A “Folha” e a ditadura: fumei, mas não traguei
publicada quinta-feira, 24/02/2011 às 15:44 e atualizada sexta-feira, 25/02/2011 às 20:31
A presença de Dilma na festa (?!) da “Folha” foi o aspecto mais comentado pelos internautas nas observações sobre o aniversário de 90 anos do jornal. Eu estava em Buenos Aires, e lá a notícia foi outra. Numa nota de pé de página, o jornal “La Nacion” trouxe, na terça-feira, informação de que desconfiei a princípio: “Folha” admite que apoiou a ditadura.
Achei que os argentinos não tinham entendido direito o assunto, até porque a nota fazia referência também ao fato de a Folha” chamar a ditadura de “ditabranda”…
Mas leio no blog do Eduardo Guimarães que a “Folha” admitiu mesmo o apoio à ditadura.
Admitiu daquele jeito dela. Disse que apoiou o golpe (mas, veja bem, quase toda grande imprensa apoiou)… Disse que carros do jornal “teriam” sido usados por agentes da repressão (mas, veja bem, “a direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins”).
A “Folha” lembrou-me um pouco o Bill Clinton, ao ser perguntado se tinha experimentado maconha na juventude: “sim, fumei, mas não traguei”. Ou, pra ser mais escrachado, a “Folha” lembrou-me da frase do roqueiro Lobão, que meus filhos adolescentes adoram citar: “peidei, mas não fui eu”.
Melhor não dizer mais nada. Fiquem com a narrativa “oficial” publicada pelo jornal.
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A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o “Estado”, mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.
Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o “Estado”, a revista “Veja” e o carioca “Jornal do Brasil”, que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.
As tensões características dos chamados “anos de chumbo” marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a “Folha da Tarde” alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.
A entrega da Redação da “Folha da Tarde” a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos ‘terroristas’ mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969.
Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da “Folha da Tarde” à repressão contra a luta armada.
Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins.
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23 Comentários


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hahahahaha!! Essa foi a melhor!! Parabéns, doutor Rodrigo!
O jornalixo da famiglia Frias ainda vai anunciar que um dos importantes endereços dos porões da Ditadura se localizava na Alameda Barão de Limeira, 425.
Um dos endereços ou o Q.G.?
Bandidos!!!!
Essa foi ótima, Rodrigo. “Fumei mas não traguei”. LoL
Bom, a folha admitiu para eles mesmo, até pq todos já sabiam de seu envolvimento. Jornal lixo.
Caro Rodrigo, belo texto, preciso e esclarecedor. Postei um texto no meu blog que alerta justamente para essa estratégia da Folha de “dizer sem dizer”. Eis o link: http://oblogdochico.blogspot.com/2011/02/ditadura-militar-as-historias-que-folha.html.
Abraços,
Chico
Cambuta de fedapada!!
.
“A história é um processo, não um evento”
ROSE NOGUEIRA
Af,e a gente ainda tem que engolir isto,sem direito a maionese..vai rasgando,queimando,fazer o que né?Melhor ver e ouvir mer-cadoria do que ser cego e surdo!
(comentário recebido por e-mail pela redecastorphoto)
Sim, mas isso tudo não justifica a celeuma doente e infantil quanto ao aparecimento da Presidenta Dilma na cerimônia comemorativa do 90 anos de um dos maiores veículos de imprensa quotidiana do País. Quando da sua fundação, desenrolava-se o quadriênio Epitácio Pessoa, durante o qual o tenentismo se levantou. Há, portanto, muita história para trás no ato, de modo que qualquer pesquisador do jornalismo brasileiro achará, sem maiores dificuldades, períodos de inegável engajamento cívico da Folha e de outros veículos, sobretudo quando nosso jornalismo era de melhor qualidade.
Além disso, há que atentar-se para a sutileza das palavras proferidas na ocasião por nossa Chefa de Estado e de Governo, que lá se apresentou de cabeça pensada na condição para o exercício da qual a sufragamos. Comemorava-se um marco histórico e, não, episódios abomináveis de nossas ditaduras ou da recentíssima, acirrada, aleivósica e acanalhada campanha contra a candidata vencedora. Um ato de grandeza da Primeira Mandatária, eis aí. É o que dela esperamos, aliás, no âmbito nacional e mundial.
O resto não passa de telenovelismo de má qualidade, inchado de disses-me-disses, como diz a Caia, “éticos”, “udenistas” e “democráticos”. Por razões que bem conhecemos – hélas! -, não estamos habituados ao respeito que a Nação toda deveria devotar aos hóspedes do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto.
Abraços do
ArnaC
Será que estão enganjando outro golpe?
Hilariante e trágico ao mesmo tempo.
A Dilma tomou um tapa na cara em menos de uma semana após participar da festa de 90 anos da Folha(corrida). A Folha bem que poderia ter publicado isso antes, mas e aí, será que a Dilma ia?
Bem feito pra ela, quem sabe agora ela aprende a não mexer com cobras!
pois é e a novidade?
http://sujoseempoeirados.blogspot.com
Vocês tem noção da gravidade dessas afirmações da FSP? Tudo que se supunha ou se acusava, agora “eles” confessaram… ERA TUDO VERDADE!!! e ainda acusa as outras “parceiras”…o famoso eu caio, mas levo alguém comigo…
Assassinos!
Daqui há pouco o Otavinho vira Dilmista desde criancinha !
Quanto à frase do Lobão, foi extraída do original (anos 60/70) “alguém peidei, não sei quem fui”.
“Peidei, mas não fui eu”.
Não conhecia essa. Sensacional…
ao governo federal um lembrete:
Os inimigos nao mandam flores.
No dia em que mandam, tem uma coral peçonhenta no buquê.
[...] Rodrigo Viana, do Escrevinhador: [...]
Por falar na campanha da imprensa pela “Lei Tiririca” (eles não têm coisa mais importante para se ocupar?)…
Imprensa acaba com governos estaduais e municipais e, agora, quer acabar com os partidos
http://migre.me/3Wg9n
Pela democratização da comunicação JÁ !!!
o mais pior, inclusive do que arrolar todo mundo ao se referir sobre o apoio ao golpe dos milicos, foi apontar o dedo em riste para o estadão. por estas e outras, a história não perdoa.