os meios de comunicação, é necessário democratizar os cursos de jornalismo, mas é fundamental que as redações estejam preparadas para as mudanças que já chegaram.
Me solidarizo com os jornalistas, lamento por suas demissões e lamento pelos que defendem que a tal empresa está certa.
Um abraço,
Pedro Batista.
Estou solidario com os trabalhadores demitidos, mas concordo com o Heric, maturidade na ação e liberdade na opinião.
Não é a primeira vez que essa senhoa, Suzana, se utiliza do espaço que deveria ser do leitor para ser do jornal.
Na Folha tudo é possível. Tem até “dedo-duro”.
Certamente essa moça foi estimulada a dar ao jornal os argumentos que precisava para demitir os jornalistas.
Coisa nojenta.
Eles não querem confessar que já estão com um obituário do Lula pronto há uns 8 anos e babam de ódio..Mas fica a dica para os jornalistas de veículos grande do PIG que não querem perder o emprego.. Não confundam o twitter e o facebook com o bate papo da redação. Na redação qualquer merda que vc falar vai ficar lá.. No twitter e facebook sempre um chefinho babaca estará vendo .. Uma amiga minha fez uma piada sobre o Michel Temer e o José Alencar e eu temi pelo emprego dela…
No capitalismo, o funcionário ideal é aquele que vende a alma à empresa. Em se tratando do PIG, isso é levado a sério pelos patrões.
Folha um jornal feito para tolos? PIG= jornalismo de esgoto.
Ja que foram demitidos, agora divulgem a relação completa, talvez eles saibam ate quem seja o proximo, sera Dilma?
Desculpe a crítica e os termos mas, está havendo muita reverberação por atos vindos de ombudsman de merda em um pasquim de merda. Não se trata de crítica à pessoa atrás da função e sim da função em um meio já sem credibilidade.
Todos já sabem os caminhos da vergonha institucionalizada chamada Falha de São Paulo e, uma vergonha a mais apenas aprofunda o buraco em que eles optaram por abrir com seus leitores. A única e ótima razão de tudo é termos a certeza cada vez maior de que, qualquer cidadão, pode atualizar-se melhor por outros meios. É a vitória do cidadão que procura, ele mesmo, a informação real, sem depender de vergonhosas vilania colocada em entrelinhas de artigos de jornais do tipo.
O caso é mais grave do que a princípio analisamos. O que acontece hoje em dia nas empresas de mídia mais ricas do país, sobretudo no eixo São Paulo – Rio de Janeiro – Minas Gerais, é a unificação do pensamento e discurso. Devemos olhar o todo do problema. O fato de termos hoje uma ferramenta como a internet, que torna obsoleto e cada vez mais opinativo o jornal impresso, não nos dá muita vantagem com relação ao inimigo, pois ele também atua em nosso campo. Ou seja, em campo neutro brigar com o mais forte é batalha quase inglória, mas somos raçudos. O diferencial dos grupos midiáticos de maior orçamento é como o comprometimento político se dá na prática e as facilidades que encontram para penetrar em meios onde os “blogueiros independentes” ainda encontram resistência, quando não são ainda desconhecidos. A relação carnal estabelecida na tríade mercado-mídia-educação produz ouvidos e olhos propensos a corroborar com a opinião das empresas e ao mesmo tempo conferir o status de “alternativo” ou até mesmo “clandestino” aos blogueiros independentes, como se houvesse os “oficiais”, representados pelas tais empresas.
No que diz respeito às políticas de Governo, falar de regulamentação sem falar de educação é o mesmo que ganharmos um vale-xarope para gargarejo para falarmos para uma platéia que não recebe o vale-cotonete. E fica aqui uma pergunta: Existe algum sindicato de jornalistas que defenda jornalista e não patrão?
Bem sabemos do quanto vc é educado ,mas respeitar quem ganha para justificat a folha esuas posiçoes .
