As minhas lembranças de Plinio, um lutador
publicada sábado, 07/08/2010 às 15:13 e atualizada segunda-feira, 09/08/2010 às 00:58
O Plínio (PSOL) entrou no radar dos tuiteiros e da imprensa em geral, depois da boa atuação no debate da “Band”. Foi como se o Plinio tivesse sido descoberto agora. Engraçado isso.
O candidato a presidente pelo PSOL, aos 80 anos, é das poucas lideranças (com a incômoda companhia de Sarney, talvez) que já faziam política partidária antes de 64, e seguem na ativa até hoje. Plinio era deputado pelo velho PDC (Partido Demcrata Cristão) antes do golpe. Apoiava Jango, foi cassado na primeira lista depois do golpe.
Não tenho simpatia pelo PSOL, mas gosto muito do Plinio. Peço licença para algumas reminiscências. Eu o conheci pessoalmente em 88. Plinio tinha disputado a vaga de candidato do PT a Prefeito de São Paulo, com apoio da ala majoritária do partido (Lula e Dirceu incluídos); era considerado um “moderado”. Acabou derrotado por Luiza Erundina, tida como “radical”. O que fez? terminada a prévia, correu pro comitê de Erundina e declarou apoio aberto, total. Ao contrário de setores majoritários do PT, que torciam o nariz pra Erundina, Plinio foi leal durante a campanha (como Brizola faria com Lula em 89), e parceiro durante o difícil mandato de Erundina na Prefeitura.
Guardo daquela época ótimas lembranças. Uma delas é a dedicatória que Plinio fez no exemplar da “Constituição Cidadã” que acabava de ser aprovada, e que eu ganhara de meu pai. ”Para o Rodrigo, a certeza de que, se lutarmos bastante, viveremos em um país bem melhor”, escreveu ele – que ajudara a redigir a nova Carta como deputado constituinte.
Plinio seguiu lutando. Costumava reunir muita gente em reuniões aos sábados, para debater a “Conjuntura Nacional”. Muitas aconteciam nos fundos de igrejas em São Paulo. Plinio tinha o apoio da velha guarda da esquerda católica (que logo depois seria dizimada por Ratzinger). Mas havia também o pessoal jovem, recem-saído da universidade e sem qualquer vínculo com a Igreja, alguns que tinham até certa ligação com o PCB (como esse que escreve).
No fim dos anos 80, Plinio e Chico Whitaker (então vereador pelo PT) alugaram uma casa na Barra Funda em São Paulo (a “casa da rua Marta”), onde reuniam jovens economistas, cientistas políticos, jornalistas, historiadores, sindicalistas e militantes em geral. A idéia era formular propostas para o debate interno no PT e na esquerda. Lembro bem que o Plinio achava um equívoco formulações de petistas que, naquela época, apostavam na formação de “conselhos populares” (sovietes?!) para substituir o poder das Câmaras Muncipais e assim criar o embrião de uma nova “institucionalidade”.
Para ele (e eu concordava), era coisa de gente fora da realidade: “isso só se faz em conjunturas revolucionárias; no Brasil, a luta atual é pra melhorar a democracia”, dizia. Mas, aos poucos, o Plinio mudaria.
Em 90, virou candidato ao governo de São Paulo. E lá fui eu ajudar na campanha. A ala majoritária do PT não se esforçou muito, e ele teve cerca de 10% dos votos. Plinio já começava a mostrar uma característica que só se aprofundaria nos anos seguintes: um certo desânimo com a política puramente institucional, e a aposta no fortalecimento dos movimentos sociais. No segundo turno pra governador em 90, sobraram Fleury (PMDB) e Maluf (PDS). Plinio defendia voto nulo. A turma que se reunia na rua Marta reagiu. Nunca vi aquilo. O velho militante teve que engolir jovens militantes a dizer que era necesário votar em Fleuy, sim, para derrotar o “inimigo principal”.
Lembro de uma jovem amiga, arquiteta e muito inflamada, dizendo que Plinio estava sendo sectário, míope. Ele só franzia a testa, como faz até hoje nos momentos de gravidade. Mostrou grandeza porque ouviu tudo calado. Mas no dia seguinte saiu na imprensa que ele pessoalmente pregaria voto nulo – sim! Acabei votando no Fleury no segundo turno (será que o Plinio é que estava certo?).
O velho militante católico, moderado, caminhava para a esquerda. Sairia do PT quinze anos depois, seguindo os mesmo passos de Erundina e Chico Whitaker. Ao longo dos anos, Maluf – ex ”inimigo principal” – virou aliado do governo Lula em alguns momentos. Fleury sumiu. Acho que está no PTB (partido que também compôs a base de Lula).
