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	<title>Escrevinhador &#187; Vasto Mundo</title>
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	<description>Por Rodrigo Vianna</description>
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		<title>Argentina avança: &#8220;os meios foram desmascarados&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 21:21:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista exclusiva]]></category>

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		<description><![CDATA[Governo com apoio popular, oposição desacreditada e meios de comunicação perdendo a influência. São esses elementos que possibilitaram ao governo argentino de Cristina Kirchner avançar em questões espinhosas como democratização dos meios de comunicações e o julgamento de militares envolvidos com a ditadura. A opinião é do senador Daniel Filmus, do Partido Justicialista. Ele falou com exclusividade ao Escrevinhador.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Governo com apoio popular, oposição desacreditada e meios de comunicação perdendo a influência. São esses elementos que possibilitaram ao governo argentino de Cristina Kirchner avançar em questões espinhosas como a democratização dos meios de comunicações e o julgamento de militares envolvidos com a ditadura.</p>
<p>A opinião é do senador Daniel Filmus, do Partido Justicialista, que foi ministro da Educação durante o governo de Néstor Kirchner.<a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/12/filmus.jpg" rel="lightbox[11119]"><img class="alignright size-full wp-image-11120" title="Daniel Filmus (Foto: Flickr do senador)" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/12/filmus.jpg" alt="" width="297" height="329" /></a></p>
<p>Em passagem pelo Brasil para participar do Ciclo de Debates sobre Direitos Humanos, Justiça e Memória, da Flacso, Filmus conversou com o <span style="color: #0000ff;"><strong><em>Escrevinhador</em></strong></span>.</p>
<p>Na entrevista, Filmus comentou as prioridades do novo mandato de Cristina,  falou sobre as alianças na América Latina; e explicou como estão sendo os processos de julgamento de militares e de implantação da “ley de medios”.</p>
<p><strong>Hoje você disse que a pauta dos direitos humanos não havia sido apropriada pelo conjunto da sociedade. Como que essa pauta avançou até chegar à condenação de muitos militares?</strong><br />
Eu acredito que há dois aspectos. Em primeiro lugar, a chama se manteve viva devido ao trabalho das avós, das mães, dos filhos e dos organismos de direitos humanos que tentavam colocar esse tema na agenda. Mas a minha opinião é que era um tema de minoria, não um assunto massivo. Inclusive, quando havia as manifestações – que acontecem todos os anos e marcam o aniversário da ditadura militar – se via que o núcleo era o mesmo e, em geral, de gente madura.</p>
<p>Outro aspecto é que Néstor Kirchner tomou esse tema como um assunto central. Na sua avaliação não se podia reconstruir uma sociedade, que se havia estragado não apenas pela ditadura mas também pelas políticas neoliberais, sem recuperar a memória. E ele avançou na direção de colocar o tema como central, inclusive enfrentando a resistência de muitos setores que, por medo ou cumplicidade, não queriam avançar nesta direção.  Foi ele que realmente pôs o corpo para que este tema estivesse na agenda.</p>
<p>Há alguns dias Cristina Kirchner voltou ao assunto pedindo que se avançasse mais nos julgamentos. Porque como são justiças estaduais não se avança com a mesma rapidez em todos os lugares.</p>
<p><strong>Durante o processo quais foram os principais problemas encontrados?</strong><br />
Depois do julgamento [na década de 80] das juntas, onde se prenderam as cúpulas dos governos militares, houve um retrocesso. Primeiro por duas leis, a lei de obediência devida e a lei de ponto final. A primeira só culpava as cúpulas, porque todos os outros obedeciam a ordens, mesmo que tivessem torturado e matado. A outra lei fixava uma data e o que não se havia julgado até o momento ficaria para trás. Outro retrocesso foi a lei do indulto, que permitiu que alguns que haviam sido condenados fossem perdoados.</p>
<p>Houve um retrocesso por conta dos próprios militares e por cumplicidade de muitos civis, de alguns setores que havia sido cúmplices na época da ditadura. Parecia que estava tudo perdido, que uma pessoa estaria condenada a andar pela rua e encontrar um genocida, um torturador em qualquer lugar.</p>
<p><span id="more-11119"></span></p>
<p>Hoje em dia essa gente está sendo julgada. Não foi fácil porque a Justiça também resistiu a fazê-lo, foi necessário trabalhar muito e temos o orgulho de dizer que isso está sendo feito com as leis que temos, não há leis especiais, não há juízes especiais, a própria Justiça argentina, sem ter ditado nenhuma norma específica, está indo nessa direção.</p>
<p><strong>E sobre a lei de telecomunicações, que parece ser uma briga muito maior, como foi aprová-la e agora implantá-la? </strong><br />
Bom, como você pode imaginar os próprios meios, que são monopólicos na Argentina e monopolizam também a fabricação de papel, se opuseram à lei de telecomunicações. Não foi só o partido oficial, senão muitas outras forças coincidiram que era necessário democratizar, ter pluralidade de vozes e de olhares e que era necessário desmonopolizar.</p>
<p>Outros setores não, alguns que historicamente concordavam que era necessário desmonopolizar preferiram estar do lado dos meios e a oposição foi muito forte. O governo nacional suportou em alguns casos 50 capas de diários seguidas contra ele, vindas dos jornais mais poderosos da Argentina e segue suportando. Mesmo com Cristina Kirchner sendo eleita com 54% dos votos, já no dia seguinte o título era negativo.</p>
<p>Há alguns aspectos da lei de telecomunicações em que se há avançado e outros que ainda falta avançar porque em alguns lugares os juízes acataram recursos apresentados pelos meios. Estamos discutindo na Justiça alguns aspectos, outros não, já avançaram: as universidades podem ter suas rádios e tevê; e a cada município se outorgou uma frequência FM. Estas são as coisas que avançaram e outras ainda estão pendentes porque a Justiça está retendo.</p>
<p><strong>E onde o governo encontrou apoio para avançar nessas mudanças?</strong><br />
A particularidade deste governo é que recorreu fortemente ao apoio popular. Eu te dizia que nas mobilizações de aniversário da ditadura iam umas três mil pessoas, mas na última foram 200 mil pessoas e todos jovens, que não viveram o governo militar. Como aconteceu isso, como foi isso, porque os jovens se incorporaram tem a ver com o fato de que quem lidera não vai atrás do que diz a opinião publica e sim conduz a opinião pública, em certo sentido. Se não como pode diante de um ataque tão forte dos meios de comunicação, conseguir os 54%? Realmente, implica que as pessoas já não acreditam taxativamente no que dizem os meios de comunicação. Os meios têm uma influência muito maior nas grandes cidades. No meu caso, eu fui candidato à prefeitura de Buenos Aires e fiquei em segundo. Não conseguimos ganhar a cidade, onde a presença dos meios é muito maior que em outros locais do país.</p>
<p>Eu me lembro de ter conversado uma vez com Lula e que ele comentou que análises mostravam que uns 87% das notas nos jornais haviam sido contrárias a ele e ele ganhou as eleições. Então, creio que hoje já se produz um efeito inverso, as pessoas desacreditam dos meios. O resultado de tudo isso é que se desnudou a essência, de que não há meios independentes e que eles têm uma posição, que, nesse caso particular, é contra o governo.</p>
<p><strong>E que diferenças há nesse novo governo da Cristina, em relação ao outro? Que mudanças há no cenário político?</strong><br />
O primeiro governo Kirchner ganhou com os 22% dos votos [no primeiro turno, em 2003] e Cristina Kirchner teve na primeira eleição 45% e agora 54%. Então, uma coisa que muda é que cresce o apoio e, por outro lado, há o descrédito da oposição. A segunda força teve 40 pontos a menos. Assim que há uma incapacidade da oposição em apresentar uma alternativa. E também muda que os meios estão desmascarados em sua verdadeira natureza, que não são independentes e tem uma posição de defesa das grandes corporações.</p>
<p>Há pouco eu fiz um artigo que dizia que no dia seguinte das eleições, em que Cristina teve os 54%, os meios seguiram com a mesma estratégia e a oposição teve a mesma estratégia: de não ver nada positivo no governo, não destacar nada e dizer que estava tudo mal. E as corporações tiveram a mesma estratégia, com uma corrida cambial para que o governo desvalorize e com isso que se deteriore o consumo popular.</p>
