Governo Dilma “asfixia” mídia alternativa
publicada terça-feira, 12/03/2013 às 19:51 e atualizada terça-feira, 12/03/2013 às 19:51
Nesta segunda-feira, a redação da revista “Caros Amigos”, que estava em greve desde sexta-feira (08/03), foi alvo de uma demissão coletiva. Nas redes sociais, leitores protestaram, considerando a atitude incompatível com uma revista de esquerda. Wagner Nabuco, diretor da Editora Casa Amarela, responsável pela publicação, alegou “quebra de confiança” da equipe, e afirmou ter sido surpreendido pela declaração de greve dos onze integrantes da redação.
Os funcionários demitidos, por sua vez, dizem que entraram em greve por causa da falta de diálogo e para reagir ao anúncio de cortes de 50% na folha de pagamento. Aqui, no “Viomundo”, você pode ler na íntegra as manifestações dos jornalistas e do diretor da Caros Amigos.
A crise da chamada “imprensa alternativa”, no entanto, é mais ampla. A greve e as demissões na “Caros Amigos” expõem uma situação grave: a precariedade e a falta de recursos que afetam vários sites e publicações.
O portal “Carta Maior” reagiu de forma direta: divulgou uma nota criticando a postura do governo federal, e informou que a origem do problema da “Caros Amigos” está na “asfixia financeira, decorrente das decisões do governo federal de suprimir publicidade de utilidade pública nos veículos da mídia alternativa”.
Carta Maior disse mais: “a revista [Caros Amigos] resistiu ao ciclo tucano dos anos 90, mas não suportou os ‘critérios técnicos’ da Secom no governo Dilma, cuja prioridade é concentrar recursos nos veículos conservadores”.
Fundada em 97, a “Caros Amigos” tornou-se referência de jornalismo crítico e independente, num momento em que as redações da chamada “grande imprensa” eram dominadas pelo pensamento neoliberal. A “Caros Amigos” cumpriu – de forma competente – a função de oferecer espaço para quem se opunha à onda liberal. Naquele momento, não havia blogs nem redes sociais. A revista resistiu. Foi, também, a única publicação do país a dar – com destaque – reportagem sobre o suposto filho de FHC com uma jornalista da Globo (no fim, o filho não era de FHC; mas FHC e a Globo achavam que era, sim - essa já é outra história…).
Nos últimos anos, a “Caros Amigos” tem enfrentado sérias dificuldades financeiras, que a levaram a reduzir o quadro de funcionários. Quando entraram em greve, os jornalistas relataram outros problemas: “ausência de registro na carteira profissional, não recolhimento das contribuições do FGTS e do INSS, e, agora, o agravamento da situação pela ameaça concreta de corte da folha salarial em 50%, com a demissão de boa parte da equipe”.
Precarização e crise
A situação descrita não é exclusividade da “Caros Amigos”. De maneira crescente, empresas de comunicação (inclusive na “grande imprensa”) precarizam o trabalho do jornalista, que de funcionário passa a ser um “colaborador fixo” ou “prestador de serviços” para que as empresas cortem os gastos com impostos e contribuições trabalhistas. Há anos a situação é denunciada por entidades da categoria, mas com poucas vitórias.
Por sua vez, a imprensa escrita como um todo passa por um momento de mudança e dificuldades. Nos últimos anos, tradicionais jornais deixaram de circular no Brasil, como o “Jornal da Tarde” e a “Gazeta Mercantil”. Já o “Jornal do Brasil” e o “Estado do Paraná” passaram a existir apenas no meio digital.
Dentro desse panorama, há ainda a peculiaridade dos veículos da imprensa “alternativa” (ou contra-hegemônica”, como preferem alguns), que possuem mais dificuldades de financiamento. Como explica Renato Rovai, da Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação), “no Brasil a verba publicitária é pessimamente distribuída”. Editor da revista Fórum, ele relata ainda que em 2012 o veículo perdeu 50% da receita publicitária proveniente da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), órgão responsável pela distribuição da publicidade do governo federal.
