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	<title>Escrevinhador &#187; Sopa de Letras</title>
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	<description>Por Rodrigo Vianna</description>
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		<title>Biografia revela ilustrador do século XIX</title>
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		<pubDate>Fri, 27 May 2011 15:29:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Cronista de uma época]]></category>

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		<description><![CDATA[Importante personagem da história da imprensa brasileira, o italiano Ângelo Agostini é pouco conhecido e estudado. Designado amplamente como artista gráfico, Agostini (1843-1910) é o principal ilustrador da segunda metade do século XIX e um dos grandes retratistas de seu tempo. Além de ser o introdutor da história em quadrinhos no Brasil e um defensor da causa abolicionista. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" title="Ângelo Agostini" src="http://br.mg4.mail.yahoo.com/ya/download?fid=Inbox&amp;mid=1_17934884_ALcIw0MAAKzLTd5ubgdfdk95AFw&amp;pid=3&amp;tnef=&amp;YY=1306500581065&amp;file_name=90a%20-%20Angelo%20Agostini.jpg" alt="" width="175" height="239" /></p>
<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Importante personagem da história da imprensa brasileira, o italiano Ângelo Agostini é pouco conhecido e estudado. Designado amplamente como artista gráfico, Agostini (1843-1910) é o principal ilustrador da segunda metade do século XIX e um dos grandes retratistas de seu tempo. Além de ser o introdutor da história em quadrinhos no Brasil e um defensor da causa abolicionista.</p>
<p>Para fazer jus à história desse rico personagem, o jornalista e caricaturista Gilberto Maringoni escreveu a primeira biografia de Agostini, que será lançada hoje em São Paulo. “Angelo Agostini, a imprensa ilustrada da Corte à Capital Federal (1864-1910)” é baseado na tese de doutorado de Maringoni e tem como proposta apresentar a trajetória deste personagem – ainda que pouco se saiba sobre sua vida pessoal.</p>
<p>O autor revela que “os poucos contemporâneos que a ele se referem o elogiam tanto que o material mais encobre do que revela a personalidade do artista”. Por isso, produziu uma biografia analítica, mesclando “o pouco que se sabe de sua vida com os registros deixados por ele”.</p>
<p><img class="alignnone" title="Denúncia de maus-tratos" src="http://thumbp10-ne1.thumb.mail.yahoo.com/tn?sid=875674944&amp;mid=ALcIw0MAAKzLTd5ubgdfdk95AFw&amp;midoffset=1_17934884&amp;partid=4&amp;f=1102&amp;fid=Inbox&amp;w=533&amp;h=480&amp;httperr=1" alt="" width="455" height="408" /></p>
<p>E estes registros não são poucos. Agostini teve uma longa carreira que durou 43 anos, entre 1864 e 1907. Durante este período, ilustrou cerca 3,2 mil páginas de jornais e revistas, realizou diversos escritos e ainda fundou alguns veículos. Maringoni aponta que Agostini tem também um lado empresário e vivenciou um período de forte consolidação na imprensa brasileira. No início de sua carreira, organizava publicações que eram produzidas de maneira quase artesanal. Entretanto, com a chegada de novas tecnologias, que possibilitaram a ampliação da produção e do público leitor, Agostini passa a colaborar com grandes empresas editoriais.</p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/05/maringa-rei.jpg" rel="lightbox[8264]"><img class="alignleft size-full wp-image-8268" title="Caricatura: D. Pedro II dorme" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/05/maringa-rei.jpg" alt="" width="305" height="401" /></a>O livro de Maringoni aborda ainda uma aparente contradição na trajetória de Agostini: de entusiasta da causa abolicionista, o cronista assume uma postura racista, nos anos seguintes à abolição. Esta aparente mudança de comportamento é, na verdade, representativa do movimento abolicionista da elite. A demanda pela abolição não é movida por solidariedade aos negros e sim por anseios de uma modernização conservadora: com a expansão do trabalho assalariado, criação de um mercado interno e embranquecimento da população, com a chegada dos imigrantes europeus.</p>
<p>Pelos traços de Ângelo Agostini passaram importantes momentos da história brasileira. O cronista retratou a Guerra do Paraguai, os maus-tratos sofridos pelos escravos, os últimos anos do Império e o início da República. Como não poderia deixar de ser, a biografia feita por Maringoni reproduz muitas ilustrações de Agostini.</p>
<p><strong><br />
Lançamento</strong><br />
<em>Angelo Agostini &#8211; A imprensa ilustrada da Corte à Capital Federal, 1864-1910</em><br />
27/05, 18h30-21h30<br />
Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509)<br />
Editora Devir Livraria<br />
256 págs., R$ 39,50</p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/05/maringa-rio.jpg" rel="lightbox[8264]"><img class="alignnone size-full wp-image-8270" title="Retrato do Rio de Janeiro na virada do século" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/05/maringa-rio.jpg" alt="" width="562" height="381" /></a></p>
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		<title>Livro polêmico é disponibilizado para o público</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/livro-polemico-de-portugues-e-disponibilizado-para-o-publico.html</link>
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		<pubDate>Thu, 19 May 2011 15:25:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[O coloquialismo na sala de aula]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta semana, o Escrevinhador publicou o artigo do professor Marcos Bagno, da UnB, que gerou um grande debate entre os leitores do blog. Em seu texto, o professor defende o livro “Por uma vida melhor”, que tem sido criticado por admitir a variante não formal da língua portuguesa. Na grande mídia, argumentou-se que o livro “ensina a falar errado”. O livro é utilizado no programa “Educação de Jovens e Adultos” e foi submetido à avaliação do Ministério da Educação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<div id="_mcePaste"><img class="alignright" title="Charge de Ziraldo" src="http://images.carolyara.multiply.com/image/1/photos/upload/300x300/SD1IBgoKCEkAAF1w0vs1/conversa.jpg?et=5AgItePzgxsQGPO3hcShhA&amp;nmid=0" alt="" width="248" height="300" /></p>