<p>Cristina outro dia falou de algo que chamamos de “sintonia fina”. Nós assumimos o governo em 2003 com 25% de desocupados e com duas de cada três crianças pobres. Já em 2007, se teve que fazer outra coisa, Néstor falava de sair do inferno, já tínhamos saído do inferno. A Argentina vinha crescendo, mas havia que consolidar o crescimento e avançar em leis que democratizassem a sociedade, como a lei de telecomunicações e a lei de casamento igualitário e também as políticas de dotação [orçamentária] universal por filho, na qual cada criança tem uma renda garantida, trabalhe ou não o chefe de família; de nacionalização dos fundos de aposentadoria e de grandes empresas como água, energia e as Aerolíneas Argentinas, que haviam sido privatizadas. É uma segunda geração de medidas de transformação e mudança, que tem a ver com igualdade e com a ampliação de direitos.</p>
<p>Agora, quando se fala em sintonia fina, não é o crescimento em geral, há que se estudar a questão de competitividade e produtividade área por área para ver qual setor necessita de atenção. Isto não se alcança somente com a acumulação de reservas, quando assumimos havia 12 bilhões de dólares e hoje temos 45 bilhões, mas reestruturamos e pagamos a dívida externa. Tínhamos uma dívida externa de um PIB e meio e agora é de 37% do PIB argentino.</p>
<p>A decisão de em que área atrair investimentos exige decisões sobre o uso de recursos. Como propôs a presidenta sobre toda a luz e gás, que estavam subsidiados para todos e por igual, agora vamos focar nos que menos têm. Vamos tomar medidas mais drásticas em torno de gerar igualdade e focalizar naqueles setores que ficaram mais atrasados. Isto gera inclusive uma discussão com certos setores dos trabalhadores que tiraram vantagens durante esse processo por estarem em segmentos muito mais modernos da economia.</p>
<p>O governo propõe a chamada sintonia fina que é, por exemplo, ampliamos muito da matrícula escolar mas não melhoramos tanto a qualidade do ensino; ampliamos muito a cobertura sanitária mas não melhoramos muito a qualidade do atendimento. Então, a esta altura faltam coisas muito mais finas.</p>
<p><strong>Qual a importância das relações com o restante da América Latina para Argentina e com o Brasil?</strong><br />
Essa é uma das grandes mudanças que aconteceram a partir de 2003. São coisas que já se falavam na época da recuperação da democracia, estou falando de 1983. Começou com o Mercosul. Nós percorremos todo esse processo e o aprofundamos com outros governos que pensamos ser parecidos e que avançam na mesma direção.</p>
<p>Argentina fixou como uma prioridade o mercado interno, que é o nosso fator dinâmico, com 80% da produção voltada para o mercado interno. Outra prioridade é a integração latino-americana. E a partir daí nossa identidade com o mundo, nossa identidade é latino-americana. O papel que tiveram Lula e Kirchner quando decidiram não entrar na ALCA no encontro de Mar del Plata quando veio Bush em nosso país é o de propor uma prioridade distinta, que está posta na Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e na Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, que se reuniu há algumas semanas, na Venezuela.</p>
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		<title>&#8220;Será que os palestinos não têm direito à paz?&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 20:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Debate]]></category>

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		<description><![CDATA[O questionamento vem de Abla Sa’adat, que veio ao Brasil participar da Semana do Povo Palestino. Abla estava acompanhada de outras lideranças: Leila Khaled, Jamal Juma e Mahmoud Zwahre. Além de exporem a situação a qual estão submetidos, os palestinos vieram pedir apoio internacional à sua luta.  
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>A singela pergunta choca. O questionamento vem de Abla Sa’adat, coordenadora da Campanha Pela Libertação dos Presos Políticos palestinos. Abla Sa&#8217;adat veio ao Brasil participar da Semana do Povo Palestino, promovida pelo Instituto da Cultura Árabe. Em debate realizado no dia 29, Abla estava acompanhada de outras lideranças: Leila Khaled, Jamal Juma e Mahmoud Zwahre. Além de exporem a situação a qual estão submetidos, os palestinos vieram pedir apoio internacional à sua luta.</p>
<p>Abla Sa’adat focou na situação de ativistas palestinos que foram detidos por Israel. De acordo com a Addameer, entidade de apoio aos prisioneiros, existem quase cinco mil presos políticos. Entre eles, está o marido de Abla, Ahmad Sa’adat, que é secretário geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina.</p>
<p>Ainda de acordo com a Addameer, quase 300 palestinos são “presos administrativos”, ou seja, sem acusação formal. “O serviço de inteligência apresenta informações que são secretas e isso basta para a prisão. Nem o preso nem o advogado de defesa podem ter acesso à acusação”, explica Abla.  Entre os presos, há cerca de 20 parlamentares do Conselho Legislativo Palestino &#8212; quase todos sem acusação formal &#8212; detidos após serem eleitos.</p>
<p>A prisão seria o destino certo de Leila Khaled, caso retornasse à Palestina. Em 48, sua família deixou sua cidade natal, Haifa, quando o Estado de Israel foi criado. Em 70, a ativista ganhou projeção ao participar do sequestro de um avião israelense com o intuito de libertar presos palestinos. Leila foi detida na Inglaterra, mas acabou solta, apesar dos pedidos de extradição de Israel.</p>
<p>Atualmente, Leila participa da União Nacional de Mulheres Palestinas e do Conselho Nacional Palestino, e defende o direito de resistência: “temos direito de lutar com todos os meios contra a ocupação”.  De acordo a ativista, as principais reivindicações dos palestinos se resumem na consolidação de três direitos: o de retorno dos exilados, o de autodeterminação e o de criação de um Estado.</p>
<p>A cobrança de ação da comunidade internacional foi central na fala de Jamal Juma, coordenador da campanha de boicote comercial à Israel: “hoje em dia não há solidariedade com o povo palestino sem discutir o boicote”. A frase trazia uma mensagem ao Brasil. Jamal explica que, prevendo um possível isolamento, nos últimos anos, Israel expandiu suas relações com outros países. Entre eles, o Brasil, que se tornou um dos maiores compradores de armas israelenses. Neste ponto Jamal destaca uma das cláusulas do contrato: que não houvesse revenda para a Bolívia e a Venezuela. Ele mostra ainda a importância de Israel em alguns setores da economia brasileira: cerca de um terço do mercado de café brasileiro é dominado por uma empresa israelense, a Strauss-Elite; e 25% de insumos utilizados pelo agronegócio, como cloreto de potássio e fosfato, vêm de Israel.</p>
<p>Jamal participa também da “Stop the Wall”, campanha contra a construção do muro que pretende isolar territórios palestinos e israelenses. Ele destaca que o muro separa crianças de suas escolas e trabalhadores de suas terras: “estão construindo um sistema de controle total sobre os palestinos” e isso destrói “qualquer possibilidade de criar um Estado palestino viável”. Jamal compara Israel ao regime de apartheid da África do Sul por considerar racista e segregacionista o projeto de construção do muro. Ele denuncia ainda a construção de estradas, pontes e túneis que somente israelenses poderão utilizar: “nem na África do Sul houve isso”.</p>
<p>A África do Sul foi relembrada também por Leila Khaled para instigar a ação internacional: “o mundo isolou o regime de apartheid na África do Sul. Porque o mundo não tenta novamente essa experiência com Israel?”.<br />
<span id="more-10794"></span><br />
Já Mahmoud Zwahre, que participa do comitê em sua cidade contra a construção do muro israelense, lembrou que em novembro de 1989 o mundo comemorava a queda do muro de Berlim e ainda assim, 23 anos depois, um novo muro é erguido. Para ele, o governo israelense não acredita no entendimento entre os povos, mas ressalta que “o comportamento de Israel não é fruto da grande religião que é o judaísmo e sim do sionismo.”.</p>
<p>Esta linha de pensamento foi criticada também por Leila Khaled: “o sionismo criou a grande mentira de que a Palestina era a terra prometida os judeus. O mundo infelizmente acreditou nessa mentira”.</p>
<p>Apesar do panorama apresentando, os palestinos traziam esperança em suas falas. Abla Sa’adat disse acreditar que “o povo brasileiro e da América Latina é aliado nessa luta” e resumiu o sentimento palestino: “simplesmente somos um povo como qualquer outro, nos recusamos a viver humilhados e queremos desfrutar da vida”.</p>
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		<title>Ataque ao Irã: Netanyahu, o irracional</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Nov 2011 14:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras Palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Blefe?]]></category>