A Altercom defende que “30% das verbas publicitárias sejam distribuídas às pequenas empresas de comunicação e aos empreendedoras individuais de comunicação, como já acontece em outras áreas, por exemplo, na compra de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar”, explica Rovai. A proposta foi apresentada à Comissão de Finanças do Congresso, onde está sendo debatida, e à ministra Helena Chagas, da Secom.
Rovai destaca a importância de uma divisão mais justa da publicidade: “se isso fosse feito, certamente a situação da Caros Amigos e dos seus trabalhadores seria muito diferente”.
Nota do Escrevinhador - As informações que chegam de Brasília indicam que a Secom não tem qualquer intenção de mudar os critérios de distribuição das verbas oficiais de publicidade. O governo Dilma ajuda a concentrar as verbas nas mãos de poucos. Age, assim, na contramão das políticas adotadas por democracias ocidentais que destinam parte da verba para “fundos de democratização da mídia”; e parece mais preocupado em não criar “zonas de atrito” com meia dúzia de famílias que, donas de revistas e jornais conservadores, se esbaldam com a verba de publicidade oficial.
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27 Comentários








Legal! Eu já sabia, querem apoio publicitário? Metam o malho!
Entope a Globo e outras de dinheiro e não tem um pouco para Caros ANMigo,
Mais uma decepçao com esse governo faz carinho nas Famiglias do PIG e IGNORA A IMPRENSA ALTERNATIVA ASSIM COMO VEM IGNORANDO MST INDIGENAS SINDICATOS ,TODO MOVIMENTO SOCIAL LAMENTAVEL
Agora não entendo mais nada!
Não foi José Dirceu que promoveu a distribuição igualitária entre vários órgãos de imprensa (cerca de 800), resultando daí o ódio nutrido pelas “Famíglias midiáticas”?
Triste situação, quando temos uma concentração tão grande de empresas de comunicação que somente defendem os interesses – como afirma Mino Carta com absoluta razão – da Casa Grande e se arrepiam de qualquer situação que possa, não digo nem destruir, mas amenizar a situação das senzalas…
é o que é pior, não existe sequer divergências de opinões, enfoques diferentes, se você ler o Globo, Estadão ou Folha, por exemplo, é tudo a mesma coisa.. não defendem um projeto de país, defendem sempre o interesse do capital financeiro e de empresas privadas… não estão nem aí com o que fizeram com a Vale ou que poderão entregar o pré-sal para empresas estrangeiras, nem sequer comentam ou fazem aquela bagunça como no “mensalão” a respeito do custo superior de serviços como eletricidade e banda larga – ressaltando é claro o péssimo serviço e reze a Deus para que nao caia nos teleatendimentos da vida – a preços superiores ao de outro países desenvolvidos…
Acho que não deveria ser nem 30% das verbas publicitárias públicas, que o Rovai pede, deveria ser algo em torno de 80 a 90%, já que os jornais e revistas falam tanto da dinâmica e da “perfeição” do mercado – pros outros é claro, porque eles são os defensores do capitalismo neoliberal e que é preciso competência, dinamismo, iniciativa, criatividade, mas na hora que isto se vira para eles estes são os primeiros a espernear…
Um dia que espelharmos por exemplo numa Argentina talvez possamos caminhar para uma democracia real. A Presidenta deles enfrentou o Cartel da Mídia, reestatizaram empresas, mandaram os generais criminosos para a cadeia, e ainda de quebra eles tem o Messi… que Inveja!!
sorry, pelo desabafo, mas para quem votou tanto no Lula como na Dilma as vezes é desanimador…
OBS – não discuto que com os tucanos seria pior, mas deveríamos avançar rumo não somente a uma sociedade de consumidores, mas a uma real e verdadeira democracia com as pessoas sendo não consumidoras e sim cidadãos….
Helena Chagas foi durante anos ligada às Organizações Globo. Trabalhou durante anos por lá….