</div>
<p>Nesta semana, o <strong><em><span style="color: #0000ff;">Escrevinhador</span></em></strong> publicou o <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/geral/discussao-sobre-livro-didatico-so-revela-ignorancia-da-grande-imprensa.html">artigo</a> do professor Marcos Bagno, da UnB, que gerou um grande debate entre os leitores do blog. Em seu texto, o professor defende o livro “Por uma vida melhor”, que tem sido criticado por admitir a variante não formal da língua portuguesa. Na grande mídia, argumentou-se que o livro “ensina a falar errado”. O livro é utilizado no programa “Educação de Jovens e Adultos” e foi submetido a avaliação do Ministério da Educação.</p>
<p>Diante da grande repercussão, a <a href="http://www.acaoeducativa.org.br/portal/">Ação Educativa</a>, responsável pedagógica do livro, publicou uma nota de esclarecimentos. Na qual afirma defender “a abordagem da obra por considerar que cabe à escola ensinar regras, mas sua função mais nobre é disseminar conhecimentos científicos e senso crítico, para que as pessoas possam saber por que e quando usá-las”. O documento complementa que “polêmicas como essa ocupam a imprensa desde que o Modernismo brasileiro em 1922 incorporou a linguagem popular à literatura. Felizmente, desde então, o país mudou bastante. Muitas pessoas tem consciência de que não se deve discriminar ninguém pela forma como fala ou pelo lugar de onde veio”.</p>
<p>Mais do que apenas prestar esclarecimentos, a Ação Educativa disponibilizou para o público o capítulo do livro que é alvo da polêmica. Para apimentar e qualificar o debate, trazemos o texto para nossos leitores. O capítulo pode ser acessado <a href="http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/V6Cap1.pdf">neste link</a>. Boa leitura!</p>
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		<title>Izaías Almada e o drama dos desaparecidos</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/peca-de-izaias-almada-debate-questao-dos-desaparecidos-politicos.html</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Mar 2011 14:52:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Teatro de Curitiba]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta quarta-feira, tem início a 20ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, um dos mais importantes eventos de artes cênicas do Brasil. Com duração até dez de abril, o Festival reúne mais de quatrocentas atrações, entre teatro, música, circo, stand-up comedy, dança e cinema. O dramaturgo e escritor Izaías Almada, colunista deste Escrevinhador, terá sua peça “Pai” encenada pela Cia Nuvem da Noite.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Nesta quarta-feira, tem início a 20ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, um dos mais importantes eventos de artes cênicas do Brasil. Com duração até dez de abril, o Festival reúne mais de quatrocentas atrações, entre teatro, música, circo, stand-up comedy, dança e cinema. O dramaturgo e escritor Izaías Almada, <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/colunas/reflexoes">colunista</a> deste <span style="color: #0000ff;"><em><strong>Escrevinhador</strong></em></span>, terá sua peça “Pai” encenada pela Cia Nuvem da Noite.</p>
<p>O texto inédito de Almada, adaptado e dirigido por Gilson Filho, conta a história de uma família que encontra o corpo de seu pai, um desaparecido da ditadura militar brasileira. A ossada é encontrada junto a outras centenas durante uma busca no Cemitério de Perus, em São Paulo. O enredo foca na chegada da informação à família, e como isso transforma a delicada relação entre mãe e filha, reavivando lembranças e revelando sentimentos abafados.</p>
<p>A peça será encenada nos dias 4, 5, 6 e 7 de abril, na Casa Hoffman, no centro de Curitiba. Mais informações podem ser encontradas no <a href="  http://www.festivaldecuritiba.com.br/">site do Festival</a>.</p>
<p>Izaías Almada conversou com o <span style="color: #0000ff;"><strong><em>Escrevinhador</em></strong></span> e nos contou mais sobre a sua peça.</p>
<p><strong>A peça foi escrita baseada em alguma história em particular, algum episódio real?</strong><br />
Não foi propriamente uma história em particular, mas foi a partir da notícia da descoberta de ossadas em um cemitério da periferia de São Paulo, ainda no governo da prefeita Luiza Erundina. Havia suspeitas de que algumas dessas ossadas pudessem ser de prisioneiros políticos da ditadura que desapareceram. Como tive amigos nessa situação, em especial o Eduardo Leite, o Bacuri, e o ex-marinheiro Raimundo Costa, quis fazer uma homenagem a eles e a outros companheiros desaparecidos.<br />
<strong><br />
O objetivo do texto é sensibilizar o público frente a questão dos desaparecidos políticos? Ele tem como finalidade provocar um debate entre o público? </strong><br />
Sim, o objetivo da peça é sensibilizar o público para esse problema, mostrando que aqueles &#8220;terroristas&#8221; eram pessoas como qualquer um de nós, cujas as circunstâncias da luta política na época os transformou em opositores clandestinos, já que não havia alternativas para um pensamento oposicionista no país depois do golpe de 64. Mas a sensibilização ultrapassa esse primeiro patamar, pois também –  nos dias de hoje – deve chamar a atenção para a efetivação e os trabalhos da Comissão da Verdade. E se isso provocar debates com o público após as apresentações, melhor ainda.<br />
<strong><br />
Qual a relevância do teatro abrir espaço para esse debate político? </strong><br />
No meu entender, o teatro, o cinema, a literatura, as artes de um modo geral, mas principalmente aquelas que mantém contato com um número maior de pessoas, devem estar sempre sintonizada com o que se passa à sua volta.</p>
<p><span id="more-7332"></span></p>
<p><strong>E qual é, na sua opinião, a importância de se debater esses temas? </strong><br />
