publicada segunda, 29/06/2009 às 01:35 e atualizado segunda, 29/06/2009 às 02:06 |
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Ontem, destaquei aqui a análise de Bernardo Joffily sobre as eleições para o Congresso na Argentina: em artigo para o portal "Vermelho", ele mostrou como os Kirchner trouxeram para o debate a questão das privatizações, numa tentativa de colar à oposição o rótulo de "privatista", lembrando o desastre do neo-liberalismo na argentina - http://www.rodrigovianna.com.br/vasto-mundo/vermelho-eleicao-argentina-lembra-2006-no-brasil.

O casal Kirchner parece ter perdido força na Argentina
Os primeiros números da apuração indicam que a tática não funcionou. Até porque a oposição é extremamente fragmentada. Há setores, como o PRO, de Mauricio Macri, que pode mesmo ser qualificado como neo-liberal. Mas há outros blocos, como o Acordo Cívico (frente de centro-esquerda formada pela União Civica Radical e pela Calizão Cívica, de Elisa Carrió) e o Projecto Sur (de linha socialista, comandado pelo cineasta Fernando Solanas, que foi bem votado na capital Buenos Aires).
Fora isso, há personalidades como o vice-presidente Julio Cobos (que ganhou a eleição em Mendoza, e faz oposição a Cristina Kirchner) e o ex-piloto Carlos Reutman (peronista dissidente) - que parece ter vencido em Santa Fé (falta apurar algumas urnas)...
O site do "El Clarin" traz os resultados atualizados - http://www.clarin.com/. Vale a ressalva: o "grupo Clarin" é de oposição a Kirchner, e cobre as eleições com simpatia aberta pela oposição...
Outra opção é o site do "Página 12", jornal de centro-esquerda - http://www.pagina12.com.ar/diario/ultimas/index-2009-06-28.html.
Os resultados mais importantes até agora são:
- a derrota acachapante (e já esperada) do peronismo de Kirchner na capital federal (a lista de deputados apoiada pelo casal K chegou em quarto lugar);
- a (aparente) derrota também na provícncia de Buenos Aires; com mais de 70% dos votos apurados, o PRO estava na frente do peronismo, por pequena margem.
A derrota na provincia de Buenos Aires (a mais populosa, com grande concentração de setores empobrecidos) indica que os Kirchner podem estar perdendo apoio entre os "descamisados". A classe média (na capital e nas provincias) já se bandeou pra oposição faz tempo.
Em termos nacionais, a derrota não será assim tão trágica. Mas tudo indica que os Kirchner vão perder a maioria no Congresso.
Em 2011, na corrida presidencial, a oposição deve ter várias caras:
- os liberais do PRO;
- os peronistas dissidentes (Reutman e outros);
- a centro-esquerda (com Solanas e os socialistas);
- a nova UCR ( que pode trazer de volta Julio Cobos, voltando a ter chance numa disputa nacional).
O governo Kirchner significou a volta da intervenção estatal - depois da trágica experiência liberal comandada por Menem/Cavallo/Dela Rua.
Difícil imaginar que os argentinos aceitem devolver o bastão aos liberais. Mas podem apostar numa "nova" centro-esquerda (não peronista, e menos marcada pelo centralismo dos Kirchner).
Nestor, por sua vez, vai tentar agrupar o peronismo, acenando com o perigo da volta ao poder dos "privatistas" (PRO), ou da UCR (o último governo da UCR , de Fernando de La Rua, teve fim trágico, com o presidente fugindo da Casa Rosada de helicóptero).
Mais difícil será bater em Julio Cobos ou Fernando Solanas. Esses dois - hoje azarões - podem se viabilizar eleitoralmente até 2011.
Vou tratar disso tudo no "Entrevista Record - Mundo" dessa segunda-feira, ao vivo na Record News, às 22 horas! Bom debate sobre nossos vizinhos...
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não parece o pig sempre tramando contra a esquerda em favor dos poderosos
Repito novamente: mídia está protegendo Virgílio e ninguém está denunciando. Ontem, após grave denúncia contra Virgílio na Isto, a entrada dos jornais era: No Uol, sem destaque, aparece: Crise no Senado Blog do Josias: Tião Viana diz que Agaciel oferecia dinheiro a senadores, mas afirma ter recusado %u2022 Virgílio pede investigação dos presidentes do Senado na era Agaciel Na Folha: CONGRESSO EM CRISE Cresce pressão sobre Sarney; PSOL protocola representação e tucano apresenta denúncia Arthur Virgílio (PSDB-AM) apresentou denúncia para que o presidente do Senado seja investigado pelos atos secretos. %u2022 Viana diz que recebeu oferta de empréstimo %u2022 DEM e PT reúnem bancada para discutir caso Sarney No Estadão: CRISE NO SENADO Sarney diz que PF vai investigar neto Arthur Virgílio diz que denúncia não o intimida No Globo: Sarney é alvo de ações de Virgílio e do PSOL Pedido de investigação no Conselho de Ética Comente(33) %u2022 Leia mais: Apoio do governo 'é absoluto' %u2022 Blog: Sarney se defende em carta %u2022 Leia mais: Leitores: Sarney deve se afastar %u2022 Leia mais: Heráclito confirma exoneração de diretores ligados a Agaciel Alguém viu alguma mudança hoje? Virgílio é denunciado ou denunciante?!
Você está muito bem informado, Rodrigo! Quando estive em Buenos Aires, no passado mês de maio, notei que a candidatura de Pino Solanas vinha forte.
Vídeo de 2006 mostra como o gordo e o ator Carlos Vereza faziam campanha no estúdio da Globo
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Rodrigo comentou em 15/07/2009 às 11:46
Eu gostaria de entender quando o peronismo, que é um movimento político de matriz claramente direitista, nao só na sua origem como também na sua evolucao se tornou associado a uma perspectiva "progressista". O peronismo K é um movimento político de confronto, que foge dos consensos sociais e marginaliza economica e politicamente a Argentina a nível global. Um movimento que nao tem conseguido dar respostas aos desafios economicos E SOCIAIS de um pais onde aumenta a marginalizacao, o trafico de drogas, a inseguranca. O relacionamento do peronismo com a massa trabalhadora se dá via sindicatos extremamente corrputos que defendem posicoes corporativas compativeis com uma visao fascista de estrutura social e que vive em profunda promiscuidade com o sistema político. Entao, onde está o "progresismo" de tudo isso?