Colocaram a raposa para tomar conta do galinheiro!
a desgraça do governo dilma está no triângulo: helena chagas,paulo bernardo e gleisi hoffeman….se ela não demiti-los, seu governo corre serio risco de fracassar.
reinaldo carletti
Como assinante da Caros Amigos, estou triste, muito triste. Assinei a revista com a ideia de estar dando uma contribuição modesta, pequenininha, pra a imprensa alternativa. Agora vejo que estamos numa luta de carrinhos de brinquedo contra grandes rolos compressores – estes, abastecidos pelo mesmo governo que se vê diariamente atacado pelos mesmos rolos compressores. Será que o país é refém dessa meia-dúzia de famílias, vítima de chantagem (ou sustenta-as com exclusividade ou sofre um golpe promovido pela mídia)? Não será fraqueza demais isso? Enfim…
Jornais e revistas tem de ser viáveis, não ficar dependendo de verba de publicidade do estado, senão como fica a isenção para questionar? Querem ser só mais uma revista pelega?
Que coisa mais triste! Para se mostrar “ético”, o governo chega a agir de forma totalmente injusta.
Se o Murdoch comprar, talvez alguém do governo avalie que, graças ao sucesso do governo Dilma, esta seria “mais uma demonstração da confiança do investidor estrangeiro no potencial do mercado brasileiro”.
Ótima essa. Talvez o bernardão, a namorada dele e a helena chagas pudessem intermediar a venda da Caros Amigos ao murdoch. Se esses 3 não tiverem exito, aí põe a Dilma na parada.
Porra, desculpe o nível, sou filiado ao PT, e fico indignado com esta política publicitária do governo federal. É, possível sim, de maneira legal, destina verbas para a imprensa alternativa. Porra, desculpe mais uma vez, mas que porra de governo é esse?
Eles fazem uma greve interna, a direção da revista manda a galera embora, e a culpa é da Dilma? kkkkkkk só rindo!
Caros amigos, a distribuição da verba de publicidade só fez melhorar nos últimos governos, era muito, muito mais concentrada. Os mesmos que advogam greves generalizadas só em órgãos públicos não aguentam uma pequena greve em suas próprias fileiras: interessante, não? Na hora de se incentivar greves para desestabilizar governos, vamos lá! Na hora de administrar uma pequena greve interna, temos que demitir esses desordeiros! Dois pesos e duas medidas.
Infelizmente e para a decepção de muitos que acreditaram na proposta do governo da sra. Dilma, seu governo é assim, se recusa terminantemente a dialogar com as minorias. No gabinete presidencial só entra empresários e banqueiros.Pequenas empresas, trabalhadores e sindicalistas não tem vez por lá. Várias categorias de servidores federais estão sem reposição de inflação desde 2006. No final do ano passado a dona Dilma impôs uma correção de 15,6% parcelados em 3 anos, ou seja, até 2015 para recompôr perdas que se estendem desde 2006. Com os pequenos ela bate o pé e impõe, já com os gdes ela fala mansinho, vide o PIG e cia.
Uai, e a venda em banca? E assinaturas? Isso não sustenta também? E a publicidade tradicional?
É fato. O Governo Dilma retrocedeu completamente na política de descentralização das verbas publicitárias, iniciadas no Governo Lula quando até as pequenas rádios do interior recebiam anúncios de empregas e órgãos públicos. O resultado disso é possível prever: quando (e se) o Governo acordar, será tarde demais, pois a direita já estará tomando posse no planalto. Outra possibilidade é: eu sou um grande ingênuo e tem gente ganhando grana com tudo isso.
Poxa é tão fácil reverter o quadro… É só conseguir publicar 2 balanços de empresas de grande porte por mês… Resolvido!!!!
Boa noite
E ainda há quem diga que os blogs/sites independentes (sujos), como por alguns são chamados, vivem nadando em dinheiro do governo federal. Desde a campanha de 2010 que eu reclamo com a equipe de comunicação da presidente Dilma, da falta de atenção para os que a apoiam na INTERNET. Nem responder e-mails eles respondem, e para o meu blog não quero e não tenho como receber nada.
Não acho que o governo deva fazer favores ou pagar por apoio, mas, simplesmente olhar para a imprensa como um todo, e não deixar que sites, blogs, jornais, revistas, que não sejam propriedade dos GRUPOS/FAMÍLIAS que detém o MONOPÓLIO DAS COMUNICAÇÕES NO BRASIL, fiquem sem um mínimo de parte das verbas publicitárias.