Isto pode lhe dar um lugar no ceu com direito a levar mais com tigo .
péra ai, e desculpe a ignorancia efetiva. Da profundidade deste desconhecimento peço a alguma alma filantropica me informe rapido: em que data a fAlha deu a morte e em que data o candidato romeu tuma renuniou á candidatura?
Credo, sorry, barriga minha. Foi Quercia quem renunciou a 06/9/2010 e o pasquim folhetinesco que deu a conveniente morte de Tuma duas semanas depois e a poucos dias das urnas. Somou bem para o ex assaltante de bancos da epoca da ditadura.
Rodrigo, sugiro que você faça um teste para checar como agiria a Rede Record em um caso semelhante. Como você é livre e tem um blog, critique a Igreja Universal do Reino de Deus e fique esperando o que vai dar.
obs: duvido que você publique este comentário
Li seu comentário quando já tinha feito proposta semelhante a Rodrigo Vianna. Muito pertinente seu post!!! É claro que ele não fará críticas à IURD, dirá que a seita não as merece. Pimenta nos olhos dos outros é refresco.
Tudo o que sei é que amanhã ninguem mais vai se lembrar disso, e os que foram demitidos é que vão ter que se virar. Só posso desejar boa sorte aos dois. E espero que no futuro esse negocio de jornal e revista não exista mais e que os jornalistas “sérios” possam ganhar o pão de cada dia divulgando em outros espaços verdadeiramente livres e independentes, como a internet. Mas até lá, infelizmente vão ter que se enquadrar. A realidade é essa e não adianta querer remar contra a maré. Pura perda de sorte, não dá pra mudar o mundo nao.
Caro Rodrigo, há novos ares na política brasileira
http://blogs.estadao.com.br/link/a-volta-dos-piratas/
abs
Deviam chamar o Reynaldo Azevedo para ser o ombudsman desse lixo…
Prezado Rodrigo
Entendo até certo ponto a sua indignação diante da demissão sumária dos dois jornalistas mencionados acima. Mas, cá para nós, fico imaginando que aqueles que trabalham nesses órgãos de imprensa acabam se adequando aos princípios ideológicos da “casa”. Já vi fartas demonstrações de arrogância e prepotência da parte de profissionais desse tipo, nas situações mais variadas. Eles sempre se comportam como se fizessem parte da “nata”, e adotam a visão dos patrões com a maior facilidade.
Um abraço.
Concordo com o Eugenio que postou as 10:00 ja que foram demitidos, façam um favor revelem mais coisas pra nós, que a folha jamais revelaria. Seria muito bom saber o que eles andam tramando, quais materias ante-governo eles ja tem prontinhas e por ai vai.
pô, véi, nada a ver com a dona Suzana, foi o patrão que mandou. até a sua galera tá zoando do jornaleco e o otavinho geladas subiu nas tamancas e deu xilique.
Meu pai estudou com o Otávio Frias Filho e disse que nos anos 70 ele achava bacana os movimentos grevistas, reivindicatórios dos trabalhadores etc. Isso até ocorrer uma greve de jornalistas na empresa do papai dele. Aí, eram um bando de baderneiros, radicais etc. e tal…
É curioso mas nunca vi Rodrigo Vianna, PHA, Luiz Carlos Azenha, nem qualquer outro blogueiro que trabalhe na Record tercer a mais leve crítica às diabruras de IURD e à conduta de seus bispos. Que tal um dos blogueiros empregados na Record começar a criticar publicamente seus patrões ou a IURD e vejamos a reação da empresa em que trablham??????
Pelo visto, a democracia apregoada pelos chefões mafiomidiáticos é mera ladainha vazia. Se não permitem que seus funcionários sequer dêem opiniões pessoais em blogs, twiters, etc, o que esperar dessa gente? Não admira que quase toda a grande mídia brasileira tenha apoiado o golpe militar de 64 – e a Folha com maior convicção -, e o tempo todo procura inviabilizar governos populares no Brasil e em toda a América Latina.
Está passando da hora de rediscutirmos o papel da imprensa no Brasil e exigir real democracia e liberdade de opinião e consciência.