Debater a questão dos direitos humanos será sempre importante, em qualquer época. Como o homem ainda não aprendeu a viver numa sociedade mais justa e efetivamente pacífica, nunca será demais tentar, através da arte, sensibilizar as pessoas para determinadas questões: a melhor distribuição da riqueza é uma delas. A luta contra a tortura e a violência policial é outra. A questão da soberania nacional será uma terceira. E por aí eu poderia nomear várias questões relevantes para se debater. Hoje e, pelo visto, sempre&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O sargento que lutou contra a ditadura</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/pedro-e-os-lobos-a-historia-de-um-sargento-comunista-que-combateu-a-ditadura.html</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 17:41:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro e os lobos]]></category>

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		<description><![CDATA[Chega às livrarias uma obra que ajuda a desvendar mais do passado recente brasileiro. Ao traçar o perfil de Pedro Lobo, que combateu a ditadura de armas na mão, o jornalista e historiador João Roberto Laque conta a história daquele período.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3302" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/09/l1.jpg" rel="lightbox[3298]"><em><img class="size-full wp-image-3302" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/09/l1.jpg" alt="" width="200" height="236" /></em></a><p class="wp-caption-text">João Laque e Pedro Lobo no lançamento do livro, fruto de sete anos de pesquisa</p></div>
<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em><em> </em> </p>
<p>Chega às livrarias uma obra que ajuda a desvendar mais do passado recente brasileiro. Ao traçar o perfil  de um combatente da ditadura militar brasileira, o jornalista e historiador João Roberto Laque conta a história daquele período.  </p>
<p>Pedro Lobo de Oliveira é o personagem central de <em>Pedro e os Lobos - Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano</em>. O biógrafo conta que sentia falta de uma obra com linguagem acessível sobre a ditadura militar, e que quando começou a escrever a trajetória do Pedro na luta armada, percebeu que &#8220;ela poderia servir como a espinha dorsal deste relato que pretendia”.  </p>
<p>Pedro Lobo nasceu na região da Serra do Mar paulista, cresceu no árduo e pobre cotidiano de quem sobrevive da roça. Em 1951, aos dezenove anos, Lobo decide tentar a vida em Mato Grosso, mas ao parar para trabalhar temporariamente em São Paulo, desiste da viagem e se estabelece na cidade.  </p>
<p>Trabalha como servente de pedreiro e torneiro mecânico até que, em 55, decide se integrar à Força Pública, a Polícia Militar de então. Foi dentro do quartel, já como sargento, que Pedro Lobo entra em contato com o Partido Comunista. Dentro da instituição, Pedro Lobo torna-se um ativo defensor dos direitos trabalhistas da categoria. Neste período o sargento acaba se filiando ao PCB e se destaca como militante junto aos dirigentes do partido.  </p>
<p>Em 63, Lobo integra o “Grupo dos Onze Companheiros” ou “Comandos Nacionalistas”, milícia incentivada por Leonel Brizola, reunida para agir em caso de uma situação revolucionária. Mas quando vem o golpe em 64, a resistência prevista não acontece. Em maio, por meio do Ato Institucional baixado por Castello Branco e sem nenhuma explicação ou possibilidade de recorrer, Pedro Lobo é expulso da Força Pública.  </p>
<p>Dois anos depois, Lobo recebe a tarefa de oferecer proteção a Luis Carlos Prestes – então secretário geral do PCB &#8211; quando este viesse a São Paulo. Desenvolve essa função por dois anos, mas não demora muito para entrar em atrito com a direção do partido e o próprio Prestes, que pregavam a resistência pacífica à ditadura.  </p>
<p>Diante da convicção de que a derrubada do regime passava pelas armas, o militante se envolve no Movimento Nacionalista Revolucionário, dirigido por Brizola desde o exílio no Uruguai. Em 66, o MNR incumbe Lobo de dar proteção a José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, procurado pela ditadura e líder da insubordinação dos marinheiros, um dos estopins do golpe. Por um tempo, Lobo desenvolve uma dupla militância: no Partidão cuidando de um de seus líderes, e na preparação da luta armada.  </p>
<p><span id="more-3298"></span></p>
<p>Em 67, Pedro Lobo participa da fundação da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma das organizações mais destacadas da luta armada nos anos de chumbo. Uma das ações mais conhecidas da VPR foi o assassinato do capitão norte-americano Charles Rodney Chandler, veterano da guerra do Vietnã e suposto agente da CIA, apontado como um dos estrangeiros que vinham ensinar práticas de torturas aos militares brasileiros. O ato foi realizado por apenas três pessoas: Diógenes José, Marquito e Pedro Lobo, que atuou como motorista.   </p>
<p>Em janeiro de 69, Lobo participa de outro episódio marcante na história da resistência. A VPR planejava um grande atentando para desestabilizar o governo, entretanto, a ação foi descoberta. Pedro Lobo estava numa chácara em Itapecerica da Serra com o grupo responsável por pintar com as cores do Exército o caminhão que seria usado na ação quando foram encontrados. Lobo foi preso e torturado violentamente.   </p>
<p>Após sucessivas quedas, a VPR se desarticula. A organização retoma as atividades em 70, quando seqüestra o embaixador alemão Ehrenfried Von Holleben  e, em troca, exige a libertação de 40 presos, entre eles Pedro Lobo. O militante passa por Argélia, Cuba, Chile e Argentina até se fixar na Alemanha Oriental. Voltaria ao Brasil apenas em 79, com a anistia. Para seu biógrafo, “o mais incrível é que, com todo esse passado, depois<a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/09/capa.jpg" rel="lightbox[3298]"><img class="alignleft size-full wp-image-3299" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/09/capa.jpg" alt="" width="176" height="287" /></a> da anistia Pedro retorna ao Brasil e é reintegrado à Polícia Militar como se nada tivesse acontecido. Hoje, aos oitenta anos, está na reserva com a patente de capitão”.   </p>
