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	<title>Escrevinhador &#187; Vestígios</title>
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	<description>Por Rodrigo Vianna</description>
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		<title>Um a menos</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 12:57:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Plenos Poderes]]></category>
		<category><![CDATA[Vestígios]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste mês encerrou-se uma busca e um luto que já duravam 38 anos. As cinzas de Miguel Sabat Nuet, preso e morto pela ditadura militar brasileira, foram entregues aos seus filhos pelas mãos da emocionada ministra Maria do Rosário, no dia 12 de dezembro. O espanhol-venezuelano Miguel não tinha nenhuma atividade política e estava apenas de passagem pelo Brasil quando foi preso em 1973 em São Paulo, torturado e assassinado no DOPS. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Neste mês encerrou-se uma busca e um luto que já duravam 38 anos. As cinzas de Miguel Sabat Nuet, preso e morto pela ditadura militar brasileira, foram entregues aos seus filhos pelas mãos da emocionada ministra Maria do Rosário, no dia 12 de dezembro.</p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/12/sabat.jpg" rel="lightbox[10948]"><img class="size-medium wp-image-10949  alignnone" title="Cerimônia " src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/12/sabat-300x198.jpg" alt="" width="387" height="255" /></a><br />
O espanhol-venezuelano Miguel não tinha nenhuma atividade política e estava apenas de passagem pelo Brasil quando foi preso em 1973 em São Paulo, torturado e assassinado no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). A procuradora da República Eugênia Augusta Gonzaga, responsável pelo caso, considera que esta “é uma das mortes que mais expõe a ditadura, ele foi preso apenas por falar outra língua e por, como os registros mostram, ‘ser metido a filósofo’”, em referência aos textos que escrevia na prisão, durante os vinte dias que esteve numa cela do DOPS antes do assassinato.</p>
<p>A ossada de Miguel foi encontrada em 2008 no cemitério Dom Bosco, em São Paulo, na chamada “vala de Perus”, onde já foram encontrados corpos de outros desaparecidos políticos, enterrados como indigentes. A confirmação da identidade  foi possível após análise de amostras de DNA retiradas da ossada e comparadas com as disponíveis no Banco de DNA da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.</p>
<p>Após a identificação do corpo, a Comissão reabriu o processo sobre a morte e Miguel Sabat Nuet foi reconhecido como mais uma vítima da ditadura militar brasileira. A ossada permaneceu no Instituto Médico Legal até dezembro deste ano quando foi cremada à pedido da família.</p>
<p><strong>Memória e dignidade</strong><br />
Para a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, “resgatar a memória é, na verdade, resgatar a dignidade daqueles estão desaparecidos”. Para a família de Miguel, as investigações <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/12/sabat2.jpg" rel="lightbox[10948]"><img class="alignright size-full wp-image-10952" title="Miguel Sabat Nuet" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/12/sabat2.jpg" alt="" width="146" height="175" /></a>trouxeram de volta a dignidade do pai católico que teria se suicidado em um país estrangeiro, deixando para trás três filhos jovens: Maria Del Carme, Lorenzo e Miguel. Os três estiveram presentes na cerimônia.</p>
<p>Durante o ato, o filho Miguel Sabat Díaz pediu justiça, mas se mostrou aliviado: “nunca mais nos atormentaremos pensando como ele podia ter tirado sua vida sem nos dizer nem uma palavra”. Maria Del Carmen relembrou o dia em que, com apenas 18 anos, atendeu uma ligação avisando que seu pai havia se suicidado: “estou recebendo as cinzas, mas estão nos devolvendo também uma história, a verdade”.</p>
<p>A ministra Maria do Rosário pediu perdão em nome do Estado brasileiro à família, mas ressaltou “o que fazemos hoje não apaga o mal que foi feito”. Ela afirmou o empenho pessoal da presidenta Dilma Rousseff em investigar as violações cometidas pelo Estado durante a ditadura militar, “há muitas dívidas”.</p>
<p>Miguel Sabat Nuet deixa agora de integrar a triste lista dos mais de 140 desaparecidos políticos, mas ainda falta muito para que outras famílias encerrem seu luto e sua luta de décadas.</p>
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		<title>Após 40 anos da morte de militante, a luta por justiça</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 22:06:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>
		<category><![CDATA[Ustra no banco de réus]]></category>

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		<description><![CDATA[No mês em que se completam quarenta anos da morte do jornalista e militante Luiz Eduardo Merlino, sua família luta para obter o reconhecimento, por parte do Estado, de seu assassino. O jovem jornalista de apenas 23 anos era militante do POC (Partido Operário Comunista) e foi preso na casa de sua mãe, após retornar de uma viagem à França. O alvo da ação por danos morais é o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que já foi declarado torturador pela Justiça paulista. Entre 1969 e 1973, Ustra foi responsável por comandar um dos principais centros de tortura do período da ditadura, o DOI-CODI de São Paulo. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada </span></em></p>
<p>No mês em que se completam quarenta anos da morte do jornalista e militante Luiz Eduardo Merlino, sua família luta para obter o reconhecimento, por parte do Estado, de seu assassino. O jovem jornalista de apenas 23 anos era militante do POC (Partido Operário Comunista) e foi preso na casa de sua mãe, após retornar de uma viagem à França.</p>
<p>O alvo da ação por danos morais é o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que já foi declarado torturador pela Justiça paulista. Entre 1969 e 1973, Ustra foi responsável por comandar um dos principais centros de tortura do período da ditadura, o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações &#8211; Centro de Operações de Defesa Interna) de São Paulo. Foi nas dependências deste órgão que Merlino teria sido torturado e assassinado em julho de 1971.</p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/ustra-corredor.jpg" rel="lightbox[8972]"><img class="alignleft size-medium wp-image-8973" title="Aglomeração no corredor da 30ª Vara Cível" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/ustra-corredor-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a>Na última quarta-feira, a Justiça ouviu testemunhas que presenciaram a tortura e morte de Merlino. A audiência, realizada no Fórum João Mendes, foi realizada à portas fechadas e puderam participar apenas advogados, testemunhas e familiares de Merlino. No corredor, um aglomerado de pessoas – familiares de testemunhas, ex-militantes e jornalistas –  tentaram em vão entrar e acompanhar a sessão.</p>
<p>Apesar do caráter reservado, nem o Coronel Ustra nem suas testemunhas participaram da audiência. Aliás, não compareceram nem os advogados que assinam sua defesa, Sergio Luiz Villela de Toledo e Paulo Alves Esteves. Foram enviadas duas advogadas como representantes do militar.</p>
<p>A juíza Claudia de Lima Menge escutou das testemunhas que o Coronel Ustra tem responsabilidade na tortura e morte de Merlino. Deram seus depoimentos o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi; o escritor Joel Rufino dos Santos; e os ex-militantes do POC  Otacílio Cecchini, Eleonora Menicucci de Oliveira, Laurindo Junqueira Filho e Leane de Almeida. As testemunhas relataram que Merlino não sobreviveu às sessões de tortura, das quais Ustra teria participado pessoalmente.</p>
<p>Já as testemunhas de Ustra serão ouvidas por meio de cartas precatórias, foram arrolados militares da reserva, o senador José Sarney e o ex-ministro Jarbas Passarinho.</p>
<div id="attachment_8975" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/ustra-faixa.jpg" rel="lightbox[8972]"><img class="size-medium wp-image-8975" title="Faixa Sintusp" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/07/ustra-faixa-300x201.jpg" alt="Do lado de fora, manifestante pediam a condenação do Ustra" width="300" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Do lado de fora, manifestante pediam a condenação do Ustra</p></div>