O obituário que está pronto é o da “Folha”.E circula em várias escolas de jornalismo do país.Morreu faz tempo.
Para tudo! Beleza, a Folha errou, isso é pleonasmo. Mas o grande absurdo em tudo isso é que a Suzana na crítica interna reproduzida pela tal Carol diz: … Jornalista não pode declarar voto político, xingar artistas, amaldiçoar o time de futebol rival, bater boca com leitores, expressar preconceito nem tentar obter vantagem pessoal (reclamar, por exemplo, do mau atendimento num restaurante para que saibam que ele é da imprensa)…
Legal, mas a Folha não sabia que sua, até então, servível jornalista possui um blog cheio de postagens dando pau no PT, no Lula, no governo, inclusive reproduzindo email-spam-trash da suja campanha serrista? Mais uma olhada, vc pode ver a moça falando de sua experiência com o serviço de atendimento ao cliente da TIM e suas dificuldades… Já era pra estar na rua faz tempo, segundo os critérios Folha/Suzana. Essa é a defenestrada com a qual muitos estão solidários. A Folha Falha, sempre, mas essa “jornalista” pelo jeitão estava a vontade no serpentário da Barão de Limeira…. acabou provando do veneno.
A FSP tá com a credibilidade abalada e por isso descontou em quem não tinha nada a ver.
Será que nenhum leitor sabe que o obtuário do Niemeyer e do do Sarney estão prontos?
Ela trata o seu leitor como o Jornal Nacional trata o seu telespectador: Como um Homer Simpson!
Caro Rodrigo,
excelente o seu comentário. Faço três observações complementares:
1. convém reparar o quanto, e os comentários aqui mostram isso, esta ombudsman não tem dimensão da liturgia do cargo que ocupa. em tese, em tese apenas, ela é ombudsman, e não uma profissional de marketing do jornal para praticar delação premiada;
2. bem no padrão Folha, que a gente já conhece de outros carnavais, essa moça – que atenta contra a liberdade de imprensa com #prontofalei – queria fazer proselitismo marqueteiro. Era preciso dar ao leitor, ficcionalmente, como ela, uma ideia de que a morte do José Alencar, totalmente imprevista já que a doença o acometeu de última hora, exigiu um grande esforço de reportagem em cima do laço… Era preciso vender ao leitor a ideia de que a morte do Alencar não era parte de um planejamento editorial mais do que previsto, já que boa parte das redações estavam mobilizadas para isso há tempos. Só na Folha,o heroísmo, inclusive desta sacripanta, precisaria prevalecer.
3. Ela, tucana que é, aliada a olhar o mundo só pelo conforto do ar condicionado de seu carro e pela soberba da aristocracia paulistana de onde emergiu, ocupa o lugar que já foi de Caio Túlio, de Marcelo Beraba e de Carlos Eduardo Lins e Silva.
A história a aguarda.
Na verdade depois da censura que sofreu o Mario Magalhaes, que pegou o chapeu e disse adeus aos companheiros da Falha de S.Paulo por nao concordar com o veto a veiculacao da critica interna nao se fazem mais ombudsman como antigamente naquela sacra casa.
Suzaninha é coisa nossa. Secretaria de redacao da Falha desde os seus primeiros passos. Nao da pra esperar muito!
Manter essa ouvidoria interessa a Falha porque faz bem pra imagem. Mas qdo alguem, como o Mario Magalhaes, poe o dedo na ferida a Falha esperneia e tasca a tesoura.
Ah é?
Então por que mesmo o Emir Sader perdeu a boquinha após se referir a sua futura chefe como ‘autista’?
A liberdade de expresão (e as demais) existem não para os que dizem tudo que querem, mas sim para os que querem dizer tudo que PODEM!
Liberdade de expressão… por que é tão difícil que a tenhamos, de verdade, num país em que este direito é tão recente? Será por esta razão, por ser uma conquista assegurada em uma Constituição relativamente jovem, 23 anos?