<p>Da pobreza à carreira na Força Pública; do Partidão à luta armada; da resistência à tortura; do Brasil ao exílio. A história de Lobo coincide, em suas diferentes fases, com a história de tantos outros brasileiros. Por meio das experiências vividas por Lobo, o autor João Laque retoma o contexto político e social da época. A própria militância de Lobo é emblemática para a esquerda: dentro do PCB, conviveu com Luís Carlos Prestes e criticou a postura pacifista do Partido frente ao recrudescimento da ditadura. Apoiou a resistência lançada por Brizola, integrou grupos guerrilheiros e conviveu com expoentes como Marighella e Lamarca. Ao apresentar a trajetória de Lobo, o livro apresenta também a história das distintas organizações armadas durante a ditadura.    </p>
<p><em>Pedro e os Lobos</em> é fruto de sete anos de pesquisa no Memorial da Resistência em São Paulo, antiga sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social). João Laque também viajou pelo Brasil para entrevistar colegas de Lobo e levantar a história da VPR. A maior dificuldade encontrada foi lidar com uma história tão recente: “a cada dia surgem novas informações e versões sobre os acontecimentos. Muitos dos restos mortais dos desaparecidos sequer foram localizados”.   </p>
<p>João Laque conta que por “grande parte dos personagens, dos dois lados, ainda estar por aí, contando sua versão da história, é natural que haja divergências, ressentimentos e bloqueios”. O autor entrou em contato com diversas histórias e documentos interessantes, mas ficou intrigado por uma em especial, sobre Onofre Pinto, líder da VPR: “ele desapareceu misteriosamente em 1973, existem duas versões conflitantes sobre sua morte e até indícios de que ele sequer tenha morrido. Pretendo vasculhar este tema muito em breve”.   </p>
<p><em>Pedro e os Lobos &#8211; Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano</em> é uma publicação independente e pode ser adquirido nas livrarias ou pelo site <a href="http://www.pedroeoslobos.com/">Pedro e os Lobos</a>, no qual é possível ler trechos da obra.  Boa leitura!<em> </em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Aurélio revela: &#8220;fumei, mas não traguei&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 23:30:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção jornalística]]></category>

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		<description><![CDATA[No "Doladodelá", Marco Aurélio Mello transforma realidade em ficção. Drogas, espionagem, lares dilacerados. Tudo isso aparece na novela cibernética, inspirada na situação dramática de famílias poderosas e desesperadas, na zona sul carioca. Quem é o misterioso vizinho do andar de baixo? Confiram! ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2707" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/08/MACONHA1.jpg" rel="lightbox[2704]"><img class="size-full wp-image-2707" title="MACONHA" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/08/MACONHA1.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">O jornalismo virou fumaça</p></div>
<p>Quando era editor de Economia daquele que já foi o mais influente telejornal do Brasil, Marco Aurelio Mello foi obrigado, em alguns momentos, a transformar-se em ficcionista. Exemplo: o jornalismo ficcional a ele imposto proibia reportagens que trouxessem boas notícias sobre a economia  brasileira. Sabe como é, estávamos em 2006, Lula era candidato à reeleição, as notícias boas podiam favorecer o presidente&#8230;</p>
<p>Aurélio hoje trabalha em outra emissora, e criou um blog (&#8220;<a href="http://maureliomello.blogspot.com/">Doladodelá</a>&#8220;) onde escreve ficção &#8211; histórias curtas, irônicas. Muitas vezes, parece a realidade pura e simples. Uma espécie de &#8220;A vida como ela é&#8221;.</p>
<p><a href="http://maureliomello.blogspot.com/2010/08/ah-o-jardim-botanico.html">Um desses textos ficcionais </a>conta a história de jovens usuárias de droga, num dos bairros mais valorizados do Rio de Janeiro, que passam a incomodar os vizinhos do apartamento de cima, por causa de tanta fumaça. A partir de então, trava-se uma luta visceral entre as duas famílias.<a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/08/fumaca.bmp" rel="lightbox[2704]"></a> </p>
<p>Espionagem,  manipulação, desespero.  </p>
<p>Os maconheiros e as maconheiras de boa família (moças bonitas, defensoras da livre iniciativa e que detestam Dilma e Chavez &#8211; ou seja, típicas maconheiras de direita da zona sul carioca) merecem toda a compreensão; é verdade.</p>
<p>Mas também merecem atenção as famílias incomodadas pelo fumacê infernal! É o que mostra a ficção de Aurelio.  Num outro capítulo da novela cibernética, o criativo blogueiro chega a imaginar <a href="http://maureliomello.blogspot.com/2010/08/vizinha.html">uma entrevista com a dona do apartamento de cima</a>, desesperada com a situação, mas disposta a lutar até o fim.</p>
<p>Por último, <a href="http://maureliomello.blogspot.com/2010/08/enquanto-isso-no-andar-de-baixo.html">a bem-humorada conversa entre os ocupantes do andar de baixo. </a>Gente poderosa, acostumada a mandos e desmandos, agora desnorteada com essa briga que ameaça dilacerar a família.</p>
<p>Ah, esse Aurélio. De onde vem tanta criatividade?</p>
<p>Ele mesmo confessa: &#8220;fumei, mas não traguei&#8221;.</p>
<p>Será que isso também é ficção?</p>
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		<title>Poesia num feriado de abril: T. S. Eliot e os homens ocos</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 14:05:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>

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		<description><![CDATA[Os versos se revelam, devagar. É preciso ler, reler. Vou até o fim da estrofe. Fico com a impressão de não ter compreendido bem o que o poeta quis dizer. Retorno ao começo, sorvo as palavras, as metáforas – belas metáforas – e então a poesia se revela. “Sigamos então, tu e eu/Enquanto o poente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/beta/wp-content/uploads/2010/05/eliot.jpg" rel="lightbox[309]"><img class="alignleft size-full wp-image-310" title="eliot" src="http://www.rodrigovianna.com.br/beta/wp-content/uploads/2010/05/eliot.jpg" alt="" width="316" height="420" /></a>Os versos se revelam, devagar. É preciso ler, reler. Vou até o fim da estrofe. Fico com a impressão de não ter compreendido bem o que o poeta quis dizer. Retorno ao começo, sorvo as palavras, as metáforas – belas metáforas – e então a poesia se revela.</p>