Plinio se aprofundou nas questões sociais. Venceu um câncer, e seguiu a militar pela Reforma Agrária. Passei anos sem falar com ele (eu estava tentando ganhar a vida, trabalhando feito louco como jornalista, distante dos debates). Até que em 2005 nos reencontramos: eu era repórter da Globo, e ele candidato a presidente do PT, durante a crise pós-Mensalão. Bem-humorado, interrompeu a coletiva no meio da rua, pra dizer: “esse aqui, olha, já trabalhou comigo, agora está aí na Globo…” Falou sem ódio, bem-humorado. Eram os fatos.
Em 2006, uma boa surpresa: quando saí da Globo, de forma tumultuada, recebi centenas de telefonemas de apoio e solidariedade. Um deles me emocionou especialmente. Era Plinio: “Olha, Rodrigo, eu já tô meio velho mas sigo por aqui, se precisar de mim sabe que não fujo da briga”. Fiquei surpreso, e grato. Essas coisas a gente não esquece. Gosto de quem não foge da briga, e mais anda de quem é capaz de fazer isso sem agressividade desmedida. É o caso do Plinio.
Nos últimos anos, retomamos algum contato: em entrevistas na “Record News”, em festas na casa de amigos comuns. Há 40 anos de diferença separando Plinio e esse humilde escrevinhador. Mas há uma ligação afetiva que não se desfaz.
Não concordo com tudo o que ele diz. Acho que a esquerda deveria reconhecer os avanços da era Lula. Deveria partir disso para construir uma alternativa melhor, e não atacar o legado de Lula. Por essa razão, provavelmente, não votarei nele dessa vez. Mas minha admiração e meu respeito pelo Plinio são irrevogáveis.
Quando eu o vi brilhar sozinho, no chato debate da “Band”, relembrei todas essas histórias. E, sozinho na sala de casa, vibrei comigo mesmo: “dá-lhe, Plinio!” Já passou da hora de alguém escrever a biografia do Plinio, um lutador, um cristão socialista que ama o Brasil.
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60 Comentários




Sinceramente, a única coisa que foi favorável a Plinio no debate é o fato de ele ter sido franco atirador.
Perdeu chance de falar sobre o socialimo de forma que o povo pudesse entender e não para os esquerdóides que querem fazer revolução sem o povo.
Virou quase um Enéas da esquerda, um excentrico, um espantalho.
Não entendo qual foi a grande coisa que ele fez no debate.
Falou como aqueles chatos do passado, sendo que o socialismo é uma alternativa para o futuro, para que a humanidade sobreviva ao processo de devastação ambiental e tudo mais.
Faltou didática a ele. Quanto a ter apimentado o debate. Qualquer salzinho ali, seria grande coisa diante do total insosso. Não pode ser mérito.
Concordo com suas generosas palavras Rodrigo. Pode-se discordar do Plínio (e eu também ando discordando), mas nunca duvidar que é um patriota e um homem honesto e íntegro como poucos. Um abraço.
O Plínio e outros que hojem formam o PSOL cometeram um erro que é bem comum na esquerda, o erro de dividir em vez de construir. Quando houve o desmantelamento do PT em 2005, causado pela burocracia do partido, alguns membros do PT se voltaram contra o partido, em vez de se voltarem apenas contra os que levaram o partido ao escândalo do caixa 2 (chamado pela imprensa de escândalo do mensalão). O PT é hoje, gostem ou não, o que Lênin chamava de vanguarda da classe trabalhadora. Não é um partido revolucionário; mas não é por que não existe circunstâncias revolucionárias no Brasil. A própria classe trabalhadora brasileira nunca foi revolucioária; nem hoje, nem na época da fundação do PT, nem na época de Luís Carlos Prestes.
O debate na band foi chato, mas não por causa das regras, e se porque os dois candidatos principais sabem que não são ameaçados por uma terceira candidatura. A Dilma e o PT acham (assim como eu) que o Lula tem força suficiente para dar a vitória para ele; e o Serra, na atual situação, se conforma em levar a eleição para o segundo turno. Então fica assim, o Serra procura não bater tanto no Lula e a Dilma tenta fazer com que o Serra bata no Lula. A polarização gera isso.
Mas se o debate é chato ou não, isso não importa, o que importa é que vença aquele que faça o melhor possível pela classe trabalhadora. Com certeza, esse candidato é o Serra, que bate nos movimentos sociais e ataca os sindicatos. rs rs Brincadeira.
“O PT é hoje, gostem ou não, o que Lênin chamava de vanguarda da classe trabalhadora.” – as coisas mudaram tanto, que já não sei se essa linguagem ainda se presta a descrever o que é um partido como o PT. Seu poder e sua importância no cenário partidário brasileiro são inegáveis. Mas eu diria que ele é hoje, gostem ou não, o que já disse Chico de Oliveira: algo como a vanguarda da elite sindical controladora dos vultosos fundos de pensão.