<p><span id="more-8972"></span><br />
Esta é a segunda ação movida contra Ustra, pela ex-companheira de Merlino, Angela Mendes de Almeida, e sua irmã, Regina Maria Merlino Dias de Almeida. A primeira, de caráter civil declaratório, foi extinta em 2008. Agora, a família entrou com uma nova ação na área cível, que prevê indenização.</p>
<p><strong>Ausência sentida</strong><br />
Para marcar os 40 anos da morte de Merlino, será realizada amanhã, sábado às 14h, uma homenagem ao jovem militante. Estarão presentes Angela Mendes de Almeida; João Machado,economista e militante da Quarta Internacional e do PSOL; Valério Arcary, historiador e militante do PSTU ; Joel Rufino dos Santos, escritor; e o jornalista Tonico Ferreira. O evento integra a programação do <a href="http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?mn=190&amp;c=335&amp;s=0">Memorial da Resistência</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A &#8220;Fração Bolchevique&#8221; e a mancha vermelha</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2011 19:04:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>
		<category><![CDATA[Vestígios dos anos 80]]></category>

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		<description><![CDATA[Escolho o escritório aqui de casa para o descanso forçado. E acabo de achar, esquecida na gaveta, uma daquelas velhas pastas – com folhetos e anotações da época de Faculdade. 1987, 1988, 1989... Foram anos intensos, por causa da militância política. Além de Jornalismo, cursei História na USP. E logo mergulhei naquele emaranhado de tendências e pequenos grupos que pareciam acreditar na iminência da revolução socialista.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>Depois de uma bem-sucedida cirurgia dentária, recebo a recomendação de repouso. Nada de movimentos bruscos, nada de esforço, nada de reportagem na rua.</p>
<p>OK. Escolho o escritório aqui de casa para o descanso forçado. E acabo de achar, esquecida na gaveta, uma daquelas velhas pastas – com folhetos e anotações da época de Faculdade. Nada relacionado ao estudo. 1987, 1988, 1989&#8230; Foram anos intensos, por causa da militância política. Além de Jornalismo, cursei História, na USP. E logo mergulhei naquele emaranhado de tendências e pequenos grupos que pareciam acreditar na iminência da revolução socialista.</p>
<p> A Convergência Socialista-CS (que depois viraria PSTU) era uma tendência do PT: grupo trotskista, com uma dúzia de militantes (barulhentos) na USP. Também havia a turma de “O Trabalho” (antiga Libelu, outra facção trostkista), a DS (trotskista também), os “igrejeiros” (esquerda católica), o PPS (tendência “basista” do PT, não confundir  com o atual partido de Roberto Freire), a Articulação (setor majoritário do PT),  o PCdoB (que no movimento estudantil atuava sob o nome de “Viração”). Fora os independentes e “anarquistas”.</p>
<p>Era um cipoal de siglas que confundia e afastava os estudantes “comuns” dos debates. Confusão geral. Divertido. Mas era preciso ter paciência. O que me incomodava era a distância entre discurso e realidade. Nas assembléias, gastava-se mais tempo com debates sobre a solidariedade aos “guerreiros tamis” (facção que lutava pela independência do Sri-Lanka), do que para tratar das questões da Universidade.</p>
<p>Por isso, eu não me identificava muito com nenhuma das tendências. Tinha simpatia pelo  Brizola, mas o PDT inexistia em São Paulo. Acabei -me aproximando ( por afinidades pessoais e pela moderação no discurso, o que me agradava) da turma do velho PCB! Sim, na época ainda havia o velho PCB – alinhado com a União Soviética.</p>
<p>A “base comunista” na USP devia contar com uns doze ou 15 militantes – incluindo gente de quem sou muito amigo até hoje, como o jornalista Rogério Pacheco Jordão. Mas também havia o Pedro Puntoni (hoje professor de História na USP), a Silvia Lins (também professora), o Andre Goldmann ( filho do ex-governador tucano Alberto Goldmann, que na época estava no PCB), a Marcela, a Claudia, a Valéria.  A Monica Zarattini (que eu encontraria muito tempo depois como fotógrafa do “Estadão” – onde continua até hoje) era a coordenadora da “base”.</p>
<p>Lembro bem que, em 1987, eu era diretor do Centro Acadêmico na História, e organizamos um seminário sobre os “70 Anos da Revolução de Outubro”. Pau puro. Os trotskistas dominaram os debates – com críticas (merecidas) ao burocratismo do Estado soviético. Na mesa, um dos debatedores era o velho Zarattini (pai da Mônica), militante histórico, a quem tínhamos convidado porque ele era do PCB (anos depois, entraria no PT).</p>
<p>Diante de tantas críticas à URSS, Zarattini respondeu com uma frase dura e típica: “a pior forma de anticomunismo é o anti-sovietismo”. Fez-se silêncio no auditório.  Parecia um argumento fora do tempo. E era. Cinco anos depois o bloco socialista ruiria.</p>
<p>Por essas e outras, o PCB não era lá muito popular entre os estudantes. Rogério e um outro colega, certa vez, foram procurar um veterano “dirigente” do partido para decidir a linha política a ser adotada nos embates do movimento estudantil. A resposta do “dirigente”, típica do velho partidão:  “olha, na USP nossa linha é muito clara, o nosso aliado principal é&#8230; o reitor”. Balde de água fria na cabeça dos jovens militantes. Como dizer isso aos estudantes que queriam reivindicar, cobrar, brigar, mudar tudo?</p>
<p>He, He. Um partido assim não podia durar muito tempo.</p>
<p><span id="more-7049"></span></p>
<div id="attachment_7050" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/03/DSC02758.jpg" rel="lightbox[7049]"><img class="size-medium wp-image-7050" title="DSC02758" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2011/03/DSC02758-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">1988: pouco antes de aderir à Fração Bolchevique</p></div>
<p>O PT, com suas várias tendências, era totalmente hegemônico na Universidade. Em 88, organizamos um outro seminário, sobre os 20 anos do Maio de 1968: “A Imaginação no Poder”. A foto ao lado mostra esse escrevinhador, ao lado do principal convidado  – os dois tinham muito mais cabelos.</p>
<p>Em 88, fiz campanha pra um vereador do PT – o Chico Whitaker, ligado à Igreja. A brincadeira com o Chico na época era: “sua campanha tá tão forte, e tão ampla, que tem até comunista misturado na Igreja”. Mas comunista nunca fui. Não me filiei ao PCB. Era considerado apenas “área de influência” (como se dizia no jargão da época).</p>
<p>Em 89, veio a campanha presidencial. O PCB lançou Roberto Freire (ele teria só 1% dos votos), que  conquistou simpatias na classe média. Mas a “base” da USP não ficou com ele, rachou com o partido e decidiu apoiar Lula.</p>
<p> Como eu disse, éramos poucos. Mas o apoio da “base comunista da USP” a Lula animou a turma do PT. Lá pelo meio do ano, organizou-se o “Núcleo pró-Lula na Universidade de São Paulo”. A reunião de lançamento aconteceu na FEA, a Faculdade de Economia. Sala lotada. Mais de cem pessoas. Na mesa, a turma do PT e do PCdoB. Elegeu-se uma comissão, com representantes de todas as tendências: Articulação, DS, CS, OT, Igreja, PCdoB&#8230; Até que alguém olhou pra um canto do auditório e viu Rogério e eu lá quietinhos: “escuta, gente, precisamos incluir na coordenação um representante do &#8230; do PCB&#8230; ou da dissidência do PCB. Afinal, vocês são o que?”</p>
<p>O Rogério não teve dúvidas, e lascou na base da gozação: “somos da Fração Bolchevique do PCB”. O cara na mesa não percebeu a ironia, e concluiu: “então, registre-se em ata, a Fração Bolchevique também está com Lula”.</p>
<p>A Fração Bolchevique, inventada pelo meu amigo Rogério, não durou muito. Passada a eleição, a “base do PCB” se desintegrou. E a maior parte da turma migrou para o PT.</p>
<p>Antes disso, agitamos bastante. Numa passeata pró-Lula, meu irmão (que não era próximo do PCB, mas também apoiava Lula) e eu ficamos incumbidos de arrumar tinta pras faixas. Compramos a lata, gigantesca, que eu desavisadamente deixei  sobre uma cadeira na sala de casa. Na hora de sair pra pintar as faixas, esbarrei na cadeira, a lata voou, e aquela tinta vermelha esparramou-se  toda pelo carpete de casa&#8230; </p>