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		<description><![CDATA[Da CartaCapital: O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se revela um péssimo estrategista ao ameaçar um ataque contra o Irã. A intimidação, por conta do desenvolvimento de armas atômicas naquele país, também demonstra o elevado grau de irracionalidade do premier. Isso porque a ameaça é, na verdade, um blefe bastante arriscado – e com consequências catastróficas para o mundo, e não somente para Israel.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Gianni Carta</span>, na <a href="http://www.cartacapital.com.br">CartaCapital</a></em><a href="http://www.cartacapital.com.br"><br />
</a><br />
<img class="alignleft" title="Benjamin Netanyahu (Foto: Jack Guez/AFP)" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/11/netanyahu-300x211.jpg" alt="" width="300" height="211" />O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se revela um péssimo estrategista ao ameaçar um ataque contra o Irã. A intimidação, por conta do desenvolvimento de armas atômicas naquele país, também demonstra o elevado grau de irracionalidade do premier. Isso porque a ameaça é, na verdade, um blefe bastante arriscado – e com consequências catastróficas para o mundo, e não somente para Israel.</p>
<p>O que Netanyahu almeja é angariar o apoio da comunidade internacional. De fato, após a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) ter publicado um relatório no qual diz ter “sérias preocupações com as possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irã”, Netanyahu e outras autoridades israelenses arrefeceram a retórica bélica.</p>
<p>E assim confirmaram que a ameaça não passa de um perigoso blefe.</p>
<p>Outros irracionais como o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, ao lado do qual o falcão Netanyahu vira uma pequena pomba, estressou a necessidade de novas “sanções paralisantes contra o Irã”. Em miúdos, Lieberman e Netanyahu, entre outros, buscam o apoio do Conselho de Segurança da Onu e da chamada comunidade internacional. No entanto, Lieberman emendou: “A opção militar é a última possível e a pior, mas ela tem de continuar sobre a mesa e pronta para ser colocada em prática”.</p>
<p>Aí mora o problema.</p>
<p>E se a China e a Rússia, como é esperado desses dois membros permanentes do Conselho de Segurança, vetassem novas sanções contra Teerã? Israel teria então de atacar o Irã. Caso contrário perderia sua credibilidade no Oriente Médio e mundo afora.</p>
<p>Um ataque contra o Irã seria, não resta a menor sombra de dúvida, uma missão suicida. Na quarta-feira 9, o general Massud Jazyeri, chefe do estado maior das forças iranianas contra-atacou: o Irã, em caso de ataque às suas instalações militares, “destruirá” Israel.</p>
<p>Pior: a resposta iraniana “não se limitará ao Oriente Médio”. O motivo? Simples: as autoridades consideram que Israel está agindo em sintonia com os Estados Unidos. E, claro, não é preciso ser especialista em Oriente Médio para deduzir que Barack Obama, como todos presidentes norte-americanos desde a criação em 1948 de Israel, agem em uníssono com o estado israelense.</p>
<p>Obama, impotente no seu país e globo afora, está tão desnorteado quanto Netanyahu cercado por revoltas nos países vizinhos. Por isso, vale especular, ele é conivente com a falta de lógica, ou de irracionalidade, por parte do governo israelense. Novos assentamentos israelenses continuam a pipocar em terras palestinas; Israel se engajou em uma nova queda-de-braço com a Autoridade Palestina. Onde está a lógica de comprar briga com a Turquia? E por ai vai.</p>
<p>Nesse quadro negro, Netanyahu não é o único a padecer de falta de racionalidade. A nova onda começou com o presidente Shimon Peres, outrora um político aparentemente capaz. No domingo 6, Peres declarou: “A possibilidade de um ataque militar contra o Irã está mais próxima do que uma opção diplomática”.</p>
<p>Esse cenário de irracionalismo se estende ao povo. Numerosos israelenses sabem que um ataque contra Israel será o início de um conflito global.</p>
<p>E, no entanto, a maioria dos israelenses daria sinal verde a um ataque contra o Irã.</p>
<p>Segundo o cientista político iraniano Hesam Houryaband, “o discurso de Ahmadinejad de destruir Israel não reflete a política exterior do país”. O Irã, me disse Houryaband, ‘’quer armas nucleares para proteger seu regime”. A razão? Teerã viu a invasão do Iraque, da Líbia. “Qual será o próximo da lista?” Ninguém atacará a Coréia do Norte e o Paquistão, ambos com programas nucleares avançados. E Israel, vale estressar, também é uma potencia atômica, embora jamais tenha confirmado ou desmentido dispor de um arsenal nuclear.</p>
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		<title>Filme mostra palestinos e israelenses lutando juntos (e vencendo)</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/vasto-mundo/documentario-mostra-palestinos-e-israelenses-lutando-juntos-e-vencendo.html</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 14:38:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Budrus]]></category>
		<category><![CDATA[Contra o muro da segregação]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Cisjordânia está o pequeno povoado palestino de Budrus. Com apenas 1.400 habitantes, que têm na terra e nas oliveiras a sua sobrevivência, a vila ganhou destaque em 2003 e virou exemplo de resistência e solidariedade. Budrus estava na rota do muro que o governo israelense constrói para separar Israel da Palestina, a  obra invadiria território palestino e os habitantes de Budrus perderiam cerca de seis acres (em torno de 24 m²) e três mil oliveiras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Na Cisjordânia está o pequeno povoado palestino de Budrus. Com apenas 1.400 habitantes, que têm na terra e nas oliveiras a sua sobrevivência, a vila ganhou destaque em 2003 e virou exemplo de resistência e solidariedade.</p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/10/brudus.jpg" rel="lightbox[10314]"><img class="size-medium wp-image-10322 alignleft" title="Palestino observa ação de soldados israelenses (Foto: Aisha Mershani)" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/10/brudus-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Budrus estava na rota do muro que o governo israelense constrói para separar Israel da Palestina, a  obra invadiria território palestino e os habitantes de Budrus perderiam cerca de seis acres (em torno de 24 m²) e três mil oliveiras.</p>
<p>A população do vilarejo se organizou e resistiu. Foram dez meses e 55 manifestações pacíficas até o governo israelense recuar e mudar o trajeto do muro. Mas o mobilização não foi simples. A população teve que trabalhar em conjunto superando divisões e preconceitos. Membros de grupos rivais se uniram. Mulheres participaram das manifestações e foram fundamentais na mobilização, muitas vezes tomando a frente do conflito. Além disso, esses protestos foram pioneiros em unir palestinos e israelenses em manifestações conjuntas.</p>
<p>Essa é a história retratada pelo documentário <em>Budrus</em>, dirigido por Julia Bacha, que é lançado este mês no Brasil, em parceria com o <a href="http://www.icarabe.org/">Instituto da Cultura Árabe</a>. No entanto, não é só isso. <em>Budrus</em> conta a história do líder local que organizou a resistência dos aldeões e se esforçou para unir membros do Fatah e Hamas nos protestos. Mostra um pouco da vida da jovem que sonha em estudar medicina enquanto lida com seus medos e luta pelo povoado, e se orgulha de ter protegido as oliveiras da escavadeira. Conta como se sente uma jovem militar israelense ao se ver na situação de confronto e, de alguma maneira, se identificar com as palestinas. E expõe como ativistas israelenses de esquerda decidiram lutar ombro a ombro junto com palestinos, no que chamam de “corresistência”.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ff7rScVrbos" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/ff7rScVrbos"></embed></object><br />
O documentário consegue mostrar a beleza e leveza que se manifestam mesmo em situações de conflito como essa. Apesar do pano de fundo, são histórias com as quais é possível se identificar e, por isso, se envolver e se emocionar. Julia Bacha conta que é este o objetivo do documentário: sensibilizar através de uma narrativa, fazendo com</p>
<div id="attachment_10315" class="wp-caption alignright" style="width: 208px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/10/IMG_2513.jpg" rel="lightbox[10314]"><img class="size-medium wp-image-10315 " title="Julia Bacha" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/10/IMG_2513-192x300.jpg" alt="" width="198" height="308" /></a><p class="wp-caption-text">A diretora Julia Bacha: &quot;buscamos criar visibilidade para as ações pacíficas que ocorrem&quot; (Foto: Rodrigo Valente)</p></div>