Rapaz, que beleza de texto!
Como você, tenho uma grande admiração pelo Plínio.
Pela sua firmeza de caráter, pela sua maneira educada de agir e pela sua capacidade imensa de lutar por aquilo em que acredita.
Por isso, fico feliz quando vejo alguém como você conseguir colocar no papel uma homenagem tão bonita como essa.
Assino em baixo.
..Rodrigo..!?
..Eu só vi o finalzinho do “debatBAND”,…pois não
..daria minha audiência prá essa máfia disfarçada de
..”balcão democrático”.
..Porém, fiquei chocado com o “semblante” e a “mensagem”
..do Plínio.
..Tudo que você falou sobre ele eu assino embaixo,
..todas as qualidades e o caráter, mãns
..o ressentimento dele é gritante e isso pegou muito mal.
..O discurso contra o “bom-mocismo” e a realidade
construída do governo LULA é BROCHANTE,…pois mostra
..como ele não tem noção do que é estar no poder.
..Eu fiquei triste e descepcionado no mesmo grau
..de quando Heloisa Helena sai do senado para o COLLOR,
..entrar.
..Abraço,…Fábio.
Tudo bem, o passado de Plínio é edificante, mas o Plínio só não pode afirmar que Lula assentou menos sem terras que FHC. Coisa sem fundamento nem amparo empírico que não fica bem pra uma pessoa do seu porte, parece até que ele está jornando merda no ventilador apenas. O blog do Noblat, por exemplo, já está usando esta inverdade como arma. Lamentável!
Só para esclarecer: o INCRA órgão executor da reforma agrária no Brasil assenta famílias de duas formas: 1) arrecada terras e as fraciona em lotes a serem distribuídos às famílias (e isso pode ser feito em terras privadas – desapropriações – ou em terras públicas, como o Lula tem feito em sua maioria – o que, evidentemente não altera diretamente a estrutura fundiária) e 2) re-assenta famílias em lotes vagos dos antigos assentamentos. Nesse segundo caso são novas famílias assentadas no lugar daquelas que por algum motivo saíram dos seus lotes. O INCRA prefere contar como duas famílias. O Plínio, seguindo a lógica dos movimentos sociais e dos acadêmicos críticos, não. Acho discutível, mas não há uma inverdade sequer no que ele disse. O FH criou mais “novos vagas”, novos lotes para famílias que o Lula. Só não deu para explicar melhor.
Lyncoln – Servidor INCRA/ES
Obrigado pelas explicações técnicas de primeira qualidade. Nada como ler fontes de alto nível. Concordo com a metodologia de contagem do Plínio, mas discordo da interpretação final. Mexer na estrutura fundiária no momento econômico e político atual seria mesmo difícil, embora importante. Assentar em terras do Estado é uma alternativa pior, mas possível. Essa talvez seja uma diferença sutil entre o que se quer e o que se pode fazer.
Lindo relato, Rodrigo!
Plínio tem minha admiração e respeito. É um exemplo de militante.
Não podemos deixar que a imprensa o caracterize simpelsmente como um franco-atirador na eleição. A candidatura dele tem como objetivo levar a pauta dos movimentos sociais para as eleições. E ele fez muito bem. Fiquei orgulhoso de ver os candidatos sendo obrigados a se posicionarem sobre jornada de trabalho, concentração de terras, desmatamento.
Era o papel que devia ter sido sido exercido por heloísa Helena na eleição passada, mas ela só falava de escândalo, de corrupção. Não contribuíu em nada para o debate da esquerda.
É isso. Boa sorte ao Plínio nas eleições. Não sei se voto nele, depende da conjuntura da campanha, mas fico feliz pelo papel que ele começou a desempenhar.
… Plínio de Arruda Sampaio: nasceu homem e cada vez mais torna-se um menino!
NOTA: esta frase originalmente foi formulada em referência ao escritor Fernando Sabino. No entanto, cabe como uma luva para o menino da utopia, o bom e velho Plínio de Arruda Sampaio, uma espécie de [raríssimos] homens bons que sobrevivem em meio a tantos ordinários, mercenários, promíscuos e impostores… Em meio a tantas aleivosias…
BRASIL – em homenagem ao egrégio Plínio de Arruda Brasileiro Sampaio
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo
Rodrigo,
Belo texto,
Também não tenho simpatias pelo Psol, mas Plínio de fato é uma figura que suplanta o partido, tem uma maturidade juvenil.
Só achei um equívoco, a postura dele no PED de 2005 – onde disputou com Berzoini, foi para o segundo turno, uma vez perdendo, saiu.