<p>À noite, meu pai viu a mancha no chão, e perguntou o que era. Diante da nossa explicação, desferiu ironicamente: “vocês querem votar em Lula, tudo bem; mas, por favor, mantenham o carpete de casa longe dos embates políticos”.</p>
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		<title>Nelson, Caetano, o Papa e a Mesbla</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Dec 2010 00:26:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>
		<category><![CDATA[Baú]]></category>

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		<description><![CDATA[Os LPs saltaram do baú. E com eles boas lembranças. Há quantos anos não ouvia Nelson Cavaquinho. Foi uma delícia reencontrar também meu disco vermelho do “Língua de Trapo”, o “Dire Straits” e muito Caetano Veloso. Sem falar nas minhas fotos dos anos 70, outras dos anos 90. A multidão no Rio pra ver o Papa, e ao fundo o letreiro da Mesbla. Tudo se foi. Saudade, sim. Mas sem saudosismo.   ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp">
<div id="attachment_5776" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02507.jpg" rel="lightbox[5775]"><img class="size-medium wp-image-5776" title="DSC02507" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02507-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Devoção, na festa de 10 anos</p></div>
<p>Uma festa de aniversário no fim dos anos 70. Esse blogueiro aparece debruçado sobre o bolo – que traz o símbolo do Corinthians desenhado no glacê: um capricho (carinhoso) de minha mãe.</p>
<p>Sobre a mesa, a inevitável garrafa de Fanta Laranja. De vidro, claro.</p>
<div id="attachment_5778" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02506.jpg" rel="lightbox[5775]"><img class="size-medium wp-image-5778" title="DSC02506" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02506-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Pernas tortas (sou o primeiro, à esq.) não eram as de um craque</p></div>
<p>Outra foto, ainda mais antiga: meu irmão e eu com o uniforme alvinegro. As pernas tortas bem que poderiam ter prenunciado o talento de um Garrincha. Mas poucos anos depois revelariam no máximo um lateral-direito abrutalhado, que sentava o sarrafo nos adversários, ou um médio volante no estilo Dunga. A imagem traz ainda o bom amigo Luiz Rodrigo Lemmi – que depois seria colega de escola, além de companheiro nas primeiras aventuras políticas, parceiro em incursões musicais e desventuras etílicas. Virou advogado e, poucos meses atrás, ganhou (em concurso) a concessão de um cartório no interior paulista. Segue corintianíssimo! </p>
<p>Com a casa vazia, e nesse limbo entre Natal e Ano Novo, a época parece mesmo propícia para abrir velhos baús. Mas há outra explicação: no dia 25, conheci o apartamento novo de minha irmã, e vi o móvel bonito que meu cunhado encomendou para a sala, só pra guardar a extensa coleção de LPs. Rock, ópera, clássicos&#8230; Impressionante. O Carlão é eclético e soube preservar a coleção. Olhando praquele móvel repleto de LPs, lembrei dos meus velhos discos: maltratados, abandonados num baú aqui em casa. Resolvi abri-lo.</p>
<p>Os LPs saltaram. E com eles boas lembranças. Há quantos anos não ouvia Nelson Cavaquinho. O disco (de 1985) foi presente de Alexandre Schneider (hoje, secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo). Chico Buarque, Paulo César Pinheiro (letrista genial), Paulinho da Viola, Carlinhos Vergueiro, Beth Carvalho e outros se reuniram pra oferecer o que Nelson havia pedido: “As Flores em Vida!”</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Depois, quando eu me chamar saudade, não preciso de vaidade, quero preces e nada mais&#8221; (N.C).</em></p></blockquote>
<p><span id="more-5775"></span>Foi uma delícia reencontrar também meu disco vermelho do “Língua de Trapo”, que &#8211; ao lado do “Premeditando o Breque” e do “Rumo – compunha a tríade dos bons grupos “alternativos” na São Paulo dos anos 80. Vocês se lembram?</p>
<p>E o “Dire Straits”, com aquele “Brothers in Arms” de capa azul? Delicioso. Assim como Stan Getz e João Gilberto (outro presente do Schneider, se não me falha a memória), Vinicius, Toquinho, Tom, Gil, Caetano&#8230; Muito Caetano! Dos mais manjados “Estrangeiro” e “Totalmente Demais”, até um pelo qual tenho carinho especial: na capa, Caetano surge na praia, de óculos, e uma mão misteriosa parece querer entregar-lhe uma fita cassete. Mas Caetano olha pro outro lado.</p>
<p>Esse LP foi presente de uma namorada – a Isis – que partiu cedo demais. A gente se acabava de tanto ouvir Caetano. Ela adorava interpretar as letras (estudava Letras), e eu ia junto na viagem. O disco é bom mesmo. Tem duas das mais pungentes canções de Caetano: “José” e “O Ciúme” são elaboradas e dilacerantes &#8211; na tristeza que parece saltar do vinil.</p>
<p>Hoje em dia, muita gente implica com o Caetano, pelas posições políticas que assumiu. Eu procuro separar as coisas. Caetano pode dizer qualquer besteira. No meu coração guardo as letras geniais:</p>
<blockquote><p><span style="color: #000000;"><strong>JOSÉ</strong></span></p>
<p><em>&#8220;Estou no fundo do poço/Meu grito/Lixa o céu seco/O tempo espicha mas ouço/O eco<br />
Qual será o Egito que responde/E se esconde no futuro?/O poço é escuro/Mas o Egito resplandece<br />
No meu umbigo/E o sinal que vejo é esse/De um fado certo/Enquanto espero/Só comigo e mal comigo<br />
No umbigo do deserto.&#8221; (C.V.)</em></p></blockquote>
<p> Mas no baú também há coisas engraçadas: um LP de Sá e Guarabira (nem lembrava que um dia gostei deles), e outros dois de Pedrinho Mattar (presente de meus pais, se bem me lembro, quando comecei a estudar piano). Muitas vezes já tentei jogar fora o Pedrinho Mattar. Não consigo. Hoje, de novo: olhei as capas, ri, não escutei; mas guardei os discos no fundo do baú. </p>
<p>E ainda havia as fotos. Depois do aniversário de 1979 e da pose corinthiana em 78, um salto para os anos 90. Repórter na TV Globo no Rio, sob o sol inclemente do Aterro do Flamengo, visto um terno claro.  Ao fundo, a multidão se aglomera pra ver o Papa João Paulo II. Mais ao fundo ainda, o velho letreiro da “Mesbla”.  Participei da transmissão ao vivo naquele dia. Depois da missa, incentivado pelo cinegrafista Zé Carlos (que hoje é chefe lá no Jardim Botânico), corri pra entrevistar Roberto Carlos e a mulher: eles mostraram o terço benzido pelo Papa. É o que aparece na foto.</p>
<p>E daí? E daí, nada. O que me choca é que o letreiro, a Mesbla e o Papa polonês não existem mais. E eu quase não me reconheço naquela foto. Exagero? Talvez Freud explique.</p>
<p>Também já não existe o Tim Lopes. A não ser na lembrança. Em 1998, ele me pautou pra uma feijoada na Mangueira. Chico Buarque seria o tema do enredo naquele ano, e o Tim (que era mangueirense) conseguiu uma entrevista (sempre difícil de negociar) com o Chico. Foram duas perguntas no máximo, eu acho. Intimidado diante do ídolo, só tive tempo de pedir a um colega pra bater a foto – que ficou muito melhor do que a matéria que a Globo levou ao ar. Ao Tim, que estava na feijoada e assistiu à cena da mesa ao lado, eu devo essa.</p>
<p>E paro por aqui. Porque do baú saltam outras fotos, muitas. Lembranças de amigos com quem não falo há muito tempo. Vou tentar ligar agora para alguns deles. Antes que seja tarde. Até porque o tempo – se me permitem o lugar comum &#8211; vai passando rápido demais pro meu gosto.</p>
<p>Saudade eu sinto. Mas saudosista descobri que não sou. Se querem saber a verdade, já estou até cansado de ter que levantar a cada 15 minutos pra virar esses velhos discos a tocar aqui na vitrola, enquanto batuco esse post. Os LPs trazem, sim, ótimas lembranças. Valem por isso, e pelos amigos a que me remetem. Mas prefiro ouvir música em CD, ou baixar direto da internet.</p>
<p>Da mesma forma, os tempos de Globo trazem boas lembranças. Das pessoas, sobretudo; e de algumas situações especiais. Mas prefiro a liberdade de hoje. O resto pode repousar no fundo do baú, ao lado dos discos do Pedrinho Mattar.</p>