<p>que se absorva novas informações, mesmo que contraditórias à uma visão já sedimentada. A diretora ressalta a importância de divulgar as ações não violentas, apresentando uma versão distinta da predominante na mídia. É para “cobrir esta lacuna” dos meios de comunicação que trabalha a organização <a href="http://www.justvision.org">Just Vision</a>, que é a realizadora do documentário e da</p>
<p>qual faz parte Julia.</p>
<p>A primeira exibição de <em>Budrus</em> foi na própria vila e contou com a presença de metade da população. Julia conta que houve muito festejo e que foi a sessão que teve maior dificuldade em conversar com o público, por estar emocionada. Desde então, o documentário passou por diversos festivais de cinema e canais de televisão. Neste mês é lançado no Brasil pela Copacabana Filmes e tem sua última sessão hoje (28) em São Paulo às 18h, na Casa Jaya (Rua Capote Valente, 305, Pinheiros).</p>
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		<title>Moore em Wall Street: &#8220;viciados em ganância&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 17:35:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[EUA em movimento]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Os homens nos altos andares desses prédios são responsáveis por arruinar as vidas de milhões de pessoas – centenas de milhões de pessoas – nesse planeta. Eles nunca têm o suficiente.  Eles não estavam satisfeitos sendo podres de rico. Eles queriam ser algo maior do que podres de ricos e é isso que eles conseguiram.  Eles podem ter roubado trilhões de dólares, mas nós estamos aqui para dizer que nós queremos esse dinheiro de volta. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cineasta e ativista Michael Moore discursa na ocupação realizada em Wall Street. O vídeo está em inglês e a tradução do discurso está logo abaixo.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/MtYnoOpLYAE&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/MtYnoOpLYAE&amp;feature"></embed></object></p>
<p>&#8220;Este é um dia histórico. Este movimento se reuniu porque as pessoas queriam que acontecesse. Não por causa de um líder. Não por causa de uma organização pagando suas mensalidades, mas porque o povo queria. Eu amo o jogral e vou dizer porquê. Porque esta não é apenas a minha voz ou a voz dele ou a voz dela. São todas as nossas vozes. Vamos manter o movimento assim. Não deixem que os políticos cooptem este movimento. Cada um de vocês aqui representa 100 mil americanos que não puderam estar aqui hoje, mas estão felizes que vocês estejam aqui. E eles vão estar lá em suas cidades. O movimento de ocupação está em toda a parte. Ocupar! Em toda parte!</p>
<p>&#8220;Os homens nos altos andares desses prédios – especialmente você, Goldman Sachs – são responsáveis por arruinar as vidas de milhões de pessoas – centenas de milhões de pessoas – nesse planeta. Alguém da imprensa acabou de me perguntar: “quem organizou isso?”, eu disse, apontando para o alto dos prédios: “eles organizaram isso!”.</p>
<p>&#8220;Eles pegaram suas botas e colocaram no pescoço dos americanos e agora os americanos querem que a bota seja retirada. Agora. Não no próximo ano. Agora! Nós já suportamos o bastante. Já chega! A palavra mais suja na América corporativa é “suficiente”. Eles nunca têm o suficiente.  Eles não estavam satisfeitos sendo podres de rico. Eles queriam ser algo maior do que podres de ricos e é isso que eles conseguiram.  Eles podem ter roubado trilhões de dólares, mas nós estamos aqui para dizer que nós queremos esse dinheiro de volta. Quando nós queremos o dinheiro de volta? Quando nós queremos o dinheiro?</p>
<p>&#8220;Eles extrapolaram. É muito ruim que eles não tenham ficado satisfeitos com todos os bilhões que acumularam. Mas, como viciados, eles tinham que ter mais. Eles estão foram de controle. Eles um problema de dependência à ganância e nós estamos aqui para fazer uma intervenção.&#8221;</p>
<p><em>*Tradução por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
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		<title>Dilma na ONU: sem complexo de vira-lata</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 20:21:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil não fala fino em NY]]></category>

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		<description><![CDATA[Na abertura da Assembléia Geral da ONU, ao falar para o mundo, Dilma destacou a condição feminina e a especificidade do Brasil no mundo. Emocionou-me a menção que a presidenta fez à lingua portuguesa. Lembrei-me de certo presidente (brasileiro, até prova em contrário) que foi à França e preferiu falar em Francês (!) na Assembléia Nacional daquele país. Era o presidente que certa elite brasileira considerava "cosmopolita".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p><em><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/09/dilma_onu_2_a6m3qlscu94ows4kgs0404kko_cw1uletj81cs0w8ogs8k0o4kg_th.jpg" rel="lightbox[9741]"><img class="alignleft size-medium wp-image-9742" title="dilma_onu_2_a6m3qlscu94ows4kgs0404kko_cw1uletj81cs0w8ogs8k0o4kg_th" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/09/dilma_onu_2_a6m3qlscu94ows4kgs0404kko_cw1uletj81cs0w8ogs8k0o4kg_th-218x300.jpg" alt="" width="218" height="300" /></a></em>Na abertura da Assembléia Geral da ONU, ao falar para o mundo, Dilma destacou a condição feminina e a especificidade do Brasil no mundo. Emocionou-me a menção que a presidenta fez à lingua portuguesa. Lembrei-me de certo presidente (brasileiro, até prova em contrário) que foi à França e preferiu falar em Francês (!) na Assembléia Nacional daquele país. Era o presidente que certa elite brasileira considerava &#8221;cosmopolita&#8221;. <a href="http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/16522_VIVE+LA+FRANCE">Um cosmopolita que preferia falar em francês.</a> Terminou o discurso dizendo &#8220;Vive la France!!&#8221;. Patético.</p>
<p>Dilma não só falou em Português, como falou sobre as especificidades do mundo que fala Português. Usou o idioma como gancho para lembrar de palavras que são &#8220;femininas&#8221; na Língua Portuguesa: alma, esperança, vida.</p>
<p>Mas o discurso na Assembléia Geral da ONU não foi importante (só) por isso. Foi importante porque Dilma se diferenciou da baboseira (neo) liberal que ainda sobrevive no chamado mundo desenvolvido (e sobrevive também entre &#8220;colunistas&#8221; e &#8220;analistas&#8221; que pensam o Brasil feito girafas: têm os pés na América do Sul e a cabeça em Londres ou Washington). Dilma falou na necessida de controlar capitais. Os colunistas de economia brazucas devem ter sofrido uma síncope nervosa. Controle? Capitais devem ser livres. Controle, só para as pessoas.</p>
<p>Dilma foi corajosa ao falar da crise econômica, ponderada ao defender o Estado Palestino e firme ao reafirmar a necessidade de reformar a ONU e as instâncias decisórias mundiais.</p>
<p>Dilma foi a primeira mulher a abrir a Assembléia Geral da ONU. Mas o discurso dela foi histórico por muitos outros motivos. Lembrou-me a frase lapidar de Chico Buarque, ao dizer, na reta final da eleição de 2010, porque apoiaria Dilma: &#8220;é um governo que fala de igual para igual, não fala fino com Washington e não fala grosso com a Bolívia e o Paraguai&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.viomundo.com.br/politica/discurso-da-presidenta-dilma-na-abertura-assembleia-geral-da-onu.html">Aqui, no VioMundo, o discurso na íntegra. </a></p>
<p>E, abaixo, uma pequena seleção dos trechos que considero mais relevantes.</p>
<p><strong>CONDIÇÃO FEMININA &#8211; IGUALDADE E ORGULHO </strong></p>
<p><em>&#8220;Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo. </em><em>É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.&#8221;</em></p>
<p><strong>LÍNGUA PORTUGUESA &#8211; ESPERANÇA E CORAGEM</strong></p>
<p><em>&#8220;Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.&#8221;</em></p>
<p><strong>FALANDO GROSSO &#8211; PUXÃO DE ORELHA NOS &#8220;DESENVOLVIDOS&#8221; </strong></p>
<p><em>&#8220;Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras. Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções. Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.&#8221;</em></p>
<p><strong><span id="more-9741"></span>RECADO AOS NEOLIBERAIS &#8211; CONTROLAR  OS MERCADOS</strong></p>
<p><em>&#8220;Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo. &#8221;</em></p>
<p><strong>A CONDIÇÃO BRASILEIRA &#8211; OTIMISMO MODERADO </strong></p>
<p><em>&#8220;É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos. </em><em>Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos – e podemos – ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda</em>.&#8221;</p>
<p><strong>ENFRENTAR A RECESSÃO &#8211; AJUDA VEM DOS EMERGENTES</strong></p>
<p><em>&#8220;Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais. Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.&#8221;</em></p>
<p><strong>RECADO AOS EUA E OTAN - CONTRA INTERVENÇÕES MILITARES </strong></p>