Acho que se já não estava bom prá ele, deveria ter saido sem disputar, acho que é uma nódoa no curriculo dele.
Boa, Rodrigo. Talvez Plínio esteja a ouvir o discurso de mais jovens enredados no academicismo. Falta, quem sabe, falar de socialismo com igualdade a partir da epistemologia e da linguagem do povo. Estas estão no entorno daqueles que sentem o cheiro fétido dos riachos urbanos a céu aberto. Se os diplomados lhes derem ouvido e sintonia, os discriminados saberão emprestar generosamente suas vozes ao socialismo com liberdade.
Dá-lhe Rodrigo Vianna!: texto lapidar, duas histórias de vidas que têm muito em comum, apesar da discrepância das idades, “um banho de cuia” na cronologia…
Parabéns, a você e ao Plínio, ‘escrevinhando’ a história!
Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia, Brasil
Ah… se nossos políticos tivessem 20% da decência, coerência e espírito público do Plínio, estaríamos vivendo num país muito melhor. Fico muito feliz que o Plínio tenha sido novamente apresentado ao país pelo debate da BAND.
Que texto lindo, Rodrigo.
Caro Rodrigo
Respeito a sua simpatia pelo Plínio.
Porém,em termos políticos, penso que é uma fraude tentar convencer o povo brasileiro que “igualdade social” é algo que se consegue com canetadas de um presidente eleito.
Um político de larga trajetória,como ele, Plínio, obrigatoriamente sabe que há uma diferença objetiva entre o possível,o provável e a fantasia. Quando opta por pregar a fantasia, não está defendendo o direito de se sonhar um sonho impossível. Está, na verdade, praticando o ilusionismo político.
Um ilusionismo que não provoca nenhum acúmulo de forças para as massas trabalhadoras mas, em compensação, em face de sua inutilidade torna-se um fator de desalento para o povo e um fator de reforço para as classes dominantes.
Foi assim que se perdeu a última eleição no Chile.Plínio é a esquerda que a direita adora.
Só que aqui no Brasil, há duas coisas que o povo já aprendeu: duvidar de intelectuais e da mídia.E, acompanhando o que acontece na América do Sul,está elaborando a sua própria teoria política a partir da sua própria experiência histórica.
Daí que Dilma Rousseff,por mais incrível que pareça, ainda não foi percebida pela mídia e intelectualidade brasileiras como um fenômeno político de primeira grandeza,embora já o seja.Um fenômeno criado e impulsionado pelas massas trabalhadoras do país.As mesmas que apoiam Lula.
Rodrigo, camarada, Plínio é um grande companheiro. Só não sei por que entrou nessa de sair do PT e acreditar numa fórmula arcaica como o PSol. Tem muita gente boa lá, apesar disso, como o Plínio.
Vi seu empenho em criar o Correio da Cidadania, agora circulando somente em versão eletrônica. Tudo coisa legal.
E, muito generosamente, fez a apresentação de um livro que editei há alguns anos, de Alejandro Buenrostro, sobre o movimento indígena que gerou os zapatistas, um primor de texto.
Abraço!
Rogério Chaves
Rodrigo,
Parabens a vc pela clareza do texto, compartilho com sua brilhante analise sobre o Plinio e sua trajetoria de contribuicoes ao Brasil e a Esquerda.
Saudacoes Ricardo Baratieri
Não me leve a mal, Rodrigo, mas encher a bola do Plínio é fazer o que a direita quer: abiscoitar uns pontinhos para ele causando um 2o turno. É outro ressentido com o PT. Como diria o Brizola, é a esquerda que a direita adora.
Um interessantíssimo artigo sobre as posições ultra esquerdistas no quadro político atual,que me fez compreender exatamente qual o significado real das falas de Plínio no atual contexto:
http://pedroayres.blogspot.com/2010/07/longa-marcha-de-leao-xiii-ao-imperio.html
Certamente vale a pena a leitura que elucida certos pontos cegos do radicalismo exibido por Plínio.
Não é um vale tudo. Plínio para aparecer defende ideias que, aos menos informados, parecem viáveis; apenas retórica da época collor. Ou seja, enche a cabeça do eleitor de mentira e o coração de felicidade. Logro!
Acredito que o sonho da maioria dos militantes da esquerda é ser sempre oposição. Quando nào se voltam contra a própria esquerda e tentam ficar mais à esquerda, se voltam para à direita. Veja o caso de Serra que se dizia de esquerda, inclusive apoiando João Goulart, hoje é ultra conservador. A Marina Silva se bandeou para a direita, a Heloísa Helena se aliava ao DEM e ao PSDB no Senado para bater no governo Lula.
Essas pessoas, não pensam no país nem no povo brasileiro. Eles pensam em si próprios, em seus projetos pessoais. É a famosa esquerda sem povo. E não querem conquistar o apoio do povo não.