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<div id="attachment_5785" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02500.jpg" rel="lightbox[5775]"><img class="size-medium wp-image-5785" title="DSC02500" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02500-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">O Rei, a mulher e o terço</p></div>
<div id="attachment_5784" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02499.jpg" rel="lightbox[5775]"><img class="size-medium wp-image-5784" title="DSC02499" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02499-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">A multidão, o sol escaldante e o letreiro da Mesbla ao fundo (testemunha de outros tempos)</p></div>
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<div id="attachment_5786" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02501.jpg" rel="lightbox[5775]"><img class="size-medium wp-image-5786" title="DSC02501" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/DSC02501-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Chico numa feijoada na Mangueira: foto ficou melhor do que a entrevista</p></div>
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		<title>Stuart Angel é homenageado por seu combate</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 16:52:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Sada</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada, foi realizada uma justa homenagem à memória de Stuart Angel Jones. Militante do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) e combatente da ditadura, Stuart foi torturado e assassinado pelo regime militar em 1971.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <span style="color: #ff0000;">Juliana Sada</span></em></p>
<p>Na semana passada, foi realizada uma homenagem à memória de Stuart Edgar Angel Jones. Militante do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) e combatente da ditadura, Stuart foi torturado e assassinado pelo regime militar em 1971. Além de militante, o jovem era atleta do clube de regatas do Flamengo e foi bicampeão carioca de remo, nos anos 64 e 65.  Sua ligação com o clube extrapola o esporte, enquanto era perseguido pela ditadura, Stuart conseguiu abrigo na sede, ficando escondido por um tempo lá.</p>
<p>A homenagem foi realizada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Clube de Regatas do Flamengo, o Centro Acadêmico Stuart Angel Jones e a Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação. Para o ministro dos direitos humanos, Paulo Vanucchi, presente no evento, o “momento se fazia necessário há muito tempo. É um dia de alegria, com lágrimas inevitáveis, para fazermos uma homenagem ao herói que foi o Stuart. É importante lembrar tudo o que aconteceu à juventude de hoje, para que isso nunca possa se repetir&#8221;. Hildegard Angel, irmã de Stuart, esteve presente na homenagem e, emocionada, agradeceu: “É ótimo receber este tipo de carinho e de lembrança de que não há país sem democracia e liberdade”.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 526px"><img title="Homenagem" src="http://farm6.static.flickr.com/5286/5246788137_ca3d9f4ab9_z.jpg" alt="" width="516" height="344" /><p class="wp-caption-text">Junto ao monumento, o vice-prefeito Carlos Alberto Muniz, Hildegard Angel, Patrícia Amorim, Zezé Barros e o Min.Paulo Vannuchi</p></div>
<p><span id="more-5533"></span></p>
<p>Stuart Angel Jones não foi a única vítima na família, sua esposa Sônia também foi morta durante a ditadura.  Além disso, diante da morte de seu filho, a estilista Zuzu Angel começou uma investigação sobre o caso e protagonizou uma campanha de denúncia a nível internacional, utilizando-se de sua fama e da cidadania estadunidense do filho. Em 1975, Zuzu morreu em um acidente de carro, vítima de um atentado.</p>
<p><strong>A prisão e o desaparecimento</strong><br />
<a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/Stuart_Angel.jpg" rel="lightbox[5533]"><img class="alignleft size-full wp-image-5535" title="Stuart Angel" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/12/Stuart_Angel.jpg" alt="" width="340" height="300" /></a>Stuart Angel Jones foi preso em maio de 1971 no local onde iria encontrar outro companheiro, Alex Polari. Ele foi levado para o Centro de Informação e Segurança da Aeronáutica. De acordo com Jacob Gorender, no clássico livro <em>Combate nas Trevas</em>, os policias queriam apenas uma informação: a localização de Lamarca. Diante da sua recusa em dar o paradeiro do companheiro, o jovem sofreria uma brutal tortura. “Aplicado sob a chefia do Brigadeiro João Paulo Burnier, os tormentos violentíssimos, como o de arrastamento por um jipe com a boca no cano de descarga, resultaram em mortais e o dirigente do MR-8 somou um nome a mais na lista dos &#8216;desaparecidos&#8217;”.</p>
<p>O relato feito por Gorender é resultado da denúncia feita por seu companheiro Alex Polari, que também estava preso:</p>
<p>“Em um momento retiraram o capuz e pude vê-lo sendo espancado depois de descido do pau-de-arara. Antes, à tarde, ouvi durante muito tempo um alvoroço no pátio do CISA. Havia barulho de carros sendo ligados, acelerações, gritos, e uma tosse constante de engasgo e que pude notar que se sucedia sempre às acelerações. Consegui com muito esforço olhar pela janela que ficava a uns dois metros do chão e me deparei com algo difícil de esquecer: junto a um sem número de torturadores, oficiais e soldados, Stuart, já com a pele semi-esfolada, era arrastado de um lado para outro do pátio, amarrado a uma viatura e, de quando em quando, obrigado, com a boca quase colada a uma descarga aberta, a aspirar gases tóxicos que eram expelidos”</p>
<p><span> </span>O livro <em>Desaparecidos Políticos</em>, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, conta mais um pouco do destino do militante:</p>
<p>“Para o desaparecimento do corpo existem duas versões. A primeira é de que teria sido transportado por um helicóptero da Marinha para uma área militar localizada na restinga de Marambaia, na Barra de Guaratiba, próximo à zona rural do Rio, e jogado em alto-mar pelo mesmo helicóptero. Mas, de acordo com outras informações, o corpo de Stuart teria sido enterrado como indigente, com o nome trocado, num cemitério de um subúrbio carioca, provavelmente Inhaúma.</p>
<p>Os responsáveis: os brigadeiros Burnier e Carlos Afonso Dellamora, o primeiro, chefe da Zona Aérea e, o segundo, comandante do CISA; o tenente-coronel Abílio Alcântara, o tenente-coronel Muniz, o capitão Lúcio Barroso e o major Pena – todos do mesmo organismo; o capitão Alfredo Poeck – do CENIMAR; Mário Borges e Jair Gonçalves da Mota – agentes do DOPS”.</p>
<p>Assim como Stuart, há outras 135 pessoas que estão na lista dos desaparecidos. A homenagem realizada faz parte da série de memoriais &#8220;Pessoas   Imprescindíveis&#8221;, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que com isso busca resgatar a história daqueles que   combateram a ditadura.</p>
<p><em>(Com informações do Clube de Regatas do Flamengo e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República)</em></p>
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		<title>As minhas lembranças de Plinio, um lutador</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 18:38:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>
		<category><![CDATA[Perfil]]></category>

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		<description><![CDATA[O Plínio (PSOL) entrou no radar dos tuiteiros e da imprensa em geral, depois da boa atuação no debate da "Band". Foi como se o Plinio tivesse sido descoberto agora. Não tenho simpatia pelo PSOL, mas gosto muito do Plinio - apesar de não concordar com muita coisa que ele diz. Peço licença para algumas reminiscências sobre esse grande brasileiro, a quem conheço há 22 anos. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/08/plinio.jpg" rel="lightbox[2500]"><img class="alignleft size-medium wp-image-2501" title="plinio" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/08/plinio-218x300.jpg" alt="" width="218" height="300" /></a>O Plínio (PSOL) entrou no radar dos tuiteiros e da imprensa em geral, depois da boa atuação no debate da &#8220;Band&#8221;. Foi como se o Plinio tivesse sido descoberto agora. Engraçado isso.</p>