<p><em>&#8220;É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo. Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas (&#8230;)</em> <em> O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.&#8221;</em></p>
<p><strong>REFORMA DA ONU &#8211; BRASILNO CONSELHO DE SEGURANÇA</strong></p>
<p>&#8220;O debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais. O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento. O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho.&#8221;</p>
<p><strong>DIREITOS HUMANOS , SIM &#8211; PARA TODOS </strong></p>
<p><em>&#8220;Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos. O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.&#8221;</em></p>
<p><strong>ESTADO PALESTINO &#8211; DEFESA FIRME, SEM MEIAS PALAVRAS</strong></p>
<p><em>&#8220;Lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título. O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.&#8221;</em></p>
<p><strong>COMBATE À POBREZA &#8211; RECEITA BRASILEIRA</strong></p>
<p><em>&#8220;O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros. O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.&#8221;</em></p>
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		<title>Trevas nos EUA: Perry e suas orações vêm aí!</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 15:19:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Saudades de Bush?]]></category>

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		<description><![CDATA[A eleição de Obama - como todos sabem - foi uma reação aos terríveis anos Bush. Reação tênue. Entretanto, com a economia patinando, Obama corre riscos de perder a reeleição para um republicano. Que tipo de republicano? O provavel oponente é Rick Perry, governador do Texas. Ele é visceralmente contra o aborto, contra a união gay. E acha que a economia pode reagir na base da fé. Pra completar, num debate pela TV essa semana, disse que aquecimento global é "bobagem". ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/09/r-RICK-PERRY-large570.jpg" rel="lightbox[9587]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-9588" title="r-RICK-PERRY-large570" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/09/r-RICK-PERRY-large570-300x125.jpg" alt="" width="300" height="125" /></a>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p><span style="color: #000000;">A eleição de Obama &#8211; como todos sabem &#8211; foi uma reação aos terríveis anos Bush. Reação tênue. No dia mesmo que ele foi eleito, escrevi <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/vitoria-de-obama-nao-muda-o-mundo.html">aqui</a> que a direita nos Estados Unidos tinha sofrido uma derrota política, mas que numericamente seguia fortíssima. Depois da catástrofe dos anos Bush, os republicanos conseguiram mais de 45% dos votos totais em 2008: <em><strong>&#8220;o conservadorismo republicano está mais vivo que nunca. Vai se reagrupar. A direita religiosa, os intervencionistas, os imperialistas, os racistas, a horda de bárbaros que levou Bush ao poder segue firme. Despreza o que o mundo possa pensar, desconfia dos negros, dos latinos, e vai partir pra cima de Obama assim que se passarem os cem dias tradicionais de trégua no início de governo.&#8221;</strong></em> (foi o que escrevi em 2008).</span></p>
<p>Passada a eleição, Obama consumiu capital político para aprovar a reforma de Saúde, e nas outras áreas avançou muito pouco. Na verdade, o aparelho de Estado nos EUA parece dominado por uma sinistra aliança de interesses militares/financeiros/petroleiros (aqui no Brasil, acontece algo parecido &#8211; tal o consenso financista que domina o país; só agora, Dilma parece chacoalhar esse consenso, com a estratégia para baixar juros e reduzir o poderio dos rentistas que vivem dos títulos públicos).</p>
<p><span style="color: #000000;">No poder, Obama foi acuado pela direita, que cresce sob patrocínio do Tea Party &#8211; movimento que no Brasil Serra tentou mimetizar na eleição do ano passado, com o debate sinistro e falso (até porque - sejamos honestos &#8211; Serra não é de extrema direita, e  nem é um homem religioso) que envolveu aborto e Igrejas de todos os tipos.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">No debate da economia, Obama também capitulou: para evitar a moratória e conseguir no Congresso novo teto para a dívida pública, cedeu aos conservadores e evitou aumentar impostos dos mais ricos. A ideologia anti-impostos é dominante no país do Tea Party. <strong>Obama &#8211; que já foi acusado de &#8220;socialista&#8221;  por aprovar um sistema público de saúde &#8211; corria o risco de ser comparado a Lênin ou Trotsky se subisse imposto, ou se aumentasse os gastos do Estado (como fez Lula diante da crise).</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Parece piada.  Mas a situação é dramática. </span><span style="color: #000000;">Com a economia patinando, Obama corre riscos de perder a reeleição para um republicano. Que tipo de republicano? Vejam bem a situação: <strong>o homem que hoje lidera a corrida no partido adversário de Obama é um tal de Rick Perry</strong>. Ele é governador do Texas &#8211; Estado que legou ao mundo o inefável Bush Jr.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Perry aos poucos vai desbancando o até agora favorito Mitt Romney &#8211; considerado muito &#8220;moderado&#8221;. Romney é mórmon, religioso, mas não é suficientemente direitista para o gosto atual dos republicanos. E sabem por que? Porque aprovou, quando foi governador de Massachusetts, uma reforma no sistema de saúde semelhante à reforma de Obama. Ou seja: Romney é suspeito de &#8220;socialismo&#8221;.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Por isso, cresce o favoritismo de Perry. O governador do Texas é adepto de teses estranhas&#8230; No começo do ano, pediu &#8220;vigília religiosa&#8221; para que voltasse a chover no Estado. Poderia ter contratado o Cacique Cobra Coral aqui no Brasil! Depois, reuniu 30 mil pessoas para uma corrente de orações: </span>&#8220;Orem por nossa economia! Orem por nossa economia, nossos negócios, nossos empregos!&#8221;</p>
<p><span style="color: #000000;">Esse é o homem que pode comandar a maior potência militar do planeta. Ele é visceralmente contra o aborto, contra a união gay. E acha que a economia pode reagir na base da fé. Pra completar, num debate pela TV essa semana, disse que aquecimento global é &#8220;bobagem&#8221;. </span></p>
<p><span style="color: #000000;">O resultado de tudo isso, eu comentava há pouco com um amigo blogueiro que viveu nos EUA: <strong>o mundo ainda terá saudade da época em que a direita norte- americana era comandada por Bush Jr. Ele era cínico, obtuso, parceiro das petroleiras, implantou a doutrina do &#8220;ataque preventivo&#8221; e ajudou a quebrar o país. Mas, ao que se saiba, nunca disse que era preciso rezar para combater seca e recessão. </strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span id="more-9587"></span>Os tempos, ao que parece, não são mais de &#8221;conservadores ilustrados&#8221; &#8211; como Churchill, De Gaulle&#8230; Mas de conservadores fundamentalistas,  histriônicos, abobalhados.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Obama é o mal menor a essa altura. Mas a turma que ajudou a elegê-lo está insatisfeita com as hesitações do presidente. Obama não terá o povo na rua para a reeleição. A esperança dos democratas é que o perfil extremado dos republicanos espante o eleitor centrista, que não quer o país entregue nas mãos de loucos religiosos.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Mas isso tudo é teoria. Porque no meio do caminho há a pior crise econômica desde o crash de 29. O mundo sabe o que pode resultar dessa mistura de crise econômica, desemprego e orgulho nacional ferido. Esse coquetel, na Alemanha dos anos 30, deu no que sabemos.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Tempos de trevas estão a caminho. Pior: trevas num país que tem força militar para fazer muito estrago pelo mundo. Em nome da fé e da &#8220;civilização cristã&#8221;. </span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Líbia pós-Gaddafi: “colônia disfarçada”</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 22:10:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Um novo Iraque?]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o fim do regime de Gaddafi e às vésperas de uma reunião de líderes mundiais para debater a reconstrução da Líbia, o futuro do país começa a se desenhar. Apesar das incertezas sobre o que virá, o cientista político e diretor de Instituto de Cultura Árabe José Farhat aponta que algumas certezas: “a tal 'democracia' e o 'futuro' estão sendo desenhados lá fora e impostos ao povo líbio”. Para Farhat, ação da OTAN na Líbia é um recado aos povos árabes: “quem não ler pela cartilha terá as forças da OTAN contra ele”. Sobre o interesse das potências no petróleo líbio, Farhat afirma que “a rapina do século está em curso”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Com o fim do regime de Gaddafi e às vésperas de uma reunião de líderes mundiais para debater a reconstrução da Líbia, o futuro do país começa a se desenhar. Apesar das dificuldades em desenhar o que virá, o cientista político e diretor do Instituto de Cultura Árabe, José Farhat, aponta algumas certezas: “a tal &#8216;democracia&#8217; e o &#8216;futuro&#8217; estão sendo desenhados lá fora e impostos ao povo líbio”.</p>
