Entrevistado conta a organização da resistência palestina

publicada terça-feira, 15/06/2010 às 11:41 e atualizada terça-feira, 17/08/2010 às 15:37

Por Juliana Sada

Nesta parte da entrevista concedida ao Escrevinhador, Marcelo Buzzeto, membro da direção estadual do MST/SP e também do setor de relações internacionais do movimento, relata como se organiza a resistência palestina e quem é a esquerda israelense além de trazer o rico debate feito na Conferência de Haifa.

A primeira parte da entrevista sobre como foi recebida a notícia do ataque pode ser lida aqui

Como se organiza a resistência palestina?

Em sindicatos, movimentos sociais, de mulheres, de juventude, de operários, de camponeses, de crianças, através de Comitês Populares, que organizam as lutas nos bairros e vilarejos, através de organizações políticas e partidos, como o Al-Fatah (Movimento de Libertação Nacional, nacionalismo laico), a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP-marxista-leninista, comunistas), a Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP-marxista, comunistas), o Partido do Povo Palestino (PPP-comunistas), o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica, nacionalismo islâmico), entre outras organizações.

Há diálogo com a esquerda israelense? Os palestinos podem contar com a ajuda deles?

Sim. Existem diversos movimentos, partidos, parlamentares, ONGs, comunicadores populares, professores estudantes e religiosos; uma parte mais consciente e progressista da sociedade israelense tem uma postura de solidariedade bastante ativa aos palestinos. Vivem uma situação difícil, pois são perseguidos, monitorados, vigiados pelo serviço secreto israelense, pela polícia, pelo exército, muitos já foram presos, muitos se recusaram a servir o exército e foram para a cadeia ou processados, então, a esquerda israelense ajuda os palestinos, fazem manifestações e enfrentam a fúria dos setores mais conservadores, mas continuam lutando.
O MST realiza algum trabalho orgânico em parceria com alguma organização palestina?
Temos nos aproximado de muitos movimentos sociais na Palestina, e temos realizado atividades conjuntas com o Centro de Informação Alternativa, coordenado pelo companheiro Sérgio Yanni, e com movimentos sociais palestinos, como a União dos Comitês de Trabalhadores Agrícolas, que tem participado de várias atividades da Via Campesina Internacional.

Você poderia contar mais sobre a Conferência de que foi participar?
A II Conferência de Haifa foi organizada por diversas organizações da esquerda israelense que apóiam a luta do povo palestino pela criação de um Estado Palestino Laico e Democrático na Palestina Histórica. Estiveram presentes organizações como o Centro de Informação Alternativa – AIC (com sede em Jerusalém e subsedes em várias cidades palestinas, como Beat Sahour), Abnaa Al Balad Movement (Movimento Filhos da Terra) e o Partido Comunista de Israel.
O objetivo da Conferência foi debater a proposta de construção de um ou dois Estados, pois no interior da luta palestina houve um momento em que toda a resistência defendia a construção de um Estado Laico e Democrático em toda a Palestina, onde pudessem viver em paz cristãos, muçulmanos, ateus e judeus. Desde 1988 a direção majoritária da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), sob o controle do Al-Fatah (Movimento de Libertação Nacional), vem recuando programaticamente, e em 1994, com os acordos de Oslo, a OLP aprova como posição política a solução de dois Estado, ou seja, reconhecimento do Estado de Israel e construção de um Estado Palestino em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Entretanto, a esquerda palestina (Frente Popular para a Libertação da Palestina, Frente Democrática para a Libertação da Palestina, Partido do Povo Palestino e outras organizações) ainda defende a proposta de um único Estado, além das organizações nacionalistas islâmicas tipo Hamas (Movimento de Resistência Islâmica).

Muitos afirmam que o que vai determinar se será um ou dois estados é a correlação de forças no atual conflito. Alguns vêem a idéia de dois estados como uma tática, uma forma de acumular forças na direção da construção de um Estado único. O fato é que hoje não existe nenhum Estado Palestino, pois Israel não permite isso.

Leia também “Um retrato da Palestina

Amanhã publicaremos a última parte da entrevista com Marcelo Buzzeto, sobre o cotidiano palestino sob a ocupação.

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1 Comentário

Um comentário para “Entrevistado conta a organização da resistência palestina”

  1. É hora de quebrar impérios com a força da organização popular.

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