É lamentável, se nào concordam com o que o goveno Lula vem fazendo, porque não tentam se aliar a ele para mudar o governo. Não, se aliam a oposição predadora que sempre roubou este país e, inclusive, eles também.
Ainda bem, que o Presidente Lula não está fazendo como a Ex-presidente do Chile. Caso, contrário, haveria grande chance da direita voltar ao poder aqui também e, um dos motivos é os falsos esquerdistas.
Em minha opinião Plínio presta um desserviço aos trabalhadores. Iguala as políticas dos governos Lula e FHC e, ao mesmo tempo, não oferece uma alternativa viável para o presente. O discurso contra a desigualdade e anticapitalista acaba soando utópico e inatingível, enquanto que as conquistas do atual governo são jogadas pela janela. A única crítica mais contundente dirigida a Serra – o candidato do neoliberalismo – foi chamá-lo de hipocondríaco!
É Joana, ele foi excessivamente benevolente ao Serra, com tantas críticas a serem feitas a este … ele dirigiu uma que merecia à Dilma, cobrando dela melhor tratamento para os funcionários públicos ! Essa foi muito feia, acho que ele devia se retratar, porque todo mundo sabe sobre a valorização com que o governo federal tem contemplado seu funcionalismo. E que o funcionalismo descontente é o dos estados, principalmente de São Paulo, não o federal. É o contrário,todos querem ser funcionários públicos federais para serem bem tratados.
Admiro o Plínio, e não é pouco. Ele foi o sal do debate, mas tb achei que faltou dizer a que veio, desagregou, enfim, ligouo gatilho da Thompson e saiu acertando tudo, à direita e à esquerda.
Quanto à biografia, acho que vc é excelente candidato a autor. Belos textos não vão faltar.
Plínio é sem dúvida um grande homem, mas isso não quer dizer que não possa estar equivocado e em minha opinião está … porque o papel que começa a desempenhar está sendo a alegria da mídia e da direita .. com certeza terá todo espaço na mídia a partir desse debate … e sua ação só beneficiará Serra (e isso é lamentável), pois não tem a mínima condição de vencer a eleição a essa altura do campeonato … além do mais comete uma injustiça imperdoável: “Governo Lula é nefasto”, afirma Plínio de Arruda Sampaio … Depois de ter ajudado a lançar a primeira candidatura de Fernando Henrique Cardoso ao Senado – http://www1.folha.uol.com.br/poder/775984-governo-lula-e-nefasto-afirma-plinio-de-arruda-sampaio.shtml
Mas, Rodrigo…
o Plínio está sendo usado agora para tirar votos da Dilma…
Assim como foi inventada a Marina Silva para estas eleições, descobriram o Plínio agora…
ele já está até dando entrevistas na GloboNews…
Tudo para levar a eleição para o segundo turno…
Como a traira nao esta se saindo o esperado pelo PIG,agora vão investir no util Plinio para levar a eleiçao para o segundo turno.
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Rodrigo,
Também adoramos – eu e meu marido – o desempenho do Plínio. É emocionante ver os sonhos daquele homem sendo expostos assim de uma forma tão nua, corajosa, humanista, bem humorada e utópica…do contrário, não seriam sonhos. Mas o que seria de nós se não fossem os sonhos e os sonhadores. Os grandes avanços da humanidade foram tocados por sonhadores que conseguiram envolver outras almas e corações.
Hoje, porém, creio que é, de fato, necessário um pacto político que garanta sem traumas as conquistas do atual governo e nos ajude a continuar esse projeto de nação. Talvez os 80 anos de Plínio imponham mais pressa a ele, o que entendo e com o que me emociono.
Também me emociona quando você expõe seu afeto por ele. Aliás, não são raros os momentos em que transparece o homem bom e sensível que você é.
o Plinio tem capacidade de análise política limitada. Deixou o PT em 2005, logo após o primeiro turno das eleições diretas internas do partido, implodindo a chance da esquerda petista chegar ao poder – o Plinio garantiu a vitória do Berzoinni. De quebra, levou água ao moinho da direita brasileira que desejava destruir o PT aproveitando a crise do mensalão. Ou seja, Plinio é simpático, bacana, mas politcamente é um desastre.
Jorge, você tem razão, Plínio é simpático, coerente, corajoso, mas politicamente erra muito. Acertou ao contribuir teoricamente e politicamente para construir o PT, mas errou ao fundar o PSOL, dividir a esquerda.
Ele tem grande valor pessoal mas não tem o tirocínio realista para o jogo político, daí acredito que o que ele quer mesmo é converter pessoas, quando um político quer executar um programa e alcançar objetivos reformando o Estado e a sociedade.