<p>“<em>Sigamos então, tu e eu/Enquanto o poente no céu se entende/Como um paciente anestesiado sobre a mesa</em>”.</p>
<p>O feriado e a luz fraca que entra pela janela parecem um convite para retomar a leitura de T. S. Eliot. Mesmo traduzido (e em ótima tradução, de Ivan Junqueira), não é leitura fácil.  Poeta, crítico literário, dramaturgo, ele nasceu nos Estados Unidos &#8211; no fim do século XIX &#8211; e depois se radicou na Inglaterra.</p>
<p>Curiosos os caminhos que nos levam a um escritor. Dia desses, contei aqui porque me encantei pelo uruguaio Mario Benedetti &#8211; <a href="../../sopa-de-letras/a-prosa-comovente-do-uruguaio-mario-benedetti">http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/a-prosa-comovente-do-uruguaio-mario-benedetti</a>.</p>
<p>Claro, foi porque li “A Tregua”, um romance comovente e espantoso por sua simplicidade. Mas antes de “A Trégua” o que me encantou foi a foto de Benedetti na orelha de outro livro: olhar bonachão, nariz batatudo, aquele jeito de um velho tio que tem muitas histórias pra contar. Foi o que me fez mergulhar em Benedetti (além da simpatia que sinto pelo Uruguai -   nosso pequeno e tinhoso vizinho do sul).</p>
<p>Com Eliot, foi diferente. Dia desses, um leitor escreveu-me. Disse que lembrava de mim como repórter na TV Globo, e que se espantou ao ver meus textos aqui no blog: “pensei que você fosse só mais um daqueles caras empalhados que aparecem na TV”, ele falou com muita honestidade.</p>
<p>Respondi a ele que não me deixei empalhar totalmente&#8230; Estava adormecido. Não deixei de ser quem eu era, mas reprimi, guardei, &#8220;empalhei&#8221; minhas convicções durante alguns anos.</p>
<p>Disse a ele, ainda, que a frase que escrevera sobre mim fazia-me lembrar de um poema de T.S.Eliot, chamado “Os homens ocos”:</p>
<p>“<em>Nós somos os homens ocos<br />
Os homens empalhados<br />
Uns nos outros amparados<br />
O elmo cheio de nada. Ai de nós!<br />
Nossas vozes dessecadas,<br />
Quando juntos sussurramos,<br />
São quietas e inexpressas<br />
Como o vento na relva seca<br />
Ou pés de ratos sobre cacos<br />
Em nossa adega evaporada<br />
Fôrma sem forma, sombra sem cor<br />
Força paralisada, gesto sem vigor;<br />
Aqueles que atravessaram<br />
De olhos retos, para o outro reino da morte<br />
Nos recordam &#8211; se o fazem &#8211; não como violentas<br />
Almas danadas, mas apenas<br />
Como os homens ocos<br />
Os homens empalhados</em>.”</p>
<p>O leitor escreveu de volta pra contar que não conhecia o poema. Eu, na verdade, também não lembrava direito dos versos. Lembrava de tê-los ouvido, pela boca de Marlon Brando, em “Apocalipse Now”. Lembrava, ainda, de tê-los saboreado em alguma aula de literatura no colégio, lá pelos distantes anos 80.</p>
<p>Fui atrás do poema na internet. Fiquei maravilhado. Decidi que precisava conhecer melhor esse “tal” Eliot. E cá estou com um volume de “Poesia”, da editora Nova Fronteira. A apresentação é de Affonso Romano de Sant´Anna (com dois efes, e essa anacrônica apóstrofe no nome da santa – ainda mais anacrônica do que os dois enes do meu Vianna, que ao mesmo tempo me orgulham e me atormentam, desde a infância).</p>
<p>Sant`Anna ressalta um dado curioso, sobre Eliot: “diferentemente do que ocorre com a maioria dos autores, difícil se torna localizar na poesia de Eliot rastros de sua vida privada. Neste sentido, é um poeta apolíneo, nada dionisíaco, que fez com que sua biografia fosse essencialmente sua grafia, seu texto.”</p>
<p>As emoções que Eliot traz à superfície revelam pouco sobre ele mesmo. Mas dizem muito sobre a penumbra de todos nós, o medo de todos nós, a inconsistência e as dúvidas que nos invadem &#8211; seja numa tarde chuvosa, ou num crepúsculo enevoado (e como há crepúsculos e névoas em seus poemas!).</p>
<p>“<em>Ousarei<br />
Perturbar o Universo?<br />
Em um minuto apenas há tempo<br />
Para decisões e revisões que um minuto revoga</em>”</p>
<p>Os versos acima, bem como os que reproduzi no segundo parágrafo desse texto, são de um poema chamado “A canção de amor de J. Alfred Prufrock” – de 1917. Foi escrito quando Eliot tinha 29 anos. Belíssimo.</p>
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		<title>Encontro com Fernando Sabino: a falta que ele faz!</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/encontro-com-fernando-sabino-a-falta-que-ele-faz.html</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 14:08:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>

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		<description><![CDATA[Vou falar já do Fernando Sabino. Mas, antes, peço licença pra lembrar de umas coisas&#8230; Quando eu era criança, não havia propriamente uma &#8220;biblioteca&#8221; lá em casa. Meus pais guardavam os livros numa prateleira, num quarto que servia também para que meu irmão e eu esparramássemos nossos cacarecos, nossos jogos e, principalmente, nossos times de futebol [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vou falar já do Fernando Sabino. Mas, antes, peço licença pra lembrar de umas coisas&#8230;</strong></p>
<p><strong>Quando eu era criança, não havia propriamente uma &#8220;biblioteca&#8221; lá em casa</strong>. Meus pais guardavam os livros numa prateleira, num quarto que servia também para que meu irmão e eu esparramássemos nossos cacarecos, nossos jogos e, principalmente, nossos times de futebol de botão&#8230;</p>
<p>Quando eu tinha já 11 anos, minha irmã nasceu, ocupou aquele quarto, e os livros de meus pais foram parar no quarto onde dormíamos meu irmão e eu.</p>
<p>Imagino que nada disso tenha sido proposital. As coisas foram se ajeitando como era possível. Meus pais não puseram os livros em nosso quarto para que ficassem mais acessíveis a nós. Simplesmente, botaram onde havia mais espaço. Mas isso acabou sendo providencial. E até hoje agradeço&#8230;</p>