<p>Para Farhat, ação da OTAN na Líbia é um recado aos povos árabes: “quem não ler pela cartilha terá as forças da OTAN contra ele”. Sobre o interesse das potências no petróleo líbio, Farhat afirma que “a rapina do século está em curso”.</p>
<p>Confira a seguir, a íntegra da entrevista ao <span style="color: #0000ff;"><em><strong>Escrevinhador</strong></em></span>.</p>
<p><strong>O próximo governo líbio está em vias de formação, quem deve assumir o poder?</strong><br />
Bem que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) gostaria de assumir diretamente o poder e dirigir sem interferências e intermediações o controle completo do abundante petróleo líbio e dos investimentos bilionários líbios nos quatro cantos do mundo, quase todos já congelados; mas seria vergonhoso demais, até mesmo para esta organização.</p>
<p>Então, a saída seria arranjar uma figura igual ao Hâmid Karzai do Afeganistão para não mandar além da porta de seu palácio, mas também é difícil por falta de uma figura líbia idêntica ao persa e pachto que se fantasia de afegão.</p>
<p>Daí só resta uma junta que a OTAN mal consegue manter unida que é o Conselho Nacional de Transição (CNT). Com o CNT sob mando das Nações Unidas (ONU), inspiração dos Estados Unidos e membros principais da OTAN, a Líbia volta a ser uma colônia disfarçada.<br />
<strong><br />
Há na Líbia grupos organizados politicamente? Grupos que sejam capazes de formar partidos e disputar o governo?</strong><br />
Tempos atrás fui perguntado para onde iria a Primavera Árabe depois de Tunísia e Egito. Respondi, percorrendo um longo caminho através dos restantes vinte países árabes,  e ao me deparar com Líbia e Arábia Saudita afirmei que nestes dois países seria muito difícil haver um levante popular porque tinham características comuns consubstanciadas por: grande riqueza, população reduzida e enorme capacidade governamental de corromper os mais velhos, seguidos pelos mais jovens. Havia um dado não levado em consideração: a ganância otaniana pelo petróleo e pelos investimentos líbios.</p>
<p>No entanto, Muammar Kaddafi nem querer justificou a minha tese, pois não há na Líbia qualquer organização partidária ou religiosa ou de qualquer outra natureza que ele não tenha eliminado e cortado pela raiz em seus quarenta e poucos anos de domínio abusivo. Até mesmo o regime tribal que domina a sociedade líbia foi isolado e neste caso ele teve como mestre Saddam Hussein no Iraque; o que não aconteceu no Afeganistão, dada a ausência de um mínimo de influência real de Karzai.</p>
<p>Por tudo isso, não há no curto prazo a possibilidade de formação de agremiações capazes de disputar o governo. Só há uma certeza, a ONU está traçando o futuro da Líbia, inclusive a respeito de formação de partidos.</p>
<p><span id="more-9467"></span>Nem a ONU ou a OTAN estarão preocupadas em perguntar ao povo líbio o que quer, enquanto avançam com o seu projeto de democracia semelhante àquele que George W. Bush desenhou para o Iraque e está dando no que tem dado.</p>
<p><strong>Muitos analistas afirmam que a participação popular nas lutas contra Gaddafi é pequeníssima. Quem são os “rebeldes” que lutam contra Gaddafi? Há algum traço em comum entre os diferentes grupos? Por que lutam contra Gaddafi?</strong><br />
A participação popular nas lutas contra Kaddafi não é pequeníssima, ela é inexistente. As caras semelhantes à de líbios que se vê repetidas na televisão nada mais são que mercenários egípcios contratados no mercado de locação de forças armadas em Londres, para fingir que os líbios estão lutando contra o regime. Para a luta propriamente dita a OTAN, com a longa duração da luta para derrubar Kaddafi, contrariando o mandato da ONU, acabou contratando mercenários colombianos. Como também não surtiu efeito, forças da própria OTAN entraram nas batalhas finais também por terra.</p>
<p>O traço comum entre os “rebeldes” é que são mercenários estrangeiros e lutam contra Kaddafi como lutou a Blackwater no Iraque, para fazer o “serviço sujo” para a Coalizão ou OTAN, tanto faz. A luta contra Kaddafi, sublinhe-se mais uma vez, é porque ele, a exemplo de Saddam Hussein, ousou querer mudar as políticas para petróleo e investimento.</p>
<p><strong>Que mudanças ele fez? E quem saiu perdendo com elas?</strong><br />
Foi reafirmado o caráter estatal e nacional do petróleo e exigido o pagamento numa cesta de moedas que não sujeitasse o país à dependência do dólar ou euro. Para salvaguardar os investimentos externos, Kaddafi também iniciou uma ação seletiva de onde aplicar, remanejar as aplicações em moedas e países de duvidosos o que foi considerado um perigo no atual ambiente internacional de crise atual. Estas mudanças seriam uma pá de cal para as pretensões das multinacionais do petróleo e dos países dependentes do petróleo líbio e retirar aplicações de certos países para aplicá-los em outros prejudicaria certamente os países receptores dos bilionários investimentos líbios.<br />
<strong><br />
E o Conselho Nacional de Transição? O que se pode esperar dele quando possui figuras tão diferentes como o ex-ministro de Justiça de Gaddafi e o filho do último rei da Líbia, derrubado por Gaddafi? </strong><br />
O saco de gatos que é o CNT foi formado exatamente igual àquele que ser formou no exterior às vésperas do ataque e ocupação do Iraque e certamente terá no futuro o mesmo destino dos participantes iraquianos: nenhum deles está hoje no poder, nenhum tinha qualquer base popular dentro do Iraque, como os membros da CNT na Líbia. A OTAN – e os Estados Unidos, para maior precisão –  tem uma tremenda falta de capacidade de arranjar parcerias e os exemplos são inúmeros e em todas as guerras que causaram, frias ou quentes.</p>
<p><strong>Em recente entrevista, o senhor disse que demoraria cerca de cinquenta anos para a democracia se consolidar no país. Que tipo de governo haverá neste intervalo? Quais tarefas devem ser feitas para se alcançar um regime democrático?</strong><br />
Na Tunísia e no Egito ocorreram movimentos populares, desarmado e com uma ideia na cabeça, o povo foi às praças e de lá tem exercido seu poder sobre os governos provisórios. Na Líbia, ao contrário, a tal “democracia” e o “futuro” estão sendo desenhados lá fora e impostos ao povo líbio. Os regimes provisórios que se sucederão na Líbia, e muitos haverá, irão acumular erros que levarão o povo líbio a criar a sua Praça Tahrir e, de lá, dizer o que quer e como quer.</p>
<p>Um dos erros não está somente na falta de consulta ao povo e sim a todas as tribos líbias, além das reivindicações particulares das três províncias líbias: Tripolitânia, Cirenaica e Fezzan. A diferença entre estas –  acentuadas durante as várias ocupações coloniais, não somente do ponto de vista tribal e social, como também econômico –  talvez indique um caminho para a organização da futura Líbia: uma Federação, com representação justa de todas as províncias, uma divisão geográfica que de certa forma corresponde às ocupações tribais, podem garantir uma coesão social na futura Líbia.</p>
<p><strong>Está marcada para esta semana uma reunião entre o CNT, a ONU e alguns países para discutir a “reconstrução” da Líbia. O que está em jogo nessa reconstrução?</strong><br />
Esta reunião é igual a um convite para jantar: o receituário já estava escrito, os pratos preparados e servidos e aos convidados só restava comer. Al Jazeera publicou um <a href="http://english.aljazeera.net/news/americas/2011/08/20118291127750603.html">documento</a> que vazou detalhando os preparativos para o papel da ONU na Líbia pós-Kaddafi visando, entre outros inúmeros detalhes, como o país será controlado, inclusive com militares espalhados por todo o território líbio (os militares, diz o documento, serão desarmados, mas não escapa a ninguém que as armas estão ao alcance das mãos).</p>
<p>O documento que o CNT terá que engolir, ou não receberá o adiantamento que reivindica, tem 10 páginas e foi elaborado por um time especial da ONU chefiado por Ian Martin, o antigo dirigente da Amnesty International. O documento não menciona o controle do petróleo e nem tampouco dos investimentos líbios, mas isto não precisa publicar, o CNT receberá instruções globais. Lembremos que os países interessados estarão presentes à reunião.</p>
<p><strong>Qual a importância econômica e política da Líbia para os países membros da OTAN?</strong><br />