<p>O candidato a presidente pelo PSOL, aos 80 anos, é das poucas lideranças (com a incômoda companhia de Sarney, talvez) que já faziam política partidária antes de 64, e seguem na ativa até hoje. Plinio era deputado pelo velho PDC (Partido Demcrata Cristão) antes do golpe. Apoiava Jango, foi cassado na primeira lista depois do golpe.</p>
<p>Não tenho simpatia pelo PSOL, mas gosto muito do Plinio. Peço licença para algumas reminiscências. Eu o conheci pessoalmente em 88. Plinio tinha disputado a vaga de candidato do PT a Prefeito de São Paulo, com apoio da ala majoritária do partido (Lula e Dirceu incluídos); era considerado um &#8220;moderado&#8221;. Acabou derrotado por Luiza Erundina, tida como &#8220;radical&#8221;. O que fez? terminada a prévia, correu pro comitê de Erundina e declarou apoio aberto, total. Ao contrário de setores majoritários do PT, que torciam o nariz pra Erundina, Plinio foi leal durante a campanha (como Brizola faria com Lula em 89), e parceiro durante o difícil mandato de Erundina na Prefeitura.</p>
<p>Guardo daquela época ótimas lembranças. Uma delas é a dedicatória que Plinio fez no exemplar da &#8220;Constituição Cidadã&#8221; que acabava de ser aprovada, e que eu ganhara de meu pai. &#8221;Para o Rodrigo, a certeza de que, se lutarmos bastante, viveremos em um país bem melhor&#8221;, escreveu ele &#8211; que ajudara a redigir a nova Carta como deputado constituinte. </p>
<p>Plinio seguiu lutando. Costumava reunir muita gente em reuniões aos sábados, para debater a &#8220;Conjuntura Nacional&#8221;. Muitas aconteciam nos fundos de igrejas em São Paulo. Plinio tinha o apoio da velha guarda da esquerda católica (que logo depois seria dizimada por Ratzinger). Mas havia também o pessoal jovem, recem-saído da universidade e sem qualquer vínculo com a Igreja, alguns que tinham até certa ligação com o PCB (como esse que escreve).</p>
<p>No fim dos anos 80, Plinio e Chico Whitaker (então vereador pelo PT) alugaram uma casa na Barra Funda em São Paulo (a &#8220;casa da rua Marta&#8221;), onde reuniam jovens economistas, cientistas políticos, jornalistas, historiadores, sindicalistas e militantes em geral. A idéia era formular propostas para o debate interno no PT e na esquerda. Lembro bem que o Plinio achava um equívoco formulações de petistas que, naquela época, apostavam na formação de &#8220;conselhos populares&#8221; (sovietes?!) para substituir o poder das Câmaras Muncipais e assim criar o embrião de uma nova &#8220;institucionalidade&#8221;.</p>
<p>Para ele (e eu concordava), era coisa de gente fora da realidade: &#8220;isso só se faz em conjunturas revolucionárias; no Brasil, a luta atual é pra melhorar a democracia&#8221;, dizia. Mas, aos poucos, o Plinio mudaria.</p>
<p><span id="more-2500"></span></p>
<p>Em 90, virou candidato ao governo de São Paulo. E lá fui eu ajudar na campanha. A ala majoritária do PT não se esforçou muito, e ele teve cerca de 10% dos votos. Plinio já começava a mostrar uma característica que só se aprofundaria nos anos seguintes: um certo desânimo com a política puramente institucional, e a aposta no fortalecimento dos movimentos sociais.  No segundo turno pra governador em 90, sobraram Fleury (PMDB) e Maluf (PDS). Plinio defendia voto nulo. A turma que se reunia na rua Marta reagiu. Nunca vi aquilo. O velho militante teve que engolir jovens militantes a dizer que era necesário votar em Fleuy, sim, para derrotar o &#8220;inimigo principal&#8221;.</p>
<p>Lembro de uma jovem amiga, arquiteta e muito inflamada, dizendo que Plinio estava sendo sectário, míope. Ele só franzia a testa, como faz até hoje nos momentos de gravidade. Mostrou grandeza porque ouviu tudo calado. Mas no dia seguinte saiu na imprensa que ele pessoalmente pregaria voto nulo &#8211; sim! Acabei votando no Fleury no segundo turno (será que o Plinio é que estava certo?).</p>
<p>O velho militante católico, moderado, caminhava para a esquerda. Sairia do PT quinze anos depois, seguindo os mesmo passos de Erundina e Chico Whitaker. Ao longo dos anos, Maluf &#8211; ex &#8221;inimigo principal&#8221; &#8211; virou aliado do governo Lula em alguns momentos. Fleury sumiu. Acho que está no PTB (partido que também compôs a base de Lula).</p>
<p>Plinio se aprofundou nas questões sociais. Venceu um câncer, e seguiu a militar pela Reforma Agrária. Passei anos sem falar com ele (eu estava tentando ganhar a vida, trabalhando feito louco como jornalista, distante dos debates). Até que em 2005 nos reencontramos: eu era repórter da Globo, e ele candidato a presidente do PT, durante a crise pós-Mensalão. Bem-humorado, interrompeu a coletiva no meio da rua, pra dizer: &#8220;esse aqui, olha, já trabalhou comigo, agora está aí na Globo&#8230;&#8221; Falou sem ódio, bem-humorado. Eram os fatos.</p>
<p>Em 2006, uma boa surpresa: quando saí da Globo, de forma tumultuada, recebi centenas de telefonemas de apoio e solidariedade. Um deles me emocionou especialmente. Era  Plinio: &#8220;Olha, Rodrigo, eu já tô meio velho mas sigo por aqui, se precisar de mim sabe que não fujo da briga&#8221;. Fiquei surpreso, e grato. Essas coisas a gente não esquece. Gosto de quem não foge da briga, e mais anda de quem é capaz de fazer isso sem agressividade desmedida. É o caso do Plinio.</p>
<p>Nos últimos anos, retomamos algum contato: em entrevistas na &#8220;Record News&#8221;, em festas na casa de amigos comuns. Há 40 anos de diferença separando Plinio e esse humilde escrevinhador. Mas há uma ligação afetiva que não se desfaz.</p>
<p>Não concordo com tudo o que ele diz. Acho que a esquerda deveria reconhecer os avanços da era Lula. Deveria partir disso para construir uma alternativa melhor, e não atacar o legado de Lula. Por essa razão, provavelmente, não votarei nele dessa vez. Mas minha admiração e meu respeito pelo Plinio são irrevogáveis.</p>
<p>Quando eu o vi brilhar sozinho, no chato debate da &#8220;Band&#8221;, relembrei todas essas histórias. E, sozinho na sala de casa, vibrei comigo mesmo: &#8220;dá-lhe, Plinio!&#8221;   Já passou da hora de alguém escrever a biografia do Plinio, um lutador, um cristão socialista que ama o Brasil.</p>
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		<title>Lembranças da TV Cultura, antes do desmonte</title>
		<link>http://www.rodrigovianna.com.br/vestigios/sao-paulo-vai-jogar-no-lixo-a-historia-da-tv-cultura-desmonte-ameaca-a-emissora.html</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 16:44:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Aprendi a “fazer televisão” na TV Cultura de São Paulo. Trabalhei durante quase três anos lá, entre 92 e 95. Época de ouro. Causa-me tristeza profunda ler a nota publicada por Daniel Castro, no R-7. Sob comando de João Sayad, os tucanos agora querem terminar o serviço na TV Cultura. Falam em demitir 1.400 pessoas. O último que sair apaga a luz.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>São Paulo vai jogar no lixo a história da TV Cultura? Desmonte ameaça emissora</strong></p>
<p><em>por <span style="color: #ff0000;">Rodrigo Vianna</span></em></p>
<p>Aprendi a “fazer televisão” na TV Cultura de São Paulo. Trabalhei durante quase três anos lá, entre 92 e 95. Época de ouro. Presidida por Roberto Muylaert, e com Beth Carmona na direção de programação, a Fundação Padre Anchieta (mantenedora da TV Cultura) era um lugar delicioso para se trabalhar. Havia liberdade, incentivo à criatividade e à inovação.</p>
<p><a href="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/08/castelo_Ra-tim-bum__capa_01.jpg" rel="lightbox[2367]"><img class="alignleft size-full wp-image-2368" title="castelo_Ra-tim-bum__capa_01" src="http://www.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2010/08/castelo_Ra-tim-bum__capa_01.jpg" alt="" width="316" height="320" /></a>Conto essa história porque me causa tristeza profunda ler a nota publicada por <a href="Aprendi a “fazer televisão” na TV Cultura de São Paulo. Trabalhei durante quase três anos lá, entre 92 e 95. Época de ouro. Presidida por Roberto Muylaert, e com Beth Carmona na direção de programação, a Fundação Padre Anchieta (mantenedora da TV Cultura) era um lugar delicioso para se trabalhar. Havia liberdade, incentivo à criatividade e à inovação.">Daniel Castro, no R-7</a>. Sob comando de João Sayad, os tucanos agora querem terminar o serviço na TV Cultura. Falam em demitir 1.400 pessoas. O último que sair apaga a luz.</p>