<p><strong>Bem perto da minha cama, ficaram por anos e anos títulos e autores que, aos poucos, foram me capturando.</strong></p>
<p>Havia a coleção completa de Monteiro Lobato (aquela de capa dura, verde, um clássico nas estantes da classe média brasileira). Essa muita gente leu. Devorei todos antes dos 14 anos. E aos poucos fui devorando os outros. <strong>Lembro-me especialmente de três deles: &#8220;Meu amigo Che&#8221;, de Ricardo Rojo </strong>(biografia de Che Guevara; li aos 16 anos, despertou-me o interesse pela política e a história da América Latina, que segue comigo até hoje); <strong>&#8220;Memórias&#8221;, de Nelson Rodrigues </strong>(uma coletânea de textos que me transformou, aos 16 anos, em fã perpétuo do genial dramaturgo e cronista); e <strong>&#8220;O Encontro Marcado&#8221;, de Fernando Sabino.</strong></p>
<p>Este último li aos 17 anos. Foi o primeiro romance &#8220;adulto&#8221; a me marcar profundamente. Foi a primeira vez que compreendi (na verdade, senti antes de compreender) até onde a literatura pode nos levar.</p>
<p>Não sei se vocês conhecem<strong> &#8220;O Encontro Marcado&#8221;: conta a história de três amigos que vivem intensamente, juntos, as primeiras aventuras de juventude. Combinam de, no futuro (aconteça o que acontecer), voltarem a se encontrar. As circusntâncias  levam cada um pra um lado, nessa fase de entrada na vida adulta. Evidentemente que, no fim das contas, o tal &#8220;encontro marcado&#8221; não acontece.</strong></p>
<p>Dito assim, parece banal. Mas nao é. Não vou contar mais, pra não estragar a leitura de quem se dispuser a encarar o romance&#8230;</p>
<p><strong>O livro lançou-me numa grande catarse.</strong> Quando o li, eu mesmo estava nessa fase de sair da escola e descobrir o mundo adulto, chegando à Universidade. As primeiras dores de amor começavam a aparecer, algumas amizades iam ficando pelo caminho&#8230;</p>
<p>O &#8220;Encontro Marcado&#8221; falava disso tudo, de forma magistral. Nunca mais esqueci. <strong>Quando me perguntam quais romances foram os mais importantes em minha vida, incluo sempre &#8220;O Encontro Marcado&#8221; &#8211; sem pestanejar. </strong>Talvez, se eu o tivesse lido mais tarde, aos 25 ou 30 anos, o impacto teria sido menor. Mas àquela altura da vida foi inesquecível.</p>
<p>Tão importantes como &#8220;O Encontro Marcado&#8221; foram, para mim, em épocas (e por motivos) diferentes: &#8220;Conversa na Catedral&#8221;, de Mario Vargas LLosa;  &#8221;Os Irmãos Karamazov&#8221;, de Dostoievksvi; Anna Kerênina, de Tolstói;  e &#8220;A Trégua&#8221;, de Mario Benedetti.</p>
<p>Vejam que, na minha lista pessoal, o único brasileiro é o livro de Fernando Sabino. Claro que depois li muitos outros romances que considero (eu e a torcida do Flamengo) até mais elaborados, esteticamente mais importantes &#8211; como &#8220;Grande Sertão, Veredas&#8221;; ou &#8220;Memórias Póstumas de Brás Cubas&#8221;.</p>
<p>Mas nada me marcou tanto como (perdoem a redundância) o &#8221;Encontro Marcado&#8221;.</p>
<p>Por isso, <strong>fiquei comovido quando recebi nesse dia 12 de outubro o e-mail do leitor Rafael Rodrigues, com link para um site que presta justa homenagem a Fernando Sabino. </strong></p>
<p><strong>O site chama-se &#8220;A falta que ele faz</strong>&#8221; &#8211; <a href="http://afaltaqueelefaz.com.br/">http://afaltaqueelefaz.com.br/</a>.</p>
<p>No site, há uma bela entrevista do Zuenir Ventura e um comovente texto do Affonso Romano de Sant´Anna, sobre Fernando Sabino.</p>
<p>Vale conferir!</p>
<p>Humildemente, presto aqui minha homenagem. Não com o brilhantismo de Zuenir ou de Affoso Sant´Anna. Mas declarando minha admiração de simples leitor.</p>
<p><strong>Neste dia 12 de outubro de 2009, Fernando Sabino completaria 86 anos de idade.</strong></p>
<p><strong>Viva Fernando Sabino, um brasileiro que sabia contar histórias! </strong></p>
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		<title>Benedetti está morto; vamos ler mais Benedetti</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 14:10:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>

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		<description><![CDATA[Há três semanas, a leitora Elisabeth Otero vinha-me mantendo atualizado sobre o estado de saúde de Mario Benedetti, o longevo escritor uruguaio. Aos 88 anos, ele passou alguns dias internado em Montevidéu, no começo desse mês. Elisabeth me enviou a sugestão de uma &#8220;corrente poética&#8221; (sugerida no blog de Saramago), como forma de mandar boas vibrações a Benedetti. Nem cheguei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há três semanas, a leitora Elisabeth Otero vinha-me mantendo atualizado sobre o estado de saúde de Mario Benedetti, o longevo escritor uruguaio.</p>
<p>Aos 88 anos, ele passou alguns dias internado em Montevidéu, no começo desse mês. Elisabeth me enviou a sugestão de uma &#8220;corrente poética&#8221; (sugerida no blog de Saramago), como forma de mandar boas vibrações a Benedetti. Nem cheguei a entrar na tal corrente, porque dias depois a Elisabeth mandou notícia tranquilizadora, dando conta de que Benedetti tinha recebido alta do hospital.</p>
<p>Hoje, ela enviou outra notícia,  triste e definitiva: Benedetti se foi. Morreu.</p>
<p>Criei por ele uma afeição imensa e tardia, que procurei explicar num texto, publicado aqui no blog, no início de abril:  <a href="../../sopa-de-letras/a-prosa-comovente-do-uruguaio-mario-benedetti">http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/a-prosa-comovente-do-uruguaio-mario-benedetti</a>.</p>
<p>A Elisabeth Otero leu esse texto e, por ser também admiradora do Benedetti, escreveu algumas vezes para comentar a obra di uruguaio.</p>
<p>Neste domingo, ela não escreveu nada. Só copiou pra mim  o link da triste notícia, publicada no argentino &#8220;Página 12&#8243; &#8211; <a href="http://www.pagina12.com.ar/diario/ultimas/20-125106-2009-05-17.html">http://www.pagina12.com.ar/diario/ultimas/20-125106-2009-05-17.html</a>. O artigo está em espanhol.</p>
<p>Sinceramente, também não sinto vontade de escrever nada.</p>
<p>Encontro-me em viagem de trabalho pelo sertão nordestino. Não por acaso, trouxe na mala um livro de Benedetti:  &#8220;Primavera num espelho partido&#8221;.</p>