Interessa sobremaneira à OTAN que os demais países árabes, principalmente a Síria (com a tentativa de derrubada do seu governo apadrinhado indiretamente por Estados Unidos e Israel), o Egito (que está ensaiando dar a Israel o verdadeiro tratamento que merece) e o Iraque (que começa a cobrar o cumprimento do acordo de desocupação e já entrou em rota de coalizão com os Estados Unidos que ensaiam não cumprir com o acordado) ouçam claramente o recado: quem não ler pela cartilha terá as forças da OTAN contra ele.</p>
<p>Dominar a Líbia é um exemplo e uma advertência para quem ousar continuar com a Primavera Árabe verão adentro. Do ponto de vista político é muito mais importante o exemplo aos demais árabes que a questão política propriamente líbia.</p>
<p>Já do ponto de vista econômico é claro que a rapina do século está em curso, são os países consumidores do petróleo líbio que mandarão no petróleo e são os recebedores dos investimentos líbios, atualmente congelados, que darão destino aos investimentos. Vão até fazer a Líbia pagar por sua libertação, como fizeram no Iraque.</p>
<p><strong>Há alguma certeza no incerto futuro da Líbia?</strong><br />
Espero que minha previsão de cinquenta anos, mencionada acima, esteja equivocada e que a Líbia se torne um país livre, independente e democrático, de fato, em muito menos tempo, esta é a esperança.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Bolívia rebelde &#8211; muito antes de Evo Morales</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 02:01:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Nova América Latina]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevistei Everaldo de Oliveira Andrade*, um dos maiores estudiosos do processo político boliviano no século XX. O historiador paulista é autor de 3 livros (o terceiro deles será lançado semana que vem, com um debate no Memorial da América Latina, em São Paulo), que nos ajudam a lembrar: as lutas sociais na Bolívia não começaram com as rebeliões indígenas comandadas por Evo Morales.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Bolivia-livro.bmp" rel="lightbox[9308]"><img class="alignleft size-full wp-image-9309" title="Bolivia livro" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Bolivia-livro.bmp" alt="" /></a>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em><br />
<span style="color: #ff0000;"> </span><br />
&#8220;As lutas sociais no Brasil não começaram com as greves do ABC&#8221;.</p>
<p>A frase, do velho Brizola, era uma provocação (e, ao mesmo tempo, uma lição de história) aos petistas que nos anos 80 disputavam com o PDT a hegemonia no campo da esquerda brasileira. Brizola gostava de lembrar que, antes de Lula e do PT, muita gente havia lutado contra as desigualdades no Brasil. Dos tenentes de 22, aos comunistas de 35. Dos trabalhistas varguistas nos anos 50, aos brizolistas de 61.  De Prestes, a Julião. Passando por Marighella, Lamarca e tantos outros.</p>
<p>Lembrei da frase de Brizola ao entrevistar<strong> Everaldo de Oliveira Andrade*</strong>, um dos maiores estudiosos do processo político boliviano no século XX. O historiador paulista é autor de 3 livros (<strong>o terceiro deles será lançado semana que vem, com um debate no Memorial da América Latina, em São Paulo</strong>), que nos ajudam a lembrar: as lutas sociais na Bolívia não começaram com as rebeliões indígenas comandadas por Evo Morales.</p>
<p>Everaldo lança, no dia 24, <strong><em> &#8220;Bolívia: democracia e revolução &#8211; a comuna de La Paz de 1971&#8243;.</em></strong> Na entrevista exclusiva ao<strong><em><span style="color: #000080;"> Escrevinhador</span></em></strong>, ele lembra:</p>
<p>&#8220;<em>A reação popular que levou Evo a presidência bebeu sim desta fonte histórica do passado, da comuna de 1971 e da revolução de 1952. É uma nova situação histórica também, fruto de uma poderosíssima reação popular contra o neoliberalismo e as privatizações que estavam acabando de liquidar o país na década de 1990. Privatizaram até o consumo da água das chuvas em Cochabamba! As reservas de gás e petróleo foram concedidas ás empresas estrangeiras ferindo a própria constituição do país. Evo Morales, um político nacionalista e carismático, representa esta reação indignada do povo boliviano e incorpora as experiências de luta popular do passado. Mas Evo está longe da radicalização revolucionária e socialista de 1971.&#8221;</em></p>
<p>Everaldo foi meu colega no curso da História na USP, no fim dos anos 80. Fomos também companheiros no movimento estudantil. Mas em tendências diferentes: eu, na época, mais próximo do que sobrava do velho PCB; Everaldo era militante do grupo trotskista &#8220;O Trabalho&#8221; &#8211; onde permanece até hoje.</p>
<p>A seguir, a entrevista, na íntegra.</p>
<p>===</p>
<p>- Esse é seu terceiro livro sobre a Bolívia. O primeiro saiu pela editora Saraiva, em 2000 (&#8220;Revoluções na América Latina Contemporânea&#8221;). O segundo &#8211; de 2007, editora UNESP &#8211; integra a coleção &#8220;Revoluções do Século XX&#8221; e narra o episódio que ficou conhecido como &#8220;Revolução Boliviana&#8221; (insurreição popular de 1952). Agora, você se debruça sobre outro período: a comuna de La Paz em 71. Para aqueles que conhecem pouco a historia do país vizinho, quais os pontos de continuidade e as diferenças entre esses  episódios?</p>
<p><strong>O que ocorreu na Bolívia em 1952 &#8211; uma insurreição popular de massa &#8211; foi uma reação a um longo processo de desgaste da oligarquia dos grandes mineradores de estanho e latifundiários, que governava o país como se fosse sua propriedade particular. Sucessivos governos militares reprimiam as demandas populares com a força das armas. A reação veio com  um forte movimento dos sindicatos mineiros e de movimentos indígenas e camponeses, influenciados tanto pelo moderado partido nacionalista MNR (Movimiento Nacionalista Revolucionário) como pelos socialistas de orientação trotskista do POR (Partido Obrero Revolucionário).</strong></p>
<p><strong><span id="more-9308"></span>Em 1951, o MNR venceu as eleições presidenciais, mas uma junta militar impediu que o partido tomasse posse. No ano seguinte, em 9 de abril de 1952, o MNR tentou derrubar o governo com um golpe civil/militar que fracassou. Mas, o excepcional e surpreendente, uma daquelas gratas surpresas da História, foi o surgimento de um personagem coletivo. Milhares de trabalhadores anônimos e indignados tomaram as ruas, ocuparam as praças, invadiram os quartéis e sedes da polícia e derrubaram o governo de maneira quase espontânea. O exército desapareceu e o país foi tomado por milícias populares armadas.</p>
<p></strong>- A essa altura já era uma revolução popular?<br />
<strong><br />
Sim, o MNR foi obrigado a assumir o poder em uma situação revolucionária e fora do seu controle. Os trotskistas do POR conseguiram iniciar a organização da central sindical COB, buscando rivalizar com o MNR com uma proposta socialista para a revolução. Bom, acho que já estou falando demais. Mas o fato é que o MNR conseguiu com muito custo “domar” os impulsos mais radicais. Com apoio dos EUA, reconstruiu o exército, nacionalizou as grandes minas mas dando pesadas indenizações aos antigos proprietário, iniciou uma lenta reforma agrária&#8230; Muitos militantes nacionalistas e de esquerda foram corrompidos pelo MNR nessa época. Essas limitações frustraram toda uma geração que se sentiu traída. Com o golpe militar de novembro de 1964, as poucas conquistas populares da revolução começaram a ser desmontadas.</p>
<p>Pode-se dizer que em 1971 com a Comuna de La Paz o que ocorreu foi um prolongamento e tentativa de se “completar” ou de se “retomar” &#8211; sem os erros do passado &#8211; a revolução de 1952, mas agora com uma intensidade muito maior.</strong></p>
<p>- Por que voce escolheu a Bolivia como tema para seus estudos?</p>
<p><strong>Posso dizer que um livro que me marcou muito mesmo antes de entrar no curso de História, bastante lido na década de 1980, foi “Se me deixam falar &#8211; um depoimento da mulher mineira boliviana”, de Moema Viezzer. Depois, na graduação e nas aulas de história da América do prof. Werner Altman, que debatia vivamente os temas da Revolução Mexicana de 1910, de Cuba em 1959 e da Nicarágua em 1979, a história boliviana e sua revolução “esquecida” foram citadas de passagem e me chamaram a atenção.</p>
<p>Posso dizer também que a presença de um partido trotskista com grande apoio popular na época aguçou ainda mais meu  interesse não só pelos temas da história boliviana como das ideias do revolucionário russo Leon Trotsky.</strong></p>
<p>- O brasileiro costuma associar Bolivia com &#8220;atraso&#8221;, miséria &#8211; desconhecendo a forte politização naquele país. Muita gente se surpreendeu quando Evo Moralez ganhou a eleição e passou a governar com um programa de esquerda. Evo, de certa forma, é a continuidade desses processos que voce estuda em seus dois livros?</p>