<p>Quando trabalhei lá, as luzes estavam sempre acesas! Havia estúdios modernos, bons equipamentos, salários mais do que razoáveis. Lembro que os câmeras e técnicos em geral tinham duas referências em São Paulo: Globo e Cultura. Eram as duas TVs que ofereciam melhor remuneração e melhores condições de trabalho.</p>
<p>Era a época do “Castelo Rá-Tim-Bum”, do “X-Tudo”, e do auge de programas como “Vitrine”, “Metrópolis”, “Grandes Momentos do Esporte” e tantos outros. Como jovem repórter (entrei na TV com 22 anos), eu integrava a equipe do “60 Minutos” – um telejornal que ia ao ar das 12h às 13h. Tempos heróicos. Com quatro ou cinco equipes de externa, a gente punha no ar todo dia 1 hora de jornalismo. Muito factual, muita entrada “ao vivo”. E uma equipe inesquecível.</p>
<p>Não vou citar nomes para não cometer injustiças, lembro apenas do Marco Nascimento (diretor de jornalismo sério e com talento pra formar equipes) e da Malice Capozoli (chefe de redação que comandava com segurança e carinho a produção do “60 Minutos”).</p>
<p>Ah, mas a audiência era baixa, dirão alguns. Não era! O “Castelo”, por exemplo, chegou a dar 15 pontos de média no começo da noite. Incomodava as novelas da Globo e ficava em segundo lugar. O “60 Minutos” conseguia 5 pontos de média. Era a segunda audiência em São Paulo na hora do almoço. O “Jornal da Cultura”, à noite, dava cerca de 4 pontos (mais ou menos o que consegue hoje  o “Jornal da Band”).</p>
<p>Sabem quem era o governador naquela época? Fleury. Posso dar meu testemunho: nunca interferiu na programação, nunca fez lobby por esse ou aquele assunto. Cobríamos tudo, com liberdade. Quando o mandato dele terminou, Fleury deu uma entrevista no “Roda-Viva”. Eu estava entre os entrevistadores, e lembro de ele ter dito: “nem sei quem é o diretor de jornalismo da TV Cultura, nunca conversei com ele”. Achei aquilo sintomático. O Marco Nascimento (de quem sou amigo) nunca tinha ido ao palácio fazer “beija-mão” do governador. Era assim que as coisas funcionavam.</p>
<p>O Muylaert  (que presidia a Fundação) tinha proximidade com FHC, virou até ministro dele no começo do primeiro governo. Durante a campanha presidencial de 94, nunca pediu nada ao jornalismo. Cobrimos Lula e FHC com total liberdade.</p>
<p><span id="more-2367"></span></p>
<p>Em 95, Muylaert deixou a Fundação para ir ao ministério. E Covas assumiu o governo de São Paulo. Ali começou a operação desmonte. O tucano resolveu reduzir o repasse de verbas para a Cultura (eram 50 milhões de reais por ano). Covas cortou de forma linear em todas as áreas do governo, porque o Estado estava “quebrado”, como diziam os tucanos (e em parte tinham razão).</p>
<p>Mas Covas agiu como contador de secos e molhados. De fato, o Estado de São Paulo precisava passar por um ajuste. Mas os 50 milhões da Cultura eram irrisórios no Orçamento geral. “Não interessa, tem que cortar como todo mundo”: era o recado que vinha do Palácio.</p>
<p>As equipes foram reduzidas, desmontadas. E em TV, quando você desfaz uma equipe, vai cada um pra um canto. Difícil depois recuperar o estrago.</p>
<p>Saí da TV em junho de 95, num plano de demissão voluntária (PDV) feito para “enxugar” os quadros. Por sorte, recebi convite da Globo, no meio da “operação desmonte” que asfixiou a Cultura.</p>
<p>Nos últimos 15 anos, acompanho de longe a lenta agonia da TV. Aqui e ali, continuaram a surgir boas idéias, programas criativos, jovens talentos. Mas o movimento geral é de decadência – infelizmente.</p>
<p>Ainda há gente boa por lá – como o inesquecível “Monga” (outro grande chefe de redação que trabalhou a vida inteira na Cultura). Não sei se essa turma terá força pra resistir ao desmonte.</p>
<p>Tomara que os tucanos não tenham tempo de concluir a operação. Tomara que Sayad reveja essa posição. Se a turma do PSDB acha que a TV Cultura virou um “fardo”, podia negociar com a TV Brasil, para transformar a Cultura no braço paulista de uma mais do que necessária (e ainda incompleta) rede pública de TV no Brasil.</p>
<p>Santa ingenuidade a minha. Mas não consigo falar da TV Cultura sem falar com o coração. É triste o que estão fazendo com ela. E é mais um sinal do que pode acontecer no Brasil se essa turma que manda em São Paulo voltar a mandar no nosso país.</p>
<p>Daniel castro tentou ouvir Sayad &#8211; que é um homem razoável, não é um fundamentalista da privatização. Vejam&#8230;</p>
<p><em>&#8220;O blog tentou ouvir o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, sobre as mudanças que ele pretende implantar na TV Cultura. Na última segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa da emissora, pediu uma entrevista. Ontem à tarde, a TV Cultura informou que Sayad não falaria com o <strong>R7</strong>.</em></p>
<p><em>As informações aqui publicadas foram relatadas previamente à assessoria de imprensa da TV Cultura. Nada foi negado.&#8221;</em></p>
<p>===</p>
<p>Volto eu: quem sabe o Sayad aparece e explica essa história, desmente, sei lá! Não quero acreditar que ele cumprirá esse papel!</p>
<p>===</p>
<p><strong>Nota</strong></p>
<p>No início desta tarde, a TV Cultura divulgou uma nota sobre o assunto, entretanto nem nega nem afirma as informações divulgadas por Daniel Castro. Segue abaixo a nota, retirada do blog do <a href="http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2010/08/04/tv-cultura-se-tornou-cara-e-ineficiente-diz-nota-oficial/">Daniel Castro</a>:</p>
<p><em>Em face às recentes notícias publicadas sobre a TV Cultura, informamos que:</em></p>
<p><em>A TV Cultura é patrimônio querido dos paulistas e brasileiros, com um acervo de ótimos programas e vários artistas e jornalistas de sucesso que começaram aqui, mas que precisa se renovar. Perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente.</em></p>
<p><em>Esta é a proposta de renovação que a Administração levará ao Conselho da Fundação Padre Anchieta: a revitalização dos programas admirados, a modernização dos processos administrativos, bem como dos equipamentos, e contando com os talentos que a emissora possui e com a contratação de novos apresentadores e jornalistas.</em></p>
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		<title>Brizola enfrentou &#8220;ratão&#8221; da imprensa na TV Cultura</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 13:57:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>

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		<description><![CDATA[(texto originalmente publicado em 15 de dezembro de 2008, quando este blog ainda era um &#8220;quase-blog&#8221;) Vocês vão dizer que existe gosto pra tudo, mas o fato é que nos anos 80 eu parava pra ver qualquer entrevista ou comício do velho Brizola. Se ficava sabendo que ele falaria na TV, preparava-me para estar em casa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(texto originalmente publicado em 15 de dezembro de 2008, quando este blog ainda era um &#8220;quase-blog&#8221;) </em></p>
<p><img src="../../files/Image/brizola22.jpg" alt="" width="244" height="244" align="left" />Vocês vão dizer que existe gosto pra tudo, mas o fato é que <strong>nos anos 80 eu parava pra ver qualquer entrevista ou comício do velho Brizola.</strong> Se ficava sabendo que ele falaria na TV, preparava-me para estar em casa e acompanhar tudo. Se ele marcava comício em São Paulo (eram raros, porque o PDT era fraquinho na capital paulista), lá ia eu (acompanhado por dois ou três amigos malucos como eu), pra ver o engenheiro falar.</p>
<p>Cheguei a a gravar algumas das entrevistas de Brizola na TV. Na época, quase pré-histórica, eu gravava tudo em fitas VHS, que ficavam lá atravancando a estante de minha mãe na sala de visitas. Mal sabia eu que no futuro estaria tudo disponível no youtube&#8230; Mas, isso não vem ao caso.</p>
<p>O Brizola era um gênio, um, democrata, um estadista. E um grande entrevistado.<br />
<strong>Uma dessas entrevistas inesquecíveis de Brizola foi no Roda-Viva da TV Cultura, em 1987</strong>. Tenho a fita VHS até hoje.</p>
<p>Na época, havia no &#8220;Estadão&#8221; <strong>um jornalista chamado Lenildo Tabosa Pessoa &#8211; reacionário, quase fascista, e anti-brizolista até a medula</strong>, na medida em que isso deveria agradar aos chefes dele na família Mesquita.<br />