Oi Rodrigo,
Texto maravilhoso. Na prévia para a prefeitura de SP apoiei a Erundina. Plínio era apoiado, na época, pelo Lula e Zé Dirceu, como você escreveu. Na noite em que Erundina sagrou-se vencedora, na prévia, Plínio compareceu ao Diretório Municipal – que ficava numa rua estreita próxima a Praça João Mendes – lá pelas nove, dez horas da noite, um Domingo.E com a Erundina e apoiadores, ficamos gritando palavras de ordem pra nós mesmos. A cidade dormia ou via a Globo e a gente ali comemorando. O Plínio junto. Depois ele saiu candidato a governador. Seus apoiadores antigos, que o defenderam na prévia para prefeito, sumiram, deixaram ele só. Boa parte deles faz parte, hoje, do governo Lula.
Mas, o velho (e juvenil) Plínio, vai ao debate da Band e desmonta a lógica dominante. Desconstrói o debate e ensina às três outras candidaturas como se faz política.
PS- Não participei das reuniões da Rua Marta, na Barra Funda (apesar de morar em Santa Cecília, perto dali) mas, olha, sei que tinha umas figurinhas carimbadas com um pique stalinista que persiste até hoje. Não é o seu caso. Muito menos é o caso do Plínio. Um grande abraço.
Caro Rodrigo, o PSOL é a UDN de esquerda com seu discurso calcado numa visão moralista da política, parece o PT pré-histórico.
Ademais, o PSOL cometeu um erro histórico ao se aliar à direita e à FIESP para derrubar a CPMF e tirar 40 bi da saúde do povo brasileiro, ainda comemorou com direito a registro da mídia amiga.
O voto do PSOL é aquele que migra para a direita antes do eleitor chegar aos 30 anos de idade; a turma radical chic nunca foi confiável.
[...] See original here: Lembranças de Plinio, um lutador – Escrevinhador [...]
Fiquei com saudades do tempo em que a esquerda tinha vários quadros do porte de PLINIO A. SAMPAIO,EMIR SADER,SATURNINO BRAGA e os que já se foram como FLORESTAN FERNANDES E CELSO FURTADO, foram muitos. Grandes homens, dignos, exemplos p/ uma geração. Só que envelhecemos e não vejo substitutos deste porte no horizonte. Daí a surpresa que o Plinio causou. Uma raridade hoje em dia.
As esquerdas se renovaram, mas o professor Emir Sader ainda está em ação, escreve no blog Conversa Afiada, é só acompanhar.
Também acho que Plínio de Arruda Sampaio merece respeito pela história de lutas que têm em sua biografia e que, comparado aos outros candidatos que fizeram um discurso para, no mínimo, não se comprometer, provavelmente seguindo a orientação do marqueteiro, pode-se dizer que o Plínio não fez a mesma coisa. Mas o que fez? Aproveitou a oportunidade para dizer como é possível fazer o que os outros não fizeram? Não! O que disse é que precisa haver reforma agrária, serviço de saúde igual a todos, etc. Eu também acho. E daí? Como se faz maioria no Congresso para fazer o que é necessário? Como se mantém uma elevada oferta de emprego sem assegurar mercado interno e competitividade externa e, se o modelo não é esse, como se faz e qual é o custo para se mudar? Lembro-me que um governo recente congelou o preço da carne e instigou a população para fiscalizar os comerciantes. A população aplaudiu de pé e os “fiscais do Sarney” foram à luta. A carne sumiu dos açougues. A população execrou os governantes e tudo voltou ao que era.
O problema do Brasil não é terra de menos, é terra de mais. Milhares de gaúchos saíram rumo à Região Centro-Oeste quando lá as terras não valiam quase nada. Vendiam alguns hectares no Rio Grande do Sul e compravam 200 hectares naquela região. Não havia infraestrutura e nem apoio financeiro. Foram no peito e na raça. Muitos, devido a estas carências desistiram e foram morar nas cidades das regiões. Outros levaram anos, mas fizeram sua vida no campo. Acho que o governo devia ouvir as experiências desta migração e aproveita-las numa reforma agrária bem estruturada. Ainda existe muita terra sem uso no Brasil e muita terra foi grilada, havendo interesse estas terras podem ser retomadas com o uso da justiça e depois distribuídas a quem precisa. Hoje em dia não existe mais terra boa ou terra ruim. Com plantios planejados e manejo correto da terra, tudo é possível.
Plinio arruda,talvez seja uns dos últimos esquerdistas de fato,alguns de nossos ex- esquerdistas”vendidos”como gabeira,freire e césar benjamim de seguir o exemplo dessa cavaleiro que luta por um país mais justos.