<p>No dia da morte deste gênio das letras, acho que o melhor a fazer  é não escrever nada sobre ele. Nossa melhor, e mais profunda homenagem, é  seguir lendo a obra de Benedetti. Farei isso agora. Com licença.</p>
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		<title>A prosa comovente do uruguaio Mario Benedetti</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2009 14:12:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de ler o belíssimo romance “A Trégua”, de Mario Benedetti. É prosa da melhor qualidade – serena e comovente. Muito longe de ser um crítico literário, falo aqui como simples leitor. Fui fisgado pelo veterano Benedetti num passeio despretensioso, meses atrás, por uma dessas livrarias modernas de São Paulo. Por acaso, topei com “Correio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de ler o <strong>belíssimo romance “A Trégua”, de Mario Benedetti</strong>. É prosa da melhor qualidade – serena e comovente. Muito longe de ser um crítico literário, falo aqui como simples leitor.</p>
<div>
<p><img src="../../files/Image/MarioBenedetti.jpg" alt="" width="201" height="164" align="left" />Fui <strong>fisgado pelo veterano Benedetti num passeio despretensioso, meses atrás, por uma dessas livrarias modernas de São Paulo. Por acaso, topei com “Correio do Tempo</strong>”, um livro de contos e textos curtos.</p>
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<div>
<p>Folheei, o texto pareceu-me simpático e fluído – e era disso que eu precisava naqueles dias.  Mas, <strong>confesso que o que me fez comprar mesmo o livro foram duas outras coisas: a nacionalidade (uruguaia) e a foto do veterano escritor </strong> – com um ar bonachão e um nariz “bolotudo”, ele lembra velhos imigrantes italianos que andam pela Móoca ou Brás, tipos tão familiares para quem vive em São Paulo.</p>
</div>
<div>
<p>O cara escreve com categoria: sem floreios, sem arroubos. A sabedoria para compor histórias emocionantes, a partir de fatos simplórios, é algo que me atrai.  E me atraiu em Benedetti. Os textos de “Correio do Tempo” me lembraram as boas crônicas de Rubem Braga: a simplicidade, o gosto pelos tipos aparentemente sem brilho, tipos que constituem a maior parte de nossa sofrida humanidade.</p>
</div>
<div>
<p><strong>Comentei sobre Benedetti com um conhecido. E ele me disse: se gostou dos contos de “Correio do Tempo”, experimente um romance do sujeito.</strong></p>
</div>
<div>
<p><strong><br />
</strong></p>
</div>
<div>
<p><strong> Fui atrás.</strong></p>
</div>
<div>
<p><strong><br />
</strong></p>
</div>
<div>
<p><strong>“A Trégua” foi o primeiro romance de sucesso de Benedetti, lançado em 1960</strong>. Na minha absoluta ignorância literária, não conhecia &#8211; nem de nome &#8211; a obra.</p>
</div>
<div>
<p>“ATrégua” é uma beleza mesmo.</p>
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<div>
<p>Benedetti não tem a grandiloqüência de outros autores latino-americanos. <strong>Não espere dele a verborragia de Vargas Llosa, nem as tiradas fantásticas de Garcia Marques. A realidade basta ao velho uruguaio, nascido em Paso de los Toros.</strong> As frases curtas, ditas nos cafés, nos escritórios e nas ruas de Montevidéu são o suficiente para compor essa trama comovente.</p>
</div>
<div>
<p>Do que trata “A Trégua”? <strong>É um romance em forma de diário. Parece um recurso raso demais. Mas funciona. O diário traz as impressões de Martin Santomé &#8211; um homem com emprego burocrático, sem brilho, sem talentos especiais. Mas, é um homem que sabe olhar para sua pequenez com razoável sabedoria</strong>. E não é só isso. Santomé, um viúvo às portas da aposentadoria, conhece Avellaneda &#8211; jovem funcionária do escritório. Os dois se apaixonam. De novo: parece banal, mas é uma história com toques sublimes. Pelo menos, a mim assim pareceu.</p>
</div>
<div>
<p>A <strong>leitura também me deixou com vontade de voltar a Montevidéu</strong>, e aí retorno a uma questão  que citei no começo desse texto: a nacionalidade uruguaia foi um dos atrativos para que eu começasse a ler Benedetti.</p>
</div>
<div>
<p>Não consigo entender por que, mas <strong>desde muito jovem tenho uma afeição especial pelo Uruguai</strong>. No começo, era afeição por um nome, e por uma pequena mancha no mapa da América do Sul. Talvez, fosse simples curiosidade por uma país tão pequeno – plantado ali aos pés do gigante Brasil.</p>
</div>
<div>
<p>Depois, passei a admirar a fibra dos uruguaios, pela conquista de 1950. Meu pai contava sempre as histórias de Obdúlio Varella, o capitão que calou o Maracanã com seus gritos na vitória sobre o Brasil.</p>
</div>
<div>
<p><strong>Tive a felicidade de viajar três vezes para lá</strong>.</p>
</div>
<div>
<p>Quando fui a primeira vez ao Uruguai (em 1991), quis conhecer o &#8220;Museo Del Futbol&#8221; – no Estádio Centenário. Meu objetivo era ver o busto em homenagem a Obdúlio. E lá estava ele: um herói uruguaio.</p>
</div>
<div>
<p>Depois, retornei ao país em 2005, a trabalho, cobrindo a cúpula do Mercosul em que a Venezuela foi aceita como sócia permanente do bloco.</p>
</div>
<div>
<p>Ano passado, voltei a terras uruguaias com meus dois filhos mais velhos. E , aí, tive a chance de  visitar Colônia do Sacramento (uma linda cidadezinha fundada pelos portugueses, bem em frente a Buenos Aires, no Rio da Prata), antes de seguir a Montevidéu.</p>
</div>
<div>
<p><strong>Ler Benedetti é viajar um pouco por Montevidéu. Cidade simples, sem a pompa e as atrações de Buenos Aires, mas cheia de reentrâncias e orgulho próprio.</strong></p>
</div>
<div>
<p><strong><br />
</strong></p>
</div>
<div>
<p>Outra hora eu falo mais de Montevidéu, de Colônia do Sacramento e da sensação de paz que é viajar pelo interior uruguaio &#8211; com aquela paisagem plana, que induz a serenidade e quietude.</p>
</div>
<div>
<p>Por enquanto, basta-me dizer o seguinte: <strong>Benedetti e o Uruguai merecem ser conhecidos</strong>.</p>