Bem, o <strong>Lenildo foi chamado pra compor a bancada de entrevistadores do Roda-Viva, e lá pelas tantas sapecou a provocação:<br />
&#8220;governador, muita gente na esquerda brasileira diz que Fidel Castro costuma chamá-lo de &#8220;El Raton&#8221;</strong>&#8230; &#8220;(Lenildo preparava-se para contar a velha lenda, nunca comprovada, de que Brizola teria pego dinheiro de Cuba para fazer guerrilha e depois embolsado a grana).</p>
<p><strong>A saída de Brizola para a provocação foi antológica.</strong></p>
<p>O vídeo da entrevista está aqui, mas a qualidade (do aúdio, especialmente) é muito ruim: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=R41k2OCv7ec">http://www.youtube.com/watch?v=R41k2OCv7ec</a></p>
<p><img src="../../js/app.labore/fckeditor/editor/images/spacer.gif" alt="" /><br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/R41k2OCv7ec" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/R41k2OCv7ec"></embed></object></p>
<p><strong>Brizola virou o jogo contra o jornalista &#8211; de forma improvisada, mas definitiva.<br />
</strong>Para quem tem preguiça ou computador velho (que emperra na hora de abrir arquivo de vídeo), vale a pena ler a transcrição. Veja como Brizola respondeu ao jornalista:</p>
<p><strong>Leonel Brizola:</strong> Eu não vejo ninguém mais parecido com &#8220;raton&#8221; do que você.<br />
(risos)<br />
(silêncio no estúdio, Lenildo acusa o golpe e fica sem resposta; Brizola parte pra cima)<br />
<strong>Leonel Brizola:</strong> Olha, você fez uma cara de &#8220;raton&#8221;.<br />
<strong>Lenildo Tabosa Pessoa</strong>: Só que Fidel Castro não pensa assim.<br />
<strong>Leonel Brizola</strong>: Isso tudo foi alguém que criou para me ofender, me agredir, me insultar. Como você quis fazer.<br />
<strong>Lenildo Tabosa Pessoa</strong>: É isso que eu fiquei sabendo.<br />
<strong>Leonel Brizola</strong>: Não mexeu com o meu pulso. Agora pode crer não há telespectador que esteja assistindo este programa que vendo sua cara e que não achasse parecido com um &#8220;raton&#8221;. Pode crer. Você tem uma cara de &#8220;raton&#8221; que em poucas pessoas eu tenho visto na minha vida.</p>
<p>A saída de Brizola foi genial porque Lenildo tinha mesmo uma tremenda cara de &#8220;ratón&#8221;. Ou, então, ficou parecido com &#8220;ratón&#8221; diante da investida do engenheiro.</p>
<p><strong>Lembrei dessa história engraçada ao ler sobre essa história dos entrevistados que teriam sido escolhidos a dedo para entrevistar Gilmar Mendes</strong>, no Roda-Viva (aliás, foram mesmo escolhidos? Sabe, sou meio ingênuo&#8230; A TV Cultura precisa dar uma resposta!).</p>
<p>Lembrei do <strong>Lenildo Tabosa Pessoa</strong>, lembrei das feições de<strong> Gilmar Mendes</strong>, e não é que eles têm algo em comum?<br />
Não há aqui nenhuma insinuação, <strong>apenas uma constatação de ordem fisionômica.</strong></p>
<p>Por isso, pergunto: onde estavam os ratos na entrevista de Gilmar Mendes à TV Cultura?</p>
<p><strong>Já houve um tempo em que o Roda-Viva não permitia que entrevistado escolhesse entrevistador.</strong><br />
Pelo contrário: a idéia era botar jornalistas que provocassem o debate. Mesmo que, às vezes, a entrevista descambasse para o bate-boca.</p>
<p>Mas, hoje há ratos por toda parte. Ratos bochechudos. Ratos de chapéu, ratos de terno e gravata&#8230;<br />
Eles se merecem.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ronaldo, Francisco e seu João</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 14:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei se o seu João ainda está vivo. Ele, de alguma forma, é o responsável pela foto que voce vê logo aqui abaixo: Francisco fez sua estréia em clássicos. Com 4 meses, meu filho mais novo acompanhou a vitória do Corinthians (sim, esse empate entra pra história como uma vitória acachapante e incontestável) sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se o seu João ainda está vivo. Ele, de alguma forma, é o responsável pela foto que voce vê logo aqui abaixo: Francisco fez sua estréia em clássicos.</p>
<p>Com 4 meses, meu filho mais novo acompanhou a vitória do Corinthians (sim, esse empate entra pra história como uma vitória acachapante e incontestável) sobre o rival Palmeiras. Na sala de casa, estavam também &#8211; grudados na TV-  os irmãos dele (André e Vicente &#8211; meus filhos mais velhos) e o patriarca Geraldo, meu pai.Além de minha mulher, Teresa, que ainda não é corinthiana &#8211; mas pode aderir a qualquer momento.</p>
<p><img src="../../files/Image/DSC00372.JPG" alt="" width="240" height="242" /> <img src="../../files/Image/DSC00377.JPG" alt="" width="240" height="180" /></p>
<p><em>Francisco estreou com pé direito em clássicos;  André e Vicente são da mesma linhagem </em></p>
<p><strong>Quando Ronaldo meteu a testa na bola e partiu pra derrubar o alambrado aos 47 do segundo tempo, a sala de casa explodiu em gritos. Francisco já estava cochilando. E assim permaneceu. Não importa, pra mim ele testemunhou um dia histórico: o primeiro gol de Ronaldão com a camisa do Corinthians. André e Vicente se ajoelharam no chão. Meu pai pulou. Eu tremi,  gritei.</strong></p>
<p><strong>No mundo inteiro, o gol virou notícia. Como aqui, em &#8220;La Gazetta dello Sport&#8221; <a href="http://video.gazzetta.it/?vxSiteId=f89d11d6-1424-420d-8ebb-23904200f68a&amp;vxChannel=CalcioNews&amp;vxClipId=2570_bce4ec4e-0c78-11de-987c-00144f02aabc&amp;vxBitrate=300">http://video.gazzetta.it/?vxSiteId=f89d11d6-1424-420d-8ebb-23904200f68a&amp;vxChannel=CalcioNews&amp;vxClipId=2570_bce4ec4e-0c78-11de-987c-00144f02aabc&amp;vxBitrate=300</a>.</strong></p>
<p>O que seu João tem a ver com isso? Bem, ele não sabe, mas é o responsável por uma linhagem de corinthianos que já chega à terceira geração. Deixa eu explicar.</p>
<p><strong>Tudo começou no começo dos anos 50. Meu avô, mineiro, não ligava pra futebol. Tinha migrado pra São Paulo, e abrira uma pequena farmácia na rua da Móoca</strong>,  zona leste da capital. A família morava nos fundos do estabelecimento.</p>
<p>Meu pai, com seus 7 ou 8 anos, gostava de ficar na farmácia, acompanhando o movimento. <strong>Havia dois funcionários no balcão: João e Flávio.</strong></p>
<p>O segundo, palmeirense, tentou conquistar meu pai para as fileiras do Palestra. Mas, parece que não se empenhou muito. Palmeirense, às vezes, peca pela soberba. Azar deles.</p>
<p><strong>João era diferente. Fanático, trazia a &#8220;Gazeta Esportiva&#8221; para a farmácia, contava histórias de jogadas incríveis, reconstituía as vitórias, justificava as derrotas. Assim, consquistou mais um corinthiano: o pequeno Geraldo virou torcedor do clube do Parque São Jorge.</strong> Verdade que o time da época ajudava João na tarefa: com Gilmar no gol, Luizinho, Baltazar e tantos outros craques.</p>
<p><img src="../../files/Image/corinthians_1954%5B1%5D.jpg" alt="" width="400" height="240" /></p>
<p><em> O Corinthians de 1954: depois do título, vieram 22 anos de sofrimento</em></p>
<p>A conquista de 54 foi gloriosa: campeão paulista no ano do Quarto Centenário da fundação de São Paulo! Meu pai achou que vinha moleza pela frente, escolhera o time certo. Aí, começou o sofrimento&#8230;</p>
<p><strong>Foram 22 anos sem títulos. Não importou. O Geraldo foi crescendo, arrastou o irmã Gerson (meu tio) também pra torcida alvi-negra. Depois, vieram os filhos do Geraldo (entre eles, este escrevinhador), os filhos do Gerson, os netos dos dois. </strong></p>
<p><strong>Francisco é o mais novo dessa lihagem alvi-negra. Mas, já vem por aí o Felipe &#8211; filho de meu primo Eduardo. Não há a menor chance de não ser corinthiano!</strong></p>
<p>O sofrimento de meu pai durou até 77. Eu peguei uma parte só da longa fila. <strong>Lembro das tardes de sábado no Pacaembu dos anos 70. A gente gostava de ver os jogos na &#8220;curvinha&#8221; &#8211; um trecho da arquibancada de onde a visão diagonal permitia entender tudo o que se passava em campo. Foram várias frustrações: derrota pro Noroeste de Bauru, empate com o São Bento de Sorocaba. </strong></p>
<p><strong>Derrotas e frustrações ensinam muito</strong>. Como não tive educação religiosa, a fé na ressurreição corinthiana cumpria um pouco esse papel transcendental &#8211; imagino.</p>