Muito bom seu texto Rodrigo pois Plínio é um exemplo de dedicação à defesa do interese públio e dos cidadãos mais desamparados na semi-escravidão econômica em que vivemos em nosso país.
Contudo, considerando que pessoas como ele têm um importante papel a desempenhar como críticos vemos também que os princípios da ação política dele merecem uma análise crítica.
Primeiro, o PSOL se volta contra o PT dividindo e enfraquecendo a esquerda, sem reconhecer as conquistas teóricas e práticas de um partido de esquerda que não é um velho PC, não defende ditadura para implementar seu programa, constrói seu programa com amaplo debate interno e ouvindo a sociedade civil, e governa sem desmoralizar a esquerda com o descalabro das contas públicas bem como sem deixar que a inflação saia do controle, além de implementar programas sociais de elevado alcance humanitário e social.
Segundo, o PSOL defende o socialismo de tipo estatizante e programas de distribuição de renda inexequíveis, como por exemplo, a fixação de um módulo rural de 1.000 hectares. Ademais, a reforma agrária como divisão de terras em pequenas lotes ou glebas é uma coisa anti-econômica e que marcha no sentido oposto do deslocamento da população com o fenômeno da urbanização que começou com a Revolução Industrial no século XIX.
Precisamos avançar na distribuição de renda, como bem enfatiza Plínio. Para isso precisamos de estratégia, táticas e programas estribados em meios exequíveis, que com com certeza não são os veiculados pelas idéias do bravo Plínio e do PSOL.
Pelas razões por você expostas, caríssimo escrevinhador Rodrigo Vianna, votarei em PLínio.
Saudações democráticas !
Acho que o Plinio agiu como franco atirador, não tinha nada a perder, se batesse mais talvez pudesse ter levado algum candidato a devolver-lhe as provocações.
No mais, suas teses são inaceitáveis, a não ser ser contra o desmatamento, o que o Aldo Rebello é a favor e comunista. Se dividirmos as terras do jeito que ele diz, teremos o caos na agricultura, gente sem dinheiro e com muita terra e gente com dinheiro e sem terra.Temos que proteger a industria brasileira rural, colocar freios na internacionalização da produção agricola, talvez exigindo cotas nas empresas estrangeiras para investidores nacionais.
Quanto a diminuição da hora de trabalho é função de deputados discutirem no Congresso.
Um texto desse, o homenageado não pode ficar sem ler. Espero que Plínio conte, aqui, o efeito que essas lembranças rodriguianas causaram em sua ainda sonhadora cuca.
Rodrigo, passei a gostar mais do Plínio ao saber que ele não apoiou o voto em Fleury. O governador do massacre de 111 no Carandiru tem todos os defeitos de Maluf piorados, mas nenhuma das qualidades.
Nota: rolou a cabeça do então secretário de Segurança, meu amigo mojimiriano Pedro Franco de Campos, mas a gente desconfia que a ordem tenha partido de Fleury.
gente boa.. grande figura.
mas agora.. na segunda adolescência.. não ajuda muito.
ou ajuda.. a direita.
de qualquer forma.. os votos da esquerda infantil.. não decidem nada.
..
Plinio de Arruda Sampaio é um quatrocentão da elite paulistana brincando de esquerdista. No debate, jogou para aparecer no CQC e no Pânico – vmos conferir hoje no CQC? Suas propostas beiram o folclore, daqui a pouco ele vai reivindicar a nacionalização das empresas automobilísticas, regime de 30 horas de trabalho semanais e o fim dos impostos. Pobre PIG, quando o povo perceber que Plinio é um fantoche da imprensa golpista para evitar a vitória de Dilma no primeiro turno, eles terão que inventar um novo “Plinio”? Quem será? O Levi Fildelix?
E o SerraAbaixo . …..
fico impressionado como os lulistas, no afã de evitar a vitória eleitoral tucana, desesperam-se em evitar qualquer discussão séria acerca dos rumos do país e de projetos de futuro. Dizer que Plínio está fazendo o jogo da direita e da mídia conservadora é inaceitável !
Quer dizer que a partir de agora a “Globonews” vai passar a propor o limite de propriedade de 1000 ha (que eu considero justo para se viver com dignidade e ainda gerar renda no meio rural)? Pensem além da propaganda e do circo marqueteiro-midiático, diabos !
“(…) reforma agrária como divisão de terras em pequenas lotes ou glebas é uma coisa anti-econômica e que marcha no sentido oposto do deslocamento da população com o fenômeno da urbanização que começou (…)” blá, blah e bçá. Então, comentarista núm. 37, o que fazer com as famílias acampadas que lutam por dignidade no meio rural e se recusam a inflar as periferias urbanas ? Deixar eles se foderem para depois distribuir ‘bolsa’ e tirá-los da miséria? O que senão as pequenas glebas rurais para promover geração de empregos em massa, fixação do homem no campo e produção de alimentos saudáveis para abastecer o mercado interno ?