<p><strong>Infelizmente, ainda há muito desconhecimento e diria até preconceito com a Bolívia. Algo absolutamente injustificável se pensarmos que muito da miséria de grande parcela do povo boliviano é fruto de uma herança histórica terríivel. Um país com grandes reservas de prata na época colonial, de estanho até a década de 1980 e de gás agora, mas que foram explorados e levados em embora, saqueados do país. A reação popular que levou Evo a presidência bebeu sim desta fonte histórica do passado, da comuna de 1971 e da revolução de 1952. É uma nova situação histórica também, fruto de uma poderosíssima reação popular contra o neoliberalismo e as privatizações que estavam acabando de liquidar o país na década de 1990. Privatizaram até o consumo da água das chuvas em Cochabamba! As reservas de gás e petróleo foram concedidas ás empresas estrangeiras ferindo a própria constituição do país. Evo Morales, um político nacionalista e carismático, representa esta reação indignada do povo boliviano e incorpora as experiências de luta popular do passado. Mas Evo está longe da radicalização revolucionária e socialista de 1971.</strong></p>
<p>- A Bolivia é um país com baixo índice de industrialização. Ainda asim, tem uma das centrais operarias mais tradicionais do continente, a COB. Como se explica. A COB segue sendo forte? Ou os movimentos indígenas e camponeses ocuparam o lugar da &#8220;central obrera&#8221;?</p>
<p><strong>Como já disse, a COB é fruto direto da revolução de 1952, momento em que os trabalhadores mineiros ocupavam o centro da cena histórica. Isso se devia muito ao lugar na economia da exploração do estanho. Uma greve geral dos mineiros paralisava o país. Isso dava um poder político enorme aos sindicatos e aos partidos que possuíssem influência política entre os mineiros.</p>
<p>Na década de 1980, o MNR traçou um plano para implantar os planos do FMI (1986) que previam privatizações e fechamento de minas. O objetivo político era certamente liquidar o núcleo político de resistência dos mineiros e da esquerda boliviana. O “coração” da COB eram os mineiros sindicalizados. Por isso também se explica a demissão de dezenas de milhares de trabalhadores. Era para enfraquecer também a COB e seu poder de reação. Muitos deles migraram para o campo levando sua experiência sindical e de esquerda. Vários destes integraram-se nos anos 1990 aos movimentos camponeses e indigenistas.</p>
<p>É preciso também recordar que a COB integra sindicatos camponeses e o próprio Evo disputou sua presidência. A COB é uma central sindical de classe, busca representar a classe trabalhadora sem diferenças regionalistas ou mesmo étnicas. E isso de certa forma se choca com aqueles que buscam enfatizar disputas supostamente raciais, regionalistas, étnicas.</strong></p>
<p>- Muita gente critica a posição de Lula no episódio da &#8220;nacionalização&#8221; do Petróleo promovida por Evo. A oposição e parte da imprensa brasileiras dizem que Lula foi &#8220;leniente&#8221; e que não defendeu o interesse brasileiro. Sei que não é exatamente seu foco na pesquisa, mas como vê aquele episódio?</p>
<p><strong>Lembrando as bobagens que escreveram na época, fica a impressão de que muitos queriam que o governo Lula invadisse a Bolívia, aliás como fez de certa forma a ditadura brasileira para ajudar a derrotar a comuna de La Paz em 1971. É uma perigosa e reacionária visão de um setor da elite brasileira, representada por alguns  meios de comunicação com grande poder de formar opinião pública. E é uma visão curta, porque mesmo do ponto de vista dos grandes empresários brasileiros a Bolívia é um mercado altamente dependente de produtos industrializados, muitos fabricados aqui.</strong></p>
<p><strong>A Bolívia é um centro estratégico da América do sul e pensar de forma imediatista em relação a esse país seria um grande erro, penso que essa foi a reflexão do governo. A posição de Evo foi em grande parte coerente com seu programa de governo e o povo boliviano que havia derrubado dois presidentes por não defenderem os interesses do país na questão do gás esperava muito mais de Evo.</p>
<p>O povo brasileiro deveria não só ter apoiado a nacionalização boliviana, como feito o mesmo aqui e retomado a nossa Vale do Rio Doce. A escandalosa privatização do gás boliviano ocorrida nos anos 1990 só tem comparação com a entrega de nossas reservas minerais para grupos privados a preço de banana.</strong></p>
<p><strong>*Everaldo de Oliveira Andrade</strong> é historiador, formado pela USP; com mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo, atualmente é professor e diretor do curso de História da Universidade Guarulhos e professor na PUC-SP, além de integrar a diretoria da ANPUH &#8211; São Paulo.</p>
</div>
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		<title>Protestos em Londres: Por que aqui e agora?</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 14:04:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vasto Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Neoliberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Partidos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Tariq Ali: Por que sempre as mesmas áreas eclodem primeiro, seja qual for a causa? Puro acidente? Poderia ter algo a ver com raça, classe, pobreza institucionalizada e a pura rigidez da vida cotidiana? Os políticos da coligação, com suas ideologias petrificadas, não podem dizer isso. O três partidos são igualmente responsáveis pela crise. Eles fizeram a bagunça.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por que aqui? Por que agora?</strong><br />
<em>Por <span style="color: #ff0000;">Tariq Ali</span>, no <a href="http://www.lrb.co.uk">London Review of Books</a><br />
Tradução por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p><a href="http://rodrigovia.dominiotemporario.com/wp-content/uploads/2011/08/londres-prtes.jpg" rel="lightbox[9145]"><img class="alignleft size-full wp-image-9146" title="Crédito foto: Leon Neal/AFP/Getty Images" src="http://rodrigovia.dominiotemporario.com/wp-content/uploads/2011/08/londres-prtes.jpg" alt="" width="215" height="326" /></a>Por que sempre as mesmas áreas eclodem primeiro, seja qual for a causa? Puro acidente? Poderia ter algo a ver com raça, classe, pobreza institucionalizada e a pura rigidez da vida cotidiana? Os políticos da coligação, com suas ideologias petrificadas, não podem dizer isso. Os três partidos são igualmente responsáveis pela crise. Eles fizeram a bagunça.</p>
<p>Eles privilegiaram os ricos. Eles deixaram claro  que os juízes e magistrados devem dar o exemplo, dando sentenças punitivas para os manifestantes encontrados com armas de brinquedo. Eles nunca questionaram seriamente por que nenhum policial nunca foi processado pela morte de mais mil pessoas que estavam sob custódia, desde 1990. Seja qual for o partido, seja qual for a cor da pele do parlamentar, eles soltam os mesmos clichês. Sim, sabemos que a violência nas ruas de Londres é ruim. Sim, sabemos que saquear lojas é errado. Mas por que isso está acontecendo agora? Por que não aconteceu no ano passado? Porque as queixas se acumularam ao longo do tempo, porque quando o sistema determina a morte de um jovem cidadão negro de uma comunidade carente, ela quer a resposta.</p>
<p>E pode piorar se os políticos e a elite econômica, com o apoio da televisão estatal e das emissores de Murdoch, falharem em lidar com a economia e punirem os pobres e menos favorecidos pelas políticas de governo que eles vêm promovendo pelas últimas três décadas. Desumanizar o &#8220;inimigo&#8221;, em casa e no exterior, criando medo e prisões sem julgamentos, não funciona para sempre.</p>
<p>Se houvesse um partido de oposição política sério neste país, ele estaria argumentando a favor do desmonte do instável andaime do neoliberalismo, antes que este se desintegre e machuque ainda mais pessoas. Em toda a Europa, as características que uma vez distinguiam os de centro-esquerda dos de centro-direita e os conservadores dos social-democratas desapareceram. A mesmice da política oficial priva os segmentos menos privilegiados do eleitorado, a maioria.</p>
<p>Os jovens negros desempregados ou semi-empregados em Tottenham, Hackney, Brixton e Enfield sabem muito bem que o sistema está contra eles. A falação dos políticos não tem impacto real sobre a maioria das pessoas, muito menos sobre os que estão incendiando as ruas. Os fogos serão apagados. Haverá um ou outro inquérito patético para apurar por que Mark Duggan foi morto a tiros, lamentações serão expressas e haverá flores da polícia no funeral. Os manifestantes presos serão punidos, todos vão suspirar de alívio e seguir em frente. Até isso acontecer novamente.</p>
]]></content:encoded>
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