<p><strong>A redenção veio em 77, </strong>com aquele petardo de Basílio contra a Ponte Preta. Até hoje, sei de cor a jogada &#8211; desenhada por Gepp e Maia nas páginas do &#8220;Jornal da Tarde&#8221; ( pra quem não sabe, Gepp e Maia &#8220;desenhavam&#8221; os gols , fixando didaticamente no papel o desenrolar dos lances).</p>
<p><strong>Depois, vieram os anos gloriosos com Sócrates, Casagrande, Vladimir e a deliciosa Democracia corinthana.</strong> Dois campeonatos em cima do São Paulo (com direito a gol no meio das pernas do Valdir Peres, coitado).</p>
<p><strong><img src="../../files/Image/1220409588%5B1%5D.jpg" alt="" width="229" height="233" /> <img src="../../files/Image/3161106405_7af9d1394d%5B1%5D.jpg" alt="" width="240" height="160" /></strong></p>
<p><em><strong>Sócrates e Casagrande: categoria em dobro;  e o gol do talismã em 1990: raça e fé na vitória</strong></em></p>
<p><strong>E o título brasileiro com Neto em 1990?</strong> Eu estava atrás do gol quando Tupazinho deu aquele carrinho e faturamos o São Paulo, de novo, dentro do Morumbi.</p>
<p><strong>Teve ainda o bi Brasileiro em 98/99, com Gamarra, Rincón, Marcelinho&#8230; E o  Mundial em 2000.</strong></p>
<p><strong>Em 2005, o último título: o Brasileiro, com Tevez.</strong></p>
<p><strong><img src="../../files/Image/tevez%2813%29%5B1%5D.jpg" alt="" width="240" height="230" /> <img src="../../files/Image/Campeonato_Brasileiro_2007_-_Corinthians_-_Rebaixado%5B1%5D.jpg" alt="" width="240" height="157" /></strong></p>
<p><strong> </strong><em><strong>Glória em 2005                                                              Fundo do poço em 2007 </strong></em></p>
<p><strong>Depois, novo mergulho no breu.</strong> Eu <strong>estava fora do Brasil no dia em que o Corinthians foi rebaixado em 2007. André e Vicente choraram muito.</strong> Meu pai, mais uma vez, cumpriu o papel de renovar as esperanças. Levou os dois para um passeio na sede do Corinthians, mostrou o sala de troféus, comprou camisa nova do Timão. Ou seja: renovou a fé, no momento da queda.</p>
<p><strong><img src="../../files/Image/ronaldo-corinthians%5B1%5D.jpg" alt="" width="340" height="210" align="left" />Neste domingo, estávamos torcendo pela ressurreição de Ronaldo. E ela veio. Todomundo sabe que ele precisa mais do Corinthians do que  o Corinthians precisa do Ronaldo. O Coringão é o time perfeito para alguém como ele, que já conheceu a glória, e foi ao fundo do poço.</strong></p>
<p>Time que sabe bem o que são altos e baixos. Time que não morre na queda, que cresce na derrota. Esse é  o espírito do Corinthians. Isso tudo traz alguma sabedoria.</p>
<p><strong>Pra mim, tudo começou lá atrás, com o esforço de seu João, funcionário da farmácia da rua da Móoca. Sem ele, eu hoje não teria pulado tanto com aquele gol do Ronaldão. Gol de redenção. Gol com a marca do Corinthians. </strong></p>
<p><strong>Obrigado, seu João!</strong></p>
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		<title>PCdoB já não faz reunião em cima da padaria</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 14:03:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vestígios]]></category>

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		<description><![CDATA[(texto originalmente publicado em 14 de novembro de 2008, às 16:51) Os comunistas estão chegando. Comunistas de carteirinha. Comunistas de todas as partes do Planeta: Grécia, Argélia, Vietnã, Itália, Noruega, Índia, Líbano, Venezuela, Letônia&#8230; A lista é imensa. Mais de 70 países enviarão representantes para o encontro que acontece na próxima semana, em São Paulo. Desde [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(texto originalmente publicado em 14 de novembro de 2008, às 16:51)</em></p>
<p>Os comunistas estão chegando. Comunistas de carteirinha. Comunistas de todas as partes do Planeta: Grécia, Argélia, Vietnã, Itália, Noruega, Índia, Líbano, Venezuela, Letônia&#8230; A lista é imensa. <strong>Mais de 70 países enviarão representantes para o encontro que acontece na próxima semana, em São Paulo.</strong></p>
<p>Desde 1998, quando os PCs voltaram a se articular (numa tentativa de superar a ressaca gerada pela queda da União Soviética), <strong>este já é o Décimo Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.</strong> Os sete primeiros foram organizados pelos comunistas gregos, depois o encontro passou por Portugal (2006) e Rússia (2007), antes de chegar ao Brasil em 2008.</p>
<p>Será que estamos assistindo à criação de uma nova “Internacional Comunista”? Quais serão os temas em debate no encontro? Voltarei a essas questões em outro texto. Agora, peço licença para algumas reminiscências&#8230;</p>
<p><strong>O anfitrião do Décimo Encontro será o PCdoB, partido mais antigo do Brasil</strong> – se levarmos em conta que ele é o herdeiro do velho partidão fundado em 1922 (o PPS, que formalmente seria a continuação do PCB, não pode reivindicar essa herança, já que abriu mão de sua história, entregou os pontos, virou sub-legenda tucana e liberal).</p>
<p>A turma do PCdoB deve estar orgulhosa&#8230; Vai receber, num hotel do centro de São Paulo, comunas de tudo que é canto do mundo. Quanta diferença de 20 anos atrás!</p>
<p><strong>Em meados da década de 80, meu irmão Fernando e eu</strong> (na época, estudantes secundaristas) nos aventuramos em reuniões semi-clandestinas do PCdoB. O partido – destroçado pela derrota no Araguaia &#8211; tinha acabado de obter a legalidade. As reuniões na zona sul de São Paulo aconteciam numa espécie de sobreloja, em cima de uma padaria no bairro da Vila Mariana. <strong>Lembro do ambiente quase monástico, cadeiras velhas de madeira, cartazes de Stálin e da Albânia (sim, pra quem não sabe, o PCdoB naquela época defendia o socialismo de “linha albanesa”).</strong></p>
<p><strong>Lembro, ainda, de um militante com uma cicatriz grande no rosto, descendente de japoneses, que comandava as reuniões.</strong> Na minha ingenuidade juvenil, ficava a pensar: “será que ele foi guerrilheiro, será que essa cicatriz é marca da luta armada?” Nunca tive coragem de perguntar. Sei que o cara ligava pra minha casa, avisando das reuniões; minha mãe queria saber quem era, e ele dizia apenas: <strong>“aqui é o Paulo, do movimento estudantil”. O sujeito tinha medo de dizer o nome “PCdoB” e espantar aquela mãe de classe média. Resquício da longa clandestinidade&#8230;</strong></p>
<p><strong>Minha trajetória no PCdoB não durou mais do que duas ou três reuniões.</strong> Segui outros caminhos (o que não me impede de reconhecer que –<strong> ao longo dos anos &#8211; encontrei no PCdoB alguns dos militantes socialistas mais dedicados, sérios, patriotas, e realmente interessados no bem do Brasil)</strong>. Meu irmão, Fernando, ainda usou durante alguns meses um broche do PCdoB. Comprou livros sobre a Albânia e, na hora do jantar, tentava convencer meu pai sobre as vantagens do “socialismo albanês”.</p>
<p>O “Paulo, do movimento estudantil”, eu nunca mais vi. Meu irmão Fernando virou antropólogo e (em vez da Albânia) hoje vive na Argentina, enquanto eu tento ser jornalista aqui mesmo no Brasil. <strong>O farol do socialismo albanês já se apagou há muitos anos&#8230; Mas a idéia de lutar por um mundo mais justo essa não vai se apagar nunca!</strong></p>
<p>O <strong>PCdoB</strong>, que já possui sede própria (com papel passado em cartório), que tem site na internet (o melhor entre os partidos de esquerda) e até Ministro de Estado em Brasília, <strong>agora vai organizar esse encontro internacional num hotel bacana de São Paulo!</strong></p>
<p><strong>Essa eu quero ver! Nem que seja pra depois contar pro meu irmão, e relembrar com ele os tempos das reuniões em cima da padaria.</strong></p>
<p><strong>&#8212;&#8212;&#8211;</strong></p>
<p><strong>Aqui você encontra o texto escrito alguns dias depois, com minhas impressões sobre o encontro dos comunistas em São Paulo: </strong></p>
<p><strong><a href="../../palavra-minha/eu-vi-os-comunistas-em-sao-paulo">http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/eu-vi-os-comunistas-em-sao-paulo</a></strong></p>
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