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Zweig e o Brasil: país do futuro ou país do Fouché?</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/zweig-e-o-brasil-pais-do-futuro-ou-pais-do-fouche.html</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2009 14:11:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sopa de Letras]]></category>

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		<description><![CDATA[(texto originalmente publicado em 13 de outubro de 2008, quando este blog ainda era um &#8220;quase-blog&#8221;) Li, com enorme prazer, &#8220;Joseph Fouché&#8221;, de Stefan Zweig (no Brasil, a obra está no catálogo da Editora Record). O escritor austríaco &#8211; que se suicidou em Petrópolis (RJ), em 1942 &#8211; escreveu o livro em 1928. É uma leitura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(texto originalmente publicado em 13 de outubro de 2008, quando este blog ainda era um &#8220;quase-blog&#8221;)</em></p>
<p>Li, com enorme prazer, <strong>&#8220;Joseph Fouché&#8221;, de Stefan Zweig </strong>(no Brasil, a obra está no catálogo da Editora Record).</p>
<p>O escritor austríaco &#8211; que se suicidou em Petrópolis (RJ), em 1942 &#8211; escreveu o livro em 1928.</p>
<p><strong>É uma leitura fácil e saborosa. Zweig traça o perfil desse político francês que teve papel primordial durante a Revolução.</strong></p>
<p>Ao contrário de Danton, Robespierre, Desmoulins e tantos outros líderes revolucionários, <strong>Fouché sobreviveu ao terror e à guilhotina. E sobreviveu porque dominava como ninguém a arte de trair na hora certa, para aderir ao partido vencedor. Era uma trânsfuga, um homem fiel apenas à própria sobrevivência política</strong>. Nada demais, certo?</p>
<p>Lembrei de Fouché ao ver, nos jornais da semana passada, a foto do centenário Oscar Niemeyer oferecendo apoio a Fernando Gabeira no segundo turno da eleição carioca [<em>tratava-se da eleição municipal de 2008</em>].<br />
<strong>No Rio, dificil saber onde está o verdadeiro Fouché!</strong></p>
<p><strong>Ex-esquerdista, hoje atucanado, Gabeira</strong> busca em Niemeyer um verniz comunista para lembrar os velhos tempos.<br />
Um salvo conduto para dizer à esquerda festiva carioca: &#8220;não mudei tanto assim&#8221;.<br />
Será?</p>
<p><strong>Quando voltou do exílio, Gabeira se transformou em defensor de teses libertárias. Vestiu a tanga de crochê, o uniforme de ambientalista e a estrela do PT. Mas, no início do governo Lula, rompeu com os petistas e se bandeou para a oposição. Integrou a banda de música demo-tucana durante as investigações do Mensalão.</strong> Passou meses falando exatamente o que o &#8220;JN&#8221; da Globo queria ouvir.</p>
<p>Agora, Gabeira concorre à Prefeitura pelo PV, com apoio do PSDB e, no segundo turno, também terá a mãozinha amiga de Cesar Maia, do DEM.</p>
<p>Do outro lado, está <strong>Eduardo Paes</strong>. O rapaz &#8211; que nos anos 90 se lançou na politica como <strong>&#8220;prefeitinho da Barra</strong>&#8221; (uma espécie de Administrador Regional) <strong>de César Maia</strong> &#8211; conseguiu virar o candidato da &#8220;esquerda&#8221; neste segundo turno. Ganhou apoio do PT, do PCdoB&#8230; Logo ele, que integrava a mesma banda de música anti-lulista durante o Mensalão. Chegou a chamar o presidente de &#8220;chefe da quadrilha&#8221;. Agora, corre atrás do apoio de Lula. Nada demais, certo?</p>
<p><strong>Stefan Zweig, que tem vários livros brilhantes, ficou famoso nos trópicos quando escreveu &#8220;Brasil &#8211; o país do Futuro&#8221;, em 1941,</strong> logo depois que decidiu viver em Petrópolis.</p>
<p><strong>Que futuro será que ele viu? Um ano após escrever o livro, Zweig tomou uma dose cavalar de veneno e se matou.</strong></p>
<p>Não teve tempo de perceber que o Brasil é também o &#8220;país do Fouchè&#8221;.</p>
<p>Trânsfugas e oportunistas existem em toda a parte: de Moscou a Cingapura. De Paris a Nova York.</p>
<p><strong>Mas Fouché, no Brasil, ficaria tonto com tanta concorrência.</strong></p>
<p><strong>Zweig</strong> mostra como <strong>Fouché</strong>, um ex-seminarista, converteu-se ao jacobinismo e foi dos mais ferozes lideres anti-clericais&#8230; No auge da Revolução, queimou Igrejas e trucidou adversários (especialmente em Lyon). Também votou pela execução do rei Luiz XVI em 1793.</p>
<p>Mas, quando o vento mudou, e a turma de Robespierre perdeu apoio na Convenção, Fouché na última hora ajudou a empurrar a cabeça do &#8220;Incorruptível&#8221; para a guilhotina. Com isso, manteve a própria sobre o pescoço.</p>
<p>Na sequência, aderiu ao Diretório, e ainda ajudou Bonaparte a empunhar o poder. Como prêmio, virou chefe da Policia do cônsul e (depois) Imperador Napoleão. E, pasmen, ganhou título de nobre: o ex-jacobino transformou-se em duque de Otranto.</p>
<p>Mas, como ninguém é de ferro, quando viu que o Imperador estava perdido, Fouché conspirou a favor da volta dos Bourbon. Assim, ganhou um Ministério de Luiz XVIII, no governo da Restauração.</p>
<p>Ou seja: cortou a cabeça de um Bourbon em 1793 (Luiz XVI), e duas décadas depois pôs a própria cabeça a serviço de outro rei da mesma dinastia, Luiz XVIII.</p>
<p>Foi a<strong> última tacada desse gênio do mal</strong>. Sobre ele, Zweig escreveu:<br />
<strong>&#8220;(&#8230;) só quando a vitória está decidida é que Fouché se posiciona. Assim foi na Convenção, no Diretório, no Consulado e no Império. Durante o combate, ele não está com ninguém, no final do combate sempre fica com o vencedor.&#8221;</strong></p>
<p><strong>Zweig</strong> <strong>era um humanista sem partido</strong>, e um dos primeiros intelectuais a pregar a idéia da Europa unificada (isso antes ainda da Primeira Guerra).</p>
<p>Judeu, filho de família rica, teve que fugir de seu país quando Hitler anexou a Áustria ao Reich.<br />
Podia escolher qualquer lugar do mundo pra viver. Escolheu o Brasil.</p>
<p>Se você quiser saber mais sobre Zweig e sua obra, sugiro a biografia escrita por Dominique Bona, disponível no Brasil, também no catálogo da Editora Record.</p>
<p>P.S.<br />
Justiça seja feita: na eleição carioca, só Niemeyer não merece figurar no clube dos Fouché.<br />
Mas, coitado, sem perceber acabou também no meio dessa triste confusão.</p>
]]></content:encoded>
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