E assim é pelos mais diversos setores dos mais variados seguimentos em nosso país: quem se expressa com naturalidade nem sempre é compreendido e acaba sendo punido. Antes Carol e Alec tivessem feito o tipo “falsidade” concordando com irregularidades, aplaudindo decisões desastrosas e repudiando opiniões sinceras de outrém… Manteriam-se empregados, ainda que a dignidade e o caráter de ambos fossem colocados em cheque.
Sempre sofri “repressão” por me expressar em todos os meus meios de relacionamento pessoal e profissional, mas jamais abdicarei do direito de ter, revelar e até de mudar minha opinião, como bem disse o filósofo alemão Friedrich Nietzsche.
Já fui perseguido por uma mulher que assumiu o lugar de um gestor após trocar seu bonito corpo pela vaga. Ao iniciar seus trabalhos, notou que precisaria de ajuda mas não a minha, já que eu era o braço direito de seu antecessor. Decidiu sábia, porém tardiamente, fazer um curso em uma faculdade em vez de unir as forças da equipe em pról de sua administração. Deu errado, claro. Quando decidi reunir a equipe afim de discutirmos soluções e relatei à ela o nosso encontro, ela nem esperou eu revelar nossas idéias e me demitiu.
Paguei o preço por ter expressado a minha opinião e ela por não ter me ouvido: seis meses depois, 80% da equipe era nova e outros seis meses mais tarde já não existia mais.
E o Roberto Carlos Barros (#prontofalei-rs)… sujeitinho mais ignorante que já conhecí: o senhor da razão, o “mais mais entre os dez mais”, o profeta… Chegou dizendo que fez e aconteceu e ficou com 100% de share a seu favor quando retruquei alegando que 100% seria com a ausência total da imagem da concorrência, o que não havia acontecido. Pronto; embirrou. Daí pra frente eu era Lucífer para ele, já que ele sempre se achou Deus.
Anos seguiram-se sem que nossos cargos e profissões se encontrassem até que um dia, motivado pelas minhas críticas e pelas vezes em que expressei-me no sentido de melhorar o que precisava ser melhorado, criar o que havia necessidade de ser implantado; meu chefe me promoveu e adivinhem quem seria meu novo chefe: ele mesmo, o “rei Roberto Carlos”.
Me detonou em seu primeiro feedback sobre meu trabalho e na primeira oportunidade me demitiu. Eu não havia tido o menor tempo para executar mudanças. Pois bem: hoje, 4 anos depois, vejo que aquilo que ele disse que era uma merda acabou virando uma grande bosta. Mais ridícula do que a sua atitude em me demitir abrindo mão de um recurso que sempre se comprometeu para fazer o melhor; foi não trabalhar para melhorar o que ele havia criticado afim de justificar a minha demissão.
Enfim; o longo desabafo é apenas para ilustrar o quanto não temos direito à esta tal de “liberdade de expressão”. Como citou Rodrigo Vianna, ainda somos vistos como “servos” aos “senhores feudais” a quem estamos subordinados que, salvo raras exceções, nos penalizam quando fazemos críticas construtivas que poderiam ter o efeito de melhorar a qualidade de uma informação, de um serviço…
A Folha sempre foi um veículo parcial pra caramba no melhor estilo “morde e assopra”, “bate e acaricia”… Luta contra a censura, é a favor da liberdade de expressão? E por que não permite que seus funcionários se expressem, então?
E o que há de tão escabroso na troca destas poucas postagens entre Carol Rocha e Alec?
Se esforçar para omitir de um leitor que um obituário já estava pronto, ainda mais o de José Alencar que todos pensavam que “entregaria a rapadura” junto com Quércia, em dezembro do ano passado; é simplesmente subestimar a inteligência deste leitor.
Liberdade de expressão, no Brasil? English to see!
Prezado Rodrigo,
Confesso que nem acesso mais o site da folha p/ não perder tempo e, também, não faço questão que contabilizem minha entrada em seus contadores.
A blogosfera é minha fonte de informações no cotidiano.
Parabéns pelo trabalho!
Abraços.
A Folha acha que jornalistas são servos, em razão da maioria dos seus comportarem-se como tal…