Financiando as Folhas e Globos da vida, o governo federal dá força à DITADURA DA DESINFORMAÇÃO. Depois não reclame se o Aécio aparecer de sóbrio e defensor da PETROBRAS.
Um abraço
Dilma, acorde! A ministra Chagas está entregando o ouro…
O dia em que a Dilma acordar para a “comunicação” no Brasil, os “filhos do Dr. Roberto” enfiarão o controle remoto sabe-se lá onde…
Tá! agora a Dilma é culpada?
Amigos, os impressos estão condenados a desaparecer; me mostre alguém com menos de 30 anos que leia ou assine algum?!
Depositar na conta do governo Dilma é no mínimo ser cúmplice da exploração que os trabalhadores da Caros Amigos vem sofrendo nestes últimos anos. A mesma postura intransigente do governo Dilma ao não aceitar negociar com os trabalhadores em greve, a direção da Caros Amigos tem agido da mesma forma. Demitir os trabalhadores em greve é um ato que deve ser condenado por todos da esquerda, e não jogar para debaixo do tapete e depositar na conta do Governo.
Você comentou do ROvai, tal vez aí tenhamos um bom exemplo do que é montar uma empresa de “esquerda” que permanece explorando seus funcionários como qualquer outra empresa de “direita”. O site Passapalavra divulgou um relatório das relações entre Rovai (Revista Fórum e Fora do Eixo): m relação ao Renato Rovai (Revista Fórum), nesse caso sim há uma experiência concreta de replicação do modelo FdE para o trabalho em comunicação. No ano passado a revista e os FdE fecharam uma parceria, um “edital de vivência”, por onde o FdE captaria dois estagiários de comunicação para serem explorados por 3 meses na Revista Fórum. Cito o edital: “Os selecionados, ficarão hospedados durante os 3 meses na Casa Fora do Eixo SP, além de receber uma quantia de R$ 750,00 mensais mais alimentação e transporte da revista Fórum, e o investimento de FdE$ 10.800 referentes a custos de hospedagem, internet e orientação da vivência da Casa Fora do Eixo SP”. – http://diario.foradoeixo.org.br/?p=1547.”
Militantes fazendo o trabalho de jornalistas através de um “edital de vivência” e a culpa da exploração dos trabalhadores é do Governo? Me poupe, Vianna.
Quem não sabe que a Dilma lambe a midia golpista, na questão da midia no Brasil a Dilma é uma covarde e faz um governo totalmente conservador.
.. a Dilma nao se mexe com relação a imprensa… mas aqui nada tem a ver com a Dilma…
* quem é Wagner Nabuco?
* pq a revista nao vende?
… ta faltando jornalismo para falar do jornalismo… po!!!
A política governamental de propaganda direta ou indireta deve ser alterada, destacando-se: i)eliminação de anúncios pagos; ii) utilização periódica de rede obrigatória para a prestação de contas; iii) ampliação do investimento em emissoras públicas e em emissoras do próprio poder.
Lendo os blogs “sujos” e em especial o seu, conscientizei-me do seríssimo problema que é a destinação de altas somas de recursos financeiros públicos aos veículos cujos donos são adversários do povo brasileiro e sobre a sabotagem à midia alternativa do nosso país. Sugiro que os integrantes da mídia alternativa com o apoio de movimentos sociais como o MST e outros, façam uma manifestação. TODO MUNDO VESTIDO DE BRANCO. SLOGAN: ou o Governo pára de desperdiçar milhões de reais do povo brasileiro com o PIG ou todo mundo votará EM BRANCO nas eleições presidenciais de 2014. Não tenho conhecimento político suficiente para saber se isso seria uma boa estratégia, mas penso que o Governo Federal está adotando uma postura cada vez mais distante das aspirações historicamente levantadas pela esquerda. A privatização da saúde está caminhando a passos largos e poderá tornar-se irreversível. Recentemente, o Governo assinou em baixo da venda inconstitucional de 50 hospitais brasileiros que eram da Amil para o grupo estadunidense Health Care, que, inclusive, dizem ser um dos piores que existem lá. Por que ninguém ingressou com ADIN contra esta venda?