“presta um desserviço aos trabalhadores” (comentário 21) quem defende abertamente a redução da jornada de trabalho, uma das principais demandas atuais do trabalhismo ? Que afirmação mais sem lógica !
É grave e lamentável, Escrevinhador, que no momento – Eleições para presidente, governador, deputado e senador – em que se fazem necessários os debates acerca do país que queremos, evita-se criar “polêmica” para não prejudicar a candidatura X, Y.
Moral da história: Plínio, defendendo mais qualidade de vida para os trabalhadores e enfrentando o latifúndio e os grandes desmatadores, faz o “jogo da direita”. E quanto ao Índio da Costa, associando o PT às Farc e narcotráfico ? Até agora tem feito “o jogo da esquerda”…?
Fazem melhor, incautos comentaristas , em ressuscitar Stanislaw e seu fe-be-a-pá…
É isso ae!
Plínio tem todo o meu respeito como lutador que é.
Eu não estava com ele na direita do PT e nem vou estar no vanguardismo do PSOL. Acho mesmo um disperdício de inteligência e que ele sempre esteve equivocado…
Excelente e emocionante texto. Parabéns !
esse sugeito vai fazer o mesmo papel que a heloisa imbecil helena fez , e todo mundo fica elogiando esse idiota ultrapassado . gente do psol , todo mundo pode ter uma certeza , sempre dizendo que é de esquerda , mas no fundo esses idiotas estao sempre ajudando a direita. acorda povo brasileiro . essa turma odeia o lula e mais nada . o programa de governo deles é sempre esse , falar mau de lula e da dilma .
Não, mineiro. Esse não é bem assim. Ele sempre esteve do mesmo lado. Está apenas sonhando sonhos já sonhados, e que agora vemos que estão distantes de se realizar. Mas, ele indica um caminho para a juventude, e sempre é bom ter alguém mais à esquerda para relembrar o ideário político original. Ele não é como Heloísa Helena, nem como Marina. Ele quis demarcar um alvo mais distante para as conquistas, alargar os horizontes da esquerda, mesmo que, com isso, tenha prejudicado a Dilma, o que também não achei justo.
Adorei o artigo,mas caros colegas parem de dizer que o Psol enfraqueceu a esquerda,ele apenas dividiu o Pt que ja ,com a saida dos fundadores do Psol.O triste que muitos de vocês ainda classificam acham o Pt de esquerda!
Rodrigo,
Fiquei emocionada com este artigo, no qual voce dá o seu depoimento pessoal a respeito deste homem admirável que é o Plinio de Arruda Sampaio. Das suas, faço as minhas palavras,e, ainda, acho que é uma das poucas pessoas que passaram pela vida política brasileira que merece a admiração da população.
Rodrigo, votei no Plínio de Arruda Sampaio sempre que ele foi candidato. Mas, no debate da Globo, não achei justa a avaliação que ele fez do governo Lula, nivelando-o ao de FHC, e o desmerecendo no que teve a coragem de fazer de mais avançado: valorização dos serviços e funcionários públicos. Todos funcionários públicos gostariam de trabalhar para o governo federal, onde se tem carreira, paga-se salários justos, onde se é valorizado, o descontentamento é nos estados. Mas, a fala de Plínio no final foi comovente. Um apelo para que a juventude acredite no impossível, e se empenhe na luta por um mundo melhor. Lembrei de mim mesma quando tinha 17/18 anos e pensava como ele: imaginávamos que o capitalismo estava decadente, e que em breve viveríamos uma sociedade comunista. Isso não aconteceu. Foi uma desilusão muito grande, algo de muito doloroso, que muito perturbou nossas vidas. Levou anos para que essa geração se conformasse em voltar, desses sonhos, para a sociedade capitalista, na qual iria passar o resto de sua vida. Somente agora, com a advento do governo Lula, a esperança reapareceu. Agora compreendemos que, é possível que o povo ainda não queira abolir a propriedade privada, ao contrário, pode querer ser proprietário, e o capitalismo ter ainda muito fôlego. O sonho que o poeta Plínio passa para a juventude eu já sonhei, e depois tive um pesadêlo. Acho agora é hora de usufruírmos de algo real.
Eu também gritei “Dá-lhe, Plínio” e me emocionei com ele. Bons tempos aqueles…
foi o plínio que abriu o flanco de dilma, o serra muito burocratico não aproveitou a chance, porém, a marina foi magistral. marina aproveitou a chance de ser alternativa ao pt/psdb na forma de um boxeador experiente. golpes curtos e precisos para enervar o adver´sario ao ponto de se cometer um erro. foi lindo a ação da marina.